REFERENCIAIS PARA UMA PRÁTICA EDUCATIVA SINGULAR E PLURAL:

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO LINHA DE PESQUISA: EDUCAÇÃO, ARTE E DIVERSIDADE GRUPO DE ESTUDO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO E LUDICIDADE GEPEL W ASHINGTON C ARLOS F ERREIRA O LIVEIRA REFERENCIAIS PARA UMA PRÁTICA EDUCATIVA SINGULAR E PLURAL: LUDICIDADANIA NO ACAMPAMENTO VERDE TESE DE DOUTORADO Salvador 2007

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3 W ASHINGTON C ARLOS F ERREIRA O LIVEIRA REFERENCIAIS PARA UMA PRÁTICA EDUCATIVA SINGULAR E PLURAL: LUDICIDADANIA NO ACAMPAMENTO VERDE Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Educação. Linha de Pesquisa: Educação, Arte e Diversidade. Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Ludicidade Gepel. Orientador: Prof. Dr. Cipriano Carlos Luckesi Salvador 2007

4 O48 Oliveira, Washington Carlos Ferreira Referenciais para uma prática educativa singular e plural: ludicidadania no Acampamento Verde / Washington Carlos Ferreira Oliveira Salvador, p. Tese (Doutorado em Educação) Universidade Federal da Bahia, Orientador:Prof. Dr. Cipriano Carlos Luckesi 1. Prática educativa. 2. Educação-ludicidade 3. ludicidadania. I. Universidade Federal da Bahia. II. Título. CDU

5 TERMO DE APROVAÇÃO WASHINGTON CARLOS FERREIRA OLIVEIRA REFERENCIAIS PARA UMA PRÁTICA EDUCATIVA SINGULAR E PLURAL: LUDICIDADANIA NO ACAMPAMENTO VERDE Tese aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Educação, Universidade Federal da Bahia, pela seguinte banca examinadora: Bernadete de Souza Porto Doutora em Educação, Universidade Federal do Ceará (UFC) Faculdade 7 de Setembro, CE Cipriano Carlos Luckesi (orientador) Doutor em Educação, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) Universidade Federal da Bahia Dante Augusto Galeffi Doutor em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Universidade Federal da Bahia Roberto Sanches Rabêllo Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Universidade Federal da Bahia Noemi Salgado Soares Doutora em Educação, Universidade Federal da Bahia (UFBA) Faculdade Visconde de Cairu, BA Salvador, 05 de outubro de 2007

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7 DEDICATÓRIA A Odile, companheira amorosa e co-construtora de todos os meus projetos e realizações significativas nos últimos 21 anos. A Amanda e Alex, filhos queridos, pela inspiração e por me ajudarem nas ressignificações das lacunas lúdicas. Aos colegas coordenadores do Acampamento Verde, atuais e antigos, (Patrícia, Alexandre, Zezito, Ísis, Rosângela, Flávia, Carol, Zuarte, Jair, Rossana...), aos pais e aos jovens com os quais temos acampado, pela oportunidade que vocês me oferecem de aprofundar a ludicidadania na educação. Aos que participaram do Núcleo Espaço de Investigação de Vida Grupal/BA e do Centro de Vivência de Nazaré Paulista/SP, pela oportunidade de acreditar, construir e compartilhar profundas experiências comunitária-espirituais. Aos educandos, educadores, funcionários e conselheiros do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia (da unidade educacional e das unidades negociais), centenária instituição baiana cujo compromisso histórico com jovens e famílias em situação de vulnerabilidade social contribuiu para aprofundar meus vínculos com minha ancestralidade. Aos que fazem a Fundação Clemente Mariani, cuja opção por apoiar o fortalecimento do ensino público e gratuito de qualidade ampliou minha compreensão sobre a importância da parceria entre os setores público e privado. Aos que vivem o Projeto Axé, cujo curso de direitos humanos para policiais, professores e ong s, revolucionou meu olhar sobre o vínculo entre meninos de rua, forças da ordem e democracia. A todos que contribuem para possibilitar a solidária e criativa convivência cotidiana da luz e sombra e outros matizes..

