Jussara Martins REVISTA ACADÊMICA Direção Geral Facsum e FJF.

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3 SUMÁRIO 02 Revista Acadêmica MARKETING: uma das mais poderosas ferramentas para as organizações 05 Fluxo de caixa na pequena empresa 06 Professor e comunicador: herói e vilão do processo ensinoaprendizagem 07 Balanced Scorecard e a Contabilidade Gerencial 08 Os impactos das ações do marketing no endividamento da sociedade contemporânea 09 Acidente de trabalho: Uma triste realidade brasileira 10 Alfabetizar adultos: Um relato de experiência 11 Saúde, Qualidade de vida e espiritualidade 12 O uso da tecnologia como recurso didático pedagógico: a busca pela inovação no espaço da sala de aula O uso da tecnologia como recurso didático pedagógico: a busca pela inovação no espaço da sala de aula 13 A desmotivação afeta os resultados organizacionais Um recurso estratégico chamado conhecimento 14 Resiliência e estratégia competitiva 15 O cinema como arte na escola 16 Inove Consultoria Jr. 18 O abandono afetivo e as suas controvérsias 19 Importância das zoonoses em Juiz de Fora e o papel do enfermeiro 20 Qualidade na Educação... Utopia ou sonho possível? 21 Da tentativa à tentação: O curso de pedagogia e a questão da formação de professores para os novos tempos 22 Hackers na educação, ser ou não ser? eis a questão 23 Cara ou coroa: quem é você no mercado de trabalho? 24 Sobre ser professor 25 Brasileiro com muito orgulho até a derrota 26 Carga tributaria e seus impactos para a economia brasileira 27 Você sabe o que é Inbound Marketing? 28 O uso indevido das redes sociais e as implicações jurídicas 29 Sustentabilidade 30 Reflexões sobre a usucapião conjugal 31 Resenha: Análise de conteúdo 32 Autismo: você sabe como identificá-lo? 33 O cliente é quem manda?

4 Jussara Martins Direção Geral Facsum e FJF. REVISTA ACADÊMICA 2014 É com enorme prazer que colocamos no mercado a 9º Edição de nossa Revista Acadêmica. A primeira edição aconteceu em maio de 2008, por iniciativa dos próprios alunos de uma das turmas do curso de Administração de Empresas da FJF, o que, para nós, é motivo de enorme orgulho. Os alunos dessa turma se formaram e nos passaram a responsabilidade de continuar seu belo trabalho. Assim, como nos anos anteriores, procuramos a diversificação dos temas dos artigos com participação de alunos, professores e coordenadores dos vários cursos da FACSUM e FJF. Nosso objetivo primeiro é oferecer um trabalho de interesse tanto acadêmico quanto profissional a todos os leitores, visto que a revista é distribuída não apenas aos alunos, mas a toda comunidade de Juiz de Fora e entorno. Como todas as instituições que querem se consolidar cada vez mais no mercado, a FACSUM e a FJF almejam estar na vanguarda das instituições de ensino de Juiz de Fora. Para tanto, buscamos sempre melhorar o desempenho e resultados do nosso trabalho, oferecendo aos alunos o que há de melhor em termos de competência dos docentes, grades curriculares adequadas às constantes mudanças no cenário profissional, serviços, instalações cada vez melhores, suporte tecnológico, etc. Para que isso se torne possível, as instalações na Av. Itamar Franco, apesar do pouco tempo de sua inauguração, já sofreram modificações. Devido à demanda de novos alunos e à implantação de novos cursos como: Enfermagem, Engenharias e outros, em processo de autorização pelo MEC, as atuais instalações já necessitam de adequações. Para tanto, a Mantenedora das duas Faculdades já está providenciando a expansão das instalações que se estenderá ao prédio vizinho, em fase de obras. As- sim, para o ano de 2015, poderemos melhorar o espaço 02 físico das IES, oferecendo maior conforto e espaço adequado a excelência que buscamos oferecer aos alunos. Aproveitando o espaço, convidamos todos a participar da Jornada Acadêmica, composta pela Semana de Mini-cursos e Feira de Empreendedorismo que acontecerá nos dias 3, 4, 5 e 6 de novembro, evento que já faz parte do calendário acadêmico e que tem trazido enorme retorno aos participantes, visto a grande adesão nos anos anteriores. Os mini-cursos são gratuitos e as inscrições são abertas a toda comunidade. Gostaríamos de ressaltar também o trabalho realizado pelos alunos, professores e coordenadores junto à comunidade de Juiz de Fora. Já estamos no nosso 39º Projeto Social, em parceria com ONGs da cidade, buscando levar o conhecimento adquirido em sala de aula às pessoas que necessitam de apoio nas várias áreas de atuação das IES. Portanto, o ano de 2014, mais uma vez, foi um ano de muito trabalho e crescimento para a FACSUM e FJF. Esperamos que o ano de 2015 seja tão produtivo quanto os anos anteriores e que, cada vez mais, sejamos reconhecidos pelo trabalho que realizamos. Quando se faz com dedicação, respeito e amor, o resultado sempre é positivo. O sucesso não é alcançado por uma pessoa, mas por toda a equipe que se compromete com o objetivo final. Esse é o caso da FACSUM e da FJF. Todos voltados para um mesmo foco: qualidade de ensino, responsabilidade social, egressos prontos para entrar no mercado de trabalho para um futuro brilhante. Um abraço Jussara Martins - Direção Geral FACSUM e FJF

5 Edição Edeia Consultoria (32) Impressão Central Gráfica (32) Coordenadores K. Jorge Duque Marina Santos Pequeno Tiragem Designer e Diagramação K. Jorge Duque Marina Santos Pequeno Distribuição Gratuita Periodicidade Anual O conteúdo dos artigos e publicidade publicados nesta edição são de exclusiva responsabilidade de seus autores. As imagens foram cedidas pela facsum ou seus responsaveis. Agradecimentos: Agradecemos a todos os que contribuíram de alguma forma com este projeto 03

