Ana Carolina Melo de Oliveira FARIAS 1, Maria do Perpetuo Socorro Soares TEIXEIRA 2

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1 PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO DE UM AMBIENTE DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA COM O USO TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA O CURSO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DO UNICEUMA Ana Carolina Melo de Oliveira FARIAS 1, Maria do Perpetuo Socorro Soares TEIXEIRA 2 1 UNICEUMA, São Luís/MA, Brasil, 2 IFMA, São Luís/MA, Brasil, RESUMO: O objetivo principal deste trabalho consiste na realização e implantação de um ambiente computacional para Ambientes Interativos de Ensino-aprendizagem cooperativa, dispostos em uma arquitetura de rede de computadores e sua utilização em uma plataforma de Educação a Distância. Tal proposta pretende desenvolver-se a partir do estudo das interações cooperativas envolvendo professores, alunos e sistema computacional, tendo uma infra-estrutura como a Internet e/ou, mais particularmente, uma Intranet como suporte de comunicação. O que propomos será, inicialmente, considerando o período de experimentação e testes, aplicado à disciplina Sistemas Cooperativos do Curso de Sistemas de Informação do UNICEUMA e, para o desenvolvimento do mesmo, faremos, além de um estudo sobre o tema proposto, um estudo comparativo entre o modelo educacional clássico e o modelo proposto. Concluímos, apesar de o trabalho ainda se encontrar em fase de implantação, o quão se faz imprescindível e urgente, ao nível das instituições maranhenses de ensino, projetos nesta área. PALAVRAS-CHAVE: Educação à distância, Aprendizagem cooperativa, Tecnologias Educativas. 1 Introdução As mudanças tecnológicas que ocorreram no mundo nos últimos anos, acarretaram transformações em diversos setores da vida humana, especialmente no setor produtivo e educacional. 1

2 O ensino teve uma grande expansão junto à evolução da Sociedade. A quantidade de conhecimento que o ser humano precisa adquirir cresceu, aumentando-lhe o tempo de formação. Consequentemente, a aquisição do conhecimento com qualidade, a um custo não muito elevado, a qualquer tempo e lugar, tornou-se uma preocupação comum dessa nova sociedade. A evolução tecnológica ocorrida nos últimos tempos ressaltou a necessidade de introduzir novas técnicas no ensino e, o uso de computador na educação mostrou-se muito interessante. A Internet deu uma nova dimensão ao processo ensino-aprendizagem em todas as suas nuances, dentre elas, o reconhecimento do homem em manter-se atualizado ao longo de sua vida através da Educação Permanente, aquela que não está restrita somente aos períodos escolares, como a Educação a Distância (EAD) (TEIXEIRA, 2002). A EAD vem acontecendo há muito tempo, seus meios é que são constantemente atualizados. O computador, aliado à evolução das telecomunicações, da telemática e o surgimento da Internet, redimensionou o processo educativo, rompendo as barreiras do espaço e do tempo, aumentando as possibilidades educativas e o avanço do EAD, hoje, inevitavelmente mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que ganharam resignificação, a partir do uso do computador e da Internet (Web-rádio, , Web-vídeo, Web-Câmera, etc) e, por isso, passaram a ser conhecidas, equivocadamente, como as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC). A idéia de empregar o computador no suporte a atividades em educação e treinamento não é recente. Contudo, o panorama mundial atual, globalizado, exige o uso das chamadas TIC e, como não poderia deixar de ser, o sistema educativo não deve ficar de fora desse processo, fazendo-se, entretanto, necessário ao mesmo adaptar-se a esse atual momento. Com isso, o presente trabalho aborda a construção de um modelo pedagógico de aprendizagem cooperativa que possibilite à plataforma de EAD do UNICEUMA, a partir de um processo educativo, mediado pelas TIC, consoante com as necessidades do aprendiz, condições de responder às exigências do mundo moderno e de uma formação continuada. 1.1 Ensino cooperativo 2

