ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PLANOS MUNICIPAIS DE SAÚDE BUCAL

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1 Atualizado por Danusa em Nov/2007 ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PLANOS MUNICIPAIS DE SAÚDE BUCAL Para organizar um serviço local de atenção à saúde é necessário que o administrador, coordenador, gerente ou responsável local faça um planejamento para que possa alcançar uma situação desejada de modo mais eficiente e eficaz. Assim o planejamento envolve questionamentos e decisões sobre o que existe, como está a situação e a população, o que se pretende fazer, como quando, quanto, para quem e onde serão executadas as ações. A proposta de elaboração de um plano municipal aqui apresentado serve de orientação e apoio para que os serviços de saúde bucal possam realizar mudanças no acesso e nos serviços, fazendo frente aos problemas constatados de forma a causar impacto positivo no perfil epidemiológico da população. Cabe assim a adaptação deste documento à realidade local, acrescentando particularidades típicas de cada área, envolvendo a participação ativa da comunidade na elaboração da política municipal de saúde bucal e garantindo assim o controle social. A II conferência Nacional de Saúde Bucal realizada em 1994, ao tratar do modelo de atenção em saúde bucal colocou, entre outros que: (a) o modelo deverá contemplar o planejamento ascendente com ativa participação da comunidade na elaboração dos planos de saúde; (b) a atenção primária em saúde bucal deverá ser realizada pela rede básica de saúde de cada município, cabendo à Universidade Local a implementação de ações individuais e coletivas em saúde bucal no interior dos espaços sociais: centros comunitários, creches, escolas fábricas, agrovilas, domicílios e outros; (c) a programação da assistência odontológica individual cada Unidade Local deverá estar integrada aos programas de saúde e utilizar critérios sociais e epidemiológicos com a participação da comunidade para o estabelecimento de prioridades, que não impliquem em exclusão social. O planejamento para elaboração do plano municipal de saúde bucal possui um processo formal com alguns passos a serem seguidos. Este processo é apresentado a seguir e deve ser examinado como orientação geral para auxílio na sua formulação. A execução do plano inclui a necessária reflexão de todos participantes para caracterizá-lo no território e sob olhares e saberes de seus mentores.

2 1. DIAGNÓSTICO SITUACIONAL (ANÁLISE DA REALIDADE OU JUSTIFICATIVA) Na justificativa procura-se responder as questões: como estamos, o que somos, o que temos? Neste item devem constar todas as situações encontradas em relação a saúde bucal que permita descrever um diagnóstico da realidade do município quanto aos aspectos interno (do serviço) e externos (dos usuários) tais como: 1.1 Dados Populacionais: - Nº de indivíduos por grupos etários - Nº de habitantes da área urbana e da área rural - Nº de creches e escolas públicas urbanas e rurais - Nº de gestantes e crianças de 0 5 anos - Nº de escolares de 5 19 anos matriculados (escolas públicas) - Nº de usuários do SUS - Identificação de grupos com necessidades especiais (PPD s, idosos, confinados, etc.) - Principais carências sociais - Grupos estratégicos na comunidade Fonte: IBGE, prefeitura, associações de bairro, empresas municipais de água/luz 1.2 Capacidade instalada e Recursos Humanos (ou disponibilidade de serviços odontológicos) Nº equipamentos odontológicos disponíveis e raio X pertencentes ao SUS. Nº de unidades de saúde e escolas públicas com gabinete odontológico Nº de cirurgiões-dentistas vinculados aos SUS e respectiva carga horária. Nº de ACD e THD vinculados ao SUS e respectiva carga horária. Nº de ESB (equipe de saúde bucal no PSF) Outras instituições que atuam na área (nº de profissionais e cobertura populacional efetiva) Pronto-atendimento (urgências 12 ou 24 horas) Existência de PSF(cobertura populacional com ou sem equipe de saúde bucal). Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