6 Elisa Mara O. Schettino MARKETING: uma das mais poderosas ferramentas para as organizações Por mais de 50 anos, as teorias de marketing estiveram centradas apenas no marketing de bens físicos. Com o crescimento das operações de serviços comerciais de larga escala, nos anos 1960 e 1970, tais como bancos, acomodações e serviços de alimentação, dentre outros, consequentemente no marketing de serviços, sua importância foi tomando grandes proporções dentro das organizações (KOTLER, 2000). A partir daí, o marketing passou a exercer uma função estratégica nas empresas que buscam conhecer principalmente o mercado e os consumidores através do desenvolvimento de técnicas de pesquisa. Apesar de a criação de produtos estar voltada para a satisfação das necessidades e dos desejos dos consumidores, o processo de recrutamento de clientes ainda estava muito voltado para a conquista da venda (KOTLER, 2000). Atualmente, vivencia-se a era do marketing de relacionamento, focada não mais na própria venda, mas nos participantes da compra. A era do marketing de relacionamento reconhece a importância da manutenção do cliente e tem a filosofia dos negócios mais centrada nos fornecedores e na manutenção dos clientes, buscando desenvolver relacionamentos de longo prazo. Pela abordagem do marketing de relacionamento, a empresa como um todo está orientada para o mercado. É uma perspectiva de negócios que transforma o consumidor no foco das operações totais de uma empresa. A organização orientada para o mercado entende as preferências e exigências dos consumidores e, efetivamente, lança as habilidades e os recursos de toda a organização para satisfazer os consumidores. A maneira mais ampla de se conseguir comunicar com clientes atuais e potenciais e com o mercado é pela Administração da comunicação de marketing. Esta é formada pelo que alguns autores denominam Mix de comunicação de marketing, Composto de marketing ou Composto promocional. No marketing moderno, a comunicação eficaz é desenvolvida num processo em que é necessário identificar o público-alvo, determinar os objetivos da comunicação e desenvolver uma mensagem eficaz, capaz de atrair a atenção, manter o interesse, despertar o desejo e incitar à ação da compra (KOTLER, 2000). O autor afirma: para que a empresa possa atingir uma comunicação eficaz, poderão ser utilizados diversos canais de comunicação, lembrando que comunicação por canais pessoais é aquela na qual duas ou mais pessoas comunicam-se pessoalmente (em forma de diálogo ou exposição para uma platéia); e, na comunicação por canais não-pessoais, as ferramentas de comunicação são a mídia e os eventos, entre outros. O padrão atual do mercado indica mudanças constantes e rápidas em todas as áreas de uma empresa, especialmente no marketing, com a adesão de novas tecnologias, consumidores mais criteriosos, novos mercados e aumento da concorrência. Visando ao desenvolvimento de estratégias, ao aumento da lealdade e ao incremento das vendas, o marketing pode ajudar a criar e sustentar a imagem da empresa e o seu desenvolvimento tecnológico, num processo contínuo de adaptação às condições mutantes do ambiente competitivo. Dessa forma, saber quais os hábitos dos clientes, ou seja, o que buscam, o que esperam, além de oferecerlhes aquilo que eles nem sabem que procuram, torna o marketing uma das mais poderosas ferramentas a serem utilizadas neste século. Elisa: Coordenadora do curso superior de Administração 04

7 Allan Sahb Fluxo de caixa na pequena empresa É certo entre os empresários que o início de uma empresa é difícil e custoso. Além dos trâmites legais onde a burocracia emperra o empreendedorismo e a inovação, há também os custos de manter a empresa aberta. Os gastos advêm de custos operacionais, despesas administrativas, investimentos em marketing, por exemplo. Ainda no meio desse emaranhado de gastos, existem os gastos com o governo, no qual o empresário teoricamente se apresenta como uma pessoa que faz um papel social ao pagar seus impostos em dia. Toda empresa precisa liberar gastos, pormenores que sejam, entretanto, não podem esquecer-se de monitorá-los a fim de obter o menor desperdício possível. Todos os custos somados dentro de um mês podem onerar o fluxo de caixa da empresa se a mesma não tiver um controle rígido de seus gastos. Isto pode causar descasamento do fluxo de caixa, impedindo a empresa de fazer novos investimentos e crescer com capital próprio. Além do mais, o descasamento do fluxo de dinheiro que entra na empresa com o que sai pode levar a empresa a tomar empréstimo de capital de giro a taxas altas do mercado para que ela possa cobrir o tempo em que ela ficará a descoberto. Este fator pode ser controlado e bem gerido, utilizando o fluxo de caixa. O fluxo de caixa é uma ferramenta de gerenciamento financeiro que tem a finalidade de controlar as entradas e as saídas de caixa, bem como fazer previsões para os mesmos. Este controle torna a gestão mais eficiente, uma vez que o gestor terá conhecimento das finanças de sua empresa. O seu planejamento permite que o gestor faça acompanhamentos da administração financeira do seu negócio e tome as melhores decisões embasadas em técnicas eficientes. Empresas com maior grau de organização tendem a ter seu fluxo de caixa elaborado com mais facilidade. Não obstante, todas as empresas devem usar esta ferramenta, em especial as pequenas empresas, pois um descuido nas finanças pode trazer sérias consequências, às vezes irreversíveis. Diante deste fato, sabe-se que o fluxo de caixa tem muito a agregar na gestão financeira da empresa. Entre os benefícios estão o controle de contas a pagar e contas a receber, o conhecimento da situação financeira atual no ciclo de caixa em que se encontra e a facilidade de identificação de possíveis gargalos financeiros. Por fim, ao adotar a gestão financeira da empresa por meio, entre elas, do fluxo de caixa, a empresa poderá tornar-se competitiva, uma vez que possíveis desperdícios poderão ser minimizados e o investimento será de forma mais assertiva, fazendo com que a empresa cresça de forma sustentável. Allan Sahb 05

