Palavras-chave: Transição acadêmico-profissional; formação em Psicologia; mercado de trabalho.

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1 1 FORMAÇÃO, INSERÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL NA PERSPECTIVA DOS EGRESSOS DE UM CURSO DE PSICOLOGIA. BOBATO, Sueli Terezinha, Mestre em Psicologia pela UFSC, Docente do Curso de Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, STOCK, Claudia Meriane, Graduanda do Curso de Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, SILVA, Luciane Kaiser da, Graduanda do Curso de Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, e- mail Eixo: Transição Universidade - Mercado de trabalho Universidade Resumo: Esta pesquisa investigou a percepção de egressos de um Curso de Psicologia sobre seu processo de formação, inserção e atuação profissional. O estudo utilizou-se de combinação metodológica entre a abordagem quantitativa e qualitativa, envolvendo 19 egressos. O instrumento de coleta de dados foi um questionário semi-estruturado, respondido virtualmente. Os dados foram analisados a partir da distribuição de frequência simples e da análise de conteúdo, organizados em categorias temáticas. A partir dos resultados evidenciou-se que o processo de inserção e atuação profissional inicial dos egressos constitui-se como instância multifatorial, com variáveis relacionadas à formação, às características pessoais do profissional egresso e características mercadológicas. A formação generalista foi destacada como aspecto positivo, porém sugerem melhor articulação entre teoria e prática e abrangência dos campos e práticas de estágio. A maioria dos participantes realiza pós-graduação e inseriram-se profissionalmente por meio de network. Os psicólogos não inseridos atribuem como principais fatores a falta de especialização e experiência, ausência de oferta de trabalho e baixa remuneração. Evidencia-se a importância de contemplar no escopo das ênfases curriculares o desenvolvimento de habilidades comportamentais, para além das competências técnicas e planejamento de carreira para facilitação do processo de inserção profissional, o que requer um processo de retroalimentação entre Universidade e mercado de trabalho, em nível de graduação e pós-graduação. Palavras-chave: Transição acadêmico-profissional; formação em Psicologia; mercado de trabalho. INTRODUÇÃO As universidades vêm tecendo esforços no levantamento de indicadores que contribuam para o planejamento e tomada de decisões para atingir seus objetivos. Neste processo, destacase o egresso como fator de destaque e fonte de informação à Instituição de Ensino

2 2 Superior (IES) que o formou (LOUSADA; MARTINS, 2005). Pesquisas junto aos egressos dos Cursos constituem-se como um recurso utilizado para o levantamento de indicadores a respeito da qualidade do Ensino Superior, e está relacionada também ao aumento permanente da eficácia institucional e efetividade acadêmica e social; e ao aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior (INEP, 2004). As pesquisas com os egressos no curso de Psicologia da UNIVALI vêm sendo realizadas desde 2003 e ao todo somam seis estudos: Schaadt (2003), Antunes (2004), Peixer (2004), Camacho, (2007), Werlang (2009) e Diniz e Pedri (2011). Considerando tal realidade, sentiu-se a necessidade de dar continuidade a estas investigações, como forma de contribuir cada vez mais para o desenvolvimento de uma formação com qualidade, haja vista a importância do papel da universidade nesta transição para a inserção e ascensão profissional. Esta pesquisa vem ainda de encontro ao que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Psicologia (BRASIL, 2011), que define que o projeto do Curso deve prever procedimentos de auto-avaliação periódica, dos quais deverão resultar informações necessárias para o seu aprimoramento. METODOLOGIA Para a realização deste estudo foi utilizada uma combinação metodológica entre a abordagem quantitativa e qualitativa com o intuito de enriquecer a análise dos dados. A coleta de dados foi efetuada a partir de um questionário semi-estruturado composto por quatro partes: dados de identificação, formação geral e específica, inserção e atuação profissional. As três primeiras partes foram respondidas por todos os participantes. A última referente à inserção e atuação profissional foi composta por cinco categorias, considerando as condições em que o egresso se encontrava em relação à sua realidade profissional: não inserido no mercado de trabalho; parcialmente inserido, pois exerce outra profissão além da de psicólogo; atuação somente na Psicologia; nunca atuou profissionalmente; não exerce atividade profissional atualmente, mas que já o fez no passado. Para a participação no estudo foram contatados os 89 egressos formados entre os períodos de 2011/II a 2012/I de um Curso de Graduação em Psicologia do Vale do Itajaí SC, por meio de correio eletrônico e telefone. Responderam ao instrumento 22,47% egressos,

