Encantos de Mojuí dos Campos

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1 Encantos de Mojuí dos Campos Rosiane Maria da Silva Coelho 1. Justificativa O município de Mojuí dos Campos está localizado no oeste do Estado do Pará. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa cidade tem aproximadamente habitantes. O comércio e a agricultura cultivo de maracujá, mamão, mandioca e abacaxi são a base da economia dessa região. Mojuí é um município recém-emancipado (janeiro de 2013) e, apesar de ainda desprovido de alguns serviços, o turismo, por exemplo, apresenta grande potencial para essa atividade, já possui em sua programação cultural inúmeros eventos, como a Festa da Integração Nordestina, os festivais do abacaxi, do mamão, do maracujá, entre outros, isso sem mencionar os vários igarapés de águas geladas e transparentes propícios a inesquecíveis passeios. Mesmo com toda essa potencialidade para o turismo, percebeu-se, em rodas de conversas, na sala de aula, que grande parte dos alunos demonstra um sentimento negativo em relação ao município em que vive, ou seja, eles não gostam da cidade e não se sentem pertencentes a ela. Foi a partir dessa observação e também por causa da variedade de festas e das belezas naturais, mencionadas pelos estudantes do 2ºano matutino da Escola Estadual de Ensino Médio Governador Fernando Guilhón, que surgiu o projeto Encantos de Mojuí dos Campos, cujo objetivo principal é divulgar eventos festivos e pontos turísticos dessa cidade, tanto aos seus moradores quanto aos visitantes, por meio da produção escrita de um Fôlder turístico (gênero principal) para Mojuí. E também para resgatar o sentimento de pertença nos jovens estudantes. Para desenvolver os objetivos propostos no projeto optou-se por uma sequência didática que incluirá em suas oficinas, além do Fôlder como gênero principal, os 1

2 gêneros escolares (secundários) exercícios, anotações no caderno, questionários, resumos, discussão oral, seminário, textos informativos e entrevista. Objetivo geral Estimular a leitura e a produção escrita de um fôlder turístico para a cidade de Mojuí dos Campos. Objetivos específicos pesquisar e conhecer os pontos turísticos da cidade; usar procedimentos de estudo, como resumir, fichar e registrar informações e descobertas; participar de discussões, exposições orais, rodas de conversa e debates; fazer uso de recursos tecnológicos, como celular e máquina fotográfica, para registro de imagens; utilizar o computador para a diagramação dos textos, assim como para as apresentações dos dados coletados nas entrevistas com moradores. 2. Fundamentação teórica Ainda há uma tendência didática entre educadores de língua portuguesa que limita o ensino apenas ao aspecto formal e estrutural da língua. Contrariando essa prática tradicional, o ensino deve ser funcional, com propósitos reais de comunicação; caso contrário, além de anular as vozes dos nossos alunos, também estaremos limitando a capacidade linguística deles, porque a verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas, nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui, assim, a realidade fundamental da língua (Bakhtin, 1999, p. 23). Alguns documentos orientadores, entre os quais os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), já apontam para a importância de tornar os alunos capazes de agir discursivamente em diferentes situações reais de comunicação. Assim, o projeto Encantos de Mojuí dos Campos surgiu com base na necessidade de tornar a atividade da escrita significativa como atividade social voltada para o contexto sociocultural dos estudantes. E por isso baseia-se na concepção sociointeracionista que tem como objetivo fundamental propiciar aos alunos contextos reais de uso da linguagem. As propostas desse projeto foram construídas com base num ensino pautado no gênero textual Fôlder turístico, pois, segundo Dolz e Schneuwly (2004), os gêneros textuais são instrumentos necessários para agirmos discursivamente (falar/escrever) nas 2

