CHAMAMENTO PÚBLICO PARA SELEÇÃO DE ORIENTADORES ARTÍSTICOS EM TEATRO PARA O PROJETO ADEMAR GUERRA Edição 2013

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1 CHAMAMENTO PÚBLICO PARA SELEÇÃO DE ORIENTADORES ARTÍSTICOS EM TEATRO PARA O PROJETO ADEMAR GUERRA Edição 2013 PROJETO ADEMAR GUERRA Conceito e Eixo Curatorial I-Apresentação O Governo do Estado de São Paulo tem tradição no desenvolvimento de projetos de monitoramento artístico aos grupos de teatro do interior do Estado. Realizados desde a década de 60, ações como: Projeto João Rios, Projeto Teatro na Comunidade, Projeto Teatro na Escola, entre outros, fomentaram a linguagem teatral entre os jovens e proporcionaram o seu desenvolvimento artístico por meio da sua participação em grupos de teatro. Hoje contabilizamos grandes artistas, diretores, autores e atores de teatro, tv e cinema, oriundos desses projetos, além da criação de festivais e mostras, até hoje existentes. Tendo esse histórico como ponto de partida e com base em diagnósticos realizados pela Comissão Estadual de Teatro, a Secretaria de Estado da Cultura criou, em 1997, o Projeto Ademar Guerra. A homenagem ao diretor teatral é a base para a essência do Projeto que é realizado atualmente. Ademar Guerra é natural de Sorocaba e, além de ter dirigido renomados artistas do teatro e da televisão, realizava, quando em turnê com os seus espetáculos, atividades formativas junto aos grupos das cidades em que se apresentava. Ademar Guerra também participou do primeiro projeto de monitoramento aos grupos realizado pelo Governo do Estado nos idos dos anos 60. O Projeto Ademar Guerra agrega então, a tradição das ações de monitoramento e capacitação dos jovens artistas, já realizadas pela Secretaria de Estado da Cultura, com a filosofia do criador Ademar Guerra voltada para encenação, dramaturgia, fidelidade ao autor sem se esquecer da necessária modernização e re-contextualização dos autores que encenava. II-Conceito, pedagogia e eixo curatorial O Projeto tem como objetivo principal propiciar orientação técnica e artística aos grupos de teatro das cidades da Grande São Paulo (exceto Capital), do Litoral e do interior do Estado; acompanhando e colaborando com os seus projetos de pesquisas cênicas que visam à montagem de espetáculos e desta forma, potencializando a qualidade artística dos grupos. A pedagogia do Projeto é fundamentada no protagonismo do fazer teatral, onde o aprendizado das temáticas teóricas e conceituais inerentes ao universo da arte do teatro se dá em cena, no palco, na busca da relação entre indivíduo-criador e grupo, grupo e comunidade e solidificando o desenvolvimento de um cidadão-criador, pois o foco do projeto não é ser um curso de teatro em si, mas