8 HOMENAGEM À saudosa memória do pajé Felippe Serpa, professor da Faced Pela inspiração Pela diferença Pela vivência de entre-lugares Pela crença na igualdade na potência Pela estimulante participação no Rascunho Digital Pela lembrança de que nada do que é humano me é estranho Pela desconstrução das ilusões das grandes narrativas totalizantes, estáveis e lineares Pela sensibilidade e ousadia de propor e realizar Universidade, Nação e Solidariedade Pelo eterno aprendiz

9 AGRADECIMENTOS A Léa, mãe querida, mulher coragem cuja disposição, alegria e confronto nunca me faltaram. A dona Dalva, avó materna, cujos sentimentos de afeto e sintonia sempre me acompanham em sonhos, loucura e lucidez. Ao meu pai Fernando, que com todas as suas peripécias, ausente-presente, deixou-me a fé relaxada de que tudo vale à pena. A Ana Selma, irmã solidária, cuja força, integridade e disponibilidade têm me acompanhado em diversos momentos, inclusive nas maratonas para conclusão desta tese. A Jaime, padrasto e pai referência de autoridade, perseverança e suporte familiar. A Formosinho, Olga, Francisca e Dilú, por possibilitarem um afetuoso reencontro com uma ancestralidade impulsionadora. A Hélio, Beatriz, Lika, Jorge, Shaddai e Aisha, pela oportunidade de ampliar a vivência de família amorosa. A Josélio, Guiomar e Ana Iara, pela amizade familiar alegre, poética e festeira. A Vitória e Adriano, pelo vigoroso suporte no âmbito doméstico. A Plácida, Eliana, Conceição e Eliésio, pelo prestativo apoio no suprir as necessidades do cotidiano. Aos que vivem a FACED/UFBA estudantes, professores, funcionários, biblioteca, livraria, escadas e corredores pela religação com um novo referencial de academia. Aos meus alunos de Educação e Ludicidade na UFBA, e de Cidadania e Direitos Humanos na Polifucs, parceiros de descobertas e redescobertas no prazer de ensinar e aprender muitas formas de vivenciar nossas autoridades internas.

10 A Capes, pelo apoio financeiro, através da bolsa, durante os dois primeiros anos de pesquisa. Ao Espaço Gaia, ambiente de cura e crescimento, cujas conversas, aparentemente fortuitas, com alguns de seus profissionais estimulavam pesquisas e reflexões. A Hernandes, pela solícita e competente disponibilidade nas atividades de manutenção elétrica, hidráulica e correlatas, fundamental em diversos momentos. A Lucas, prestativo técnico em computadores, pelo suporte em momentos essenciais desta tese. A Carmem, pela amizade histórica, fé e presença nos momentos essenciais. A Ana Miranda, instigante amiga pensadora, que me permite viajar para saberes e lugares novos, renovados e cheios de ângulos criativos. A Ísis e Karl, pela interlocução, estímulo à autoridade interna e exemplo de transparência contagiante. A Regina, amiga suporte, sempre atenciosa e receptiva, cuja sinceridade, disponibilidade e disposição na busca de significados também me impulsiona na construção do caminho do meio. A Patrícia Falcão, amiga de jornadas sintonizadas em sonhos, concretudes e múltipla confiança. A Albertina, terapeuta infantil e de casal, cuja sensibilidade, escuta, firmeza, inteireza e interatividade foram essenciais para alguns dos meus renascimentos enquanto adulto. A Terezinha, psicóloga do Serviço Médico da UFBA, cuja dedicação amorosa aos estudantes nos permitia reconhecer e assumir a força da nossa juventude. A Áureo, pela fé numa medicina integrada, o que me permitiu chegar aqui mais inteiro.

