Introdução ao Programa de Língua Portuguesa



Documentos relacionados
Brincadeiras que ensinam. Jogos e brincadeiras como instrumentos lúdicos de aprendizagem

Metodologia e Prática de Ensino de Ciências Sociais

UMA EXPERIÊNCIA EM ALFABETIZAÇÃO POR MEIO DO PIBID

A criança e as mídias

Núcleo de Educação Infantil Solarium

PROCESSO SELETIVO PARA PROFESSORES SUBSTITUTOS EDITAL

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS ANTÓNIO FEIJÓ

As 11 dúvidas mais frequentes

MATERNAL I OBJETIVOS GERAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

PROGRAMA ESCOLA DA INTELIGÊNCIA - Grupo III ao 5º Ano

O PAPEL DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Como mediador o educador da primeira infância tem nas suas ações o motivador de sua conduta, para tanto ele deve:

A Educação Bilíngüe. » Objetivo do modelo bilíngüe, segundo Skliar:

OBJETIVO RICO- PRÁTICA DO PROFESSOR ALFABETIZADOR DIANTE DA NOVA APRENDIZAGEM

O olhar do professor das séries iniciais sobre o trabalho com situações problemas em sala de aula

LEV VIGOTSKY 1. VIDA E OBRA

BRINCAR É UM DIREITO!!!! Juliana Moraes Almeida Terapeuta Ocupacional Especialista em Reabilitação neurológica

Colégio La Salle São João. Professora Kelen Costa Educação Infantil. Educação Infantil- Brincar também é Educar

111 ENSINO FUNDAMENTAL

Alfabetização e Letramento

Entusiasmo diante da vida Uma história de fé e dedicação aos jovens

METODOLOGIA & Hábito de estudos AULA DADA AULA ESTUDADA

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola

A Tecnologia e Seus Benefícios Para a Educação Infantil

tido, articula a Cartografia, entendida como linguagem, com outra linguagem, a literatura infantil, que, sem dúvida, auxiliará as crianças a lerem e

Lev Semenovich Vygotsky, nasce em 17 de novembro de 1896, na cidade de Orsha, em Bielarus. Morre em 11 de junho de 1934.

O programa Ler e Escrever: guia de planejamento e orientações didáticas para o professor alfabetizador 1a série. Aula de 9 de maio de 2012

DICA PEDAGÓGICA EDUCAÇÃO INFANTIL

Curso de Especialização Educação Infantil 2ª Edição EMENTA DAS DISCIPLINAS

EDUCAÇÃO INFANTIL CURRÍCULO DE LINGUAGEM

V Seminário de Metodologia de Ensino de Educação Física da FEUSP Relato de Experiência INSERINDO A EDUCAÇÃO INFANTIL NO CONTEXTO COPA DO MUNDO.

Organização do espaço e do tempo na Educação Infantil. TEMA 03 Profª Luciana Ribeiro Pinheiro

Estudos da Natureza na Educação Infantil

Profa. Ma. Adriana Rosa

DICA PEDAGÓGICA EDUCAÇÃO INFANTIL

pesquisa histórias arte jogos

ÁREAS DE CONTEÚDO: O QUE SÃO? COMO SE DEFINEM?

PRÓ-MATATEMÁTICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PROJETO DE LEITURA E ESCRITA LEITURA NA PONTA DA LÍNGUA E ESCRITA NA PONTA DO LÁPIS

Pedagogia Profª Silvia Perrone. Ensino de Língua Portuguesa. Roteiro. Teorias que orientam o ensino

Educação a distância: desafios e descobertas

2.5 AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

4. Implicações pedagógicas

Gestão da Informação e do Conhecimento

8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

OS LIMITES DO ENSINO A DISTÂNCIA. Claudson Santana Almeida

Estudos da Natureza na Educação Infantil

NOME DO PROJETO PROJETO MERGULHANDO NA LEITURA 2013 PÚBLICO ALVO Educação Infantil e Ensino Fundamental I

