ANÁLISE DE BALANÇOS MÓDULO 1



Documentos relacionados
Unidade IV INTERPRETAÇÃO DAS. Prof. Walter Dominas

Vamos, então, à nossa aula de hoje! Demonstração de Fluxo de Caixa (2.ª parte) Método Indireto

ANÁLISE DE BALANÇO DAS SEGURADORAS. Contabilidade Atuarial 6º Período Curso de Ciências Contábeis

ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL

1-DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS BÁSICOS 1.1 OBJETIVO E CONTEÚDO

No concurso de São Paulo, o assunto aparece no item 27 do programa de Contabilidade:

CRITÉRIOS / Indicadores

DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC)

CONTABILIDADE AVANÇADA CAPÍTULO 1: DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

INSTRUMENTO DE APOIO GERENCIAL

CONTABILIDADE GERAL E GERENCIAL

AULA 04 EXERCÍCIO 06 - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS (FINANCEIRAS ):

UM CONCEITO FUNDAMENTAL: PATRIMÔNIO LÍQUIDO FINANCEIRO. Prof. Alvaro Guimarães de Oliveira Rio, 07/09/2014.

ANÁLISE DE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

4 Fatos Contábeis que Afetam a Situação Líquida: Receitas, Custos, Despesas, Encargos, Perdas e Provisões, 66

RESOLUÇÃO CFC Nº /09. O CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, no exercício de suas atribuições legais e regimentais,

CAPÍTULO 2. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS, IMPOSTOS, e FLUXO DE CAIXA. CONCEITOS PARA REVISÃO

Simulado: Análise das Demonstrações Contábeis p/ TCU

BALANÇO PATRIMONIAL / composição 1

2ª edição Ampliada e Revisada. Capítulo 6 Grupo de contas do Balanço Patrimonial

FAPAN Faculdade de Agronegócio de Paraíso do Norte

2ª edição Ampliada e Revisada. Capítulo 10 Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos

Prof. Cleber Oliveira Gestão Financeira

CONTABILIDADE SOCIETÁRIA AVANÇADA Revisão Geral BR-GAAP. PROF. Ms. EDUARDO RAMOS. Mestre em Ciências Contábeis FAF/UERJ SUMÁRIO

Demonstrações Contábeis

2ª edição Ampliada e Revisada. Capítulo 5 Balanço Patrimonial

INDICADORES FINANCEIROS NA TOMADA DE DECISÕES GERENCIAIS

ANALISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. Prof. Mário Leitão

ANÁLISE ECONÔMICO FINANCEIRA DA EMPRESA BOMBRIL S.A.

ABERTURA DAS CONTAS DA PLANILHA DE RECLASSIFICAÇÃO DIGITAR TODOS OS VALORES POSITIVOS.

Contabilidade Geral Correção da Prova APO 2010 Prof. Moraes Junior CONTABILIDADE GERAL

Ciclo Operacional. Venda

PÓS GRADUAÇÃO DIRETO EMPRESARIAL FUNDAMENTOS DE CONTABILIDADE E LIVROS EMPRESARIAS PROF. SIMONE TAFFAREL FERREIRA

Curso Completo de Contabilidade Geral e Avançada Professor: Silvio Sande

Comentários da prova ISS-SJC/SP Disciplina: Contabilidade Professor: Feliphe Araújo

Contabilidade Avançada Fluxos de Caixa DFC

Auditor Federal de Controle Externo/TCU

1 Questão 213 Participações societárias obrigatoriedade de elaboração de demonstrações contábeis consolidadas

Logística Prof. Kleber dos Santos Ribeiro. Contabilidade. História. Contabilidade e Balanço Patrimonial

Prefácio, xvii. Parte I Ambiente da Análise Financeira, 1

DOAR DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS UMA REVISÃO DOS CONCEITOS MAIO / Autor - Manoel Moraes Jr

A Geradora Aluguel de Máquinas S.A.

