RECURSOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE BIOLOGIA: O QUE PENSAM AS/OS DOCENTES

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1 RECURSOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE BIOLOGIA: O QUE PENSAM AS/OS DOCENTES Me. Vinícius Colussi Bastos (Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática UEL Bolsista CAPES) Jéssica Cristina da Silva (UEM Bolsista USF) Adriana Vieira de Miranda (UEM Bolsista USF) Claudiane Chefer (Graduação em Ciências Biológicas UEM Bolsista USF) Camilla Borges Gazolla (Graduação em Ciências Biológicas UEM Bolsista USF) Rejane Guimarães Melo (Graduação em Ciências Biológicas UEM Bolsista USF) Tamires Tolomeotti Pereira (Graduação em Ciências Biológicas UEM Bolsista USF) Dra. Dulcinéia Ester Pagani Gianotto (Departamento de Biologia UEM) Dra. Marion Haruko Machado (Departamento de Biologia UEM) Resumo No contexto de um curso que tem como tema o uso de recursos didáticos alternativos no Ensino de Biologia, nossos objetivos foram: identificar que tipos de recursos as/os cursistas participantes conhecem, quais preferem utilizar e por quê; reconhecer suas noções a respeito das contribuições dos recursos didáticos e saber se, na opinião deles, há recursos mais apropriados ao Ensino de Biologia. Por meio da Análise de Conteúdo, identificamos que, apesar de haver uma confusão entre recursos e modalidades didáticas, as/os cursistas preferem o uso de recursos audiovisuais e aulas experimentais, por facilitar, dinamizar e estimular as ações de ensino e aprendizagem, assim como ampliar as relações com o conteúdo. Ressaltamos ainda, a importância da construção de saberes em Didática das Ciências. Palavras-chave: Ensino de Biologia; Recursos Didáticos; Noções de docentes. Introdução A disciplina de Biologia possui conteúdos que são complexos e por vezes não familiares às/aos estudantes. É consenso na literatura da área de Ensino de Biologia a discussão de que mesmo com os avanços da Ciência e das tecnologias, o ensino de Biologia se encontra limitado às aulas expositivas, ou seja, ao modelo tradicional com um professor ativo e estudantes passivos em sala de aula. Não podemos esquecer que a disciplina de Biologia traz consigo uma rica lista de novos vocábulos, de termos latinizados, que na interpretação da/do estudante, não passa de decoreba sem utilidades futuras e isso pode gerar um desconforto ou desinteresse pelo conteúdo, fazendo da aula de Biologia tediosa (KRASILCHICK, 2008). 7332

2 Sendo assim, é fundamental que as/os docentes reflitam sobre a importância de renovar as suas práticas em sala de aula, não simplesmente a ação pela ação, mas desenvolvendo habilidades e competências que permitem a representação e comunicação, investigação e compreensão, bem como a contextualização sociocultural dos diferentes conteúdos que integram a disciplina de Biologia. Uma possível maneira para renovar a ação docente é o uso adequado de modalidades e recursos didáticos, sejam aulas experimentais, de campo, atividades lúdicas como jogos, ou recursos audiovisuais, visuais, manuais e naturais. Diante disso, nosso problema de pesquisa pode ser expresso pelas seguintes questões: quais recursos didáticos são mais utilizados no Ensino de Biologia? De que maneira esses recursos contribuem para o processo de ensino e aprendizagem? Há recursos que são mais adequados ao Ensino de Biologia? Assim, no contexto de um curso de extensão que tem como tema o uso de recursos didáticos alternativos no Ensino de Biologia, desenvolvido como parte das atividades do projeto de extensão Renovando a Prática no Ensino de Biologia: alternativas pedagógicas para o ensino de Citologia e Zoologia do departamento de Biologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Programa Universidade Sem Fronteiras, Subprograma Apoio ás Licenciaturas (SETI-PR), para promover a formação continuada de docentes de Biologia, nossos objetivos foram: identificar que tipos de recursos as/os participantes deste curso conhecem, quais preferem utilizar e por quê; reconhecer suas noções a respeito das contribuições dos recursos didáticos e saber se, na opinião deles, há recursos mais adequados ao Ensino de Biologia. 1. Recursos Didáticos e o Ensino de Biologia Nas últimas décadas os professores têm convivido com o discurso constante da necessidade de atualização permanente (SOUZA & GOUVÊA, 2006). Segundo Castoldi & Polinarski (2009), grande parte dos professores tende em adotar métodos tradicionais de ensino, pelo receio do novo ou mesmo pela inércia, a muito estabelecida, em nosso sistema educacional. Diversos trabalhos, como o de Carvalho (2003), defendem que é papel da/do docente atuar como mediador do processo de ensino e aprendizagem. Assim, ao ensinar Biologia, a/o docente deve priorizar o desenvolvimento de atitudes e valores das/dos 7333

