COMPONENTES DE PRODUÇÃO E PARTICIPAÇÃO DA ORDEM DOS RACEMOS NO RENDIMENTO DA MAMONEIRA CONSORCIADA COM FEIJÃO-CAUPI E AMENDOIM

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1 COMPONENTES DE PRODUÇÃO E PARTICIPAÇÃO DA ORDEM DOS RACEMOS NO RENDIMENTO DA MAMONEIRA CONSORCIADA COM FEIJÃO-CAUPI E AMENDOIM Maria Lita Padinha Corrêa 1, Francisco José Alves Fernandes Távora 2, João Bosco Pitombeira 2, Ciro de Miranda Pinto 2 1Universidade Federal de Viçosa, 2Dep. Fitotecnia/CCA/UFC RESUMO - Objetivou-se avaliar na cultivar de mamona BRS 149 Nordestina em consórcio com o feijão-caupi (Vigna unguiculata (L). Walp) e o amendoim (Arachis hypogaea L) em duas densidades de plantio, os componentes de produção e a contribuição das categorias de racemos no rendimento da mamona. O experimento foi conduzido em Quixadá, CE em O delineamento experimental foi de blocos ao acaso com 3 repetições e 8 tratamentos. Os tratamentos consistiram dos plantios solteiros e consorciados da mamona, em fileiras alternadas (1:2 ou 1:3) em dois espaçamentos (1,5 m x 1,0 m e 2,0 m x 1,0 m na cultura solteira e 2,0 m x 1,0 m e 3,0 m x 1,0 m nos consórcios com amendoim e feijão-caupi). Apenas o comprimento dos racemos foi reduzido pelo consórcio com o feijão-caupi. O comprimento dos racemos e o número de frutos por racemo foram reduzidos nos racemos de ordem elevada (2 a e 3 a ordem). A participação dos racemos terciários na produção foi menor que a dos primários ou secundários. Palavras-chave: Ricinus communis, oleaginosas, Vigna unguiculata, cultivo múltiplo. INTRODUÇÃO A mamoneira (Ricinus communis L.) é planta adaptada aos mais diversos ambientes, possuindo elevada resistência à seca (AMORIM NETO et al., 2001). O consórcio de plantas é uma prática agrícola utilizada de forma extensiva em regiões tropicais. Os produtores utilizam esse sistema de plantio para fugir da irregularidade climática muito freqüente em regiões semi-áridas. Ao se cultivar diferentes espécies em consórcio, obtém-se maior estabilidade de produção, melhor uso dos recursos naturais, melhor controle de doenças e pragas, redução da infestação de plantas daninhas, além da otimização do uso da mão-de-obra e dos recursos financeiros (ALTIERI; LIEBMAN, 1986; TRENBATH, 1986; ZAFFARONI; AZEVEDO, 1982). A definição da população ótima é um passo tecnológico básico para que se tenha um bom desempenho produtivo de uma cultura.

2 No Norte e Nordeste do País predomina o cultivo consorciado da mamona onde são usados cultivares de porte médio e alto. Entre os pequenos produtores é comum o uso da consorciação da mamona com o milho, feijão-caupi e o feijão-comum (AZEVEDO et al., 2001). Objetivou-se, com o presente trabalho, avaliar a cultivar de mamona BRS 149 (Nordestina) em consórcio com o feijão-caupi (Vigna unguiculata (L). Walp) e o amendoim (Arachis hypogaea L) em duas densidades de plantio, os componentes de produção e a contribuição dos racemos primários, secundários e terciários no rendimento da mamona. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em condições de sequeiro, em 2004, em Quixadá, CE, na Fazenda Lavoura Seca, da UFC, na posição geográfica de 4 o 59' de latitude Sul e de 39 o 01' de longitude Oeste, com altitude de 190 m, em solo do tipo Argissolo Vermelho-Amarelo. Em 2004 a precipitação pluvial na área experimental, no período de janeiro a dezembro, totalizou mm. No período experimental (plantio à colheita) houve uma precipitação pluvial de 490,3 mm. O solo foi preparado com uma gradagem cruzada, uma semana antes do plantio. Foi aplicada adubação com N-P-K na proporção , de acordo com recomendação baseada em análise química do solo, com uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio. O fósforo e o potássio juntamente com a metade do nitrogênio foram aplicados na semeadura, em sulcos com 5 cm de profundidade ao lado da fileira de plantio. O restante do nitrogênio foi aplicado em cobertura, a lanço, 45 dias após a semeadura. Os seguintes materiais foram avaliados: mamona cultivar BRS 149 Nordestina; feijão-caupi Epace 10; amendoim PI As culturas foram plantadas em covas com 5 cm de profundidade. O plantio foi realizado em 16 de março de No plantio consorciado as culturas foram plantadas em fileiras alternadas, guardando-se os seguintes arranjos: mamona espaçada de 2 m x 1 m alternada com duas fileiras de amendoim ou feijão-caupi; mamona espaçada de 3 m x 1 m, alternada com três fileiras de amendoim ou feijão-caupi. As fileiras de amendoim e feijão-caupi, distaram de 0,7 m das fileiras da mamona e 0,8 m entre si. Para o amendoim e o feijão-caupi foram usados espaçamentos de 0,1 m e 0,2 m entre as plantas na fileira, respectivamente. As parcelas experimentais dos tratamentos consorciados foram constituídas de 4 fileiras de mamona com 8 m de comprimento. Como área útil, foram colhidas as duas fileiras centrais de mamona e as 2 ou 3 fileiras centrais das culturas consorciadas do feijão-caupi ou amendoim, nos espaçamentos 2 m x 1 m e 3 m x 1 m, respectivamente, excluindo-se as plantas situadas nas extremidades de cada fileira. Os componentes

