PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

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1 ESCOLA ESTADUAL MARISTELA ENSINO FUNDAMENTAL RUA PARANAPANEMA, Nº CEP: FONE (44) , DISTRITO DE MARISTELA PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO MUNICÍPIO DE ALTO PARANÁ 1

2 SUMÁRIO 1. APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO OBJETIVOS GERAIS MARCO SITUACIONAL MARCO CONCEITUAL MARCO OPERACIONAL AVALIAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

3 1) APRESENTAÇÃO Tendo em vista o disposto no art.12, inciso I da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que prevê que os Estabelecimentos de Ensino, respeitadas as normas comuns e as de seu sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e executar seu Projeto Pedagógico. A Escola Estadual Maristela Ensino Fundamental elaborou o presente Projeto Político Pedagógico tendo como objetivo, a melhoria na qualidade do ensino e a construção de uma escola cidadã e democrática que aponte um rumo, uma direção, um sentido para este compromisso estabelecido coletivamente. O Projeto Político Pedagógico visa instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, as dificuldades, os problemas encontrados no processo ensinoaprendizagem, rompendo com a rotina do autoritarismo, do fazer por fazer e sem saber aonde se querem chegar. Tudo isso é possível, pois em sua elaboração, a Escola discute, reflete, repensa e expõe, de forma clara, valores coletivos, delimita prioridades, define os resultados desejados e as metas que a mesma deseja alcançar. O presente projeto explicita os fundamentos teórico-metodológicos, os objetivos, o tipo de organização e as formas de implementação e avaliação da Escola e lhe dá uma nova identidade. Esta terá autonomia para avaliá-lo, ajustá-lo permanentemente, pois é um processo sempre em construção. A elaboração e sistematização deste Projeto foram efetivadas pela Equipe Pedagógica deste Estabelecimento de Ensino com a participação direta dos professores que contribuíram com suas reflexões, suas sugestões e idéias para o enriquecimento do Projeto. A partir da Deliberação CEE - nº03/06 e pela Resolução 07/10, expedidas pelo Conselho Nacional de Educação, por determinação legal, é implantado o Ensino Fundamental de nove anos configurando-se como a efetivação do direito a educação, propiciando a aquisição do conhecimento e respeitando as especificidades da infância em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectuais, sociais e cognitivos com matricula obrigatórios aos seis anos de idade. Em conformidade com orientações específicas da SEED Secretaria Estadual de Educação, este documento passa a atender simultaneamente aos alunos nesta modalidade de ensino. 3

4 2) INTRODUÇÃO 2.1) IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA Nome: Escola Estadual Maristela E.F Endereço: Rua Paranapanema, nº Fone: (44) Município: Alto Paraná - Distrito de Maristela Cep: NRE: Paranavaí Entidade Mantenedora: SEED/Governo do Paraná 4

5 2.2) CARACTERIZAÇÃO GERAL 2.2.1) ASPECTOS HISTÓRICOS A Escola Estadual Maristela Ensino Fundamental, localizado no Distrito de Maristela, à margem direita da Rodovia do Café, BR 376, distante três quilômetros do centro do município de Alto Paraná cuja população é, segundo censo 2.000, de habitantes, foi criado a partir de seu desmembramento da Escola Municipal João Honório Luiz, quando da municipalização do Ensino de 1ª a 4ª série do primeiro grau no ano de Oficialmente, o funcionamento deste Estabelecimento de Ensino começou em 1956, através do decreto n 2.938/56 que criou o Grupo Escolar de Maristela, sendo que antes funcionava uma escola isolada, denominada Escola Isolada Duque de Caxias, com apenas duas salas, num prédio do salão paroquial do Distrito de Maristela. O funcionamento das aulas no prédio novo deu-se a 23 de março de O Estabelecimento desde então, passou por várias reformas físicas e teve a criação de sua APM em Através da Resolução n 2.850/82, o Grupo Escolar Maristela ficou autorizado a funcionar como Escola Maristela Ensino de 1 Grau, e ofertando as quatro primeiras séries do 1 Grau e em passou a denominar-se Escola Estadual Maristela Ensino de 1 Grau. Em 12 de fevereiro de 1.988, através da Resolução n 391/88 ficou autorizado o funcionamento, de forma gradativa, das quatro últimas séries do 1º grau (5ª a 8ª), nos períodos diurno e noturno. Esta era uma grande reivindicação da comunidade local, que sentia a falta de continuidade nos estudos dos filhos, pois a locomoção até a escola central do município era precária, o que acarretava muita evasão. Em agosto de 1990, foi concluída a construção de uma nova ala, onde passou a funcionar o curso de 5ª a 8ª série, contendo 4 salas de aula, 1 Biblioteca, 1 sala para Equipe Pedagógica e sanitários. 5