11 Aos amigos do grupo de homens Guerreiros do Coração, pela cumplicidade honesta, viril e sensível em nossa reconstrução compartilhada do ser masculino hoje. Aos que freqüentam os cursos de Logos Grupo de Casais, Grupo de Profissionais, Prática Quinzenal, Core e Ciclo de Palestras pelo muito que aprendo e compartilho com vocês. A Aidda, amiga mestra, cuja convivência muito me ajudou na abertura das percepções. Aos colegas dos grupos de Pathwork, pelo compromisso com a profundidade na direção de integração dos caminhos. Aos co-terapeutas da Vivência Curando a Criança Ferida Dentro de Nós, pelas saudáveis parcerias de serviço amoroso na ressignificação do passado que amplia aberturas no presente. Ao Vale do Capão e ao Riachinho, pelas cachoeiras, rios, trilhas, grutas, montanhas, fogueiras e céus estrelados que me fizeram apreender o sentido de beleza contempla-ativa. A Zezito e Marli, cuidadores do Riachinho, um espaço acolhedor que integra natureza e estímulo à partilha e ao autoconhecimento, pelos momentos de renovação do sonho. Aos vizinhos, Gilberto, Rose, Gilbertinho, Rita, Júlia, Hans, filhos e netos, cuja proximidade de residências tem fortalecido respeito, tranqüilidade e confiança mútuas. Aos que sustentaram os movimentos de renovação da Federação das Bandeirantes do Brasil, cuja abertura para grupos mistos me agraciou com o despertar para uma cidadania participativa, alegre e comprometida com a natureza planetária. A Aparecida Nadaes, pelos profundos e diversos mergulhos nas aventuras juvenis que propiciaram maduros aprendizados para os nos novos ciclos. À Fundação Cidade Mãe, Fundação Miguel Calmon, Fundação Clemente Mariani, Senai, Síntese, Jornal Movimento, Tribuna da Bahia, Secretaria Estadual de Planejamento, Polifucs e Liceu, pela rica experiência profissional vivida nestas organizações. Aos professores, funcionários e pais da Escola Girassol e do Colégio Cândido Portinari, onde meus filhos estudam, pela interlocução e por buscarem criar uma atmosfera saudável para a construção do conhecimento infanto-juvenil.

12 Às escolas públicas que freqüentei Escola Azevedo Fernandes, Escolas Reunidas Maria Teófila, Escola Técnica Federal da Bahia, Faculdade de Comunicação da UFBA e FACED, por terem me ajudado a aprender conteúdos e convivências. A Rosângela Gouveia, educadora sensível, pela maneira lúdica que iniciou a alfabetização de meus filhos e continua a praticá-la com muitas outras felizardas crianças. Aos instrutores da Ginga Mundo Capoeira, por onde passaram meus filhos, pela maneira lúdica como transmitem a capoeira e o afeto às nossas raízes culturais. A Marta Leone, amiga de muitas jornadas e cúmplice das mais diversas formas de luta em busca de nossos progressivos ideais mutantes. A Ana Bianchi, consultora educacional competente e íntegra, cuja visão e prática de avaliação institucional participativa muito me ensina a, realmente, valorizar o saber do outro. A Cléverson, parceiro do mestrado-doutorado cuja inteligência, sensibilidade, senso de oportunidade e militância democrática fortaleceram nossa amizade e a crença numa educação pública e gratuita de qualidade. A Menandro, imagético professor da Faced, colega do doutorado, cujo impulso investigativo, generoso (supostamente ateu) e comprometido com a construção da utopia solidária, revelou-me um admirado amigo-interlocutor, de muitas identidades sustentadas na valorização das diferenças. Aos colegas do doutorado da turma de 2002, ambiente de aprendizados, aprofundamento, ampliação e revisão de conceitos, pela intensidade, leveza, amizades e o novo olhar acadêmico. Aos membros do Gepel (valorosos batalhadores brincantes Vera Bacelar, Rita Carvalho, Ana Paula, Cilene, Dulciene, Antônia Lúcia, Adilton, Sueli e tantos outros), laboratório de ludicidade, cidadania, autoconhecimento, amizades e de um fazer científico sintonizado com a construção de uma educação singular e plural. A Bernadete Porto, professora de educação e ludicidade, cujo comprometimento, disponibilidade, sinceridade, poesia e coerência entre teoria e prática muito contribui para inspirar minha prática educativa.

