UMA ABORDAGEM PARA A GERÊNCIA DAS MODIFICAÇÕES E DA CONFIGURAÇÃO EM UM AMBIENTE INTEGRADO PARA O DESENSOLVIMENTO E GESTÃO DE PROJETOS DE SOFTWARE

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1 INPE TDI/1078 UMA ABORDAGEM PARA A GERÊNCIA DAS MODIFICAÇÕES E DA CONFIGURAÇÃO EM UM AMBIENTE INTEGRADO PARA O DESENSOLVIMENTO E GESTÃO DE PROJETOS DE SOFTWARE Martha Adriana Dias Abdala Dissertação de Mestrado do Curso de Pós-Graduação em Computação Aplicada, orientada pelo Dr. Nilson Sant Anna, aprovada em 29 de junho de INPE São José dos Campos 2006

2 Abdala, M. A. D. Uma abordagem para a gerência das modificações e da configuração em um ambiente integrado para o desenvolvimento e gestão de projetos de software / M. A. D. Abdalla. São José dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), p.; - (INPE TDI/1078) 1.Gerenciamento da configuração. 2.Engenharia de software. 3.Ambientes de engenharia de software. 4.Processos. 5.Modelos. I.Título.

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5 Mudar e mudar para melhor são duas coisas diferentes. Provérbio alemão.

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7 A meus pais, ANDRÉ MIGUEL ABDALA e MARIA DAS DÔRES DIAS ABDALA.

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9 AGRADECIMENTOS Ao Senhor Jesus, o Autor da minha Fé: Não tenho palavras para agradecer Tua bondade... Nunca me deixes esquecer que tudo o que tenho, tudo o que sou, o que vier a ser, vem de Ti, Senhor. Ao meu orientador, Prof. Dr. Nilson Sant Anna, agradeço pela oportunidade proporcionada e pelos conhecimentos transmitidos. Aos meus colegas e amigos, em especial ao Carlos Lahoz e à Luciana Burgareli, pelas discussões técnicas e também pelo apoio, incentivo e pela paciência que tiveram comigo: muito obrigada. Meus agradecimentos à equipe da SESIS, em especial à Roberta Panzera, e à estagiária Juliana que, com suas contribuições no desenvolvimento do protótipo, enriqueceram este trabalho. Minha gratidão ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, aos seus professores e ao Instituto de Aeronáutica e Espaço, IAE, pela oportunidade desta realização profissional. Finalmente, aos meus familiares minha gratidão pelo apoio recebido, sem o qual não teria chegado até aqui. Bessa, A. P. V., em Nos braços do Pai, IBL, 2002.

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11 RESUMO Organizações responsáveis pelo Programa Espacial Brasileiro, o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e o IAE, Instituto de Aeronáutica e Espaço, vêm procurando entender e melhorar os processos empregados no desenvolvimento de software, de maneira a alcançar alta qualidade e confiabilidade nos produtos desenvolvidos. No INPE, a necessidade da adoção de novos paradigmas baseados nos processos de software levou à proposta de um ambiente integrado para o apoio ao desenvolvimento e gestão de projetos de software para o controle de satélites. Dentre estes processos, os da Gerência das Modificações e da Configuração de Software (GCS) são aqueles que visam minimizar os problemas que as modificações trazem durante o desenvolvimento e a manutenção do software, de maneira a garantir a integridade dos produtos gerados. Este trabalho de dissertação de mestrado apresenta uma abordagem utilizada para a definição e a modelagem dos processos da GCS para este ambiente integrado. A modelagem dos processos da GCS e o suporte automatizado deste ambiente apresentam-se como facilitadores para a definição e a efetiva implantação destes naquelas organizações.

