Temas Simultâneos: Acolhimento da Demanda. A Experiência do Centro de Saúde da Vila Ipê. Haydée Lima Julho/ Agosto 2012

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1 6º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA Temas Simultâneos: Acolhimento da Demanda Espontânea na Atenção Básica em Saúde: A Experiência do Centro de Saúde da Vila Ipê Haydée Lima Julho/ Agosto 2012

2 A Atenção Básica Para ser resolutiva, reconhecida e ter legitimidade, não pode ser o lugar onde se faz apenas promoção e prevenção no nível coletivo (embora sejam ações altamente necessárias), nem tampouco pode se restringir a realizar consultas e procedimentos (por mais que se constituam como ações obrigatórias e essenciais) Ministério da Saúde, Cadernos da Atenção Básica no. 28

3 A Atenção Básica Deve se constituir numa porta aberta Com capacidade de escuta que possibilite a constituição de vínculo com os usuários Sensível às mudanças no contexto, desburocratizada Organizada a partir das necessidades dos usuários

4 Relato da experiência O C.S. da Vila Ipê: unidade básica construída em 1990, com intensa participação do MOPS, área de cobertura bem definida, prédio de 750 m², população de hab., moradias populares + 2 áreas de ocupação (com aproximadamente 2500 hab.), área de alta concentração populacional, em torno de 70% de dependência total do SUS. Distante 10 km do Hosp. Mun. e 14 km do PA de referência Horário de funcionamento: 7 às 17 hs Equipe: Pediatras, Gineco-obstetras, clínicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, cirurgiões-dentistas, TSB e ASB, auxiliar administrativo, pessoal de apoio

5 Centro de Saúde da Vila Ipê

6 Atividades do dia a dia

7 A discussão do ACOLHIMENTO Fortemente influenciada pelo Departamento de Saúde Coletiva da UNICAMP Curso de especialização em Saúde Pública Defesa da Vida Primeiras discussões na instituição, SMS, em 1992 Em 1993: primeira experiência (sala de acolhimento) não foi bem sucedida Parte da equipe muito mobilizada com o debate

8 As primeiras ações: a partir de 1994 Ampliação da equipe Ampliação do horário de funcionamento que passou a ser das 7 às 22 hs de segunda à sexta e das 7 às 19 aos sábados. Extensão de horário em que as ações eram ofertadas. Ampliação das ações ofertadas (triplicamos CM e ações da enfermagem) Agendamento de consultas e outras atividades durante todo o período de funcionamento Livre demanda para coleta de material para exames, com coleta diária

9 QUAIS SERIAM OS PRESSUPOSTOS DE UMA UNIDADE ACOLHEDORA? Uma unidade capaz de dialogar permanentemente com seus usuários sobre sua forma de organização e utilizar esse diálogo para efetivamente organizar o trabalho da equipe Uma unidade com uma equipe coesa em torno de princípios gerais do SUS, reconhecendo-o como instrumento de garantia do direito de cidadania à saúde Uma unidade com capacidade de viver em processo contínuo de incorporação de conhecimentos e tecnologias de cuidado Uma unidade gerenciada de maneira democrática e participativa Uma unidade com recursos compatíveis com suas responsabilidades

10 Entendendo ACOLHIMENTO junto com os usuários... Relatório da 7ª Conf. Munic. de Saúde de Campinas, proposta do MOPS O ACOLHIMENTO deve ser entendido como postura da equipe de reconhecimento do direito do usuário de ser ouvido na sua necessidade de saúde e tê-la atendida, na medida dos recursos alocados no serviço, seja imediatamente, seja através de encaminhamento ou agendamento, de acordo com a complexidade e o risco do problema.

