A IMPORTÂNCIA DE CONTAR HISTÓRIA NO DESENVOLVIMENTO DOS PROCESSOS MENTAIS

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1 A IMPORTÂNCIA DE CONTAR HISTÓRIA NO DESENVOLVIMENTO DOS PROCESSOS MENTAIS LAMERA, Iraci Cristina; Faculdade São Francisco de Assis RESUMO Os estímulos postos à criança enfatizam o desenvolvimento psíquico, isto é quanto mais estímulos, maior o desenvolvimento emocional. Não obstante outros fatores influem também na percepção seletiva de um determinado estímulo, entre aqueles que se impõe a um indivíduo em qualquer momento particular, e na maneira como este estimulo é interpretado. A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Bela Vista Água Boa MT com objetivo de analisar a importância de contar história no desenvolvimento dos processos mentais dos estudantes do infantil e da Pré-escola totalizando 11 estudantes sendo a sala multiseriada. Iniciou no mês de abril/2008 com termino em setembro/2008 perfazendo duração de duas horas e meia por semana. Procurou-se também junto a prática pedagógica verificar possíveis metodologias diferenciadas na aprendizagem significativa através do ato de contar historia verificando-se mudanças ocorridas nos educandos e a formação do grupo de estudantes contadores de historia na escola alunos de 5ª a 8ª série e três do ensino médio. Ouvindo histórias as crianças apresentaram reações que manifestaram seus interesses revelados ou inconscientes e conseguiram vislumbrar nas narrativas, soluções que amenizam tensões e ansiedades. Estimulou a socialização, desenvolveu a atenção e a disciplina. Os resultados indicaram a confirmação da hipótese levantada para esta pesquisa, tal seja a de que a exposição a leitura, histórias, contos, numa associação da literatura com a vida, estimula a aprendizagem e premia a curiosidade, seja no âmbito escolar ou fora dele. Palavras-chave: Desenvolvimento mental. Contar história. Pesquisa-ação. 1- INTRODUÇÃO O ato de contar história é possível em todas as fases de desenvolvimento do ser humano. O impulso de contar histórias deve ter nascido no homem no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros, certa experiência sua, que poderia ter significação para todos. COELHO (2000, p.13).

2 Segundo FONSECA (2003), diante de um mundo eminentemente simbólico, onde a linguagem metafórica se traduz como um interlocutor entre a vida interior e exterior do sujeito, as histórias adquirem um papel extremamente importante, devendo ser vivenciadas como um elemento a mais no processo ensino-aprendizagem, dentro e fora da escola. Contar histórias trata-se de um recurso de comunicação que surgiu nos primórdios do existir da humanidade, quando a oralidade era uma forma de marcar sua passagem na terra. Oliveira (1992), diz que contar histórias para crianças, adultos e em qualquer espaço, não importando a classe social, credo, ou raça, mostra que o lazer é uma necessidade inerente ao homem, que pode encontrar na historia a mais íntima forma de identificação. Para ABRAMOVICH (2003), é importante para a formação de qualquer criança, ouvir muitas, muitas histórias executá-las é o inicio da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta de compreensão do mundo, é também suscitar o imaginário, e ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar outras idéias para solucionar questões. As histórias contadas ou representadas devem ser repetidas várias vezes para que a criança compreenda e se sinta segura. Para Coelho (2003) embora uma boa história agrade a todo o mundo, é preciso também levar em conta a faixa etária das crianças: crianças até três anos, geralmente, gostam das que tratam de bichos, brinquedos e objetos, com personagens da vida real papai, mamãe, vovó e vovô, irmãos; crianças de três a seis anos gostam das histórias da fase anterior e outras de repetição e acumulativas, histórias de fadas, histórias de crianças. O objetivo da pesquisa foi analisar a importância de contar história no desenvolvimento dos processos mentais dos estudantes do infantil e da Pré-escola totalizando 11 alunos da Escola Municipal Bela Vista Água Boa MT, uma escola do campo sendo a sala multiseriada. Iniciou no mês de abril/2008 com término em setembro/2008 perfazendo duração de duas horas e meia por semana. Procurou-se também junto a prática pedagógica verificar possíveis metodologias diferenciadas na aprendizagem significativa através do ato de contar historia verificando-se mudanças ocorridas nos educandos e finalizando com a formação de um grupo de estudantes contadores de história na escola. Para os contadores de história foram utilizados dois estudantes da 5ª série, dois da 6ª série e um da 8ª série, três do ensino médio, dois do segundo ano e um do terceiro.