8 Sérgio Ricardo S. de Oliveira Professor e comunicador: herói e vilão do processo ensino-aprendizagem Roman Jakobson, linguista russo, ao definir os atores, o cenário e as condições onde se processa a comunicação entre os indivíduos, inaugurou o debate sobre as responsabilidades que cada um assume durante o processo dialógico. Em se tratando do contexto professor-aluno, sua teoria abriu uma janela para que se possa discutir a qualidade e a pertinência daquilo que é transmitido em sala-de-aula. Segundo a teoria jakobsoniana, através de um canal (sala-de-aula), o emissor (professor) transmite ao receptor (aluno), em um código comum (Língua Portuguesa), uma mensagem (matéria) que pode reportar-se a um referente(explicação). A partir de um silogismo básico: uma comunicação eficiente se dá quando o emissor transmite uma mensagem ao receptor, o professor transmite sua aula ao aluno, logo toda aula é eficiente. Correto? Não, pois a comunicação ensina que em todo processo de enunciação existem fatores que podem afetar o entendimento da mensagem pelo receptor. A esses fatores é dado o nome de ruídos, que podem se manifestar de várias formas físicas (ou naturais), sensoriais (ou de percepção) e tecnológicas. As físicas e sensoriais têm a ver diretamente com o modo como se expressa a linguagem, e as tecnológicas com os mais diversos recursos midiáticos dos quais nos servimos na práxis acadêmica. Existe ainda outro tipo de linguagem, a sincrética, que trata do significado que os movimentos do corpo transmitem ao receptor durante a comunicação. Rector & Trinta assim a definem: O homem é um ser em movimento e, ao mover-se, põemem funcionamento formas de expressão completas e complexas, que são, de resto, socialmente partilhadas, a exemplo das formas da língua¹. Portanto, já que em toda comunicação podem ocorrer ruídos, que influenciam diretamente a qualidade do que é traduzido e sendo o magistério nada mais que uma das formas de comunicar, podemos inferir que uma das razões que justificam o baixo desempenho, a desmotivação e o alto índice de evasão nas classes é uma falha nesse processo de comunicação. Isto posto temos que, uma premissa básica de todo o processo enunciativo é que a responsabilidade e o controle dialógico são de quem fala, neste caso doprofessor, pois é a ele que é dado o controle de todo processo, desde a adequação do conteúdo programático até a forma como ele apresentará esse conteúdo: os recursos a serem utilizados na classe (didática de ensino), as condições físicas eambientais (ergonomia, luminosidade e conforto térmico) e até a sua postura em sala-de-aula (o corpo fala, portanto, traduz satisfação mas também irritação, cansaço, desânimo). Sendo assim, mesmo reconhecendo que o nosso aluno (receptor) chega às salas-de-aula carregado de conflitos e deficiências, não se pode imputar a ele, apenas, o insucesso individual ou do grupo. Na verdade o que se buscou com esse artigo não é apontar deficiências nem tampouco indicar culpados, mas sim refletir sobre o que se ensina e qual a melhor maneira de ser ensinado, assumindo uma postura crítica e deixando de lado o rosário de lamentações e desculpismos acerca da situação precária do ensino no Brasil. Prof. Me. Sérgio Ricardo Soares de Oliveira. FJF Licenciado em Língua Portuguesa e Literaturas Brasileira e Portuguesa Especialista em Comunicação e Novas Tecnologias Mestre em Literatura Brasileira 06

9 Guto Brion Balanced Scorecard e a Contabilidade Gerencial Hoje em dia é cada vez maior a demanda das organizações por informações que as auxiliem a enfrentar a forte concorrência e a competitividade, características de uma economia globalizada. Neste contexto, a gestão de uma organização baseada apenas em resultados financeiros tem se mostrado inadequada, pois o desempenho de um negócio é o resultado do gerenciamento de variáveis internas e externas. Administrar nos dias atuais exige do gestor conhecimentos, competências, habilidades, visão estratégica e principalmente métodos que possibilitem o suporte ao processo de tomada de decisão. Várias ferramentas de gestão foram criadas e ainda são criadas com intuito de auxiliar o gestor nesta árdua tarefa, porém, muitas delas possuem limitações que se tornam incompatíveis com determinados tipos de negócios. Qualquer que seja a metodologia de gestão aplicada, ela deverá permitir a organização uma flexibilidade para se adaptar às mudanças do mercado, bem como gerar informações de cunho estratégico para auxiliar a tomada de decisão. Várias mudanças no ambiente empresarial fizeram com que a Contabilidade se transformasse para se adaptar às novas realidades. Severas críticas foram feitas a contabilidade gerencial pelo seu foco apenas nos resultados financeiros. Alguns autores afirmavam que os sistemas contábeis movidos pelos procedimentos e pelo ciclo de relatórios financeiros da organização eram tardios e distorcidos para terem qualquer relevância para as decisões de planejamento e controle dos gerentes. Era preciso ter um sistema de informação integrado com a estratégia ao invés de ferramentas individuais. Na gestão das organizações atuais, as informações financeiras, embora necessárias, não são suficientes para gerenciar o negócio. O Balanced Scorecard (BSC) é uma ferramenta de gestão estratégica que utiliza um conjunto de medidas financeiras e não-financeiras, indicadores de performance e perspectivas internas e externas que são consideradas no momento do planejamento de curto e longo prazos. Segundo seus criadores, Robert Kaplan e David Norton, o BSC é um conjunto de indicadores de desempenho que funciona como um painel de controle da organização, orientando o gestor nas tomadas de decisão, possibilitando assim, o monitoramento dos resultados de curto prazo e criando condições para se realizar ajustes na estratégia em função das mudanças do mercado. Atualmente tem se exigido da Contabilidade informações cada vez mais abrangentes e com maior precisão, haja vista as suas funções que são: registrar, avaliar, mensurar, evidenciar e disponibilizar as informações para o mercado. A contabilidade gerencial, com seu tratamento diferenciado da informação contábil, busca atuar sempre no fornecimento de informações relevantes à administração. Uma organização que tenha um sistema de contabilidade gerencial efetivo pode criar valor, fornecendo informações a tempo e precisas sobre as atividades requeridas para o sucesso das empresas. Aliando as funções da contabilidade gerencial com as propostas pelo BSC, verifica-se uma ligação importante entre as duas, principalmente no que tange às questões gerenciais, sendo assim, verifica-se que o BSC é uma ferramenta imprescindível à contabilidade gerencial, pois utiliza os indicadores financeiros integrados a um sistema gerencial mais equilibrado que relaciona o desempenho operacional de curto prazo e os objetivos estratégicos de longo prazo, requisitos fundamentais para contabilidade gerencial. Guto Brion Coordenador de Ciências Contábeis. 07