3 A cooperação é uma das atividades humanas mais importantes. Porém, nas salas de aula tradicionais a cooperação não é um fator principal. A competição para a recompensa é o comportamento dominante nas salas de aula, isto implica que o sucesso de um estudante reduz as chances de recompensa dos outros. Conseqüentemente, e em resposta aos Sistemas Tutoriais Inteligentes (STI) clássicos, no que diz respeito, principalmente, ao papel desempenhado pelo aprendiz e calcado em um modelo de aprendizagem cooperativa, criou-se a categoria denominada Ambiente Interativo de Aprendizagem (do inglês Interactive/Intelligent Learning Environment - ILE). Em um ILE o estilo da interação, muda para permitir ao aprendiz uma participação mais ativa, pois o controle da interação passa a ser compartilhado entre o sistema e o aprendiz. Apareceram em seguida, os ILEs cooperativos ou Ambientes cooperativos de ensino-aprendizagem mais conhecidas sob o nome CSCL (do inglês Computer Supported Collaborative Learniong). Falamos, portanto, de aprendizagem cooperativa auxiliada por computador (LABIDI, 1998) Atualmente, no Maranhão como no Brasil, os computadores nas escolas começam a se tornar uma realidade, o que nos falta é aperfeiçoar, cada vez mais, o Ensino Assistido por Computador, através de sistemas inteligentes, com o objetivo de satisfazer, adequadamente, às necessidades do aprendiz de forma mais dinâmica e eficiente no seu processo de aprendizagem. Assim, o que propomos pode ser localizado na categoria dos ILEs e CSCLs em sua vertente que se utiliza de métodos e técnicas provenientes da Inteligência Artificial, como uma alternativa para construção de ambientes de aprendizagem cooperativos (LABIDI, 1998). 1.2 Processo Ensino-aprendizagem no sistema proposto A concepção do processo ensino-aprendizagem no sistema proposto, a partir de seu Modelo Pedagógico Mediador, não considera unicamente o processo em si, ou os diferentes momentos de evolução do mesmo, como também, o controle e a avaliação deste em todos os seus momentos, a partir da concepção de indicadores capazes de avaliar a qualidade da aprendizagem do estudante tais como: generalização, reflexão domínio e solidez do aprendizado, que propiciará entre outras coisas, a retroalimentação do sistema, a 3

4 partir da avaliação que o estudante será capaz de fazer do sistema, em todas as suas etapas, a fim de avaliar qualitativamente o mesmo (DUARTE, 2000). O modelo pedagógico proposto prevê, na prática, a partir do que foi exposto acima, uma relação onde o professor deixa de ser um simples transmissor de informações e, principalmente, o aluno deixa de ser um simples depósito dessas informações. O professor converte-se em um guia, um orientador, um apoio neste processo mais democrático, onde o aluno passa a ter maior autonomia e independência, onde suas idéias possam ser respeitadas e levadas em consideração na construção do conhecimento e, o aprender a aprender, possa se fazer valer, em todas as etapas do aprendizado, a fim de que o mesmo possa levar o aluno ao aprender a fazer e, no convívio com os outros, praticar o aprender a conviver, para que, ao final, possa levar a cabo o aprender a Ser (no convívio com o outro, no grupo de trabalho entre alunos ou com próprio professor, de forma colaborativa); pilares da educação para o novo milênio e, sem dúvida nenhuma, um dos maiores desafios desta (DELORS, 2001). Com isso, tal processo se fundamenta no princípio geral básico da aprendizagem desenvolvimentista (aprendizaje desarrolladora), que propicia o desenvolvimento das formações psicológicas vinculadas com a aprendizagem e as interações, neste contexto, registradas em Inter e Intranet, para o qual não é imprescindível, necessariamente, um espaço físico de trabalho em grupo, considerando que, esse Grupo de Colaboração pode e, como na maioria das vezes, deve ser virtual, como no caso da EAD (COLLAZO, 2004). 1.3 EAD baseada na WEB O aspecto pedagógico do acompanhamento da evolução do aprendizado dos alunos pode ser significativamente favorecido em cursos que utilizam a tecnologia computacional. Pode-se organizar, de forma personalizada, o conteúdo didático a ser disponibilizado ao aluno em função de seus avanços, dúvidas e dificuldades, ou seja, podem-se criar várias alternativas de seqüências de estudo (diferentes planos didáticos) para o aprendizado de determinado tópico. Dessa forma, entre as características que a Web proporciona em relação ao ensino a distância, podemos citar (TEIXEIRA, 2007): 4

