MRP COMO FERRAMENTA DE CONTROLE E PLANEJAMENTO



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Transcrição:

MRP COMO FERRAMENTA DE CONTROLE E PLANEJAMENTO Augusto Cesar Giampietro, Unisalesiano de Lins, e-mail: guto.mkt@gmail.com Bruno Bodoia, Unisalesiano de Lins, e-mail: bruno.bodoia@bertin.com.br Carlos Silva, Unisalesiano de Lins, e-mail: csilva@bol.com.br Daniel Barbosa de Lima, Unisales iano de Lins, e-mail: daniel_b@bol.com.br Ronaldo Carvalho, Unisalesiano de Lins, e-mail: ronaldo4ever@yahoo.com.br RESUMO O controle de estoques associado à ferramenta MRP (Material Requirement Planning) constitui um fator determinante para a redução de custos e consequentemente a maximização dos lucros de uma organização. Atualmente, tempo em que as empresas buscam agilidade nos processos de produção esta ferramenta acaba por servir também como facilitadora dos procedimentos de compra e de recebimento para que sejam executadas com exatidão. O principal obstáculo a ser vencido é encontrar o método mais eficaz para atingir o ponto ideal de emissão das ordens de compra, aliado à complexa estrutura para a entrega pontual de matéria-prima. Este trabalho visa aprofundar os estudos nesta ferramenta atual e analisar seus impactos sobre a lucratividade das empresas. Palavras-chave: MRP. controle. planejamento. 1. INTRODUÇÃO É conhecido por todos que os impactos da globalização no mercado acarretaram diversas mudanças na maneira de administrar. Foram criados novos métodos, novas teorias e assim novas ferramentas que contribuissem para a atual conjuntura dos negócios. A administração dos estoques pode significar o sucesso e o fracasso de qualquer corporação, sendo assim faz-se necessário uma complexa elaboração dos fluxos dos pedidos e dos inícios e términos de cada etapa da produção. Segundo Simcsik, 1992 MRP são sistemas de planejamento baseados na explosão da estrutura dos produtos, visando controlar as necessidades de materiais com o uso do computador, deste modo a aplicabilidade desta ferramenta dependerá da utilização desta tecnologia para que sirva de sustentação à todo o processo produtivo. A gestão em MRP implica em confrontar o planejado e o ocorrido e administrar essas informações de modo a servir de referência para novas aplicações. É certo que em diversas etapas poderá acarretar diferença entre os pontos calculados, e o sistema MRP deverá contribuir para a diminuição dessas diferenças e chegar o mais próximo possível dos números previstos. Atualmente existe um grande leque de opções de empresas na área de informática que produzem softwares para o controle e planejamento das compras e estoques Segundo Correa, 2000 o objetivo dos sistemas MRP é Ajudar a produzir e comprar apenas o necessário e apenas no momento necessário (no último momento possível), visando eliminar estoques, gerando uma série de encontros marcados entre componentes de um mesmo nível, para operações de fabricação ou

2 montagem e hoje o mercado conta com diversas empresas que fornecem softwares de fácil manuseio e que se adequam a diversos tamanhos de empresas. A sistematização é simples, porém exige que o administrador faça um bom detalhamento dos processos produtivos a fim de assegurar as informações apuradas. Com as atuais perspectivas do mercado nacional, a utilização de grandes estoques não se faz necessária, podendo até mesmo comprometer a liquidez da empresa, deste modo a análise minuciosa com relação aos estoques mínimos, tempo de recebimento da mercadoria de cada fornecedor é imprescindível para o sucesso do sistema. O presente projeto busca contribuir para diagnosticar a influência do sistema MRP no planejamento e controle de compras e estoque da empresa. O artigo foi realizado através do método de revisão bibliográfica e baseia-se nas obras do seguintes autores: 2. OPERAÇÃO DO MRP De acordo com Daniel Moreira (1993), a implantação do sistema MRP deve responder às questões: - Que partes componentes serão necessárias para cumprir a demanda de produtos finais? - Em que quantidades são essas partes necessárias? - Quando são essas partes necessárias? A respostas para estas perguntas estão baseadas nos seguintes prérequisitos para o sistema : - o Plano Mestre de Produção - listagem de materiais - relatórios de controle de estoque A função do Plano Mestre de Produção é estabelecer quais produtos finais serão feitos, em qual data e qual quantidade; a Listagem de Materiais fornece a composição de cada produto e serve de base para estipular sua explosão ; e finalmente os relatórios de controle de estoque fornecerão quais as quantidades remanescentes de cada ítem ou produto final. O termo explosão é utilizado dentro do conceito de MRP como o ponto onde deve ser identicado qual material, em qual quantidade em qual momento de do processo ele deverá ser inserido na produção. Dentre os resultados principais da execução de um sistema MRP ressalta-se o controle de estoque de componentes, a programação da produção a curto prazo para estes componentes, o planejamento das necessidades de capacidade. A figura abaixo descreve os insumos e os resultados associados à operação do sistema MRP: PLANO MESTRE DE PRODUÇAO LISTA DE MATERIAIS LISTA DE MATERIAIS MRP CONTROLE DE ESTOQUES PROGRAMAÇÃO DA PRODUÇÃO PLANEJAMENTO DAS NECESSIDADES DE CAPACIDADE Adaptado de Administração da Produção e Operações, André Moreira - 1992