EXEMPLO COMPLETO DO CÁLCULO DO FLUXO DE CAIXA COM BASE EM DEMONSTRATIVOS FINANCEIROS

CURSO DE CONTABILIDADE INTRODUTÓRIA

IFRS EM DEBATE: Aspectos gerais do CPC da Pequena e Média Empresa

O CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, no exercício de suas atribuições legais e regimentais,

Graficamente, o Balanço Patrimonial se apresenta assim: ATIVO. - Realizável a Longo prazo - Investimento - Imobilizado - Intangível

Profa. Divane Silva. Unidade II CONTABILIDADE SOCIETÁRIA

NBC TSP 10 - Contabilidade e Evidenciação em Economia Altamente Inflacionária

Conceito de Contabilidade

FTAD - Formação técnica em Administração de Empresas Módulo de Contabilidade e Finanças. Prof. Moab Aurélio

Contabilidade Empresarial Demonstrações Financeiras: O Balanço Patrimonial. Prof. Dr. Dirceu Raiser

Relatório sobre as demonstrações financeiras Período de 13 de abril de 2012 (Data de constituição da Companhia) a 31 de dezembro de 2012

Resultados 1T07 10 de maio de 2007

Raízen Combustíveis S.A.

PROCESSO DE CONVERGÊNCIA DA CONTABILIDADE PÚBLICA MUNICIPAL. Parte 3 Procedimento Contábil da Reavaliação

Contabilidade Básica

CONTABILIDADE GERAL PROFESSOR: OTÁVIO SOUZA QUESTÕES COMENTADAS. Neste artigo comentarei algumas questões de provas sobre o tema Análise de Balanços.

Etapas para a elaboração do Balanço Patrimonial e consequentemente, das Demonstrações Financeiras.

CONVERSAO DE DEMONSTRACOES CONTABEIS EM MOEDA. ESTRAGEIRA: FASB nº 8 e FASB nº 52

A companhia permanece com o objetivo de investir seus recursos na participação do capital de outras sociedades.

Questões de Concursos Tudo para você conquistar o seu cargo público ]

2.1 Estrutura Conceitual e Pronunciamento Técnico CPC n 26

APOSTILA DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS POR ÍNDICES PADRONIZADOS

Empreendimentos Florestais Santa Cruz Ltda. Demonstrações financeiras em 30 de setembro de 2009 e relatório dos auditores independentes

FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

Resumo Aula-tema 04: Dinâmica Funcional

Curso Extensivo de Contabilidade Geral

Para poder concluir que chegamos a: a) registrar os eventos; b) controlar o patrimônio; e c) gerar demonstrações

Ilmos. Senhores - Diretores e Acionistas da LINK S/A CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS

Tributos sobre o Lucro Seção 29

Salus Infraestrutura Portuária S.A. (anteriormente denominada RB Commercial Properties 42 Ltda.)

1 Apresentação do problema

ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL. FASF - Faculdade Sagrada Família - Curso de Administração - Disciplina Contabilidade Geral - 3º periodo

COMO CRIAR SUA PRÓPRIA FUNÇÃO UTILIZANDO PROGRAMAÇÃO VBA - EXCEL


ENTENDENDO OS DIVERSOS CONCEITOS DE LUCRO

6 Balanço Patrimonial - Passivo - Classificações das Contas, 25 Exercícios, 26

Prezado(a) Concurseiro(a),

Análises de demonstrações financeiras

COMO CONVERTER DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS BRASILEIRAS PARA A MOEDA AMERICANA (FAS 52) - EXEMPLO PRÁTICO

Contmatic - Escrita Fiscal

Reavaliação: a adoção do valor de mercado ou de consenso entre as partes para bens do ativo, quando esse for superior ao valor líquido contábil.

