Matriz de Lançamentos Um novo instrumento para aplicação na Contabilidade Prof. Natan Szuster Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Profa. Fortunée Rechtman Szuster Professora-Convidada da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV/RJ) Profa. Flávia Rechtman Szuster Professora Adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) O método apresentado no presente trabalho, fundamentado na Matriz de Lançamentos, tem sido por nós aplicado e tem despertado grande interesse no meio acadêmico, tanto por parte de alunos quanto de professores que passam utilizá-lo em suas aulas e pesquisas. Também tem sido aplicado na área empresarial por profissionais no desenvolvimento de raciocínios contábeis. Em virtude da convergência internacional, com a emissão de uma grande quantidade de normas contábeis e o surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas, o ensino da Contabilidade também precisa de uma nova roupagem para continuar despertando a devida atenção em sala de aula, não se mantendo como complexo e ininteligível. Fez-se necessário uma nova metodologia para ensinar e difundir a sua aplicação de forma integrada e transparente. Com essa nova realidade, objetivando que a Contabilidade permaneça com seu papel relevante de gerar informações para decisões empresariais, foi desenvolvida a Matriz de Lançamentos. Esse processo ocorreu através de experiências práticas de ensino em cursos de graduação e utilização piloto com equipes multiprofissionais. Através da sua utilização, podem ser visualizadas, de forma integral, as transações econômicas e seus efeitos, e de forma direta a elaboração das Demonstrações Contábeis, de um modo bem mais simples e imediato. Propicia, ainda, a visão clara da inter-relação entre elas. Em virtude da convergência internacional, com a emissão de uma grande quantidade de normas contábeis e o surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas, o ensino da Contabilidade também precisa de uma nova roupagem para continuar despertando a devida atenção em sala de aula. 12
Essa matriz em forma de uma planilha constitui um recurso que pode ser de extrema utilidade para o estudo da Contabilidade e também para a sua aplicação prática, em qualquer tipo de atividade. A sua utilização pode ocorrer para retratar as operações realizadas e também para o planejamento estruturado de uma transação econômica antes que ela ocorra. A matriz propicia a plena visualização de uma sequência de transações, cujos efeitos devem ser analisados de forma conjunta. No campo didático, deve ser muito útil para o aluno conhecer o desenvolvimento do ciclo contábil desde a análise e o reconhecimento das transações econômicas até a elaboração das Demonstrações Contábeis. De forma simultânea, tem-se o lançamento no Diário e no Razão. A aplicação da Matriz nas primeiras aulas ajuda muito no entendimento desse processo. Em nossa experiência verificamos que os alunos ganharam muito em concentração e objetividade. Um grande benefício ficou patente no estudo da Demonstração dos Fluxos de Caixa. Uma ampla vantagem foi o grande aumento no acerto dos exercícios e provas, pois ficou muito fácil a descoberta de falhas normalmente incorridos. O entendimento dos efeitos das operações pode ocorrer com maior clareza, como acreditamos que pode ser verificado na aplicação em um exemplo da Uma das maiores descobertas da humanidade é o método das Partidas Dobradas, que é utilizado em todos os países do mundo, abrangendo os conceitos de Débito e Crédito. Entretanto, o não entendimento imediato das expressões débito e crédito é a grande restrição ao seu entendimento. Instrução RFB n o 1.515/2014. Com certeza, uma das maiores descobertas da humanidade é o método das Partidas Dobradas, que é utilizado em todos os