Áreas de influência de centros urbanos: Modelos de equilíbrio do sistema urbano

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1 Áreas de influência de centros urbanos: Conceito Métodos de determinação Hierarquia urbana Modelos de equilíbrio do sistema urbano Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 1 Áreas de influência A delimitação de áreas de influência dos centros urbanos/pólos de desenvolvimento é muito importante em planeamento regional porque permite identificar a região polarizada por cada centro Métodos para a delimitação de áreas de influência: Métodos directos: observação in loco, através de inquéritos Muito caros e demorados Questão chave: onde realizar os inquéritos, que população deve ser abrangida? Métodos indirectos: admite-se um modelo explicativo dos mecanismos de dependência das populações/actividades em relação aos pólos Exemplos: isócronas; potencial demográfico; modelo gravitacional Existem várias áreas de influência dos pólos consoante os bens ou serviços a que se referem Ex. de equipamentos segundo a sua hierarquia Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 2

2 Centralidades e áreas de influência (DGOTDU, 2002) Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 3 Método das isócronas Isócronas: linhas formadas pelos pontos situados a igual tempo de percurso do pólo Admite-se que cada pessoa se desloca para o pólo que lhe implique menor tempo de deslocação Isócrona de valor T Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 4

3 Método do potencial demográfico O potencial demográfico é dado pelo somatório do quociente entre a população do centro j e a distância (em linha recta) do centro j até ao ponto i para o qual calculamos o potencial V i = Σ j P j d ij V A B Espacialização : Quadrícula Cálculo do V i em cada ponto da quadrícula Traçado das isopotenciais: curvas de nível Traçado das linhas de água pontos com potencial demográfico mínimo Fronteira das áreas de influência ponto de potencial demográfico mínimo Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 5 Modelo gravitacional A força de atracção do centro A é proporcional à sua massa (M A ) e inversamente proporcional a uma função distância. F A = K M A g(d A ) A atracção entre dois centros A e B é dada por: F = K M A M B g(d AB ) Lei da atracção gravitacional Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 6

4 Lei de Reilly Massa - população g (d) d 2 Modelo gravitacional d A d B A P B d d A = 1+ d P ( P B A ) d A distância entre o lugar A e o ponto de fronteira de influência relativamente a B, sendo A menos importante que B; d distância entre A e B; P B população do lugar B; P A população do lugar A. Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 7 Lei de Reilly Modelo gravitacional A delimitação das áreas de influência faz-se, tal como nas isócronas, através da determinação dos pontos de intersecção das linhas de igual valor (de força de atracção) Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 8

5 Hierarquia urbana População residente por cidade 28 cidades (+ 3 vilas) do país estão incluídas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto ou têm mais de habitantes. 7 cidades, têm entre os e os habitantes. 14 têm entre e habitantes, e 70 menos de habitantes (milhares de habitantes) Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 9 Hierarquia urbana Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 10

6 Distribuição dos centros segundo a dimensão (rank-size rule) Representação da ordem (rank) em abcissas e do tamanho (size) dos centros expresso pela população em ordenadas Lei de Zipf (1941) P n α = K P População n Nº de ordem α, Κ parâmetros da função Para avaliar o equilíbrio da rede urbana ao longo do tempo Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 11 Distribuição dos centros segundo a dimensão (rank-size rule) P n α = K Log P + α Log n = Log K P* = α n* + K* (α<0) α = 1 Valor de equilíbrio Portugal continental, em 1981, para centros com mais de hab. α = -1,089 Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 12

7 Teoria dos Lugares Centrais (Christaller, 1933) Dimensão, distribuição e nº de centros Pressupostos: Espaço isotrópico; Oferta concentra-se nos lugares centrais; Hierarquização dos bens e serviços; A ordem dos bens e serviços dos centros está associada à ordem dos centros; Um centro que desempenha funções de ordem superior desempenha também as de ordem inferior. Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 13 Rede em NÓS e ARCOS (hubs and spokes) Num sistema urbano metropolitano, apenas as cidades maiores (hubs) mantêm relações directas com várias outras, enquanto as menores estão apenas ligadas directamente a uma cidade principal. FONTE: Metapolis acerca do futuro da cidade, François Ascher, Celta, 1998, Oeiras. Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 14

8 Sistema urbano: áreas de influência e marginalidade funcional (INE, 2004) Construção de uma hierarquia de funções de acordo com a raridade das mesmas Equipamentos e serviços (saúde, educação, desporto, segurança social, comércio, principais serviços públicos) total 117 Construção de uma hierarquia de centros urbanos com base nas funções que prestam Delimitação das áreas de influência dos centros urbanos (nº de freguesias, população e área) Quantificação da marginalidade funcional dos territórios Dotação das funções tendencialmente universalizáveis Grau de marginalidade funcional dos territórios face a funções mais especializadas Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 15 Nacional Síntese (INE, 2004) Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 16

9 Nacional Síntese Papel estruturante dos sistemas metropolitanos de Lisboa e Porto: o do Porto não se esgota nos centros da AMP, alargando-se para nordeste até, por exemplo Braga ou Vila Nova de Famalicão o de Lisboa é territorialmente mais concentrado mas polariza pontualmente centros urbanos mais distantes que constituem eles próprios pólos sub-regionais (Ex. Torres Vedras, Santiago do Cacém ou Beja) A generalidade dos restantes subsistemas urbanos organizam-se em torno de um único centro urbano de que dependem um número mais ou menos significativo de centros de ordem inferior. Estrutura de organização em estrela segundo um modelo hierárquico de relações de dependência. Os mais elevados índices de marginalidade funcional encontram-se no interior norte e centro e na serra entre o Alentejo e o Algarve Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 17 Nacional Visão de síntese (DGOTDU, 2002) Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 18

10 Principais fragilidades no sistema urbano português: 1. Ausência de centros intermédios; 2. Excessiva litoralização; 3. Natureza fortemente difusa da urbanização, associada a fracas acessibilidades locais e regionais e a perfis funcionais concorrentes, e não complementares, ao nível sub-regional; 4. Fraca competitividade das duas áreas metropolitanas (insuficiências de dimensão funcional, de equipamentos, de infra-estruturas, de baixa qualidade dos serviços e de uma imagem negativa no exterior). Instituto Superior Técnico/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura Beatriz Condessa 19

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