10 Jorge Felipe Jorge Miguel Felipe Miguel Os impactos das ações do marketing no endividamento da sociedade contemporânea A educação financeira nunca foi devidamente valorizada e incentivada em nossa cultura. Não é um assunto que está na pauta do poder público e nem das instituições financeiras, pois os mesmos têm como objetivo estimular a economia e o desenvolvimento do país. A educação financeira deveria fazer parte da formação básica de todo cidadão brasileiro e seus princípios deveriam ser transmitidos de pai para filho, como ocorre com os princípios de ética e de valores, e à escola deveria caber o papel de aprofundar seus conceitos como ocorre em países desenvolvidos como Inglaterra, EUA e alguns países da Europa que incluíram a matéria de educação financeira na grade curricular. Infelizmente, o oposto ocorre em nosso país e isso acarreta várias consequências graves como endividamento, inadimplência, baixa qualidade de vida e dificuldade em lidar com as pressões do marketing no dia-a-dia. Segundo a American Marketing Association, o marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração de relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado. O objetivo principal do marketing é atrair, criar e satisfazer necessidades e manter os clientes fidelizados. O marketing está por toda a parte. Formal ou informalmente, pessoas e organizações envolvem-se em um grande número de atividades que poderiam ser chamadas de marketing. O bom marketing tem se tornado um ingrediente cada vez mais indispensável para o sucesso nos negócios. O marketing afeta profundamente nossa vida cotidiana e está em tudo o que fazemos. Os consumidores estão sendo bombardeados todos os dias com promoções, novas ofertas, produtos inovadores, preços competitivos e convencidos de que precisam consumi-los para estarem atualizados, felizes e passarem uma imagem para a sociedade de que estão adquirindo produtos sofisticados e na moda, como bolsas, calçados, roupas, perfumes e tecnologia para ter status e conseguir estar nos padrões de beleza que a sociedade impõe. Por isso, as pessoas compram cada vez mais, não conseguem gerenciar seus recursos financeiros, acabam entrando no vermelho e trabalhando para pagar contas e dívidas. No mês de julho de 2014 foi realizada uma pesquisa pela Confederação Nacional do Comércio em vários estados do Brasil para avaliar o endividamento, inadimplência e acompanhar no nível de comprometimento do consumidor com suas dívidas e sua percepção em relação a sua capacidade de pagamento. A pesquisa mostrou que 63% das famílias relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro e 19% das pessoas com dívidas ou contas em atraso. O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,6% das famílias endividadas, seguido por carnês, para 16,3% e, em terceiro, por financiamento de carro, para 13,2%. Isso mostra como a influência do marketing faz com que as pessoas comprem produtos e serviços mesmo sem ter recursos para pagar de imediato. A pressão pelo consumo constante, disponibilidade de crédito, facilidades de pagamento e a falta de planejamento financeiro das pessoas colaboram diretamente para o endividamento que posteriormente leva a problemas familiares, de saúde, à depressão e à falta de sucesso na carreira. Cabe ao consumidor analisar se é realmente necessário adquirir um produto ou serviço diante das ofertas e promoções que o mercado apresenta todos os dias. Jorge Felipe Miguel Administrador de Empresas 08

11 Henriette Simões Acidente de trabalho: Uma triste realidade brasileira O trabalho é definido como um conjunto de atividades realizadas, é o esforço (físico ou mental) feito por indivíduos, com o objetivo de atingir uma meta ou realizar alguma coisa. Mas sabemos que o trabalho significa muito mais que isso, representa família, sustento, realização profissional, realização pessoal, identificação do eu (autoimagem), status, prestígio, obtenção de rendimentos necessários, atividade ocupação, contato social, utilidade a sociedade, auto-realização, cumprimento das regras sociais como direitos e deveres. Infelizmente no ano de 2013, para famílias de trabalhadores brasileiros, o trabalho significou a morte de um familiar - acidentado durante atividade laboral, e para trabalhadores brasileiros o trabalho significou acidente no trabalho, sequencialmente: reabilitação ao trabalho ou afastamento. Define-se como acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, permanente ou temporária, que cause a morte, a perda ou a redução da capacidade para o trabalho. Consideram-se acidente do trabalho a doença profissional e a doença do trabalho. Os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) colocam o Brasil como quarto colocado no ranking mundial de acidentes fatais de trabalho, perdendo apenas para China, Estados Unidos e Rússia. E porque somos o 4º lugar em relação ao número de mortes em acidentes relacionados ao trabalho? A teoria da multicausalidade pode explicar o que acontece no Brasil. Esta implica que um único acidente não é causado por ato inseguro do trabalhador ou condição insegura, mas por diversos fatores contribuintes, causas e sub-causas, e a combinação destas resulta em acidente. Os fatores contribuintes são agrupados em duas categorias, o fator comportamental e o fator ambiental. O fator comportamental é pertinente ao empregador e empregado, distorção de valores e princípios de segurança, isto é, uma falta de cultura preventiva, falta de capacitação para a função, condições mentais e físicas inadequadas (saúde precária do trabalhador). E o fator ambiental refere-se à ineficiência de controlar os perigos nos elementos de trabalho: como um levantamento dos perigos e riscos inadequados, medidas de controle coletivas inexistentes, não conformidade legal, procedimentos operacionais inseguros, ausência de local digno de alimentar-se e higienizar-se no ambiente de trabalho. E o que fazer para reduzir os índices apresentados? O fato é que o Brasil é um país com déficit na Cultura de Prevenção. Portanto, a solução em longo prazo é educar, isto é, iniciar as nossas crianças em atitudes de prevenção: segurança em casa, segurança nas brincadeiras, segurança na escola, segurança no transito, segurança na rua, enfim um educar com exemplos preventivos, pois nossas crianças de hoje, serão nossos trabalhadores de amanhã, e criança educada com segurança será um trabalhador consciente. Henriette Simões: Coordenadora do Curso de Engenharia de Produção -FAC- SUM Engenheira de Produção e Segurança do Trabalho Mestranda em Saúde e Segurança do Trabalho - OIT 09

