Rodrigo Rennó Administração Geral e Pública Estrutura e Estratégia Organizacional parte 5. Fatores que influenciam a estrutura. A definição da estrutura correta para uma determinada organização depende de vários fatores. Não existe um modelo que sirva para todas as organizações! Os fatores principais são: A estratégia, o ambiente, a tecnologia e o tamanho. A estrutura segue a estratégia. De acordo com Chandler, as mudanças na estratégia precedem e são a causa de mudanças na estrutura das organizações. Utilizando as estratégias propostas por Porter como exemplo, com uma estratégia de custo a empresa busca eficiência interna. Esta estratégia seria mais adequada a uma estrutura funcional, pois ela utiliza os recursos de maneira mais eficaz com sua hierarquia e cadeia de comando. Já com uma estratégia de diferenciação, que necessita de inovação e flexibilidade organizacional, a empresa deveria adotar uma estrutura horizontal, como uma estrutura em rede, virtual ou por equipes. A estrutura segue o ambiente. A estrutura também é afetada pelo grau de incerteza ambiental. Quanto mais incerto o ambiente externo, mais difícil se torna o processo de tomada de decisões dos gestores, levando os a descentralizar a decisão. Quanto mais simples, ou mais estável o ambiente externo, mais fácil se torna o trabalho de entender esse ambiente, tornando menos existente a necessidade de descentralizar. Da mesma forma, ambientes complexos dificultam o trabalho de padronização e formalização dos trabalhos, portanto estruturas burocráticas não se adaptam muito bem a setores dinâmicos, com vários fatores envolvidos e mudanças rápidas no panorama, como produtos e concorrentes novos, mudanças nas tecnologias envolvidas e nos costumes e necessidades dos clientes. Para ambientes complexos e dinâmicos as estruturas em rede são mais indicadas, pois possibilitam maior flexibilidade e capacidade de inovação. A estrutura se adapta à tecnologia. A tecnologia inclui o conhecimento, as técnicas, ferramentas e atividades utilizadas pela organização para entregar produtos e serviços ao mercado. A tecnologia afeta o tipo de estrutura mais adequado a uma organização. De acordo com pesquisas, em organizações que 23 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar e você?
têm a produção em massa (tecnologia de produção em grande quantidade e especificações semelhantes) o modelo mecanicista tem sido o mais adequado. Já empresas com produção por unidade (Tecnologia de produção em pequenas quantidades para atender uma clientela específica) e a produção por processo contínuo (tecnologia de produção em que todo o processo é automatizado e nunca é parado) se adaptam melhor a estruturas orgânicas. A estrutura segue o tamanho. O tamanho da organização afeta a sua estrutura. O aumento do tamanho de uma empresa normalmente leva a uma maior delegação e descentralização, pois é impossível administrar uma grande empresa somente pela cúpula. Outra faceta do crescimento é o aumento da formalização (uso de normas e regulamentos), pois as organizações necessitam controlar os processos que foram descentralizados de alguma forma. Outros aspectos que normalmente são influenciados quando uma organização cresce são: aumento do número de níveis hierárquicos, aumento do número de departamentos (diferenciação horizontal), o aumento do controle, e a ampliação da importância do planejamento na administração da empresa. Estruturas de Mintzberg. Uma das mais importantes classificações de designs estruturais foi criada por Mintzberg. O autor definiu as cinco partes básicas de cada organização e as principais configurações. Vejamos as partes básicas segundo o autor: O Núcleo Operacional (Operating Core) é composto dos funcionários que executam o trabalho de produzir os produtos e prestar os serviços; A Cúpula Estratégica (Strategic Apex) São os administradores do topo hierárquico, responsáveis por supervisionar todo o trabalho na organização; A Linha Intermediária (Middle Line) São os gerentes, que fazem a ligação entre a cúpula estratégica e o núcleo operacional; A Tecnoestrutura (Technostructure) São analistas que executam tarefas administrativas, como o planejamento e controle do trabalho dos outros; O Staff de Suporte (Support Staff) São os profissionais que prestam serviços indiretos para a organização, como entregas de malotes, alimentação, relações públicas, etc. 24 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar e você?
As principais configurações de Mintzberg são as seguintes: Estrutura Simples Também chamada de organização empreendedora. É composta de uma cúpula estratégica pequena e o núcleo operacional. O caso mais usual é o da pequena empresa. Nesta configuração existem poucos controles e formalização, pois o executivo principal consegue muitas vezes sozinho administrar a empresa e conhece todos os funcionários. Pouco existe também de planejamento e padronização do trabalho, ficando a estrutura mais enxuta para poder concorrer com as grandes burocracias. Com o tempo e o crescimento essas empresas irão se transformar em burocracias, pois é difícil administrar uma empresa grande nesta configuração por muito tempo. Como podem ver no gráfico abaixo, esta estrutura não conta nem com o staff de suporte e tampouco com uma tecnoestrutura. Burocracia Mecanizada Esta configuração é muito comum em grandes indústrias que têm tecnologia de produção em massa. Existe uma grande padronização dos processos de trabalho, que é repetitivo e especializado para possibilitar a utilização e treinamento de uma massa de trabalhadores desqualificada. Esta configuração é baseada na burocracia weberiana, com sua formalidade, padronização e especialização do trabalho. Como existe uma grande padronização, a tecnoestrutura é bastante importante nesta configuração. 25 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar e você?
