Uma via para o (des)envolvimento: Expansão da soja norte mato-grossense e os conflitos no campo

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1 Emilia Jomalinis de Medeiros Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Uma via para o (des)envolvimento: Expansão da soja norte mato-grossense e os conflitos no campo INTRODUÇÃO Ancorada no discurso do crescimento econômico e do desenvolvimento, a produção de soja, hoje, é uma das que mais cresce em termos de produtividade e área. Maior produtor de soja do Brasil, o estado do Mato Grosso (MT) apresenta uma fronteira em expansão da produção da oleaginosa rumo ao norte do Pará. Atualmente, umas das saídas existentes para o escoamento da produção é pelo norte do país, através da BR-163 que liga a capital Cuiabá, até Santarém (PA), cortando a principal área produtora do estado. Inaugurada em 1973, grande parte da BR-163 encontrava-se, ainda nos anos 2000, sem asfaltamento e em precário estado de conservação. Porém, sua pavimentação foi contemplada nos Programas de Aceleração do Crescimento (PAC) 1, lançado em 2007, e 2, lançado em 2011, e está próxima do fim. A pavimentação da BR-163, assim como sua integração com a hidrovia do Rio Tapajós, conectando-a a outro porto no Pará, tem gerado novas expectativas dos atores do agronegócio da região. A expansão da soja no Centro-Oeste historicamente foi ancorada no discurso da ocupação de supostos espaços vazios. Municípios da porção norte do estado que vem incorporando a dinâmica do agronegócio da soja ainda apresentam atualmente um perfil 1

2 de agricultura baseado majoritariamente na agricultura familiar 1. Há também municípios que contam com reservas indígenas. OBJETIVOS O objetivo deste artigo é analisar a atuação dos atores existentes no avanço da fronteira da soja na produção de um novo espaço agrário, visibilizando os conflitos, existentes e em potencial, decorrentes do modelo de desenvolvimento territorial corrente, tanto no que diz respeito ao acesso à terra como também o acesso à água. METODOLOGIAS A retórica dicotômica entre antigo e moderno, velho e novo, parte constituinte do conceito da modernidade e presente na história do pensamento geográfico é também bastante comum no discurso referente ao desenvolvimento agrário, no Brasil e no mundo. O desenvolvimento agrícola, que adquire hoje e cada vez mais um papel estratégico no movimento de reprodução do capital, foi historicamente alvo de grandes debates críticos ao modelo de produção capitalista. Ao longo da década de 1960, a realidade agrária era vista ou como um entrave ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil enquanto que, por outro lado, defendiam-se as teses de que aqui nunca havia existido feudalismo e de que o capitalismo estava se desenvolvendo no campo. O debate girava em torno do que definiria um modelo de produção capitalista. A partir de novos padrões tecnológicos e científicos, vastas extensões territoriais brasileiras favoreceram a expansão da fronteira agrícola e do capital 2, especialmente a 1 Segundo o Censo Agropecuário de 2006, o conceito de agricultura família 1 abrange 4 requisitos: I - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II - utilize predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III - tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. A Lei também considera como beneficiários silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores que atendam simultaneamente a todos os requisitos da lei. 2

