Capítulo 5 Derivadas Parciais e Direcionais

Documentos relacionados
Capítulo 4 - Derivadas

Aula 15. Derivadas Direcionais e Vetor Gradiente. Quando u = (1, 0) ou u = (0, 1), obtemos as derivadas parciais em relação a x ou y, respectivamente.

(*) livro Cálculo Diferencial e Integral de Funções de Várias Variáveis, de Diomara e Cândida

12. Diferenciação Logarítmica

Parte II. Determinemos a variação do lucro, quando o custo do trabalho passa de 0 para 5 mil euros.

A Derivada. Derivadas Aula 16. Alexandre Nolasco de Carvalho Universidade de São Paulo São Carlos SP, Brazil

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Universidade de São Paulo

Funções de várias variáveis

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL APOSTILA DE CÁLCULO. Realização:

Cálculo II. Resumo Teórico Completo

14 AULA. Vetor Gradiente e as Derivadas Direcionais LIVRO

Universidade Estadual de Montes Claros Departamento de Ciências Exatas Curso de Licenciatura em Matemática. Notas de Aulas de

MAT001 Cálculo Diferencial e Integral I

14.5 A Regra da Cadeia. Copyright Cengage Learning. Todos os direitos reservados.

Cálculo diferencial de Funções de mais de uma variável

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

Resumo: Regra da cadeia, caso geral

CAPÍTULO 1 Sistemas de Coordenadas Lineares. Valor Absoluto. Desigualdades 1. CAPÍTULO 2 Sistemas de Coordenadas Retangulares 9. CAPÍTULO 3 Retas 18

7. Diferenciação Implícita

Cálculo a Várias Variáveis I - MAT Cronograma para P2: aulas teóricas (segundas e quartas)

Estudar mudança no valor de funções na vizinhança de pontos.

DERIVADA. A Reta Tangente

Cálculo Vetorial. Funções de duas variáveis Prof. Vasco Ricardo Aquino da Silva

11.5 Derivada Direcional, Vetor Gradiente e Planos Tangentes

Derivadas Parciais Capítulo 14

Derivadas 1 DEFINIÇÃO. A derivada é a inclinação da reta tangente a um ponto de uma determinada curva, essa reta é obtida a partir de um limite.

MAT 121 : Cálculo II. Aula 27 e 28, Segunda 03/11/2014. Sylvain Bonnot (IME-USP)

Derivadas Parciais. Copyright Cengage Learning. Todos os direitos reservados.

Matéria das Aulas e Exercícios Recomendados Cálculo II- MAA

Aula 22 O teste da derivada segunda para extremos relativos.

Capítulo 4 Funções à Várias Variáveis

Cálculo Diferencial e Integral 2: Derivadas direcionais e o vetor gradiente

Diferenciabilidade de funções reais de várias variáveis reais

Unidade 5 Diferenciação Incremento e taxa média de variação

Capítulo 3 - Geometria Analítica

CONTEÚDOS PARA BANCA MATEMÁTICA II. EDITAL Mestres e Doutores

MAT Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia II 3 a lista de exercícios

As Primitivas de f'(x) são o conjunto: { f(x): f(x)=2x + K, K real }= {..2x + 1.., 2x + 1/2,..2x + 0..,2x + 1/3,..2x }

DERIVADAS PARCIAIS. y = lim

Resumo com exercícios resolvidos do assunto:

Tópico 4. Derivadas (Parte 1)

Fazer os exercícios 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42 e 43 da 1 a lista.