3 3. DINÂMICA DO PROCESSO MRP O uso do sistema MRP necessita que uma parte da quantidade de um produto em uma data estabelecida (informações retiradas do Plano Mestre de Produção). A partir deste ponto deve-se fazer a explosão do produto nas necessidades dos seus componentes A estrutura do produto necessida que partes anteriores dele estejam prontas para que se possa iniciar uma nova parte do processo produtivo, conforme o diagrama abaixo: COMPRA MATÉRIA PRIMA PARA G FABRI- CAÇÃO G SUBMONTAGEM G COMPRA H MON- TAGEM P SUB MONTAGEM B COMPRA MATÉRIA PRIMA PARA F FABRI- CAÇÃO G SUBMONATGEM D SUB MON- TAGEM A COMPRA MATÉRIA PRIMA PARA E COMPRA MATÉRIA PRIMA PARA E Semana nº 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Adaptado de Administração da Produção e Operações, André Moreira - 1992 Ds suposições que retiradas do diagrama acima, tem-se; a data limite em que produto P deve estar pronto (12 semanas); para que isto ocorra é indispensável que todos os processos anteriores sejam cumpridos dentro dos prazos e das quantidades pré-estabelecidas. As informações retiradas dos relatórios pela programação MRP devem apresentar: - escala de tempo - identificação do ítem - necessidade brutas e suas datas - o estoque disponível - os recebimentos programados e suas datas - as necessidades liquidas e suas datas - as datas e quantidades de cada liberação de ordem. A montagem desta tabela deve iniciar pelo prazo final do produto a ser entregue, após isso calcula-se as necessidades líquidas dos componentes

4 (necessidades brutas deduzidas do estoque disponivel e dos recebimentos programados), deste ponto a mensuração das quantidades e estipúla-se os prazos para o início e término de cada atividade antecedente e seus níveis. Abaixo, um exemplo onde observa-se a execução detalhada de todo o sistema MRP: Itens pais e itens filhos Estrutura do produto Lista de materiais indentada Explosão de necessidades bruta de materiais A importância das previsões de vendas para o bom funcionamento do MRP Cálculo ou explosão de necessidades líquidas de materiais 12 OC corante 0,05 kg Plástico ABS (7g) Corante preto (.05g) 13 OC capa da garra OC ABS 7 kg Capa da garra 14 OP corpo OC suporte LT = 3 Mola Corpo do miolo Garra (3) Suporte da garra 15 16 OC mola OP miolo int. OC garra 3000 OC corante 0,01 kg Plástico ABS (10g) Corante azul (.01g) Fio de borracha (2cm) Borracha Miolo interno LT = 3 17 OC fio 20 m OC tira 2 kg OC grafite 4000 Presilha Tira.1 mm (2g) Tampa Tira Capa da.1 mm (2g) borracha OC ABS 10 kg Grafite (4) 18 OP borracha OP capa OC corpo OC tira 2 kg Corpo ponteira Guia pont Corpo externo Miolo 19 20 OP miolo OP lapiseira OP guia OC tampa OC presilha Lapiseira 21 Pedido lapiseira

5 Registro Básico do MRP: Fonte: CORREA, Henrique Plajamento, Programação e Controle da Produção.4Ed. São Paulo : Atlas,2004. 4. CONCLUSÃO O uso de um sistema MRP acarretará em mudanças drásticas no planejamento de uma empresa. Apesar de seu longo período de implantação (3 anos, Segundo MOREIRA, Daniel em Administração da Produção e Operações), os benefícios obtidos com o uso desta técnica, superam as desvantagens uma vez que propicia maior controle sobre o estoque, maior precisão nos pedidos de compra e prazos de entrega de um produto. Esses três fatores aliados geram informações mais concretas sobres seus custos e auxiliam o administrador na tomada de decisões. A utilização da ferramenta MRP, apesar de pecar por restringir seus conceitos às linhas de produção, acaba por influenciar diversos outros setores da organização por gerar maior segurança nos processos produtivos, uma vez que todos os passos são monitorador, planejados e posteriormente analisados para garantir sua eficência. Com o melhor uso dos níveis de estoque e tempo de armazenamento, observa-se outros três benefícios, resultantes da atuação do MRP: redução dos níveis de estoque com o aumento de seu giro com base na sua aquisição na quantidade e tempo correto; redução do seu ciclo de fabricação e diminuição no atraso de entrega aos clientes. A implantação deste sistema exige alto grau de envolvimento da alta administração e dos vários níveis e setores direta e indiretamente, e para que esta adaptação ocorra de maneira coordenada é de suma importância a distribuição das informações entre os envolvidos. 5. REFERENCIAS MOREIRA, D. A. Administração da Produção e Operações.1ed. São Paulo: Pioneira,1993. CORREA, H. Plajamento, Programação e Controle da Produção.4Ed. São Paulo : Atlas,2004.

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