PARECER DOS AUDITORES INDEPENDENTES. Aos Sócios, Conselheiros e Diretores da INSTITUIÇÃO COMUNITÁRIA DE CRÉDITO BLUMENAU-SOLIDARIEDADE ICC BLUSOL

AVALIAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

ATIVO Explicativa PASSIVO Explicativa

FAPAN Faculdade de Agronegócio de Paraíso do Norte

Prof. Cleber Oliveira Gestão Financeira

Introdução l Resumo Exercícios 15 Demonstrações Contábeis

Objetivos 29/09/2010 BIBLIOGRAFIA. Administração Financeira I UFRN Prof. Gabriel Martins de Araújo Filho. Tópicos BALANÇO DE TAMANHO COMUM

CAP. 4b INFLUÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA

ASSOCIAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS EM REDE

1.1 Demonstração dos Fluxos de Caixa

Contabilidade Geral e Avançada Correção da Prova AFRFB 2009 Gabarito 1 Última Parte Prof. Moraes Junior CONTABILIDADE GERAL E AVANÇADA

Contabilidade Geral Correção da Prova 2 Analista Técnico Controle e Fiscalização - Susep 2010 Prof. Moraes Junior CONTABILIDADE GERAL

Notas Explicativas. Armando Madureira Borely

CONTABILIDADE GERAL FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS (FCC) ANALISTA. TRT s 09 PROVAS 107 QUESTÕES. (2012, 2011, 2009 e 2008)

Análise Horizontal. Consiste no estabelecimento de um ano-base, no qual cada item componente da demonstração

TRABALHOS TÉCNICOS Divisão Jurídica ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL SIMPLIFICADA PARA MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE

Transcrição:

ANÁLISE DE BALANÇOS MÓDULO 1

Índice Análise Vertical e Análise Horizontal...3 1. Introdução...3 2. Objetivos e técnicas de análise...4 3. Análise vertical...7 3.1 Cálculos da análise vertical do balanço patrimonial... 7 3.1.1 Comentários sobre a análise vertical no balanço patrimonial... 10 3.2 Cálculos da análise vertical na demonstração do resultado do exercício... 11 3.2.1 Comentários sobre a análise vertical na demonstração de resultado do exercício... 13 4. Análise horizontal... 14 4.1 Cálculos da análise horizontal do balanço patrimonial... 14 4.1.1 Comentários sobre a análise horizontal no balanço patrimonial... 16 4.2 Cálculos da análise horizontal na demonstração do resultado do exercício. Quadro II... 16 4.2.1 Comentários sobre a análise horizontal na demonstração de resultado do exercício... 17 4.3 Análise horizontal e a inflação... 18 2

ANÁLISE VERTICAL E ANÁLISE HORIZONTAL 1. INTRODUÇÃO A expressão análise de balanços é tecnicamente perfeita, e também a mais utilizada, embora a expressão mais adequada seja análise das demonstrações financeiras, uma vez que todas as demonstrações financeiras são objeto de análise, não somente o balanço patrimonial. Neste estudo, abordaremos a análise de apenas dois demonstrativos contábeis, o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício. Entretanto, para que possamos melhor aplicar as técnicas de análise, é necessário conhecermos a estrutura desses dois demonstrativos contábeis. Apenas mostraremos essa estrutura, sem nos aprofundarmos em maiores detalhes, por ser a estrutura do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício objeto de estudo de disciplina adiante em nosso curso Contabilidade Intermediária. A palavra estrutura significa forma de apresentação, ou seja, como o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício devem ser apresentados a seus usuários. Para uniformizar essa forma de apresentação, as Leis nº 6.404/76 e nº 11.638 definiram essa estrutura. Ou seja: Para o balanço patrimonial, a estrutura legal é definida como sendo: Balanço patrimonial Observamos que o balanço patrimonial é subdividido em três grandes grupos: 1) ativo (bens e direitos); 2) passivo (obrigações para com terceiros em geral); e 3) patrimônio líquido (obrigações para com os proprietários). No ativo, encontramos as contas agrupadas nos seguintes subgrupos: circulante, realizável a longo prazo e permanente este subdividido em investimento, imobilizado, intangível e diferido. No passivo, encontramos as contas agrupadas nos seguintes subgrupos: circulante, exigível a longo prazo e resultados de exercícios futuros. No patrimônio líquido, encontramos as contas agrupadas nos seguintes subgrupos: capital, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. 3