Introdução ao Cálculo Vetorial

GGM Geometria Analítica I 19/04/2012- Turma M1 Dirce Uesu

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA INSTITUTO DE MATEMÁTICA DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA MAT B33 Limites e Derivadas Prof a. Graça Luzia Dominguez Santos

Para ilustrar o conceito de limite, vamos supor que estejamos interessados em saber o que acontece à

MAT Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia II 2 a Lista de Exercícios

MAT-2453 CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL I - BCC Prof. Juan Carlos Gutiérrez Fernández

Derivada - Parte 2 - Regras de derivação

Processamento de Malhas Poligonais

Universidade Federal do Paraná

GABARITO COMENTADO DE PROVAS DE FÍSICA CINEMÁTICA

Capítulo 1-Sistemas de Coordenadas, Intervalos e Inequações

TÓPICO. Fundamentos da Matemática II DERIVADAS PARCIAIS. Licenciatura em Ciências USP/ Univesp. Gil da Costa Marques

Operadores Diferenciais Aplicações Rebello 2014

Determinação de uma tangente para o gráfico de uma função. O coeficiente angular da reta tangente em P é

TEORIA CONSTRUINDO E ANALISANDO GRÁFICOS 812EE 1 INTRODUÇÃO

Da figura, sendo a reta contendo e B tangente à curva no ponto tem-se: é a distância orientada PQ do ponto P ao ponto Q; enquanto que pois o triângulo

Fundamentos de Matemática II DERIVADAS PARCIAIS7. Licenciatura em Ciências USP/ Univesp. Gil da Costa Marques

MATEMÁTICA I FUNÇÕES. Profa. Dra. Amanda L. P. M. Perticarrari

Lista de Exercícios 4 Disciplina: CDI1 Turma: 1BEEN

Aula 13. Plano Tangente e Aproximação Linear

Derivadas 1

Derivadas Parciais. Copyright Cengage Learning. Todos os direitos reservados.

Lista de Exercícios 4

O objeto fundamental deste curso são as funções de uma variável real. As funções surgem quando uma quantidade depende de outra.

Derivadas. Derivadas. ( e )

1.1 DERIVADA COMO RETA TANGENTE E TAXA DE VARIAÇÃO

Cálculo II. Resumo e Exercícios P3

Aula 5 - Produto Vetorial

3. Limites e Continuidade

ANEXOS Anexo A: Esboço de Curvas Anexo B: Exemplos Extras Anexo C: Aplicação do Software SLD

Capítulo 2- Funções. Dado dois conjuntos não vazios e e uma lei que associa a cada elemento de um único elemento de, dizemos que é uma função de em.

3 ano E.M. Professores Cleber Assis e Tiago Miranda

MAT146 - Cálculo I - Taxas de Variação. Alexandre Miranda Alves Anderson Tiago da Silva Edson José Teixeira

Halliday & Resnick Fundamentos de Física

MAT Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia II 3 a lista de exercícios

GGM Geometria Analítica e Cálculo Vetorial Geometria Analítica Básica 20/12/2012- GGM - UFF Dirce Uesu

A Derivada e a Inclinação de um Gráfico

Matéria das Aulas e Exercícios Recomendados Cálculo II- MAA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Instituto de Matemática PRIMEIRA PROVA UNIFICADA CÁLCULO I POLITÉCNICA E ENGENHARIA QUÍMICA 13/12/2012.

12 Qua 16 mar Coordenadas retangulares, representação Funções vetoriais paramétrica

Aproximações Lineares e Diferenciais. Aproximações Lineares e Diferenciais. 1.Aproximações Lineares 2.Exemplos 3.Diferenciais 4.

Cálculo Diferencial e Integral 2: Aproximações Lineares. Regra da Cadeia.

Teoremas e Propriedades Operatórias

Álgebra Linear I - Aula 5. Roteiro

SUMÁRIO VOLUME II 8 MODELAGEM MATEMÁTICA COM EQUAÇÕES DIFERENCIAIS SÉRIES INFINITAS CURVAS PARAMÉTRICAS E POLARES; SEÇÕES CÔNICAS 692

carga do fio: Q. r = r p r q figura 1

MAT Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia II 3 a lista de exercícios

Plano cartesiano, Retas e. Alex Oliveira. Circunferência

Translação e Rotação Energia cinética de rotação Momentum de Inércia Torque. Física Geral I ( ) - Capítulo 07. I. Paulino*

, ou seja, o ponto x 1

Derivadas direcionais Definição (Derivadas segundo um vector): f : Dom(f) R n R e P 0 int(dom(f)) então