países do mundo, abrangendo os conceitos de Débito e Crédito. Entretanto, o não entendimento imediato das expressões débito e crédito é a grande restrição ao seu entendimento. Além disso, na realização de raciocínios e exercícios, segundo os alunos, muitas vezes as inúmeras contas em T ocupam todo o espaço do quadro, tornando disperso o raciocínio e confusa sua reprodução nas Demonstrações Contábeis. Esse fato gera dispersão e desmotivação do aluno, que é ampliada pelo uso de celulares. Desse modo, foi sendo desenvolvida essa metodologia de ensino que gera participação ativa no método de aprendizagem, além de se assemelhar a um processo lúdico que estimula o raciocínio lógico. Como Montar a Matriz de Lançamentos - Exemplo Inicial A metodologia a ser apresentada neste trabalho poderá parecer familiar de muitos, a princípio considerando o conhecimento da técnica de Balanços Sucessivos apresentada em muitos livros e aplicada no início dos cursos de Introdução à Contabilidade. O ponto que desejamos frisar neste texto é que essa técnica deve ser aplicada de forma amplamente generalizada e não restrita às primeiras aulas. Sua aplicação prática deve ser adaptada a qualquer tipo de atividade. Por esse motivo, não existe um padrão de quais contas que deverão fazer parte da Matriz de Lançamentos. A rigor, qualquer transação pode ser melhor visualizada através desta. Em uma empresa, o debate dos efeitos poderá ocorrer através da visualização de uma sequência de operações. Inclusive para o caso de simulações sobre as consequências do registro de uma operação que esteja ainda sendo estudada e decidida. No início, para fins didáticos, a Matriz deve ser realizada a mão, pois sua organização inicial é o ponto central para sua compreensão e aprendizado. 13
Quando se tiver com pleno domínio de sua montagem, pode-se passar para uma planilha como o Excel. A seguir, apresenta-se um exemplo simplificado da Matriz de Lançamentos. É admitido que o Balanço Inicial de uma empresa seja: Balanço Patrimonial Ativo Circulante Passivo Circulante Caixa 10 Fornecedores 4 Estoque 3 Contas a Pagar 2 Ativo Não Circulante Patrimônio Líquido Veículo 5 Capital Social 12 Total 18 Total 18 A visualização da Matriz é a seguinte: ATIVO PASSIVO PL RESULTADO Caixa Estoque Veículo Fornecedores Contas a Pagar Capital Social Despesas Receitas Transações D C D C D C D C D C D C D C Como base, as contas são transcritas no eixo horizontal. Neste caso, têm-se as contas do Ativo (Caixa, Estoques, Veículo), do Passivo (Fornecedores, Contas a Pagar) e em sequência do Patrimônio Líquido - Capital Social. Outras contas patrimoniais poderão ser utilizadas de acordo com o Plano de Contas e as operações realizadas. A Matriz não só intercala Ds (débitos) e Cs (créditos) como ainda leva a que, na horizontal, o total do D deva ser igual à conta C (débito = crédito), e para a devida verificação do raciocínio o total da linha deverá ser zero. Em relação às contas de resultado é utilizada uma estratégia para facilitar o aprendizado. As Despesas são colocadas antes das Receitas, uma vez que sempre o Débito vem antes do Crédito e facilita o raciocínio inicial. Além disso, confrontando as operações diretamente entre despesas e receitas, a Demonstração do Resultado será, também, automaticamente montada para que em seguida o Resultado seja transferido à conta de Lucros/ Prejuízos Acumulados no Patrimônio Líquido. No eixo vertical as transações econômicas vão sendo reconhecidas. Na primeira linha é apresentado o saldo Inicial e adicionadas, a cada linha, as novas transações econômicas com o respectivo Histórico. E assim por diante, preenchida uma linha para cada operação. Na última coluna deve-se ter o saldo das movimentações de cada linha, com os débitos e saldos devedores tomados como tendo sinal positivo e os créditos e saldos credores com valores negativos. Para mais fácil compreensão apresentaremos, neste primeiro exemplo, apenas as seguintes transações econômicas: 1- Compra de Estoque a vista, R$ 9. 2- Venda do Veículo a vista por R$ 5, que representa seu valor contábil. O reconhecimento das transações na Matriz tem a seguinte constituição: 14
