REFLEXÕES SOBRE A UTILIZAÇÃO DE JOGOS CARTOGRÁFICOS COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE GEOGRAFIA

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1 REFLEXÕES SOBRE A UTILIZAÇÃO DE JOGOS CARTOGRÁFICOS COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE GEOGRAFIA Tais Pires de Oliveira Universidade Estadual de Maringá Departamento de Geografia Claudivan Sanches Lopes Universidade Estadual de Maringá Departamento de Geografia INTRODUÇÃO O domínio da linguagem cartográfica permite o desenvolvimento de significados dos conteúdos relacionados à Geografia e outras disciplinas escolares para que a partir desses conhecimentos os alunos possam compreender melhor a organização do espaço que eles ocupam, como aponta Cavalcante (2002 apud Rios; Mendes 2009, p.5). [...] as habilidades de orientação, de localização, de representação cartográfica e de leitura de mapas desenvolve-se ao longo da formação dos alunos. Não é um conteúdo a mais no ensino da Geografia, ele perpassa todos os outros conteúdos, fazendo parte do cotidiano das aulas dessa matéria. Os conteúdos de Cartografia ajudam a abordar os temas geográficos, os objetos de estudo (CAVALCANTE, 2002, p.16 apud RIOS; MENDES, 2009, p.5). Cabe, principalmente, ao professor de Geografia desenvolver atividades em que os alunos construam os conceitos cartográficos e as habilidade de orientação e localização, buscando, para isso, apoiar-se em materiais didáticos distintos mas com o mesmo objetivo de Alfabetizar Cartográficamente os alunos. Novas linguagens e metodologia para o ensino de Geografia são buscadas, visando contribuir para o processo de ensino-aprendizagem dos alunos, para que esses possam compreender as transformações e construções do espaço geográfico fazendo leituras, comparações, relações e análises das informações. Essas novas práticas estão sendo pretendidas, pois,

2 Percebemos que as técnicas de ensino utilizadas pelos professores refletem na ação de compreensão e apreensão dos conteúdos dos seus alunos, nesse sentido acreditamos que a utilização de jogos aplicados ao ensino possibilita ao aluno compreender os conteúdos, fixar conhecimentos, construir seu saber de modo prático, dinâmico e eficiente (VERRI; ENDLICH, 2009, p. 70). Assim o presente trabalho apresenta os resultados iniciais de projeto de iniciação científica intitulado: Elaboração de jogos cartográficos como recurso didático no ensino de geografia desenvolvido junto ao Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Maringá, estado do Paraná. Para efeito deste trabalho, apresenta-se, inicialmente, o referencial teórico discutido baseando-se em autores tais como Callai (2012), Lopes e Pontuschka (2011), dentre outros, colocando os olhares analíticos e críticos sobre o ensino de Geografia e suas práticas e, por fim, apresenta-se a elaboração de um jogo cartográfico desenvolvido nesta fase inicial da pesquisa. O presente trabalho justifica-se pela necessidade de criação de materiais didáticos jogos cartográficos - atrativos e instigantes para serem utilizados em sala de aula para despertar a curiosidade e a vontade de aprender de forma prazerosa o conteúdo aplicado em sala de forma a contribuir para o processo de ensino aprendizagem dos alunos. O ENSINO DE GEOGRAFIA De modo geral a grande preocupação da educação básica é que os alunos aprendam a ler, escrever e contar. Qual a contribuição da geografia nesse processo? se esquece da leitura do mundo, da importância da compreensão do espaço em que os alunos vivem e da relevância que a Geografia possui para isso. Entretanto, A Geografia foi e é rotulada como uma matéria decorativa, mesmo após os fortes questionamentos da geografia Tradicional para a Geografia Crítica, pois os avanços em direção as modificações na postura, na linguagem e nas atividades de aprendizagem aplicadas para que o aluno reflita sobre a sociedade e sua dinâmica foram pouco significativas (Castellar, 2006).

