UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ Denise Akemi Avelar Makiyama

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1 1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ Denise Akemi Avelar Makiyama ESTUDO SOBRE OS DEFEITOS TÉCNICOS EM PRÓTESES AUDITIVAS CONCEDIDAS PELO SUS NA CLÍNICA-ESCOLA DA UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ. CURITIBA 2011

2 2 ESTUDO SOBRE OS DEFEITOS TÉCNICOS EM PRÓTESES AUDITIVAS CONCEDIDAS PELO SUS NA CLÍNICA-ESCOLA DA UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ. Curitiba 2011

3 3 Denise Akemi Avelar Makiyama ESTUDO SOBRE OS DEFEITOS TÉCNICOS EM PRÓTESES AUDITIVAS CONCEDIDAS PELO SUS NA CLÍNICA-ESCOLA DA UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ. Trabalho apresentado ao Departamento de Pós- Graduação em Ciências Biológicas e de Saúde, como requisito para conclusão do Curso de Especialização em Audiologia Clínica: Enfoque Prático e Ocupacional, da Universidade Tuiuti do Paraná. Orientadora: Profa. Dra. Ângela Ribas. CURITIBA 2011

4 4 TERMO DE APROVAÇÃO Denise Akemi Avelar Makiyama ESTUDO SOBRE OS DEFEITOS TÉCNICOS EM PRÓTESES AUDITIVAS CONCEDIDAS PELO SUS NA CLÍNICA-ESCOLA DA UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ. Esta monografia foi julgada e aprovada para conclusão do curso de Especialização em Audiologia Clínica: Enfoque Prático e Ocupacional, no Programa de Pós-Graduação Lato Sesu do Departamento em Ciências Biológicas e Humanas da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, 15 de Julho de Especialização em Audiologia Clínica: Enfoque Prático e Ocupacional Universidade Tuiuti do Paraná Orientadora: Profª. Dra. Ângela Ribas Universidade Tuiuti do Paraná Departamento de Pós-Graduação

5 5 RESUMO Esta pesquisa teve por objetivo determinar as causas dos defeitos técnicos e os custos para o conserto das próteses auditivas concedidas pelo Programa de Atenção à Saúde Auditiva de uma clínica-escola, credenciada pelo SUS. Foram analisados os prontuários de 80 pacientes com idade entre 4 e 86 anos, que compareceram na clinica para o serviço de acompanhamento, no período de junho a dezembro de No total, foram encaminhados para assistência técnica 94 aparelhos com problemas no funcionamento, sendo a maioria deles do modelo intracanal, que utilizavam a tecnologia Tipo C, com o tempo de uso inferior a 12 meses. Segundo o laudo técnico, a maioria das causas dos problemas encontrados foi devido ao mau uso do AASI, sendo o custo da manutenção inferior a R$100,00, para o serviço de limpeza e revisão. Dos aparelhos solicitados a reposição, foi aceita a hipótese de que o custo médio da manutenção é significantemente menor que o custo da reposição. Contudo, sugerimos a necessidade da revisão das portarias referentes à saúde auditiva no Brasil, para que haja previsão de destinação de verba à manutenção, o que geraria menor ônus ao governo e acarretaria em maior vida útil dos aparelhos já concedidos. Palavras-chave: prótese auditiva, defeitos técnicos, manutenção, SUS.

6 6 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO A IDADE (ANOS)...30 GRÁFICO 2 RELAÇÃO SEGUNDO O TIPO DE ADAPTAÇÃO E GÊNERO DA AMOSTRA...31 GRÁFICO 3 DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO O TIPO DE PRÓTESE AUDITIVA ADAPTADA,...,,,,,,,...32 GRÁFICO 4 - DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO O TIPO DE TECNOLOGIA DA PRÓTESE AUDITIVA...34 GRÁFICO 5 DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO O TEMPO DE USO DA PRÓTESE AUDITIVA...35 GRÁFICO 6 RELAÇÃO ENTRE O TEMPO DE USO E TECNOLOGIA DA PRÓTESE AUDITIVA...36 GRÁFICO 7 DISTRIBUIÇÃO DA FREQUÊNCIA DAS CAUSAS DOS DEFEITOS NAS PRÓTESES AUDITIVAS...37 GRÁFICO 8 DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIA DOS PROBLEMAS TÉCNICOS ENCONTRADOS NAS PRÓTESES AUDITIVAS...39 GRÁFICO 9 DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO AUTORIZAÇÃO PARA MANUTENÇÃO...41

