PAINEL TEATRO-INFÂNCIA: EXPERIMENTOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Orientador: Prof. MS. Ricardo Carvalho de Figueiredo Doutorando em Artes

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1 PAINEL TEATRO-INFÂNCIA: EXPERIMENTOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Orientador: Prof. MS. Ricardo Carvalho de Figueiredo Doutorando em Artes Autor: Charles Valadares Tomaz de Araújo Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG O presente artigo é parte do projeto de Extensão Universitária Teatro e Infância: a formação de espectadores na educação infantil. O referido projeto tem por objetivo desenvolver práticas teatrais na Educação Infantil no intuito de despertar nas crianças o senso crítico e estético e refletir sobre sua formação como espectador. O Projeto desenvolve suas ações dentro da Escola Municipal Umei Alaíde Lisboa (BH/MG) 1 e tem como coordenador o Professor Ricardo Carvalho de Figueiredo e como monitores quatro graduandos em Teatro-licenciatura da mesma instituição 2. No 1ª Semestre de 2011 elegemos uma turma de quatro anos de idade, dentre quatro turmas, para participar das oficinas de teatro. Com a turma escolhida desenvolvemos um conjunto de doze oficinas, que tinham como temáticas de sua elaboração, conteúdos teatrais (ligados: tempo, espaço, cor, corporalidade, som e movimento) que seriam apreciados/experienciados durante fruição de uma Cena-Espetáculo apresentada e criada pelos participantes do projeto. Para a elaboração das oficinas buscamos por uma metodologia que direcionasse a nossa prática como docentes no intuito de efetivarmos uma experiência sólida para o ensino do teatro na educação infantil, aliado as possibilidades da cena contemporânea pós-dramática. Palavras chave: Teatro-Educação; Educação Infantil; Formação de espectador. 1 A UMEI Alaíde Lisboa está localizada na Avenida Antonio Carlos, número 6627, dentro do campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. É uma escola municipal com foco na Educação infantil. Recebe alunos das comunidades próximas ao campus e filhos de professores, funcionários e alunos da UFMG. 2 Charles Valadares, Gabriella Lavinas, Gabrielle Heringer, Helaine Alves (permaneceu no 1º semestre de 2011) e Bruno Pontes (entrou no Projeto em agosto de 2011).

2 1.Histórico do projeto O Projeto Teatro e Infância: experimentos na Educação Infantil teve início no 1º semestre de 2010 com uma parceria entre a Escola de Belas Artes e a UMEI Alaíde Lisboa. Um dos objetivos do projeto perpassava pela inserção dos licenciados do Curso de Graduação em Teatro da UFMG no ambiente escolar para produzir teatro destinado à infância e conduzir experimentos teatrais com crianças da educação infantil. No ano passado, o trabalho foi iniciado com um período de observação de todas as turmas das séries finais da Educação Infantil (5 anos de idade), que totalizavam quatro turmas, sendo duas de turno integral (manhã e tarde) e outras duas de turno parcial (manhã). Além da realização de questionários individualmente com cada uma das crianças que objetivava uma análise do perfil sócio-cultural, observou-se durante um período de dois meses o cotidiano escolar dessas crianças (as brincadeiras, as aulas, os espaços livres etc.). Ao final deste período de observação, foi selecionado uma das quatro turmas para dar continuidade à pesquisa de maneira mais aprofundada. A turma elegida foi "Pinóquio", da educadora Mônica para participação efetiva no projeto. A partir de então foram realizadas oficinas de teatro com esta turma, tendo em vista a preparação destes para o espetáculo que iriam assistir. O conteúdo das oficinas foi elaborado de forma que dialogasse com o que a professora Mônica já estava trabalhando com as crianças, os personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo e materiais recicláveis. O espetáculo Inverno, Primavera, Verão, Outono, criado pelos alunos/pesquisadores do projeto, foi apresentado para todas as séries finais da Educação Infantil. E após a apresentação houve encontros com todas as turmas, separadamente, para uma conversa sobre o espetáculo que assistiram. Dando continuidade ao projeto no semestre seguinte, foi montado uma exposição/instalação para as turmas que assistiram ao espetáculo, com elementos utilizados nele (como os figurinos e as músicas) e também desenhos feitos pelos próprios alunos. A partir disso foi realizada a mesma dinâmica de oficinas de teatro com a turma Pinóquio e apresentação do espetáculo Teatro de Sombras de Ofélia para todas as turmas das séries finais, finalizando com o encontro com estas para uma conversa sobre o espetáculo.