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13 AN APPROACH TO THE CHANGE AND CONFIGURATION MANAGEMENT IN AN INTEGRATED ENVIRONMENT FOR SOFTWARE PROJECTS DEVELOPMENT AND MANAGEMENT ABSTRACT The National Institute for Space Research (INPE), and the Aeronautics and Space Institute (IAE), organizations responsible for the Brazilian Space Program, are trying to understand and improve the processes employed in software development, in order to obtain software products that are reliable and of higher quality. At INPE, the necesssity to adopt new paradigms based on software development processes led to a proposal of an integrated environment to support the development and management of the satellite control software project. Among the processes to be supported by the environment, the Software Change and Configuration Management (SCM) processes are those which purpose is to minimize the problems that changes cause during software development and maintenance, so that the integrity of the generated products may be assured. This dissertation presents an approach used to define and model the SCM processes to this process-centered integrated environment. The process modeling and the automated support provided by this environment are presented as the factors that will facilitate the definition and effective implementation of the SCM process in those organizations.

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15 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS... Pág. LISTA DE TABELAS... CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Objetivo Motivação As Modificações no Software A Utilização de Técnicas de Modelagem de Processo A GCS e os Padrões e Modelos Qualidade A GCS no Ambiente Integrado e o Suporte ao Processo A GCS e o Desenvolvimento de Software no Setor Aeroespacial Brasileiro Esboço Geral CAPÍTULO 2 A GERÊNCIA DA CONFIGURAÇÃO DE SOFTWARE A Natureza e Complexidade de um Produto de Software A Gerência da Configuração de Software - Definições e Atividades As Atividades da GCS Implementação do Processo Identificação da Configuração Controle da Configuração Relato da S ituação da Configuração Avaliação da Configuração Gerenciamento da Liberação e Entrega Conceitos Básicos da GCS Item de Configuração de So ftware Configuração- base Desenvolvimento de Software Baseado em Configuração- base... 47

16 2.3.4 Distribuições Informações Sobre os Itens de Configuração: Metadados Repositórios e Bibliotecas de Software Controle de Versões Linhas de Desenvolvimento Variantes e Desenvolvimento Paralelo Operações de Acesso às Versões no Repositório Agregações Breve Histórico da Gerência da Configuração de Software Áreas de Funcionalidade da GCS A GCS e os Requisitos do Projeto Políticas e Modelos da GCS Política de Check In/Check Out Política de Composição Mecanismos da GCS O Estado Atual da GCS As Ferramentas de GCS CAPÍTULO 3 MODELAGEM, PADRÕES E AMBIENTES CENTRADOS EM PROCESSO DE SOFTWARE Processos de Software, Modelos de Processos e Ambientes Centrados em Processos A Técnica de Modelagem de Processos Elementos de um Processo de Software As Linguagens de Modelagem de Processos Os propósitos das PMLs Abordagens para a Modelagem de Processos A Linguagem de Modelagem de Processo SPEM Arquitetura da Modelagem Elementos da Linguagem SPEM A notação SPEM Padrões de Processos de Software e Modelos de Maturidade A Gerência da Configuração de Software em Padrões e Modelos de Maturidade... 98

17 A GCS e o Padrão ISO/IEC A GCS no Modelo ISO/IEC A Maturidade da GCS O Ambiente Integrado para Apoio ao Desenvolvimento e Gestão de Projetos de Software Definições e Conceitos Caracterização do Ambiente Integrado Arquitetura Lógica do Ambiente A Arquitetura Física Ciclo de Vida do Processo no Ambiente A Fase de Planejamento do Processo A Fase de Execução do Processo A Fase de Avaliação do Processo O Serviço de Coordenação de Processos de Software As Gerências no Ambiente integrado Os Requisitos para a Gerência das Modificações e da Configuração no Ambiente Integrado CAPÍTULO 4 A MODELAGEM DO PROCESSO DA GERÊNCIA DAS MODIFICAÇÕES E DA CONFIGURAÇÃO Histórico e Desenvolvimento do Trabalho O Escopo do Processo da GCS Estratégias para a Definição e Modelagem do Processo da GCS A Modelagem do Processo da GCS Papéis e Responsabilidades no Processo da GCS As Atividades do Processo da GCS Os Produtos do Processo da GCS O Processo de Definição das Estratégias Organizacionais da GCS Objetivos e Requisitos Básicos do Processo Papéis, Responsabilidades e Produtos Envolvidos no Processo Atividades do Processo O Processo de Planejamento da GCS