13 Aos que fazem a Presente, revista de educação, editada na Bahia, cuja qualidade e ousadia, em cada edição, compartilha experiências e aprofunda reflexões que muito me tem estimulado a prosseguir. A Vivina, cuja crença compartilhada e dedicação a uma educação profissional, com ética e cidadania, muito contribuiu para que eu ampliasse minhas percepções e para o andamento desta tese. A Rossana e Luciano, parceiros de um projeto coletivo que, ainda, não vingou mas serviu para reforçar nossos vínculos. A Bernadete Caldas e Isis Malheiros, pela inteireza com que se dedicaram para realizar a maioria das entrevistas da pesquisa A Rafaela e Moacir, competentes transcritores das fitas gravadas com as entrevistas para esta tese. A Alexandre Santa Ritta, colega coordenador do Acampamento Verde, que foi de fundamental importância na etapa final de conclusão da tese, tanto digitando, ajudando na criação e aprofundando reflexões. Aos jovens entrevistados e aos adultos que responderam esta pesquisa sobre o Acampamento Verde, a sinceridade e o entusiasmo de vocês colaboraram para ampliar a compreensão da importância dessa experiência. Aos membros da banca de mestrado, qualificação e de defesa da tese, pela qualidade das contribuições e pela experiência que exames também podem ser lúdicos. A Cipriano, orientador firme e paciente, que soube acolher, nutrir, sustentar e confrontar, criando várias oportunidades para que eu exercitasse minha autoridade interna e para que pudesse reconhecer e superar os mais diversos tipos de obstáculos. E a todos os outros (muitos e muitos) que me deram suporte, estímulo e reforçaram a crença na possibilidade de uma convivência mais humana/transpessoal, uma das principais motivações desta tese considero que, direta ou indiretamente, cada um de vocês participou na manifestação concreta deste produto/processo exteriorizo, aqui, o reconhecimento da minha profunda gratidão....um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar. E aprendi que se depende, sempre, de tanta muita diferente gente Toda pessoa sempre é a marca das lições diárias de outras tantas pessoas... (Gonzaguinha Caminhos do Coração, 1982)

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15 2006 FELIZ OLHAR NOVO 2007 Um dos grandes baratos da vida é olhar para trás e sentir gratidão e orgulho por sua história - pessoal e coletiva (orgulho sem soberba, mas como reconhecimento da própria dignidade construída). Poder reverenciar, no presente, a trajetória ancestral. O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA. Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, a fila demora, a grana está curta, chove demais...mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Acredito que podemos viver bem, apesar do que está visível na superfície. O ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Acontece. Às vezes se espera demais das pessoas. Acontece. A grana que não veio, um amigo que decepcionou, um político que frustrou, um amor machucou... Acontece. Nesses aspectos, o próximo ano não vai ser diferente e, ao mesmo tempo, poderá ser muito diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o homem mantém determinadas características incômodas; a natureza tem sua personalidade, que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança? O que eu desejo para todos nós é sabedoria amorosa! Abertura para apreciar e lidar com as personalidades e os desafios da natureza, do jeito que se apresentarem. E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência de aprendizado e que, tal saber, se converta em pontes cooperativas para ser, fazer e conviver consigo e com os outros. Que todos consigamos perdoar a grosseria do desconhecido, o momento infeliz. Ele passou em nossa vida. Não pode ser responsável por um dia ruim. Entender o amigo que não nutriu nossa melhor parte. Se ele decepcionou muito, passe-o, temporariamente, para a categoria três, a dos colegas. E pergunte-se: qual parte minha ele está refletindo? Além do mais, a gente, também, já decepcionou alguém. O nosso desejo não se realizou? Que frustração, hem! Mas, ao mesmo tempo: Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra este momento (me lembro, sempre, de um lance que eu adoro: CUIDE BEM DE SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE). Sintonizar pensamentos, sentimentos e ações (quando possível) é uma das melhores maneiras de cuidar dos desejos; incluir pausa e silêncio no cotidiano, também. Momentos de hesitação, doença e ceticismo podem não ser inimigos da ousadia, vigor e determinação. Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano, do fluxo da vida. Não adianta lutar contra isso. Mas, se a gente se entende um pouco e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, podemos ampliar a visão e apreciar os desafios da adversidade. Desejo para todo mundo esse olhar especial: um contínuo focar e ampliar a visão. O próximo ano pode ser especial, muito legal, se entendermos uma parte de nossas fragilidades e egoísmos, e não ficarmos demasiados presos aos mecanismos condicionados da mente. Somos inseguros e dispersos, mas podemos prosseguir. Temos momentos de autoritarismo, rigidez e permissividade mas não precisamos paralisar. Somos egoístas, mas podemos entender um pouco mais o outro. Em algum momento, podemos perceber o quanto eu, os outros, o céu e a terra estamos, intimamente, conectados; e, daí, reconhecer nosso mutante lugar, singular, no coletivo. É isto que podemos chamar de autoconhecimento inclusivo pessoal e social. O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular, suave, pleno... ou... Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja! Feliz olhar novo!!! Para o próximo ano e para cada agora. (Anônimo - via internet)