2 possibilitar aos jovens interessados em se expressar por meio desta linguagem, as ferramentas e metodologias para o aprofundamento nos temas do universo teatral. Dentro da sua atuação o Projeto desenvolverá estratégias pedagógicas que atendam seus principais objetivos que são: - a capacitação dos jovens artistas, integrantes dos grupos, e; - a qualificação dos grupos de teatro. A Capacitação dos jovens se dá no contexto dos processos que a pessoa se vincula para desenvolver e aperfeiçoar sua sensibilização no universo das artes. Neste contexto, o projeto proporciona a atualização, a complementação e/ou a ampliação das competências artísticas inerentes à prática teatral, colaborando na aproximação e no aprofundamento dos temas e técnicas necessárias para aprimorar a atuação artística do indivíduo. Abrem-se as portas para uma capacitação que possibilite, desde a experiência do protagonismo artístico, passando por aspectos fundamentais da alfabetização no universo das artes e quando necessário, orientando-o nos passos iniciais para o seu percurso de profissionalização. A qualificação dos grupos propõe a sua preparação dentro de paradigmas estabelecidos da linguagem teatral, com os integrantes executando funções específicas e próprias de um grupo artístico, sobretudo em atividades voltadas para a criação, os processos, o desenvolvimento de espetáculo, a relação com a comunidade e com os demais agentes de validação no campo artístico e cultural (críticos, jurados, festivais, curadores, etc.). A qualificação não é uma formação completa ou profissional, mas uma sequência de ações formativas que visam a orientar o processo criativo do grupo e as suas relações nos campos de validação da arte. Seu objetivo principal é a incorporação de conhecimentos teóricos, técnicos e operacionais relacionados à produção de bens e serviços artísticos, voltados à expressão estética do individuo e do grupo, e as relações que estes estabelecem com seu público por meio de processos de validação desenvolvidos em diversas instâncias (apresentações, participações em festivais, temporadas, etc.). Esses conceitos embasam as possibilidades pedagógicas e metodológicas do Projeto, colaboram para o alcance dos seus objetivos e que será traduzida para o universo artístico, dentro das especificidades inerentes a linguagem teatral, por meio do olhar da Curadoria Artística que desenvolverá um Eixo Curatorial baseado em três vetores: Vetor 1: Artista Orientando Artista O fazer teatral tem como sujeito os indivíduos-criadores e também artistas-articuladores entre a investigação, o desenvolvimento de caminhos e os encontros que se estabelecem tendo como ponto de partida o universo da obra teatral.

3 Nas ações de orientação artística valorizamos o diálogo do artista orientador, conduzindo em parceria com o grupo inscrito no Projeto Ademar Guerra a construção do processo criativo da obra. Processo esse, visto como um campo de pesquisa que tem como meta a construção do espetáculo enquanto finalização de um processo, bem como, as suas infinitas relações que possibilitam a autonomia dos grupos como núcleos geradores de cultura e investigação teatral nas suas respectivas cidades. Nesse sentido, pretendemos valorizar o encontro entre artistas e propor a relação orientador/orientando como uma troca de experiências baseadas em percursos criativos de ambas as partes, revelando no resultado final um quadro de realidades muito distintas, no que se refere a níveis diferentes na percepção do processo criativo até a sua efetiva realização nas apresentações, mostras regionais e ações de circulação. Vetor 2: O trabalho do Ator e a da Direção Teatral Dentro deste vetor busca-se, por meio do processo criativo, instrumentalizar o ator para a percepção e a consciência da pesquisa que envolve a construção e a realização de uma personagem. Neste aspecto, a Direção Teatral aparece claramente como um elemento decisivo na estruturação do projeto do grupo e, consequentemente, na articulação coletiva que é imprescindível para a materialização cênica. Investigar a direção é estudar como essa função opera produzindo matrizes geradoras do trabalho coletivo. A curadoria também pretende desenvolver o uso das linguagens cênicas como processo de construção do indivíduo: a construção da parte do sensível da percepção (zona de desenvolvimento proximal / Vygotsky). Não há um grupo igual ao outro e as habilidades individuais são muito distintas, o que significa também que cada processo criativo avança em seu próprio ritmo. À primeira vista, ter que lidar com tantas individualidades pode parecer uma dificuldade, mas o que existe é a excelente oportunidade de promover a troca de experiências e a autonomia criativa desses grupos teatrais. O orientador deverá trabalhar a intervenção e a condução numa relação de compartilhamento tornando-se um mediador decisivo no processo criativo do grupo. Assim estaremos trabalhando com três temas distintos e complementares: orientar, aprender e pesquisar, temas importantes na formação teatral, pois o orientador apreende (por meio da sua relação de troca com o grupo) o conhecimento já existente nas cidades e pode produzir (por meio das ações de orientação e das potencialidades dos grupos) conhecimento ainda não existente ou pouco enfatizado. Vetor 3: Interface entre os modos de criação, meios de produção e formação do público O Projeto Ademar Guerra poderá contribuir não só com a capacitação e qualificação dos jovens artistas e grupos teatrais, mas sobretudo- na potencialização do seu arsenal criativo, já capacitado e