3 2. Práticas para 2011 Após um ano de práticas e experimentações que os participantes do projeto haviam realizado, as idéias que fomentaram a concepção do projeto encontravam-se maturadas e desenvolvidas. Fruto dessa maturação foi à necessidade de estabelecer um processo continuo e mais duradouro envolvendo uma turma. Dessa vez a turma escolhida seria entre as de 4 anos de idade e a permanência com a mesma seria estendida até o final do próximo ano (2012). Esse trabalho contínuo possibilita que o projeto estabeleça uma rotina de Teatro dentro da escola que não prevê em seu currículo o desenvolvimento de tal atividade artística. Outra mudança na permanência do projeto que contribuiu para solidificação do Teatro dentro da UMEI Alaíde Lisboa foi a ampliação do número de oficinas, que passou de 4 para 12. Com isso o projeto ampliou seu contato tanto com os funcionários da escola quanto na relação com a turma escolhida. O processo de construção e ensaio da Cena-Espetáculo, que seria realizada pelos alunos/pesquisadores do projeto, também passou a usufruir do espaço da escola. Antes de darmos início ao trabalho na escola foram realizadas reuniões entre o coordenador do projeto e os alunos/pesquisadores com o intuito de refletir sobre as questões do semestre anterior e traçar estratégias que possibilitassem melhor condução e desenvolvimento do projeto. Tivemos como fio condutor para o planejamento das oficinas e construção da Cena-Espetáculo, a pesquisa de monografia de uma das participantes do projeto 3. Realizamos também uma reunião com as professoras com o desejo de mostrar os feitos do projeto e dar a conhecer as práticas que desenvolvemos. A reunião possibilitou um contato direto com as professoras das turmas que iríamos observar para o processo de escolha. Esse primeiro contato com as docentes mostrou-se potente quanto um caráter de escolha, pois já desvelava aquelas que possuíam maior interesse no intercambio entre Teatro e Educação Infantil. No mês de março realizamos as observações de quatro turmas: Caxixi e Bacondê, Xodó e Patota, respectivamente duas parciais (turno manhã) e duas integrais (turnos manhã e tarde). A partir dessa observação buscamos encontrar um perfil de turma que iria contribuir para o desenvolvimento da nossa pesquisa, porém o que concluímos é que com todas as crianças poderíamos desenvolver práticas e experiências 3 Aluna/pesquisadora Gabriella Lavinas.

4 significativas e taxarmos por um perfil poderia ser excludente e soar preconceituoso. Então levamos em consideração outras questões, que foram as escolhas por turmas que ficam em período integral na escola 4 e pela demonstração de interesse da professora da turma, pois a relação com tal figura só tem a colaborar conosco. As outras turmas participariam do processo de fruição da Cena-Espetáculo, sem fazer as 12 oficinas. Escolhemos a turma de nome Patota e junto com a professora Mônica Cristina definimos que os encontros aconteceriam nas terças e quartas, no horário de 08hs30min às 09hs30min. 3. As oficinas Começamos as oficinas, efetivamente, no início do mês de abril. Para elaboração da mesma usamos como base os 6 elementos 5 propostos por Maria Lucia Pupo, no texto O Teatro Pós-dramático e a Pedagogia Teatral (PUPO, 2010, p ) como um possível caminho para o ensino do teatro na cena contemporânea. Tal referência partiu da pesquisa de monografia da Gabriella Lavinas, que visava uma prática tomando como base o aprofundamento desses elementos, na busca por uma metodologia que direcionasse tal prática para o ensino do teatro pós-dramático na educação infantil e por um teatro produzido ao modo da criança. Fez-se necessário termos uma metodologia como suporte para a condução no planejamento das oficinas e que mobilizasse o nosso fazer artístico. Nas oficinas buscávamos por um Teatro feito ao modo da criança, respeitando o seu tempo e sua sensibilidade estética. Sabemos do caráter híbrido das manifestações artísticas teatrais nos dias de hoje e que os conteúdos abarcados nas oficinas perpassavam por essas características. Propúnhamos exercícios com o desejo de instaurar processos de conhecimento através das artes da cena, o que é completamente distinto de aplicar jogos (PUPO, 2010, p.46). 4 Além de serem turmas maiores e demonstrar características fortes de um coletivo (elemento inerente ao ensino do teatro), teríamos a oportunidade de encontrá-los durante a semana nos encontros para ensaio da Cena-Espetáculo. 5 Neste artigo, Maria Lúcia Pupo propõe-se a discutir procedimentos que possam constituir e orientar uma prática de ensino do teatro na cena pós- dramática. São eles: Espaço, corporalidade, sonoridade, movimento, tempo e cor.

