A criança e o brincar: um olhar sobre a importância do brincar no desenvolvimento infantil

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1 A criança e o brincar: um olhar sobre a importância do brincar no desenvolvimento infantil RESUMO: O presente artigo é resultado da pesquisa realizada na disciplina de Recursos Tecnológicos, Pedagógicos e Multimídia, do curso de Pedagogia Licenciatura da Faculdade Inedi CESUCA. A metodologia teve enfoque quantitativo e utilizou-se a pesquisa bibliográfica e questionário on-line como referência, os dados foram coletados a partir dos questionários estruturados, visando o entendimento da importância do brincar no desenvolvimento infantil. Encontra-se nesse artigo uma breve história sobre a Educação Infantil, os conceitos de lúdico, brincar, brinquedo e brincadeira, dados sobre a importância do brincar para o desenvolvimento infantil. Ficou evidente que o brincar não é apenas perda de tempo e sim um meio de aprendizagem, além de garantir o direito da criança de brincar, pois brincar é tão importante quanto educar, e partindo desse ponto de vista a criança quando brinca esta sendo educada, mas de forma lúdica, divertida e prazerosa. Palavras-chave: Brincar; Desenvolvimento infantil; Criança. 1 INTRODUÇÃO Brincar é coisa de criança, como diriam os adultos! Entretanto brincar é importante, pois é brincando que a criança aprende a se expressar, interagir e a lidar com o mundo que a cerca. Partindo deste princípio, este artigo visa destacar a importância do brincar como forma da criança expressar-se e desenvolver suas habilidades de criação, de relacionar-se e de interagir. Discutir acerca do Brincar não é tarefa fácil, não só pelos fatores que o envolvem, mas também pelo conjunto de valores que se percebe em seu entorno. O brincar é capaz de influenciar a vida de todas as crianças, podendo facilitar o seu desenvolvimento intelectual, motor, afetivo e social. Acredita-se que a escola deveria resgatar as brincadeiras como um elemento importantíssimo para auxilio do professor no cotidiano, pois é justamente para favorecer o processo educacional que o contato com os brinquedos possibilita, a partir das vivências e experiências significativas. O presente artigo mostrará que as brincadeiras facilitam o desenvolvimento das crianças no que diz respeito ao convívio social, independentemente da idade. Para Oliveira (1988): [...] a brincadeira infantil constitui um situação social onde, ao mesmo tempo em que há representações e explorações de outras situações sociais, há formas de relacionamento interpessoal das crianças ou eventualmente entre elas e um adulto na situação, formas estas que também está presente à afetividade: desejos, satisfações, frustrações, alegria, dor [...] (p.110). Uma vez, que o tema deste estudo fora apresentado, é necessário explicitar o problema 219

2 a ser investigado/questionado: Qual a importância do brincar no desenvolvimento infantil? Frente a este questionamento, o artigo buscará verificar qual a contribuição do lúdico, enquanto método de ensino aprendizado, no desenvolvimento infantil. Este artigo pode ser de grande valia para escola, pais e educadores, uma vez que o mesmo visa estabelecer as relações da criança com o brincar; verificar os fatores que através do ato de brincar levam ao desenvolvimento social, cognitivo e afetivo da criança. 2 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL Segundo Áries (1980), até o século XVI, na França, as crianças basicamente não tinham infância, de modo que eram vistas como adultos em miniatura, ou seja, usavam vestimentas de adultos, frequentavam todas as atividades da sociedade, tais como, festas, costumes, lutas e jogos, nesta época a infância ainda não possuía um estatuto próprio, sendo assim um garoto de sete anos já era considerado um homem em todos os aspectos, mas apesar de todas essas responsabilidades eram punidos como crianças, sendo surradas e castigadas por indisciplina. No Brasil, por volta de 1900 e 1940, a infância era regrada por inúmeras atividades, onde as crianças brincavam nas ruas enquanto suas mães operárias ou empregadas domésticas trabalhavam horas a fio para contribuir com o sustento da família considerada classe baixa. Segundo Silva, Garcia e Ferrari apud Kishimoto, 1993, p. 81, as crianças brincavam nas ruas de esconde-esconde, acusado, pula - sela, jogo de bola na mão, bolinhas de gude, futebol, varinha tangendo de rodas, pipas, cantigas de roda e bonecas. Mas essa realidade era luxo somente da classe baixa, pois as mulheres da classe média não permitiam que seus filhos brincassem nas ruas da cidade, principalmente as meninas, de modo que era permitido brincar somente dentro de casa, no máximo nos quintais. Com o passar dos anos e com o aumento considerável da população, as ruas passaram a se tornar um local perigoso, sendo considerada uma escola do mal, segundo Rago apud Kishimoto, 1993, p. 83, partindo desse ponto de vista, começou a se pensar em uma solução, e a partir de 1935 as autoridades instalaram parques infantis, com o intuito de trazer as crianças que brincavam nas ruas para um local seguro e protegido. Mais tarde foram criadas instituições que pudessem dar a assistência necessária para as crianças da classe baixa, essas instituições eram basicamente filantrópicas e tinham como objetivo o cuidado com a alimentação e a higiene, sendo assim os brinquedos ali presentes não eram disponibilizados a elas, ou seja, as crianças não brincavam durante o período que estavam nas instituições. Diante desses fatos essas instituições eram vistas como depósitos infantis Saraiva apud Kishimoto, 2004, p. 88. Após alguns anos, surge no Brasil em 1875, no Colégio Menezes Vieira, o primeiro jardim de infância, que tinha como objetivo o desenvolvimento integral da criança, ou seja, moral, social e intelectual. A partir do surgimento desse jardim de infância boa parte dos filhos de operários passaram a frequentas as escolas, evitando as ruas e permitindo o desenvolvimento dos mesmos. Para esse desenvolvimento era utilizado o meio mais encantador, o brincar, pois a forma mais fascinante de se aprender é brincando, de modo que o aprendizado ocorra da forma mais prazerosa e eficaz. Jean Piaget, psicólogo, filósofo e educador, preocupou-se em explicar como a criança adquire conhecimento e como o desenvolve, estas constroem o seu conhecimento durante as 220