3 partir da 2ª metade do século XX. No caso do cerrado brasileiro, esta produção do espaço a partir da territorialização do capital se deu, sobretudo, com o monocultivo da soja, a partir da década de 1970, marcando o bioma do cerrado por uma divisão territorial e internacional do trabalho. Neste trabalho, a análise desses processos contemporâneos tem como recursos dados primários e secundários. Uma agricultura traduzida em siglas: O caso da Bunge, Cargill e Fiagril no avanço da fronteira agrícola da soja na BR-163 norte mato-grossense A atuação de empresas transnacionais na indústria brasileira de alimentos não é algo recente, mas é principalmente a partir da década de 1980, e especialmente dos anos 1990, que a indústria de alimentos começou a atrair mais investimentos estrangeiros. A aceitação da premissa de liberalização dos mercados levou uma crescente presença dessas, tanto horizontalmente, como verticalmente. Uma forte pressão se fez sentir em setores como sementes, fertilizantes e agroquímicos, principalmente a partir dos avanços da biotecnologia. (FLEXOR, 2006; WILKINSON, 2009). Importante regulamento institucional para que a agricultura trilhasse este caminho foi a Rodada de Doha, em 2001, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que decidiu que a produção agrícola constituía-se de bens como outros quaisquer e, nesse sentido, caberia aplicar a este setor as diversas regras de competição já utilizada no âmbito da organização. Sem mecanismos de proteção, criou-se ambiente regulatório propício para o avanço do padrão da agroindústria capitalista, sob formas tradicionais de agricultura, como a agricultura familiar e camponesa (AMIN, 2013). Através da compra de empresas nacionais, diversos setores da soja têm forte influência ou domínio do capital internacional. As mesmas firmas que estão presentes ao redor do 2 Para Bernardes (2006), os recursos técnicos estão intimamente vinculados aos recursos do capital, já que são os detentores de capital que tomam decisões sobre as características do processo produtivo. Assim, entendemos que o aumento da produtividade do setor tem levado a uma maior circulação do capital e maiores lucros. A técnica é fator chave para atribuição do tempo socialmente necessário para a atividade produtiva. 3

4 mundo também operam no Brasil, tais como as tradings Archer Daniels Midland Company (ADM), Bunge, Cargill e Louis Dreyfus 3. O setor da soja, que apresentou décadas de grande, também passou a ser liderado por grupos empresariais pertencentes ao capital internacional, em diversos estágios do processo de produção e comercialização. Destacamos no caso da porção norte do estado do Mato Grosso, as internacionais Bunge e Cargill e a trading brasileira Fiagril. Ao controlar diversos segmentos da cadeia alimentar - tais como compra de sementes, de produtos químicos e de equipamentos e armazenamento, distribuição e transporte as tradings fazem com que a cadeia produtiva apresente características de um sistema de monopólio, garantindo maior rentabilidade. Tais grupos transnacionais controlam também a concessão de crédito para produtores e compra e armazenamento da produção, o que leva à concentração de capital, poder e hegemonia (BERNARDES, 2006; FREDERICO, 2010). Em 2012, das 15 maiores empresas do agronegócio brasileiro, a Cargill é a líder da lista, com vendas no valor de ,9 US$ milhões seguida, pela Bunge em segundo, com um total de vendas de ,4 milhões. No primeiro semestre do mesmo ano, na lista das maiores exportadoras, as empresas do agronegócio possuem lugar de destaque. Após a Vale e Petrobrás que lideram a lista, respectivamente, a Bunge aparece em terceiro (com participação de 3,24% da balança comercial), seguida da Cargill (participação de 2,32%). Em seguida, aparecem BRF, ADM, e Louis Dreyfus (JBS aparece em 10º, Amaggi em 22º). Fiagril não aparece na lista das 40 maiores exportadoras 4. 3 Segundo legislação nacional, Empresas Comerciais Exportadoras, mais comumente chamadas pela expressão em inglês trading, constituem-se sob forma de sociedade por ações e devem possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional (R$ ,66). Suas operações caracterizam-se pela exportação de produtos de diferentes fornecedores de forma consolidada; necessidade de menor capital de giro, devido às operações casadas; redução dos custos operacionais; estoques que permitam regularidade de fornecimento; e a atuação em diversos mercados. As tradings tem autorização para adquirir e exportar qualquer mercadoria de produção nacional, importar para comercializar no mercado interno ou reexportar mercadorias estrangeiras 4 Ranking elaborado com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em < Acesso em 02 jan