6 Em 19 de abril de 1991, de acordo com a Resolução n 1.272/91 e a Lei n 1.142/91 municipalizou-se o ensino de 1ª a 4ª série, desmembrando-se assim o Estabelecimento em: Escola Municipal João Honório Luiz e Escola Estadual Maristela, ficando a prefeitura Municipal de Alto Paraná responsável pela manutenção do prédio que foi cedido pelo Governo do Estado do Paraná e a folha de pagamento dos professores de 1ª a 4ª série, exceto os estaduais com vínculo QPM. As direções das escolas também foram desmembradas, ficando uma diretora para 1ª a 4ª série e outra para 5ª a 8ª série. Em 1998, para o Ensino Noturno, a Escola optou pela implantação do Curso de Educação de Jovens e Adultos, pois a demanda era grande. A partir do ano de 2.004, é implantado no período noturno o Ensino Educação de Jovens e Adultos (EJA) - Ensino Médio, reconhecido pela resolução nº 2908/04. Extinguiu-se assim, a Educação de Jovens e Adultos Ensino Fundamental (5ª a 8ª série). Este estabelecimento passou a denominar-se Colégio Estadual Maristela - Ensino Fundamental e Médio. A EJA Ensino Médio, esteve em funcionamento dos anos de , quando foi extinta em 05/11 deste mesmo ano, através da resolução 3953/07. Após esta, a Escola passou a denominar-se Escola Estadual Maristela - Ensino Fundamental. A partir do ano de 2012, de acordo com a Resolução nº 07/2010 CNE/CEB, com a Deliberação nº 03/2006 CEE/CEB, o Parecer nº 407/2011 CEE/CEB, com a Instrução Normativa 009/11 SEED/SUED, a implantação do Ensino Fundamental de 9 anos, amparada pela Lei 9394/96, passa a atender os alunos em regime simultâneo de atendimento do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. 6

7 A Escola teve os seguintes diretores ao longo de sua trajetória: Rosália Furlan Nocetti 1956 à 1962 Maria Rosa de Sá Parolin 1962 à 1963 Maria Edna Soriani 1963 à 1964 João Inácio Filho maio/1964 à setembro/1964 Yeda Pedruzzi Galbiatti 1964 à 1977 Bendito Carlos Gomes março/1977 à setembro/1977 Yeda Pedruzzi Galbiatti 1977 à 1987 Aníbal Pagamunici 1987 à 1990 Marie Otani Hayashi 1990 à 1992 Marlene Petris 1992 à 1995 Ângela Regina Crozetta Barbosa á 2001 Maria Helena Tinti à 2003 Nádia Lúcia Galbiatti 2003 à 2005 Wilma Pagamunci 2006 à 2008 Wilma Pagamunci 2009 a 2011 Wilma Pagamunci atual diretora 7

8 2.2.2) ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO O prédio da Escola Estadual Maristela pertence ao Estado e apresenta um espaço físico amplo, e funciona em dualidade com a Escola Municipal João Honório Luiz que atende turmas de Educação Infantil e de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Esta parte do prédio é mantida pela Prefeitura Municipal e possui refeitório, salas de aulas amplas, biblioteca, sala de recurso e reforço. A parte do prédio ocupada pela 5ª a 8ª série, mantida pelo Governo de Estado do Paraná, possui cinco salas de aula, uma biblioteca, um laboratório de informática que foi adquirido pelo Programa Paraná Digital e um laboratório adquirido pelo Proinfo, ambos na mesma sala, uma sala para a direção e equipe pedagógica, uma secretaria, uma sala de professores, uma cozinha, um depósito para guardar merenda, um almoxarifado, um estacionamento, uma pequena horta, três sanitários (incluso o dos professores), uma quadra de esportes coberta, duas mesas de ping- pong de concreto, uma mesa oficial em MDF, mesinhas e bancos de concreto na área aberta da escola e aparelhos eletrônicos: duas televisões, cinco TVs pendrives, quatro vídeos, três rádios microsistem, um microfone, sete caixas amplificadoras (5 pequenas em sala), três aparelhos de DVD, um fax, um retro-projetor, um data show, uma câmera filmadora e trinta e seis computadores (incluso os do laboratório de informática). Livros, coleções, materiais pedagógicos e equipamentos atendem a demanda. Os espaços educacionais passam a atender agora os alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. 8