3 É necessário, assim, pensar a função da disciplina de Geografia como componente curricular na Educação Básica, conhecendo que se faz necessário superar o aspecto meramente conteudista e alcançar um trabalho pedagógico que permita ao aluno compreender o mundo e, sem descuidar dos conteúdos, desenvolver habilidades geográficas. Devemos, assim, pensar o papel do professor em criar um ambiente que permita esse avanço no pensamento do aluno. Para Lopes e Pontuschka (2011, p. 97) a tarefa de ensinar Geografia exige que o professor domine, simultânea e integradamente, seus temas e conteúdos, sua significância social, seu sentido pedagógico e as formas mais adequadas de, em um determinado contexto, representá-los aos alunos, isso aponta para uma docência de qualidade, levando em consideração a constante elaboração do conhecimento docente. Ao discutir o conjunto de saberes que o professor precisa para atingir o melhor de seu trabalho com o intuito de proporcionar práticas de educação geográficas significativas aos alunos, Lopes e Pontuschka (2011), destacam o Conhecimento Pedagógico Geográfico (CPG). O CPG é mescla entre o Conhecimento disciplinar geográfico e de disciplinas afins, o Conhecimento pedagógico geral, o Conhecimento do contexto da ação educativa. Assim, o Conhecimento Pedagógico Geográfico, trata-se de um saber que é configurado e reconfigurado na experiência profissional, porquanto sua elaboração leva em conta, necessariamente, as características daqueles que estão aprendendo, bem como as condições particulares da escola e dos alunos que a frequentam. Esse conhecimento profissional se manifesta, concretamente, nos exemplos, analogias, exercícios, atividades, metáforas, ilustrações, demonstrações, etc., potencialmente esclarecedores, que os professores utilizam/desenvolvem em sala de aula com o propósito de tornar os conteúdos interessantes, acessíveis e úteis aos alunos. (LOPES E PONTUSCHKA, 2011, p. 97). Esse conhecimento alcançado pelo professor cria condições para que ocorra de fato uma aprendizagem significativa, que considera os interesses do aluno e suas vivências e que permite a este desenvolver um olhar critico e consciente, como aponta Castellar (2006, p. 9) ao dizer que a aprendizagem será significativa quando a

4 referência do conteúdo estiver presente no cotidiano da sala de aula, quando se considerar o conhecimento que a criança traz consigo, a partir da sua vivência.. O aluno precisa aprender a manipular e analisar informações e isso pode ser o ponto central da educação geográfica que se deseja: ensinar para a vida, para saber e entender o que acontece nos lugares em que ele vive que é parte de um mundo globalizado, da mesma forma que as guerras, as lutas, os embates que acontecem mundo afora, mesmo que distantes (CALLAI, 2012). Em suma, a educação geográfica que se almeja visa trabalhar os conteúdos da disciplina em uma dimensão que busca tornar mais atrativos os temas do currículo para que o aluno visualize seu papel na sociedade e pense sobre o espaço em que vive de maneira local e global. Como afirma Callai (2012), [...] pode-se acreditar que a educação geográfica apresenta-se hoje como a possibilidade de tornar significativo o ensino de uma disciplina presente na educação básica, que traz em seu conteúdo a possibilidade do debate a respeito das questões do mundo da vida. Desta forma defende-se que a utilização de novas linguagens são importantes para o pleno desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem e para que os alunos possam compreender crítica e profundamente, as atuais transformações do espaço geográfico fazendo leituras, comparações, relações e análises de informações. Nesta perspectiva, os jogos cartográficos podem ser utilizados para estimular a compreensão dos conteúdos selecionados, instigar o desenvolvimento de raciocínios geográficos e, mais amplamente, enriquecer o desenvolvimento e crescimento intelectual dos alunos. O USO DO JOGO NA EDUCAÇÃO Os jogos podem ser utilizados no processo de ensino/aprendizagem como uma forma de contribuir para a construção do conhecimento pelo aluno e ajuda-lo a desenvolver habilidades de forma prazerosa. Mostrando-se assim como um dinamizador do conhecimento, que pode ser aplicado na educação não como único meio de

