Contabilidade Decifrada Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos DOAR Luiz Eduardo Conceitos iniciais Capital Circulante líquido CCL, Origens e Aplicações 1
Capital Circulante Líquido CCL, definido como a diferença entre o Circulante (AC) e o Circulante (PC) CCL (=) AC (-) PC -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM Origens, definidas como aumentos do CCL (aumentos do AC, reduções do PC ou a combinação de ambos) Origens (=) Aumentos ou seja Origens (=) Aumentos ou Reduções ou Combinação do CCL do AC do PC de ambos 2
Aplicações, definidas como reduções do CCL (reduções do AC, aumentos do PC ou a combinação de ambos) Aplicações (=) Reduções do CCL ou seja Aplicações (=) Reduções do AC ou Aumentos do PC ou Combinação de ambos Variação do CCL, definida como a diferença entre o CCL final e o CCL inicial Variação do CCL (=) CCL(f) (-) CCL(i) Ocorre que a variação do CCL também pode ser definida como a diferença entre os aumentos do CCL e suas reduções, ou seja, de acordo com as definições (b) e (c), a diferença entre as Origens e Aplicações Variação do CCL (=) Origens (-) Aplicações Conclui-se que a diferença entre o CCL final e o CCL inicial é numericamente idêntica à diferença entre Origens e Aplicações CCL(f) (-) CCL(i) (=) Origens (-) Aplicações 3
Conteúdo e estrutura conforme previsão legal Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos Art. 188. A demonstração das origens e aplicações de recursos indicará as modificações na posição financeira da companhia, discriminando: I - as origens dos recursos, agrupadas em: a) lucro do exercício, acrescido de depreciação, amortização ou exaustão e ajustado pela variação nos resultados de exercícios futuros; b) realização do capital social e contribuições para reservas de capital; c) recursos de terceiros, originários do aumento do passivo exigível a longo prazo, da redução do ativo realizável a longo prazo e da alienação de investimentos e direitos do ativo imobilizado. II - as aplicações de recursos, agrupadas em: a) dividendos distribuídos; b) aquisição de direitos do ativo imobilizado; c) aumento do ativo realizável a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido; d) redução do passivo exigível a longo prazo. III - o excesso ou insuficiência das origens de recursos em relação às aplicações, representando aumento ou redução do capital circulante líquido; IV - os saldos, no início e no fim do exercício, do ativo e passivo circulantes, o montante do capital circulante líquido e o seu aumento ou redução durante o exercício. Críticas - origens o lucro do exercício não faz parte do CCL, nem sequer é composto por contas patrimoniais - é formado por contas de resultado, apresentadas na DRE; a depreciação, a amortização ou a exaustão também não fazem parte do CCL - são contas de resultado (apresentadas na DRE) os resultados de exercícios futuros, da mesma forma, não fazem parte do CCL - sendo contas de passivo (em sentido amplo); o capital social e as reservas de capital não são contas do CCL - pertencem ao patrimônio líquido - PL; o passivo exigível a longo prazo - PELP é um grupo patrimonial que está fora do CCL, o ativo realizável a longo prazo ARLP também é um grupo patrimonial que se encontra alheio ao CCL, assim como os subgrupos do ativo permanente investimentos e imobilizado 4
Críticas - aplicações os dividendos distribuídos são registrados a crédito de LPA e, assim, consistem em reduções do Patrimônio líquido PL; o passivo exigível a longo prazo - PELP é um grupo patrimonial que está fora do CCL, o ativo realizável a longo prazo ARLP também é um grupo patrimonial que se encontra alheio ao CCL, assim como os subgrupos do ativo permanente investimentos, imobilizado e diferido. Mágica?!!! Em que pese o fato de que nenhuma das origens e aplicações estejam demonstradas pelos respectivos valores dos aumentos de contas do AC ou do PC, o somatório dos montantes atinentes aos itens que, de acordo com a estrutura da demonstração, compõem origens e aplicações, é numericamente igual à variação do CCL ( CCL(f) (-) CCL(i) ). 5