Para demonstração de resultado do exercício, a estrutura legal é definida como sendo: Receita bruta (-) Deduções das vendas = Receita líquida (-) CMV/CPV/CSP = Lucro bruto (-) Despesas de vendas (-) Despesas financeiras (+) Receitas financeiras (+) Outras receitas/despesas operacionais = Lucro/prejuízo operacional (+) Receitas não-operacionais (-) Despesas não-operacionais = Resultado antes de imposto de renda (-) Provisão para contribuição social (-) Provisão para o imposto de renda (-) Participações (-) Contribuições = Lucro do exercício 2. OBJETIVOS E TÉCNICAS DE ANÁLISE As demonstrações contábeis de uma empresa permitem-nos extrair diversas informações sobre a situação econômica e financeira da mesma. As possibilidades de combinações de análise são grandes, e sempre há condições para se estabelecer novas relações. Em nosso presente estudo, abordaremos as análises usuais e de alto grau de aplicação. Historicamente, a análise dos demonstrativos contábeis surgiu objetivando a concessão de crédito pelos bancos; atualmente, diversas são as suas finalidades. Cada usuário da análise tem um interesse específico nas informações. O analista externo, por exemplo, um banco, objetivará o recebimento dos empréstimos concedidos; um acionista estará interessado nos dividendos que poderão ser distribuídos; um concorrente objetiva saber qual é a margem de lucro da empresa analisada. Já a análise realizada internamente, além do objetivo de observar a evolução da situação econômica e financeira da empresa, deverá comparar a performance da empresa com as demais empresas do setor de atividade em que ela atua. Assim, cada usuário terá um interesse maior em determinado tipo de análise. Para a realização da análise, o analista deverá ter em mãos demonstrativos contábeis de pelo menos três períodos contábeis, pois conclusões de uma análise feita com poucos períodos contábeis podem ficar prejudicadas. Após a obtenção dos demonstrativos contábeis, algumas reclassificações/simplificações se fazem necessárias para melhorar a eficiência da análise. Esses procedimentos ocorrerão sobretudo no balanço patrimonial e na demonstração do resultado de exercício, e visam a reagrupar algumas contas, pois, por exemplo, se a empresa coloca um imóvel para venda, imóvel este até então classificado no ativo permanente 4

imobilizado, pode o contador, diante dessa nova situação, reclassificá-lo no ativo circulante ou no ativo realizável a longo prazo. Caso o imóvel seja reclassificado no ativo circulante, a situação financeira da empresa a curto prazo irá melhorar. Entretanto, sabemos que vender e receber um imóvel no mesmo ano é tarefa difícil de ser realizada; assim sendo, é necessário reclassificar a conta imóvel para venda para o ativo realizável a longo prazo. Outro exemplo é o caso das receitas financeiras, que são legalmente operacionais, mas se quisermos apurar a verdadeira taxa de rentabilidade obtida pela atividade operacional da em presa, devemos reclassificá-la no grupo não-operacional. As principais contas que deverão ser reclassificadas são: duplicatas descontadas: deverão ser classificadas no passivo circulante; despesas antecipadas (AC) e o diferido (AP) deverão ser subtraídos do patrimônio líquido; resultado de exercícios futuros: deverá ser adicionado ao PL. Além dessas reclassificações, algumas simplificações poderão ser feitas, como, por exemplo: transformar os valores em milhares de reais; no grupo do AC, devem-se destacar as disponibilidades (pelo total), as duplicatas a receber e os estoques, podendo as demais contas ser agrupadas sob o título de outras contas, dependendo, é claro, de sua representatividade; no grupo do AP, devem se destacar, pelos totais, os investimentos, o imobilizado e o intangível; os grupos ARLP e PELP e PL podem ser apresentados por seus totais; na DRE, as despesas operacionais podem ser apresentadas por seus grupos representativos. Após essa preparação, os demonstrativos contábeis estarão aptos para serem aplicadas as técnicas de análise, quais sejam: 1. análise vertical; 2. análise horizontal; 3. análise através de índices: 3.1 índices de liquidez; 3.2 índices de endividamento; 3.3 índices de atividade; 3.4 índices de rentabilidade. Para a implementação das técnicas de análise anteriormente descritas, os demonstrativos contábeis de uma empresa existente, denominada Sadive S/A Distribuidora de Veículos, localizada no estado de SP, cujas operações consistem na comercialização de veículos automotivos Mercedes-Benz, peças e acessórios e oficina mecânica de pneus. Os demonstrativos contábeis foram publicados em 25 de abri l de 2007 e se referem aos exercícios sociais encerrados em 31/12/06 e 31/12/05, aqui transcritos na íntegra: Sadive S/A Distribuidora de Veículos 5