5 Interatividade: em salas de aula, a interatividade fica restrita ao limite físico e temporal, que não ocorre com os recursos pela Web, em que não há restrições de localização e, quanto ao fator temporal, o estudante pode acessar a Internet a qualquer horário; Ensino independente de tempo e lugar: o treinamento pode ser feito em qualquer lugar, a qualquer momento e o alcance é limitado pelo alcance da Internet; Minimização de deslocamentos e economia de tempo: não há necessidades de deslocamentos freqüentes para locais físicos predeterminados, o que também determina uma redução de custos sobre o transporte, alimentação e hospedagem, com conseqüente redução e economia de tempo; Atendimento em massa personalizado (mass customization): é a possibilidade de oferecimento de ensino em massa com a adequação às características dos alunos. Aprendizagem no ritmo da aprendizagem: o que faz com que o indivíduo possa ter um papel ativo sobre o ritmo e necessidades de aprendizagem; Network: possibilita e promove a troca de experiências, criando uma comunidade virtual. Essa troca enriquece, estimula e dinamiza o aprendizado dos alunos; Independência de formato: A Web, pela sua concepção, permite simultaneamente a transmissão de informação em diversos formatos (imagem, texto, som, animação, vídeo, entre outros.). Os dados podem ser encapsulados segundo padrões específicos e transmitidos via rede; Sistema dinâmico e incremental: É um meio de transmissão com grande dinâmica (atualização constante do conteúdo). Uma vez que a informação original fica armazenada em um servidor e todos os clientes se utilizam da mesma fonte (em Inter ou Intranet), sempre que esta é atualizada ou modificada o efeito é sentido de imediato por todos os usuários; Independência geográfica e temporal: O acesso à base de informações só depende da existência de um terminal com acesso à Internet e da disponibilidade de um browser; pode ser feito a qualquer tempo e lugar segundo a disponibilidade do usuário. 5

6 2 Legislação da EAD no Brasil A Nova Lei de Diretrizes e Base da Educação Brasileira (LDB) e o Plano Decenal de Educação para Todos (1993/2003), juntos, tornaram a EAD um compromisso nacional. Em 1995, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) criou a Secretaria de Educação a Distância (SEED/MEC) (SEED/MEC, 2007) com objetivo de valorizar o papel da EAD na implantação de uma nova cultura educacional visando a ampliação do espaço educacional e do domínio de conhecimento por meio da disseminação de programas, conhecimentos e tecnologias aplicadas à EAD. A EAD vem atualmente recebendo estímulos significativos do Governo Federal que a coloca em suas prioridades. As instituições que querem oferecer o ensino de graduação à distância devem obter junto à Secretaria de Educação Superior do Ministério, o credenciamento e autorização para tal. Uma vez autorizada, a universidade pode oferecer cursos utilizando vídeo, Internet, impressos e outras mídias. Todas essas universidades possuem sites que informam sobre seus cursos a distância. Na verdade, os cursos a distância oferecidos por um número significativo de universidades ainda utiliza muito pouco dos recursos da Web como ferramentas de auxilio ao ensino a distância. Os recursos didáticos utilizados com mais freqüência são livros, cadernos e guias de estudo, todos impressos. Outros recursos também são citados em alguns sites, tais como: fitas de vídeo, fitas de áudio, telefone, fax, computador, tele e videoconferências, rádio e TV. Dessa forma, um número considerável desses cursos, ainda não se configura como cursos totalmente virtuais, ou seja, via Web (TEIXEIRA, 2004). De outro lado, existem várias outras universidades que oferecem cursos de extensão e disciplinas de graduação e de pós-graduação utilizando recursos de EAD. Algumas delas são fortemente apoiadas em recursos da Web. Também estão sendo formados consórcios de universidades com o objetivo de democratizar a educação e o ensino através da utilização de tecnologias de educação à distância. 3 O UNICEUMA e a EAD Ao longo de seus vinte anos de experiência em educação superior, sempre por meio de metodologias clássicas de ensino, onde o modelo educativo, presencial, tradicional 6

