Critério de Estabilidade: Routh-Hurwitz

Documentos relacionados
Estabilidade de Sistemas Lineares Realimentados

Pólos, Zeros e Estabilidade

IV. ESTABILIDADE DE SISTEMAS LIT

CRITÉRIO DE ESTABILIDADE DE ROUTH

AULA 3. CRITÉRIO DE ESTABILIDADE DE Routh-Hurwitz. Universidade Federal do ABC UFABC ESTA003-17: SISTEMAS DE CONTROLE I

Sistemas de Controle 1

Controle de Processos Aula: Estabilidade e Critério de Routh

Aula 9. Carlos Amaral Cristiano Quevedo Andrea. UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná DAELT - Departamento Acadêmico de Eletrotécnica

Sistemas de Controle 1

SC1 Sistemas de Controle 1. Cap. 2 - Estabilidade Prof. Tiago S Vítor

B. A. Angelico, P. R. Scalassara, A. N. Vargas, UTFPR, Brasil

SISTEMAS DE CONTROLE I Capítulo 6 - Estabilidade. Prof. M.e Jáder de Alencar Vasconcelos

Pontifícia Universidade Católica de Goiás Escola de Engenharia. Aluno (a): Aula Laboratório 11 Cap 6 Estabilidade

PROJETO DE CONTROLADORES A PARTIR DO PLANO S. critério Routh-Hurwitz análise de estabilidade análise de desempenho

O lugar das raízes p. 1/54. O lugar das raízes. Newton Maruyama

O método do lugar das raízes

Aula 11. Cristiano Quevedo Andrea 1. Curitiba, Outubro de DAELT - Departamento Acadêmico de Eletrotécnica

Critério de Estabilidade de Routh-Hurwitz

VI. MÉTODO DO LUGAR GEOMÉTRICO DAS RAÍZES

Aula 12 Root Locus LGR (Lugar Geométrico das Raízes) parte II

Estabilidade de sistemas de controle lineares invariantes no tempo

O Papel dos Pólos e Zeros

Estabilidade no Domínio da Freqüência

Sistemas de controle. Prof. André Schneider de Oliveira

Lugar Geométrico das Raízes (Root Locus)

Fundamentos de Controlo

Fundamentos de Controlo

SC1 Sistemas de Controle 1. Cap. 3 Erros no Regime Estacionário Prof. Tiago S Vítor

J. A. M. Felippe de Souza 10 Estabilidade. 10 Estabilidade

6-Análise de estabilidade de sistemas feedback 6.1- Noções de estabilidade

EES-20: Sistemas de Controle II. 20 Outubro 2017 (Tarde)

Um resumo das regras gerais para a construção do lugar das raízes p. 1/43. Newton Maruyama

SCILAB: MÓDULO 4 SISTEMAS E CONTROLE

Análise do Lugar das Raízes

Sinais e Sistemas Unidade 5 Representação em domínio da frequência para sinais contínuos: Transformada de Laplace

Sistemas de Controle 2

Erros de Estado Estacionário. Carlos Alexandre Mello. Carlos Alexandre Mello 1

Resposta dos Exercícios da Apostila

Projeto de Filtros IIR. Métodos de Aproximação para Filtros Analógicos

ANÁLISE DO MÉTODO DA RESPOSTA EM FREQÜÊNCIA

Método do lugar das Raízes

O método do lugar das raízes

R + b) Determine a função de transferência de malha fechada, Y (s)

Compensadores: projeto no domínio da

O critério de Nyquist

Controle de Processos Aula: Função de transferência, diagrama de blocos, polos e zeros

Sintonia de Controladores PID

Indice. Resposta forçada (condições iniciais nulas)

RESPOSTA EM FREQUÊNCIA: DIAGRAMA DE BODE

Método de Nyquist. definições propriedades (Teorema de Cauchy) estabilidade Relativa. Margem de Ganho Margem de Fase

EES-49/2012 Prova 2. Individual Duração: 100 minutos. Consulta permitida a uma página A4 com anotações pessoais e fórmulas.