Cálculo II. Derivadas Parciais

CÁLCULO I. Conhecer a interpretação geométrica da derivada em um ponto. y = f(x 2 ) f(x 1 ). y x = f(x 2) f(x 1 )

Transcrição:

Capítulo 5 Derivadas Parciais e Direcionais 1. Conceitos Sabe-se que dois problemas estão relacionados com derivadas: Problema I: Taxas de variação da função. Problema II: Coeficiente angular de reta tangente. Seja uma função a uma variável. A taxa de variação instantânea de em relação a quando e o coeficiente angular da reta tangente ao gráfico no ponto, onde são problemas resolvidos pelo cálculo do mesmo limite: Este limite recebe a terminologia especial de DERIVADA. Sejam uma função à duas variáveis independentes, e e um ponto sobre o gráfico de onde é um ponto do domínio da função e. Desejamos resolver os dois problemas relacionados com derivadas: taxa de variação da função quando e e coeficiente angular da reta tangente ao gráfico da função no ponto Sendo uma função à duas variáveis surgem as questões: Deseja-se calcular taxa de variação da função em relação a qual direção de variação do ponto do domínio? Há infinitas retas em que tangenciam a superfície no ponto. Qual a direção da reta que se deseja calcular o coeficiente angular? Cálculo II- 1

Inicialmente, vamos estudar as taxas de variação da função apenas em relação às variáveis independentes e. Estas taxas recebem a terminologia de DERIVADAS PARCIAIS. Notações: O gráfico de uma função de duas variáveis é, em geral uma superfície em. Considere: um ponto sobre o gráfico da função; uma curva obtida pela interseção da superfície com o plano e uma curva obtida pela interseção da superfície com o plano. A curva é uma curva plana contida no plano, paralelo ao plano, e satisfaz às condições: { Assim, a curva forma: representa o gráfico de uma função de uma variável na Se o valor da variável é mantido constante e igual a, então a variação da função se dá apenas em relação à variação da variável independente. Nestas condições há apenas uma reta contida no plano que tangencia a superfície no ponto Cálculo II- 2

A taxa de variação instantânea da função na direção de, quando e e o coeficiente angular da reta contida no plano e tangente ao gráfico no ponto são problemas resolvidos pelo cálculo do mesmo limite: que recebe a terminologia de DERIVADA PARCIAL EM RELAÇÃO A. Analogamente, a curva está contida num plano paralelo ao plano no qual todos os pontos têm coordenadas Esta curva representa o gráfico de uma função do tipo. A variação da função se dá apenas em relação à variação da variável independente e há apenas uma reta contida no plano que tangencia a superfície no ponto Se a taxa de variação instantânea de em relação a quando e o coeficiente angular da reta contida no plano e tangente ao gráfico da função no ponto são problemas resolvidos pelo cálculo do mesmo limite: que recebe a terminologia de DERIVADA PARCIAL EM RELAÇÃO A. 2. Definição: Derivadas parciais de funções a n variáveis Seja uma função a n variáveis e um ponto do ao domínio de, então a derivada parcial de em relação j-ésima variável é a função definida por: ) Se o limite existir. Observe que no cálculo das derivadas parciais todas as variáveis independentes, exceto a variável em relação a qual se deseja calcular a derivada parcial, são consideradas constantes. Porém, a função derivada depende dos valores a elas atribuídos. Assim a derivada parcial de uma função a variáveis também é uma função a variáveis. Cálculo II- 3

3. Revisão de Derivadas de Funções a uma Variável Derivada da Função Potência combinada com a Regra da Cadeia Derivada da Função Exponencial combinada com a Regra da Cadeia Derivada da Função Logarítmica Combinada com a Regra da Cadeia Derivada da Função Seno Combinada com a Regra da Cadeia ( ) Derivada da Função Co-Seno Combinada com a Regra da Cadeia ( ) Cálculo II- 4

