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1 138 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O propósito deste trabalho foi o de apresentar os programas de catalogação cooperativa, centralizada e catalogação-na-publicação, os quais, são sistemas de alimentação de catálogos e bases de dados. Apresentamos também o CBU, uma vez que o desenvolvimento dos sistemas de alimentação de catálogos e bases de dados contribuem eficientemente para a construção do CBU com suas bases que contêm grandes quantidades de registros bibliográficos, os quais representam publicações de várias áreas do conhecimento, em várias línguas, de diversas partes do mundo. A grande quantidade de informações que atualmente é produzida tanto em suportes convencionais quanto em suportes eletrônicos, requer um tratamento físico para que ocorra perda significativa de informações, pois: A evolução é rápida, existe muito tempo para pensar, pesquisar e selecionar. É preciso agir, tomar decisões adequadas, [...] as organizações necessitam de informações precisas e eficazes, pois sem a informação, a tomada de decisão pode ser incorreta e/ou tardia. (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, v. 32, n. 2, p. 86). A partir dos estudos realizados sobre os processos que a Biblioteconomia utiliza para o tratamento temático e descritivo das informações e dos documentos, podemos concluir que a catalogação é um processo decisivo para proporcionar acesso a informações, uma vez que descreve tanto física como tematicamente os documentos, indicando a localização física do documento. Para que a catalogação cumpra estas funções, tenha qualidade e possibilite a busca rápida e eficiente pelo

2 139 usuário/cliente, a padronização do serviço catalográfico utilizando-se de códigos de catalogação e formatos de intercâmbio reconhecidos internacionalmente é uma necessidade. Ressaltando ainda que [...] à medida em que a informação assume importância cada vez maior nos dias atuais, os usuários de serviços de informação passam a ser cada vez mais exigentes. (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, v. 32, n. 2, p. 86). A catalogação de qualidade exige o uso de um código de catalogação e de um formato de intercâmbio aceitos internacionalmente para a realização da Catalogação Automatizada. No momento o código AACR2 e o Formato de Intercâmbio MARC21 têm, permitido uma recuperação com bons resultados e o bom desenvolvimento de sistemas de alimentação de catálogos e bases de dados. No capítulo 2 apresentamos como, ao longo de vários anos, muitas pessoas, isoladamente e em instituições, estiveram envolvidas com exaustivos trabalhos para a elaboração de regras, visando a padronização e normatização mundial no processo da catalogação como sendo este, o meio para o alcance da cooperação bibliográfica e o intercâmbio internacional de informações. Portanto, a normatização no tratamento descritivo das informações é essencial. Com uso das tecnologias de informática em informação, desenvolveu-se o formato MARC que contempla as áreas de descrição do AACR2, e juntos são as ferramentas imprescindíveis para o intercâmbio de dados bibliográficos e catalográficos em nível internacional. A apresentação no capítulo 3 dos sistemas de alimentação de catálogos e bases de dados teve por objetivo oferecer informações atuais de

3 140 como os sistemas estão sendo desenvolvidos e quais as formas para se filiar ou adotar um deles. Analisando os três programas nos seus pontos vantagens e desvantagens, concluímos que os três tipos de programas de catalogação para alimentação de catálogos e bases de dados poderiam atuar de modo integrado para que houvesse a duplicação de serviços. Para uma melhor visualização das características, semelhanças e divergências dos programas elaboramos um quadro como resultado de nossa análise.

4 Histórico Catalogação Centralizada Catalogação Cooperativa Catalogação na publicação LC 1898 (para duas ou três grandes bibliotecas) 1901 o número de bibliotecas aumentam Precursor: Jewett (1846) LC 1902 Funciona até hoje na LC denominado Programa de Catalogação Cooperativa (PCC), o qual tem quatro membros (SACO, NACO, BIBCO e CONSER) 141 Precursor: Charles Jewett : Justin Winson apresenta uma proposta 1877: implantando o programa na LC 1948: Ranganathan resgata a idéia 1959: a LC inicia novamente o programa 1971: dá-se início na LC à CIP. Brasil Não há uma data específica de implantação Precursora: Lydia de Queiroz Sambaquy SIC: Década de 40 Bibliodata: 1995 Precursores: Regina Carneiro, editores e livreiros jul. 1971: CBL (SP) nov. 1971: SNEL (RJ) Vantagens padronização na descrição dos registros. Menos custos, tempo e recursos humanos; Participação em grandes sistemas cooperativos internacionais; Maior contribuição ao CBU; Padronização dos registros catalográficos. Elaboração da ficha catalográfica antes da edição final do documento. Desvantagens isolamento em relação aos programas cooperativos; maior sobrecarga de serviços; maior perda de tempo; necessidade de mais recursos humanos barreira na aceitação do trabalho Isolamento em relação aos do outro, fazendo com que às programas cooperativos; vezes por questões de detalhes é elaborado um novo registro. Falta de informações como: data de publicação e número de folhas pelo fato da catalogação ser realizada antes da edição final da obra. Semelhanças Como a catalogação na publicação, o processo de catalogação é centralizado em um único lugar Como a catalogação centralizada realiza seu processo de catalogação em um único lugar. Divergências Não coopera; Uso de diferentes formatos em estruturas locais Trabalha na filosofia da cooperação Atua de modo cooperativo e depende das editoras Quadro 1. Características, divergências e semelhanças dos programas de catalogação.