Notas explicativas: 1. Contexto operacional: as operações da empresa consistem na comercialização de veículos automotores Mercedes-Benz, peças, acessórios e oficina mecânica de pneus. 2. Principais práticas contábeis: a) as demonstrações financeiras refletem os efeitos das alterações introduzidas na legislação do imposto de renda; suas elaborações deram-se nos princípios estabelecidos pela Lei nº 6.404 de 15.12.1976; b) sendo os bens do ativo imobilizado depreciados às taxas permitidas em lei, os investimentos em coligadas e controladas avaliados pelo método da equivalência patrimonial; c) os estoques são demonstrados ao custo médio de aquisição excluídos os impostos recuperados; d) as receitas e despesas foram contabilizadas segundo o regime de competência; e) a provisão para o imposto de renda foi calculada à alíquota de 15% sobre o lucro tributável acrescido dos adicionais previstos em lei; foi constituída também a provisão para a contribuição social à alíquota de 9%; 3. Capital social: em 31.12.2006, é de R$ 10.634.900,00, composto de 10.634.900 ações ordinárias e nominativas no valor de R$ 1,00 cada. Demonstração do resultado do exercício 6

3. ANÁLISE VERTICAL A análise vertical é também conhecida como análise de estrutura. Sua técnica de elaboração é muito simples, consistindo no balanço patrimonial, em dividir o valor de uma conta ou um grupo de contas de ativo pelo valor total desse mesmo ativo e uma conta ou um grupo de contas do passivo pelo total desse passivo, obtendo-se, assim, o percentual de cada conta ou grupo de contas referente do todo. Na demonstração de resultado do exercício, a conta divisora das demais contas é a receita bruta, e os percentuais vão indicar o quanto cada conta de resultado representa em relação à receita bruta (observamos que alguns autores consideram a conta divisora e receita líquida, é indiferente). Por possuir a capacidade de mostrar o quanto cada elemento representa do todo é que a análise vertical é chamada de análise estrutural. 3.1 CÁLCULOS DA ANÁLISE VERTICAL DO BALANÇO PATRIMONIAL Atualmente, com a utilização de uma planilha eletrônica, é simples dividir todos os elementos componentes do ativo pelo total do ativo; utilizamos o balanço patrimonial já pronto para análise da empresa Sadive S/A: Quadro I 7

Vejamos a seguir, para exemplificar, como foram calculados os percentuais dos principais grupos de todas as contas compostas desses grupos do balanço patrimonial. Observamos que, ao elaborarmos os cálculos, consideramos duas casas decimais e não procedemos a nenhum arredondamento. Por esse motivo, os percentuais totais estão muito próximos dos 100%, ou seja, 99,98%, 99,97%. Análise vertical: cálculos para o ano 2005 do balanço patrimonial. Quadro I. 8