ATIVO PASSIVO PL RESULTADO Caixa Estoque Veículo Fornecedores Contas a Pagar Capital Social Despesas Receitas Transações D C D C D C D C D C D C D C S. Inicial 10 3 5 4 2 12 0 Compra Estoque 9 9 0 Venda Carro 5 5 0 Total 6 12 0 4 2 12 0 Total = 18 Total = 18 0 Em cada operação podemos observar que qualquer transação deve ser traduzida pela Contabilidade em números através de um lançamento com a movimentação de pelo menos duas contas. Após esse reconhecimento, é efetuada a prova que a mesma transação, quando adicionada na linha horizontal, deverá sempre ter um valor igual a zero. Os mais experientes devem reconhecer que esses raciocínios são muito importantes quando se está iniciando na Contabilidade. E, a partir dessa Matriz, verifica-se, de forma direta, a obtenção do total dos elementos integrantes do Balanço Patrimonial. Balanço Patrimonial Ativo Circulante Passivo Circulante Caixa 6 Fornecedores 4 Estoque 12 Contas a Pagar 2 Ativo Não Circulante Patrimônio Líquido Veículo 0 Capital Social 12 Total 18 Total 18 Na essência, o que está sendo apresentado é uma forma aprimorada do que vem sendo utilizado em Contabilidade. Para quem está habituado com a abertura de inúmeras contas T, essa matriz aglutina todas elas. Após a aplicação da Matriz, os alunos aprendem a ler o enunciado com mais atenção, e para classificar cada evento num formato concreto e toda vez quando que imaginarem uma transação, irão pensar em todos os aspectos inter-relacionados, isto é, Ativos aumentam através de débito e diminuem pelo crédito havendo o oposto para o Passivo e Patrimônio Líquido. Exemplo com Contas Patrimoniais e de Resultado Suponha que a empresa possui o seguinte Balanço Patrimonial inicial: Balanço Patrimonial Veículo 10.000 Capital 10.000 15
Será admitida a venda de um ativo imobilizado, cujo valor contábil é R$10.000, por $8.000 à vista, incorrendo em um prejuízo. O lançamento no Método Tradicional seria: Débito Caixa 8.000 Débito Outras Despesas Operacionais 2.000 Crédito Veículos 10.000 Na Matriz de Lançamentos, a movimentação será realizada da seguinte forma: ATIVO PL RESULTADO Caixa Veículo Capital Social Despesas Receitas Transações D C D C D C D C S. Inicial 10.000 10.000 0 Venda Veículo 8.000 10.000 2.000 0 Total 8.000 10.000 2.000 0 Fluxo de Caixa (Método Indireto) Fluxo de Caixa (Método Direto) Balanço Patrimonial DRE F. Cx. das Operações F. Cx. dos Investimentos Ativo Prejuízo (2.000) Venda Imobilizado 8.000 Caixa 8.000 Out. Desp. Oper. (2.000) Outras Desp. Oper. 2.000 Total 8.000 Prej (2.000) Res. Ajustado 0 Variação Total 8.000 PL F. Cx. dos Investimentos Caixa Inicial 0 Capital Social 10.000 Venda Imobilizado 8.000 Caixa Final 8.000 Prejuízo Acum. (2.000) Variação Total 8.000 Total 8.000 Variação Total 8.000 De acordo com o exemplo apresentado, através da Matriz existe uma visão completa e inter-relacionada sobre o que ocorre entre as contas. Além disso, as Demonstrações Contábeis já apresentam suas bases prontas, sendo apenas necessário que sejam transcritas. O Balanço Patrimonial é elaborado como transcrição direta dos saldos das contas da Matriz e o Total destas. A Demonstração do Resultado decorre da agregação das Receitas e das Despesas. A Demonstração dos Fluxos de Caixa Direto é a reprodução do Caixa com a devida classificação em Operacional, Investimento e Financiamento. E no Método Indireto, neste exemplo, partimos do Resultado e incluímos o Ajuste das contas de resultado que não impactam o caixa em termos operacionais. A Matriz propicia uma análise mais clara das operações. Neste caso da venda do Ativo Imobilizado por um valor inferior ao contábil, apesar de ter entrado dinheiro em caixa aumentando o valor em relação ao fluxo de caixa (investimentos), tem-se um prejuízo na DRE. 16