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17 RESUMO A partir do reconhecimento dos vínculos entre pedagogia e poder hegemônico, defendo que a ludicidadania, enquanto articulação de atitude lúdica, cidadania participativa, autoconhecimento inclusivo e conexão com a natureza planetária, pode constituir um foco integrador para uma prática educativa singular e plural, que tenha a intenção de propiciar o contato e a expressão da autoridade interna recíproca dos indivíduos envolvidos, em cada momento presente. Isto pode se concretizar através da assunção, simultânea, da identidade (singular de cada pessoa) e da admissão da diferença (pluralidade em relação a si mesmo, ao outro e ao meio que nos envolve) nos remetendo aos 4H: Honrar com Humor a História da Humanidade. Nesta tese busquei quatro objetivos: justificar a necessidade atual de uma prática educativa singular e plural, considerando as dinâmicas de identificação inerentes a cada indivíduo; aprofundar o conceito de ludicidadania enquanto conjunção de referenciais para esse tipo de prática educativa; sistematizar uma experiência vivencial, destinada a crianças e jovens, que apresenta elementos da prática citada; examinar a experiência educativa sistematizada, sob o olhar da ludicidadania. Metodologicamente, trabalhei com duas vertentes complementares, uma teórica e outra empírica. Enquanto conceito, a ludicidadania está ancorada na articulação e qualificação de seus quatro pilares: ludicidade, cidadania, autoconhecimento e natureza. Discorro sobre os significados de diferença, pluralidade, autoridade interna, anestesia social seletiva, video-política, antropocentrismo, egoturismo, natureza cultural, transdisciplinaridade, entre outros. Para o trabalho de campo, utilizei o referencial metodológico da etnopesquisa crítica, aplicando as técnicas de estudo de caso e da observação participante. O foco foi o Acampamento Verde, uma experiência de educação na natureza, para crianças e jovens, desenvolvida na Bahia há 20 anos, onde sou um dos coordenadores. Através de roteiros semi-estruturados, foram entrevistados 30 acampantes e 5 coordenadores. A partir do contexto de origem do Acampamento Verde, sua proposta central, de promover o contato consigo, com o outro e com a natureza, é apresentada através da perspectiva dos coordenadores, da enunciação dos dez princípios norteadores, da descrição das atividades, da percepção dos acampantes e da comparação entre a proposta e o que foi vivenciado pelos entrevistados. Pelos elementos investigados, concluo que uma prática educativa, com a dinâmica singular-plural, destina-se a nutrir valores sociais progressivos, referenciados na diversidade, cooperação, inclusão. Neste contexto, a ludicidadania pode ser um foco integrador, revelando os limites e potenciais que estão engendrados em tal experiência; o mesmo processo traz, em si, os recursos para explicitar possibilidades de superação, ruptura ou convivência entre os elementos tensionados. No caso do Acampamento Verde, sob o olhar da dança sensível da ludicidadania, a pesquisa revelou que muitos de seus princípios/atividades possuem elementos inspiradores para uma prática educativa singular e plural, mas, alguns outros princípios revelaram discrepâncias entre o que é proposto e o registrado pelos entrevistados. Destaco o papel determinante da afinidade de propósitos, entre os condutores do processo educativo, para a efetivação democrática de tal prática, e concluo que a ludicidadania, enquanto olhar investigativo, será melhor utilizada se vier agregada com um tipo de observação participante por parte dos membros do grupo estudado. Palavras chave: prática educativa; autoridade interna; ludicidade; cidadania; autoconhecimento; natureza; Acampamento Verde.