7 7 LISTA DE TABELAS TABELA 1 RELAÇÃO ENTRE IDADE E TIPO DE PRÓTESE AUDITIVA ADAPTADA...33 TABELA 2 RELAÇÃO ENTRE IDADE DA AMOSTRA E TECNOLOGIA DA PRÓTESE AUDITIVA...34 TABELA 3 - DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO O CUSTO DA MANUTENÇÃO DA PRÓTESE AUDITIVA...39 TABELA 4 RELAÇÃO ENTRE TEMPO DE USO E CUSTO DA MANUTENÇÃO...40 TABELA 5 PLANILHA DO CUSTO DA REPOSIÇÃO DA PRÓTESE AUDITIVA...42

8 8 LISTAS DE SIGLAS AASI APARELHO DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAL CEP COMISSÃO DE ESTUDO E PESQUISA GM GABINETE DO MINISTRO IBGE INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA MS MINISTÉRIO DA SAÚDE OMS ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE SAS SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE SUS SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE UTP UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

9 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA PRÓTESE AUDITIVA Componentes da Prótese Auditiva Microfone Amplificador Receptor Pilhas Moldes Diferentes Tecnologias das Próteses Auditivas Prótese Auditiva Analógica Prótese Auditiva Híbrida Prótese Auditiva Digital Modelos da Próteses Auditivas Prótese Auditiva de Condução Óssea Prótese Auditiva de Condução Aérea Orientação ao usuário da prótese auditiva PROGRAMA DE SAÚDE AUDITIVA NO BRASIL Classificação das Próteses Auditivas de Acordo com a Portaria nº 587/ Acompanhamento e Manutenção da Prótese Auditiva MATERIAL E MÉTODO RESULTADOS E DISCUSSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS...46 REFERÊNCIAS...48

10 10 1. INTRODUÇÃO A audição é um dos sentidos essenciais na vida humana. Segundo Russo (1997), durante toda a vida o homem recebe fluxos constantes de informações sonoras captadas pelas orelhas, classificadas e arquivadas na memória do cérebro. Como se fosse um radar, nossa audição estende-se em todas as direções e a grandes extensões, provendo-nos de informações sobre a localização e distância da fonte sonora, constituindo, assim, um mecanismo de defesa e alerta extremamente importante para a segurança pessoal e participação social do ser humano. No entanto, com o passar do tempo, nossa acuidade auditiva pode diminuir em decorrência de doenças, exposição ao ruído, uso indiscriminado de medicamentos, estresse, predisposição genética, fatores nutricionais, além da poluição sonora (RUSSO, 1997). Para Iório e Menegotto (1997), aquele que sofre uma perda auditiva tem, na maioria das vezes, dificuldade em escutar sons de baixa intensidade e quanto mais grave é a perda auditiva, mais intensos são os sons perdidos, até que na perda auditiva total, nenhum som é capaz de gerar sensação auditiva no indivíduo. De acordo com Iervolino, Castiglioni e Almeida (2003), as consequências da deficiência auditiva na infância acarretam não apenas alterações no desenvolvimento de linguagem, mas também nos aspectos cognitivos, social, emocional e educacional. Essas implicações serão mais ou menos acentuadas conforme o grau da perda auditiva, porém, poderão ser minimizadas com o uso precoce da amplificação. Ross (1998), menciona sobre a necessidade da habilitação auditiva em crianças com perda auditiva começar o mais cedo possível, pela razão de impedir