12 Luzia Helena Vale Fonseca Alfabetizar adultos: Um relato de experiência Em 2013, comecei a atuar como estagiária do curso de Pedagogia da Facsum na Educação de Jovens e Adultos EJA, em um Projeto intitulado EDUCAÇÃO E SAÚDE: uma proposta de alfabetização e letramento para pacientes analfabetos, sob a orientação da coordenadora do Curso de Pedagogia Claudia Costa e da professora Sandra Sueli. No dia 10 de setembro tive o primeiro contato com os alunos. Logo nesse primeiro encontro pudemos verificar nesses alunos a carência de afeto, e principalmente o desejo estampado no olhar de cada um em saber ler e escrever. O principal objetivo do projeto era que os alunos/pacientes se tornassem sujeitos autônomos principalmente no que diz respeito ao seu tratamento de saúde. Porém, com o desenvolvimento das aulas Quebras de barreiras e paradigmas, hoje temos uma sala com alunos ativos e críticos, embora dentro das limitações individuais, já que por serem adultos trazem consigo além da experiência de vida um trauma muito negativo do ser analfabeto. Os alunos atendidos pelo projeto têm entre 51 e 80 anos de idade, muitos destes quando iniciaram o curso de alfabetização não escreviam nem o próprio nome. Dos que escreviam, poucos reconheciam as letras que compunham seu nome e uma minoria teve seu processo de alfabetização iniciado quando criança conhecendo um pouco mais as letras. Aos poucos, as dificuldades foram sendo vencidas e o medo de falar passou a dar espaço a uma aula dinâmica e participativa, onde passaram a emitir sua opinião e a interagir de forma expressiva nas aulas. Hoje, depois de quase um ano de trabalho, tivemos muitos progressos. Temos alunos que já leem com certa fluência, alunos que antes não reconheciam as letras e hoje, embora não leiam um texto, já leem as palavras e todos fazem as atividades que lhes são propostas. Cada sorriso dos alunos ao entenderem os conteúdos aplicados, cada vitória alcançada nas atividades propostas, só ressalta o quanto o saber ler e escrever é importantes para eles. Isso nos faz refletir sobre o modo como a maioria da juventude encara a educação de forma descompromissada e sem propósito. Nessa modalidade de ensino existe uma constante troca de experiências com aqueles que estamos dirigindo. Aprendemos com eles, somos motivados por eles e passamos a valorizar mais ainda a nossa profissão. Minha experiência profissional com a EJA está sendo extremamente enriquecedora das minhas ações e práticas como futura profissional da educação e como ser humano Trabalhar na EJA está sendo uma experiência bastante motivadora, apaixonante e empolgante, fazendo com que eu reflita constantemente sobre como deve ser a prática docente e como a educação é agente transformadora da realidade que nos cerca. Luzia Helena Vale Fonseca: Aluna do 6º Periodo do Curso de Pedagogia Facsum Integrante da Equipe de Educação que atua voluntariamente no projeto EDUCAÇÃO E SAÚDE: uma proposta de alfabetização e letramento para pacientes analfabetos, sob a orientação das Professoras: Cláudia Otelina da Costa Sandra Sueli Fonseca Lauro na Fundação IMEPEM. 10

13 Telma Geovanini Saúde, Qualidade de vida e espiritualidade Atualmente a relação entre saúde, espiritualidade e qualidade de vida vem sendo estudada por pesquisadores internacionais e nacionais através de inúmeros estudos científicos com rigor metodológico e instrumentos confiáveis, demonstrando que estes aspectos não são excludentes, mas complementares e inerentes à própria existência humana, e que é possível a convivência pacífica entre as inovações tecnológicas e a evolução científica da saúde com a espiritualidade. Buscando desvelar este fenômeno, Panzini et al (2007) realizaram um estudo científico, cuja metodologia consistiu de revisão sistemática com os descritores do tema-título - qualidade de vida, espiritualidade, religiosidade, instrumentos de avaliação - nas bases de dados PsycINFO e PubMed/Medline entre 1979 e Neste estudo informam que existe abundância de dados sobre o impacto da religiosidade na vida das pessoas e que há indícios consistentes de associação entre qualidade de vida e espiritualidade/religiosidade. Ao depararmos com esta realidade, podemos afirmar que a parede entre medicina e espiritualidade está ruindo: médicos e demais profissionais de saúde têm descoberto a importância da prece, da espiritualidade e da participação religiosa na melhoria da saúde física e mental, bem como para responder a situações estressantes de vida (EPPERLY, 2000; pág 2). Em uma releitura do curso da história, Foucault (2001) retrata o nascimento da clínica moderna e a medicalização (século XVIII) como processo coletivo e histórico paralelo ao da ordem social capitalista, onde os dois pólos saúde e sociedade estabeleceram relações de mútua determinação, apoiadas no cartesianismo. Sob o ponto de vista cartesiano, reducionista, a razão é a única coisa verdadeira da qual se deve partir para alcançar o conhecimento dos processos do corpo, da saúde e da doença. Por meio da medicalização a pessoa doente se torna objetificada a partir de uma verdade que se pressupõe um saber legitimado sobre uma determinada espacialidade corporal. Contrariamente ao pensamento cartesiano, é importante considerar em nossos pacientes seu traço cultural, suas crenças, espiritualidade, religiosidade e filosofia de vida e até mesmo o fundamento de cura proposto por sua religião, pois tais indicadores terão influência no processo saúde-doença e na sua qualidade de vida (MACHADO, 2010). Esse novo paradigma deverá repercutir diretamente na formação dos profissionais de saúde dos cursos de graduação, contribuindo para que contemplem a visão holística do cuidado, a humanização da assistência, o acolhimento e a valorização da relação ética e humanística. Referências Bibliográficas: PANZINI, R.G.et all. Espiritualidade/ religiosidade e qualidade de vida. Rev. Psiq. Clín. 34, supl 1; , EPPERLY, B.G. - Prayer, process, and the future of medicine. Journal of Religion and Health 39(1):23-37, FOUCAULT Michel. O Nascimento da Clínica. 5 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, MACHADO, WCA. Reflexão sobre a prática profissional do enfermeiro. In GEOVANINI, et al. História da Enfermagem: Versões e Interpretações. 3 ed., RJ: Revinter, p Telma Geovanini Coordenadora do Curso de Enfermagem da Facsum de Juiz de Fora Graduada em Enfermagem e Obstetrícia UNIRIO Mestre em Enfermagem - UNIRIO Especialista em Pesquisa e Assistência de Enfermagem UNI- RIO Especialista em Enfermagem Pediátrica UFRJ Especialista em Plantas Medicinais UFLA-MG 11

