CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E DE AUTOPEÇAS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 10 ANOS

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1 CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E DE AUTOPEÇAS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 10 ANOS Iervolino, Fernando 1 RESUMO Nos últimos dez anos a indústria automobilística no Brasil passou por um período de forte crescimento, com um aumento da produção de 89% e um aumento de licenciamento de 127%. Em contrapartida, o país passa por um momento de desindustrialização que se iniciou em 2004, causado principalmente pelo aumento de importação de máquinas, equipamentos, componentes e produtos acabados. Além disto, o crescente mercado consumidor brasileiro promoveu um aumento significativo na importação de veículos, tanto por fabricantes com unidades industriais instaladas no Brasil como por empresas não estabelecidas. De 4% em 2004, em 2011 chegamos a 24% de veículos importados licenciados no país, ou seja, 1/4 dos veículos licenciados vem do exterior. Soma-se a isto o fato de que várias fábricas no Brasil montam seu veículos a partir de componentes pré-montados no exterior (CKD), o que na prática equivale à importação do veículo. Com isto, a indústria de autopeças (tear 2) e os sistemistas (tear 1) acabam não se beneficiando de todo este crescimento de mercado, e ainda são penalizadas pela baixa cotação do dólar, que acaba por dificultar a competitividade do produto brasileiro no exterior. INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo apresentar a evolução da indústria automobilística no Brasil e sua posição em relação ao mercado mundial. As informações foram obtidas através de relatórios publicados por agências governamentais, sindicatos e associações de classe. São apresentadas na forma de tabelas ou gráficos, o que permite a fácil análise por parte do leitor. O autor procura comentar no texto as informações de maior relevância para cada grupo de dados apresentado. O BRASIL NO CONTEXTO MUNDIAL A frota mundial em 2010 foi estimada em 1,02 bilhão de veículos. O Brasil possuía nesta data a 8ª maior frota, com um total de 32,1 milhões de veículos [1], o que representava 3,1% da frota mundial. Por outro lado, o crescimento nos últimos dez anos foi de 59,6%, ficando atrás somente da China, com impressionantes 912% de crescimento, e do México, com 83,2%. Os EUA, China e o Japão possuem as maiores frotas, com respectivamente 240.5, 78.0 e 75.4 milhões de veículos e representando 39% do total mundial. Os EUA e o Japão, porém, tiveram um crescimento muito baixo entre 2001 e A Tabela 01 apresenta as maiores frotas mundiais. 1- Engº Mecânico, MBA em Gestão de Empresas pela FGV, Powder Metallurgy Technologist pela MPIF (USA), coordenador e coautor da obra A Metalurgia do Pó, Editora Metallum, 2009, Coordenador do Grupo Setorial de Metalurgia do Pó,

2 Tabela 01- As dez maiores frotas mundiais (x1.000 unidades), sua parcela na frota total e o crescimento entre 2001 e [1] Com relação à produção de veículos em 2011, ocupamos a 7ª posição no mundo com 3,4 milhões de veículos. O grande fabricante é a China, com 18,4 milhões, seguido dos EUA, Japão, Alemanha, Coréia do Sul e Índia. Em 2010 ocupávamos a 6ª posição, à frente da Índia, porém este país apresentou crescimento na fabricação de veículos, enquanto que o Brasil teve a sua produção diminuída. O Gráfico 01 mostra a evolução da produção desde 2002, e também uma tabela com os maiores produtores mundiais em Gráfico 01- Evolução da produção mundial de veículos e a produção em 2011.[2] O licenciamento anual em cada país, que inclui veículos fabricados localmente e importados, colocou o Brasil em 4º lugar em 2011, ficando à frente da Alemanha e Índia, e atrás da China, EUA e Japão. O crescimento no número de licenciamentos foi de 146% entre 2002 e 2011, ficando atrás da Argentina, China, Turquia e Índia, como demonstrado no Gráfico 02. EUA e Japão, mesmo sendo grandes produtores, diminuíram respectivamente em 24% e 27% o numero de licenciamentos neste mesmo período, e a Alemanha não apresentou crescimento. Estes países apresentam como característica um baixo índice