5 EXPORTAÇÃO - % DAS VENDAS(US$ MILHÕES) Bunge Cargill Fiagril 9,9 14,3 56,40 74,80 56,50 74, Gráficos 1 e 2: Valores e percentual das exportações nas vendas totais - Bunge, Cargill e Fiagril Fonte: Exame RESULTADOS PRELIMINARES 5.643,7 EXPORTAÇÃO - VALOR (US$ MILHÕES) Bunge Cargill Fiagril 7.399,3 88,7 corporações A BR-163 no eixo de ação das O eixo da BR-163 compreende uma das mais importantes regiões amazônicas. A instalação da rodovia, um polêmico projeto que corta a Amazônia ao meio, levou e ainda tem levado a uma nova estruturação do espaço. A criação de projetos de colonização privada na região do entorno da BR-163, a partir dos anos 1980, intensificou a migração de agricultores do sul do país. O novo padrão de produção calcado na técnica gerou fortes mudanças na magnitude da produção e nos níveis de produtividade (BERNARDES, 2006; GREENPEACE, 2006) ,3 A atual fase de expansão territorial do capital no contexto da agricultura moderna no estado do Mato Grosso difere-se da constituição da fronteira do capital na década de 1970 e 1980 e se dá a partir de relações de mercado para além dos limites do território já incorporado e consolidado. Mesmo os grandes produtores se tornam cada vez mais condicionados à ação e decisão das grandes corporações, que ainda contam com a cooperação do Estado , ,1 5

6 O médio-norte de Mato Grosso segue como uma das principais regiões produtoras do agronegócio brasileiro; 60% da produção de grãos do estado é decorrente do eixo da BR-163, nos seus eixos médio-norte e norte. É interessante ressaltar, porém, que neste contexto de aumento da produtividade e das exportações, constata-se a queda no esmagamento do grão e consequente aumento da na ociosidade das indústrias de esmagamento, em Em 2013, foram esmagados 35,4 milhões de toneladas, 60,3% da capacidade instalada). Um importante caso referente ao papel das corporações na garantia de arranjos logísticos para a setor da soja é a construção pela exportadora Cargill, em 2000, de um terminal de grãos do porto de Santarém. Porém, o terminal foi alvo de crítica de movimentos sociais 5 e ambientalistas. O empreendimento começou a operar regularmente desde 2003, mesmo sem o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental. A conquista da licença ambiental definitiva do porto foi apenas em 2012, todavia, o porto continuava sub judicie na justiça federal e houve denúncia de que os relatórios de impacto ambiental do empreendimento eram fraudulentos. Desde 2006, após o lançamento de um polêmico relatório pela organização nãogovernamental Greenpeace que relacionava a produção de soja com o desmatamento da Amazônia, a soja brasileira vivenciou um risco de retraimento da demanda internacional. Com a moratória da soja, como é conhecida, um comitê formado por diversas entidades vem monitorando a relação do desmatamento com a produção da cultura, indicando que são poucas as áreas convertidas para produção que tem relação com o desflorestamento. É nesta mesma época que o Governo Lula lançou o Plano de Ação para a Prevenção e o controle do Desmatamento da Amazônia Legal. O estado do Mato Grasso apresenta historicamente altos índices de desmatamento e entre 1988 e 2013, foi o estado líder em desmatamento. A partir de 2005, verifica-se uma notável queda no desmatamento. 5 Porto da Cargill em Santarém é repudiado por movimentos sociais. Disponível em Acesso em 12 jul

7 Atualmente, na porção norte da BR-163 (MT) tem se verificado a construção de novas estruturas logísticas, alvo de investimentos público e privado, como o projeto de pavimentação da BR-163 até o porto de Santarém, a construção de novas estruturas de armazenamento próximo à fronteira com o estado do Pará e a construção de um novo terminal portuário no distrito de Miritituba, em Itaituba, que possibilitará novas saídas para o escoamento da produção. O aumento na produção de soja no extremo norte do estado do Mato Grosso vai ao encontro dessas transformações e sugere uma nova fase de expansão em direção ao norte do país. O discurso ideológico da terra vazia, base do processo histórico de ocupação do Centro-Oeste brasileiro, aparece novamente como potencial recurso ideológico para justificar a reprodução ampliada do capital, reforçando da ideia da destruição criativa: O capital busca perpetuamente criar uma paisagem geográfica para facilitar suas atividades num dado ponto do tempo simplesmente para ter de destruí-la e construir uma paisagem totalmente diferente num ponto ulterior do tempo a fim de adaptar sua sede perpétua de acumulação interminável do capital. Esta é a história da destruição criativa inscrita na paisagem da geografia histórica completa da acumulação (HARVEY, 2004: 88). Do distrito de Miritituba, as barcaças irão pelo rio Tapajós, para outros portos, como Vila do Conde, no Pará, e o Porto de Santana, no Amapá. O plano busca beneficiar a produção de grãos do Médio-Norte do Estado, como nos municípios de Sorriso, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde e Sinop e a expectativa é que já na safra 2014/2015 esta nova saída seja utilizada Imagem 1: Mapa ilustrativo indicando o escoamento pelo município de Itaituba, a partir da BR-163 Fonte: Valor Econômico 7