7 foi preponderante, o UNICEUMA demonstrou interesse nas plataformas de ensino à distância, ao perceber que a mesma trazia consigo um diferencial político, educacional e profissional. O UNICEUMA adotou a EAD com o objetivo de adequar o seu processo pedagógico tradicional a um processo competitivo e condizente com a evolução tecnológica. Passando a incluir-se, assim, em um mercado globalizado que exige uma formação continuada dentro das novas tecnologias disponíveis. Com o reconhecimento dos benefícios que a EAD pode trazer para a educação atual, as instituições se apresentam cada vez mais aceitáveis a este processo. O UNICEUMA utiliza uma plataforma própria, construída em Moodle, para realização de cursos à distância que, ainda, não permite grandes possibilidades educativas, além da cooperação com algumas disciplinas semi-presenciais planejadas e solicitadas pelo corpo docente; como é o caso da Disciplina Sistemas Cooperativos do Curso de Sistemas de Informação, usada experimentalmente para validação desta proposta. Dessa maneira, a partir dos resultados obtidos, propomos melhorias consideráveis para programa de EAD do UNICEUMA dentre elas, um ambiente de aprendizagem entre alunos e professores no processo educacional, dispostos dentro de uma arquitetura de rede de computadores, baseando-se em modelo pedagógico de aprendizagem cooperativa, já usado em outras Instituições parceiras no nosso estado como é o caso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA). Neste sentido, o UNICEUMA deixa claro que as experiências que trazem benefícios ao ensino, serão sempre acolhidas e apoiadas pela instituição, como a que propomos. 3.1 Modelo Educacional Clássico Este modelo (Figura 1) está sofrendo muitas críticas, pois além de exigir muitos recursos, dar mais importância ao ensino enquanto ficou reconhecido atualmente que o foco deve ser a aprendizagem. O modelo clássico dar ênfase à aquisição enciclopédica de conhecimento. Contudo, frente ao crescimento vertiginoso do conhecimento (estamos vivendo a era da informação e do conhecimento) ficou claro que é mais interessante 7

8 centralizar a educação no desenvolvimento de habilidades para avaliar e solucionar problemas e situações reais. 1. Análise ou pressuposição de entrada do aluno 2.Apresentação baseada no conhecimento e no talento do professor 3.Avaliação da aprendizagem Figura 1: Modelo Educacional Tradicional (LABIDI, 2002) A EAD surgiu devido à necessidade de levar oportunidades de aprendizagem a um número cada vez maior de pessoas de forma a superar as limitações que o modelo clássico não resolveu: número crescente de pessoas, custo elevado, incompatibilidade de tempo, falta de oportunidades educacionais (em algumas regiões), entre outros (GONZÁLEZ, 2005). 3.2 Modelo de EAD proposto para o UNICEUMA A proposta do modelo de EAD divide-se em três partes: o Modelo Prático, o Modelo Pedagógico e o Modelo Tecnológico (Figura 2). Modelo EAD para UNICEUMA Modelo Prático Modelo Pedagógico Modelo Tecnológico Modelo de avaliação do sistema Figura 2 : Modelo EAD para o UNICEUMA (TEIXEIRA, 2007) 8