4 qualificado, fazendo-os entender esse resultado como uma obra ou produto artístico que, para se estabelecer enquanto arte, deve se por constantemente em contato com o público; e nessa relação estética criador-público alimentar os seus integrantes e a vida cultural das cidades/comunidades em que estão vinculados. Essa obra artística necessita se articular com os meios de produção existentes nas suas cidades/comunidades (modo de organização do grupo, autogestão, sustentabilidade, formas de financiamento, etc.) e com os campos de validação (festivais, críticos, etc.), buscando articulação com os meios de circulação, tendo como meta apresentar a obra artística criada fruto da orientação do projeto. Essa interconexão entre criadores, meios de produção e espaços de circulação visa a colaborar com a fidelização de públicos já assistentes do teatro ou na formação de novos públicos. III-Ações Para atingir seus objetivos o Projeto Ademar Guerra desenvolverá as seguintes ações: A-Módulo: Orientação Técnica e Artística Neste módulo pretendemos trabalhar com as diversas possibilidades de orientações que complementem e inovem o modelo tradicional da orientação padrão (um artista-orientador para um grupo-orientado) praticados pelas edições anteriores do Projeto. Além da orientação padrão, teremos também: - a possibilidade de grupos profissionais orientando, por meio de intercâmbios artísticos, outros grupos (observando sempre peculiaridades artísticas e possibilidades de diálogo e integração); - a oportunidade da colaboração de grupos já avançados, participantes de edições anteriores do Projeto, como grupos multiplicadores, auxiliando com a orientação de grupos mais iniciantes ou médios nas suas cidades ou microrregiões; - a participação de estagiários de teatro, oriundos das universidades e faculdades de teatro e/ou artes cênicas, para estagiar com grupos iniciantes e/ou em formação, sob a supervisão da coordenadoria e curadoria. Metodologias de Orientação técnica e artística: 1.Intermediária: A Orientação Técnica e Artística intermediária é para Grupos já iniciados com mais de 1 ano de atuação, terá de 7 a 8 meses de duração envolvendo as diversas atividades do projeto. O grupo será acompanhado pela curadoria e terá a monitoria dos estagiários em teatro que tem como principal atribuição o acompanhamento das ações do diretor do grupo, no dia-dia da constituição, da organização do grupo e da obra artística em desenvolvimento. Os estagiários atuam monitorando e subsidiando o

5 diretor do grupo, não tem autonomia para interferência na obra desenvolvida. Os estagiários e os grupos atendidos nesta modalidade serão supervisionados por profissional especializado na área teatral, Curadoria e toda equipe do Projeto. 2- Avançada: A Orientação Técnica e Artística Avançada é destinada aos grupos experientes, com 3 anos ou mais de atuação: terá duração de 7 a 8 meses, contando a frequência do grupo nas diversas atividades do projeto, os grupos teatrais recebem o acompanhamento de renomados profissionais de teatro, que auxiliam no desenvolvimento dos seus projetos de pesquisa e/ou montagem de espetáculos. Orientador tem autonomia relativa de interferência na obra, devendo sempre manter diálogo com os grupos e a curadoria sobre as tomadas de decisão relativas ao andamento dos trabalhos. O Orientador poderá dirigir o trabalho cênico proposto pelo grupo, a critério da coordenação, Curadoria e ouvido o grupo. 3- Circulação: A Orientação Técnica e Artística aos Grupos de Circulação são compostas por ações de supervisão, aprimoramento e manutenção dos espetáculos produzidos por grupos participantes das edições anteriores do projeto (2011 e 2012) que foram fruto da orientação, demonstraram relevante pesquisa artística e foram apreciados nas Mostras Finais realizadas pelo Projeto. Essa orientação é ministrada pelo corpo de profissionais do projeto, de acordo com as temáticas e as necessidades do grupo. Além das orientações, os grupos participam de festivais, mostras e ações de circulação propostas pelo projeto em formato de plataforma do Projeto Ademar Guerra, visando à relação dos grupos com o público e com os sistemas de validação em arte. 4- Orientações Especiais As orientações especiais são realizadas no formato de workshops, envolvendo diversas áreas do fazer teatral, voltadas aos grupos com necessidades muito específicas detectadas no momento da seleção e entrevista. 5- Intercâmbio e grupos multiplicadores Essa metodologia de orientação tem como objetivo ampliar as possibilidades de formato de orientação artística. O Projeto passa a ter também orientações ministradas por Grupos profissionais para outros grupos do Projeto, visando a transferência de competências, o intercambio de processos criativos e o fortalecimento da produção teatral dos jovens grupos do interior do estado. É uma modalidade de orientação destinada a grupos experientes e/ou em circulação.