14 Cláudia O. da Costa O uso da tecnologia como recurso didático pedagógico: a busca pela inovação no espaço da sala de aula Bianca Titoneli Na era da informação em tempo real, da cibercultura¹ e do mundo globalizado, não podemos fechar os olhos para a atual realidade escolar, precisamos repensar os processos metodológicos bem como os espaços de aprendizagem. Não nos restam dúvidas de que a escola se tornou um espaço engessado, obsoleto e sem atrativos, onde não vem atendendo as características deste universo digital. Há um debate intenso sobre o papel da escola frente a essa nova demanda e como tornar o espaço escolar atrativo, produtivo, interessante e rico em aprendizado. Essa nova conjectura deve começar a ser modificada no espaço da sala de aula, com o envolvimento do professor neste processo de mudança, sendo ele mediador e ator deste processo junto aos seus alunos. Temos hoje em um número expressivo de laboratórios de informática nas escolas públicas e particulares, softwares que auxiliam e estimulam o processo de aprendizagem em diversas áreas, tablets educacionais financiados pelo Ministério da Educação em parceria com os municípios, enfim, recursos que podem e devem dinamizar o espaço da sala de aula e prioritariamente o processo de aprendizagem. Indiscutivelmente para que haja essa mudança no espaço escolar, o educador deve conhecer os recursos e saber usá-los como ferramenta didático-pedagógica. Esse saber usar deverá estar atrelado à pesquisa e à melhoria a própria prática. Tornar o ambiente da sala de aula atrativo será sempre um desafio, pois a clientela escolar vem se modificando no mesmo passo que a tecnologia. O processo de ensino e aprendizagem tem que ser encarado hoje sem muros, além dos livros didáticos e do conhecimento do professor; ele é de acesso a todos a qualquer momento, pois a autonomia dos estudos está posta neste mundo digitalizado e cabe aos educadores instrumentalizarem seus educandos a utilizarem com competência e eficiência tais recursos tendo como foco o aprendizado. ¹Segundo Pierre Lévy, cibercultura reflete a universalidade sem totalidade, algo novo se comparado aos tempos da oralidade primária e da escrita. É universal porque promove a interconexão generalizada, mas comporta a diversidade de sentidos, dissolvendo a totalidade. Pedagoga, Mestre em Educação Coordenadora do Curso de Pedagogia e professora da FACSUM e Secretária Municipal de Educação do Município de Chácara. Ética e moral: da sociedade para as empresas Ética provém do grego ETHOS que se traduz como forma ou modo de ser, enquanto moral se origina do Latim MO- RES que representa os costumes do homem. Diante de leis e sociedade surge a necessidade de se manter, se comunicar e principalmente se relacionar, mas como reagir às tais necessidades? Apesar de toda influência que recebemos é importante o reconhecimento do indivíduo como um ser moral. Em primazia, ética é aquilo que rege o comportamento humano, que está diretamente ligado ao que se deve ou não fazer. De acordo com Cortella (2007), ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para decidir as grandes questões da vida e definirmos nossa conduta, e caso fuja desse contexto, o ser se torna imoral. Para a concepção de moral, nota-se o direto relacionamento com o comportamento e a adequação a ética. A ética está vinculada ao estudo de valores humanos que conduzem o comportamento humano na vida em tabus e convenções legitimados por cada sociedade. Segundo Cortella (2007), ética é aquilo que te diz se você deve, pode, quer e ainda obterá paz de espírito. No sentido prático, tanto a ética quanto a moral determinam o comportamento em sociedade, além do caráter, altruísmo e virtudes. Essas características também estão presentes na ética profissional, que agrega o cumprimento de tarefas da profissão de acordo com as diretrizes do grupo de trabalho e da sociedade. Buscando auxiliar os novos administradores, percebe-se a importância da definição de ética e moral de forma fundamental. Com base na formação de administradores com foco empresarial, torna-se prudente o entrelaçamento entre moral e ética empresariais, lembrando que a moral é o comportamento em relação à ética, sendo esta a concepção de conduta humana. Bianca Titoneli Aluno 5º período curso de administração 12

15 Patrícia Mara de Souza Um recurso estratégico chamado conhecimento As empresas inseridas na atual sociedade da informação promovem constantes mudanças na forma de gerir seus recursos. A humanidade se desenvolve pelo conhecimento adquirido através da aprendizagem, e neste contexto o ser humano está no centro das atenções. Hoje se faz ainda mais necessário gerir este recurso estratégico chamado CONHECIMENTO, principalmente no âmbito organizacional. A gestão do conhecimento é a base do processo de inovação, sendo considerada uma nova prática gerencial que visa ampliar a competitividade das empresas. O conhecimento (tácito e explícito) encontra-se principalmente nas pessoas. Neste sentido, a gestão do conhecimento faz parte do trabalho de todos os funcionários. Para que esta gestão ocorra com excelência, a empresa deve criar um ambiente propício desenvolvendo treinamentos, contratando e retendo talentos, promovendo benchmarking, pesquisas, parcerias, etc. A principal vantagem deste novo modelo de gestão é que todos saem ganhando: empresa e funcionários. O funcionário adquire novos conhecimentos e amplia a sua visão de mundo; já a empresa, com a inovação contínua gerada pelo conhecimento, cria vantagem competitiva. As organizações aprendem através das pessoas. Vale ressaltar, porém, que o conhecimento só traz efetivamente competitividade à empresa quando está presente no grupo e não somente em um único indivíduo. O conhecimento coletivo é o alicerce da competitividade. Logo, para que as empresas sejam competentes na gestão do conhecimento exige-se uma mudança cultural na sua forma de criar, adquirir, compartilhar e reter o seu conhecimento. Curso de Administração Autora: Patrícia Mara de Souza Moisés Rebert Eveling A desmotivação afeta os resultados organizacionais Quando se fala sobre qualquer assunto que envolva o ser humano, depara-se com a grande complexidade de cada indivíduo. Quando um indivíduo nasce, ele ainda não possui gostos, crenças, religião, sonhos e desejos. À medida que vai crescendo começa a formar suas próprias opiniões. Quando chega a uma determinada idade ele faz suas escolhas conforme o caminho que ingressou e, neste contexto, geralmente, o indivíduo já esta inserido no mercado de trabalho, levando consigo tudo o que passou e viveu, o que automaticamente reflete em sua conduta dentro das organizações. Quando se fala em comportamento é preciso que as organizações se atentem ao indivíduo, de forma que seus valores sejam respeitados e aproveitados, para que, agregado à identidade organizacional, proporcione um crescimento sustentável tanto para a organização quanto para o colaborador. As pessoas são diferentes no que se refere à motivação: as necessidades variam de indivíduo para indivíduo, produzindo diferentes padrões de comportamento. Cada indivíduo possui necessidades específicas que quando não são atendidas ou não existe uma manutenção ativa dessas necessidades por parte da organização, tende a refletir na queda da produtividade do colaborador. É importante destacar que a desmotivação das pessoas nas organizações não está diretamente ligada apenas às questões salariais ou se a empresa possui ou não um plano de cargos e salários. Vai muito além. As pessoas querem reconhecimento, status, se sentirem confiantes, responsáveis, desenvolvidas, sentirem-se importantes para aquele negócio, cabendo aos dirigentes e a seus líderes desenvolverem seus colaboradores e criar formas de motivá-los. Para que a organização tenha bons resultados é necessário que a mesma busque também o crescimento da sua força de trabalho, sabendo que a motivação dentro do ambiente corporativo tem um papel fundamental na melhoria dos resultados organizacionais. Autor: Moisés Rebert Eveling Aluno 8º período curso de administração 13

