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1 porto moderno com suas amuradas, armazens e guindastes, e as disputas entre os diferentes interesses, seja no campo do capi tal, seja no dos trabalhadores, que entao sag travadas pelo controle de cada operac;ao do processo de embarque e desembarque de mercadorias. A esperanc;a e que no futuro empresarios e trabalhadores do setor portuario devem, portanto, buscar, continuamente a elevac;ao dos indices de eficiencia e de produti vidade, bem como a reduc;ao dos custos operacionais como meio efetivo para estimular as exportac;6es brasileiras - caminho mais adequado para 0 fortalecimento da nossa economia e para gerar empregos.

2 A hist6ria da mao-de-obra avulsa inicia-se no periodo escravidao, onde os negros eram responsaveis pelo embarque e desembarque de mercadorias no porto. Na epoca do assim chamado "novo imperialismo", a necessidade de melhor articula~ao com 0 mercado internacional de uma crescente produ~ao de materias-primas e alimentos levou a constru~ao de ferrovias e portos em muitas das areas hoje conhecidas como parte do Terceiro Mundo.No caso do Brasil, a segunda metade do seculo passado assiste a um processo de diversi fica~ao econ6mica e social, com a defini~ao do pais como exportador de cafe, que culmina com as reformas politicas corporificadas na Aboli~ao da Escravatura e na Proclama~ao da Republica.A imigra~ao e a forma~ao de um mercado de trabalho livre, em um momenta de intensa urbaniza~ao, sag processos correlatos que levam adiante a cria~ao de um espectro social mais complexo, no qual, para efeitos deste trabalho, cabe salientar a emergencia de uma classe operaria. A concentra~ao operaria teve lugar, como em outras areas do Terceiro Mundo, primeiro na industria da constru~ao civil e dos transportes. A constru~ao de portos e ferrovias foi um dos primeiros empreendimentos a reunir um contingente significativo de trabalhadores livres. A for~a bra~al do trabalhador escravo era 0 basico para a economia portuaria. o transporte de todas as modalidades de cargas executada pelos escravos carregadores, em turmas, sendo 0

3 compasso coletivo da marcha escondido pelo chocalho e por uma melodia de trabalho. o servic;o das descargas, moroso e deficiente para as necessidades do comercio sempre crescente da Capital do Imperio, tornava-se penoso aos proprios empregados. Os armazens sem as precisas acomodac;6es e mal combinados, concorriam para a imperfeic;ao e demora no servic;o das capatazias, embora quantitativo de pessoal fosse relativamente grande. A ~modernizac;ao" das instalac;6es materiais do porto obedecia a intenc;ao explici ta de substi tuir pela energia a vapor a energia brac;al do trabalhador escravo - Cada vez mais car a e escasso desde a extinc;ao do trafico e subsequente transferencia de escravos urbanos para as fazendas de cafe, visando dar conta do aumento do volume e da velocidade de circulac;ao das mercadorias provocadas pela introduc;ao da energia a vapor no transporte terrestre e maritimo. o servic;o das descargas no cais da Doca d'alfandega achava-se, nao ha muito tempo, nas mesmas condic;6es que outrora nos principais portos comerciais da Inglaterra. Guindastes movidos a brac;o eram empregados neste servic;o, e apesar do crescente numero de trabalhadores nao se conseguia a precisa celeridade. 0 aumento do comercio reclamava por outro lado da adoc;ao de melhor sistema, assim 0 Sr. Visconde do Rio Branco, como ministro dos Negocios da Fazenda, resolveu prontamente a dificuldade, ordenando que guindastes hidraulicos fossem assentados no Cais da Doca, e que as maquinas destes guindastes tivessem a forc;a precisa nao so para servi-los como tambem aos elevadores dos armazens projetados, e em uma palavra, as novas maquinas se tornassem 7

4 a fonte de qualquer forca que porventura se necessitasse no futuro para 0 servico da Doca. Antes da ferrovia, 0 cafe e os demais generos trazidos para a corte ou remetidos para 0 interior eram desembarcados na orla da prainha (imediacoes da atual Praca Maua), onde atracavam as canoas, chatas e falmas que vinham do fundo da estrangeiros. Ao longo da praia, descendo a rua Sao Bento ate a rua da Quitanda, erguiam-se as casas comissarias. Turmas de embarcacoes diretamente a seus locais de destinos. Contudo as operacoes de carga e descarga prolongavam-se por varios dias, prejudicando 0 comercio maritimo e 0 proprio carregamento que as vezes, sofria bastante. aos armazens das casas exportadoras (eventualmente, poderia ser carregado diretamente para os armazens das Docas ou da casas exportadoras). Nos armazens, 0 cafe era "preparado", misturado e ensacado de acordo com os diversos tipos. Os trabalhadores de armazens (ou trapiches) eram tambem direta ou indiretamente control ados pelos exportadores de cafe. De Turmas de cal1'egadores Chamados: "CAFE DE CABEC;A"

5 carregadores que trabalhavam para os empresarios de carro~as o que significava portanto, estarem sob controle indireto dos exportadores. Chegadas aos navios, as sacas de cafe eram "estivadas" (acondicionadas nos por6es do navio) por "mestres estivadores" que contratavam 0 trabalho com as companhias de navega~ao (armadores) ou com as pr6prias casas exportadoras Quando foi inaugurada a primeira linha de estrada de ferro em 1858, trazendo as mercadorias ate a esta~ao terminal do Campo movimenta~ao. 0 ambiente do local era denominado pelos negros que carregavam nos ombros a sacaria de algodao, descarregando agora as carretas da companhia locomotora organizada por

6 Descarga na esta9ao- 0 Cafe vai para os armazens Da "inglesa" ou... armazens das casas exportadoras. Ai 0 cafe e misturado,preparado e ens acado Capatazias:transp. Para os Armazens da Docas, ou sobre Pranchas diretamente para os Vapores.As vezes, preparavam "lingadas" i~adas p/os navios guindastes. Estivagem. Acondicionamento das sacas de cafe nos po roes dos navios.

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