3 diversas esferas da sociedade. A situação de comunicação em que o locutor-enunciador se encontra é que determina o tipo de gênero textual mais adequado. Produzir o fôlder turístico da cidade de Mojuí dos Campos, além de estabelecer uma conexão entre a escola e a comunidade circunvizinha, por meio da valorização dos eventos festivos e dos pontos turísticos, proporcionará o uso da linguagem para fins reais, ou seja, ampliará a capacidade linguística dos alunos para interagir como sujeitos atuantes, como protagonista do lugar em que vivem. 3. Pré-projeto de práticas de letramento em sala de aula 3.1. Sequência didática Objetivos a) analisar e identificar aspectos linguísticos e discursivos na composição do fôlder turístico; b) elaborar um fôlder turístico observando as características peculiares desse gênero. Conteúdos a) leitura e escrita de fôlder turístico; b) expressões descritivas; c) adjetivo, verbo (tempo e modo verbal); d) linguagem verbal e não verbal. Ano 2º- ano do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Médio Governador Fernando Guilhón. Tempo estimado 16 aulas Material necessário papel, canetas, cadernos, régua, lápis; cópias de textos informativos, questionários; cópias de fôlder turístico; computador, pendrive, Datashow; tecidos; cola branca, cola de isopor, tesouras, fitas adesivas; celulares, máquinas fotográficas. 3

4 3.2. Desenvolvimento 1ª- etapa Organize a turma num semicírculo. Em seguida, pergunte aos alunos sobre o lugar onde vivem: como é o lugar, se gostam de residir na cidade, quais são os pontos positivos e negativos da cidade onde residem. Anote as respostas no quadro. 2ª- etapa Apresente alguns fôlderes e explique a função deles. Peça aos alunos que os leiam e conversem sobre: a) o contexto de produção. Quem é o autor do texto? Quem é o público-alvo? Para que serve esse texto? Qual a função das imagens? Qual é o suporte desse texto? Onde circulam? b) o conteúdo temático. Sobre o que trata o texto? c) a organização estrutural. Como o texto se organiza no papel? Há título? Imagens? Cores? Como são as letras? d) a composição gramatical. Quais são as expressões predominantes no fôlder? Qual a classe gramatical predominante? Qual o tempo e o modo verbal predominantes? Ao final da conversa, pergunte aos alunos o que aprenderam sobre o fôlder turístico. Anote na lousa tudo o que foi aprendido e peça aos alunos que registrem no caderno. 3ª- etapa Divida a turma em grupos de quatro ou cinco alunos para que entrevistem alguns moradores sobre os principais eventos festivos e lugares turísticos e coletem imagens da cidade. Cada grupo deverá apresentar para a classe as informações obtidas nas entrevistas. 4ª- etapa Solicite aos alunos que formem duplas para produzirem a primeira versão do fôlder. Oriente-os quanto à situação e aos aspectos sociodiscursivos da produção. O quê? Para quem? Com qual finalidade? Onde o fôlder circulará? 5ª- etapa Organize uma revisão coletiva da primeira versão do texto. Utilize a produção de um aluno, com prévia autorização dele e sem o nome do autor. Chame a atenção para os aspectos discursivos e gramaticais presentes no texto. 4

5 6ª- etapa Proponha a reescrita em duplas com base numa ficha com critérios discursivos e linguísticos para o gênero Fôlder turístico. 7ª- etapa Leve os alunos à sala de informática para digitar, incluir imagens e aprimorar a produção final. 8ª- etapa Organize os grupos para exposição do fôlder turístico na Feira do Conhecimento da Escola e/ou em espaços públicos do município Produto final Exposição do fôlder turístico Avaliação Faça registros da evolução e retrocessos em relação às atividades orais e escritas. Observe a adequação do texto produzido pelos alunos, atentando tanto aos aspectos relacionados à função comunicativa como aos linguísticos. 4. Bibliografia BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 9ª- ed. São Paulo: Hucitec, BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Ensino Médio. Brasília: MEC/Semtec, DAHER, V. Guia megazine de profissões. Rio de Janeiro: Ediouro/O Globo, 2007, pp DOLZ, J. et al. Ensinar a produção escrita, in: Produção escrita e dificuldades de aprendizagem. Campinas: Mercado das Letras, DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, KLEIMAN, A. B. Preciso ensinar o letramento? Não basta ensinar a ler e a escrever? Campinas: Cefiel/Unicamp; Brasília: SEB/MEC, RANGEL, E. O.; GARCIA, A. L. M. A Olimpíada de Língua Portuguesa e os caminhos da escrita na escola pública: uma introdução. Cadernos Cenpec, v. 2, nº- 1, jul., 2012, pp ROJO, R. H. R. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, SOUZA, A. L. Letramentos no ensino médio. São Paulo: Parábola Editorial, WACHOWICZ, T. C. Análise linguística nos gêneros textuais. São Paulo: Saraiva,

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