3 interações com o mundo. Segundo Piaget (2006), o desenvolvimento intelectual da criança se desenvolve por estágios, no primeiro estágio Sensório-Motor (do zero aos dois anos de idade), as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta. O estágio pré-operacional (dos dois aos sete anos) se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa. O estágio das operações concretas (dos sete aos onze anos) tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações, surge à lógica nos processos mentais e a habilidade de discriminar os objetos por similaridades e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número. Por volta dos doze anos começa o estágio das operações formais, essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses. Observa-se que quando o professor tem o conhecimento sobre os estágios do desenvolvimento da criança, este pode adaptar as brincadeiras de acordo com a fase em que a mesma se encontra. Atualmente a educação infantil é reconhecida e prevista pela LDB, onde se percebe que o brincar na infância esta mais pré-disposto a atividades lúdicas e prazerosas possibilitando maior desenvolvimento cognitivo, afetivo e social das crianças. 3 O LÚDICO, O BRINCAR, O BRINQUEDO E A BRINCADEIRA Segundo Luckesi (2005), a ludicidade não vem nem pode vir sempre do brincar, o que não quer dizer que não possa existir um brincar. O brincar da criança é brincar, o brincar do adulto é brincar é ter uma ludicidade de adulto, diversa da ludicidade da criança. Ainda segundo o autor: [...] a atividade lúdica traz uma oportunidade de experiência plena, importa estar atento para o olhar a partir do qual estamos afirmando isso: a dimensão do eu, do interno. E é em função dessa visão que defendo a ideia de que vivência lúdica propicia ao sujeito uma experiência de plenitude, devido ela ir para além dos limites do ego, que gosta de descrições específicas de cada coisa, que serve-se permanentemente do julgamento, que se fixa em posições tomadas como as únicas certas[...]. (LUCKESI, 2005, p. 7) De acordo com esta concepção, o lúdico permite que a criança explore um mundo de fantasias, e é através desse mundo encantado que se forma um adulto completo, de modo que sua trajetória de viva seja bem sucedida, além de tornar-se um adulto com capacidades intelectuais significativas. Brincar é um dos momentos lúdicos que permite a criança explorar o mundo fantasioso, segundo Winnicott (1975), se brincar é essencial é porque é brincando que o paciente se torna criativo, nesse sentido o brincar é uma fonte de aprendizagem, de modo que a criança usa a fantasia para compreender o mundo real, na concepção de Freud (1973), 221

4 que vê no brincar o modelo do princípio de prazer oposto ao princípio da realidade. Para Piaget (1971), quando brinca, a criança assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois sua interação com o objeto não depende da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui. Já para Vygotsky (1984), o que define o brincar é a situação imaginária criada pela criança. Luckesi (2005) afirma que o brincar é esse agir criativo no espaço potencial de todas as possibilidades, que são infinitas, e a sua consequente expressão objetiva, que traz ao cotidiano criativamente uma dessas possibilidades. Compreende-se então que o brincar tem real importância para o desenvolvimento da criança, visto que além de contribuir para seu desenvolvimento intelectual, o brincar também contribui para sua formação humana como caráter, dignidade e socialização. Segundo Vygotsky apud Santa, 2001, p. 127, as necessidades das crianças devem ser consideradas, pois é a partir dos desejos não realizáveis imediatamente que os brinquedos e brincadeiras surgem de modo a resolver essa tensão no mundo ilusório e imaginário, onde desejos podem ser realizados. Enquanto Kishimoto (2003), o brinquedo é o suporte de brincadeira, ou seja, ele é o objeto que facilita o imaginário no ato de brincar. De acordo com Vygotsky, no brincar a criança sempre se mostra além do comportamento habitual de sua idade, além do seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade. A criança usa o brinquedo como forma de expressar sua imaginação, se permitindo ser quem não é ou quem gostaria de ser, utiliza o brinquedo como ferramenta para incorporar um personagem de modo que este satisfaça seus desejos e contemple seus prazeres. Segundo Froebel apud Kishimoto, 2012, p.74, nas brincadeiras, a criança tenta compreender seu mundo ao reproduzir situações da vida. Quando imita a criança esta tentando compreender. [...] a brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem nesse estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso interno e externo, paz com o mundo... A criança que brinca sempre, com determinação auto ativa, perseverando, esquecendo sua fadiga física, pode certamente tornar-se um homem determinado, capaz de auto sacrifício para a promoção do seu bem e de outros... Como sempre indicamos o brincar em qualquer tempo não é trivial, é altamente sério e de profunda significação [...]. (FROEBEL apud KISHIMOTO, 2012, p.74). A brincadeira é uma atividade prazerosa que permite a criança liberar suas fantasias, reproduzindo o que ela capta do mundo real e essas reproduções permitem que ela expresse seus sentimentos mais íntimos e profundos. Mas todos esses sentimentos e expressões ocorrem de forma espontânea, e essa é a magia do brincar, ele possibilita inúmeras descobertas tanto para as crianças quanto para os adultos que as observam, isso que torna o brincar fascinante. 3.1 O que existe entre a pesquisa e a prática? Durante algumas semanas, pesquisamos sobre a importância do brincar para o 222

