DISCIPLINA: DOWNSTREAM TRANSPORTE Prof. Mauro Ferreira

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1 DISCIPLINA: DOWNSTREAM TRANSPORTE Prof. Mauro Ferreira CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Iniciaremos aqui mais um desenvolvimento de segmento da Indústria de Petróleo e Gás, DOWNSTREAM TRANSPORTE, no que se refere a toda logística empregada para armazenamento, deslocamento e transporte de derivados de petróleo, o petróleo bruto e gás, bem como todas as precauções e medidas de segurança que se necessárias nesses tipos de operações. Também será alvo de nosso estudo, a atual matriz de transporte brasileira, seus problemas e sugestões para amplia-la e melhor servir a todos os segmentos da indústria em nosso país. Em qualquer operação com meios de transporte devem ser levados em conta os seguintes fatores: carga transportada (quantidade, peso e valor), distância a ser percorrida e tempo de percurso. As unidades físicas utilizadas são passageiro/quilômetro e tonelada/quilômetro. Em função do volume e tipo de carga podemos destacar que: para cargas de grande volume, mas de baixo valor unitário (minérios), dá-se preferência aos meios de transportes ferroviário e aquático; para cargas de pequeno volume, mas de alto valor unitário (ouro, joias), a preferência recai nos transportes de maior rapidez e segurança (o aéreo, por exemplo); para cargas de produtos perecíveis, a maior preferência é também pelos transportes de maior rapidez. Nos países desenvolvidos, seja de grande ou de pequena extensão territorial, o transporte de mercadorias é feito de maneira predominante por meio de ferrovias e hidrovias. Esses tipos de transporte proporcionam uma maior capacidade de carga e são muito mais econômicos. No Brasil e em outros países subdesenvolvidos, onde a influência da indústria automobilística (norte-americana, em especial) tem sido preponderante, verifica-se o predomínio do transporte rodoviário. Esse tipo de transporte, como sabemos, oferece pequena capacidade de carga, maior consumo proporcional de combustível e dependência de petróleo, sendo, portanto, bem mais caro que o ferroviário e o hidroviário. A seguir abordaremos os meios de transporte mais utilizados no mundo, principalmente no transporte de cargas, não deixando de mencionar a sua devida importância para desenvolvimento das cidades, no transporte de passageiros e na locomoção facilitada em grandes centros urbanos.

2 MEIOS DE TRANSPORTE Os principais meios de transporte são os seguintes: Terrestres: ferroviário, rodoviário e metroviário; Hidroviários: marítimo, fluvial e lacustre; Aéreo; Dutoviário. A seguir descreveremos um breve histórico de cada um deles, suas principais características, vantagens e desvantagens, além de sua importância na matriz brasileira e mundial de transporte. TRANSPORTE FERROVIÁRIO O trem foi o principal meio de transporte do século XIX, tendo sofrido grande expansão mundial entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, principalmente na Europa e na América do Norte, áreas que concentram cerca de 70% do total mundial. Grande número de ferrovias foi construído na Europa, ligando as áreas portuárias ao interior, bem como as capitais às diversas regiões, promovendo a integração nacional, estimulando o comércio e facilitando a circulação de pessoas e mercadorias. Em países de grande extensão territorial, como os EUA e o Canadá, foram construídas grandes ferrovias (transcontinentais), algumas delas cruzando o território de leste a oeste, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. Na União Soviética foi construída a Transiberiana (a maior ferrovia do mundo), ligando Moscou a Vladivostok, no litoral do Pacífico. Essas ferrovias foram de grande importância na ocupação territorial de áreas distantes, na dinamização econômica e comercial, no maior controle governamental e na própria unidade e integração nacional. Entre 1940 e 1960, verificou-se certa estagnação e até mesmo declínio das ferrovias, chegando muitas delas a ser desativadas. A causa dessa estagnação foi a expansão das estradas de rodagem em consequência do uso de novas fontes energéticas (petróleo, por exemplo). Entretanto, a partir da década de 70, deu-se uma reativação do transporte sobre trilhos, em razão das novas conjunturas decorrentes de fatores como a crise do petróleo, o desenvolvimento tecnológico no setor de transportes (trens modernos e velozes, metrô, turbotrem, hovertrem), a expansão populacional e urbana exigindo transportes de massa etc. Na verdade, com o aparecimento de trens ultra velozes, que já atingem velocidade de 200km/h a 300kmIh (turbotrem) e até 400km/h (hovertrem), o transporte ferroviário começa a concorrer com o aéreo. De qualquer modo, o transporte ferroviário mundial apresentou grande expansão nos últimos 150 anos, passando de km em 1840 para km em No caso do Brasil temos: 1854: 14,5 km; 1920: km; 1989: km. Embora simplificados, esses números relativos ao Brasil mostram que, até a década de 20, as ferrovias apresentaram grande expansão no pais, ao passo que após essa década verificou-se uma verdadeira estagnação do sistema ferroviário. Os atuais