5 142 A catalogação cooperativa é o único programa que apresenta desvantagens somente algumas barreiras, podendo, mesmo as, ser considerado o único capaz de substituir a catalogação centralizada. Se substituir, ao menos trabalharem em conjunto, como ocorre na LC que faz a catalogação cooperativa e a catalogação na publicação. Observe os fluxogramas 7 dos programas de catalogação nas figuras 8 4, 5, 6 e 7, que se seguem nas próximas folhas: 7 Fluxograma baseado no programa cooperativo da Unesp, citando a Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) como exemplo 8 Descrição gráfica dos fluxogramas baseado em Barsotti (1990).

6 143 Início Material para catalogação Pesquisa na Base Local da FFC Legenda: FFC: Faculdade de Filosofia e Ciências RA: Registro Aproveitável IT: Identidade Total CO: Catalogação Original : Entrada ou saída de um documento : Processamento eletrônico : Decisão, para a escolha entre alternativas : Comentário descritivo ou explicativo : Entrada ou saída onde o portador é um disco magnético : Início, fim ou interrupção Encontrou o registro? Verificar a situação do registro É RA Converter e modificar Pesquisar na Base UEP Converter e possivelmente modificar Registro IT Encontrou o registro? Inserir itens: número de tombo, classificação No caso UNESP Bibliodata, LC e OCLC Pesquisar em bases externas Salvar o registro nas bases Encontrou o registro? Base Local Base UEP Encaminhamento para a CO Fim Figura 4. Fluxograma do Programa de Catalogação Cooperativa da Unesp

7 144 Catalogação centralizada Início Chegada do material no Centro Legenda: RA: Registro Aproveitável IT: Identidade Total : Entrada ou saída de um documento : Decisão, para a escolha entre alternativas : Processamento eletrônico : Comentário descritivo ou explicativo : Início, fim ou interrupção Já possui o material registrado RA Modificações e itens Catalogação original Inclusão dos itens Registro IT Salvar o registro na Base Central Fim Figura 5. Fluxograma do Programa de Catalogação Centralizada

8 145 Catalogação na Publicação Legenda: : Início, fim ou interrupção : Processamento eletrônico : Entrada ou saída de um documento : Comentário descritivo ou explicativo Início Chegada do material no Centro Catalogação baseada no material enviado Capa, sumário e um capítulo do material Impressão da ficha catalográfica no material Fim Figura 6. Fluxograma do Programa de Catalogação na Publicação Analisando os fluxogramas podemos concluir que o cenário da catalogação está totalmente dividido. Por um lado existem os programas cooperativos que reduzem custos e tempo, sendo que por outro lado os programas centralizados e na publicação trabalham praticamente isolados. O ideal seria a união de esforços para a formação de uma única base:

9 146 Legenda: Centro de catalogação : Início, fim ou interrupção : Processamento eletrônico : Entrada ou saída de um documento : Comentário descritivo ou explicativo Início Material Pesquisa pelo Centro de Catalogação ou pelas filiadas Em sua base geral e nacional Catalogação original localizado na rede nacional /internacional Conversão Retrospectiva Registro disponibilizado para todos Ajuda ao Controle Bibliográfico Nacional Ajuda ao Controle Bibliográfico Universal Fim Figura 7. A união dos sistemas de alimentação de catálogos e bases de dados Todos se unindo, cooperam entre si de forma internacional. Os centros de catalogação centralizadas e na publicação converteriam suas

10 147 bases para a base cooperativa nacional catalográfica de seus países excluindo os registros já existentes, se unindo ao centro cooperativo formariam uma única base visando a cooperação ao CBU. Levaria um certo tempo, até que algumas instituições que fazem parte de redes cooperativas convertessem seus registros para o formato MARC21 mas esse trabalho valeria a pena quando se pensa na união dos catálogos. Verificamos ainda no capítulo 3 que o formato MARC foi essencial para a formação de redes cooperativas eliminando barreiras espaciais e lingüísticas. Um incentivo governamental também contribuiria para a construção de bases cooperativas, pois muitas unidades de informação participam de programas cooperativos por falta de recursos. Estabelecer então uma política nacional de transferência de informação permitindo a criação de uma base nacional cooperativa. A sistematização das informações aqui apresentadas favorecem uma reflexão sobre os sistemas de alimentação de catálogos e bases de dados no sentido de analisar os modelos disponíveis para a construção de formas de representação descritivas documentárias e os métodos utilizados para o intercâmbio de dados bibliográficos e catalográficos. Entretanto, pode ser encarado como um trabalho conclusivo, mas como uma organização de informações sobre programas de catalogação preparada com o propósito de servir de subsídios para novas reflexões.

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