Pedagogia. Comunicação matemática e resolução de problemas. PCNs, RCNEI e a resolução de problemas. Comunicação matemática

Principais discussões sobre o ensino-aprendizagem de matemática na educação infantil

Aprendendo a ESTUDAR. Ensino Fundamental II

Estudo e aplicação dos critérios de elaboração e aplicação das avaliações internas previstos no Plano de Ensino-Aprendizagem

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DA ESCRITA COMO INSTRUMENTO NORTEADOR PARA O ALFABETIZAR LETRANDO NAS AÇÕES DO PIBID DE PEDAGOGIA DA UFC

IV EDIPE Encontro Estadual de Didática e Prática de Ensino 2011 A IMPORTÂNCIA DAS ARTES NA FORMAÇÃO DAS CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

LINGUAGEM ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: FORMAS DE CONHECER O MUNDO

Instituto Educacional Santa Catarina. Faculdade Jangada. Atenas Cursos

Projeto de Redesenho Curricular

informações em documentos.

Presença das artes visuais na educação infantil: idéias e práticas correntes

PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA.

O futuro da educação já começou

DIRETRIZES CURRICULARES Disciplina: Linguagem. Períodos: Infantil 4 1º, 2º, 3º. Conteúdo

JOGOS NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM Olímpia Terezinha da Silva Henicka e Dariléia Marin

PROGRAMA DE CONTEÚDOS 2014

CENTRO EDUCACIONAL CHARLES DARWIN EDUCAÇÃO INFANTIL DIRETRIZES CURRICULARES INFANTIL IV

METAS DE APRENDIZAGEM (3 anos)

11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na segunda coluna:

MINHA HISTÓRIA, MINHA VIDA

O LETRAMENTO E O PAPEL DO PROFESSOR NUM PROCESSO INTERDISCIPLINAR DE CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS

Informativo G3 Abril 2011 O início do brincar no teatro

Atividades Pedagógicas. Abril2014

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FISICA NAS SÉRIES INICIAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA LEILA REGINA VALOIS MOREIRA

DIFICULDADES DE LEITURA E ESCRITA: REFLEXÕES A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DO PIBID

Estado da Arte: Diálogos entre a Educação Física e a Psicologia

APRENDER A LER PROBLEMAS EM MATEMÁTICA

AGENDA ESCOLAR: UMA PROPOSTA DE ENSINO/ APRENDIZAGEM DE INGLÊS POR MEIO DOS GÊNEROS DISCURSIVOS

Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. Prof. Juliana Pinto Viecheneski

AULA 04. Profª Matilde Flório. Orientações Didáticas:Alfabetização e Letramento EJA e MOVA

O LÚDICO NA APRENDIZAGEM

PRÁTICAS LÚDICAS NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ESCRITA DO INFANTIL IV E V DA ESCOLA SIMÃO BARBOSA DE MERUOCA-CE

DICA PEDAGÓGICA EDUCAÇÃO INFANTIL

PRÊMIO AMAVI DE EDUCAÇÃO 2011: QUALIDADE EM GESTÃO E QUALIDADE NA PRÁTICA DA DOCÊNCIA. PROFESSORA: GILMARA NUSS

ÁLBUM DE FOTOGRAFIA: A PRÁTICA DO LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 59. Elaine Leal Fernandes elfleal@ig.com.br. Apresentação

ENSINO FUNDAMENTAL.

BLOG: A CONSTRUÇÃO DE UM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM

PSICOPEDAGOGIA. DISCIPLINA: Desenvolvimento Cognitivo, Afetivo e Motor: Abordagens Sócio Interacionistas

Currículo e tecnologias digitais da informação e comunicação: um diálogo necessário para a escola atual

As diferentes linguagens da criança: o jogo simbólico

Animação, infantil, escovação, cuidados, dentes, respeito.