Análise didática da estrutura da demonstração as origens, definidas como aumentos do CCL, são evidenciadas a partir de elementos estranhos a ele; as aplicações, definidas como reduções do CCL, são evidenciadas a partir de elementos também estranhos a ele. Análise didática metáfora da bolsa Considere que o CCL seja a bolsa, pertencente a uma jovem senhora, que sai às compras pela manhã, na bolsa há: cheques e dinheiro (direitos passíveis de utilização no curto prazo) e contas para pagar (obrigações exigíveis no curto prazo). 6
Metáfora da bolsa (cont.) temos que monitorar o que aconteceu fora da bolsa, para deduzir o que aconteceu com o que estava dentro dela se, por acaso, a nossa personagem entrar em uma loja de roupas, e sair dela com uma sacola de compras, saberemos que o total de recursos na bolsa diminuirá (pois a aquisição de roupas novas implica pagamento saída de dinheiro da bolsa ou o surgimento de uma nova obrigação contas a pagar, na bolsa ) da mesma forma, se ela entrar em um cabeleireiro e sair com os cabelos de outra cor, deduziremos que o total de recursos da bolsa diminuirá (pois a despesa com cabeleireiro implica pagamento ou surgimento de obrigações o que reduz o valor da bolsa ); ao contrário, se ela entrar em um caixa eletrônico, para efetuar um saque, o total de recursos da bolsa aumentará (pois a contratação de um empréstimo para pagamento após o curto prazo após o passeio matinal implica recebimento de dinheiro, o que aumenta o valor da bolsa ). Razão dos termos: (1) origens e (2) aplicações ORIGENS (aumentos do CCL) na verdade são as contrapartidas (créditos) dos débitos que causam o aumento do CCL; APLICAÇÕES (reduções do CCL) na verdade são as contrapartidas (débitos) dos créditos que causam a redução do CCL. Pela aplicação do método das partidas dobradas: (1) para cada débito aplicação há um crédito origem de igual valor e que (2) o valor do ativo total de aplicações é igual ao valor do passivo (em sentido amplo) total de origens Assim, origens (=) aplicações 7
Representação matemática 1 (=) em sentido amplo (=) Exigível (+) PL 2 porém, (=) AC (+) ARLP (+) AP Exigível (=) PC (+) PELP (+) REF 3 portanto, conclui-se que: AC (+) ARLP (+) AP (=) PC (+) PELP (+) REF (+) PL 4 daí, temos que: AC (-) PC (=) PELP (+) REF (+) PL (-) ARLP (-) AP 5 como, AC (-) PC (=) CCL 6 conclui-se que: CCL (=) PELP (+) REF (+) PL (-) ARLP (-) AP Proposta didática de análise da DOAR a identificação do conceito de CCL, metaforicamente, com a idéia de uma bolsa, onde estão os direitos de curto prazo (dinheiro e cheques a depositar) e as obrigações de curto prazo (contas a pagar); e considerar que a DOAR tem por objetivo apresentar a evolução do conteúdo interno de uma bolsa, através da explicitação dos fatos ocorridos por fora da bolsa. 8
1) ORIGENS a) Lucro líquido ajustado: i) (+) Depreciação / amortização / exaustão ii) (+/-) aumentos ou reduções dos Resultados de exercícios futuros iii) (+/-) resultados negativos/positivos decorrentes de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial iv) (+/-) constituição/reversão de Provisão para perdas em investimentos permanentes ou de longo prazo v) (+/-) Variações monetárias passivas/ativas de longo prazo. vi) (+/-) Ajustes credores/devedores de exercícios anteriores que afetam o CCL vii) (+/-) perda/ganho de capital na alienação de bens do permanente (nem sempre este ajuste é necessário depende do valor da origem relativa à alienação do ativo permanente apresentada) b) Realização de capital e Contribuições para Reservas de capital c) Aumento do Exigível a Longo Prazo e Redução do Realizável a Longo Prazo d) Alienação de investimentos permanentes e de bens do imobilizado 2) Aplicações a) Dividendos (e lucro líquido ajustado no caso de ser negativo) b) Aumento do Realizável a Longo Prazo e Redução