4. Técnicas para o cálculo das derivadas parciais As derivadas parciais podem ser calculadas pelo uso das mesmas técnicas válidas para as funções ordinárias (funções a uma variável), exceto que todas as variáveis independentes, que não aquela em relação a qual efetuamos a derivação parcial, são tomadas temporariamente como constantes. 1) Derivada de uma constante é zero ) ) 2) Derivada do produto de uma constante por uma função é a constante multiplicada pela derivada da função ) ) ( ) ( ) ( ) ( ) 3) Derivada da soma (ou diferença) de funções é a soma (ou diferença) das derivadas das funções ) ( ) ( ) ( ) ( ) Cálculo II- 5

) ( ) ( ) ( ) ( ) 4) Derivada do produto de duas funções é a derivada da primeira multiplicada pela segunda mais a derivada da segunda multiplicada pela primeira ) ( ) [ ( ) ] [ ] ( ) 5) Derivada da divisão de duas funções é a derivada da função do numerador multiplicada pela função do denominador menos a derivada da função do denominador multiplicada pela função do numerador, dividido pela função do denominador ao quadrado Cálculo II- 6

) ( ) ( ) [ ( ) ] [ ] [ ] [ ( ) ] [ ] 6) Transcrição direta da regra da cadeia ( ) a) b) c) [ ] [ ] [ ] Cálculo II- 7

Exemplos: 1) Se, encontre e 2) Se, encontre, 3) Se, encontre, 4) Se, encontre ( ) ( ) ( ) [ ( ) ] ( ) ( ) ( ) [ ( ) ] [ ] ( ) ( ) Cálculo II- 8

5) A pressão, o volume e a temperatura de 1 mol de gás ideal estão relacionados pela equação: a) Determine a taxa de variação da pressão em relação à temperatura quando o volume do gás for de e a temperatura de. Quando o volume do gás confinado é de 150 se a temperatura aumentar de. e a temperatura é de a pressão aumentará de b) Determine a taxa de variação da pressão em relação ao volume, quando o volume for de 150 e a temperatura de. Quando o volume do gás confinado é de 150 se o volume do gás aumentar de. e a temperatura é de, a pressão diminuirá de c) Determine a taxa de variação do volume em relação à pressão, quando o gás a temperatura de 400 K está sujeito a uma pressão 100 O volume de um gás, a 400 K sujeito a uma pressão de 100 0,332 litros para cada 1 de aumento de pressão., diminui de Cálculo II- 9

6) Encontre as equações das retas tangente às curvas de interseção entre a superfície e os planos e no ponto. a) Interseção entre a superfície e o plano : A equação da curva formada pela interseção do plano superfície é: com a A curva de interseção é uma parábola no plano. A reta tangente a esta parábola no ponto ) está, então, contida no plano e sua equação é dada na forma: O coeficiente angular da reta tangente é o valor de quando e. Equação da reta: b) Interseção entre a superfície e o plano A curva formada pela interseção do plano com a superfície é a parábola no plano. O coeficiente angular da reta tangente a esta parábola no ponto (1,2,8) é o valor de quando e. A reta tangente está contida no plano Equação da reta: e sua equação é da forma 7) Encontre a equação da reta contida no plano e tangente à curva obtida pela interseção do gráfico de com o plano no ponto (2,2,8). a) Coeficiente angular da reta tangente à curva de interseção entre a superfície e o plano b) Equação da reta: Cálculo II- 10

5. Derivadas de ordem superior Se é uma função a duas variáveis, as suas derivadas parciais também são funções a duas variáveis. Assim podemos considerar as derivadas que são chamadas derivadas parciais de segunda ordem da função f. Se, temos as notações A notação significa que primeiro diferenciamos em relação a e depois em relação a A notação significa que primeiro diferenciamos em relação a e depois em relação a. De forma análoga, podemos definir derivadas parciais de terceira ordem, quarta ordem e assim por diante, por exemplo: [ ] Igualdade das derivadas parciais mistas de segunda ordem Em termos gerais, se as derivadas de primeira ordem de uma função existirem e forem contínuas, a ordem na qual sucessivas derivadas parciais são tomadas quando forem derivadas de ordem superior é irrelevante (Teorema de Clairaut). Exemplos Cálculo II- 11