3 habitantes por veículo, menor que 2, enquanto que o Brasil apresentou em 2011 um índice de 6,1 habitantes por veículo. Este valor vem diminuindo ano a ano como pode ser observado no Gráfico 03 a seguir. A China e a Índia apresentam valores bem altos, 25 e 55 habitantes por veículo respectivamente, representando assim um mercado com enorme potencial de crescimento para a indústria automobilística. Gráfico 02- Unidades licenciadas (x1.000) - Evolução mundial e os números em 2011.[1] Gráfico 03- Número de habitantes por veículo.[1]

4 O BRASIL NA AMÉRICA LATINA Os países desta região apresentam um alto índice de habitantes por veículo, fazendo com que este mercado apresente também um grande potencial de crescimento. O Brasil destaca-se como o maior produtor e maior licenciador de veículos, seguido do México e da Argentina, conforme apresentado na Tabela 02. Tabela 02- Produção e venda de veículos nos países da América Latina. [3] A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO BRASIL Em 2011 o Brasil tinha 26 fabricantes de veículos e máquinas agrícolas, produzindo em um total de 53 unidades industriais, com uma capacidade instalada de 4,3 milhões de veículos. A grande concentração encontra-se na Região Sul e Sudeste do País como pode ser observado na Figura 01. Figura 01- Unidades industriais no Brasil.[4]

5 Os quatro maiores fabricantes de veículos são a Volkswagen, Fiat, GM e Ford que juntas representam 75% da produção Brasileira. A Tabela 03 mostra o número de unidades produzidas por cada uma destas empresas, assim como o número de funcionários diretos e de concessionárias. Tabela 03- Fabricantes de veículos no Brasil e unidades produzidas. [4] PRODUÇÃO E LICENCIAMENTO A análise do setor automotivo é fundamentada em duas fontes de informação: 1- Números de Produção, que inclui veículos montados e CKD (desmontados), que tem como destino tanto o mercado interno como a exportação. 2- Números de Licenciamento, composto por veículos produzidos no Brasil e por veículos importados. Entre 2001 e 2010 a indústria brasileira dobrou a sua produção, passando de 1,82 para 3,65 milhões de veículos por ano. Isto se deveu ao grande crescimento econômico do Brasil no período e à fortificação da sua economia, que mesmo com a crise mundial de 2008/2009 conseguiu manter o mercado interno aquecido. Em 2011 a produção foi reduzida para US$ 3,43 milhões, influenciada principalmente pela queda de exportação de veículos brasileiros.

6 Gráfico 04- Unidades produzidas de veículos montados e CKD.[4] As exportações em 2010 foram de mil veículos, correspondendo a 21% dos veículos fabricados, porém em 2011 foi reduzida para 579 mil, 17% do total fabricado. Os principais destinos das exportações foram a Argentina, África do Sul e México. Gráfico 05- Exportação de veículos montados e CKD.[4] O número total de veículos licenciados, entre 2001 e 2011, teve um aumento de 127%, passando de 1,6 para 3,6 milhões de unidades (Gráfico 06). Grande parte destes veículos possuem motorização 1.0 litro, porém esta parcela que em 2001 era de 71%, decaiu ao longo dos anos e em 2011 foi de 45,2%. Uma parcela significativa do total licenciado foi representada pelos veículos importados, que de 61,7 mil unidades em 2004, passaram a 858 mil unidades em 2011, representando 24% de todos os veículos licenciados no Brasil. O Brasil importou principalmente da Argentina, Coréia do Sul e México (Gráfico 07).

7 Gráfico 06- Unidades de veículos licenciados.[5] Gráfico 07- Porcentagem de importados licenciados e unidades por país de origem.[4] AUTOPEÇAS Entre 2001 e 2011 a indústria de autopeças teve um crescimento de 59% na sua produção, muito abaixo dos 89% de crescimento na produção de automóveis. A perda reflete o panorama de desindustrialização do país, fortemente influenciado pelo aumento das importações e pela presença de montadoras que trabalham com CKD. Além disto o valor baixo do Dólar diminuiu a competitividade do produto brasileiro no exterior, e consequentemente as exportações no setor.