do Exigível a Longo Prazo c) Aquisição de bens do imobilizado e de investimentos permanentes d) Aumento do ativo diferido e) Outras aplicações redução do capital e aquisição de ações em tesouraria 3) Total das origens (-) Total das aplicações 4) Variação do CCL - CCLfinal (-) CCLinicial Lucro líquido Lucro Líquido ajustado (+) Depreciação / amortização / exaustão (+/-) aumentos/reduções de Resultados de exercícios futuros (+/-) Ajustes decorrentes de resultados negativos/resultados positivos em investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial (+/-) Constituição/reversão de Provisão para perdas em investimentos permanentes ou de longo prazo (+/-) Variações monetárias (passivas/ativas) de longo prazo. (+/-) Ajustes credores/devedores de exercícios anteriores - que afetam o CCL (+/-) Ganho/perda de capital na alienação de bens do permanente 9
Lucro líquido do período: receitas(-)despesas as receitas geram aumento do CCL (ou seja, que o valor das receitas vão para a bolsa ) a receita pode ser paga à vista, aumentando o AC (e, conseqüentemente, o CCL) a receita pode ser auferida para pagamento a prazo, aumentando também o AC (e, conseqüentemente, o CCL) a receita pode ter sido recebida em adiantamento e, quando auferida, reduz o PC (aumentando, conseqüentemente, o CCL) ----------- ----------- ----------- ----------- Receita X D = Caixa ou Bancos C = a Receita x D = Duplicatas a Receber (ou Contas a Receber) C = a Receita x D = Adiantamento de clientes C = a Receita x 10
Lucro Líquido (cont.) as despesas geram reduções do CCL (ou seja, que o valor das despesas saem da bolsa ) a despesa pode ser paga à vista, reduzindo o AC (e, conseqüentemente, o CCL) a despesa pode ser incorrida para pagamento a prazo, aumentando o PC (e, conseqüentemente, reduzindo o CCL) a despesa pode ter sido paga adiantadamente e, quando auferida, reduz o AC (reduzindo, conseqüentemente, o CCL) ----------- ----------- ----------- ----------- Despesa Y D = Despesa C = a Caixa ou Bancos y D = Despesa C = a Contas a Pagar y D = Despesa C = a pagas adiantadamente y 11
----------- ----------- ----------- ----------- Despesa Y Receita X --------- Lucro líquido Z Ajustes ao lucro líquido e despesas que não influenciam o CCL e Lucro líquido ajustado Se vão para a bolsa e despesas saem da bolsa, pensamos que o Lucro líquido vai para a bolsa. Entretanto nem toda despesa sai da bolsa e nem toda receita vai para a bolsa. é necessário fazer alguns ajustes (1) somar ao lucro líquido as despesas que diminuíram o valor do lucro, mas que não saíram da bolsa e (2) subtrair, do lucro líquido, as receitas que aumentaram o lucro, mas que não foram para a bolsa. 12
Depreciação / amortização / exaustão Art. 188. A demonstração das origens e aplicações de recursos indicará...: I - as origens dos recursos, agrupadas em: a) lucro do exercício, acrescido de depreciação, amortização ou exaustão...; D = despesa com encargos de depreciação/amortização/exuastão 1 - C = a depreciação/amortização/exuastão acumulada y as despesas de encargos de depreciação, amortização e exaustão não saem da bolsa, mas reduzem o ativo permanente ----------- ----------- ----------- ----------- (-) dep. Ac. y Despesa Y 13
Exemplo ajuste de depreciação Demonstração do Resultado do Exercício Item Valor RBV 10.000,00 (-) CMV (4.000,00) (=) LB 6.000,00 (-) despesas financeiras (2.000,00) (-) encargos de depreciação (1.000,00) (=) Lucro Operacional 3.000,00 (-) IR/CSLL (800,00) (=) LL 2.200,00 Análise do exemplo a Receita bruta de vendas (RBV no valor de R$ 10.000,00) efetivamente vai para a bolsa, portanto, não há qualquer ajuste a fazer com relação a esse item componente do Lucro Líquido do exercício; o custo da mercadoria vendida (CMV no valor de R$ 4.000,00) é lançado a crédito da conta estoques (pertencente ao AC) e, assim, reduz efetivamente o CCL, ou seja, sai da bolsa, portanto, da mesma forma, não há necessidade de ajuste com relação a esse