5 Alunos da turma Patota em aula referente ao conteúdo Tempo (à direita Gabriella Lavinas). As aulas aconteceram no espaço da escola denominado multimeios. Queríamos estabelecer com as crianças a rotina do fazer teatral, usando de um espaço diferente da sala de aula, com outras referências (, colchonetes, som, DVD, aparelho televisor, ausência de carteiras). A construção dos planos de aula foi uma ferramenta para condução e organização das oficinas, sabendo que de acordo com a demanda da turma o rumo poderia extrapolar as expectativas. Propor objetivos, buscar significados para os exercícios, elaborar de acordo com a demanda da turma, dialogar com o espaço da escola ressignificando-a entre outras, era o que o planejamento efetivo das aulas nos possibilitava (sempre mantendo o seu feitio atualizado de acordo com o caminhar das aulas). A estrutura principal dos planos de aula foi sugerida pela Gabriella Lavinas e a mesma nos possibilitava total abertura para alterações e expressões de opinião. 4. Apresentação da Cena- Espetáculo e encontro pós-apresentação A Cena-Espetáculo foi apresentada no dia 08 de junho de 2011, contando com a presença das quatro turmas de 4 anos de idade. A cena teve inicio na sala multimeios e

6 término na arena debaixo do gaiolão. 6 O processo de construção partiu de elementos da infância do alunos/pesquisadores onde se justapôs com escritos e relatos advindos dos mesmos. Tais escritos foram ressignificados, entrelaçando ao universo da brincadeira infantil e das práticas de ensaio no espaço da escola. Foto retirada na sala multimeios (apresentação da cena-espetáculo) Foto retirada na arena do gaiolão (apresentação da cena-espetáculo. Em cena: Charles Valadares, Helaine Alves e Gabriella Heringer) A partir desse mote de criação e com o desejo de construir uma cena que não pautasse nos moldes aristotélicos, realizamos essa apresentação que possibilitou a 6 Parafraseando Lavinas é um espaço amplo, com tobogãs e escorregadores, destinado a brincadeira das crianças. Fica localizado no pátio central da escola, em frente à entrada principal, acima de uma arena. Por se tratar de um lugar envolto por grades, em suspensão, pode ser associado à imagem de uma grande gaiola, nomeado assim de gaiolão (LAVINAS, 2011, p.52).

7 inserção direta das crianças no decorrer da cena, não formando paredes intransponíveis entre atores e espectadores. A participação da turma Patota no decorrer da apresentação mostrou-se mais efetiva que as demais turmas que experienciaram a fruição da Cena-Espetáculo. O reconhecimento e envolvimento que já possuíam com os elementos da cena influenciou a participação, mas havia em suas manifestações um olhar diferenciado. A percepção dos elementos reverberou de modo singular, reverberação essa acometida pelas experiências teatrais em que os mesmos estavam envolvidos anteriormente, durante os 12 encontros. Nos encontros pós-apresentação foram realizados registros a partir da realização de desenhos por partes das crianças de todas as turmas. Os desenhos vinham posteriores a uma pequena conversa sobre os impactos causados pela apresentação assistida. Tal forma de registro refletia o olhar sensível dos pequenos ao evento artístico que lhe foi proporcionado. Um olhar cuidadoso, que não se preocupava em encontrar uma história e que vinha refletido por um momento exato que havia lhe chamado a atenção, ou por uma imagem que permaneceu em sua memória. 5.Conclusão A cada semestre o projeto tem se mostrado como um espaço potente de descobertas e reflexões sobre a prática docente, o fazer artístico do professor e um Teatro voltado para a criança. Quando utilizamos a palavra voltado significa em sua máxima expressão, tanto a procura de um modo singular da criança fazer Teatro quanto a uma criação cênica construída para que ela possa fruir. Sabemos que há certa defasagem de materiais e publicações relacionadas a experiências artísticas do ensino de Teatro na educação infantil. Com isso o presente projeto possibilita (além da inserção do graduando em licenciatura dessa área a prática aliada à teoria) um lugar propício para desenvolvimento de estudos que possam vir a contribuir para amenizar essa ausência de estudos na área, tornando conhecida a riqueza de possibilidades encontradas no ensino do Teatro em tal etapa da vida humana.

8 Em relação à presença mais assídua do Teatro na rotina da escola, é possível perceber a relevância que essa prática adquiriu ao olhar dos funcionários e alunos. Com isso deixamos de ser um projeto que visa usar o recinto da escola como seu local de pesquisa e nos tornamos parte também dessa instituição. Apesar de realizarmos as oficinas com apenas uma turma já somos conhecidos por alunos e professores de outras turmas. Essa relação estabelecida possibilita maior abertura para que nossas práticas venham de fato contribuir para uma rotina do fazer Teatral na escola. Referência Bibliográfica LAVINAS,Gabriella.O Teatro Pós-dramático Na Educação Infantil: Uma Experiência de Ensino Na Umei Alaíde Lisboa. Trabalho de Conclusão de Curso (Teatro/licenciatrura) - Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MACHADO, Marina Marcondes. Cacos de Infância: teatro da solidão compartilhada. São Paulo: Fapesp, Annablume, PUPO, Maria Lúcia. Formação de Formadores Em Cena. Belo Horizonte. Revista de Ensino do Teatro Lamparina. V.1,N.1,2010. PUPO, Maria Lúcia. O pós-dramático e a pedagogia teatral In: GUINSBURG, J. e FERNANDES, Sílvia (Orgs.) O pós-dramático: um conceito operativo? São Paulo: Perspectiva, 2010a, p

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