18 Objetivos e Requisitos Básicos do Processo Papéis, Responsabilidades e Produtos Envolvidos no Processo Atividades do Processo O Pacote Definição do Gerenciamento e Relações com o Ambiente de Projeto O Pacote Descrição das Atividades da GCS O Pacote Definição da Condução das Tarefas, Fases e Marcos da GCS O Pacote Descrição de Ferramentas, Técnicas e Métodos O Pacote Definição de Linhas de Desenvolvimento Paralelo O Pacote Definição do Ambiente da GCS O Processo de Gerenciamento da Configuração Objetivos e Requisitos Básicos do Processo Papéis, Responsabilidades e Produtos Envolvidos no Processo Atividades do Processo O Pacote Identificação da Configuração O Pacote Armazenamento e Controle dos Itens de Configuração A Definição de Trabalho Armazenar Item de Configuração para Produção A Definição de Trabalho Liberar It em de Configuração para Produção A Definição de Trabalho Liberar Item de Configuração para Utilização O Pacote Relato da Situação da Configuração O Processo Gerenciamento das Solicitações de Modificação Objetivos e Requisitos Básicos do Processo Papéis, Re sponsabilidades e Produtos Envolvidos no Processo Atividades do Processo Atividade Identificar e Registrar a Solicitação de Modificação Atividade Avaliar Impacto da Modificação Atividade Identificar Atividades de Verificação/Validação Atividade Aprovar Modificação Atividade Agendar Modificação Atividade Desenvolver Produto Atividade Avaliar Produto de Trabalho Atividade Revisar Modificação Implementada Atividade Relatar Situação das Modificações

19 CAPÍTULO 5 O SUPORTE AUTOMATIZADO AO PROCESSO DA GERÊNCIA DAS MODIFICAÇÕES E DA CONFIGURAÇÃO Os Requisitos para a GCS no Ambiente Integrado Gerenciamento do Processo da GCS Desenvolvimento de Software Baseado em Configurações- base Suporte ao ciclo de vida do item de configuração Suporte ao controle de versões Biblioteca da GCS Política Check- in/checkout e Composição Política de Liberação Suporte ao Ciclo de Vida de uma Solicitação de Modificação Integração com a Garantia do Produto A Implementação do Protótipo Change and Configuration Management no Ambiente Integrado Os Requisitos do Protótipo Definir Estratégias da GCS Planejar a GCS Gerenciar Configurações- base Caso de Uso Descrever Item de Configuração Caso de Uso Criar Configurações- base Caso de Uso Liberar IC para Modificação Caso de Uso Incorporar Modificações nas Configurações- base Caso de Uso Obter IC para Utilização Caso de Uso Obter Situação da Configuração e das Modificações Registrar Distribuição de Configuração- base Gerenciar Solicitações de Modificação Caso de Uso Abrir Solicitação de Modificação Caso de Uso Avaliar Modificação Caso de Uso Agendar Modificação Caso de Uso Registrar Implementação da Modificação Caso de Uso Registrar Verificação da Qualidade Caso de Uso Revisar Modificação Implementada

20 5.3 Os Recursos do Ambiente Necessários para os Processos Os Recursos da Ca mada de Armazenamento e Acesso Os Recursos da Camada de Serviços Os Recursos da Camada de Interação com o Us uário CAPÍTULO 6 CONCLUSÕES A modelagem de processos Processo e melhoria de processo Recomendações e Trabalhos futuros REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR APÊNDICE A A UTILIZAÇÃO DO SPEM NA MODELAGEM DE PROCESSOS 255 APÊNDICE B EXERCÍCIO DE MODELAGEM - PROCESSO DE GERENCIAMENTO DAS MODIFICAÇÕES APÊNDICE C TELAS DO PROTÓTIPO CHANGE AND CONFIGURATION MANAGEMENT