9 2.2.3) OFERTA DE CURSOS E MODALIDADES: A Escola Estadual Maristela, oferece Ensino Regular de 6º ao 9º ano período matutino. Oferta também, Sala de Recurso, sala de apoio curricular nas áreas de língua portuguesa e matemática e o PIBID (Programa Institucional de bolsa de iniciação à docência) (03/ /2012) de matemática e Pedagogia no período vespertino. O Ensino Regular tem a seguinte distribuição: Número de turmas: 05 Números de turno: 01 (matutino) e 01(vespertino) Número de alunos: 145 Horário de entrada e saída dos alunos: 07h45min às 12h10min TURNO MATUTINO TOTAL TURMAS 6º A 6º B 7º A 8º A 9º A 05 Nº DE ALUNOS A Sala de Recurso atende em período contrário ao ensino regular, de segunda a quinta-feira das 13h30min às 16h20min, executando hora atividade à partir das 16h20min. TURNO VESPERTINO TOTAL TURMAS 6º A 6º B 7º A 8º A 9º A 01 Nº DE ALUNOS A Sala de apoio de atividades complementares atende em período contrário ao ensino regular, de segunda a sexta-feira das 13h às 16h40min com uma hora atividade por semana. A Sala de PIBID atende em período contrário ao ensino regular, nas quartas-feiras das 13h30min às 17h. 9

10 2.2.4) RECURSOS HUMANOS O quadro de pessoal da Escola Estadual Maristela é composto da seguinte forma: Nº FUNÇÃO NA ESCOLA FORMAÇÃO MÉDIA 01 DIREÇÃO DIRETORA PÓS-GRADUAÇÃO 01 PEDAGOGA PEDAGOGA PÓS-GRADUAÇÃO 01 AGENTE EDUCACIONAL II SECRETÁRIO ENSINO MÉDIO 01 AGENTE EDUCACIONAL II BIBLIOTECÁRIA PÓS-GRADUAÇÃO 12 PROFESSORES EDUCADORES PÓS-GRADUAÇÃO 04 PROFESSORES PSS PEDAGOGA E PROFESSORES 04 AGENTES EDUCACIONAIS MERENDEIRAS/ I ZELADORAS PÓS-GRADUAÇÃO ENSINO MÉDIO 10

11 3) OBJETIVOS GERAIS As exigências postas pela sociedade apontam novos objetivos para a Escola, para seus profissionais e consequentemente para a formação do educando. Assim, a Escola deve ser repensada coletivamente em relação a sua organização como um todo e na organização da sala de aula especificamente. Nesse sentido, traçamos os seguintes objetivos gerais para nosso Projeto Político Pedagógico: a) Subsidiar a organização coletiva da prática pedagógica, visando o acesso, a permanência e a garantia da efetiva aprendizagem. b) Garantir igualdade de atendimento para todos os alunos a fim de que o processo ensino-aprendizagem se efetive, considerando que alguns necessitam de condições específicas. c) Cumprir o disposto no art. 12, inciso I da LDB que prevê que cada Estabelecimento deverá elaborar e executar seu Projeto Político Pedagógico. d) Promover a participação de todos os segmentos e instâncias colegiadas nas decisões referentes ao processo pedagógico através da gestão democrática. 11