LER E ESCREVER: APRENDER COM O LÚDICO

VIVENCIANDO MÚLTIPLAS LINGUAGENS NA BIBLIOTECA ESCOLAR: EXPERIÊNCIA DO PIBID/UEMS/PEDAGOGIA

FUTEBOL DE BOTÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA REALIZADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O PLANEJAMENTO E A AVALIAÇÃO INICIAL/DIAGNÓSTICA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO: PEDAGOGIA PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA

Avaliação-Pibid-Metas

O Trabalho Docente: Elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas

ESCOLA ESPECIAL RENASCER- APAE PROFESSORA: JULIANA ULIANA DA SILVA

O USO DE SOFTWARE EDUCATIVO NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE CRIANÇA COM SEQUELAS DECORRENTES DE PARALISIA CEREBRAL

EDUCAÇÃO E CIDADANIA: OFICINAS DE DIREITOS HUMANOS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA ESCOLA

Centro de Estudos Avançados em Pós Graduação e Pesquisa

Transcrição:

1 MAPLE BEAR INTERMEDIATE - LP Introdução ao Programa de Língua Portuguesa Português é a língua falada no Brasil e é, primeiramente, com ela que pensamos, falamos, brincamos, cantamos e escrevemos. É a língua pátria, rica de significados, que nos remete às experiências vividas desde a infância e que nos dá as primeiras possibilidades de nos expressarmos. Aprender uma língua não é apenas aprender palavras, é aprender seus significados culturais, entender, interpretar e representar a realidade de seu meio sociocultural. Durante a construção de conhecimentos, as crianças são submetidas às mais variadas fontes de informação: televisão, rádio, revistas, jornais, internet e até ao se movimentar pelas ruas das localidades em que vivem. Nesse processo utilizam-se de várias linguagens, elaborando ideias e hipóteses sobre o mundo a desvendar. O conhecimento é construído pela interação com o meio em que se vive e pelo relacionamento entre pessoas. É na escola que essa interação é planejada, baseada em estudos pedagógicos e psicológicos, para ampliar a capacidade de comunicação dos alunos. Antes mesmo de frequentar a escola, a criança entra em contato com a linguagem escrita e já constrói hipóteses em relação à alfabetização. Na escola, a criança mergulhará no mundo letrado participando de experiências de escrita e de leitura que lhe assegurem que quer ler, pode ler e que, realmente, passará a ler e escrever. Nessa fase inicial da alfabetização, o professor deve estar atento ao percurso de cada aluno, através da interpretação das produções iniciais de suas escritas, procurando entender as formulações que fazem sobre as relações entre a fala e a escrita. No contato constante com vários portadores de texto e com as produções escritas, mesmo antes de grafá-las convencionalmente, a criança vai construindo a capacidade de escrever autonomamente. Num processo de avanços e retrocessos, de idas e vindas, construção de hipóteses provisórias e ideias que vão se modificando e se aprimorando, o aluno vai encontrando caminhos que o conduzem a ações cada vez mais sofisticadas. Os erros são esperados pelo professor, pois indicam o pensamento da criança na busca da solução para os desafios desse momento tão importante. Um clima de confiança, respeito, tolerância e afeto, é essencial para o sucesso dessa empreitada infantil. Um ambiente alfabetizador deve promover situações de uso real de leitura e escrita nas quais o aluno tem a oportunidade de participar e que precisam de mediação pela escrita: regras para usar um jogo, convites de festa e de eventos escolares, bilhetes para os pais, horários das atividades, anotações para serem lembradas mais tarde, entre outras. A rotina escolar diária deve contemplar situações didáticas de reflexão sobre o sistema de escrita alfabético e de apropriação da linguagem que se