9 Modelo Prático Para o desenvolvimento de um projeto instrucional de EAD devemos considerar as funcionalidades fundamentais do sistema de EAD. Isto define o Modelo Prático. Um sistema é um conjunto de recursos humanos, materiais e informacionais que interage com o meio para realizar sua finalidade. As funções que compõe o sistema de EAD são: Administração, Planejamento, Produção, Utilização, Supervisão, Acompanhamento e Avaliação. Sugerimos a criação do Núcleo (ou Coordenação) de EAD do UNICEUMA/MA. As funcionalidades do Modelo Prático seriam, portanto, geridas por esta coordenação (Figura 3): Montar Equipe Administração Planejamento Produção Utilização Supervisão Acompanhamento Avaliação Figura 3: Funções do Sistema de EAD (TEIXEIRA, 2007) 9

10 Criar Equipe. Para o bom funcionamento desta modalidade educacional devese criar uma equipe interdisciplinar constituída por professores, pedagogos, psicólogos, profissionais de informática e administradores. Administração. A participação do coordenador em todas as fases é necessária. O coordenador responde pelo desenvolvimento do sistema como um tudo. Planejamento. É a ação que estabelece objetivo, metas, condições de execução, recursos necessários, custos, cronogramas, explicitar a proposta pedagógica. O planejamento responde às questões: O Quê? Como? Quem? Quando? Onde? Quanto? Relativa a todas as partes e atividades do sistema. O planejamento de EAD deverá ser feito a partir das reais condições da instituição e dos usuários (clientela). Produção. É a ação de elaboração de materiais instrucionais que serão disponibilizados (sob forma de CD-ROM ou para download) para os usuários: textos básicos, manuais de orientação, áudio, vídeo, etc. Utilização. A recepção do material pelos usuários pode ser realizada de várias maneiras: livre (não controlada), organizada (controlada), isolada (limitada), etc. Deve-se, portanto, ter uma equipe de tutores (ou monitores) para garantir a utilização correta do material, criar estímulo na utilização do material. Supervisão. Em uma perspectiva de EAD, a supervisão assume o objetivo de orientação e incentivo à formação de grupos de trabalho. A supervisão refere-se ao conjunto de atividades que contribuem para o melhoramento do ensino. Acompanhamento e Avaliação. Tem por objetivo de aperfeiçoar e garantir a melhor utilização do sistema. É indispensável definir na fase de planejamento os mecanismos e instrumentos que permitirão o acompanhamento e a avaliação considerando os objetivos do programa. Modelo Pedagógico A proposta de um modelo pedagógico é geralmente baseada na definição de dois modelos: um modelo educacional e um modelo instrucional. Os dois modelos são compostos pelos mesmos elementos. A diferença é que o primeiro é mais abrangente. 10

11 A visão clássica da educação era centralizada no professor como detentor do saber. A visão moderna da educação é centralizada no aluno dando mais importância ao aprendiz e ao processo de aprendizagem. Em realidade é a própria evolução tecnológica que faz com que novas visões da educação apareçam. As mudanças ocorridas trouxeram uma nova visão do papel de cada elemento no processo educacional, principalmente do aluno e do professor. A EAD deve, portanto, se basear em um modelo moderno. O professor não é mais visto como o principal detentor do saber, mas passa a ser um administrador, organizador, e coordenador de um ambiente desenhado para facilitar a aprendizagem do aluno, um facilitador desse processo; onde o aluno deixa de ser um simples receptor passivo de informações e começa a interagir com multi meios, conteúdos, formas de apresentação, e experiências de forma autônoma e em grupo para alcançar os objetivos (FRAWLWY, 2000). A maioria dos projetos de EAD modernos se baseia em um modelo pedagógico composto por quatro elementos: diagnóstico, seleção, realização e avaliação (Figura 4). Modelo Pedagógico Mediador Proposto Diagnóstico Seleção Realização Avaliação (Feedback) Figura 4: Modelo Pedagógico Moderno (TEIXEIRA, 2007) Diagnóstico: Contrariamente ao modelo clássico, saber que um aluno concluiu determinado nível de formação já não é mais suficiente para o ingresso. É preciso diagnosticar com mais profundidade quais os objetivos específicos de cada disciplina, o que aluno domina ou não. Esta fase tem por objetivo determinar o perfil do aprendiz que ajuda na tomada de decisão sobre o aluno: o que aluno deve aprender e como ele pode melhor participar do processo nos dois pontos de vista instrucional e educacional. O Modelo Pedagógico deve responder às perguntas: a quem o UNICEUMA/MA deseja respectivamente oferecer e atender, com relação à educação? 11