12 4) MARCO SITUACIONAL REALIDADE BRASILEIRA Vivemos numa sociedade fundada no modelo capitalista, onde as pessoas ganham basicamente dois tipos de renda: ou o lucro ou o salário. O lucro é a renda do capital e o salário é a renda do trabalho. Nosso país tem uma das piores distribuições de renda do planeta: muitos possuem pouco e poucos possuem muito. A globalização da economia e as políticas neoliberais, tendências marcantes nas áreas econômicas e política da década passada, contribuíram para este fato, pois se organizavam a partir da livre concorrência e provocavam o acúmulo do capital, concentrando a renda nas mãos de poucos. No entanto, com as políticas sociais do Governo federal dos últimos anos, houve alguns avanços na área sócio-econômica, o que favoreceu para que a desigualdade entre ricos e pobres fosse amenizada, porém muito se tem que fazer ainda para diminuir mais as diferenças sócio-econômicas enraizadas em nosso país. Os diversos programas sociais estão contribuindo para que muitos brasileiros melhorem de vida. Contudo, esses programas são insuficiente e grande parte da população ainda não tem acesso a bens indispensáveis como saúde, moradia, transporte e outros. Atualmente o Brasil está com um dos melhores índices de crescimento econômico do mundo (previsão para o ano de 2011 é de 7%). No entanto, está encontrando problemas com a mão de obra especializada e com as deficiências de infra-estruturas (nas estradas rodoviárias, ferrovia, escolas; falta energia elétrica, água encanada, esgotos...). E quem mais está sofrendo são os adultos despreparados, muitos destes que não tiveram oportunidade para estudar e uma imensa parcela de jovens. Num mundo em contínua mudança, se faz necessário uma longa e intensa preparação para entrar no mercado de trabalho. Além disso, os avanços da Ciência e da Tecnologia nas áreas da medicina, da agricultura, da engenharia, do lazer, do transporte são contínuos e acontecem de forma cada vez mais rápida. 12

13 No que se refere à Educação, ocorreu uma mudança de paradigma e esta passou a ser entendida, a partir de uma visão progressista, como forma de elevação do ser humano e formação do verdadeiro cidadão, através do acesso de todos ao conhecimento cientificamente produzido pela humanidade. Para tanto, foram tomadas algumas medidas importantes como obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira em todo o currículo da Educação Básica, tanto nas Redes Públicas, quanto nas Particulares; a criação do FUNDEB e ampliação do Ensino Fundamental para nove anos; a adoção do ENEM como requisito para ingresso no PROUNI que está oportunizando a população carente o acesso ao Ensino Superior entre outros. REALIDADE ESTADUAL Nosso Estado, também vive e sofre com toda esta realidade e enfrenta problemas comuns a estados e países que estão em pleno crescimento, como desemprego, violência, falta de recursos, desigualdades sociais. Contudo, encontra-se em amplo desenvolvimento e nos últimos anos tem passado por grandes transformações, principalmente na educação. Nos últimos anos, a discussão sobre educação é retomada também com um novo paradigma. Busca-se a democratização da escola e uma educação pública de qualidade, que além do acesso, possibilite a permanência de todos os alunos na escola e que garanta a aprendizagem. Com este intuito, ocorreram mudanças significativas na área da educação como grande investimento na infra-estrutura dos Estabelecimentos de Ensino, a realização de concurso para professores, pedagogos e funcionários, a abertura das Salas de Apoio e de Recursos, diversas capacitações ofertadas pela SEED para todos os profissionais da Escola, a implantação dos cursos profissionalizantes e a inclusão dos portadores de necessidades especiais com a adequação das escolas e apoio de profissionais especializados. Outro ponto significativo neste atual governo foi à conquista do PDE como política pública no Paraná e o Plano de carreira dos funcionários. Somando-se a isso, o Paraná viveu nestes últimos anos ( ) o processo de reformulação das Diretrizes Curriculares, que contou com a participação efetiva de 13