Exemplos: 1) Calcule as derivadas de segunda ordem da função: 2) Calcule onde ( ) ( ) [ ( ) ] [ ( ) ] [ ( ) ] 3) Seja, calcule: ( ) ( ) Cálculo II- 12

6. Primeira Regra da Cadeia Suponha que seja uma função a duas variáveis e que sejam funções a uma outra variável, ou seja,. Então, pois ( ). Assim, a derivada de em relação à variável é: Generalização da Primeira Regra da Cadeia Se é uma função a variáveis, ou seja, e cada uma dessas variáveis é, por sua vez, função de uma variável, então e Exemplos: Utilize a regra da cadeia para determinar as derivadas indicadas: ) ( ) ( ) Cálculo II- 13

) ( ) ) ( ) 4) A pressão, o volume e a temperatura de 1 mol de gás ideal estão relacionados pela equação:. Encontre a taxa de variação da pressão em relação ao tempo, quando a temperatura é de e está aumentando numa taxa de e o volume é de e está aumentando numa taxa de Cálculo II- 14

A temperatura é e está aumentando na taxa: O volume é e está aumentando na taxa: Para A pressão decresce de aproximadamente de a cada 1 segundo. 5) A voltagem de um circuito elétrico diminui com o tempo numa taxa de devido ao desgaste da bateria enquanto a resistência aumenta numa taxa de devido ao aquecimento do resistor. Use a lei de Ohm para encontrar a taxa de variação da corrente em relação ao tempo, no instante em que e Quando A corrente decai de 0,000031 a cada segundo. Cálculo II- 15

7. Segunda Regra da Cadeia Suponha que com e. Então, pois ( ). Assim, possui derivadas parciais em relação a e em relação a dadas por: Generalização da Segunda Regra da Cadeia Se é uma função a variáveis, ou seja, e cada uma dessas variáveis é, por sua vez, função a outras variáveis, ou seja,. Então e Exemplos: Utilize a regra da cadeira para determinar as derivadas indicadas: ) Cálculo II- 16

) ( ) ) Cálculo II- 17

8. Diferencial Sejam uma função derivável a uma variável, uma variação na variável independente e a variação da função, devido à variação. Onde e. O diferencial de, denotado por, é o valor da variação da variável independente. O diferencial de, denotado por, representa a variação da ordenada da reta tangente ao gráfico da função no ponto ( ) devido à variação. A variação pode ser vista como uma aproximação linear para. O valor estará mais próximo do valor real da variação da função quanto menor for a variação da variável independente. Podemos dizer que se for bem pequeno, tem-se. Assim, a aproximação linear da função em é dada por: Cálculo II- 18

Sejam uma função a duas variáveis, e as variações nas direções e, respectivamente, e a variação da função devido aos incrementos e Onde, e. ( ) ) O diferencial de, denotado por é o valor da variação. O diferencial de, denotado por é o valor da variação O diferencial de, denotado por, também chamado de diferencial total, representa a variação da cota do plano tangente ao gráfico da função no ponto quando e y sofrem variações de e de, respectivamente: A equação do plano tangente ao gráfico da função no ponto é: A variação pode ser vista como uma aproximação linear para. Quanto menores forem os incrementos e, mais próximo do valor real da variação da função será a aproximação dada por. Podemos dizer que se e forem bem pequenos, tem-se. Assim, a aproximação linear da função em é dada por: Cálculo II- 19

Generalizando Seja uma função real a variáveis reais o diferencial total é dado por: Exemplos: 1) Encontre o diferencial total das funções: a) b) 2) Seja a) Encontre o diferencial total Cálculo II- 20

9. Diferenciação Implícita Dizemos que uma função é explícita quando ela é expressa por uma equação na qual é possível isolar de um lado a variável dependente e do outro lado da equação a expressão da função. Caso isto não ocorra dizemos que a função é implícita. Exemplos:, dizemos que é uma função explícita de, dizemos que é uma função implícita de O objetivo da diferenciação implícita é determinar a derivada de funções sem que haja a necessidade de explicitar a variável dependente. A técnica de diferenciação implícita utilizada para funções a uma variável, normalmente estudada em Cálculo I, consiste em diferenciar ambos os lados da equação e utilizar a regra da cadeia, pois a variável dependente implícita é função da variável independente. Exemplo do Método de diferenciação implícita utilizado em Cálculo I: Calcule a derivada sendo uma função implícita de dada pela equação: ( ) [ ] [ ] Cálculo II- 21