12 Seleção. Este elemento do modelo define a escolha dos procedimentos de aprendizagem a serem realizados pelo aluno. Devem-se levar em conta as características individuais de cada um. Realização. É a aplicação das atividades de aprendizagem definidas na fase anterior. Essas devem ser planejadas e realizadas de acordo com os objetivos e condições diagnosticadas. É nesta fase em que se dá, necessariamente, a prática pedagógica, com a aplicação dos preceitos didáticos pedagógicos por nós proposto. Na fase de Realização é que propomos a aplicação do Modelo Didáticopedagógico Mediador (Figura 5), adaptado e melhorado de modelos utilizados isoladamente em EAD que, visto sob uma perspectiva vigotskiana, torna-se capaz de promover o aprendizado apoiado nas TIC em um ambiente de aprendizagem cooperativo de forma exitosa. Proposto inicialmente para o IFMA, foi disponibilizado, a partir de um processo de parceria com o UNICEUMA, para o desenvolvimento de trabalhos complementares de encerramento de curso dos alunos da graduação em Sistemas de Informações e contemplam estudos cooperativos. Professor: desenha ambientes mediados e os propõe ao aluno Método: utilização de ambientes mediados. Aprendizagem cooperativa. Reflexão-ação Relação Professor X Aluno: relação horizontal AMBIENTES DE APRENDIZAGEM COOPERATIVOS APOIADOS PELAS TIC Meta: promover nos indivíduos a tarefa de construir-se, de apropriarse do mundo e de si mesmos. Aluno: faz suas próprias mediações sobre o que lhe chega mediado Conteúdos: os alunos constroem os conteúdos através do conhecimento, a arte, os jogos, o estético, as interações e as relações com os outros seres (relação entre o afetivo e o cognitivo) Figura 7: Modelo didático-pedagógico mediador (CARLIER, 1998; TEIXEIRA, 2007) 12

13 Avaliação. A cada atividade (ou unidade) realizada pelo aluno deve-se verificar se os objetivos foram alcançados. Os propósitos de avaliação devem ser claramente definidos no modelo. O objetivo do diagnóstico é de dar a cada aluno um feedback e as oportunidades para alcançar perfeitamente os objetivos. Importância da definição dos objetivos: Todo processo instrucional tem como finalidade mudanças de comportamento. Consequentemente, os objetivos devem ser explicitados sob forma de proposições ou descrições de mudanças esperadas ao final de cada etapa. A definição dos objetivos deve atuar como: Base na construção do currículo; Base de informação sobre o desenvolvimento das atividades; Base para avaliação; e Guia para o aluno saber onde está e aonde vai. Modelo Tecnológico Pode-se usar ambientes de apoio ao ensino a distância baseado na WEB. Como exemplo: WebCity, AulaNet, TelEduc, ProInfo (do MEC), etc. Esses ambientes permitem aos alunos, distantes geograficamente, se cadastrarem e participarem dos cursos oferecidos, de forma que o sistema gerencia todas as interações entre os diversos alunos e os coordenadores dos cursos, oferecendo mailing-list, fóruns de discussão, chat, sessões sincronizadas de ensino, transferência de arquivos, banco de dúvidas, etc. Levando em consideração que o UNICEUMA/MA tem as competências necessárias para desenvolver seu próprio ambiente de apoio à EAD com as vantagens de personalização, flexibilidade e incrementalidade, poder-se-ia ressaltar que, atualmente, existe o CEAD/CEUMA, um ambiente de apoio ao ensino a distância do UNICEUMA. Contudo, qualquer que seja o ambiente escolhido, gratuito, ou próprio, a proposta de EAD baseada na WEB só terá efeito e sucesso se ela for apoiada por um laboratório de criação multimídia. Tal laboratório terá como função principal a criação do material didático multimídia usando recursos avançados de geração de vídeo, imagens, som, etc. 13