8 O projeto tem um duplo benefício: permite a diminuição de 700 a mil quilômetros de estrada, se comparado com o tempo de viagem aos os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) (atualmente, mais de 70% da safra do estado é escoada por esses dois portos); e na medida em que a China tem se constituído como principal mercado da soja brasileira, a saída pelo norte permite que a produção chegue ao continente asiático pelo Canal do Panamá, o que também encurta o tempo de viagem e barateia o preço do deslocamento da produção (menos de dois dias de viagem, pelo menos, e queda em 20% no custo). A ligação entre a BR-163 e o município de Itaituba se dá pela BR-230. Sua construção, assim como a pavimentação da BR-163, também é uma obra financiada pelo PAC 2. Nove empresas já adquiriram terrenos em Miritituba para a construção de estações de transbordo à margem do Tapajós. Quatro delas já estão com estágio final de licenciamento ambiental e com obras iniciada, das quais a Joint Venture Unitapajós (que compreende a Bunge e a Amaggi), a Cargill e a Joint Venture Cianport (envolve as mato grossenses Fiagril e Agrosoja. A Cianport já captou um empréstimo de R$ 73 milhões do fundo da marinha mercante, operado pelo BNDES. Ou seja, além dos recursos empenhados para a pavimentação da BR, o estado também tem investido recursos na estruturação do porto. A relação entre os gastos públicos investidos para recepção de grandes empreendimentos e os lucros auferidos decorrentes destas atividades é comumente pouco aprofundada. Apesar de ser um projeto recente, questões de cunho sócio-ambientais começam a emergir decorrentes da construção do porto. O estado do Pará não possui ainda um plano de ação para mitigar os impactos ambientais e sociais que deverão ser causados com a chegada dos nove terminais fluviais. Segundo o Secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Pará, em dezembro de 2013, faltou dinheiro ao governo estadual para fazer um levantamento da situação, que custaria em torno de 5 a 6 milhões de reais. A área de influência da BR-163 a partir de sua forte relação com as redes internacionais do sistema agroalimentar pode ser compreendida enquanto um lugar que exerce uma função que lhes é atribuída por uma nova ordem fundada na lógica da 8

9 acumulação de capital (BERNARDES, 2006). A divisão do espaço, enquanto fundamento do desenvolvimento capitalista leva à expansão da divisão espacial do trabalho e da produção e, consequentemente, de um novo modelo de acumulação e territorialização do capital. A mobilidade e a territorialização do capital se dão a partir da abertura de novos territórios à produção, marcada pela apropriação dos recursos naturais. Essa expansão tem aporte na estratégia de atores e tende a ter como característica a geração ou o acirramento de conflitos, sejam em relação às novas formas de trabalho, ou em termos de tentativas de expropriação de grupos tradicionais locais. O histórico de ocupação da região do entorno da BR já mostra uma tendência à invisibilização dos conflitos. No contexto do avanço da fronteira agrícola, a construção de novas rodovias, como a BR-163, favoreceu o fluxo de migrantes para a região e de grandes empresas. Chama a atenção o papel desempenhado pelo governo: [ações do governo] foram definidas e apresentadas como programas viabilizadores da reforma agrária e de promoção da política agrícola, embora estivessem associadas à expansão da fronteira econômica baseada na concessão de incentivos fiscais e financeiros a grandes empreendimentos capitalistas estabelecidos na região. Essas políticas, que incluíam projetos de colonização, contemplando a transferência dos trabalhadores rurais para áreas da Amazônia Legal, também tinham como objetivo desmobilizar os movimentos sociais de luta pela reforma agrária, com vistas à eliminação dos conflitos que vinham se acirrando no campo em fins da década de 60 e início dos anos 70 (BERNARDES, 2006). Além das transformações diretas que o município de Itaituba já vem sofrendo, outras transformações na porção norte do Mato Grosso podem ser verificadas. As novas possibilidades de escoamento podem ter rebatimento no avanço da produção da oleaginosa na região. Entre os 37 municípios sob influência da BR-163, é possível identificar uma área já consolidada de soja que vai desde o município de Nova Mutum até Sorriso e fronteiras de forte, média e fraca expansão. 9