11 Entendendo ACOLHIMENTO... Relatório da 7ª Conf. Munic. de Saúde de Campinas, proposta do MOPS Acolhimento implica também na eliminação de toda a forma de tratamento degradante como: filas na madrugada, salas de espera sem condições mínimas de conforto, falta de banheiros com produtos de limpeza e bebedouros adequados, normas desnecessariamente restritivas e autoritárias, proibição de presença de acompanhantes na consulta, falta de esclarecimento sobre o tratamento

12 O diálogo com o usuário Conselho Local de Saúde: constituído de usuários de famílias altamente freqüentadoras do serviço. Reuniões regulares, abertas, à noite Incorporação dos ACS + boa parte da equipe residindo na área de cobertura Celebrações : Festa da Integração, Festa da Criança, Festa das mães, etc. Vínculo com entidades, igrejas, órgãos públicos, escolas, do território, grupos organizados (AA, Grupo de Jovens, entidades assistenciais ) Ações permanentes no território (estímulo para toda equipe) e de entidades do território na unidade Pesquisas do grau de satisfação do usuário Gerente acessível ao usuário

13 Desdobramentos do diálogo com o usuário Extensão do horário da oferta de procedimentos Organização do fluxo com várias entradas principalmente no período da manhã Ampliação do acesso e agilidade máxima para obtenção de atestados e declarações Cadastro de usuários de medicamentos de uso contínuo agilizando seu atendimento (anticonvulsivantes, anticonceptivos, etc.) Atuação de ACS logo pela manhã para acomodar/priorizar pessoas com fragilidades e necessidades especiais

14 A Construção do trabalho de Equipe Constituição de equipes voltadas para 5 áreas de atuação:1. Saúde do Adulto, 2. Saúde da Criança e Adolescente, 3. Saúde da Mulher, 4. Saúde Bucal e 5. Saúde Coletiva. Essas 5 áreas foram também as unidades de produção na elaboração do Plano de Ação Anual. Estabelecimento de metas pelas equipes incluindo as relativas ao acolhimento. Todo o pessoal da unidade estava inserido em uma equipe.

15 A Construção do trabalho de Equipe Estratégias que favoreceram integração da equipe: combinar atuação na recepção e na retaguarda do atendimento; vínculo médico/enfermagem/usuário; trabalho de grupo planejado e executado por médicos/enfermagem/acs; definição de prioridades feita pelas equipes Constituição do Colegiado: com representantes das áreas + recepção

16 A Construção do trabalho de Equipe Consultas conjuntas enfermagem/médico, a partir do acolhimento, sempre que o usuário necessitasse Agendas combinando garantia dos retornos e espaço para demanda espontânea (com vínculo com os médicos e enfermagem) Elaboração coletiva do Manual de Acolhimento da Enfermagem Nenhum usuário encaminhado ao PS sem ser ouvido e sempre por escrito

17 Educação Permanente Estudo permanente da demanda e necessidades de saúde com criação de ofertas capazes de direcionar com qualidade e racionalidade Reuniões Gerais com pautas previamente preparadas; temas gerais da política de saúde do município e Momento Cultural Reuniões de equipes de áreas com discussão de casos e de temas de interesse; acompanhamento das metas do Plano de Ação; estudo da demanda e avaliação do acolhimento Reuniões da clínica ampliada momento de integração das áreas com a construção de projetos terapêuticos individuais e coletivos Discussão de diretrizes clínicas e protocolos; acervo da equipe para consultas Discussões dos casos mal conduzidos no fluxo da unidade e dos conflitos com usuários (reclamações pelo sistema 156)

18 OS DESAFIOS O maior: manter projetos e certo grau de autonomia/responsabilização da equipe diante da instabilidade e falta de apoio institucional (mudanças de governo, rotatividade de profissionais, projetos da gestão não compartilhados pela equipe)

19 OUTROS DESAFIOS Garantir que acolhimento não seja reduzido a uma triagem organizadora da demanda reprimida (sem senhas!) Proteger o espaço das ações coletivas, educativas e a prioridade aos grupos de maior risco e vulnerabilidade Trabalhar o vínculo sem reduzi-lo à adscrição burocrática (manter a livre escolha) Ampliar a participação da população para além da existência formal do Conselho Local Não prescindir do conhecimento da clínica e da capacitação de toda equipe para acolher a demanda espontânea Cuidar do trabalhador de saúde que acolhe

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