Análise vertical: cálculos para o ano 2006 do balanço patrimonial. Quadro I. 9

3.1.1 Comentários sobre a análise vertical no balanço patrimonial Observando os grandes grupos de contas do ativo, podemos dizer que a empresa Sadive S/A tem seu patrimônio em 2005 formado por 73% de circulante, 2% de realizável a longo prazo e 24% de permanente. 10

Uma outra informação que podemos tirar dessa análise é que, de um ano para outro, houve alterações na composição da estrutura do ativo da empresa Sadive S/A, pois aconteceu aumento percentual no circulante, passando de 73% para 80%, e redução no permanente, passando de 24%, em 2005, para 18% em 2006. Vejamos os grupos do passivo: Podemos observar que o patrimônio líquido em 2005 é o maior grupo do passivo, com 44% do total do passivo, seguido do passivo circulante, com 39%, e do exigível a longo prazo, com 15%; ainda em 2005, a participação do capital de terceiros, 55%, é superior à participação do capital próprio, 44%. Em 2006, a situação da estrutura patrimonial do passivo é alterada; há uma redução considerável do patrimônio líquido, que passa de 44% do total do passivo para 35%, e um aumento considerável do exigível a longo prazo, que passa de 15% para 27%, alterando para melhor o perfil da dívida da empresa. Pelo exposto, podemos confirmar que, em termos de estrutura, a empresa Sadive S/A tem uma posição confortável. Vejamos agora a demonstração do resultado do exercício da empresa Sadive S/A. Quadro II Cálculos da análise vertical na demonstração de resultado do exercício Vejamos a seguir, para exemplificar, como foram calculados os percentuais das contas componentes da demonstração do resultado do exercício. Observamos que, igualmente ao balanço patrimonial, consideramos duas casas decimais e não procedemos a nenhum arredondamento. 3.2 CÁLCULOS DA ANÁLISE VERTICAL NA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Análise vertical: cálculo para o ano de 2005 da demonstração do resultado do exercício. Quadro II. 11

Análise vertical: cálculo para o ano de 2006 da demonstração do resultado do exercício. Quadro II. 12

3.2.1 Comentários sobre a análise vertical na demonstração de resultado do exercício Normalmente, o que chama mais atenção na análise vertical da demonstração do resultado do exercício é o percentual do lucro líquido em relação à receita. É comum batermos o olho direto na última linha e observarmos que, de toda a receita gerada pela empresa, apenas uma pequena parte é lucro. Isso quando não nos deparamos com prejuízo. Em nosso exemplo, o lucro de 2005 representava 0,75% da receita, passando para 1,08% em 2006. O item mais representativo do DRE é o custo das vendas, que praticamente consumiu 85% da receita em ambos os anos analisados, o que gerou um lucro bruto em torno dos 5%, pois temos que considerar as deduções das vendas e serviços. 13

As despesas operacionais consumiram algo em torno de 7% da receita bruta, com pouca variação de um ano para outro. Destacamos os outros resultados operacionais que representam receitas, com percentuais em torno de 5% sobre a receita da empresa, sendo esses resultados os responsáveis pela geração do lucro nos dois períodos analisados. 4. ANÁLISE HORIZONTAL A análise horizontal ou de evolução também é conhecida como análise de tendência. Esse tipo de análise mostra a variação (crescimento ou decréscimo) dos itens dos demonstrativos contábeis de um período para outro, objetivando caracterizar tendências. Sua sistematização de cálculo é bastante simples, consistindo em fixar um período contábil com 100% e dividir os itens patrimoniais e de resultado dos demais períodos por esse período-base. O índice do ano-base é 100, e os anos subsequentes são expressos em relação ao ano-base. Vejamos um exemplo: Através da regra de três simples, encontramos a evolução, com base em 100, para X1 e X2. Então, teremos: O crescimento de X0 para X1 foi de 8% (108 100), e o crescimento de X0 para X2 foi de 16% (116 100) (X2 data-base). 4.1 CÁLCULOS DA ANÁLISE HORIZONTAL DO BALANÇO PATRIMONIAL Observamos que, ao elaborar os cálculos, consideramos duas casas decimais e não procedemos a nenhum arredondamento. Análise horizontal: cálculos para o ano 2006 do balanço patrimonial. Quadro I. 14