6 B- Módulo: Alinhamento, Atualização e Aperfeiçoamento Além da Orientação Técnica e Artística o Projeto Ademar Guerra realiza uma série de ações, relacionadas a seguir: 1.Encontro Preparatório Evento que marca o início das ações do Projeto no ano, voltado para exposição dos conceitos, objetivos e metas do Projeto aos grupos, artistas-orientadores e parceiros estratégicos. Tem programação composta por masterclass com renomados especialistas em teatro. 2.Ações Culturais São atividades voltadas para ampliar o repertório dos grupos em aspectos específicos e pontuais do universo teatral (direção, dramaturgia, interpretação, encenação, produção, cenografia, voz, figurino, adereços, maquiagem, etc.). São genericamente denominadas de Ações Culturais e podem ter o formato de Workshops, palestras e minicursos. Poderão ser ofertadas aos grupos já em orientação, aos grupos não integrantes das orientações mencionadas acima ou aos parceiros estratégicos: grupos, escolas de teatro, municípios, festivais e instituições culturais diversas. 3.Encontros Regionais Os Encontros Regionais tem como objetivo interiorizar e descentralizar as atividades culturais no Estado, possibilitando o primeiro contato com o universo teatral para jovens artistas e a atualização e capacitação, nas mais diversas vertentes teatrais para aqueles que já têm alguma experiência. Nesses encontros, realizados geralmente em feriados ou finais de semana, são ofertadas palestras, oficinas e workshops, bem como apresentações de cenas de grupos orientados pelo projeto, pequenos encontros de compartilhamento, etc. C-Módulo: Circulação 1.Circulação de espetáculos orientados Neste módulo os grupos com processos concluídos realizam seus primeiros contatos da obra artística orientada com o público de suas comunidades e de outras cidades, visando o início do ingresso da obra nos sistemas de circulação existentes: festivais, mostras e minitemporadas. Esse módulo também marca a relação do Projeto com outros públicos de teatro, propondo a sua fidelização, por meio do contato com processos ou espetáculos concluídos.

7 2.Mostras Regionais As Mostras Regionais promovem o compartilhamento dos grupos, valorizando o diálogo entre os atores, suas referências e características particulares, desde o espaço físico, até o repertório dos grupos. A programação é composta por espetáculos e/ou processos dos grupos participantes, indicados pelos orientadores com avaliação do Curador. 3. Mostra de Compartilhamento A Mostra de Compartilhamento marca o final das orientações, a avaliação dos trabalhos realizados e dos desafios futuros. Durante dois finais de semana os grupos apresentam seus trabalhos (espetáculo, ensaio aberto, bate papo, ou outra atividade) para comunidade. O orientador acompanha e avalia com o grupo os resultados alcançados, orientando-os para os próximos passos na condução dos trabalhos visando a independência do grupo e seu amadurecimento artístico. 4.Mostra Final Tem a programação definida pela curadoria artística, dentre os grupos que apresentaram resultados de excelência artística ao longo da edição, auferidos pelo relato dos orientadores, relatórios, visitas de supervisão, e/ou participação nos Encontros e Mostras regionais. A Mostra pode ser realizada em uma ou mais cidades e/ou por meio de formatos especiais definidos pela Coordenadoria, sobretudo buscando a integração dos espetáculos com temporadas e festivais realizados nas principais cidades do Estado.

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