18 RESUMEN A partir del reconocimiento de los vínculos entre pedagogía y poder hegemónico, sostengo que la ludiciudadanía, como articulación de actitud lúdica, ciudadanía participativa, autoconocimiento inclusivo y conexión con la naturaleza planetaria, puede constituir un foco integrador para una práctica educativa singular y plural, que tenga la intención de propiciar el contacto y la expresión de la autoridad interna recíproca de los individuos envueltos, en cada momento presente. Esto puede concretizarse a través de la aceptación, simultánea, de la identidad (singular de cada persona) y de la admisión de la diferencia (pluralidad en relación a sí mismo, al otro y al medio que nos envuelve), remitiéndonos a las 4H: Honrar con Humor la Historia de la Humanidad. En esta tesis, busqué cuatro objetivos: justificar la necesidad actual de una práctica educativa singular y plural, considerando las dinámicas de identificación inherentes a cada individuo; profundizar el concepto de ludiciudadanía como conjunción de referenciales para este tipo de práctica educativa; sistematizar una experiencia vivencial, destinada a niños y jóvenes, que presente elementos de la práctica citada; examinar la experiencia educativa sistematizada, bajo la mirada de la ludiciudadanía. Metodológicamente, trabajé con dos vertientes complementarias, una teórica y otra empírica. Como concepto, la ludiciudadanía está basada en la articulación y calificación de sus cuatro pilares: ludicidad., ciudadanía, autoconocimiento y naturaleza. Reflexiono sobre los significados de diferencia, pluralidad, autoridad interna, anestesia social selectiva, videopolítica, antropocentrismo, egoturismo, naturaleza cultural, transdisciplinariedad, entre otros. Para el trabajo de campo, utilizé el referencial metodológico de etnoinvestigación crítica, aplicando las técnicas de estudio de caso y de la observación participante. El centro fue, el Campamento Verde, una experiencia de educación en la naturaleza, para niños y jóvenes, desarrollada en Bahía hace 20 años, donde soy uno de los coordinadores. A través de itinerarios semi-estructurados, fueron entrevistados 30 acampantes y 5 coordinadores. A partir del contexto de origen del Campamento Verde, su propuesta central de promover el ``contacto consigo, con el otro y con la naturaleza, es presentada a través de la perspectiva de los coordinadores, de la enunciación de los diez principios norteadores, de la descripción de las actividades, de la percepción de los acampantes y de la comparación entre la propuesta y lo que fue vivenciado por los entrevistados. Por los elementos investigados, concluyo, que una práctica educativa, con la dinámica singular-plural, se destina a nutrir valores sociales progresivos, referenciados en la diversidad, cooperación, e inclusión. En este contexto, la ludiciudadanía puede ser un centro integrador, revelando los límites y potenciales que están engendrados en tal experiencia; el mismo proceso trae en sí, los recursos para explicitar posibilidades de superación, ruptura o convivencia entre los elementos tensionados. En el caso del Campamento Verde, bajo la mirada de la danza sensible de la ludiciudadanía, la investigación reveló que muchos de sus principios/actividades poseen elementos inspiradores para una práctica educativa singular y plural, pero algunos otros principios revelaron discrepancias entre lo que es propuesto y lo registrado por los entrevistados. Destaco el papel determinante de la afinidad de propósitos, entre los conductores del proceso educativo, para la efectivización democrática de tal práctica, y finalizo que la ludiciudadanía como ojo investigador, será mejor utilizada si viniera agregada de un tipo de observación participante por parte de miembros del grupo estudiado. Palabras Claves: práctica educativa; autoridad interna; ludicidad, ciudadanía, autoconocimiento; naturaleza; Campamento Verde.