3 3 totalizando um índice de 20 respondentes, porém uma das participantes não atendeu aos critérios, pois iniciou sua formação em outra instituição de Ensino Superior, finalizando com 19 participantes. A estes últimos, foi encaminhado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, respeitando-se os seguintes critérios: realização de toda a graduação no respectivo Curso; que a matriz curricular no período em que se formou fosse subsidiada pela Resolução nº 8 de 7 de maio de 2004 (BRASIL, 2004); e interesse em participar da pesquisa. As informações foram tabuladas eletronicamente por meio do programa Excel, distribuindo-se as respostas obtidas por meio de frequência simples, sistematizadas em tabelas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade onde a pesquisa ocorreu. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados apresentam inicialmente a caracterização da amostra, delineando o perfil dos egressos participantes. Em seguida, apresentam as dimensões relacionadas à formação recebida no Curso de Graduação, à continuidade da formação por meio de Cursos de Pós-Graduação e, por fim, a dimensão inserção e atuação profissional. Dos 19 egressos participantes, 14 eram do sexo feminino e 10 tinham idade até 25 anos, cinco entre 26 a 30 anos e quatro egressos apresentaram idade acima de 31 anos. Estes resultados foram similares aos encontrados na pesquisa realizada por Diniz e Pedri (2010) com egressos formados entre 2009/I a 2010/I, envolvendo esta mesma instituição de ensino, onde dos 19 participantes 13 eram do sexo feminino; 12 possuíam idade até 25 anos, cinco entre 26 e 30 anos e apenas duas acima de 31 anos. Quanto à formação recebida na graduação, os egressos em geral relataram satisfação parcial ou plena com o conhecimento teórico-metodológico e competências necessárias à prática profissional, com exceção da interface com outras áreas ou campos de atuação, onde se evidenciou maior dispersão nas respostas, conforme evidenciado na tabela abaixo. Tabela 1. Distribuição em frequência simples das respostas referentes à formação recebida na graduação Tabela 1. Respostas relacionadas à formação recebida na graduação Conhecimento teórico metodológico Competências necessárias Plenamente Parcialmente Interface com outras áreas/campos

4 4 Pouco Não Proporcionou Não Respondeu TOTAL Um dos aspectos relacionados como positivos foi a formação generalista, haja vista o contato com diversas abordagens e campos de conhecimento, potencializando experiências múltiplas e a possibilidade de uma inserção bem sucedida. Dos 13 egressos que responderam que o Curso proporcionou conhecimentos teórico-metodológicos de forma parcial, justificaram que não houve abrangência de todas as áreas de atuação, disciplinas, abordagens, conteúdos, campos de estágio e realidade mercadológica. No entanto, alguns reconhecem que isto ocorre em decorrência da formação generalista, devendo haver o complemento dos estudos pelo aluno por meio de Especializações e Congressos. Salientam a necessidade de maior integração entre teoria e práticas nas atividades de estágios e demais práticas curriculares propostas pelo Curso. Para os 06 egressos que responderam que o Curso propiciou plenamente as competências necessárias à prática profissional, a formação recebida foi de boa qualidade, com professores capacitados, grade curricular com abordagem teórica diversificada e voltado à promoção da qualidade de vida das pessoas. Os 11 egressos que responderam que o Curso proporcionou pouco ou parcialmente estas competências ressaltam que os estímulos oferecidos pelo Curso para o alcance das habilidades são suficientes para ingresso no mercado de trabalho. No entanto, reconhecem que as competências necessárias também serão desenvolvidas posteriormente à Graduação, com pós-graduações, estágios extracurriculares e futuras experiências profissionais. Tal concepção demonstra que a maioria dos egressos evidenciou senso crítico a respeito de sua formação, reconhecendo a necessidade de fortalecimento destas competências a partir da continuidade dos estudos para o alcance da qualificação profissional. Os resultados evidenciados vêm de encontro com a afirmação de Borges (2006), o qual salienta que na área de Psicologia, a graduação por si só mostra-se insuficiente, sendo este o primeiro passo de uma longa caminhada em busca do aprimoramento profissional.

5 5 Destacam como principais competências desenvolvidas pelo Curso a atenção à saúde, comunicação e estímulo ao compromisso e responsabilidade com a formação. Em contrapartida, referem-se como competências menos desenvolvidas durante a graduação, apesar da dispersão das respostas, a tomada de decisão, liderança e empreendedorismo, esta última com resultados mais desfavoráveis. Quando questionados sobre realização de cursos de pós-graduação, pôde-se constatar que 12 dos 19 participantes estão realizando ou já realizaram algum curso. Com relação à quantidade de procura por formações específicas, Gondim (2002), em estudo com 53 estudantes de último ano de diversos cursos, pode constatar que a formação universitária é insuficiente para atender à demanda requerida no mercado de trabalho. Os participantes de sua pesquisa demonstraram reconhecer a necessidade permanente de qualificação para se manter no mercado, contudo, o motivo principal que leva boa parte deles para a pós-graduação é o despreparo profissional. Do total da amostra investigada, 31,6% dos entrevistados estão inseridos no campo da Psicologia e 21% exercem outra atividade concomitante ao campo da Psicologia, conforme evidenciado na tabela 2. Dentre os motivos para estar atuando em outro campo além da Psicologia são referidos o aspecto financeiro e o fato de já estarem exercendo essa atividade antes da formação. Tabela 2. Distribuição em frequência simples das respostas referentes às condições profissionais dos egressos no momento da pesquisa Condição p Profissional Freqüência Não inserido no campo de atuação da Psicologia 6 Inserido parcialmente no campo da Psicologia e em outra atividade fora 4 da Psicologia Inserido apenas no campo de atuação da Psicologia 6 Não atuou profissionalmente, dentro ou fora do campo da Psicologia 1 Não exerce atividade profissional, mas já o fez no passado no campo da Psicologia TOTAL 19 2 Evidenciou-se que dos 06 inseridos apenas no campo de atuação da Psicologia, 03 alcançaram a inserção durante a graduação e os demais tiveram uma inserção rápida, tendo ocorrido em até seis meses após a formatura. A faixa salarial variou entre menos um salário e seis salários mínimos. Dentre os motivos apontados como dificultadores da inserção no campo da Psicologia, destaca-se a falta de especialização e de experiência,