8 Gráfico 08- Comparação entre a produção de veículos e de autopeças.[6] REPRESENTATIVIDADE NA ECONOMIA O PIB do Brasil em 2011 foi de R$ 4,1 trilhões, incluindo impostos sobre produtos, e R$ 3,5 trilhões em valores referentes a preços básicos. Em relação a este último valor, 67% foi gerado pelo setor de serviços, 27,5% pela indústria e 5,5% pela agropecuária. O PIB industrial foi de R$ 972,1 bilhões, sendo que 18,2% deste valor atribuído à indústria automobilística, demonstrado a grande importância deste setor para a economia do país. Em relação ao PIB total, a indústria automotiva representa 5%, como pode ser observado na Tabela 04. Tab.04-Composição e valores do PIB.[6] Gráf.09- Composição do PIB Industrial [6] Entre 2001 e 2010, a indústria automobilística saltou de 12,9% para 18,5% do PIB industrial, sofrendo em 2011 uma pequena redução para 18,2%. Os investimentos no setor também foram crescentes, de US$ 748 milhões em 2003 para US$ 5,3 bilhões em

9 2011. Já o PIB das demais indústrias de transformação do país sofreu uma enorme queda como pode ser observado no Gráfico 09, demonstrando sinais claros de desindustrialização no país a partir de Mesmo assim, o PIB industrial tem mantido uma média de 28% nos últimos 10 anos. Com relação aos tributos sobre automóveis, a carga do Brasil em 2011 foi de 30,4%, contrastando principalmente com os EUA onde a carga foi de 5,7%. Gráf.10- Carga tributária sobre veículos [4] EMPREGOS E INDICADORES SOCIAIS Em 2011, dentre os trinta países com maior carga tributária no mundo, o Brasil ficou em 15º lugar com 35,13% em relação ao PIB. Já com relação ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e ao Irbes (Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade), ficou na última posição em relação aos demais 29 países analisados. Considerando-se todos os 187 países do mundo, ficamos na 84ª posição com o IDH de 0,718. Este índice cresceu a uma média anual de 0,86% entre 1980 e 2011, porém nos últimos 10 anos esta média diminuiu para 0,69% ao ano, mostrando que chegamos em um estágio onde as melhoras são mais difíceis e requerem maiores investimentos. O número de empregos na indústria automobilística aumentou 55% entre 2001 e 2011, acompanhando o crescimento no setor. Esta curva de crescimento estabilizou-se no primeiro semestre de 2012, conforme pode ser observado no Gráfico 11 a seguir.

10 Gráf.11- Empregos na indústria automobilística [4] COMENTÁRIOS FINAIS Os números apresentados demonstram que a indústria automobilística brasileira viveu um momento de grande crescimento na primeira década deste século. A economia forte do país e o mercado interno aquecido permitiram que o Brasil sofresse um impacto menor da crise mundial. Por outro lado os demais setores da indústria de transformação do país passaram por um forte declínio, o que enfraqueceu também os investimentos em pesquisa, tecnologia e também na renovação e ampliação do parque industrial. O país se vê a frente de um novo desafio onde a competitividade passará a ser o principal fator a ser trabalhado. Esta competitividade está vinculada à melhora da nossa infraestrutura de transportes, redução da carga tributária, melhor uso do dinheiro público, aumento da eficiência dos órgãos públicos, redução na burocracia, redução dos encargos trabalhistas e, acima de tudo, no aumento da qualidade do profissional brasileiro através da melhora da nossa qualidade de ensino. REFERÊNCIAS [1]- AAMA (Estados Unidos), Adefa (Argentina), Anfac (Espanha), Anfavea, Anfia (Itália), INEG (México), Jama (Japão), SMMT (Reino Unido), U.S. Federal Highway Administration (Estados Unidos), VDA (Alemanha), Wards Communications (Estados Unidos), Acea (Europa), FCAI (Austrália), Fourin (Japão), Kama (Coréia do Sul), OICA, OSD (Turquia), SMMT (Reino Unido). [2]- OICA - International Organization of Motor Vehicle Manufacturers - [3]- Acau (Uruguai), Acolfa (Colômbia), Adefa (Argentina), Aeade (Equador), Amia (México), Anac (Chile), Anfavea (Brasil), Anpact (México), Cadam (Paraguai), Cavenez (Venezuela), Cinae (Equador), Comunidad Andina (Bolívia), Dirección Nacional del

11 Registro de Automotores (Paraguai), IBGE, INE (Chile), INE (Uruguai), INE (Venezuela), Inegi (México), Ministério dos Transportes (Colômbia), SMMT (Reino Unido). [4]- Anfavea - Anuário 2012, disponível no formato eletrônico em [5]- Abeiva, Anfavea, Denatran [6]- IBGE

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