11 11 qualquer probabilidade de privação sensorial auditiva, aproveitar o andamento normal e rápido do desenvolvimento da linguagem e fala nos primeiros anos de vida, pois evidências revelam que aquelas que receberam amplificação sonora precocemente e envolvidas em programas escolares, estas estão normalmente acima daquelas cujas perdas são detectadas tardiamente. Para Iervolino, Castiglioni e Almeida (2003), o adulto portador de uma perda auditiva adquirida, é comum apresentar a reação de negação, isto é, acredita que os problemas de comunicação estejam no outro (ouvinte). Com a perda da audição surgem sentimentos de insegurança, medo e até de incapacidade. As dificuldades de comunicação fazem com que duvide de suas capacidades e habilidades, tanto no âmbito profissional, quanto no pessoal, levando à mudança na qualidade de vida, depressão e isolamento. Campos, Russo e Almeida (2003), comentam que na população adulta, são dois os aspectos que determinam a procura do uso da prótese auditiva: a autopercepção do handicap auditivo (desvantagem auditiva) e o grau da perda auditiva. Assim, o objetivo da reabilitação auditiva para o adulto é recuperar a maior habilidade possível de compreensão e produção da fala. Ross (1998), refere sobre a necessidade de um programa adequado de orientação e acompanhamento do aparelho auditivo, pois desta maneira pode ser reduzido o número de usuários que deixam de usá-los no primeiro ano de adaptação. Este programa inclui uma programação a longo prazo, como também a curto prazo, que inclui possíveis mudanças no padrão de amplificação e/ou tipo de sistema, problemas quanto aos moldes e experiências com o ajuste inicial. No caso dos idosos, Russo (2004) comenta que de todas as privações sensoriais, a perda auditiva é a que produz efeito mais devastador no processo de

12 12 comunicação. Com o avanço da idade há o decréscimo fisiológico da audição ou presbiacusia (perda auditiva no idoso). Em consequência dessa deficiência auditiva adquirida, ele passa por frustrações devido a inabilidade em compreender ou dar respostas inapropriadas ao que seus familiares e amigos estão dizendo. Por esse motivo, o idoso geralmente opta em afastar-se das situações na quais a comunicação ocorre, sendo frequentemente descrito como indivíduo confuso, desorientado, distraído, não comunicativo, não colaborador, zangado, velho e senil. Segundo a autora citada acima, para os idosos, ela também menciona sobre a adaptação dos aparelhos de amplificação sonora para minimizar os efeitos negativos da deficiência auditiva. Porém, a adaptação do aparelho auditivo não pode ser encarada como essência do programa de reabilitação audiológica, mas como parte integrante dele, sendo imprescindível a orientação ao usuário e familiares, aconselhamento, criação de expectativas adequadas relacionadas aos benefícios e possíveis limitações. Para a população idosa, Russo, Almeida e Freire (2003), recomendam que para a escolha do modelo da prótese auditiva sejam realizadas as avaliações de acuidade visual, sensibilidade tátil e da destreza manual, pois devido ao envelhecimento há um declínio sensorial. Assim, a dificuldade de manipulação e ajuste do aparelho podem estar relacionados ao motivo de rejeição no uso do aparelho auditivo O Brasil, na perspectiva em atender a população que tem dificuldade ao acesso nos serviços em saúde auditiva e, principalmente aos custos elevados dos procedimentos da reabilitação auditiva, que neste item está incluso a aquisição da prótese auditiva, resolve instituir no ano de 2004, a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (BRASIL. Ministério da Saúde, 2006a).

13 13 Nos últimos anos, tem-se discutido sobre as ações deste Programa, em que um dos questionamentos, de acordo com Bevilacqua (2009), consiste na manutenção do AASI, pois como veremos a seguir, o governo faz a concessão da prótese auditiva, porém, após a adaptação, o usuário fica encarregado na realização da manutenção e cuidados do equipamento. No entanto, com o decorrer do tempo, os aparelhos podem apresentar problemas no funcionamento, em que muitas vezes eles são deixados de uso, devido a falta de condições financeiras do usuário para a manutenção do equipamento ou pela insuficiência de conhecimento sobre os cuidados e manuseio dos mesmos. É neste ponto que se insere a pesquisa empírica desenvolvida nesta monografia. Procuramos verificar, em uma clínica-escola de Fonoaudiologia credenciada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Programa de Atenção à Saúde Auditiva, quantos pacientes num período de seis meses, tiveram problemas com suas próteses auditivas, quais foram as causas das falhas técnicas e que valores foram orçados para o conserto. Assim, esta pesquisa teve o seu desenvolvimento nos seguintes questionamentos: Quais são as possíveis causas dos defeitos que estão acometendo o funcionamento da prótese auditiva? Será que os defeitos gerados nas próteses auditivas são em consequência da tecnologia utilizada? Será pela falta de conhecimento na manipulação do AASI, por parte do usuário? Será em decorrência do desgaste natural do aparelho auditivo? Qual é o defeito que mais ocorre nos aparelhos auditivos? Será que vale investir na manutenção técnica ou solicitar a reposição do aparelho auditivo? Deste modo, o presente trabalho teve por objetivo determinar as causas dos defeitos técnicos apresentados nas próteses auditivas concedidas pelo Programa de

14 14 Atenção à Saúde Auditiva de uma clínica-escola, credenciada como alta complexidade pelo SUS, na cidade de Curitiba.