item; as despesas financeiras efetivamente reduzem o CCL e, portanto, não demandam ajustes ao lucro líquido; os encargos de depreciação não são registrados a crédito de conta do CCL, mas a crédito de conta do permanente e, assim, não reduzem o CCL, mas o permanente e, portanto, demandam um ajuste: (1) esses encargos reduziram o lucro líquido, mas (2) não saíram da bolsa, conseqüentemente (3) devem ser somados ao lucro líquido para apuração do valor que efetivamente foi para a bolsa, a partir do lucro líquido. Os valores do IR e CSLL aumentam o PC e, assim, reduzem o CCL, portanto, não há necessidade de qualquer ajuste quanto a esses itens. 14
Exemplo - conclusão Dessa forma, a partir do lucro líquido do exercício (no valor de R$ 2.200,00) conclui-se que efetivamente foi para a bolsa o valor de R$ 3.200,00, que seria o valor do lucro líquido caso não tivesse ocorrido a despesa de depreciação. Assim, o ajuste necessário é o de soma do valor de R$ 1.000,00 (relativo ao encargo de depreciação) ao valor de R$ 2.200,00 (relativo ao lucro líquido do exercício) Ajuste Resultados de exercícios futuros (1) a adição dos valores dos aumentos dos saldos desse grupo patrimonial e (2) a subtração dos valores das reduções desses saldos Art. 188. A demonstração das origens e aplicações de recursos indicará...: I - as origens dos recursos, agrupadas em: a) lucro do exercício,... ajustado pela variação nos resultados de exercícios futuros; quando o saldo de REF aumenta, houve um recebimento de dinheiro, mas ainda não foi registrada a respectiva receita e quando o saldo do REF diminui, houve a apropriação da receita anteriormente recebida, portanto, foi registrada uma receita mas não houve ingresso de dinheiro em caixa. 15
AC 50.000,00 PC ==> AC - PC = CCL ----------- ----------- ----------- ----------- 50.000,00 Despesa - Receita - --------- Lucro líquido - ----------- ----------- ----------- ----------- 40.000,00 Despesa 0 Receita 10.000,00 --------- Lucro líquido 10.000,00 Ajustes decorrentes de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial Esse ajuste não é previsto pela Lei das S/A Entretanto, pela lógica, deve ser realizado o método da equivalência patrimonial consistem em atualização (a cada período) do valor do valor da participação societária, classificada no permanente investimentos da empresa investidora, em função do aumento ou redução do Patrimônio líquido da empresa investida, com contrapartida em contas de resultados receitas ou despesas (resultados positivos, ou negativos, em participações societárias, conforme visto no estudo da DRE). 16
----------- ----------- ----------- ----------- Part. Societ. Receita X ----------- ----------- ----------- ----------- Part. Societ. Despesa y Ajustes de equivalência patrimonial (resultados positivos) ou despesas (resultados negativos) Têm influência no Lucro líquido do exercício (aumentando-o ou reduzindo-o), Não impactam o valor do CCL - representam aumentos ou reduções do ativo permanente. Resultados positivos ou negativos em participações societária, pelo método da equivalência patrimonial, não vão para a bolsa, nem saem da bolsa. Assim, para apuração do valor que efetivamente foi para a bolsa, a partir do Lucro liquido do exercício: resultados positivos em participações societárias, pelo método da equivalência patrimonial, devem ser subtraídos do valor do Lucro líquido do exercício resultados negativos em participações societárias, pelo método da equivalência patrimonial, devem ser adicionados ao valor do Lucro líquido do exercício 17