3 km de ferrovias, se comparados com a extensão territorial do país ( km2), resultam numa densidade ferroviária extremamente baixa (0,3 km de trilhos para cada 100 km2 de área), inferior à de países como Argentina (1,0), Índia (1,5), Bélgica (17,0) e EUA (3,5). Eis algumas características e vantagens do transporte ferroviário: Grande capacidade no transporte de cargas e passageiros; É mais econômico que o rodoviário; Possui diversas opções energéticas (vapor, diesel, eletricidade); Material rodante é de longa duração; Os trens modernos podem atingir grandes velocidades; Estimula o desenvolvimento das indústrias de base. De modo geral, o transporte ferroviário é o mais utilizado no deslocamento de cargas nos países desenvolvidos. Os EUA dispõem da maior rede ferroviária do mundo. Pode-se atravessar o país de leste a oeste (Washington - São Francisco, por exemplo) ou de norte a sul (Chicago Nova Orleans) por meio de trens. Utilizado no deslocamento de grande tonelagens de produtos homogêneos para longas distâncias; Exemplos: minérios (ferro, manganês); carvões minerais; derivados de petróleo, e grãos que são transportados a granel; No Brasil não temos a cobertura desse meio de transporte num fluxo mais amplo. Transporte Ferroviário Regular presta serviço para qualquer usuário, tendo as regras de termos econômicos emitidas pelos governos (federal, estatal e municipal); Transporte Ferroviário Privado é de propriedade de um usuário particular que o utiliza com exclusividade. DOS CUSTOS: -Altos custos fixos em equipamentos, terminais e vias férreas, etc... -Baixo custo variável; O custo do transporte ferroviário é bem menor do que o transporte rodoviário, porém não é amplamente utilizado no Brasil, por motivos de problemas com a infraestrutura e a falta de investimentos nas ferrovias. Segue na figura as ferrovias que atuam no Brasil e suas respectivas rotas e áreas.

4 CARACTERÍSTICAS DA MALHA FERROVIÁRIA NO BRASIL Malha Ferroviária Federal concedida km 13 concessões operadas por 7 grupos privados e 1 estatal (Valec) Concessões da RFFSA km Demais Concessões km Frota em Operação Locomotivas Vagões O sistema ferroviário brasileiro foi construído por empresas estatais. As malhas eram operadas pela RFFSA, FEPASA e CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). Nova Configuração das Companhias Ferroviárias: América Latina Logística Companhia Ferroviária do Nordeste CFN Estrada de Ferro Carajás EFC Estrada de Ferro Vitória / Minas EFVM Estrada de Ferro Trombetas EFT Estrada de Ferro Jari EFJ

5 Estrada de Ferro do Amapá EFA Ferrovia Centro-Atlântica S.A FCA Ferrovia Bandeirantes S.A FERROBAN Ferrovia Norte Brasil S.A FERRONORTE Ferrovia Norte Sul Ferrovia Novoeste S.A. Ferrovia Paraná S.A. FERROPAR Ferrovia Tereza Cristina S.A. FTC MRS Logística S.A. Rede Ferroviária Federal S.A. RFFSA Processo de transporte - Um vagão tem 20 Tons de tara; - Uma Locomotiva tem 120 Tons de tara; - Um vagão transporta até 96 tons; - Três Locomotivas transportam até 100 vagões; O sistema roda-trilho reduz o atrito dos materiais tornando altamente eficiente em termos energéticos. O maior custo de operação de uma ferrovia é o custo fixo.

6 VANTAGENS LOGÍSTICAS - Transportam grande quantidade de carga por viagem; - Percorre longas distâncias; - Flexível quanto às mercadorias; - Custo menor em relação ao rodoviário para grandes volumes de mercadoria; - A velocidade é boa para longas distâncias; - Não são prejudicadas pelo tempo ou tráfego competitivo; - Pode utilizar o vagão ou o próprio container para o transporte. DESVANTAGENS LOGÍSTICAS - Tem custos altos e baixa segurança (Brasil) para produtos de alto valor agregado e pequenos; - Tem frequências de saídas menores em relação ao rodoviário; - Seu tempo de trânsito é maior; - Ineficiente para curtas distâncias; - Os custos de manuseio são altos; - Não serve para serviço à domicílio; - É ineficiente para alguns produtos. OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DAS FERROVIAS - Invasão da faixa de domínio nos centros urbanos e nos acessos aos portos; - Utilização compartilhada das linhas para passageiros e cargas na Região Metropolitana de São Paulo; - Idade média elevada e quantidade insuficiente de vagões e locomotivas; - Interação operacional deficiente das malhas; - Traçado das linhas incompatível com as condições atuais.

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