10 Mapa 1: Divisão das áreas de influência na BR-163 matogrossense Fonte: IBGE / Elaboração: Nuclamb Chama a atenção, porém, que a região de média e fraca expansão ainda não possui um perfil de produção em grande escala. Enquanto isso, foram registrados, segundo Censo da Agricultura Familiar de 2006, estabelecimentos agropecuários com agricultura familiar na região de influência da BR-163. Apesar de alto, este número pode estar abaixo do real. Por exemplo, enquanto no Censo, o número de estabelecimentos no município de Novo Mundo, que faz fronteira com o Pará, é de 1.010, representantes do município informaram em entrevista cedida que há pelo menos famílias assentadas pelo Incra na região, com lotes de 20 a 40 hectares. Segundo o entrevistado, em geral, os assentados têm arrendado suas terras para a produção da commodity. Com a vinda de novos produtores e arrendatários de grandes faixas de terra, também chama a atenção o fato de que, na porção norte do estado, a regularização fundiária é ainda muito frágil. 10

11 Gráfico 3: Comparativo entre o número estabelecimentos agropecuários com agricultura familiar e não familiar nos municípios de influência da BR-163 de fraca expansão Fonte: IBGE Além do fornecimento de estruturas logísticas, são as tradings que possuem relação direta com o produtor para compra e venda de pacotes (que incluem os fertilizantes, sementes e agrotóxicos) e da produção, assim como o fornecimento de crédito agrícola. Apresenta-se aí uma relação de forte dependência do produtor com as empresas, na medida em que, o modelo de produção altamente tecnificado é diretamente dependente do fornecimento desses insumos. Vendidos em dólares, a oscilação dos preços dos pacotes agrícolas gera instabilidades para o produtor, assim como em sua relação com as empresas. O mesmo ocorre no processo de venda da produção. De acordo com o Relatório da Comissão Pastoral da Terra sobre Conflitos no Campo, em 2012 foram registrados 23 conflitos por terra no estado do MT, envolvendo famílias. Destes, 06 conflitos foram registrados na área de influência da BR Ainda, de acordo com dados do Ministério do Trabalho de 2012, foram identificados 6 01 em Alta Floresta, envolvendo indígenas na Aldeia Teles-Pires (etnia Munduruku e Kayabi); 01 em Colíder/São José do Xingu/Vila Rica, envolvendo a Tribo Kaponhinore; 01 em Nova Guarita/Peixoto de Azevendo, envolvendo 50 famílias sem-terras da Gleba do Gama/Projeto de Assentamento (PA) Renascer; 02 em Novo Mundo, sendo 01 envolvendo o Acampamento União Recante e 01 envolvendo 80 famílias sem-terra da Gleba Nhandu/Fazendo Cinco Estrelas; 01 em Sorriso envolvendo 319 famílias assentadas dos Assentamento Santa Rosa I e II; 11