Burocracia Profissional Este tipo de burocracia se baseia na padronização de habilidades, e não dos processos de trabalho. Os casos mais lembrados são as universidades (em que os professores das diversas disciplinas formam o núcleo operacional) e os hospitais (mesma situação ocorre com os médicos e enfermeiros). Estas organizações, por sua peculiaridade, dão muito mais liberdade aos seus trabalhadores, pois estes são altamente especializados. Portanto nesta configuração o núcleo operacional tem muita importância, assim como o staff de suporte (que serve ao núcleo operacional), mas não há a necessidade de uma tecnoestrutura grande nem de uma linha intermediária importante, pois o executor tem maior autonomia para executar seu trabalho e quem padroniza sua atividade são as associações profissionais (CRM, por exemplo). Estrutura Divisionalizada Esta estrutura na verdade é um conjunto de organizações dentro de outra, ou seja, a descrição de um conglomerado de empresas. Isto acontece quando a empresa fica muito grande e seus produtos e/ou mercados se tornam muito diversos, incentivando a criação de estruturas próprias para cada setor ou produto distinto, possibilitando uma maior autonomia e flexibilidade para os gestores atingirem seus resultados. Nesta configuração o controle é realizado por resultados (outputs), portanto se diz que a padronização é sobre estes outputs, e não sobre como será feito o trabalho em si. Desta forma existe uma pequena tecnoestrutura para controlar estes resultados. 26 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar e você?
Adhocracia Esta configuração é a mais adequada para as empresas envolvidas em setores dinâmicos, como o aeroespacial, o de consultorias e cinematográfico. Nestas organizações não existe uma estrutura fixa, mas diversos profissionais altamente treinados, que são agrupados de acordo com uma necessidade específica (por isso o termo ad hoc), portanto existe uma estrutura por projetos. Imagine um filme a ser produzido. A equipe que vai trabalhar no filme vai sendo montado por seu produtor dentro de um número grande de profissionais gabaritados existente na empresa ou no mercado de trabalho. Ao terminar o filme estes profissionais serão escolhidos para outros projetos, com equipes diferentes de pessoas. O trabalho não é formalizado, nem existem padrões de comportamento. A estrutura linha staff perde então o sentido, com a organização se fundindo e o poder se espalhando por toda a empresa. Como os profissionais do núcleo operacional têm grande conhecimento e perícia, se confundem com a linha intermediária, pois influenciam na definição dos projetos e do andamento dos mesmos. O núcleo operacional se funde com a linha intermediária, como podem ver abaixo. Estas organizações são orgânicas, flexíveis e dinâmicas, levando a um ambiente inovador e criativo. Vamos analisar agora umas questões sobre o tema: 1. (CESPE SERPRO / GESTÃO EMPRESARIAL 2008) O modelo de organização do tipo orgânico, adaptado a condições instáveis, é caracterizado, entre outros aspectos, pela redefinição contínua de tarefas, para cuja descrição os organogramas são de pouca utilidade. 27 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar e você?
2. (CESPE MS/ADMINISTRADOR 2010) A adhocracia prevê o compromisso dos funcionários com a qualidade. 3. (CESPE MS/ADMINISTRADOR 2010) As recompensas na adhocracia são baseadas no resultado do funcionário no exercício do seu cargo. 4. (CESPE MS/ADMINISTRADOR 2010) Na adhocracia, padrões mensuráveis definem o desempenho mínimo. 5. (CESPE MS/ADMINISTRADOR 2010) Na adhocracia, é dada ênfase ao alto desempenho e à orientação dinâmica para o mercado. 6. (CESPE SEGER ES / EPPGG 2007) De acordo com a teoria contingencial, a organização é que exerce influência dominante no ambiente em que atua, e não o oposto. Para os defensores dessa teoria, a organização, para ser bem sucedida, precisa enfrentar e transformar, em seu proveito, as condições adversas do ambiente como aspecto focal da estratégia organizacional. Gabarito: 1 C 2 C 3 E 4 E 5 C 6 E Bibliografia: Chiavenato, I. Administração Geral e Pública. Ed. Elsevier, 2º Ed. 2008. Daft, R. L. Management. Ed. Southwestern Thompson, 7º Ed. 2005. Mintzberg, H. Quinn, J. B. O Processo da Estratégia. Ed. Bookman. 3º Ed. 2001. Robbins, S.P.; Coulter, M. Administração. Ed. Prentice Hall, 5º Ed.1998. Schermerhorn, J.R.J. Management. Ed. John Wiley & Sons, 9º Ed. 2008 Sobral, F.; Alketa, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. Ed. Pearson Prentice Hall, 1º Ed. 2008. Por hoje é só! Qualquer dúvida estarei disponível no e mail abaixo. Bons estudos e sucesso!! Rodrigo Rennó rodrigorenno@euvoupassar.com.br 28 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar e você?