15 15 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. PRÓTESE AUDITIVA Conforme a revisão citada anteriormente, tanto crianças, quanto os adultos e idosos portadores de deficiência auditiva, são candidatos a adaptação de prótese auditiva. Iório e Menegotto (1997), especificam que um aparelho auditivo, ou denominados de prótese auditiva, ou aparelho de amplificação sonora individual (AASI), é essencialmente um sistema que aumenta a intensidade dos sons do ambiente de forma que estes possam ser percebidos pelo deficiente auditivo; assim, quanto maior a perda auditiva, maior será a necessidade de amplificação. Campos, Russo e Almeida (2003), descrevem que o uso da prótese auditiva tem como objetivo principal proporcionar ao usuário a amplificação sonora, da forma mais adequada e satisfatória possível, não se restringindo apenas aos sinais de fala, mas incluem também os sons ambientais, os sinais de perigo e de alerta, bem como os sons que melhoram a qualidade de vida do individuo. Além disso, é o instrumento usado para facilitar a educação e o desenvolvimento psicossocial e intelectual do deficiente auditivo. Na abordagem médica, é fundamental a identificação precoce, as avaliações completas, o diagnóstico preciso e um tratamento adequado da deficiência auditiva. Segundo o ponto de vista audiológico, todo indivíduo portador de uma perda auditiva permanente ou que possa persistir por um período prolongado, pode ser considerado um candidato em potencial ao uso de próteses auditivas, de tal modo, deve-se iniciar o processo de habilitação ou de reabilitação aural (CAMPOS, RUSSO E ALMEIDA, 2003).

16 16 Segundo as autoras supracitadas, o processo de habilitação ocorre quando o início precoce da deficiência auditiva impede o desenvolvimento da linguagem e de outras habilidades da comunicação. A reabilitação é realizada quando pretendese o restabelecimento das habilidades comunicativas adquiridas antes do acometimento da deficiência auditiva Componentes da Prótese Auditiva A prótese auditiva, de acordo com Menegotto, Almeida e Iório (2003), é um sistema que capta o som do meio ambiente, aumenta sua intensidade e o fornece amplificado ao usuário. Este fenômeno ocorre devido à funcionalidade dos três itens básicos, que compõem a parte interna das próteses auditivas, descritos a seguir Microfone é um transdutor de entrada. Ele transforma o sinal acústico em um sinal elétrico, ou seja, um transdutor acústico mecano - elétrico. Diversos tipos de microfones já foram utilizados, atualmente, o mais usado é o de eletreto, por suas diversas vantagens em relação aos demais, cujo material é sintético com propriedades elétricas. No entanto, a desvantagem deste microfone está em sua sensibilidade à umidade. Quanto a resposta à direcionalidade da fonte sonora, os microfones podem ser divididos em omnidirecionais e direcionais. Os omnidirecionais captam a incidência da onda sonora igualmente em todos os ângulos e possuem uma abertura de entrada do som. Já os direcionais, captam de forma variável a onda sonora vinda de diferentes ângulos e possui duas aberturas para entrada do som.

17 Amplificador a sua função fundamental é aumentar a amplitude do sinal elétrico captado pelo microfone, sendo o responsável pela capacidade de amplificação/ganho da prótese auditiva. Os circuitos de amplificação podem ser analógicos, analógicos digitalmente programáveis (híbridos) ou digitais, assim, a partir do modo que o som é processado é que se define o tipo de prótese auditiva. Os amplificadores são agrupados em classes, sendo os mais utilizados os da Classe A, Classe B, Classe D e Classe H. O amplificador da Classe A é usado em próteses auditivas de pequeno ganho e saída máxima reduzida; possui um nível importante de distorção quando atinge alta intensidade de saída; tem alto consumo de pilha e baixo custo. A Classe B (push-pull) possui baixa distorção, sendo capaz de fornecer melhor resposta de frequência e maior saída máxima, com baixo consumo de pilhas. A Classe D e Classe H são de excelente qualidade sonora, pois fornecem uma melhor resposta de frequência, maior ganho e saída máxima, com menor consumo de pilha. Suas vantagens estão no tamanho pequeno dos seus componentes, desta forma, permitem que próteses intracanais tenham os benefícios anteriormente descritos Receptor é um transdutor de saída da prótese auditiva, pois transforma o sinal elétrico amplificado em sinal acústico e transmite-o à orelha do usuário Pilhas é um reservatório de energia química que pode ser convertida em energia elétrica quando desejado. A maioria das pilhas utilizadas em próteses auditivas no Brasil, são do tipo zinco-ar. Elas possuem longa durabilidade,