O processo de diferenciação implícita pode ser formulado com maior rigor e pode ser generalizado pelo uso das derivadas parciais. Suponha uma equação na forma que define implicitamente como uma função de, ou seja,. Assim, ( ) para todo no domínio de. Se as funções e forem diferenciáveis, podemos usar a Primeira Regra da Cadeia para diferenciar a equação e encontrar a derivada de. ( ) Exemplos: 1) Seja a equação com, encontre, utilizando o método generalizado. Equação na forma Cálculo de ( ) ( ) Cálculo II- 22

2) Dada a equação implícita, onde é função de, calcule utilizando o método generalizado das derivadas parciais. Equação na forma Cálculo de Podemos utilizar esta técnica em funções a mais de uma variável. Suponha uma equação na forma que define implicitamente como uma função de, ou seja,. Assim, ( ) para todo no domínio de. Se as funções e forem diferenciáveis, podemos usar a Segunda Regra da Cadeia para diferenciar a equação e determinar as derivadas parciais de, e. Cálculo de ( ) Cálculo II- 23

Cálculo de ( ) Exemplos: 1) Seja dada implicitamente por. Encontre as derivadas parciais de z. Equação na forma Cálculo de Cálculo II- 24

Cálculo de 2) Seja dado implicitamente pela equação. Encontre as derivadas parciais de. Equação na forma Cálculo de ( ) Cálculo de Cálculo II- 25

( ) Cálculo de ( ) ( ) 3) Encontre as derivadas parciais de, sendo dado implicitamente pela equação : ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Cálculo II- 26

10. Derivadas Direcionais Considere uma função diferenciável de duas variáveis dada pala equação e seja, um ponto desta superfície. A derivada parcial é a taxa de variação instantânea da função obtida quando, para um determinado valor fixo de, houver uma variação da variável independente na direção positiva do eixo. Geometricamente, a derivada parcial de em relação a é o coeficiente angular da reta contida no plano e tangente ao gráfico da função no ponto. A derivada parcial é a taxa de variação instantânea da função obtida quando, para um determinado valor fixo de, houver uma variação da variável independente na direção positiva do eixo. Geometricamente, a derivada parcial de em relação a é o coeficiente angular da reta contida no plano e tangente ao gráfico da função no ponto. A derivada direcional é a taxa de variação instantânea da função obtida quando houver variação das variáveis independentes e em uma direção qualquer. Geometricamente, a derivada direcional é o coeficiente angular da reta paralela ao vetor e tangente ao gráfico da função no ponto. Cálculo II- 27

Derivada Direcional Sejam um vetor que indica a direção na qual se deseja calcular a taxa de variação de uma função e um vetor unitário na direção de. A derivada direcional de é dada por na direção de, consequentemente, na direção de Define-se um vetor denominador por gradiente de e denota-se ou, o vetor em cujas componentes escalares são as derivadas parciais de. Assim, a derivada direcional pode ser calculada pelo produto escalar do gradiente de e o vetor unitário na direção de. Maximização das Derivadas Direcionais Muitas vezes em problemas de engenharia interessa saber a direção na qual a taxa de variação da função é máxima. Sabemos que a taxa de variação instantânea da função na direção de um vetor unitário qualquer é calculada pela derivada direcional: onde e é o menor ângulo formado entre os vetores. Como o valor de varia de -1 a 1, a derivada direcional terá um valor máximo quando, ou seja, quando. Isto significa que o vetor gradiente indica a direção na qual a derivada direcional é máxima e pode ser calculada por: Em outras palavras: o gradiente de um campo escalar é um vetor cuja direção indica a direção na qual o campo escalar aumenta mais rapidamente. Dado o mapa de contorno de uma função podemos identificar a direção da maior variação da função, ou seja, a direção do gradiente. Considere o mapa de contorno da figura abaixo onde é um vetor unitário tangente a isocurva no ponto. Lembrando que a isocurva representa pontos de mesmo valor da Cálculo II- 28