16 Itiene Soares Pereira Resiliência e estratégia competitiva Na atualidade, uma das principais competências das pessoas mais bem sucedidas é a capacidade de lidar com a mudança. Constantemente, no trabalho, na família, nos grupos a que pertencemos, somos demandados a administrar nossas emoções em virtude de novas situações. Para não deixar-se abater com todas essas demandas, torna-se fundamental desenvolvermos a capacidade de gerar flexibilidade. Nesse sentido cabe uma analogia com a propriedade de uma substância retornar à sua forma original quando a pressão é removida. Trata-se da resiliência. Como não estamos falando de substâncias, mas de seres humanos, a resiliência, nesse sentido, é a habilidade de retornar rapidamente ao estado mental saudável depois de sofrer uma doença ou passar por dificuldades. Nas nossas relações de convívio cotidiano é fácil identificarmos as pessoas resilientes: são aquelas com capacidade de vencer dificuldades e obstáculos, ainda que sejam fortes ou traumáticos. Diante disso, a presença de profissionais resilientes em uma equipe de trabalho torna-se, indubitavelmente, um diferencial competitivo para a organização, de forma que, além de ter conhecimento sobre esse potencial, o departamento de Recursos Humanos (RH) da empresa precisa saber utilizá-lo a favor do negócio. No processo de seleção, quer seja na identificação de profissionais para participarem de determinados projetos, quer seja nos próprios treinamentos, é imprescindível que os gestores, principalmente os de RH, tenham discernimento para identificar os profissionais que dispõem dessa habilidade, sendo, portanto, capazes de fazer com que as metas organizacionais sejam alcançadas. A resiliência consiste numa série de caracteres entre os quais se destacam: administrar as emoções, tendo habilidade para se manter calmo, mesmo sob pressão; ter controle sobre os impulsos e as emoções, com tendência a agir de forma ponderada e planejada; ser otimista quanto às situações embaraçosas, acreditando no futuro e na possibilidade de mudança; ter habilidade de analisar o ambiente, identificando problemas e possíveis soluções; ser empático e capaz de identificar o estado emocional de outras pessoas; ser convicto da própria eficácia; ser capaz de alcançar pessoas, estabelecendo contatos na solução de problemas. Embora a situação seja a mesma, cada indivíduo avalia determinada experiência a partir de um ponto de vista diferente. Sendo assim, o comportamento de cada pessoa depende de como ela sente ou pensa. Caso pensamentos e sentimentos sejam disfuncionais, ou seja, não contribuam para que o sujeito tenha um comportamento favorável diante das intempéries da vida, isso pode e deve ser trabalhado com a ajuda de um psicólogo. Afinal, as pessoas que dispõem de tal habilidade tendem a ser mais saudáveis pela própria capacidade de se refazer e se renovar, quaisquer que sejam as dificuldades. Tendo esse suporte, ganha o indivíduo, a família e as organizações. Professora Itiene Soares Pereira Psicóloga Clínica e Organizacional Mestre em Educação Especialista em Recursos Humanos e Psicologia MBA em Marketing e Negócios MB em Gestão Empresarial 14

17 Maria Leopoldina O cinema como arte na escola Embora a escola seja a instituição onde impera a regra e onde o desejável parece ser a conformação do indivíduo ao que já está posto, não é só inegável como necessário pensar o lugar da arte na escola. Para Ernest Fischer (2007) temos necessidade da arte, pois é ela que nos auxilia a compreender a realidade e a partir dessa compreensão nos possibilita transformá-la. Não se pode ainda negar o seu caráter mágico e o seu poder de subversão. Alain Bergala (2008) convoca-nos a pensar que a arte não se ensina, mas se encontra se experimenta e que enquanto o ensino se ocupa da regra, a arte deve ocupar um lugar de exceção. Pensar o cinema como arte na escola representa abrir brechas no cotidiano das regras escolares para que alunos e professores possam viver aquilo que o autor francês denomina de alteridade radical. Não podemos mais pensar o cinema na escola apenas pelo aspecto ilustrativo de seu conteúdo imagético. Também não cabe mais a visão do professor como decodificador ou explicador do filme, visto que as pessoas já possuem certa cultura audiovisual, seja ela via TV ou internet. A questão é que longe de representar uma cultura do olhar que possibilite analisar com mais clareza a realidade, o que temos é uma cultura polifônica de imagens em que a profusão de informações com as quais somos bombardeados diuturnamente nos impede de pensar. Essa explosão de imagens nos distrai enquanto espectadores impedindo a reflexão e levando-nos muitas vezes ao ver sem enxergar. Esse contexto exige de nós, enquanto sujeitos implicados no processo educacional, pensarmos o papel pedagógico da arte e mais especificamente do cinema na escola. Se o cinema que nos interessa é o cinema como arte, ou no dizer de Bergala (2008), pensar o filme como a marca de um gesto de criação, não apenas como um objeto de leitura, que deve ser explicitado, decodificado, explicado, mas, cada plano como a pincelada do pintor pela qual se pode compreender um pouco o seu processo de criação, necessitamos pensar outras abordagens para trabalhá-lo na escola. Temos de pensar na estética em sentido largo, como modos de percepção e sensibilidade, a maneira pela qual os indivíduos e grupos constroem o mundo. É um processo estético que cria o novo, ou seja, desloca os dados do problema. (RANCIÈRE, 2010)¹ Pensar o cinema nesse sentido largo que nos traz Rancière é um desafio para a escola e os professores. Pensar o cinema na escola como um processo que cria o novo (RANCIÈRE, 2010), como exercício de alteridade (BERGALA, 2008) e como atividade criadora (VIGOTSKI, 2009), parece-me uma possibilidade de proporcionar a alunos e professores uma forma outra de outra de conceber e trabalhar filmes na sala de aula. ¹In: Referências BERGALA, Alain. A hipótese-cinema: pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola. Trad. Mônica Costa Netto, Silvia Pimenta. Rio de Janeiro: Booklink, CINEAD-LISE-FE/ UFRJ, FISCHER, Ernest. A necessidade da arte. Trad. Leandro Konder. Rio de Janeiro: LTC, VIGOTSKI, Lev S. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Ática, Maria Leopoldina (Dina) Pereira/ Professora do curso de Pedagogia/FACSUM/ Graduada em Pedagogia/UFJF/ Especialista em Alfabetização e Linguagem/ Mestre em Educação/ UFJF/Doutoranda em Educação/UFRJ 15