3 1.3 Dados da Atenção à Saúde Bucal Perfil Epidemiológico Levantamento Epidemiológico - dados resumidos e ano da realização. Problemas de saúde bucal mais prevalente e percentual de pessoas atingidas. Problemas mais graves ou severos (percentual de pessoas atingidas). Grupos etários e os socialmente mais atingidos (quantificar) Percentual de indivíduos livres de cáries (06 a 12 anos) CPOD 12 anos CEO aos 05 anos Necessidades protéticas da população de 18 a 60 anos. Produção Procedimentos Individuais: - Atenção Básica; - Especializados; Produção de Procedimentos Coletivos - Escolares - Grupos 2. OBJETIVOS: (O QUE FAZER) Os objetivos podem ser gerais e específicos. Indicam o que se pretende alcançar na execução das ações propostas pelo plano. Mais adiante o plano deve discriminar estes objetivos permitindo: Quantificar as ações através de metas, definindo em que período de tempo Análise de resultados através de indicadores de avaliação. Sempre que possível deve constar um só objetivo geral, mesmo que incluindo mais de um conceito. Ele procura sintetizar a razão de ser do plano. Sua subdivisão ou detalhamento constitui matéria própria para os Objetivos Específicos. Quando se trata de programa de saúde coletiva, é comum estabelecer como objetivo geral a melhora das condições de saúde bucal da população e o aumento de oportunidades aos serviços odontológicos como objetivos específicos podem constar, entre outros: a redução da prevalência de cáries dentais em crianças de 2 a 14 anos, eliminando a prática de extrações desnecessárias em jovens e adultos, o aumento da oferta de serviços odontológicos clínicos preventivos e de educação em saúde bucal.

4 3. ESTRATÉGIAS (QUAIS OS MEIOS PARA FAZER) A finalidade das estratégias é estabelecer quais serão os caminhos, que devem ser seguidos para serem alcançados os objetivos e desafios estabelecidos. Como estratégias podem ser incluídas as técnicas de abordagem populacional, as ações intersetoriais, a divisão em programas ou projetos educativopreventivo e de assistência clínica, os serviços a serem prestados, participação da comunidade, as parcerias públicas e privadas. 4. PRIORIDADES (PARA QUEM FAZER) Estabelecer prioridades é definir para quem e para que grupo estão sendo planejadas as ações. É importante salientar que prioridade não é exclusividade e não significa exclusão de outras ações ou indivíduos, apenas que alguns problemas e/ou grupos etários recebem maior ênfase na programação ou na aplicação de recursos num certo período de tempo. É preciso estabelecer prioridades sempre que os recursos são escassos ou insuficientes para atender toda demanda e/ou a todos problemas. È importante também que a população participe e seja ouvida, auxiliando e respaldando a definição das prioridades. Podem ser formuladas por agravos, por grupos etários por grupos sociais ou econômicos (renda) ou tipo de serviços efetuados, beneficiando as pessoas de maior risco e/ou com mais necessidades. Dentro do modelo de descentralização que caracteriza o sistema Único de Saúde, cabe ao município ou as unidades estruturadas como um sistema local de saúde estabelecer, com base no diagnóstico, quais os grupos e danos mais críticos a serem priorizados. 5. OPERACIONALIZAÇÃO (COMO FAZER) Este item corresponde ao modo de executar as ações para atingir os objetivos do plano, quais as táticas a serem desenvolvidas e qual modelo de atenção proposto. É uma fase operacional que inclui as ações a serem executadas e envolve a aquisição de materiais e equipamentos necessários a contratação de pessoal, a execução de convênios, a incorporação de Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e Programa de Saúde da Família (PSF), a organização dos serviços de atenção básica, os serviços de referência para atendimento especializado e o pronto-atendimento. Cabe salientar que todas ações tanto as de promoção, como as de tratamento e as de manutenção da saúde devem estar aqui elencadas.

5 5.1 Organizando a Atenção no Nível Local Atenção Básica (População Urbana e Rural) Descrever as ações que serão desenvolvidas, definir quem irá realizá-las, em que locais de que forma e para quem. Ações individuais (pronto atendimento, tratamento e manutenção) Ações coletivas (ações educativo-preventivas para os diferentes grupos e espaços sociais) Atenção de Média e alta Complexidade (referências para especialidades) Descrever aqui como será organizado o sistema de referência e quais especialidades serão contempladas, tais como: radiologia; anátomo-patologia, endodontia, periodontia, prótese, tratamento do câncer bucal, cirurgia bucomaxilofacial e atenção aos fissurados lábio-palatinos 5.2 Organizando a Demanda A organização da demanda garante uma melhor racionalização nos serviços, qualifica a tenção e favorece a ampliação do acesso a resolutividade. A demanda pode ser organizada por: Agendamento de consultas Consultas de urgência Visitas domiciliares Busca ativa de pacientes de risco 6. METAS E ABRANGÊNCIA As metas são a qualificação dos objetivos estabelecidos, sendo em geral expressos em números e em determinado período de tempo. As metas devem ser estabelecidas para curto, médio e longo prazos, períodos variáveis segundo cada situação mas que em geral correspondem respectivamente a um ano, a quatro anos (equivalente ao tempo de duração de uma administração) e a dez anos. As metas que seguem abaixo são exemplo para um serviço local hipotético e podem servir como orientação, mas sempre de acordo com o diagnóstico correto da situação local.