14 Finalmente, não se pode deixar de ressaltar outros recursos tecnológicos que estão ampliando e dinamizando as possibilidades do ensino a distância, como é o caso da tele e videoconferência. O UNICEUMA/MA pode a médio ou longo prazo adquirir esta tecnologia uma vez que seu programa de EAD já está consolidado. 4 Considerações Finais Finalmente, concluímos que: Aperfeiçoar o uso EAD no UNICEUMA/MA, segundo o que propomos, é de maior importância para a Instituição; pois, além de consolidar sua imagem, trará maior economia e flexibilidade aumentando o leque de seus alunos potenciais para todo o território nacional. O caráter se faz, imprescindível e urgente, para implantação deste projeto, tendo em vista que, ao nível das instituições maranhenses de ensino, há poucos projetos reconhecidos na área. Entretanto, há vários núcleos que estão sendo criados tendo os mesmos objetivos, como o do IFMA. A importância de seguir uma abordagem baseada em modelos para implantação desta modalidade de ensino no UNICEUMA/MA, em especial o modelo pedagógico de aprendizagem cooperativa/colaborativa é indispensável. Ter uma própria infra-estrutura de videoconferência como recurso complementar ajudando na implantação do projeto de EAD e possibilitando o credenciamento da Instituição junto ao MEC é de extrema importância. Referências CARLIER, Mônica. Ambientes de aprendizaje colaborativos apoyados con tecnologías de la información y la comunicación como instrumentos mediadores en la relación pedagógica. Colômbia- 1998, p COLLAZO, R. Una concepción teórico-metodológica para al produción de cursos a distancia basados en el uso delas Tecnologías de la Información y las Comunicaiones. 14

15 Tesis en opción al Grado Científico de Doctor en Ciencias de la Educación. Ciudad da la Habana DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo: Cortez, Brasília, DF: UNESCO, 2001, p.56. DUARTE, Newton. Vigotski e o aprender a aprender : crítica às apropriações neoliberais e pós modernas da tória vigotskiana. Campinas São Paulo: Autores associados, 2000, p FRAWLWY, William. Vygotsky e a Ciência Cognitiva. Linguagem e integração das mentes social e computacional. Porto Alegre, Artes Médicas, GONZÁLES, Y. Propuesta Didáctica para el desarrollo de estrategias de aprendizaje con el apoyo de las Tecnologías de Información y las Comunicaciones. Tesis presentada en opción al Grado Científico de Doctor en Ciencias Pedagógicas. Habana, LABIDI, S. and Ferreira, J.S. Technology Assisted Instruction Applied to Cooperative Learning. In the Proceedings of the IEEE International Frontiers in Education (FIE 98). Tempe, Arizona, USA. November 4-7, LABIDI, Sofiane; Souza, Cenidalva M. SHIECC: A Computer Supported Collaborative Learning. International Journal of Continuous Engineering And Life Long Lerning Special Issues On Intelligent Agents for Education and Training Systems, Holanda, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E MISNISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA (SEED/MEC). Referenciais de qualidade para educação superior à distância. Brasília, agosto de TEIXEIRA, M. P. S. S et. Alli. Quality Intelligent Tutoring Hypermedia Systme for Training in Quality Control. ICTE, Badajoz/Espanha, ISBN: colección TEIXEIRA, M. P. S. S, et al. Proposta de implantação de uma plataforma de educação a distância para o CEFET-MA mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e baseada em um modelo pedagógico de aprendizagem cooperativa. TELEDUC 04, Habana,

16 TEIXEIRA, M. P. S. S. Un Modelo Pedagógico para Educación a Distância con el uso de las Tecnologías de la Información y las Comunicaciones en el Centro Federal de Educación Tecnológica de Maranhão. Tesis en opción al Grado Científico de Doctor en Ciencias de la Educación. Ciudad da la Habana Tese Revalidada pela Universidade Federal de Santa Catarina em Educação Científica e Tecnológica. Florianopólis: UFSC,

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