18 18 desempenho satisfatório com custo financeiro baixo. Porém, sob determinadas condições atmosféricas, estas pilhas podem deixar seus componentes químicos vazarem através dos seus orifícios, danificando o aparelho Moldes - Além dos componentes mencionados acima, Almeida e Taguchi (2003), expõem que as próteses necessitam dos moldes auriculares, que são peças individualmente confeccionadas, inseridas no meato acústico externo, apresenta como função primária conduzir o som amplificado pela prótese auditiva até a membrana timpânica, incrementam o ganho acústico, promovem melhor inteligibilidade de fala e facilitam o processo de adaptação do usuário, tornando a amplificação mais natural. Os moldes auriculares podem ser fabricados em diferentes materiais com estilos e configurações diferentes. Os tipos de moldes existentes são os seguintes: Molde Direto: utilizado com prótese de caixa ou convencional. Molde Invisível: é utilizado nas próteses retroauriculares. A conexão entre o aparelho e o molde é feita através de um tubo plástico. Algumas modificações podem ser realizadas neste tipo de molde, resultando nas seguintes variações: molde invisível simples, molde passarinho, molde canal e molde concha. Molde Intra-Aural: são utilizados para próteses auditivas intra-aurais. Há grande variação neste tipo de molde, pois as caixas do aparelho são individualizadas e o estilo do molde é dependente da forma e do tamanho do meato acústico externo e da concha do paciente.

19 19 Juntamente com os componentes básicos, Menegotto, Almeida e Iório (2003), mencionam que outros sistemas podem estar presentes nas próteses auditivas, tais como, os controles acessíveis aos usuários (chave liga/desliga e controle de volume); controles das características de amplificação do aparelho (saída, compressão, tonalidade e outros); entradas alternativas (bobina telefônica e entrada direta de áudio) ou conexões com sistemas externos (programadores e controle remoto) Diferentes Tecnologias das Próteses Auditivas De acordo com Sandlin (2003), como o desenvolvimento na tecnologia das próteses auditivas têm sido contínuo, os usuários podem ser beneficiados. Almeida, Iório e Dishtchekenian (2003), referem sobre as tecnologias nas próteses auditivas e citam que uma mudança significativa ocorreu com o uso da tecnologia digital, que até então, era empregada a tecnologia analógica Prótese Auditiva Analógica - Este tipo de aparelho utiliza a eletrônica convencional para converter a onda sonora captada pelo microfone, em um sinal elétrico equivalente. Esse sinal elétrico, dentro do circuito de amplificação é equivalente em aparência à onda sonora captada pelo microfone. Esse sinal é amplificado, filtrado, logo reconvertido em sinal acústico pelo receptor e transmitido ao usuário. A vantagem desta tecnologia está no seu baixo custo e as suas limitações estão na menor versatilidade dos circuitos, tornando a adaptação do individuo mais difícil e quanto às restrições no processamento de sinal.

20 Prótese Auditiva Híbrida - Com a introdução de novas tecnologias, houve o desenvolvimento das próteses com o uso combinado de dois processos diferentes, a analógica e a digital, denominadas de híbridas ou digitalmente programáveis. Essas próteses são essencialmente analógicas, mas possuem um ou mais componentes digitais, utilizam o melhor do circuito analógico e os aperfeiçoam incorporando os benefícios da eletrônica digital. Nas próteses analógicas os ajustes nos controles são feitos com o auxilio de uma pequena chave de fenda; enquanto que nas digitalmente programáveis, é necessária uma conexão com uma unidade de programação, permitindo que estes sejam reprogramados ou ajustados rapidamente. Além destas vantagens, com a junção da tecnologia analógica e digital, também foi possível desenvolver próteses auditivas menores e mais eficientes. Algumas das suas limitações encontram-se no custo um pouco elevado e com o ruído interno acima, em comparação com os aparelhos auditivos analógicos Prótese Auditiva Digital - Tanto o processamento do sinal sonoro, quanto o controle desse processamento são realizados por meios inteiramente digitais. Desta forma, para o processamento sonoro digital, ele necessita de circuitos eletrônicos e transdutores (hardware) e de uma programação (software). São inúmeras as vantagens do aparelho digital, pois apresentam: a possibilidade de ser programado, a miniaturização, baixo consumo de energia, menor ruído interno, maior estabilidade, melhor reprodutibilidade e complexidade de processamento. Sobre a utilização dos três tipos de tecnologias mencionadas, Campos e Almeida (2008), realizaram uma pesquisa comparativa no índice de satisfação dos usuários dos aparelhos analógicos, programáveis e digitais, por meio de um questionário. Dos grupos pesquisados, o maior nível de satisfação encontra-se nos