21 LISTA DE FIGURAS 2.1 Atividades da GCS Modelo de Desenvolvimento Genérico Visão Geral dos Metadados dos Itens de Configuração Controle de Versões de um Arquivo Linhas de Desenvolvimento Desenvolvimento Paralelo e União Agregações Áreas de Funcionalidade da GCS Check-out e Check-in A Política de Composição Elementos e Relacionamentos de um Modelo de Processo Níveis de Capacidade e Atributos de Processo A Camada Conceitual do Ambiente e-webproject Arquitetura Três Camadas para Aplicações Web Ciclo de Vida do Processo Auditar Produto Fase de Planejamento Os Estados de um Processo em Execução O Processo da GCS O Processo de Definição das Estratégias Organizacionais da GCS O Gerente das Modificações e da Configuração e os Produtos do Processo de Definição das Estratégias Organizacionais da GCS O Processo de Planejamento da GCS O Gerente das Modificações e da Configuração e os produtos do processo de Planejamento da GCS O Pacote de Gerenciamento e Relações como o Ambiente de Projeto O Pacote de Descrição das Atividades da GCS O Pacote de Definição da Condução das Tarefas, Fases e Marcos da GCS Pacote de Definição da Utilização de Ferramentas, Técnicas e Métodos Pacote de Definição de Linhas de Desenvolvimento Paralelo Pág.

22 4.11 Pacote de Definição do Ambiente da GCS O Processo Gerenciamento da Configuração O Responsável pela GCS e os Produtos do Processo de Gerenciamento da Configuração O Responsável pelo Produto e os Produtos do Processo de Gerenciamento da Configuração Os Gerentes da Qualidade e Projeto e os Produtos do Processo de Gerenciamento da Configuração O Cliente da GCS e os Produtos do Processo de Gerenciamento da Configuração O Pacote de Identificação da Configuração A Definição de Trabalho do Armazenamento e Controle dos Itens de Configuração Diagrama de atividades da Definição de Trabalho de Armazenar Item de Configuração para Produção Diagrama de Atividades da Definição de Trabalho de Liberar Item de Configuração para Produção Diagrama de Atividades da Definição de Trabalho de Liberar Item de Configuração para Utilização Interna Diagrama de Atividades da Definição de Trabalho de Liberar Item de Configuração para Utilização Interna Diagrama de Atividades da Definição de Trabalho de Liberar Item de Configuração para Utilização Externa O Pacote Relato da Situação da Configuração O Processo de Gerenciamento das Solicitações de Modificação O Responsável pela GCS e os Produtos do Processo de Gerenciamento das Solicitações de Modificação O GCC e os Produtos do Processo de Gerenciamento das Solicitações de Modificação Diagrama de Atividades do Processo de Gerência das Solicitações de Modificação Avaliação e Aprovação de uma SM Diagrama de Atividades do Processo de Gerência das Solicitações de Modificação Encaminhamento para Implantação e Fechamento de SM

23 5.1 Diagrama de Contexto do protótipo Change and Configuration Management Diagrama de Casos de Uso da Definição das Estratégias da GCS Diagrama de Casos de Uso do Planejamento da GCS Ciclo de Vida de um Item de Configuração Diagrama de Casos de Uso do Gerenciamento das Configurações-base Ciclo de Vida de uma Solicitação de Modificação (SM) Diagrama de Casos de Uso do Gerenciamento das Solicitações de Modificação A.1 Comparação entre Fluxos de Trabalho C.1 Tela de Trabalho do Usuário C.2 Tela de Acesso do Gerente das Modificações e da Configuração C.3 Tela Inicial das Atividades do Gerente das Modificações e da Configuração C.4 Tela de Convenção para Identificação Única para Documentos C.5 Tela de Convenções para Formação dos GCCs C.6 Tela Referente à Lista de Projetos Instanciados C.7 Tela de Escolha de Membros para o GCC-Des C.8 Tela de Acesso dos Envolvidos com a GCS C.9 Tela Inicial da Atividade de Gerenciamento das Solicitações de Modificação C.10 Tela de Acompanhamento das SMs C.11 Tela de Abertura da SM C.12 Tela de Acompanhamento das SM com o Status atualizado para Aberta C.13 Tela Inicial das Atividades do GCC C.14 Tela de Acompanhamento das SMs Encaminhadas para Avaliação C.15 Tela de Avaliação da Modificação C.16 Tela de Acompanhamento das SM com o Status Atualizado para Aprovada para Implementação C.17 Tela Inicial da Atividade de Agendar SM C.18 Tela da Atividade Agendar SM C.19 Tela Inicial das Atividades do Cliente da GCS C.20 Tela Inicial do Registro da Implementação da Modificação C.21 Tela da Atividade Registro da Implementação da Modificação C.22 Tela Inicial do Registro da Aprovação da Modificação pela Qualidade C.23 Tela da Atividade Registro da Aprovação pela Qualidade