Exemplo com Foco na Demonstração dos Fluxos de Caixa A empresa possui o seguinte Balanço Inicial: Balanço Patrimonial Caixa 300.000 Fornecedores 140.000 Estoque 200.000 PL Equipamentos 100.000 Capital Social 460.000 Total 600.000 Total 600.000 As seguintes operações ocorreram: a. Venda de 80% Estoques a prazo 350.000 b. Custo Mercadoria Vendida 160.000 c. Pagamento 90% do saldo d Fornecedores 126.000 d. Depreciação Equipamento (10%) 10.000 e. Venda Equipamento a vista Dezembro 90.000 f. Obtenção Financiamento Bancário 120.000 ATIVO PASSIVO PL RESULTADO Caixa Clientes Estoques Equip. Depreciação Fornecedores Financ. Cap. Social Despesas Receitas D (C) D (C) D (C) D (C) D (C) (D) C (D) C (D) C D C Saldo Inicial 300.000 200.000 100.000 140.000 460.000 a. Venda a Prazo 350.000 350.000 b. CMV (160.000) 160.000 c. Pagto. Forn. (126.000) (126.000) d. Depreciação 10.000 10.000 e. Venda Equip. 90.000 (100.000) (10.000) f. Fin. Banc. 120.000 120.000 Total 384.000 350.000 40.000 - - 14.000 120.000 460.000 170.000 350.000 DFC Mét. Direto DFC Mét. Indireto Balanço Patrimonial DRE F. Cx. das Operações F. Cx. das Operações Ativo Passivo Rec. Vendas 350.000 Pagto. Fornec. (12.600) Lucro 180.000 Caixa 384.000 Fornecedores 14.000 CMV (160.000) Deprec. 10.000 Clientes 350.000 Financiamentos 120.000 Lucro Bruto 190.000 F. Cx. dos Investimentos Luc.Ajustado 190.000 Estoques 40.000 PL Desp. Dep. (10.000) Venda Equip. 90.000 Aum Clientes (350.000) Cap. Social 460.000 Luc. Líquido 180.000 Red. Estoque 160.000 Res. Lucros 180.000 F. Cx. dos Financiamentos Red. Fornec. (126.000) Total 774.000 Total 774.000 Fin. Bancário 120.000 Tot. F. C. O. (126.000) Variação Caixa 84.000 F. Cx. dos Investimentos Venda Equip. 90.000 S. In. Caixa 300.000 Variação Caixa 84.000 F. Cx. dos Financiamentos S. Final Caixa 384.000 Fin. Bancário 120.000 Variação Caixa 84.000 17
Neste exemplo, o foco está na elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa, algo bem mais simples segundo a Matriz de Lançamentos. O objetivo é auxiliar principalmente na preparação no Método Indireto, em especial do Fluxo Operacional que é considerado um tema de grande dificuldade. De acordo com a Matriz, o método Direto é obtido através da transcrição da coluna referente à conta Caixa. Nessa sistemática deve haver a separação entre os Fluxos Operacional, Investimento e Financiamento, o que pode ser pensado já na elaboração da Matriz, colocando-se a letra referente a cada um desses Fluxos ao lado esquerdo do evento. Para conferência será subtraída a última linha do Caixa do seu Saldo Inicial e encontraremos a Variação do Caixa, valor igual ao resultado do somatório dos Fluxos de Caixa. O passo seguinte é partir para realização do método Indireto. Como os Fluxos de Investimentos e Financiamentos são iguais ao do Método Direto, estes já estão prontos, bastando ser transcritos. Falta apenas elaborar o Fluxo de Caixa Operacional. Este se inicia com o Lucro ou Prejuízo (DRE), que pode ser encontrado através da diferença das duas últimas colunas. Depois, são efetuados os devidos ajustes com os itens que impactam a DRE e não afetam Caixa em termos operacionais. Por fim, é realizada a diferença entre a última e a primeira linha dos ativos e passivos operacionais, que já estão na Planilha. Neste caso, a regra de ouro deve ser lembrada. Quanto mais ativo não caixa, o impacto é negativo. Ou seja, se há uma redução do estoque significa que