19 ABSTRACT Starting from the recognition of the bonds between pedagogy and hegemonic power, I defend that ludicitizenship*, whereas articulation of playful attitude, partaking citizenship, including selfknowledge and connection with the planetary nature, it can constitute an integrating focus for a singular and plural educational practice, whose intention is to propitiate the contact and the expression of the mutual inner authority of the involved individuals, in every present moment. This can be come through, simultaneously, from the assumption of the identity (singular of each person) and of the admission of the difference (plurality in relation to him or herself, to the other and the means involving us) which addresses us to the four H: to Honour with Humor Humanity's History. In this theory I looked for four objectives: to justify the current need of a singular and plural educational practice, considering the identification dynamics inherent to each individual; to deepen the ludicitizenship concept while a conjunction of referencials for that type of educational practice; to systematize a living experience that was created for children and young people and that presents elements of the mentioned practice; to examine the educational experience systematized under the approach the ludicitizenship. As to the methodolgy, worked with two complemental guidelines, a theoretical one and an empiric one. As a concept, ludicitizenship is anchored in the articulation and qualification of their four pillars: playfulness, citizenship, selfknowledge and nature. I discuss about the meanings of difference, plurality, inner authority, selective social numbness, video-politics, anthropocentrism, egotourismo, cultural nature, transdisciplinarity, among others. For the field work, I used the methodological reference of critic etnoresearch, applying the techniques of case study and of the participanting observation. The focus was on Acampamento Verde, an education experience in nature for children and young people developed in Bahia 20 years ago of which I am one of the coordinators. Using semi-structured itineraries, 30 participants and 5 coordinators were interviewed. Starting from the original context of Acampamento Verde, its central proposal of promoting contact with oneself, with the other and with nature is presented through the coordinators' perspective, from the enunciation of the ten guiding principles, the description of the activities, the perception of the camping participants and the comparison among the proposal and the experience lived by the interviewees. Through the investigated elements, I conclude that an educational practice, that includes singular-plural dynamics, is destined to nurture progressive social values, whose refference are on diversity, cooperation, inclusion. In this context, ludicitizenship can be an integrating focus, revealing the limits and potentials that are engendered in such experience; the same process brings, in itself, the resources for explicit overcoming of possibilities, rupture or coexistence among the tensioned elements. In the case of Acampamento Verde, under the approach the sensitive dance of the ludicitizenship, the research revealed that many of their principles/activities possess inspiring elements for a singular and plural educational practice, but, some other principles revealed discrepancies among what is proposed and the ones registered by the interviewees. I underline the decisive role of the affinity of purposes, among the guidelines of the educational process, for the democratic accomplishment of such practice, and I conclude that the ludicitizenship, as an investigating approach, will be better used if it is combined a type of participant observation on the part of the members of the studied group. Key-words: educational practice; inner authority; playfulness; citizenship; selfknowledge; nature; Acampamento Verde. * Ludicitizenship neologism formed by the words playfulness (ludicity) and citizenship

20 LISTA DE FOTOS (Chapada Diamantina-BA) Foto 1 Caminhando para acampamento selvagem em Águas Claras (grupo 3) Foto 2 Acampamento selvagem junto ao rio Ancorado (grupo 3) Foto 3 Rio que deságua na Cachoeira da Fumaça (grupo 3) Foto 4 Cozinhando no acampamento selvagem, junto ao Rio Ancorado (grupo 3) Foto 5 Reunião no salão de encontros do Riachinho-Ipuena (grupo 2) Foto 6 Exercícios lúdicos de alongamento matinal ao despertar, no Riachinho-Ipuena (grupo 1) Foto 7 Diversão e preparação para montar barracas no acampamento selvagem em Águas Claras (grupo 3) Foto 8 Reunião para avisos, antes de caminhada, junto ao salão de encontros no Riachinho-Ipuena (grupo 1) Foto 9 Mandala de acampantes nas pedras do Rio Preto (grupo 2) Foto 10 Caminhando nos gerais do Vieira, indo para o rio Ancorado (grupo 2) Foto 11 Alongamento nos gerais de Águas Claras (grupo 3) Foto 12 Cozinhando no acampamento selvagem, em Águas Claras (grupo 3) Foto 13 Abrindo valas junto à barraca no Riachinho-Ipuena (grupo 2) Foto 14 Atividade artística: pintando caixas de papelão, no Riachinho-Ipuena (grupo 1) Foto 15 Atividade artística: lixando madeira para montar caixa, no Riachinho-Ipuena (grupo 2) Foto 16 Exercício matinal de relaxamento em duplas, no Riachinho-Ipuena (grupo 2) Foto 17 Pausa na caminhada para Cachoeira da Fumaça, mirante do Vale do Capão (grupo 3)

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