5 desenvolvimento infantil, esta pesquisa teve como base um questionário com sete questões acerca do tema. A partir dos resultados surgiram algumas constatações a serem observadas: * 90% dos participantes que responderam à pesquisa são do sexo feminino, o que demonstra que as mulheres procuram conhecer mais sobre o desenvolvimento infantil que os homens; * 100% destes participantes acreditam que o brincar é muito importante para o desenvolvimento infantil; * 10% apenas, acreditam que não é possível aprender brincando; * 75% dos participantes, diz que a sala de aula deve ser um lugar para brincar; * 100% acreditam que o brincar favorece o desenvolvimento infantil em todos os aspectos; * 20% apenas, desconheciam que o ato de brincar esta previsto na LDB. No decorrer das pesquisas verificou-se o quanto o brincar é importante para o desenvolvimento infantil. Segundo Lira (2014), "o ato de brincar pode ser conduzido independentemente de tempo, espaço ou de objetos, fato que na brincadeira a criança cria, recria, inventa e usa sua imaginação". O brincar precisa e deve estar presente em todos os ambientes da criança, pois este ato auxilia no seu desenvolvimento cognitivo, motor, social e afetivo. A sala de aula deve ser um ambiente que integre o ato de brincar, proporcionando momentos de formação lúdica. O brincar no contexto escolar é um direito da criança previsto na LDB, entretanto, nem sempre encontramos esta realidade nas escolas. Macedo (2003), afirma que a escola pode e deve ser um lugar de brincadeiras significativas para a criança que estimulem o seu pensamento e sua criatividade, permitindo que elas criem suas próprias conclusões sobre o mundo que as cercam. Constatou-se que o brincar é um instrumento importantíssimo para o desenvolvimento infantil, pois este estimula a relação da criança consigo mesmo, com os outros e com o mundo. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante toda a caminha desta pesquisa, percebemos o quanto o brincar auxilia no desenvolvimento infantil, permitindo a interação e socialização, desta forma compreendemos que o brincar precisa ser visto como uma atividade favorecedora da educação e aprendizagem significativa, de modo que não seja visto apenas como tempo perdido. O brincar pode ser um aliado do educador, pois através das brincadeiras o educando expressa alguma situação que está fazendo-o sofrer e assim dificultando sua aprendizagem, portanto o educador assim como os pais e familiares devem estimular os momentos de brincar tanto nas salas de aulas como em casa, além de participar das brincadeiras que evidenciam claramente o momento que a criança está vivendo. Portanto o projeto aqui presente destacou e fundamentou a importância do brincar no desenvolvimento infantil, de modo que fique evidente que o brincar não é apenas perda de tempo e sim um meio de aprendizagem, além de garantir o direito da criança de brincar, pois brincar é tão importante quanto educar, e partindo desse ponto de vista a criança quando brinca esta sendo educada, mas de forma lúdica, divertida e prazerosa. 223

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARIES, Phillippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: LCT, KISHIMOTO, Tizuko M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a Educação. São Paulo: Cortez, Brincar e sua teorias. São Paulo: Cengage Learning, Jogo, brinquedo, brincadeira e a Educação. São Paulo: Cortez, LIRA, Natali A. B. A Importância do Brincar na Educação Infantil. Revista Eletrônica Saberes da Educação Volume 5 nº LUCKESI, Cipriano (2005). Brincar: o que é brincar? Disponível em: Acesso em: 11/06/2014. MACEDO, Lino de. Faz-de-conta na escola A importância do brincar. Revista Pátio Educação Infantil. Ano I - Nº 03, Dez. 2003; PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. 24ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, OLIVEIRA, Zilma de M.R. de (1988). Jogos de Papéis: uma perspectiva para a análise do desenvolvimento humano. Tese de doutorado, São Paulo: IPUSP SANTA, Marli P. dos S. A Ludicidade como Ciência. Petrópolis: Vozes, WINNICOTT, W. D. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago,

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