3 de produção foram obtidos de plantas colhidas da área útil de cada parcela e posterior amostragem aleatória realizada em laboratório. Na apuração da produção de mamona e seus componentes, os racemos foram classificados em primários, secundários e terciários. As variáveis comprimento do racemo, número de frutos/racemo e peso de 100 grãos foram obtidas a partir de duas plantas da área útil de cada parcela, escolhidas aleatoriamente. O número de racemos/planta e contribuição dos racemos (1 o, 2 o e 3 o ) no rendimento total foram obtidas sobre o universo das plantas da parcela útil. Os componentes de produção foram analisados segundo delineamento em blocos ao acaso num esquema fatorial 3 x 6, representando três categorias de racemos e seis sistemas de plantio (isolado, consorciado com o feijão-caupi e consorciado com amendoim, nos dois espaçamentos). Os dados foram submetidos á análise da variância e o teste de Tukey a 5% de probabilidade foi aplicado para as comparações entre as médias das variáveis estudadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os racemos primários apresentaram maior comprimento que os secundários e estes maior que os terciários, independentemente do sistema de plantio adotado (Tabela 1). No consórcio mamona + feijão-caupi houve redução no comprimento dos racemos em relação aos plantios isolado ou consorciado com o amendoim. O espaçamento entre as plantas de mamona não interferiu no comprimento do racemo, tanto nos plantios isolados como nos consorciados. O estudo evidenciou que a diminuição do comprimento do racemo reduziu o número de frutos/racemo. O número de frutos/racemo não foi influenciado pelos sistemas de plantio (espaçamento ou consórcio). Foi maior nos racemos primários em relação aos secundários e terciários que não diferiram entre si, em todos os sistemas de plantio (Tabela 2). Com relação aos sistemas de plantio nota-se um discreto aumento no tamanho dos racemos na mamona isolada, espaçamento m e consorciada com o amendoim no espaçamento m. Azevedo et al. (2001), consorciando mamona e milho também, não constataram diferenças no número de frutos/racemo nos sistemas utilizados. Apesar da grande amplitude de variação (56,2 a 65,5 g) não foi constatada diferença significativa para o peso de 100 grãos. Esta variável apresentou grande estabilidade, não sendo influenciada pelos diferentes espaçamentos e sistemas de plantio (Tabela 3). Resultados semelhantes foram obtidos por Távora et al. (1988) consorciando mamona com feijão-caupi, gergelim e sorgo e por Rando e Quintanilha (1990) consorciando mamona com milho, feijão comum e amendoim. A produção de grãos da mamona teve apenas a participação de racemos primários, secundários e terciários (Figura 1). Os racemos primários e secundários tiveram maior participação no rendimento da cultura. A análise dos tratamentos isolados revela uma redução na contribuição dos