foi comprado no período menos estoque do que foi vendido; logo o Caixa aumenta. No caso do Passivo, acontece o contrário. Quanto menor o passivo, menos Caixa. Por exemplo, se houve uma redução na conta de Fornecedores, indica que há menos Caixa, pois houve desembolso superior ao valor das novas compras. O exemplo indica o primeiro efeito através da Despesa de Depreciação. O segundo grupo de ajustes representa as variações das contas patrimoniais operacionais como o aumento dos Clientes, redução dos Estoques e redução dos Fornecedores. Através dessa Matriz pode-se, ainda, verificar se a venda de imobilizado apurou lucro ou prejuízo (uma vez que na mesma linha pode-se dar baixa deste), verificar se a venda foi a vista ou a prazo, e se foi uma receita ou despesa. Exemplo Prático com Base na IN o 1.515/14 Para finalizarmos os exemplos, objetivamos aplicar a Matriz de Lançamentos em um caso real, ou seja, o Exemplo 1 apresentado no Anexo I da Instrução Normativa n o 1.515 de 24 de novembro de 2014, elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Primeiramente, simplesmente reproduzimos o exemplo exatamente como foi divulgado pela Receita Federal: ANEXO I UTILIZAÇÃO DE SUBCONTAS NA ADOÇÃO INICIAL, AJUSTE A VALOR PRESENTE E AVALIAÇÃO A VALOR JUSTO EXEMPLO 1 ADOÇÃO INICIAL - DIFERENÇA A SER ADICIONADA Arts. 163 e 164 PREMISSAS DO EXEMPLO: - Aquisição de terreno em 02/02/2013 por R$ 100.000, classificado como propriedade para investimento; - Terreno é mensurado, após o reconhecimento inicial, pelo valor justo; - Valores justos em 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 e 31/12/2016: R$ 120.000; - Alienação do terreno em 02/02/2017 por R$ 130.000; - Valor realizado por alienação é dedutível; - Pessoa Jurídica tributada pelo Lucro Real Anual; - Data da adoção inicial dos arts. 1º, 2º, 4º a 71 da Lei nº 12.973, de 2014: 01/01/2015. a) Lançamentos contábeis em 2013: Aquisição do terreno em 02/02/2013: D Terrenos 100.000 18
- Aquisição de terreno em 02/02/2013 por R$ 100.000, classificado como propriedade para investimento; - Terreno é mensurado, após o reconhecimento inicial, pelo valor justo; - Valores justos em 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 e 31/12/2016: R$ 120.000; - Alienação do terreno em 02/02/2017 por R$ 130.000; - Valor realizado por alienação é dedutível; - Pessoa Jurídica tributada pelo Lucro Real Anual; - Data da adoção inicial dos arts. 1º, 2º, 4º a 71 da Lei nº 12.973, de 2014: 01/01/2015. a) Lançamentos contábeis em 2013: Aquisição do terreno em 02/02/2013: D Terrenos 100.000 C Bancos 100.000 Avaliação a valor justo em 31/12/2013: D Terrenos 20.000 C Ganho na AVJ 20.000 b) Demonstração do Lucro Real de 2013, transcrita no Lalur: Lucro líquido antes do IRPJ 20.000 ( ) Ajuste do RTT (20.000) (=) Lucro líquido após ajuste do RTT 0 (+) Adições ( ) Exclusões (=) Lucro real antes da comp. prej. 0 ( ) Compensação de prejuízos fiscais (=) Lucro real 0 c) Lançamentos contábeis em 2015: Valor do terreno na contabilidade societária: R$ 120.000 Valor do terreno no FCONT: R$ 100.000 Diferença positiva na data da adoção inicial: R$ 120.000 R$ 100.000 = R$ 20.000 Evidenciação contábil da diferença em subconta vinculada ao terreno: D Terrenos subconta cf. Lei 12.973 20.000 C Terrenos 20.000 d) Lançamentos contábeis em 2017: Alienação do terreno em 02/02/2017: D Bancos 130.000 C Receita na venda do terreno 130.000 D Custo do terreno vendido 120.000 C Terrenos 100.000 C Terrenos subconta cf. Lei 12.973 20.000 e) Demonstração do Lucro Real de 2017, transcrita no Lalur: Lucro líquido antes do IRPJ 10.000 (+) Adições 20.000 ( ) Exclusões (=) Lucro real antes da comp. prej. 30.000 ( ) Compensação de prejuízos fiscais (=) Lucro real 30.000 EXEMPLO 2 ADOÇÃO INICIAL - DIFERENÇA A SER EXCLUÍDA Arts. 166 e 167 PREMISSAS DO EXEMPLO: - Aquisição de equipamento em 02/01/2014 por R$ 120.000 para pagamento em 30/06/2015; - Valor presente: R$ 100.000. Juros a apropriar em decorrência do ajuste a valor presente nos anos de 2014 e 2015: R$ 13.000 e R$ 7.000, respectivamente; 19
