LINGUAGEM E ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA

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1 AULA 11 PG 1

2 Este material é parte integrante da disciplina Linguagem e Argumentação Jurídica oferecido pela UNINOVE. O acesso às atividades, as leituras interativas, os exercícios, chats, fóruns de discussão e a comunicação com o professor devem ser feitos diretamente no ambiente de aprendizagem on line. AULA 11 PG 2

3 Sumário AULA 11 FIGURAS DE LINGUAGEM E DE CONSTRUÇÃO NO TEXTO JURÍDICO...4 BIBLIOGRAFIA...7 AULA 11 PG 3

4 AULA 11 FIGURAS DE LINGUAGEM E DE CONSTRUÇÃO NO TEXTO JURÍDICO Nesta aula estudaremos algumas figuras de linguagem e de construção usadas em textos jurídicos. Além disso, iremos diferenciar os recursos estilísticos mais utilizados no ambiente da redação jurídica por meio de explicações e exemplos. Quando falamos em estilo do texto jurídico, falamos em um estilo específico dentro dos estilos de um modo geral, para as redações de todas as naturezas. Basta que lembremos de que todos os escritores possuem um estilo próprio ao escrever. Particularizando esse assunto para a área jurídica, o que vemos é que o texto de características jurídicas, por conta da especialidade dessa área técnica que é a do direito, possui algumas especificidades próprias, vista a natureza legalmente sistemática do assunto. É comum observar, nos textos jurídicos, o uso das figuras de linguagem. A lembrança dos nomes dessas figuras de linguagem mostra se secundária aqui em nossa aula. É importante, todavia, que você entenda cada uma delas, ao encontrá las num texto jurídico, identificando quando houver numa frase ou expressão uma figura estilística, cuja finalidade, em princípio, é a de dar maior beleza e ênfase ao assunto que está sendo tratado. As palavras, nesse contexto, poderão apresentar se no sentido figurado ou no denotativo. Entendemos por figurado o sentido de certa palavra quando ela é utilizada dentro de uma figura de linguagem. Entendemos, por outro lado, como denotativo o sentido de certa palavra quando ela é utilizada segundo as significações colocadas pelos dicionários. Tratemos, agora, de algumas figuras de linguagem usuais no ambiente jurídico. Sinédoque (ou metonímia) é um recurso linguístico que se vale do uso da parte pelo todo, do singular pelo plural, do gênero pela espécie e vice versa. Assim, por exemplo, podemos dizer que quem pede a condenação de determinado criminoso seja o Ministério Público, muito embora quem esteja se manifestando seja unicamente AULA 11 PG 4

5 certo membro na pessoa do Promotor Público fulano de tal. Podemos visualizar outro exemplo de sinédoque quando, ao referirmo nos a nossa cabeça, em verdade estamos nos referindo ao nosso pensamento. Acesse a plataforma de estudo para realizar leitura complementar. Valendo nos dos sentidos da visão, da audição, do olfato e do tato, podemos construir a figura de linguagem denominada sinestesia, quando os associamos cada um desses sentidos para reforçar uma ideia central. Por exemplo: doce alegria, amarga derrota, surda alegação, defesa cega, amor suave. A finalidade de usar a sinestesia é a de estabelecer espontaneamente uma percepção a partir do uso de um outro sentido diferente, ou seja, um perfume que lembra uma cor, um som que produz uma imagem etc. Além das figuras de linguagem, podemos nos valer, para redigir textos jurídicos, de figuras de construção, que são recursos expressivos utilizados na construção da frase por meio da repetição e da omissão. Valendo nos do recurso da repetição, podemos afirmar: José matou Maria, Maria que era sua própria filha ou A liberdade é o maior dos bens humanos, porque a ninguém é possível verse como homem se privado de liberdade. Já o recurso da omissão é aquele em que usamos a supressão de certas palavras, fazendo as desaparecer, mas mantendo sua presença no sentido da frase, como, por exemplo: Matou a mãe sem remorso. Ora, quem matou a mãe? Resposta: ele ou ela. Tendo sido desnecessário apontar quem tenha sido, visto que em outro momento anterior da narrativa já foi possível ver que alguém a teria matado. Outro exemplo de omissão ou supressão pode dar se em cima do verbo, que desaparecerá da frase, mas que, em verdade, lá está, mesmo que escondido: Atire, se necessário. Veja se. Sem a figura de linguagem a frase seria: Atire, se for necessário. O verbo ir, nesse exemplo, fica embutido na frase. Por último, gostaríamos de tratar do valor estilístico da pontuação. AULA 11 PG 5

6 Sabemos que um texto é bem escrito quando se observa as regras de pontuação. Todavia, a pontuação, além de mostrar as qualidades técnicas de um bom redator em vista de conhecer as referidas regras e aplicá las com sabedoria, pode imprimir ao texto escrito maior ênfase a certas frases. Pontuar, nesse contexto, não significa simplesmente usar sinais gramaticais para separar orações, mas, também, para, além de separá las, engrandecê las em suas significações. Por exemplo: algumas pessoas vêem; outras pensam ver. Nesse exemplo, o ponto e vírgula que separa as duas frases tem o papel de fazer o leitor respirar mais longamente, estabelecendo o tempo necessário para que ele entenda que há uma grande diferença entre ver e pensar ter visto. A utilização das reticências (três pontinhos) ao final de uma frase tem, também, bastante relevante nos textos escritos, pretendem que o leitor suspenda seu pensamento na medida em que lê, fazendo o considerar melhor aquilo que está escrito. Por exemplo: Meu Deus... Quem poderia supor tamanha intriga? Veja se. Foi estabelecida uma pausa, por meio das reticências, a fim de que o leitor reflita sobre a pergunta feita. Todos os sinais gramaticais têm um papel importantíssimo na redação dos textos de um modo geral e, principalmente, nos textos entendidos como jurídicos. AULA 11 PG 6

7 BIBLIOGRAFIA Barreto, C. A. Linguagem Forense: Estilo e Técnica. Rio de Janeiro: Lumen Juris, AULA 11 PG 7

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