Controle e Sistemas Não lineares

Sistemas de Controle 2

Transformada de Laplace

Erro de Estado Estacionário

Erro de Estado Estacionário

Margem de Ganho e Margem de Fase Diagrama de Nichols

Resposta dinâmica. Prof. Alan Petrônio Pinheiro Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Engenharia Elétrica

Controle de Processos Aula 14: Critério de Estabilidade (Bode)

SCS Sistemas de Controle / Servomecanismos. Aula 04 Diagrama do lugar geométrico das raízes

PMR3404 Controle I Aula 3

2 a PROVA CONTROLE DINÂMICO Turma B 2 /2015

Analise sistemas LCIT usando a Transformada de Laplace

Sistemas de Controle 2

Controle de Sistemas. Estabilidade. Renato Dourado Maia. Universidade Estadual de Montes Claros. Engenharia de Sistemas

PMR3404 Controle I Aula 2

I Controle Contínuo 1

Controle de Processos Aula: Função de transferência, diagrama de blocos e pólos

Conteúdo. Definições básicas;

Resposta no Tempo. Carlos Alexandre Mello. Carlos Alexandre Mello 1

AULA #12. Estabilidade de Sistemas de Controle por

CAPÍTULO 4 - ANÁLISE DA RESPOSTA EM FREQÜÊNCIA

Aula 6 Transformada de Laplace

II. REVISÃO DE FUNDAMENTOS

UNIVERSIDADE GAMA FILHO PROCET DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA. Disciplina de Controle II Prof. MC. Leonardo Gonsioroski da Silva

Sumário. CAPÍTULO 1 Introdução 1. CAPÍTULO 2 Terminologia dos Sistemas de Controle 14

PROJETO DE FILTROS IIR

Princípios de Controle Robusto

Representação e Análise de Sistemas Dinâmicos Lineares Componentes Básicos de um Sistema de Controle

Modelagem Matemática de Sistemas

Aula 3. Carlos Amaral Fonte: Cristiano Quevedo Andrea

EES-49/2012 Prova 1. Q1 Dado o seguinte conjunto de equações:

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE ELETRÔNICA LUGAR DAS RAÍZES

Sistemas lineares. Aula 7 Transformada Inversa de Laplace

EES-49/2012 Correção do Exame. QBM1 Esboce o diagrama de Nyquist para a seguinte função de transferência:

1. Sinais de teste. 2. Sistemas de primeira ordem. 3. Sistemas de segunda ordem. Especificações para a resposta

Transcrição:

Critério de Estabilidade: Routh-Hurwitz O Critério de Nyquist foi apresentado anteriormente para determinar a estabilidade de um sistema em malha fechada analisando-se sua função de transferência em malha aberta Outro Critério de Estabilidade bastante conhecido é devido a Routh-Hurwitz Routh-Hurwitz encontraram condição necessária e suficiente para que um sistema LIT seja estável: precisa-se garantir que todos os polos da função de transferência de malha fechada tenham parte real negativa (pólos estejam localizados semiplano esquerdo do plano-s) 1 of 17

Critério de Estabilidade: Routh-Hurwitz Exemplo Considere G(s) = s 10 (s +2)(s 2 +s +2) Os pólos são 2, 1+ 7j Então G(s) é estável 2, 1 7j 2 e todos possuem parte real negativa Alerta Note que analisamos somente o denominador de G(s), pois somente ele determina os pólos A equação do denominador também é conhecida como Equação Característica 2 of 17

Critério de Estabilidade: Routh-Hurwitz Considere agora G(s) = s 10 s 7 +6s 6 +s 4 +9s 3 +s 2 +1 Para determinar a estabilidade, deve-se calcular todas as raízes da equação característica s 7 +6s 6 +s 4 +9s 3 +s 2 +1 = 0 Essa tarefa é difícil sem o auxílio do computador Routh-Hurwitz desenvolveram um método capaz de determinar a localização das raízes da equação característica sem necessidade de calcula-las explicitamente 3 of 17