Provisão para perdas em investimentos permanentes ou de longo prazo Na Lei das S/A, também não estão previstos esses ajustes. Eles se fazem necessários pela lógica da demonstração. Conceito de provisão - uma perda na penumbra : Constituição débito de uma conta de resultado crédito de uma conta de natureza credora (retificadora do ativo ou passivo); Reversão crédito de uma conta de resultado débito da conta de natureza credora (conta retificadora do ativo ou passivo) provisão do ativo circulante (retificadora) ou do passivo circulante - não há ajuste Provisão de longo prazo - despesa que não saiu da bolsa, demanda ajuste ----------- ----------- (-) Provisão Provisão ----------- ----------- (-) Provisão Despesa com provisão y ----------- ----------- (-) Provisão Provisão ----------- ----------- (-) Provisão Rec. Rev. Provisão z 18
Variações monetárias (ativas e passivas) de longo prazo Na Lei das S/A, também não estão previstos esses ajustes. Eles se fazem necessários pela lógica da demonstração. Variação monetária - aumentos ou reduções do patrimônio devidos à modificação de um índice econômico a que um ativo ou passivo está atrelado, por força contratual Variação monetária passiva débito - conta de resultado crédito - conta patrimonial (reduzindo ativo ou aumentando passivo) Variação monetária ativa crédito - conta de resultado débito - conta patrimonial (aumentando ativo ou reduzindo passivo) Variação monetária (ativa ou passiva) de elemento circulante - não há ajuste Variação monetária passiva relativa a elemento de longo prazo - despesa que não saiu da bolsa. Variação monetária ativa relativa a elemento de longo prazo - receita que não entrou da bolsa. ----------- ----------- direito de LP Obrigação de LP ----------- ----------- direito do permanente Variação monetária passiva y ----------- ----------- Direito de LP Obrigação de LP ----------- ----------- Direito do permanente Variação Monetária ativa z 19
Ajustes de exercícios anteriores que afetam o CCL valores que deveriam ter sido registrados como despesas ou receitas em exercícios anteriores, mas que não foram receita de exercício anterior devidamente registrada, teria aumentado o lucro daquele exercício - conta LPA com saldo majorado despesa de exercício anterior devidamente registrada, teria reduzido o lucro daquele exercício - conta LPA com saldo reduzido ajustes de exercícios anteriores, relativos a elementos do CCL não interferem no valor do Lucro líquido do exercício mas ensejam a entrada ou saída de valores na bolsa Ajustes adicionar ao Lucro o valor de ajustes de receitas de exercícios anteriores subtrair do Lucro o valor de ajustes de despesas de exercícios anteriores Ganho/perda de capital na alienação de bens do permanente Ajuste não previsto na Lei das S/A nem todos os doutrinadores o entendem necessário Art. 188. A demonstração das origens e aplicações de recursos indicará as modificações na posição financeira da companhia, discriminando: I - as origens dos recursos, agrupadas em: a) lucro do exercício, acrescido de depreciação, amortização ou exaustão e ajustado pela variação nos resultados de exercícios futuros;... c) recursos de terceiros, originários... da alienação de investimentos e direitos do ativo imobilizado. Possíveis interpretações desconsiderar qualquer ajuste ao lucro líquido do exercício a título de alienação de bens do permanente e demonstrar os recursos de terceiros originários da alienação de investimentos e direitos do ativo imobilizado pelo valor do bem baixado em virtude da alienação; efetuar ajuste ao lucro líquido do exercício a título de alienação de bens do permanente (subtraindo o ganho de capital ou adicionando a perda de capital) e demonstrar os recursos de terceiros originários da alienação de investimentos e direitos do ativo imobilizado pelo valor da respectiva alienação; 20
Exemplo DOAR x ganhos de capital Demonstração do Resultado do Exercício Item Valor Obs. RBV 10.000,00 (-) CMV (4.000,00) (=) LB 6.000,00 (-) despesas financeiras (2.000,00) (=) Lucro Operacional 4.000,00 (+) não operacionais 2.000,00 de alienação do permanente (-) não operacionais (1.000,00) custo do permanente vendido (=) Lucro antes dos tributos 5.000,00 (-) IR/CSLL (800,00) (=) LL 4.200,00 Exemplo - DOAR sem o ajuste DOAR item valor I - origens a) Lucro Líquido ajustado 4.200,00 b)... c) Recursos de terceiros originados da alienação do ativo 1.000,00... total das origens 5.200,00 21