3 estudantes, utilizando metodologias que promovam o questionamento, o debate, e a investigação minimizando, desta maneira, as limitações de um aprendizado passivo ainda presente no contexto escolar (KLEIN et al., 2005). Souza (2007) define recurso didático como todo material utilizado para o auxílio no processo de ensino e aprendizagem do conteúdo proposto. Para esta autora: Utilizar recursos didáticos no processo de ensino- aprendizagem é importante para que o aluno assimile o conteúdo trabalhado, desenvolvendo sua criatividade, coordenação motora e habilidade de manusear objetos diversos que poderão ser utilizados pelo professor na aplicação de suas aulas (SOUZA, 2007, p ). Existe uma variedade de recursos didáticos que as/os docentes de Biologia podem desenvolver e aplicar nos ambientes de ensino e aprendizagem, sendo importante a escolha de um recurso adequado aos objetivos de ensino do conteúdo, uma vez que, O uso de materiais didáticos no ensino escolar, deve ser sempre acompanhado de uma reflexão pedagógica quanto a sua verdadeira utilidade no processo de ensino e de aprendizagem, para que alcance o objetivo proposto (SOUZA, 2007, p. 113). Ao utilizar recursos didáticos, as/os docentes poderão diversificar suas aulas, despertar o interesse das/dos estudantes em construir seu próprio conhecimento, dinamizar e criar situações que as/os levem a refletir e estabelecer relação entre diversos contextos (BECKER, 1992). Zuanon, Diniz e Nascimento (2010) afirmam que além de ser necessário diversificar as metodologias de ensino, é importante o uso de recursos educativos que sejam também motivacionais para o desenvolvimento de competências que auxiliam no processo cognitivo. Gianotto e Araújo (2012) organizam os diferentes tipos de recursos didáticos em naturais, técnicos tradicionais e contemporâneos. Segundo Freitas (2013) os recursos tradicionais, como quadro-negro, livro didático e textos científicos são os mais utilizados e muitas vezes são tidos como único tipo de recurso disponível. Já os contemporâneos, como materiais visuais e informatizados, talvez sejam os mais utilizados depois dos tradicionais, havendo um consenso de que tornam o processo educativo mais atraente e dinâmico (FREITAS, 2013). Coscarelli (1998) defende que esse tipo de recurso estimula as/os estudantes a desenvolverem habilidades intelectuais e cooperação, em que mostram interesse em aprender e buscar informações sobre um determinado assunto. Os recursos audiovisuais, por exemplo, proporcionam uma aula diferenciada permitindo diversificar as atividades e assumir um papel motivador do processo de ensino e aprendizagem (SANTOS, 2010). Além dos recursos didáticos tradicionais e contemporâneos, existe uma gama de materiais que podem ser utilizados como recursos alternativos. Dentre esses, os recursos 7334

