Apontamentos e considerações acerca da improvisação em dança: um olhar sobre a cidade de Aracaju/SE 1.

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1 Apontamentos e considerações acerca da improvisação em dança: um olhar sobre a cidade de Aracaju/SE 1. Maria Carolina de Vasconcelos Leite 2 Escola de Dança, Universidade Federal da Bahia Programa de Pós Graduação. Longe das amarras dos códigos pré-estabelecidos, tal oportunidade vai em busca do que acreditamos ser a poética da nossa arte. Uma arte que acreditamos legislar tal como a vida. Vida essa que percebemos como um sistema aberto, coevolutivo e codependente com o ambiente ao qual pertence. Pertencimento esse como válvula-mestra para todos os elementos ali colocados. Tudo faz parte. Tudo pode provocar, estimular, propiciar uma ignição e uma emergência: a poética. (SANTANA, 2006). A proposta central desta pesquisa é a análise da improvisação em dança contemporânea na cidade de Aracaju, quando esta é impelida no instante da execução da cena, fazendo um recorte desta proposição artística local na primeira década de Neste sentido, busca-se investigar estudos desta técnica e a conexão construída a partir destas estratégias selecionadas, apresentando assim, a cena improvisada nesta cidade, e quais são os processos de propósitos (SANTANA, 2006: 152) selecionados e criados pelos artistas improvisadores. Com o intuito de modular tal investigação, esta pesquisa propõe eleger trabalhos de propositores residentes em Aracaju, tais como os processos de criação desenvolvidos pelas 1 Este pôster é parte da pesquisa de monografia de conclusão da especialização em Estudos Contemporâneos de Dança, do Programa de Pós-Graduação em Dança, da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) sob a orientação da Profª Drª Gilsamara Moura Robert Pires com doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (2008); Professora Adjunta UFBA. Orientadora do trabalho. 2 Artisticamente conhecida como Carol Vaz - Possui especialização em Estudos Contemporâneos em Dança, pelo Programa de Pós-Graduação em Dança na UFBA. Graduada em Artes Visuais (Licenciatura) pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Graduanda em Dança (Licenciatura) pela UFS. Artista-pesquisadora da técnica de improvisação na cena artística da cidade de Aracaju. Experiência no ensino de Artes Visuais e Dança, na Educação Infantil e Ensino fundamental.

2 artistas Julieta Menezes 3 e Íris Fiorelli 4. Assim também esta pesquisa se propõe a eleger os trabalhos autorais da artista-pesquisadora Carol Vaz, apresentados em 2009: Permita-se e Ensaio nº. em 2010: Vetado. A escolha de somar-se aos trabalhos descritos anteriormente, se apoiou no fato de não considerar a posição do pesquisador, como sendo um sujeito distanciado do contexto de investigação, mas ao contrário, considerá-lo sim um partícipe, interessado no registro de processos de construções autorais no intuito de colaborar com as pesquisas neste enfoque. Alguns apontamentos e considerações são relevantes à dança improvisada em Aracaju, apresentando-se as propostas e elaborações executadas por Julieta Menezes, que se utiliza da técnica de improvisação em suas intervenções urbanas, a partir do projeto autoral intitulado Grito Urbano 5, com o objetivo de agregar várias linguagens artísticas a seus trabalhos de improvisação; E por Íris Fiorelli no Projeto Residência 6, onde desenvolve um trabalho de Contato Improvisação com artistas de diversas regiões brasileiras ou de outros países, para ministrarem oficinas para a população no decorrer das suas itinerantes residências na cidade de Aracaju, também os trabalhos pessoais desta autora são construídos a partir da mesma técnica que tem como proposição, sempre discutir o entendimento de autoria da cena improvisada, suscitando o entendimento do espectador como co-autor das cenas improvisadas; Assim, analisam-se quais as diferentes estratégias escolhidas por esses artistas, que poderiam situar, de alguma forma, a improvisação nesta cidade, ou seja, demonstrar que tal 3 Artista sergipana, professora de dança, graduada em Educação Física pela Universidade Tiradentes (UNIT), pós-graduada em Educação Física e Cultura pela Universidade Gama Filho com mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rio Grande do Norte (UFRN), tendo como tema de sua dissertação BREAK: O Grito Corporal da periferia. 4 Performer paulista, reside em Sergipe já a três anos, iniciou suas experiências com Contato e Improvisação em 1997 e desde 2005 dedica-se como dançarina e facilitadora desta técnica, coordena a Cia Mimulus, uma trupe circensse que trabalha com as linguagens artísticas do circo, do teatro e da dança. 5 O projeto de MENEZES acontece em vias e lugares públicos como semáforos, aeroportos, ruas, transportes coletivos e é construído também em grupo, agregando artistas de circo, músicos e atores. 6 O projeto de FIORELLI possui mobilidade dentro de vários espaços públicos e privados em Sergipe, mas na grande maioria das vezes privilegia a comunidade de Areia Branca e é coordenado e desenvolvido por dois performers (Íris Fiorelli e Robert Clark conhecido como o Colores ) que ministram aulas da técnica Contato e Improvisação.