Exemplo DOAR com o ajuste DOAR item valor I - origens a) Lucro Líquido ajustado 3.200,00 b)... c) Recursos de terceiros originados da alienação do ativo 2.000,00... total das origens 5.200,00 Lucro líquido ajustado - resumo Lucro Líquido do Exercício (+) Depreciação / amortização / exaustão (+/-) aumentos/reduções de Resultados de exercícios futuros Ajustes decorrentes de resultados negativos/resultados positivos em (+/-) investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial Constituição/reversão de Provisão para perdas em investimentos permanentes (+/-) ou de longo prazo (+/-) Variações monetárias (passivas/ativas ) de longo prazo. (+/-) Ajustes credores/devedores de exercícios anteriores - que afetam o CCL perda/ganho de capital na alienação de bens do permanente (eventualmente (+/-) dependendo da interpretação dos dispositivos da Lei das S/A) (*) (*) nesse caso, influenciando no valor a ser demonstrado a alínea "c" do inciso I do art. 188 22
Lucro líquido ajustado obs. independentemente de ter sido auferido lucro ou prejuízo no exercício: (1) se o lucro líquido ajustado for positivo, deve ser registrada uma origem nesta linha da DOAR; (2) se o lucro líquido ajustado for negativo, não deve ser registrada uma origem nesta linha da DOAR, devendo ser registrada uma aplicação em item a seguir estudado. Recursos originados dos sócios realização de capital -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 23
Realização de capital em bens A doutrina se divide: alguns autores defendem a aplicação do método restritivo, entendendo que operações que não geram alteração no CCL não deveriam sequer figurar na DOAR outros autores defendem a aplicação do método amplo entendendo que, como a DOAR deve ser elaborada a partir dos Balanços Patrimoniais (inicial e final) e da DRE da empresa, não é possível expurgar essas operações e, portanto, devem ser consideradas ao mesmo tempo uma origem e uma aplicação (virtuais), no mesmo valor, que se anulam em termos de variação do CCL. Realização de capital em bens método amplo Registro concomitante de entrada e saída que se anulam -- -- -- -- INV IMOB CAP 50.000,00 Imóvel 50.000,00 DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 24
Recursos originados dos sócios - Contribuições para Reservas de capital -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM Recursos originados de terceiros aumento do PELP Art. 188.... I - as origens dos recursos, agrupadas em:... c) recursos de terceiros, originários do aumento do passivo exigível a longo prazo,... -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 25
Recursos de terceiros financiamento de bens -- -- 50.000,00 -- -- INV IMOB CAP Equipamento 50.000,00 DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM Recursos originados de terceiros redução do ARLP Art. 188.... I - as origens dos recursos, agrupadas em:... c) recursos de terceiros, originários... da redução do ativo realizável a longo prazo -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 26
Redução do ARLP mediante recebimento de bens -- -- -- -- INV IMOB CAP Equipamento 50.000,00 DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM Alienação de investimentos permanentes e de bens do imobilizado Alternativamente apresentado na DOAR: pelo valor recebido na alienação (com o respectivo ajuste ao lucro líquido do período) exclusão do ganho de capital ou adição da perda de capital ou pelo valor contábil do bem baixado 27
Total das origens -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM Lucro líquido Aplicações de recursos decorrentes da atividade da empresa para os sócios dividendos e, eventualmente, o lucro líquido ajustado (quando seu valor for negativo) D = LPA C = a dividendos propostos a distribuir x 28
-- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM Aplicações recursos para terceiros Aumento do Realizável a Longo Prazo Redução do Exigível a Longo Prazo Aquisição de bens do imobilizado e de investimentos permanentes Aumento do ativo diferido Outras aplicações redução do capital e aquisição de ações em tesouraria 29
Aumento do Realizável a Longo Prazo Art. 188....... II - as aplicações de recursos, agrupadas em:... c) aumento do ativo realizável a longo prazo...; D = Direitos de longo prazo - ARLP C = a Caixa ou Bancos x -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 30
Redução do Exigível a Longo Prazo quando a empresa efetua o pagamento de um empréstimo antes tomado ou, pelo transcorrer do tempo, uma obrigação de longo prazo é reclassificada para o passivo circulante (e, conseqüentemente, para dentro do CCL, reduzindo-o) Art. 188....... II - as aplicações de recursos, agrupadas em:... d) redução do passivo exigível a longo prazo. D = Obrigações de longo prazo - PELP C = a Caixa ou bancos x -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 31
Aquisição de bens do imobilizado e de investimentos permanentes Art. 188....... II - as aplicações de recursos, agrupadas em:... b) aquisição de direitos do ativo imobilizado; c)..., dos investimentos...; D = Permanente - imobilizado ou investimentos C = a Caixa ou bancos x -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 32
Aumento do ativo diferido Diferido - gastos que influenciarão vários exercícios vindouros Gastos pagamentos redução do CCL Art. 188....... II - as aplicações de recursos, agrupadas em:... c) aumento... do ativo diferido; D = diferido C = a Caixa ou Bancos x -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 33
Outras aplicações Lei das S/A não prevê mas a lógica da demonstração demanda sua existência redução do capital e aquisição de ações em tesouraria Redução do capital D = Capital social subscrito C = a Caixa ou Bancos x Aquisição de ações em tesouraria D = Ações em tesouraria C = a Caixa ou Bancos y 34
-- -- -- -- INV IMOB CAP DIF Reservas LUCRO ACUM (-) aç em tesour. Total das aplicações -- -- -- -- INV IMOB CAP DIF RES CAP RES REAV RES LUCRO LUCRO ACUM 35
Total das origens (-) aplicações (=) Variação do CCL Art. 188. A demonstração das origens e aplicações de recursos indicará as modificações na posição financeira da companhia, discriminando: I - as origens dos recursos, agrupadas em:... II - as aplicações de recursos, agrupadas em:... III - o excesso ou insuficiência das origens de recursos em relação às aplicações, representando aumento ou redução do capital circulante líquido; IV - os saldos, no início e no fim do exercício, do ativo e passivo circulantes, o montante do capital circulante líquido e o seu aumento ou redução durante o exercício. 1) ORIGENS a) Lucro líquido ajustado: i) (+) Depreciação / amortização / exaustão ii) (+/-) aumentos ou reduções dos Resultados de exercícios futuros iii) (+/-) resultados negativos/positivos decorrentes de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial iv) (+/-) constituição/reversão de Provisão para perdas em investimentos permanentes ou de longo prazo v) (+/-) Variações monetárias passivas/ativas de longo prazo. vi) (+/-) Ajustes credores/devedores de exercícios anteriores que afetam o CCL vii) (+/-) perda/ganho de capital na alienação do permanente (dependendo do valor demonstrado relativo à alienação do ativo permanente) b) Realização de capital e Contribuições para Reservas de capital c) Aumento do Exigível a Longo Prazo e Redução do Realizável a Longo Prazo d) Alienação de investimentos permanentes e de bens do imobilizado 2) Aplicações a) Dividendos (e lucro líquido ajustado no caso de ser negativo) b) Aumento do Realizável a Longo Prazo e Redução do Exigível a Longo Prazo c) Aquisição de bens do imobilizado e de investimentos permanentes d) Aumento do ativo diferido e) Outras aplicações - redução do capital e aquisição de ações em tesouraria 3) Total das origens (-) Total das aplicações 4) Variação do CCL - CCLfinal (-) CCLinicial 36