5 aprendizagem, mas como um suporte, para desenvolver na criança a vontade de aprender (BREDA, 2013). Assim como afirma Silva (2006,): [...] o jogo confere ao aluno um papel ativo na construção dos novos conhecimentos, pois permite a interação com o objeto a ser conhecido incentivando a troca de coordenação de idéias e hipóteses diferentes, além de propiciar conflitos, desequilíbrios e a construção de novos conhecimentos fazendo com que o aluno aprenda o fazer, o relacionar, o constatar, o comparar, o construir e o questionar (SILVA, 2006, p. 143). Para o educador o jogo também possui grande importância, podendo ser usado como material didático, não que assume seu papel em ensinar o conteúdo, mas que auxilia principalmente nos conteúdos de difícil entendimento. Assim como aponta Moratori (2003, p.12), ao afirmar que considera-se que o jogo, em seu aspecto pedagógico, se apresenta produtivo ao professor que busca nele um aspecto instrumentador, e, portanto, facilitador da aprendizagem muitas vezes de difícil assimilação.. Cabe, também, ao professor a seleção dos conteúdos trabalhados por meio dos jogos e adequá-los as ideias e potencialidades dos alunos. Diante da relevância que os jogos podem ter no ensino é necessário ter consciência de que os mesmos devem ser utilizados com precaução em sala de aula. Deve-se evitar, por exemplo, que a atividade possa se tornar um material que desperte uma competição negativa, ou se constitua em mera atividade recreativa. A competição durante o jogo precisa ser sadia e natural, em que o aluno não busque tão somente superar seus desafios, mas agregar conhecimentos a fim de obter um bom desenvolvimento. (BREDA, 2013) O JOGO NA GEOGRAFIA Perante as necessidades da Geografia Escolar apresentadas anteriormente e as possibilidades explicitadas pela utilização de jogos, acreditamos que os jogos possam contribuir para o ensino de Geografia, pois:

6 No jogar cria-se a possibilidade de vivenciar determinado processo ou acontecimento, bem como suas evoluções dinâmicas, por exemplo: crescimento, decrescimento, estabilização de um fenômeno; evolução de paisagens; nascimento das primeiras cidades. Tudo isso faz com o aluno recrie passo a passo os mais diferentes processos e situações convertendo-se em sujeitos criadores do seu próprio saber. (VERRI e ENDLICH, 2009, p.71). Assim o jogo como um recurso didático no ensino de Geografia contribui para que o aluno articule a teoria e a prática, auxiliando para o desenvolvimento do raciocínio geográfico e uma educação geográfica efetiva. Trata-se de um material que prende a atenção do aluno, despertando no mesmo um interesse natural, que facilita o processo de ensino-aprendizagem e auxilia na construção de habilidades tais como, de orientação, de localização, de representação cartográfica e de leitura de mapas de acordo com o jogo trabalhado pelo professor. Nesta perspectiva apresentaremos a seguir a proposta e elaboração de um jogo, que busca desenvolver e aprimorar no aluno noções cartográfica, mais especificamente o conteúdo de fuso horário. JOGO DE TABULEIRO FUSOS HORÁRIOS O jogo foi elaborado em programa computacional de desenho. Utilizando como base para o tabuleiro o mapa de fusos horários (IBGE). O jogo consiste em: 1 tabuleiro e 6 conjuntos de cartas (cada conjunto com 9 cartas). O tabuleiro é composto pelo mapa de fuso horário civil e 50 grandes cidades, escolhidas e dispostas no tabuleiro de maneira a que todos os continentes possuam pontos para jogadas. Cada conjunto de cartas possui 3 cartas de nível fácil, 3 de nível médio e 3 de nível difícil. Dessa forma propomos um avanço do conhecimento, para que o aluno consiga assimilar o conteúdo de maneira significativa. As cartas de nível fácil consistem em perguntas sobre a diferença de horário entre duas cidades, presentes no tabuleiro, sem considerar o tempo de viagem. As de nível médio o aluno será questionado sobre a diferença de horário entre duas cidades,