escreve. Deve haver uma diversidade de atividades com diferentes propósitos e, ao mesmo tempo, uma repetição delas para que o desempenho dos alunos seja gradualmente melhor. A letra escolhida para as primeiras escritas das crianças é a letra de imprensa, com suas maiúsculas e minúsculas, pois ela possibilita um percepto favorável. A criança pode contar facilmente quantas letras há em cada palavra, identificar melhor cada uma delas, onde terminam e começam; além de ser um traçado menos elaborado, o que deixa a criança pensar mais na construção da escrita e gastar menos energia no processo motor do traçado. Assim, as aulas para o IK foram planejadas pela Equipe de Português, sob orientação e supervisão de Virgínia Balau para manter o padrão Maple Bear e garantir, de forma eficaz e prazerosa, que os alunos se envolvam pelo processo inicial da construção da linguagem escrita. O ensino da Língua Portuguesa deve contemplar os seguintes objetivos: 1. Assegurar a formação de alunos competentes em: Leitura e escrita, de modo a habilitá-los a: participar ativa e criticamente da sociedade letrada; utilizar leitura e escrita na organização da vida pessoal, no acompanhamento dos avanços tecnológicos e científicos e dos eventos comunitários de relevância; aceder à produção literária e jornalística que veicule ideias, valores e temário estético. Linguagem oral, de modo a habilitá-los a: participar ativa e criticamente de situações sociais de interação direta; expressar-se de modo eficaz e apropriado em diferentes situações, atentos ao nível de formalidade ou informalidade requerido. Habilitar os alunos, à medida que forem progredindo no domínio da linguagem falada e escrita, a reconhecer e analisar conteúdo argumentativo em ambas as formas de expressão, como locutor e ouvinte. Para o Intermediate Kindergarten, as aulas compõem 5 diferentes eixos (um para cada dia da semana), além das atividades permanentes que dão início a cada uma delas e, também, situações de trabalho com a oralidade. ATIVIDADES PERMANENTES: Ler para as crianças é um ato de colocá-las em íntimo contato com a escrita, e lhes proporciona a possibilidade de colher dados que as auxiliam no desvendamento do mistério que é, para elas, a ação de ler. Mesmo que as 2

crianças não saibam ler, podem interagir significativamente com a leitura por intermédio do professor que lhes oferece textos de qualidade. Desta forma, a leitura de textos antecede a leitura das palavras. EIXOS: 1. Para recitar: Parlendas, Cantigas, textos conhecidos de memória, são altamente significativos para as crianças e as auxiliam a pensar na forma da escrita. Com seus textos rimados, ritmo marcado e com ludicidade, privilegiam e incentivam a criança a fazer correspondência entre os sons e os símbolos escritos. Ao se deparar com essas questões, a criança, além da vivência lúdica com a língua, ao recitar, vai compreendendo e analisando a modalidade da construção desse tipo de texto que possui uma visualização bem favorável para levantamentos de hipóteses e algumas constatações. 2. Que nome você tem: Segundo Teberosky (1993), o conhecimento do próprio nome tem duas consequências importantes para os alunos que estão se alfabetizando: É uma escrita livre de contexto, ou seja, uma escrita de interpretação estável, que não depende das eventualidades do contexto. É uma escrita que informa sobre a ordem não aleatória dentro do conjunto de letras. O nome próprio é um modelo estável de escrita. O trabalho com nomes informa as crianças sobre as letras, a quantidade, a posição e a ordem delas; permite o contato com diferentes sílabas e diferentes tamanhos de palavras, além de favorecer a aquisição da base alfabética. Saber escrever o próprio nome é um conhecimento importante, pois fornece às crianças, um repertório de letras altamente significativo, que será usado por elas na produção de outras escritas. A partir de seu nome, que as identificam e lhe dão identidade, devem ampliar seu conhecimento da escrita com os nomes dos colegas, da escola e de outros nomes próprios. 3. Os bichos e as letras: O tema animais faz parte do universo infantil, é de interesse natural das crianças desta faixa etária que, em geral, contam com várias informações relativas a ele. Os animais têm uma importante presença no mundo cotidiano (desenhos animados, histórias, jogos) das crianças e, além disso, possuem um importante caráter de identificação de suas vivências pessoais e sociais. Através da definição de diversos animais, suas principais características, as diversidades (locais onde vivem, sua alimentação, seus hábitos e outras 3