4 manuais, como maquetes, são pertinentes para representar uma ideia, um objeto, um acontecimento, um processo ou um sistema criado com um objetivo específico (GILBERT, BOULTER & ELMER, 2000). Outro tipo de recurso são os jogos didáticos, que se caracterizam como uma importante e viável alternativa lúdica para auxiliar e favorecer a construção do conhecimento (CAMPOS, BORTOLOTO & FELÍCIO, 2003). O jogo didático, quando bem elaborado, pode proporcionar ao estudante a capacidade de interação com o conteúdo, bem como favorecer o desenvolvimento de habilidades quanto à cognição, a afeição, a socialização, a motivação e a criatividade (MIRANDA, 2001). Já os recursos didáticos naturais, como materiais biológicos, possibilitam uma interação entre teoria e prática, pois não se baseiam somente em abstrações típicas, mas também na observação do material real (XAVIER, 2007). Jacob (2009) sugere que o uso de recursos naturais no ensino de Biologia e Ciências desenvolvem nas/nos estudantes capacidades de resolução de problemas, de investigação, além de favorecer a construção de significado dos conceitos teóricos. Há um consenso entre as/os docentes de Biologia de que a aula experimental em laboratório é o recurso didático mais adequado para o ensino de Biologia, entretanto, a aula experimental, assim como a aula de campo, é uma modalidade didática, que se refere à maneira como os conteúdos selecionados serão apresentados e trabalhados, englobando tanto as ações docentes como as ações discentes (KRASILCHIK, 2008). Vale destacar que, vários recursos podem ser utilizados em uma determinada modalidade didática ou método de ensino, não é o recurso que determina se a aula será tradicional, ou construtivista, ou de outra maneira, e sim as relações estabelecidas entre estudantes e docentes. Partindo do princípio de que a mediação das/dos docentes é fundamental ao processo de ensino e aprendizagem, todos os recursos didáticos são adequados ao ensino de Biologia, mesmo os mais rudimentares, pois estes requerem uma metodologia de ensino, que determina sua escolha, forma e momento de uso (AMARAL, 2006). Pode-se dizer, então, que a eficácia de um recurso didático é expressa por uma equação entre o seu grau de especialização, o perfil dos sujeitos envolvidos e as características da situação de ensino (RANGEL, 2005). 7335

5 2. Abordagem Metodológica Considerando os objetivos pretendidos com esta investigação, desenvolvemos uma pesquisa qualitativa de cunho interpretativo (BOGDAN & BIKLEN, 1994), pautada na Análise de Conteúdo Temático Categorial (BARDIN, 2004). Para a coleta de dados elaboramos um questionário com cinco questões abertas que versaram a respeito do uso e das contribuições de recursos didáticos para o Ensino de Biologia. Esse questionário foi respondido por participantes de um curso de extensão de longa duração voltado para professores de Biologia, que tem como tema a produção e o uso de recursos didáticos alternativos no Ensino de Biologia. No total, 16 cursistas responderam o questionário, compreendendo 14 mulheres e dois homens, em que todos assinaram um termo de consentimento esclarecido autorizando o uso dos dados coletados para fins de pesquisa e divulgação acadêmica. Esta pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Maringá sob o registro Para a discussão dos dados as/os sujeitos da pesquisa serão identificados por letras e números, conforme segue: C01, C02, C03... C16. Para o tratamento dos dados, elaboramos Unidades de Contexto (UC) e de Registro (UR) prévias, com base no referencial teórico, e a partir dessas unidades, unitarizamos os fragmentos textuais obtidos com as respostas dadas ao questionário e realizamos o processo de inferência para a discussão dos mesmos. Apresentamos em cada uma das UR, sua frequência relativa, em porcentagem, à UC correspondente. Essas Unidades de análise foram decodificadas intersubjetivamente nos seus significados pela equipe do projeto de extensão Renovando a Prática no Ensino de Biologia: alternativas pedagógicas para o ensino de Citologia e Zoologia. 3. Resultados e discussões Com base na metodologia de Análise de Conteúdo Temático Categorial proposta por Laurence Bardin (2004), apresentamos a seguir a descrição dos resultados obtidos com os questionários e as discussões realizadas por meio do processo de inferência a partir da fundamentação teórica. Para a Questão 01 Você utiliza recursos didáticos em suas aulas?, elaboramos a UC1 Uso de recursos didáticos, na qual reunimos os fragmentos textuais que possibilitam 7336