21 21 usuários dos aparelhos programáveis, seguido dos digitais e com menor pontuação, estão os das próteses analógicas. Os usuários das próteses auditivas analógicas referem insatisfação devido à compreensão de fala na presença de ruído, amplificação de ruído ambiental, presença de realimentação acústica e uso ao telefone. De acordo com Kobata (2003), com o avanço tecnológico houve a busca de aparelhos auditivos com desempenho superior, possuindo maior número de controles (canais) na obtenção de melhores ajustes e modificações para tornar mais fácil a adaptação, houve do mesmo modo, a preocupação na parte estética das próteses auditivas Modelo das Próteses Auditivas Existem disponíveis no mercado, vários modelos de próteses auditivas, cada qual destinado às necessidades específicas do usuário, considerando-se as características anatômicas do pavilhão auricular e meato acústico externo, destreza manual do usuário, contraindicação médica para a oclusão do meato acústico externo, configuração audiométrica, grau da perda auditiva, idade e necessidades especiais do futuro usuário da prótese auditiva (KOBATA, 2003). Menegotto, Almeida e Iório (2003), referem que as próteses auditivas são divididas em dois grupos conforme a transmissão do som amplificado seja por condução óssea ou condução aérea Prótese auditiva de condução óssea - utiliza o mecanismo de audição por via óssea para fornecer o som amplificado ao individuo com deficiência auditiva. O

22 22 sinal elétrico amplificado é transformado em vibração mecânica e transmitido ao usuário através de um vibrador, em vez de um receptor Prótese auditiva de condução aérea - fornece o som amplificado ao usuário por meio do receptor. Os modelos disponíveis são: Prótese auditiva retroauricular - Tem todos os seus componentes colocados numa caixa pequena em forma de vírgula, que se adapta atrás do pavilhão auricular. A abertura do microfone localiza-se na parte superior da orelha e, um tubo em forma de gancho contorna o pavilhão auricular e acopla o receptor ao molde auricular. Esse tipo de prótese adapta-se a graus de perda auditiva que variam de leve a profundo. Prótese auditiva intra-aural - Possui seus componentes inseridos na área da concha e/ou meato acústico externo, onde todo o circuito eletrônico do aparelho é montado dentro do molde auricular do usuário. Conforme o espaço ocupado na orelha externa, o aparelho intra-aural pode ser intra-auricular e intracanal ou microcanal. As próteses intra-auriculares ocupam parte do meato acústico externo e da concha do pavilhão auricular, de forma completa ou incompleta. Quando a prótese preenche o meato acústico externo sem invadir a concha, ela é denominada de intracanal e se ele ocupar somente uma porção mais profunda do meato, a prótese é chamada de microcanal ou CIC. Próteses auditivas convencionais - Possuem o microfone, o circuito amplificador e os demais componentes localizados em uma caixa presa na roupa do usuário, que se conecta por um fio a um receptor externo, que por sua vez é acoplado à orelha por um molde auricular. Atualmente, este tipo de aparelho tem