Agora, iremos apresentar os mesmos dados do Exemplo de acordo com a Matriz: Bancos ATIVO PL RESULTADO Terreno - Propriedade para Investimento Subconta Terreno -P. P. I. AVJ Capital Balanço inicial 2013 100.000 100.000 (a.1) Compra do Terreno (100.000) 100.000 Reserva de Lucro Receita/ (Despesa) (a.2) Ajuste a valor justo PI 2013 20.000 20.000 (b) Apropriação Resultado 20.000 (20.000) Balanço final 2013, 2014-120.000-100.000 20.000 - (c) Criação da Subconta (20.000) 20.000 Balanço final 2015, 2016-100.000 20.000 100.000 20.000 - (d.1)venda propriedade investimento 130.000 130.000 (d.2) Baixa propriedade investimento (100.000) (20.000) (120.000) (1) Apropriação Resultado 10.000 (10.000) Balanço final 2017 130.000 - - 100.000 30.000 - Não ficou mais fácil a vizualização? A Matriz já apresenta a evidenciação da subconta para controle do Ajuste a Valor Justo da Propriedade para Investimento reconhecida em 02.01.2015. Objetivando demonstrar a flexibilidade da Matriz, nesse exemplo efetuamos a venda e a baixa do ativo de forma segmentada em duas linhas. Também as contas de Receita e Despesa estão em uma única coluna, procedimento que pode ser adotado principalmente quando a Matriz é efetuada no Excel. Ainda, nesse exemplo mantivemos as receitas como valores positivos e as despesas, negativos, somente para ilustrar diferentes possibilidades. Nossa proposta é que o próprio leitor efetue um julgamento avaliando a sua facilidade de compreensão do evento com a utilização da Matriz! inclusive demonstrado nos exemplos, é que não deve haver uma padronização. A Planilha pode ser estruturada através de vários modelos. Uma possibilidade de desdobramento da Matriz é efetuar os lançamentos das operações de forma normal e apurar o resultado antes do imposto de renda. Com base nesse resultado, pode ser apurado em uma Planilha auxiliar o cálculo do Lucro Real e em seguida efetuar-se na Matriz os lançamentos do imposto de renda e contribuição social corrente e diferido. Na aplicação em uma empresa industrial, o processo de apropriação do custo pode ser realizado através de uma submatriz com a transcrição dos saldos finais para a Matriz principal. Enfim, a sua utilização é infindável, sendo adaptável aos diferentes eventos. Comentários adicionais Conclusões Após a realização de vários exercícios que devem se tornar de forma gradativa mais complexos, a aplicação da Matriz vai se tornando mais fácil. O método apresenta grandes possibilidades de adaptações que podem ser observadas através dos diversos exemplos realizados. O primeiro aspecto, A matriz de lançamentos, destarte, surgiu de uma necessidade prática. Tanto nossos alunos quanto vários profissionais apresentavam grande dificuldade em compreender de forma clara e simples como reconhecer as transações econômicas através da Contabilidade. Com base na técnica dos Balanços 20
sucessivos, passamos por várias etapas até julgar adequada esta divulgação. Em decorrência, cada profissional, através de sua aplicação, pode aprimorar sua utilização passando a fazer com que cumpra seus objetivos mais imediatos. Toda nova metodologia produz confiança e certeza nos que a aplicam e ao mesmo tempo insegurança e certo grau de desconfiança nos que a desconhecem. Tal é o primeiro grande problema enfrentado pela Matriz de Lançamentos. Os alunos que a utilizam gostariam de poder optar por sempre a utilizar em qualquer ocasião. (Aliás, ela pode ser utilizada dessa forma em alguns países no caso de entidades de pequeno porte.) Na