6 inferir pela análise se as/os cursistas utilizam recursos didáticos em suas aulas. Agrupamos na UR 1.1 Utilizam, 14 registros (87,5%), que indicam o uso de recursos didáticos em sala de aula, como por exemplo: Sempre que possível, sim (C12); Muito pouco. O mais usado é o vídeo (C16). Não houve registros que contemplassem a UR 1.2 Não utilizam, elaborada previamente para agrupar registros que indicam o não uso de recursos didáticos. Agrupamos na UR 1.3 Resposta não contempla dois (12,5%) registros, que não contemplam o objetivo da questão, como: Não estou lecionando (C06); Os professores que licenciam no curso de graduação utilizam recursos didáticos, e isso é essencial (C11). Apesar das conhecidas contribuições dos recursos didáticos, sabe-se que não são todas/todos as/os docentes que exploram diariamente suas potencialidades; outras/outros ainda usam sempre os mesmos recursos. Segundo Krasilchik (2008), isso pode ocorrer por falta de confiança ou por comodismo por parte da/do docente, que possui uma tendência em adotar métodos tradicionais de ensino, por medo de inovar ou mesmo pela inércia estabelecida em nosso sistema de ensino. Por meio dos registros obtidos, identificamos maior frequência relativa (87,5%) que indica o uso de recursos didáticos pelas/pelos cursistas. Esse número é significativo e sugere que as/os cursistas buscam alternativas ao modelo tradicional de ensino, uma vez que, ao utilizar recursos didáticos, as/os docentes podem facilitar, diversificar, estimular as ações de ensino e aprendizagem (BECKER, 1992; SOUZA, 2007; ZUANON, DINIZ & NASCIMENTO, 2010). Para a Questão 02 Em sua opinião, como um recurso didático pode contribuir para o processo de ensino e aprendizagem?, elaboramos a UC2 Contribuição dos recursos didáticos, na qual reunimos os fragmentos textuais que possibilitam inferir pela análise a opinião das/dos cursistas a respeito de como um recurso didático pode contribuir para o processo de ensino e aprendizagem. Agrupamos na UR 2.1 Facilitar, seis registros (33,3%), que identificam que os recursos didáticos facilitam o processo de ensino e aprendizagem, como por exemplo: [...] Já os recursos didáticos possuem informações que facilitam a aprendizagem (C03). Na UR 2.2 Dinamizar, agrupamos cinco registros (27,8%), que identificam que os recursos didáticos dinamizam o processo de ensino e aprendizagem, como: Contribui por uma melhor aula [...] além de uma melhor interação entre professor e alunos (C09); Pode contribuir no sentido de tornar o aprendizado mais dinâmico e atrativo para os educandos, uma vez que se aprende fazendo (C14). Na UR 2.3 Estimular, identificamos sete registros (38,9%), que identificam que os recursos didáticos estimulam o processo de ensino e aprendizagem, como: Na escolha 7337

7 de um recurso didático a ser utilizado em sala de aula, procura-se despertar o interesse do aluno pelo assunto e reflexão quanto àquilo que está sendo estudado (C07); Observo o quanto é positivo a utilização dos recursos didáticos pela motivação dos meus alunos [...] (C08); [...] o uso de recurso didático torna as aulas mais atrativas cativando o aluno para melhor entender o conteúdo [...] (C09). Não houve registros que contemplassem a UR 2.4 Resposta não contempla. Diante disso, podemos inferir que a maioria das/dos cursistas indica que utilizam recursos didáticos por estes facilitarem o processo de ensino e aprendizagem, assim como, por estimularem o interesse das/dos estudantes com o conteúdo estudado. Esse resultado está em consonância com discussões da área, como as de Gianotto e Araújo (2012), Souza (2007) e Klein et. al (2005), entre outros, que defendem que o uso de recursos didáticos no ensino de Biologia facilita o aprendizado das/dos estudantes, uma vez que, possibilita a visualização do objeto de estudo de maneira alternativa. Como também, o uso de recursos alternativos ajuda o professor a diversificar suas estratégias de ensino, que além de dinamizar as relações existentes nos processos de ensino e aprendizagem, podem estimular as/os estudantes a se interessarem pelos conteúdos estudados (GIANOTTO & ARAÚJO, 2012; ZUANON, DINIZ & NASCIMENTO, 2010). Para a Questão 03 Cite exemplos de recursos didáticos (Cinco ou mais), elaboramos a UC3 Exemplos de Recursos Didáticos, na qual reunimos os fragmentos textuais que possibilitam inferir pela análise se as/os cursistas conhecem diferentes tipos de recursos didáticos. Agrupamos 15 registros (25%) na UR 3.1 Audiovisuais, relacionados a recursos didáticos técnicos audiovisuais, como por exemplo: Vídeos (filmes, pequenos trechos de documentários) [...] (C01); TV pendrive, internet (C07). Na UR 3.2 Visuais, identificamos nove registros (15%), relacionados a recursos técnicos visuais, como: [...] cartazes (C02); Imagens projetadas [...] (C11); [...]. Para a UR 3.3 Manuais, agrupamos oito registros (13,34%), relacionados a recursos didáticos manuais, como: Modelos de animais (para zoologia) (C01); [...] maquetes (confecção) [...]. Apenas dois registros (3,33%) foram identificados para a UR 3.4 Naturais, relacionados a recursos naturais, como: [...] materiais biológicos fixados (herbários, insetários) (C03); [...] observação dos artrópodes [...] (C08). Para a UR 3.5 Jogos, identificamos dez registros (16,67%), relacionados a jogos, tanto aos didáticos, quanto aos de expressão corporal e dinâmicas de grupo, como: Teatros, dança e músicas (C02); cruzadinhas e jogos (C12); [...] confecção de quebra cabeça; dominó (C15). 7338