4 racemos terciários no espaçamento 1,5 m x 1,0 m em relação ao 2,0 m x 1,0 m. Este fato pode ser explicado pela maior competição havida entre as plantas no espaçamento mais fechado. No sistema consorciado com o amendoim a participação dos racemos terciários foi maior que no consórcio com o feijão-caupi. O amendoim deve ter exercido menor competição às plantas de mamona que o feijãocaupi. Em conseqüência, a mamona apresentou um maior crescimento possibilitando a produção de racemos terciários maiores e em maior número. No consórcio com o amendoim houve uma maior proporção dos racemos terciários quando a mamona foi espaçada em 3,0 m x 1,0 m. Esta resposta pode ser explicada pela menor competição havida entre as plantas de mamona na menor densidade de plantio. Rando e Quintanilha (1990) consorciando mamona com feijão-caupi e amendoim verificaram que a participação dos racemos na produção de semente decrescia com o aumento da ordem dos racemos e atribuíram esta diminuição à redução no comprimento dos racemos. CONCLUSÕES O peso de 100 grãos 60,5g não foi afetado pelos sistemas de plantio ou ordem dos racemos. O número de frutos por racemo não foi afetado pelo sistema de plantio, enquanto o comprimento dos racemos foi reduzido no consórcio com o feijão-caupi. O comprimento dos racemos e o número de frutos por racemo foram maiores nos racemos primários. A participação dos racemos terciários na produção foi menor que a dos primários ou secundários. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMORIM NETO, M. da S.; ARAÚJO, A. E. de; BELTRÃO, N. E. de M. Clima e solo. In: AZEVEDO, D. M. P de; LIMA, E. F. (Ed.). O agronegócio da mamona no Brasil. Brasília: Informação Tecnológica, p ALTIERI, M.; LIEBMAN, M. Insect, weed and plant disease management in multiple cropping systems. In: FRANCIS, C. A. Multiple cropping systems. New York: McMillan, p AZEVEDO, D. M. P. de.; SANTOS, J. W. dos.; BELTRÃO, N. E. de M..; NÓBREGA, L. B. da.; PEREIRA, J. R. Efeito da população de plantas no uso eficiente da terra dos consórcios mamona/milho

5 e mamona e caupi. Revista de oleaginosas e fibrosas, Campina Grande, v. 5, n. 2, p RANDO, E. M. ; QUINTANILHA, A. C. Crescimento e produção da mamona em consórcio com culturas e adubos verdes. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília v. 25, n. 11, p , TÁVORA, F. J. A. F.; MELO, F. I. O.; SILVA, F. P. da.; BARBOSA FILHO, M. Consorciação da mamona com culturas anuais de ciclo curto. Revista Ciência Agronômica. Fortaleza, v. 19, n. 2, p TRENBATH, B. R. Resource use by intercrop. In: FRANCIS, C. A. Multiple cropping systems. New York: McMillan, p ZAFFARONI, E.; AZEVEDO, D. M. P. de. Sistemas de produção com espacial referencia ao comportamento do algodão do Nordeste do Brasil. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO TRÓPICO SEMI- ÁRIDO, 1., 1982, Recife. Anais... Recife, p Tabela 1. Médias do comprimento dos racemos (cm) da mamona (M) em diferentes sistemas de plantio com feijão-caupi (FC) e amendoim (A). Quixadá, CE, Tipo de racemo 1,5 x 1 Primário 44,8 a 48,4 a 37,4 a 37,7 a 50,0 a 45,1 a Secundário 29,5 b 26,0 b 23,3 b 21,8 b 26,5 b 27,5 b Terciário 20,3 c 19,6 c 18,5 c 18,2 c 21,3 c 21,3 c Média 31,5 A 31,3 AB 26,4 BC 25,9 C 32,6 A 31,3 AB Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Tabela 2. Médias do ao número de frutos/racemo da mamona (M) em diferentes sistemas de plantio com feijão-caupi (FC) e amendoim (A). Quixadá, CE, Tipo de racemo 1,5 x 1 M+FC Primário 93,6 a 82,3 a 80,6 a 83,6 a 89,3 a 97,6 a Secundário 44,6 b 36,6 b 33,3 b 38,3 b 37,6 b 45,3 b Terciário 41,0 b 27,0 b 28,6 b 27,6 b 33,6 b 37,0 b Média 59,7 A 48,6 A 47,5 A 49,8 A 53,5 A 59,9 A Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

6 Tabela 3. Médias do peso de 100 grãos (g) da mamona (M) em diferentes sistemas de plantio com feijão-caupi (FC) e amendoim (A) Quixadá, CE, Tipo de racemo 1,5 x 1 Primário 59,3 a 59,1 a 60,5 a 60,7 a 57,8 a 60,9 a Secundário 60,4 a 65,5 a 59,6 a 61,6 a 64,4 a 60,6 a Terciário 64,6 a 59,2 a 56,2 a 57,3 a 57,8 a 63,8 a Média 61,4 A 61,3 A 58,8 A 59,9 A 60,0 A 61,8 A Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

7 Racemo terciário Racemo secundário Racemo primário 35 % no rendimento M- m M-1,5 x 1m 2x1m 3x1 m M+C 2x1m M+C 3x1m Sistema de plantio Figura 1. Participação dos racemos no rendimento da semente de mamona (M) consorciada com o amendoim (A) e feijão-caupi (C). Quixadá, CE, 2004.

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