3 Buscando em Gardner (1995) o propósito da escola deveria ser o de desenvolver as inteligências e ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos de ocupação adequados ao seu espectro particular de inteligência. Com isso propõe uma escola centrada no indivíduo, voltada para um entendimento e desenvolvimento ótimos do perfil cognitivo do aluno. Para Ausubel (1980) não basta técnicas e metodologias de ensino para desenvolver a aprendizagem (mente) do aluno se não for trabalhado a aprendizagem significativa juntamente com metodologias de ensino diferenciadas. A metodologia utilizada foi pesquisa ação sobre a ação, pois possibilita ao professor/pesquisador executar mudanças de sua prática a partir de situações concretas fundamentadas em pesquisas onde ele próprio detecta seus problemas, suas deficiências, suas fraquezas, o que na verdade são mudanças mais eficientes (THIOLLENT, 1998). Nesta perspectiva o contar histórias demonstrou-se antes de qualquer coisa, sair da mesmice da educação cartesiana, linear. Entre inúmeros efeitos que podemos citar talvez o mais intrigante seja o caráter que a fabulação exerce sobre o homem. Além do potencial terapêutico verificado no tratamento de patologias psíquicas, a tradição oral de contar histórias nutre uma diversidade transformadora que se embriaga nas fontes do lúdico para compor os mitos. Nessas atividades de leitura nos coube o melhor pedaço: a leitura pelo prazer. Sem cobrança pelo conteúdo pedagógico ou informativo do texto. Sem impor barreiras ao manuseio do livro como objeto lúdico. Tentamos retomar a história em meiguice descrita por Dhome (apud TAHAN, 2005), atraindo a criança para o contato com o livro e a leitura, sentando junto, acompanhando as reações, estabelecendo laços de intimidade, que muitas vezes dura pouco, mas são intensos. Uma história bem contada pode ajudar o aluno a interessar-se pela aula. Permite, em geral, a auto-identificação, favorecendo a aceitação de situações desagradáveis e ajudando a resolver conflitos. Agrada a todos sem fazer distinção de idade, de classe social, de circunstância de vida. Ouvindo histórias, crianças e adultos apresentaram reações que manifestaram seus interesses revelados ou inconscientes e conseguiram vislumbrar nas narrativas, soluções que amenizam tensões e ansiedades. Acreditar no poder da história e na magia e atração que exerce o contador sobre seus ouvintes, muitos estudos relatam sua importância no desenvolvimento infantil, por ser recreativa, educativa, instrutiva, afetiva (alargando horizontes, estimulando a criatividade, criando hábitos, despertando emoções, valorizando sentimentos) e física

4 (ajudando na recuperação de crianças enfermas e hospitalizadas). Estimula também a socialização, desenvolve a atenção e a disciplina DHOME (apud TAHAN, 2005). Acreditando na metodologia de Gardner (1996) no perfil de uma escola ideal, em que ele baseia-se em algumas suposições: nem todas as pessoas têm os mesmos interesses e habilidades, nem aprendem da mesma maneira; ninguém pode aprender tudo o que há para ser aprendido; a tarefa dos especialistas em avaliação seria a de tentar compreender as capacidades e interesses dos alunos de uma escola; a tarefa do agente de currículo para o aluno seria a de ajudar a combinar os perfis, objetivos e interesses dos alunos a determinados currículos e determinados estilos de aprendizagem; a tarefa do agente da escola-comunidade seria a de encontrar situações na comunidade determinadas pelas opções não disponíveis na escola, para as crianças que apresentam perfis cognitivos incomuns; um novo conjunto de papéis para os educadores deveria ser construído para transformar essas visões em realidade; Idem, passa a se preocupar com aquelas crianças que não brilham nos testes padronizados, e que, conseqüentemente, tendem a ser consideradas como não tendo nenhum tipo de talento. Os resultados indicaram a confirmação da hipótese levantada para esta pesquisa, tal seja a de que a exposição a leitura, histórias, contos, numa associação da literatura com a vida, estimula a aprendizagem e premia a curiosidade, seja no âmbito escolar ou fora dele. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosura e bobices. São Paulo: Scipione, AUSUBEL, D; NOVAK, J; HANESIAN, H. Psicologia Educacional. Rio de Janeiro; Interamericana, COELHO, Nelly Novaes. Literatura: Arte, Conhecimento e Vida. Peirópolis: Fundação Peirópolis, O conto de fadas: símbolos, mitos e arquétipos. São Paulo: Difusão Cultural do Livro, DHOME, Vânia. Além do Encantamento: como as histórias podem ser instrumentos de aprendizagem. Modelo: São Paulo, FONSECA, Adriana Beatriz da Silva. Era uma vez... : o contar histórias como prática educativa na formação docente. Uberaba: UNIUBE, Dissertação de Mestrado.

5 GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a Teoria na Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, A Criança pré-escolar:como pensa e como a Escola pode ensiná-la. Porto Alegre: Artes Médicas, OLIVEIRA, Vera Barros. O símbolo e o brinquedo: A representação da vida. Vozes: Petrópolis, 1992.p THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação, 8º ed. Cortez, São Paulo, 1998.

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