(1) Escreva a equação característica da seguinte forma: a 0 s n +a 1 s n 1 + +a n 1 s +a n = 0 Veja se todos os coeficientes da equação característica são positivos (2) Caso a condição anterior seja satisfeita, arranje os coeficientes do polinômio de acordo com o seguinte padrão (Arranjo de Routh): b 1 = a1a2 a0a3 a 1 = 1 a 0 a 2 a 1 a 1 a 3 s n a 0 a 2 a 4 s n 1 a 1 a 3 a 5 s n 2 b b 1 b 2 b 3 2 = a1a4 a0a5 a 1 = 1 a 0 a 4 a 1 a 1 a 5 s n 3 c 1 c 2 c 3 s n 4 d 1 d 2 d 3 s 2 e 1 e 2 s 1 f 1 s 0 g 1 B A Angelico, P R Scalassara, A N Vargas, UTFPR, Brasil b 3 = a1a6 a0a7 a 1 = 1 a 1 a 0 a 6 a 1 a 7 c 1 = 1 b 1 a 1 a 3 b 1 b 2 4 of 17

O processo de formação das linhas continuará até que se esgotem todos os elementos, ou sejam até que a n-ésima linha seja completada (3) Critério de Routh-Hurwitz: o número de raízes com parte real positiva é igual ao número de mudanças de sinais dos elementos da primeira coluna do arranjo Exemplo Aplique o critério de Routh-Hurwitz para verificação da estabilidade de um sistema com a equação característica a seguir: s 4 +2s 3 +3s 2 +4s +5 = 0 s 4 1 3 5 s 3 2 4 0 s 2 1 5 s 1-6 s 0 5 Há duas mudanças de sinal na primeira coluna, ou seja, há duas raízes com partes reais positivas 5 of 17

Para utilização do critério de Routh-Hurwitz, deve-se considerar alguns casos: Caso 1: Caso já discutido, onde não há elementos nulos na primeira coluna do arranjo Caso 2: Há um valor nulo na primeira coluna, porém alguns elementos dessa linha são não nulos Neste caso o zero é substituído por um parâmetro, ǫ > 0, suficientemente pequeno Exemplo Considere o seguinte polinômio: s 5 1 2 11 s 4 2 4 10 s 3 ǫ 6 s 2 c 1 10 s 1 d 1 s 0 10 6 of 17 B A Angelico, P R Scalassara, A N Vargas, UTFPR, Brasil s 5 +2s 4 +2s 3 +4s 2 +11s +10 = 0 c 1 = 4ε 12 ε 12 ε d 1 = 6c 1 10ε c 1 6

Exemplo (Continuação) Há duas mudanças de sinal e, portanto, há duas raízes no semi-plano direito roots([1 2 2 4 11 10]) ans = 08950 + 14561i 08950-14561i -12407 + 10375i -12407-10375i -13087 B A Angelico, P R Scalassara, A N Vargas, UTFPR, Brasil Caso 3: Linha com todos os elementos nulos - Essa condição ocorre quando a equação característica possui fatores do tipo (s + σ)(s σ) ou (s +jω)(s jω) ou duas/quatro raízes reais de igual valor e sinais opostos - O arranjo é continuado formando-se um polinômio auxiliar, P(s), com os coeficientes da última linha não-nula e utilizando os coeficientes da derivada de P(s) na próxima linha - A ordem do polinômio auxiliar é sempre par e indica o número de raízes simétricas 7 of 17

Exemplo Considere a seguinte equação característica: s 5 +2s 4 +24s 3 +48s 2 25s 50 = 0 s 5 1 24-25 s 4 2 48-50 Polinômio Auxiliar P(s) s 3 0 0 s 2 s 1 s 0 Os termos na linha s 3 são todos nulos Isso, quando ocorre, é sempre em linhas ímpares O polinômio auxiliar é dado por: P(s) = 2s 4 +48s 2 50 A derivada de P(s) em relação a s é dada por: 8 of 17 dp(s) ds = 8s 3 +96s