14 toda comunidade escolar, através de um amplo debate sobre a prática educacional desenvolvida nas escolas, e a construção do Projeto Político Pedagógico, da Proposta Pedagógica e de um Plano de Trabalho Docente mais significativo. REALIDADE MUNICIPAL O Município de Alto Paraná com aproximadamente 13 mil habitantes, sente todas essas mudanças. Sua base econômica é a agricultura: cultivo de mandioca, cana, bicho da seda e laranja, além das indústrias moveleiras. No entanto, por falta de opções de empregos, lazer, ou seja, melhores condições de vida, nossos jovens migram para centros maiores, ou para estudar ou em busca de trabalho. Os que ficam, na sua grande maioria, trabalham como diaristas rurais nas plantações de mandioca, laranja, cana, entre outras. Vemos aumentando a cada dia a violência em nosso município como: assaltos, roubos, brigas, homicídios. Alto Paraná já não é um lugar tão seguro e tranqüilo para se morar como há alguns anos. Este fato está acontecendo principalmente entre a população jovem. Podemos verificar que na maioria das vezes, os delitos são cometidos por adolescentes e até mesmo por crianças, que roubam para comprar drogas, inclusive maconha e crack. Como conseqüência, nossa Escola e nossos educandos passam a sofrer amplamente com essa realidade. Como a educação depende, em grande parte, das leis e das políticas governamentais para determinar a distribuição de recursos, para organizar as estruturas educacionais, normatizar as atividades de professores e alunos e orientar as escolhas num determinado tipo de sociedade, ela pode ajudar a solidariedade e a convivência ou criar maior discriminação e exclusão, pode dar incentivo à cidadania ou pode, também, impedir o acesso de certos grupos ao saber e ao conhecimento. Assim sendo, o plano de ação da Secretaria de Educação Municipal, na atual gestão, tem como proposta a construção de uma escola que acredita que formar é organizar contextos de aprendizagens, exigentes e estimulantes, isto é, ambientes formativos que favoreçam o cultivo de atitudes saudáveis e o desabrochar das capacidades de cada um com vistas ao desenvolvimento das competências que lhe permitam viver 14

15 em sociedade. Desta forma, alguns projetos estão sendo desenvolvidos no Município tais como: Projetos da Educação Especial: Neurosaber Atendimento Neurológico; Caminhos da Mente Atendimento Psicopedagógico; Palavras Vivas. Contudo, o caminho a percorrer é longo e a transformação só ocorrerá se todos os segmentos da sociedade assumir em seu papel e suas responsabilidades com a formação das novas gerações. A comunidade apresenta, no geral, uma baixa renda financeira, existe pouca oferta de trabalho e as famílias procuram envolver todos os membros no sustento mensal. Então a mudança de postura e de ideais precisam ser resgatados e revistos perante as dificuldades encontradas. REALIDADE DA ESCOLA A Escola Estadual Maristela está inserida em toda essa realidade e sofre também as suas consequências. A população atendida é muito carente, sendo que muitos não possuem recursos dignos para uma boa alimentação, saúde e para moradia adequadas. Desta forma, para estas famílias, nem sempre o estudo é prioridade na vida dos filhos. Um percentual dos alunos (em torno de 15%) apresentava há anos atrás um elevado número de faltas e muitos desistiam da escola, muitas vezes para trabalhar, ajudando assim no custeio e manutenção do lar. Realidade atualmente melhorada, graças ao Programa FICA e ao trabalho executado pela Escola, por meio do Pré Conselho com pais, convocação e reuniões que conscientiza e valoriza a participação destes na vida Escolar dos filhos, bem como enfoca a importância dos estudos na vida dos mesmos. A participação dos pais que era bastante restrita no cotidiano escolar tem melhorado e muito com estas novas práticas, pois antes os mesmos vinham somente para tomar ciência dos resultados (entrega de boletins), hoje por meio da reunião do Pré Conselho e outras, os pais comparecem, e tomam conhecimento do comportamento e rendimento escolar dos filhos no meio do trimestre, podendo contribuir significativamente no bom resultado final dos filhos. Mesmo saindo de casa muito cedo e retornando tarde, 90% dos pais, tem comparecido quando solicitados pela Escola. Não alcançamos um resultado ainda mais produtivo, porque os pais não 15