função, a taxa de variação da função ao longo de uma isocurva é nula, portanto a derivada direcional na direção de é nula. Assim, Isto significa que está a 90 do vetor, ou seja, o vetor é perpendicular à isocurva e indica a direção da maior variação da função. y x Exemplos: 1) Calcule o gradiente das funções abaixo: ) ( ) ) ( ) Cálculo II- 29

2) Dada a função, calcule e desenhe no sistema cartesiano o gradiente da função no ponto indicado ) ( ) y 4-3 x 3) Calcule a derivada direcional de na direção do vetor ( ) no ponto (1,2): Cálculo do vetor unitário na direção dada ( ) Como é um vetor unitário ( ) Cálculo do vetor gradiente Cálculo da derivada direcional ( ) ( ) Cálculo da derivada direcional quando e ( ) ( ) ( ) ( ) Cálculo II- 30

4) Encontre a derivada direcional de na direção do vetor no ponto (3, 4): ( ) Cálculo do vetor unitário na direção dada Cálculo do vetor gradiente ( ) ( ) ( ) ( ) Cálculo da derivada direcional ( ) ( ) ( ) Cálculo da derivada direcional quando e ( ) 5) Encontre a derivada direcional de na direção do vetor no ponto (1, 1, 2): Cálculo do vetor unitário na direção dada ( ) Cálculo do vetor gradiente ( ) ( ) ( ) Cálculo II- 31

( ) ( ) Cálculo da derivada direcional ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Cálculo da derivada direcional quando, e ( ) ( ) 6) Encontre a derivada direcional de na direção do vetor no ponto (1,3, 0): ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Cálculo II- 32

7) Suponha que uma pessoa esteja numa montanha cuja altura em metros é dada pela equação onde e são as distâncias, em metro, no plano horizontal. Considere que a posição desta pessoa seja. Sendo o plano horizontal representado por um sistema cartesiano de eixo apontando para leste e de eixo apontado para o norte, responda a) Se a pessoa andar para o sul, irá descer ou subir? Em que taxa? Vetor unitário na direção do movimento: O N y x L S Taxa de variação da função onde Taxa de variação da função quando e Conclusão: Como a taxa é positiva para cada metro que a pessoa andar para o sul ela subirá 3,2m. Cálculo II- 33

b) Se a pessoa andar para o noroeste, irá descer ou subir? Em que taxa? Vetor unitário na direção do movimento: N y ( ) O 45 x L ( ) S Taxa de variação da função onde ( ) Taxa de variação da função quando e Conclusão: Como a taxa é negativa, para cada metro que a pessoa andar na direção noroeste ela descerá 1,55 m. Cálculo II- 34

c) Se a pessoa andar para L 30 S, irá descer ou subir? Em que taxa? Vetor unitário na direção do movimento: ( ) ( ) O N y 30 x L ( ) S Taxa de variação da função onde ( ) Taxa de variação da função quando e Conclusão: Como a taxa é positiva, para cada metro que a pessoa andar na direção L 30 S ela subira 0,734. Cálculo II- 35

d) Determine e represente graficamente a direção que a pessoa deve seguir para fazer a descida mais íngreme possível. Qual a taxa de variação da função encontrada nesta direção? Sabe-se que a direção do gradiente indica a direção de maior acréscimo da função, ou seja, a pessoa subirá da forma mais íngreme possível. Quando e A maior taxa de variação da função é: Para cada metro que a pessoa andar na direção do gradiente ela subirá 3,35m. Para que a pessoa faça a descida da forma mais íngreme possível ela deverá seguir a direção oposta do gradiente, isto é, na direção do vetor e a taxa de variação da função é de - Esta taxa significa que para cada metro que a pessoa andar na direção do vetor ela descerá. 3,2 1 Cálculo II- 36