Exemplo (Continuação) O arranjo então é completado da seguinte forma: s 5 1 24-25 s 4 2 48-50 s 3 8 96 s 2 24-50 s 1 112,7 0 s 0-50 Como há mudanças de sinal na primeira coluna, há raízes no semi-plano direito e, portanto, o sistema é instável Em casos como esse, o polinômio auxiliar é um polinômio par (possui expoentes de s que são inteiros pares ou zero) Sempre é um fator do polinômio original, ou seja, as raízes de P(s) também são raízes do polinômio original 9 of 17 B A Angelico, P R Scalassara, A N Vargas, UTFPR, Brasil s 5 +2s 4 +24s 3 +48s 2 +25s +50 = ( 2s 4 +48s 2 +50 ) (0,5s +1) }{{} P(s)

Exemplo (Continuação) As raízes de um polinômio par ocorrem em pares que são iguais em magnitude, mas com sinais opostos Tais raízes podem ser em pares puramente reais e/ou pares puramente imaginários e/ou complexas Se complexas, as raízes ocorrem sempre em grupos de quatro, devido às raízes complexas conjugadas Neste caso 3, haverá apenas sistemas instáveis ou marginalmente estáveis Caso 4: Raízes duplas, triplas, etc no eixo imaginário É um caso patológico e o critério de Routh-Hurwitz não revela este tipo de instabilidade 10 of 17

Exemplo Considere a seguinte equação característica: Q(s) = (s +1)(s +j)(s j)(s +j)(s j) = s 5 +s 4 +2s 3 +2s 2 +s +1 = 0 s 5 1 2 1 s 4 1 2 1 Polinômio auxiliar P(s) = s 4 +2s 2 +1 s 3 4 4 0 coeficientes de P (s) s 2 1 1 Polinômio auxiliar R(s) = s 2 +1 s 1 2 coeficientes de R (s) s 0 1 Notequenãohouveinversãodesinais, oquegera umasituaçãofalsade sistema marginalmente estável No entanto, raízes repetidasno eixo imagináriolevam a termos do tipotsin(t+ φ) na resposta temporal, o que não é estável 11 of 17

Exemplo (Continuação) Novamente, os polinômios pares são fatores de Q(x), pois, Q(s) = (s +1)(s +j)(s j) (s +j)(s j) }{{}}{{} } R(s) R(s) {{ } P(s) Exemplo Considerando o sistema abaixo, determine o intervalo de valores de K para que haja estabilidade 12 of 17

Exemplo (Continuação) A função de transferência de malha fechada é dada por: Y(s) R(s) = K s(s 2 +s +1)(s +2)+K A equação característica é s 4 +3s 3 +3s 2 +2s +K = 0 Tem-se o seguinte arranjo s 4 1 3 K s 3 3 2 0 s 2 7/3 K s 1 2 (9/7)K s 0 K B A Angelico, P R Scalassara, A N Vargas, UTFPR, Brasil Para sistema estável (sem troca de sinais na primeira coluna), tem-se: 14 9 > K > 0 13 of 17

Exemplo (Continuação) Quando K = 14 9, o sistema é marginalmente estável Resposta ao degrau para alguns valores de K: 14 of 17

Homework Determine se o sistema representado por cada equação característica abaixo é Estável, Marginalmente estável, ou Instável e a Qtde de polos no semiplano direito sobre jω e semiplano esquerdo 15 of 17

Homework Determine o intervalo de valores de K t de modo a garantir a estabilidade do sistema abaixo 16 of 17

Dica de atividades Dica 1 Fazer os Exercícios apresentados no livro K OGATA, Engenharia de Controle Moderno 17 of 17