16 possuem tempo durante o dia para acompanhar e apoiar seus filhos nas atividades do cotidiano e da escola. A Escola apresenta também alguns problemas na estrutura física: não há refeitório, os alunos tomam a merenda na praça da escola (mesas e bancos de concreto), e assim, a hora do recreio, ao invés de um momento agradável, tem sido permeado de pequenos conflitos entre os educandos: os pratos de inox enviados pela SEED, embora bonitos e higiênicos, são inadequados para esta realidade, pois com a comida quente não há como segurá-los, os alunos jogam sujeira nos pratos dos colegas e deixam pratos e talheres esparramados por todos os lugares, além de sumirem, e mesmo com um constante trabalho de conscientização, em tais condições, os resultados acabam tornando-se irrelevantes. Estes são os problemas que ainda restam em meio a tantos outros que afetam a infraestrutura da escola. Felizmente, após inúmeras solicitações, anos atrás a Escola passou por uma reforma que a transformou em um local mais agradável e atrativo, pois, antes as condições eram péssimas, não havia espaço adequado para equipe administrativa e professores, as salas de aulas estavam deterioradas pelo tempo, os banheiros não apresentavam condições de uso, a cozinha era pequena, não arejada e sem higiene satisfatória, os recursos didáticos eram escassos e não havia calçamento dentro e fora da escola. Todos estes aspectos contribuíam negativamente no processo ensino-aprendizagem, uma vez que afetava a auto-estima de alunos e professores, já rebaixada pelas condições sócio-econômicas e de trabalho, causando certo descaso com a Escola. Atualmente muitos problemas tiveram uma melhora significativa, percebe-se um maior envolvimento dos alunos, que se empenham em manter o ambiente escolar conservado e bonito. Os conflitos interpessoais alcançaram uma melhora significativa com a prática do diálogo e conscientização. Os alunos quando passam por este problema, são chamados e orientados e acima de tudo todos têm seu momento de expressar-se, ou seja, relatar o que aconteceu segundo sua ótica (mesa redonda). As brigas no contexto escolar são raras e quando acontecem são fora do ambiente escolar, no entanto, a escola não se exime, mas busca resolver o mais rápido os problemas com os alunos e quando necessário, convoca a família para tomar ciência e ajudar na orientação. Se a escola e família juntas não conseguir resolver o conflito, 16

17 os órgãos competentes serão comunicados e convocados (Conselho Tutelar, Conselho Escolar). Após mudanças na Legislação, os alunos com problemas de disciplina com idade acima de 12 anos, é convocada a PM(Policia Militar). É possível perceber nos inícios dos anos, que as 5ª séries sofrem com a adaptação e com isso apresenta indisciplina durante as aulas sendo necessário um trabalho constante por todos os envolvidos no processo ensino aprendizagem para que o quadro se reverta. Além destes problemas, são detectados no decorrer do ano alguns alunos das 5ª séries apresentam dificuldades na leitura, escrita e cálculos básicos de matemática, o que se percebe é uma contradição ou falta de integralidade das escolas municipais e estaduais com relação aos componentes curriculares, apesar das tentativas em fazer mudar esta realidade, em se fazer um currículo que preencha estas lacunas no Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série. No entanto, percebemos que com a adaptação sentimos que os alunos melhoram e buscam rapidamente interagir com as aulas. Atualmente contamos com o funcionamento da sala de recursos, adaptada de acordo com a instrução 003/2011, para Sala Multifuncional, para alunos com Transtornos Globais e Deficiências Intelectuais, com o intuito de complementar as atividades regulares, para melhoria do rendimento escolar e com a formação do ser humano, num espaço organizado didáticos-pedagógicos, equipamentos e profissionais especializados. Contamos também com a sala de apoio e complementação curricular atividades complementares e a sala onde acontece o Projeto PIBID, parceria com acadêmicos da FAFIPA. Contudo, outros aspectos necessitam ser revistos e melhorados: ainda é insuficiente o tempo disponível para encontros pedagógicos e reuniões de estudo, onde possa refletir-se sobre a realidade e buscar soluções para os problemas, mesmo com a conquista da hora-atividade; a Equipe Pedagógica é insuficiente, pois a Escola atende alunos com uma realidade muito difícil e desestruturada, havendo a necessidade de um maior número de profissionais para que se possa fazer um trabalho efetivo com os alunos; segundo os professores, a falta de interesse e a indisciplina, são os principais problemas enfrentados; alguns alunos não entendem a necessidade dos estudos e da importância do conhecimento para o crescimento pessoal e social, e alguns pais 17