24 C.24 Tela Inicial do Fechamento da SM C.25 Tela de Fechamento da SM C.26 Registro de Histórico das Modificações C.27 Registro de Solicitação de Liberação C.28 Lista de Composição

25 LISTA DE TABELAS Pág. 2.1 Exemplos de Configuração-base Níveis de Abstração da Modelagem de Processos Principais Ícones e Estereótipos do SPEM Categorias e Grupos de Processo do Padrão ISO/IEC Papéis e Responsabilidades da GCS A GCS nos Padrões e no Modelo Proposto

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27 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Nos últimos 20 anos o software conquistou um papel essencial e crítico na sociedade, cada vez mais dependente de sistemas computadorizados. Hoje em dia qualquer serviço ou produto contém ou faz uso de algum software. À medida que mais e mais funcionalidades são exigidas dos produtos de software estes se tornam mais complexos, aumentando assim a dificuldade para desenvolvê-los e testá-los (Fuggeta, 2000). O software pode ser ainda um elemento crítico dentro de um sistema maior. Um erro ou defeito que venha a conter pode causar perdas não só financeiras, como também de vidas humanas, como no caso de aplicações de software no controle de aeronaves, trens e metrô, e também das aplicações aeroespaciais. Diante disto, tem aumentado a preocupação dos pesquisadores e desenvolvedores em entender e melhorar a qualidade do software produzido.uma das principais direções tomadas pela pesquisa na área de Engenharia de Software é aquela voltada para o estudo e melhoria dos processos através dos quais o software é desenvolvido. Segundo essa abordagem, há uma correlação direta entre a qualidade do processo empregado na construção do software e a qualidade do produto resultante desse processo. A área de pesquisa que trata destas questões é referenciada pelo termo processo de software (Fuggetta, 2000). A área de pesquisa em processo de software surgiu como disciplina ainda nos anos 80, tendo sido apresentada em uma série de eventos e workshops. Desde então, muitos outros eventos, publicações e instituições foram criados para tratar do assunto. Entres estas instituições estão o Software Engeneering Institute (SEI), nos EUA, e o European Software Institute (ESA), na Europa. Organismos internacionais de padronização também têm centrado esforços no processo de software, como o International Organization for Standardization/ International Electrotechnical Commission (ISO/IEC), com os padrões 25