23 23 sido cada vez menos utilizado, ficando a sua indicação aos indivíduos com limitações motoras importantes, pelo fato dos seus controles serem grandes e robustos, de fácil manipulação e adaptação Orientação ao Usuário da Prótese Auditiva Segundo Penteado e Bento (2010), o AASI possui um ciclo de vida reduzido entre três a cinco anos. Qualquer aparelho tem um tempo de vida útil que dependerá da manutenção recebida e dos cuidados dispensados por seu usuário, podendo ser maior se houver manutenção e cuidados apropriados. Porém, em casos que os avanços tecnológicos beneficiem o usuário ou novos achados audiológicos podem determinar a necessidade de troca do aparelho. É fundamental que o usuário e/ou sua família entendam a forma de operação do aparelho e conheçam seus componentes, localização e função de cada controle, a fim de utilizá-lo como um instrumento efetivo no aproveitamento dos resíduos auditivos (IERVOLINO, CASTIGLIONI E ALMEIDA 2003). Hodgson (1998), comenta que o paciente deve entender a necessidade de aprender a usar e cuidar a prótese auditiva adequadamente, para que o aparelho tenha um bom funcionamento e os usuários fiquem satisfeitos com a amplificação. Com relação a orientação e cuidados quanto ao uso do aparelho auditivo, isto inclui o conhecimento dos aspectos físicos, como a colocação e retirada da prótese e pilha; manipulação dos controles; cuidado e manutenção sobre a limpeza dos moldes auriculares e casos de AASI intra-aurais; uso do tipo de pilha corretamente; evitar exposição da prótese ao calor ou à umidade excessiva e quedas.

24 24 Iervolino, Castiglioni e Almeida (2003), comentam sobre os problemas que podem ocorrer nas próteses auditivas e suas possíveis causas são: aparelhos sem amplificação podem ser ocasionados pelo mau uso da pilha, cera no molde/ orifício da cápsula ou umidade no tubo plástico; som fraco pode estar relacionado à pilha, sujeira ou umidade no microfone, conexões soltas, piora da audição, molde sujo ou conduto auditivo externo com cera; som intermitente em consequência de sujeira nos contatos de pilha, tubo torcido ou conexões soltas; microfonia devido ao ajuste do molde, tubo partido, acúmulo de cerume no meato; entre outros PROGRAMA DE SAÚDE AUDITIVA NO BRASIL No Brasil, de acordo com os resultados do Censo 2000 (IBGE, 2002) aproximadamente 24,5 milhões de pessoas, ou seja, 14,5% da população total, apresentaram algum tipo de incapacidade ou deficiência. Nos casos declarados das deficiências, 16,7% eram portadores de deficiência auditiva, sendo que entre esta população, brasileiros são incapazes de ouvir. O Ministério da Saúde do Brasil ao considerar que a deficiência auditiva na população brasileira é uma questão de saúde pública, devido à falta de condições de acesso da população brasileira aos procedimentos da saúde auditiva e principalmente, aos custos elevados dos procedimentos da reabilitação auditiva resolve instituir pela Portaria MS/GM nº 2073, em 28 de setembro de 2004, a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (BRASIL. Ministério da Saúde, 2006a). Este Programa (Brasil. Ministério da Saúde, 2006a), foi estabelecido em todas as unidades federadas, respeitando as competências das três esferas de gestão, nas quais são constituídas a partir dos componentes fundamentais, que são:

25 25 atenção básica, média complexidade e alta complexidade; seguindo os princípios e diretrizes de universalidade, regionalização, hierarquização e integralidade da atenção à saúde. Para complementar a Portaria nº 2073/2004, devido à necessidade de definir as Ações de Atenção à Saúde Auditiva e de auxiliar os gestores na regulamentação, controle e avaliação do programa, é estabelecida a Portaria MS/SAS nº 587, em 07 de outubro de Esta portaria, num dos seus cinco anexos que definem as ações em saúde auditiva, o Anexo IV, traz as diretrizes para o fornecimento de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI). O referido anexo menciona os critérios de indicação do uso do AASI; a avaliação diagnóstica necessária para indicação e seleção da amplificação; seleção e adaptação de aparelho auditivo, de acordo com as características audiológicas e necessidades acústicas do indivíduo; acompanhamento periódico e terapia fonoaudiológica para o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem do usuário (BRASIL. Ministério da Saúde, 2006b) Sobre o acompanhamento periódico, o serviço é responsável pelo monitoramento da perda auditiva e a efetividade do uso do AASI, realizando as avaliações audiológicas, otorrinolaringológica, testes de percepção de fala, questionários de avaliação do beneficio e satisfação do AASI, avaliação e orientação do manuseio do AASI e reposição do molde auricular. O Anexo IV prescreve 01 acompanhamento por ano para os adultos; para pacientes com até 3 anos de idade, são destinados até 04 atendimentos; para os que estão acima desta idade, são autorizados até 02 acompanhamentos anualmente (BRASIL. Ministério da Saúde, 2006b).

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