peculiaridades relativas a cada espécie) as crianças são levadas a correlacionar esse estudo com o desenvolvimento do processo de alfabetização. Ao pesquisar nas histórias os animais do interesse do grupo, coletar dados por meio de pesquisas e observações e usar diferentes fontes de informação e relacioná-las, os alunos entram em contato com os vários portadores de textos e as diversas linguagens. Ao relacionar escrita de nomes de animais, listas, ordem alfabética e textos o aluno vai se deparando com a formação de palavras, frases e pequenos textos. Ao usar as letras móveis, encara situações em que se depara com o número de letras a serem usadas, quais e em que ordem devem ser colocadas. Registrar o assunto organizadamente de diferentes maneiras dá ao aprendiz, os modelos necessários para a formação de um escritor autônomo e eficaz. 4. Projeto Literário: A leitura ultrapassa os limites da tinta e do papel. Mais importante que reter a informação obtida pela leitura tradicional, as atividades de leitura devem proporcionar aos alunos condições para que possam, de uma forma permanente e autônoma, localizar novas informações pela leitura de mundo e expressá-las, escrevendo para e no mundo. A criança muito além de ler as imagens, precisa aprender a ler a partir dos fatos do cotidiano e desenvolver plena capacidade de leitura do contexto e do meio em que vive. Com essa prática, ela passa a admirar o mundo que a cerca, a sensibilizar-se em relação a realizações e transformações que acontecem ao seu redor. Experiências felizes com a literatura infantil em sala de aula são aquelas em que a criança interage com os diversos textos trabalhados de tal forma que possibilite o entendimento do mundo em que vive e que construa, aos poucos, seu próprio conhecimento. Cademartori (1994) afirma que:...a literatura infantil se configura não só como instrumento de formação conceitual, mas também de emancipação da manipulação da sociedade. Se a dependência infantil e a ausência de um padrão inato de comportamento são questões que se interpenetram, configurando a posição da criança na relação com o adulto, a literatura surge como um meio de superação da dependência e da carência por possibilitar a reformulação de conceitos e a autonomia do pensamento. 5. Jogos: Desde tempos remotos, quando a espécie humana surgiu no planeta, nasceu uma necessidade vital para seu crescimento intelectual: jogar. Manuscritos milenares relatam jogos praticados nas diversas regiões do planeta. Dificilmente se poderá dizer exatamente qual foi o primeiro jogo surgido no mundo. 4

Jogando jogos apropriadamente escolhidos, as crianças podem negociar com espontaneidade, colocar e ouvir diferentes pontos de vista. Jogar implica uma relação cognitiva e representa a potencialidade para interferir no desenvolvimento infantil, além de ser um instrumento para a construção do conhecimento do aluno. Para Vygotsky (1987), a aprendizagem e o desenvolvimento estão estritamente relacionados, sendo que as crianças se interrelacionam com o meio objeto e social, internalizando o conhecimento advindo de um processo de construção. A evolução da leitura e da escrita, que é uma função culturalmente mediada, mas, expressiva e criativa da criança, pode ser facilitada pelo educador por meio de atividades lúdicas, como os jogos, no apoio do processo de aquisição da linguagem escrita e falada. Para Piaget (1973), os jogos e as atividades lúdicas tornam-se significativas à medida que a criança se desenvolve, com a livre manipulação de materiais variados, ela passa a reconstituir, reinventar as coisas, o que já exige uma adaptação mais completa. Essa adaptação só é possível, a partir do momento em que ela própria evolui internamente, transformando essas atividades lúdicas, que é o concreto da vida dela, em linguagem escrita. 5