15

4.1.1 Comentários sobre a análise horizontal no balanço patrimonial O total do ativo teve um crescimento de 44,41% (144,41 100), sendo que o grupo que teve maior crescimento foi o do ativo circulante, com 58%, enquanto o que apresentou decréscimo foi o do realizável a longo prazo (10%) (90,23 100). No passivo, o grupo que teve maior crescimento foi o exigível a longo prazo, 146% (246,64 100), e o de menor crescimento foi o PL, com 14% (114,44 100). 4.2 CÁLCULOS DA ANÁLISE HORIZONTAL NA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO. QUADRO II Vejamos a seguir, para exemplificar, como foram calculados os percentuais das contas componentes da demonstração do resultado do exercício. Observamos que, igualmente ao balanço patrimonial, consideramos duas casas decimais e não procedemos a nenhum arredonda mento. Análise vertical: cálculo para o ano de 2006 da demonstração do resultado do exercício. Quadro II. 16

4.2.1 Comentários sobre a análise horizontal na demonstração de resultado do exercício A análise horizontal da demonstração do resultado do exercício é muito interessante do ponto de vista prático, pois mostra o desempenho, a evolução das receitas, custos e despesas, além dos resultados brutos, operacionais e líquidos. A comparação dos elementos que compõem DRE com outros dados e informações, tais como os orçamentos da própria empresa, evolução da economia do país, dados de desempenhos setoriais ou de concorrentes é de grande importância para a administração da empresa. 17

Em nossa análise horizontal, verificamos que, de 2005 para 2006, as vendas brutas cresceram 24% (124,23 100), crescimento este acompanhado pelo lucro bruto em menor proporção, 14%, o que não foi seguido pelo lucro operacional, que mostrou um crescimento de 28%. O lucro líquido subiu, de 2005 para 2006, 78%, sustentado certamente pelo crescimento de outros resultados operacionais que atingiram, nesse período, um crescimento de 61%. 4.3 ANÁLISE HORIZONTAL E A INFLAÇÃO A empresa que utilizamos como exemplo, a Sadive S/A, apresentou seus demonstrativos contábeis em moeda com a mesma capacidade aquisitiva. Imaginemos que esse fato não fosse verdade; representaria pouco ou nada em crescimento nominal das vendas brutas de 24% de 2005 para 2006, conforme constatado, tendo em vista que a inflação do período pode ter sido inferior, igual ou até superior a tal percentual. Assim sendo, quando é feita a análise horizontal, devemos saber o crescimento real do item analisado, isto é, o crescimento quando se leva em conta a inflação. Quando se leva em consideração a inflação do período, a análise horizontal real pode ser calculada utilizando-se: a) índice inflacionário (o mais comum); b) índice deflacionário. a) Índice inflacionário: o objetivo é inflacionar o período antigo (2005 em nosso exemplo) e comparar com valores correntes ou nominais do período atual (2006 em nosso exemplo). Vamos supor um índice de inflação de 15%, com base, por exemplo, no índice geral de preço do mercado (IGPM). Na realidade, se considerarmos uma inflação de 15% no período, o crescimento real das vendas seria de 8%, e não de 24%, calculado da seguinte forma: Esse procedimento de atualização de valor, exemplificado para apenas uma conta, receita bruta, seria feito em todas as contas do balanço patrimonial e da DRE. b) Índice deflacionário: o objetivo é deflacionar o período atual (2006) e comparar com valores correntes ou nominais do período antigo (2005). Vamos supor um índice de deflação de 10%, com base, por exemplo, no Índice Geral de Preço de Mercado (IGPM). 18

Na realidade, se considerarmos uma deflação de 10% no período, o crescimento real das vendas seria de 11%, e não de 24%, calculado da seguinte forma: 19