8 Na UR 3.6 Tradicionais, houve cinco registros (8,33%), relacionados a recursos técnicos tradicionais, como: [...] notícias (jornais, revistas) (C07); [...] quadro negro; livro didático (C13). Na UR 3.7 Não são recursos didáticos, agrupamos 11 registros (18,33%), não são relacionados a recursos didáticos, como: Prática em laboratório (C02); Sala de informática; laboratório (C04); Aulas de campo (C15). Não houve registros na UR 3.8 Resposta não contempla. Com isso, notamos que os recursos audiovisuais (25%), visuais (15%) e jogos (16,76%), foram os mais citados pelas/pelos cursistas, fato que pode ser atribuído à popularidade da rede de informações em que estamos inseridos, cujas ferramentas (principalmente o computador e a internet) ganharam espaço no âmbito escolar. Já os jogos, por potencializarem as interações com o conteúdo, parecem facilmente fugir do modelo tradicional, o que contribui para sua lembrança como recurso didático (MIRANDA, 2001). Os recursos manuais (13,34%), naturais (3,33%) e tradicionais (8,33%) são os menos citados, fato este atribuído a carência de recursos naturais nas escolas e a demanda de um maior tempo de execução nos recursos manuais. Houve também um expressivo número de registros (18,33%) que nos mostraram uma dificuldade em discernir recurso de modalidade didática (aulas de laboratório e de campo). As modalidades se referem à maneira como os conteúdos serão apresentados e trabalhados, ou seja, ás estratégias que englobam tanto as ações docentes como as discentes e os recursos didáticos são o material auxiliar utilizado nessas aulas (KRASILCHIK, 2008). Para a Questão 04 Quais recursos você prefere utilizar? Por quê?, que possibilitam inferir pela análise quais recursos didáticos as/os cursistas preferem utilizar em suas aulas e o motivo pelo qual preferem tal recurso, elaboramos duas UC. A UC4A Recursos didáticos preferidos, na qual reunimos os fragmentos textuais que indicam quais são os recursos didáticos preferidos, e a UC4B Motivos da preferência, que reunimos os fragmentos textuais que indicam o motivo pelo qual as/os cursistas preferem utilizar um determinado recurso didático. Agrupamos 10 registros (41,67%) na UR 4A.1 Audiovisuais, que indicam a preferência por recursos técnicos audiovisuais, como por exemplo: Em primeiro lugar, os vídeos, pela facilidade em utilizar a TV, que está instalada em quase todas as salas de aula da rede estadual. [...] (C03); [...] slides, filmes [...] (C09). Na UR 4A.2 Visuais, agrupamos dois registros (8,33%), que indicam a preferência por recursos técnicos visuais, como: Gosto muito do recurso visual, mas depende do conteúdo e da série. E o que funciona em uma 7339