6 METAS DE UM SERVIÇO LOCAL DE ATENÇÃO ODONTOLÓGICA 1. Fluoretar a água de 100% das estações de abastecimento 2. Realizar procedimentos educativo-preventivos para 50% das crianças de 0 a 14 anos e para 20% dos adolescentes de 15 a 19 anos 3. Prover tratamento clínico para 50% das crianças de 6 a 19 anos 4. Desenvolver ações educativo-preventivas para 80% das crianças de 0 a 6 anos 5. Reduzir em 25% as extrações em adolescentes e adultos 6. Viabilizar a participação da comunidade na programação e avaliação em 60% das localidades 7. Conhecer o quadro epidemiológico e de uso dos serviços a cada dois anos. 8. Reduzir o consumo de produtos açucarados na merenda escolar 9. Aumentar em 25% a proporção de livres de cárie aos 5 Anos 10. Reduzir em 25% o CPOD aos 12 anos 11. No grupo de 15 a 19 anos, 70% com todos os dentes funcionais Nota: *: Metas de um serviço hipotético situado em cidade de pequeno ou médio porte, a serem atingidas num prazo de dois anos. As metas estabelecidas indicam qual a abrangência do plano proposto: percentual de ações a serem desenvolvidas, número de pessoas ou grupos etário beneficiados e o respectivo período de execução. 7. ORÇAMENTO E FINANCIAMENTO Representa o quanto recurso financeiro dispõe-se para o plano e quanto será necessário para as ações propostas. Para tanto, será necessário dispor do orçamento para a saúde bucal, de todas as fontes de financiamento e de cálculos de custeio fixo e variável. 7.1 Fontes de Financiamento Percentual da receita líquida para saúde do município PABA PSF (incentivo inclusão de equipe de saúde bucal) Procedimentos especializados do SIA/SUS CEO 7.2 Custo Fixo Salários

7 Encargos sociais material Manutenção equipamento Taxas Limpeza 7.3 Custo Variável Campanhas Material educativo Ações esporádicas 7.4 Investimento Aquisição de equipamentos Capacitações Construções Reformas 8. CONTROLE E AVALIAÇÃO Avaliação é o procedimento pelo qual se determina o grau de êxito alcançado na execução de objetivos pré-determinados. Implica em uma análise que procura medir ou compreender três aspectos principais: o esforço realizado, o processo de realização e os resultados obtidos. O correto é que a avaliação, com seus métodos e indicadores, esteja prevista desde o início e que se desenvolva paralelamente ao programa. Deve-se frisar que não se trata de uma ação de mão única e sim de um processo no qual avaliador e avaliado participam e onde pessoas não técnicas (os usuários, e a comunidade) tem seu papel importante opinando sobre o trabalho que lhes é ofertado. No fundo, a avaliação requer dois grandes indicadores essenciais: o primeiro é o estado de saúde da população (se melhorou com as medidas tomadas, se manteve-se estacionário e se os problemas detectados foram resolvidos), o segundo é a satisfação da população para com os serviços que lhe são prestados. Ao final do ano ou do período de desenvolvimento do projeto ou programa, cabe uma avaliação conjunta (equipe profissional / clientela / representantes da comunidade) dos resultados obtidos, procurando responder aos seguintes quesitos: As metas foram alcançadas? A programação foi cumprida? As prioridades foram mantidas? Quais as razões que explicam eventuais falhas? É possível corrigi-las?

8 8.1 Indicadores e Avaliação Definir quais indicadores que serão utilizados para acompanhar o impacto no perfil de saúde da população, seu grau de satisfação com os serviços ofertados, o quanto das metas estão sendo atingidas e para monitorar os gastos e os investimentos. Preferencialmente utilizar indicadores já definidos pela SES e Ministério da Saúde para que seja possível a uniformização na avaliação da saúde bucal da população brasileira. 8.2 Sistema de Informação e Controle Manter atualizados os sistemas de Informação SIA/ SUS e SIAB 8.3 Vigilância Epidemiológica O conhecimento da situação epidemiológica da população e o acompanhamento das mudanças ocorridas em pontos no tempo (dois ou três anos) constitui um apoio importante ao planejamento e deve ser buscado sempre que possível através de investigações (levantamentos epidemiológicos) ou de dados provenientes dos registros de atendimentos. 8.4 Controle Social A participação da população através de Conselhos de Saúde deve ser prevista em todas as etapas do planejamento, apontando necessidades, definindo prioridades, auxiliando na operacionalização dos programas, incentivando a avaliação e apoiando a reorientação dos serviços.

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