verdade, alguns não acreditam que existia outro modo de se entender a Contabilidade antes dessa. O problema é que quando mudam de professor que não utiliza a Matriz, há um enorme choque ao serem obrigados a mudar seu modo de atuar. Os autores do presente trabalho gostariam de solicitar que todos tentassem por um período utilizar essa metodologia. E que após essa experiência nos enviassem suas experiências, críticas e observações, pois só assim pode-se crescer. Em nossa experiência acreditamos que a Matriz de Lançamentos apresenta uma série de vantagens. para elaborar as Demonstrações Contábeis, com destaque para a Demonstração dos Fluxos de Caixa. Torna-se bem mais seguro o processo de elaborar as Demonstrações Contábeis, até mesmo a Demonstração dos Fluxos de caixa tanto no método direto quanto no indireto, uma vez que os dados já estão reunidos e estruturados. Outro aspecto relevante é quanto à sequência no aprendizado. Por mais que não pareça adequado o preenchimento da Matriz, a início, deve ser a mão. Só quando todos os conceitos estiverem totalmente absorvidos e diferentes modelos forem utilizados deve-se passar para o Excel. Outra grande vantagem observada foi durante a sua própria dinâmica. O número de erros nos lançamentos das operações teve considerável diminuição, uma vez que nas transações faz-se necessário o devido raciocínio de como zerar a linha horizontal. As operações são identificadas de tal modo que a qualquer momento pode-se avaliar se ocorreu algum lançamento inadequado. Se mesmo assim, as Demonstrações Contábeis não baterem, pode-se achar rapidamente se houve falha em algum lançamento, ou na transcrição, logo detectando-se o erro. Essa localização é muito mais demorada quando o exercício é realizado através de razonetes. Podemos iniciar pelo seu aspecto didático, que parece já ter ficado suficientemente claro. Apesar do grande debate sobre o ensino ou não das noções de débito e crédito e de que esses conceitos dificultam o aprendizado de determinados alunos e afastam os não-contadores, consideramos que sem seu domínio se perde a base da linguagem universal dos negócios. Nessa metodologia aplicada, esses conceitos não aparecem de forma explícita, mas como parte de um jogo onde o objetivo a traduzir uma frase para números cujo total seja zero. Dessa forma atinge-se o objetivo de propiciar a todos o domínio do fundamento da Ciência da Contabilidade Aos mais resistentes que não se permitem abandonar o razonete, dizemos que pode-se enxergar a Matriz como um Razonete de mãos dadas, uma vez que ela é a junção de todos eles. Com uma grande vantagem, ao término do processo de reconhecimento as Demonstrações Contábeis já se encontram prontas, com muito maior rapidez e segurança. Dessa forma, um grande benefício é a maior facilidade Em termos corporativos, é muito comum que um profissional tenha que analisar uma transação econômica e apresentar várias hipóteses do tratamento contábil. Um aspecto muito relevante é a necessidade de apresentar essas alternativas para outros profissionais. A utilização da Planilha facilita sobremaneira essa evidenciação. Em termos de desvantagens, consideramos que a matriz tem uma restrição prática na quantidade de operações e contas. Entretanto, a utilização dos recursos da informática abrangendo o Excel amplia a capacidade, bem como a possibilidade de criar sub- -matrizes para o controle do Estoque, ou subcontas passando para esta o dado final. O objetivo dessa divulgação é tornar essa experiência didática conhecida pelos professores e profissionais da Contabilidade. Temos certeza que propostas de aprimoramento tanto do uso da Matriz como de novas aplicações irão surgir, fato que poderá ser benéfico para todos. 21
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