7 presentes no tabuleiro, mais o tempo gasto na viagem (o tempo estará explicito na questão e será ilustrativo). O 3º nível constituído por cartas com perguntas consideradas mais difíceis, o aluno necessitará de noções de escala para determinar o tempo de viagem e assim chegar a resposta. A utilização de todos os níveis de perguntas fica a critério do educador, que conhece a realidade e necessidade de seus alunos. Regras: Participantes: 2 ou mais jogadores, individualmente ou divididos em equipes de acordo com a quantidade de conjuntos de cartas disponíveis. Cada jogador ou equipe escolhe um conjunto de cartas, as quais serão questionadas pelo próprio adversário, sem a necessidade de um juiz na partida, pois cada carta terá a resposta correta, tendo em vista que os conjuntos são determinados para que se possa apresentar a resposta correta na carta. Primeira jogada: O jogador retira a primeira carta do nível fácil de seu oponente, essa possui a localização inicial e a primeira pergunta para que esse de inicio a sua jogada, se a resposta estiver correta o jogador marca um ponto, em seguida a outra equipe joga. Rodadas seguintes: A cada resposta correta o jogador ou equipe marca 1 ponto e joga apenas 1 vez por rodada. Tendo respondido as 3 perguntas de um nível, passa para o próximo nível de cartas. Ao fim da partida o jogador ou equipe que possuir mais pontos vence. O jogo busca auxiliar o professor e contribuir para a aprendizagem do aluno, que através desse poderá avançar no conhecimento e desenvolver suas habilidades geográficas de forma prazerosa e dinâmica. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do que foi exposto no trabalho, consideramos que os jogos podem ser utilizados para estimular a compreensão dos conteúdos, instigar o desenvolvimento de

8 raciocínios geográficos e, mais amplamente, enriquecer o desenvolvimento e crescimento intelectual dos alunos de forma prazerosa e descontraída. Esses podem contribuir no processo de alfabetização cartográfica, bem como na promoção de uma educação geográfica significativa, pois é um material que prende a atenção do aluno e que facilita o processo de ensino-aprendizagem e auxilia na construção de habilidades tais como, de orientação, de localização, de representação cartográfica e de leitura de mapas. Podem ser um grande auxiliar do professor na medida em que trabalhados com objetivos estabelecidos, seja para introdução de um conteúdo, finalização ou mesmo avaliação do nível de conhecimento dos alunos, contribui para o processo de ensino aprendizagem. Assim o jogo elaborado na fase inicial da pesquisa e exposto anteriormente tem como objetivo contribuir para a formação do educando e apoiar o professor no que tange ao conteúdo de fuso horário. REFERÊNCIAS BREDA, T. V. O uso de jogos no processo de ensino aprendizagem na geografia escolar f. Dissertação (Mestrado em Ensino E História Das Ciências Da Terra) Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, CALLAI, H. C. Educação Geográfica: Reflexão e Prática. Ijuí: Unijuí, CASTELLAR, S. M. V. Currículo, educação geográfica e formação docente: Desafios e perspectivas. Revista TAMOIOS. Ano II Nº 2 julho0dezembro LOPES, C. S.; PONTUSCHKA, N. N. Mobilização e construção de saberes na prática pedagógica do professor de Geografia. Geosaberes, Fortaleza, v. 2 n. 3, p , Disponível em: Acesso em 30 de mar de MORATORI, P.B. por que utilizar jogos educativos no processo de ensino aprendizagem? Disponível em < moratori.pdf> Acessado em 25 de Abril de 2014.

9 RIOS, R. B. MENDES, J. S. Alfabetização Cartográfica: práticas pedagógicas nas séries iniciais. Disponível em < %20(8).pdf> Acessado em 20/03/2013. SILVA, L. G. Jogos e situações-problema na construção das noções de lateridade, referências e localização espacial. In: CASTELLAR, S. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Editora Contexto, VERRI, J. B.; ENDLICH, Â. M. A utilização de jogos aplicados no ensino de geografia. Revista Percurso - NEMO Maringá, v. 1, n. 1, p , 2009

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