3 movimento já se instaurou em Aracaju e que merece ser analisado do ponto de vista do registro histórico e exploratório do mesmo. A metodologia utilizou-se de um recorte de fontes bibliográficas específicas sobre o tema e de forma analítica, constituiu-se também como uma pesquisa de campo, se utilizando de entrevistas diretas. Para pesquisar essas estratégias empregamos as referências bibliográficas atuais da primeira década deste século, utilizando-se de pesquisas primordiais como as desenvolvidas por Silva, Martins e Katz. Silva (2009) discorre sobre a improvisação como um espaço de negociações e regulação do corpo diante das emergências estabelecidas entre este e o ambiente, analisando assim diversos grupos e artistas, tentando assim distinguir os conceitos de improvisação a depender do parâmetro em que a mesma esteja impelida. Cleide Martins (2002) apresenta a esta investigação a necessidade de se observar as diversas possibilidades referentes à improvisação como um sistema aberto, que suscita comunicação, troca de informações entre os corpos que dançam e o ambiente, e essas informações [...] passam a ser internalizadas, e que se modificaram, com o mundo. Todo o tempo as trocas são permanentes entre o interno e o externo e é a isso que se chama de coevolução sistêmica. (MARTINS, 2002: 5) Katz (1997) também afirma que o corpo pode funcionar como conexão presente nos processos de construções das cenas improvisadas, onde elementos diversificados são aliados, artista-corpo-movimento-comunicação-espectador. Tecendo assim, um duplo segmento através da improvisação devido às aquisições de vocabulário e ao seu estabelecimento das redes de conexões. Diante disso, no decorrer dos processos de elaborações artísticas sobre a improvisação, dos proponentes em tela, observou-se que as improvisações estavam o tempo todo sendo questionadas, principalmente sobre a importância das mesmas como uma linguagem artística defendida enquanto dança e assim as propostas de improvisação referidas anteriormente receberam críticas do público em geral, como se a eles essas lhes parecessem de menor importância diante dos trabalhos de dança, tradicionalmente reconhecidos como dança, os quais as pessoas estavam acostumadas a assistirem na cidade de Aracaju. Mas ainda que esse tipo de proposição suscitasse várias reflexões e questionamentos, a ausência de familiaridade com esse tipo de intervenção, não possibilitou um maior

4 aprofundamento na compreensão da dança improvisada, servindo a mesma ao lugar de estranhamento, e muitas vezes a não aceitação desta, enquanto uma linguagem de dança. Esta pesquisa, contudo, na medida em que, colabora na criação de novas elaborações acerca das cenas improvisadas, pretende suscitar novas configurações, reformulando uma visão e criando novos rumos, estimulando e ampliando o surgimento de novos sentidos sobre o corpo que improvisa na dança, produtores os mesmos de subjetividades. Bibliografia KATZ, H O coreógrafo como DJ. In: PEREIRA, Roberto e SOLTER, Silvia (org.), Lições de Dança 1. Rio de Janeiro, Universidade, pp MARTINS, C. F Improvisação, dança, cognição: os processos de comunicação no corp. Tese (Doutorado) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 129 f. Il. SANTANA, I Dança na Cultura Digital. Salvador, EDUFBA. SILVA, H. L. da Poética da oportunidade: estruturas coreográficas abertas á improvisação. Salvador, EDUFBA. Referências não citadas AGAMBEN, G O que é contemporâneo? E outros ensaios. Chapecó, SC, Arcos. SANT ANNA, D. B. de Horizontes do corpo. In: Bueno, Maria Lucia e CASTRO, Ana Lúcia (org.), Corpo, território da cultura. São Paulo: Annablume, 2005 BRANDSTÄTTER, C Klimt e a moda. São Paulo, Cosac e Naify. BRITTO, F. D Temporalidade em dança: parâmetros para uma história contemporânea. Belo Horizonte, FID. CONECTDANCE. Quem é quem na dança brasileira - Grupos e criadores em atividades no movimento. Disponível em: _e_quem. Php?pag=12 Acesso em: DALTRO, F. A construção no/do corpo do cadeirante que dança. Cadernos do Jipe- Cit: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e

5 teatralidade/ Universidade Federal da Bahia. Escola de teatro, Programa de Pós- Graduação em Artes Cênicas, Escola de Dança, no. 17 out Salvador: UFBA/PPGAC. GOMBRICH, E. H A História da Arte. Trad. Álvaro Cabral: LTC. GUERRERO, Mara Francischini. Formas de improvisação em dança. o%20%20formas%20de%20improvisacao%20em%20danca.pdf. Acessado no dia IDANÇA. Idança.net. Novo projeto de Adriana Grechi seleciona participantes. Disponível em: Acesso em: 19/11/2010. KATZ, H O espectador da Arte Contemporânea.. (2000). Paxton e Lisa fazem do improviso uma aula de precisão. O Estado de São Paulo, São Paulo, 04 de fev, Caderno 2, pp. 26. Disponível em: Acesso em: 16 de agosto de LEITE, F. H. de C Contato Improvisação (Contact Improvisation)- um diálogo em dança. Revista Movimento- Revista da Escola de Educação Física da UFRGS, Porto Alegre, Brasil. Vol.11, número 2, Maio/agosto, pp. 89 a 110) MORAIS, L. de A Conectividade na cena improvisada: idéias no/do corpo que dança. Salvador. NATURESA, C. A. D Dança e identidades: Possibilidades de construção de afirmações identitárias na dança em Aracaju. Tese (Mestrado) Universidade Federal da Bahia, Salvador. NOVACK, C Sharing the dance: contact improvisation and american culture. Madis, Wiscotin, The University of Wiscontin Press. PAREYSON, L Os problemas da Estética. São Paulo, Martins Fontes. PIRES, G. M. R O corpo da multidão aprende a se comunicar: políticas públicas para dança em Araraquara de 2001 a Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica. PUC-SP. QUEIROZ, C. F. P. de Corpo, mente, percepção: movimento em BMC e dança. São Paulo: Annablume, Fapesp. SANTAELLA, L O que é Semiótica. São Paulo, Brasiliense.

6 VIEIRA, J. de A Ontologia. Formas de conhecimento: Arte e Ciência, uma visão a partir da complexidade. Fortaleza, Expressão gráfica e Editora. VINHAS, C. A arte do Contato-Improvisação - Dança em Revista, jan. (2007). Disponível em: Acesso em: 10 de outubro de 2010.

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