6 6 problemas pessoais, ausência de oferta de trabalho, proposta com baixa remuneração, falta de compreensão do papel do psicólogo e de sua atuação pela população e a percepção de defasagem entre as habilidades e demandas do mercado. No que se refere às estratégias utilizadas para ingressar no campo da Psicologia, a entrega de currículos, contatos sociais, realização de pós-graduação e concursos públicos foram apontados como possíveis estratégias para inserção. Os resultados apontados vão de encontro com o que pontuam Melo e Borges (2007), onde muitos jovens se frustram frente às suas expectativas de ingressar e estabilizar-se de forma rápida ao mercado de trabalho após a graduação, mas muitas vezes essa inserção não ocorre tão fácil assim, e os jovens acabam precisando recorrer a outras estratégias para inserir-se como optar por um novo curso de graduação, aceitar empregos de menor remuneração para a aquisição de experiências e até ocupar cargos não compatíveis com sua formação. Tais evidências ressaltam a necessidade do planejamento da carreira já iniciado no período de graduação para facilitação do processo de inserção profissional. Salientam-se as limitações desta pesquisa como o número restrito de participantes para representar a realidade dos egressos do curso. Além disso, esses egressos estão em início de carreira profissional, o que também pode ter influenciado no nível de remuneração abaixo do valor de pesquisas de âmbito nacional. Sugere-se, portanto, a realização de outros estudos com egressos envolvendo uma amostra maior, bem como a realização de estudos com egressos formados há mais tempo e com mais experiência no mercado de trabalho, para fazer esse comparativo.

7 7 REFERÊNCIAS ANTUNES, T. H. A inserção no mercado de trabalho dos egressos do curso de Psicologia UNIVALI Campus /II 2004/I. Monografia (Graduação em Psicologia). Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, BORGES, M. C. A construção de um psicoterapeuta: formação e habilidades. Trabalho de Conclusão de Curso Monografia II. RJ BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Psicologia. Resolução nº 8, de 7 de maio de Diário Oficial da União. Brasília, BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Psicologia. Resolução nº 15 de 15 de março de Diário Oficial da União. Brasília, CAMACHO, G. K. Relatório final de Estágio Supervisionado em Psicologia Organizacional e do Trabalho. UNIVALI, Itajaí, DINIZ, H. M. V.; PEDRI, K. R. Transição entre a formação, inserção e atuação profissional dos egressos de um Curso de Psicologia do Vale do Itajaí. UNIVALI, GONDIM, S. M. G. Perfil profissional e mercado de trabalho: relação com a formação acadêmica pela perspectiva de estudantes universitários. Estudos de Psicologia, Natal, v.7 n2, p , Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). SINAES Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior: bases para uma nova proposta de avaliação da educação superior brasileira. 2ª. ed. Brasília: LOUSADA, A. C. Z; MARTINS, G. A. Egressos como fonte de informação à gestão dos cursos de ciências contábeis. Revista. Cont. Fin. USP, São Paulo, n. 37, p , Jan./Abr MELO, S. L. e BORGES, L. O. A Transição da Universidade ao Mercado de trabalho na Ótica Jovem. Psicologia: Ciência e Profissão.V.27 n PEIXER, J. R. Formação e Inserção no Mercado de Trabalho: A percepção dos egressos do currículo IV do curso de Psicologia da UNIVALI. Monografia (Graduação em Psicologia). Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, SCHAADT, A. Egressos do curso de Psicologia da UNIVALI: Percepção sobre sua Formação e Inserção no Mercado de Trabalho. Monografia (Graduação em Psicologia). Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, 2003.

8 WERLANG, C. L. Formação e inserção profissional dos egressos do Curso de Psicologia da UNIVALI/Campus Itajaí 2007/I a 2008/II. Monografia (Graduação em Psicologia). Universidade do Vale do Itajaí,

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