18 pedem a transferência do aluno, para não serem incomodados, e mesmo quando são orientados pela direção, professores e pedagoga ou outros órgãos, o desinteresse é grande, logo, ainda enfrentamos problemas com a evasão de alguns alunos. E embora, os docentes sejam bastante comprometidos com a aprendizagem, buscando sempre planejar as aulas de acordo com a realidade dos alunos, ampliando seu repertorio de conhecimentos e respeitando as diferenças existentes na sala de aula, percebe por meio da avaliação que não conseguem atingir todos os objetivos propostos. Além disso, muitas vezes, sente que a culpa do fracasso escolar está em suas costas, e também possui muita indignação com as políticas educacionais brasileiras, que no discurso exalta a educação como um dos caminhos para a solução de problemas sociais e econômicos, mas na prática investe pouco na infra-estrutura escolar e na formação dos educadores. Todavia, a conquista do plano de carreira, com a hora-atividade e os investimentos com a formação continuada com projetos como Formação em Ação e PDE, os educadores sentem a necessidade da continuidade das políticas públicas e de maior valorização do magistério e que os avanços continuem. Como nossa Escola teve um desempenho abaixo do esperado no ano de 2007 no IDEB, participou do programa PDE ESCOLA que investiu em recursos de capital e custeio no ano de 2009 o valor de ,00 reais, e é importante destacar que no ano de 2010 a escola recebeu de parcela complementar o mesmo valor que foram investidas em livros para educadores e alunos, cortinas, janela para teatro, caixa de som amplificada, micro-sistem, entre outros que a escola necessita. É importante destacar, que no ano de 2009, a Escola apresentou um resultado no IDEB acima do esperado para tal. No Setor Administrativo, as funções são bem especificadas, com uma divisão clara das tarefas, havendo bastante cooperação entre os agentes educacionais e um atendimento satisfatório à comunidade. A participação nos cursos de capacitação e nas reuniões da Escola está contribuindo para um maior envolvimento na tarefa de educar, pois todos têm consciência da importância do seu trabalho para a qualidade do ensino que se pretende ofertar. 18

19 A escola, de modo geral, possui uma boa organização do tempo e espaço, a horaatividade, por exemplo, já se efetivou, contribuindo para um rico planejamento das aulas e uma melhor organização do trabalho pedagógico (Pré e Pós Conselho, entre outros encontros necessários). Conseguimos manter com estes encontros uma maior coletividade dos profissionais da educação que estão sempre aptos a atender a Escola quando solicitados. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica IDEB estava com média de 3,4 no ano de 2007, atingindo no ano de 2009 a media de 4,1. Todos esses problemas, às vezes, parecem barreiras intransponíveis na busca de um ensino de qualidade. Porém, quando olhamos para além da aparência física da escola. Observamos alunos com tantas dificuldades e problemas, porém, guerreiros. Analisamos que podemos e temos muito que fazer na luta de uma educação de qualidade, transformadora. Quando olhamos para além da indisciplina, que parece generalizada, vimos alunos com grandes talentos na música, no esporte, na ciência, na comunicação, nas artes. Quando olhamos para além dos entraves da sala de aula, vimos ótimos trabalhos sendo desenvolvidos. Quando olhamos para além das atividades que os agentes educacionais exercem, vimos pessoas com experiência de vida e de comunidade, com um enorme potencial a acrescentar na formação de nossos alunos. Quando paramos para analisar a pesquisa em que 96% dos alunos afirmam estudar para melhorar de vida, nos damos conta de que, para essas crianças e adolescentes tão carentes de tudo, representamos a esperança de uma vida melhor. Vimos, então, que existe uma luz no fim do túnel e é em busca desta luz que iremos caminhar. 19

20 4.1) PERFIL DA COMUNIDADE ESCOLAR A demanda escolar da Escola Estadual Maristela, no período matutino, é formada em sua maioria por alunos provenientes da Escola João Honório Luiz, localizada no mesmo prédio. Uma pequena parte desses educandos são oriundos da Zona Rural do município. A maioria vive com os pais, outros vivem com avós ou tios. A maioria dos pais são trabalhadores rurais diaristas ou pequenos agricultores, e muitos destes não concluíram o Ensino Fundamental. No que se refere à Escola, muitos dos educandos gostam da mesma e afirmam que são bem tratados pela direção, pedagoga, professores e demais agentes educacionais. Quanto aos pais, uma grande parte mostra-se satisfeitos com o desempenho dos professores e querem que haja mesmo cobrança com os estudos e com a disciplina, conforme afirmam em reuniões, Pré Conselhos e entrega de boletins. Em relação aos profissionais que atuam na escola, todos possuem formação específica para a função que exercem. Destes, apenas três agentes educacionais e a diretora residem no Distrito, o restante mora na sede do Município ou em cidades próximas como Paranavaí e Nova Esperança. 5) MARCO CONCEITUAL Na sociedade a Educação se manifesta como um instrumento de manutenção ou transformação social. Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem e orientem seus caminhos. Este Projeto Político Pedagógico está pautado na perspectiva da Pedagogia Histórico- Crítica, tendo como concepção psicológica a sócio-histórica e concepção filosófica e dialética. 20

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