28 12207 (atividades do ciclo de vida do software) (ISO/IEC 12207, 1995) e (determinação da capacidade de processo de software) (ISO/IEC , 2003) derivado do modelo de maturidade organizacional Software Process Improvement and Capability determination (SPICE) (SPICE, 1995). No Brasil, nota-se nos últimos anos um interesse crescente pelo assunto por parte de universidades, indústria e organizações governamentais, nos vários eventos de Engenharia de Software e também em eventos realizados na área de processo de software, como o SIMPROS, Simpósio Internacional de Melhoria de Processo de Software, um fórum para intercâmbio de informações e conhecimento na prática de melhoria de processo de software. No Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a necessidade da adoção desses novos paradigmas para o desenvolvimento de software levou à proposta de um ambiente integrado para o apoio ao desenvolvimento e para a gestão de projetos de software para controle de satélites (Sant'Anna, 2000), que evoluiu para o e-webproject 1, referenciado neste trabalho como Ambiente ou Ambiente Integrado. Esse Ambiente consiste de um conjunto integrado de ferramentas para apoiar as atividades e tarefas do desenvolvimento e gestão do processo de construção de software. Utiliza a abordagem de processos do modelo SPICE (atual ISO/IEC 15504) para o desenvolvimento de projetos de software, integra todos os processos necessários de forma adequada à visão de objetos e está organizado em áreas de negócio, proporcionando apoio eficiente à gerência de projetos. Entre as características do Ambiente, pode-se destacar: o trabalho cooperativo centrado no processo; o conceito de ambiente ativo ou capacidade de forçar o fluxo de trabalho (workflow); a integração das equipes de trabalho, a utilização de tecnologia para controle 1e-WebProject é um produto registrado pela SESIS, Sistemas de Engenharia de Software, cujo desenvolvimento é apoiado pelo Programa de Capacitação de Recursos Humanos (RHAE) do CNPq. 26

29 dos processos envolvidos no desenvolvimento de software; e a disponibilidade de um conjunto de serviços oferecidos pela WEB/Internet para os vários participantes do processo (desenvolvedores, gerentes, clientes), que podem trazer como benefícios a obtenção de ganhos de produtividade e qualidade do software. O Ambiente oferece suporte a categorias de gerenciamento estabelecidas pelo Project Management Institute (PMI) (PMI, 1996), às quais foram acrescentadas outras para atender melhor às necessidades específicas de projetos de software, como a Gerência das Modificações e da Configuração de Software (GCS). Caberá ao Ambiente prover o apoio necessário de maneira a que cada gerência desempenhe com sucesso suas atividades. O processo de gerenciamento das modificações e da configuração, dentre os vários processos empregados no desenvolvimento de software, é aquele que fornece as técnicas, os métodos e procedimentos para manter a integridade do produto de software durante todo seu ciclo de vida, através do controle sistemático de suas modificações e de seu armazenamento controlado, bem como do relato da situação do produto a todos os envolvidos no seu desenvolvimento. Essas atividades ajudam a eliminar inconsistências e redundância de trabalho, aumentando assim a qualidade do produto e a produtividade dos desenvolvedores. 1.1 Objetivo Esta dissertação tem por objetivo apresentar uma abordagem para a definição e modelagem do processo da Gerência da Configuração de Software para o Ambiente Integrado, nomeado, neste ambiente, como Gerência das Modificações e da Configuração de Software. Esta abordagem leva em consideração os processos da Gerência da Configuração e das Solicitações de Modificação propostos nos padrões e modelos de processo (ISO/IEC 12207, 1995) e (ISO/IEC , 2003) e em padrões específicos para a GCS (IEEE 828, 1998). Também são consideradas as funcionalidades da disciplina de Gerência da Configuração de Software, descritas na literatura, como na abordagem prática apresentada 27

30 em (Hass, 2002) e as diretrizes propostas em (Sant'Anna, 2000), para definir e modelar os processos e atividades essenciais desta Gerência que devem ser incorporados em uma organização desenvolvedora de software de maneira a minimizar os problemas que surgem durante o ciclo de vida de desenvolvimento do software devido às modificações. Através do recurso da prototipação será possível apresentar a funcionalidade deste modelo e ainda identificar os recursos do Ambiente necessários para apoiá-lo. 1.2 Motivação As Modificações no Software O software é mutável por natureza. Um produto de software passa por várias transformações durante o seu ciclo de vida: parte de uma abstração ou idéia, até chegar a ser código executável por uma máquina, que atenda ao propósito para o qual foi construído. Modificações são, portanto, inerentes ao software, e inevitáveis em todo o seu ciclo de desenvolvimento. Elas podem ocorrer também devido à correção de erros, à incorporação de novas tecnologias e para atendimento a novos requisitos funcionais. Controlar as modificações feitas no software é uma atividade crítica, pois modificação não gerenciada é, sem dúvida, uma das causas de falha em entregar sistemas no tempo certo e dentro do orçamento. O gerenciamento da configuração, portanto, ajuda a proteger os investimentos no desenvolvimento de software por meio do controle das modificações nele feitas, garantindo, por exemplo, que uma modificação errada possa ser revertida sem afetar a integridade de todo o sistema. Também fornece uma estrutura básica para suporte a todo o processo de engenharia de software através da configuração e controle dos subprodutos deste processo, durante o desenvolvimento e após a entrega do produto. A GCS fornece as técnicas, os métodos e os procedimentos para manter o histórico do produto, para 28