9 turma não funciona, necessariamente, na outra (C01); Eu, particularmente, gosto de [...] imagens [...] (C14). Não houve registros que contemplassem às UR 4A.3 Manuais e UR 4A.4 Naturais. Para a UR 4A.5 Jogos, agrupamos três registros (12,5%), que indicam a preferência por jogos, como: Jogos didáticos, porque os alunos conseguem assimilar assuntos complexos com mais calma, em atividades que geralmente praticam em sua rotina (C06). Identificamos apenas dois registros (8,33%) na UR 4A.6 Tradicionais, que indicam a preferência por recursos técnicos tradicionais, como: [...] Quadro negro; [...] Textos e artigos; [...] (C13). Já para a UR 4A.7 Não são recursos didáticos, agrupamos seis registros (25%) como: Sala de informática [...] (C04). Houve apenas 1 registro (4,17%) em que a resposta não contemplava a pergunta, identificado para a UR 4A.8 Resposta não contempla: Atualmente, como a escola em que trabalho oferece muitos recursos, utilizo um pouco de cada recurso citado na questão anterior. O assunto abordado é analisado para a escolha do recurso (C05). Já na UR 4B.1 Facilitar, agrupamos cinco registros (31,25%), que identificam a preferência das/dos cursistas por determinado recurso por este ser facilitador do processo de ensino e aprendizagem, como exemplo: Em primeiro lugar, os vídeos, pela facilidade em utilizar a TV, que está instalada em quase todas as salas de aula da rede estadual [...] (C03); Em ordem de utilização: 1º Quadro negro; 2º Data show; 3º Textos e artigos; 4º Aulas práticas; 5º Filmes. Não seria por preferência esta ordem e, sim, por praticidade [...](C13).Agrupamos na UR 4B.2 Dinamizar, quatro registros (25%), que relacionam a preferência com a dinamização do processo de ensino e aprendizagem, como: Filmes (documentários), para mostrar o conteúdo de uma maneira diferente através de exemplos (C10). Agrupamos na UR 4B.3 Inovar, um registro (6,25%), que relaciona a preferência com a inovação do processo de ensino e aprendizagem, como: Filmes (documentários), para mostrar o conteúdo de uma maneira diferente através de exemplos (C10). Agrupamos na UR 4B.4 Resposta não contempla, seis registros (37,5%), que não contemplam o objetivo da questão, como por exemplo: Gosto muito do recurso visual, mas depende do conteúdo e da série. E o que funciona em uma turma não funciona, necessariamente, na outra (C01). Com base nos dados obtidos nas UC4A e UC4B, podemos inferir que a maioria das/dos cursistas preferem usar recursos didáticos audiovisuais (41,67%), principalmente por estes serem de fácil acesso (31,25%) e não por facilitarem o processo de ensino e aprendizagem durante as aulas, como é o caso das TVs pendrive instaladas nas salas de aula das escolas da rede pública do Paraná, a partir de 2007, por meio do Programa Nacional de 7340

10 Tecnologia Educacional (ProInfo). Vale ressaltar que os recursos audiovisuais também contribuem para dinamizar e inovar o processo de ensino e aprendizagem, assim como despertar o interesse da/do estudante em relação ao conteúdo (BECKER, 1992). Destacamos que na UR5A7 (25%) as/os cursistas não distinguiram recurso didático e modalidade didática, pois citaram aulas experimentais em laboratório e aulas de campo, que são modalidades e não recursos (KRASILCHIK, 2008), sendo assim, não contemplaram o objetivo em questão. Na UR5B4 (37,5%) os objetivos da questão também não foram contemplados, pois as/os cursistas não explicitaram por quais motivos preferem utilizar determinado recurso didático. Para a Questão 05 Há recursos didáticos mais adequados para o Ensino de Biologia? Justifique, elaboramos a UC5 Recursos didáticos mais adequados, na qual agrupamos os fragmentos que possibilitam saber se, para as/os cursistas, há recursos didáticos mais adequados ao ensino de Biologia. Em relação à UR 5.1 Recursos mais adequados, identificamos sete registros (50%), que apontam a existência de recursos didáticos mais adequados ao ensino de Biologia, como exemplo: Desenhos/Ilustrações, pois, a visualização na Biologia é muito importante, já que definimos estruturas, características, etc [...] (C06). Na UR 5.2 Ausência de recursos mais adequados agrupamos três registros (21,4%), que não identificam a existência de recursos didáticos mais adequados ao ensino de Biologia, como: Acredito que todos os recursos podem ser adequados para o ensino de Biologia (C03). Em relação à UR 5.3 Resposta não contempla, quatro registros (28,5%), que não contemplam o objetivo da questão, como: Laboratório [...] (C04). Com base nos dados obtidos na UC6 é possível inferir que metade das/dos cursistas aponta a existência de recursos mais adequados ao ensino de Biologia, como imagens, maquetes e vídeos. É inteligível que os recursos técnicos contemporâneos sejam os mais citados, pois estão relacionados com os sentidos de captação mais efetivos na aquisição de conhecimentos e apreensão de informações (GIANOTTO & ARAÚJO, 2012). Identificamos também que 21,4% dos registros indicam que não há recursos mais adequados ao ensino de Biologia e que são universais ao ensino de qualquer disciplinas. Partindo do princípio de que a mediação é fundamental ao processo de ensino e aprendizagem, todos os recursos didáticos são adequados ao ensino de Biologia, mesmo os mais rudimentares (AMARAL, 2006). Entre os registros que não contemplam os objetivos da questão, notamos, mais uma vez, a confusão entre modalidade e recursos didáticos. 7341