12 211 trabalhadores em condição de trabalho escravo na área de influência da Br-163, em atividades relacionadas diretamente à cadeia carne-grãos. Além da questão referente ao uso da terra, a temática do acesso à água também emerge como fonte de conflitos. Atualmente, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e a produção para exportação tem relação direta com esta classificação. De 2002 a 2012, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190%. O setor movimentou US$ 10,5 bilhões, em 2013, ano de ouro para a agropecuária, que teve supersafra e preços de commodities em alta. Dos 50 mais utilizados nas lavouras, 22 são proibidos na União Europeia. Mato Grosso é o maior consumidor, com quase 20%, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A problemática da água também emerge em relação à geração da energia. No Rio Teles Pires que corta a região de influência da BR-163 conta com cinco projetos de construção de usinas hidrelétricas ao longo do rio. O Ministério Público Federal (MPF) já moveu 13 ações judiciais contra as usinas do chamado complexo hidrelétrico Tapajós-Teles Pires, que planeja pelo menos sete usinas nos rios formadores dessa bacia, que banha os estados do Pará e do Mato Grosso e atravessa Terras Indígenas dos povos Kayabi, Munduruku, Apiaká e ainda indígenas em isolamento voluntário, segundo a assessoria do MPF 7. Síntese A região responsável por 30% da produção de soja brasileira, apresenta uma agricultura familiar com sérias restrições. Enquanto no Brasil, a média é de 25% do território agricultável ocupado pela agricultura familiar (chegando a 34% no Rio Grande do Sul, por exemplo), no Mato Grosso a agricultura familiar ocupa apenas 10% das 7 Em maio deste ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou efeito suspensivo em um recurso da Companhia Energética Sinop que pedia para prosseguir com o licenciamento da usina, uma das cinco que estão em andamento no rio Teles Pires. Mesmo com exigências a serem cumpridas para se ter a licença de instalação, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema), emitiu a Licença de Instalação para que as obras da usina se iniciassem, sem exigir o cumprimento das condicionantes da fase anterior. 12

13 terras agriculturáveis. Em Lucas do Rio Verde, um dos maiores produtores de grãos do Brasil, 90% dos alimentos são importados de outras regiões 8. A agricultura e a alimentação nos parece, assim, estar cada vez mais no coração da dinâmica capitalista. O retrato aqui apresentado do sistema agroalimentar contemporâneo nos faz afirmar a permanência da questão agrária, no contexto da economia política, tanto no sentido de pensar sobre o desenvolvimento do capitalismo agrário e o lugar de atores que apresentam distintas territorialidade, bem como novas disputas territoriais emergentes. BIBLIOGRAFIA AMIN, Samir. WTO receipt for world hunger. Disponível em: <http://www.forumtiersmonde.net/fren/index.php?option=com_content&view=article& id=134:wto-receipt-for-world-hunger&catid=57:wto-and-agriculture&itemid=114) >. Acesso em: 12 jul 2013, BERNARDES, Júlia Adão. Circuitos espaciais da produção na fronteira agrícola moderna: BR-163 matogrossense. In: Geografias da Soja: BR-163: Fronteiras em Mutação. BERNERDES; FILHO [Orgs.]. Rio de Janeiro: Arquimedes Edições, FREDERICO, Samuel. O novo tempo do cerrado: Expansão dos fronts agrícolas e controle do sistema de armazenamento de grãos. São Paulo: Annabume; Fapesp, GREENPEACE. Comenda a Amazônia. Disponível em:<http://www.greenpeace.org/brasil/global/brasil/report/2007/7/comendo-a-amaznia.pdf>. Acesso em: 22 jun OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. A BR-163, Cuiabá-Santarém: geopolítica, grilagem, violência e mundialização. In: Amazônia revelada: os descaminhos ao longo da BR Brasília. CNPq, WESZ JUNIOR, Valdemar João. Dinâmicas e Estratégias das Agroindústrias da Soja no Brasil Rio de Janeiro: E-papers, 141p, WILKINSON, John. Globalization of Agribusiness and Developing World Food Systems. Monthly Review, New York, v.61, p.38-49, HARVEY, David. O Novo Imperialismo. São Paulo: Loyola, 201 p,

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