31 identificá-lo e localizar cada versão do produto, e controlar suas modificações. A GCS pode ajudar, ainda, na coordenação e na comunicação entre os membros da equipe de desenvolvedores, através do uso de um repositório comum de configurações e do suporte a modificações (Van Brunt, 1996) A GCS e os Padrões e Modelos de Qualidade Dada a importância da GCS, padrões e modelos de processo de software, como o ISO/IEC e ISO/IEC 12207, exigem o controle das modificações nos produtos através do gerenciamento da configuração. A GCS no Ambiente Integrado visa atender à necessidade de se manter o controle sobre a configuração e sobre as modificações do produto de software cujo desenvolvimento será apoiado pelo Ambiente, como recomendam estes padrões e modelos de processo de software. Segundo a abordagem proposta neste trabalho, um escopo mínimo para a GCS no Ambiente Integrado pode ser definido pelas atividades e práticas básicas dos padrões de processo que, se realizadas pelas organizações desenvolvedoras de software, resultam no cumprimento dos propósitos da GCS e, conseqüentemente, contribuem para que melhores níveis de qualidade dos produtos de software sejam obtidos nessas organizações. Como nesses padrões as atividades e práticas básicas que a GCS deve realizar são apresentadas em linhas gerais, ou seja, o padrão declara o que o processo deve fazer, e não detalhes de como fazer para que o processo seja implantado, é preciso então definir o processo da GCS, detalhar suas práticas básicas e descrever as maneiras como estas devem ser implementadas A Utilização de Técnicas de Modelagem de Processo Para os pesquisadores da área de processo de software, a principal causa dos problemas é justamente a falta de um processo de desenvolvimento claramente definido e efetivo. 29

32 Entender e definir um processo de software não é tarefa trivial. A primeira contribuição da área de pesquisa de processo de software foi justamente o aumento da percepção de que desenvolver software é um processo complexo (Fuggeta, 2000). Por isso, sem uma definição clara do processo, sua implantação efetiva pode ser comprometida. Desta forma, a definição e a modelagem dos processos da GCS, tendo ainda o suporte automatizado de um ambiente integrado para sua execução, apresentam-se como facilitadores para a efetiva implantação destes em uma organização desenvolvedora de software A GCS no Ambiente Integrado e o Suporte ao Processo A GCS deve ser parte integrante de um ambiente completo de engenharia de software (Sharon e Anderson, 1997). O Ambiente Integrado permite que as atividades de manutenção da integridade do produto, como seu armazenamento controlado e o acompanhamento das modificações, sejam integradas mais facilmente ao processo de desenvolvimento e à cultura de uma organização. Outra vantagem de se ter a GCS integrada ao Ambiente é a facilidade da utilização, por outras gerências, das informações que ela fornece. Como exemplo, temos a informação da situação da configuração do produto, que pode ser utilizada pela Gerência de Projeto para acompanhamento do progresso de desenvolvimento do projeto. A incorporação da idéia de suporte ao processo nas ferramentas e ambientes de gerenciamento de configuração de software tem sido alvo de pesquisas nos últimos anos, tendo surgido várias abordagens baseadas em atividades. O objetivo dessas abordagens é fornecer capacidades de modelagem poderosas e mecanismos associados de maneira que os usuários possam definir e controlar seus próprios processos de gerência de configuração (Estublier, 2002; Estublier et al, 1997). 30

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