18 INOVE Inove Consultoria Jr. A INOVE Consultoria Jr. é a Empresa Júnior (EJ) da FACSUM/FJF. Atualmente, nossa equipe é formada por alunos universitários dos cursos de Administração e Processos Gerenciais. Nosso objetivo principal é ser o primeiro passo para a conquista do sucesso profissional dos alunos, pois aqui eles se tornam mais preparados para competir no mercado de trabalho, através dos cursos de capacitação, visitas-técnicas e o despertar de uma nova visão voltada para o mundo dos negócios. Confira alguns de nossos projetos realizados pela gestão Transcender, que envolveram alunos da faculdade, parcerias e professores: te borbulhante de novos negócios é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para os alunos. CURSOS DE INVERNO: Sempre nas férias de Julho, a INOVE busca aquecer o inverno, oferecendo cursos aos estudantes e à comunidade. São os CURSOS DE INVERNO, assim os alunos voltam com tudo para o segundo semestre da faculdade, além de estarem mais preparados para o mercado de trabalho. Desta vez, trouxemos 10 cursos com temas variados como Direito Trabalhista, Calculadora HP12C, Inglês Instrumental, Planejamento de Carreira, entre outros. Para ficar por dentro de tudo o que acontece na INOVE, Curta-nos no Facebook! Fb.com.br/inovejr. Você conhece o INFORMATIVO INOVE? Criamos uma revista eletrônica especialmente para os estudantes! Para acessá-lo, vá à caixa de da sua turma e confira! 15

19 VISITA-TÉCNICA CERVEJARIA BOHEMIA Com vagas esgotadas em apenas 3 dias, nossa visita técnica à Cervejaria Bohemia na belíssima cidade de Petrópolis foi um sucesso. Em um dos maiores centros cervejeiros do mundo, conhecemos cada passo da fabricação da cerveja, passando pela história da cervejaria, até a moderna fábrica. Para finalizar, degustamos a deliciosa cerveja Bohemia. Após a visita, aproveitamos para conhecer os pontos turísticos da cidade. Inês Gouvea: VERIFICAR Professora Empreendedorismo Inove Consultoria Jr. 17

20 Scherliton Graveli O abandono afetivo e as suas controvérsias O tema abandono afetivo tem ocupado as primeiras cadeiras nas discussões jurídicas atuais, mormente, depois do julgamento do Resp. nº SP, no qual a Ministra Nancy Andrighi cunhou a expressão amar é faculdade, cuidar é dever. E não era pra menos, pois além de elementos constitucionais e de família, o tema passa pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e, claro, pela responsabilidade civil. Por óbvio, não se pretende aprofundar em nenhum desses ramos do Direito e muito menos esgotar o tema, senão incitar a reflexão e a busca de maior cautela no tratamento de algo tão complexo e delicado. Segundo o jurista Paulo Lôbo, abandono afetivo nada mais é que inadimplemento dos deveres jurídicos da paternidade. No mesmo sentido, é o entendimento da doutrina e da jurisprudência brasileiras, ou seja, estaria configurado o instituto quando o pai, que não convive com a mãe, contenta-se em pagar alimentos, privando o filho de sua companhia. Por essa razão, em muitos manuais e decisões judiciais é recorrente o uso da expressão sinônima abandono paterno-filial. Princípios como a dignidade da pessoa humana, solidariedade, bem como, a teoria do desamor, são os argumentos que mais norteiam as decisões judiciais que condenam a figura paterna ao pagamento de indenizações. Entretanto, três observações são importantes, pois nem sempre são enfrentadas, permanecendo boa parte delas na escuridão. Primeiro, é de causar espanto a forma indiscriminada como vem sendo aplicado o princípio da dignidade da pessoa humana. Se o caso é complexo e difícil, lança-se mão do postulado e a questão é resolvida. É quase uma carta coringa. Da mesma forma que os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, a dignidade da pessoa humana vem constituindo salvo-conduto para decisões temerárias. Segundo, a teoria do desamor que, em linhas gerais, cuida da reparação do abandono afetivo, vem sendo aplicada, sem que, contudo, haja acompanhamento de equipe multidisciplinar (psicólogo e assistente social) no caso concreto, o que é no mínimo preocupante, pois denota a tentativa de elevar o Direito ao grande solucionador de todos os problemas sociais. E terceiro, é que na imensa maioria dos casos em que restou configurado o dano moral, este foi decorrente do abandono material. Houve ausência paterna na assistência a educação, saúde, alimentação, dentre outros, constituindo o ato ilícito. Deste modo, a falta de prestação dos deveres de ordem material reverbera em outro ato ilícito, o de ordem moral, ou melhor, o não cumprimento da obrigação patrimonial é ensejo do sofrimento moral do incapaz. Não se pode compelir o indivíduo sob pena de sanção pecuniária a amar. Amar é faculdade, cuidar é dever. Expressão de difícil entendimento quando se tenta imaginar como se cuida sem amor ou como se ama sem cuidar. Cuidar e amar são palavras que só têm sentido se aplicadas em conjunto, conquanto o judiciário tente separá-las. Entendemos ser possível a aplicabilidade da teoria do desamor, desde que os danos materiais estejam presentes na demanda, na medida em que os danos morais seriam reflexos daqueles. Porém, a utilização da dignidade da pessoa humana como fundamento deve seguir acompanhado da aplicação fungível da razoabilidade-proporcionalidade.. Scherliton Graveli: Aluno do 10º período de Direito- Facsum 18

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