11 4. Considerações finais Foi consenso entre as/os cursistas entrevistados que o uso de recursos didáticos é uma estratégia para renovar o ensino de Biologia, pois estes possibilitam alternativas de representação do objeto de ensino, como os recursos técnicos audiovisuais, que na atualidade são tanto mediadores entre informações e os sujeitos, quanto das relações entre os sujeitos. Apesar de haver uma confusão na distinção entre recursos e modalidades didáticas, as/os cursistas acreditam que esses facilitam, dinamizam e estimulam as ações de ensino e aprendizagem, uma vez que ampliam as relações com o conteúdo. Assim, diante desta experiência, ressaltamos a importância de ações formativas que estimule uma construção continua de saberes em Didáticas das Ciências, fundamentais para renovar de maneira adequada as relações existentes no processo de ensino e aprendizagem em Biologia. Referências AMARAL, Ivan Amorosino do. Os fundamentos do ensino de Ciências e o livro didático. In: FRACALANZA, Hilário; MEGID NETO, Jorge (Org.). O livro didático de ciências no Brasil. Campinas: Komedi, BECKER, Fernando. Epistemologia subjacente ao trabalho docente. Porto Alegre: FACED/UFRGS, CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Formação continuada de professores: uma releitura das áreas de conteúdo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, CASTOLDI, Rafael; POLINARSKI, Celso Aparecido. Considerações sobre estágio supervisionado por alunos licenciandos em Ciências Biológicas. Anais do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Florianópolis, FREITAS, Anne Caroline de Oliveira. Utilização de recursos visuais e audiovisuais como estratégia no ensino da biologia Monografia (Graduação) Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde, Curso de Ciências Biológicas, GIANOTTO, Dulcinéia Ester Pagani; ARAUJO, Maria Augusta de Lima. Recursos didáticos alternativos e sua utilização no ensino de Ciências. In: GIANOTTO, Dulcinéia Ester Pagani 7342

12 (Org.) Formação docente e instrumentalização para o ensino de ciências. Formação de professores em Ciências Biológicas EAD. Maringá: EDUEM, 2012, p GILBERT, John K., BOULTER, Carolyn J., ELMER, Roger. Positioning models in science education and in design and technology education. In: John K. Gilbert & Carolyn J. Boulter (Ed.), Developing models in science education. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2000 JACOB, Priscila Lima; Et. Al. Formação de conceitos científicos em Biologia através de atividades teórico-práticas. XI Encontro de Extensão, XII encontro de Iniciação a docência, UFPB, KRASILCHIK, Myriam. Prática de Ensino de Biologia. 6.ed. São Paulo: Edusp, MIRANDA, Simão de. No Fascínio do jogo, a alegria de aprender. Ciência Hoje, São Paulo, v.28, p.64-66, jan KLEIN, T. A. da S.; OLIVEIRA, V. L. B. de; PEGORARO O. M. E.; CUPELLI, R. L. Oficinas pedagógicas: uma proposta para a formação continuada de professores de biologia. In: Anais do V Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, n 5, 2005, p (completar nomes) RANGEL, Egon. Livro didático de língua portuguesa: o retorno do recalcado. In: DIONISIO, Ângela Paiva; BEZERRA, Maria Auxiliadora. O livro didático de português: múltiplos olhares. Rio de Janeiro: Lucerna, SANTOS, Priscila Carmona. A utilização de recursos audiovisuais no ensino de ciências: Tendências entre 1997 e Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo: SOUZA, Salete Eduardo. O uso de recursos didáticos no ensino escolar. In: I ENCONTRO DE PESQUISA EM EDUCAÇAO, IV JORNADA DE PRÁTICA DE ENSINO, XIII SEMANA DE PEDAGOGIA DA UEM: INFANCIA E PRATICAS EDUCATIVAS. Maringá, PR, XAVIER, Klerton Rodrigues Forte, et. al. O uso de materiais biológicos como elementos facilitadores do processo de ensino e aprendizagem em atividades teórico-práticas. IX Encontro de Extensão, X encontro de Iniciação a docência, UFPB, ZUANON, Átima Clemente Alves; DINIZ, Raphael Hermano Santos; NASCIMENTO, Luiziane Helena do. Construção de jogos didáticos para o ensino de Biologia: um recurso para integração dos alunos à prática docente. R. B. E. C. T., vol 3, núm 3, set./dez

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