CRESCIMENTO E PRODUÇÃO DA MAMONEIRA FERTIRRIGADA EM MOSSORÓ RN

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1 CRESCIMENTO E PRODUÇÃO DA MAMONEIRA FERTIRRIGADA EM MOSSORÓ RN Antonio Ferreira de Sousa Dias¹, Francisco de Queiroz Porto Filho², José Francismar de Medeiros², Alisson Magno de Sousa Oliveira¹, Paulo Sérgio de Sousa¹, Antonio J. Almeida Neto³ ¹Mestrando em Irrigação e Drenagem, UFERSA, ²Prof. Dr. Departamento de Ciências Ambientais, UFERSA, ³Doutorando em Fitotecnia, UFERSA RESUMO - O presente trabalho teve como objetivo avaliar as características de crescimento e produção da mamoneira, cultivar BRS Energia, sob regime de fertirrigação, nas condições climáticas de Mossoró, RN. Para tanto, cultivou-se uma área de 0,7 hectares. A cobertura plena do solo pela cultura ocorreu a partir dos 65 dias e a estabilização na altura de planta se deu a partir dos 94 dias após a semeadura. O período de maior crescimento em altura, ocorreu entre a oitava e a nona semana e o período de maior crescimento em relação à cobertura do solo, ocorreu entre a sétima e a oitava semana. Os racemos secundários foram os que mais contribuíram com a produtividade em função do maior número de racemos por planta e a produção de frutos. Os racemos primários, apesar de em menor quantidade, apresentaram frutos mais pesadas que os racemos secundários. Palavras-chave: Ricinus communis L, Produtividade, Fertirrigação. INTRODUÇÃO O Brasil já foi considerado o maior produtor mundial de mamona, porém, a partir de 1982, perdeu esta posição para a Índia e em seguida para a China. Atualmente o Brasil é o terceiro maior produtor mundial dessa oleaginosa, tanto em área colhida, como em quantidade produzida e o estado da Bahia é o maior produtor nacional com toneladas de grãos na safra de 2005, respondendo por mais de 85% da produção nacional (SOUZA, 2007). No Brasil, o cultivo da mamoneira sob irrigação, ainda é limitado a pequenas áreas, em poucos estados da Federação, onde já foram registradas produtividades superiores a seis toneladas por hectare. Razão pela qual se deve investir em pesquisas nesta área, a fim de se obter detalhes sobre o manejo da irrigação, com vistas ao ganho de produtividade, pelo aumento na eficiência produtiva dessa cultura (BELTRÃO et al., 2006). Em condições experimentais no semi-árido brasileiro, sob o regime de sequeiro, tem-se obtido produtividade de até 1,5 toneladas por hectare com as cultivares BRS Paraguaçu e Nordestina. Em condições comerciais, foram obtidas produtividades de 0,6 a 0,9 toneladas por hectare. Essa baixa produtividade tem sido explicada como imposição da falta de água, além de outros problemas (SANTOS et al., 2004).

2 De acordo com Carvalho (2005), a irrigação na mamoneira, pouco empregada em cultivos extensivos e muito, na produção de sementes, é uma técnica muito favorável ao aumento da produtividade, tendo sido obtidos rendimentos de até 5,4 toneladas por hectare em cultivos comerciais na Bahia com a cultivar BRS 149 Nordestina. Com a crescente aplicação de seu óleo, há maior interesse pelo conhecimento dessa cultura em várias condições de solo e clima, entretanto, as informações que se tem, são quase exclusivamente de cultivos em condições de sequeiro. Desse modo é possível que a adoção de práticas como a irrigação e fertilização do solo possam contribuir decisivamente para a melhoria dos sistemas de produção com reflexos positivos na produtividade de grãos e rendimento de óleo. MATERIAL E MÉTODOS Cultivou-se sob fertirrigação, uma área de 0,7 ha, entre os dias 12 de novembro de 2007 e 29 de fevereiro de 2008, com mamoneira, cultivar BRS energia, densidade plantas por hectares, em Mossoró, região noroeste do Estado do Rio Grande do Norte, coordenadas geográficas: latitude 5º03'40 S, longitude 37º23'51 W, altitude de 72 m, distante 20 km da sede do município. O solo da área experimental é classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo, fase caatinga hiperxerófila e relevo plano. O clima da região é semi-árido, com pouco ou nenhum excesso de água, seco e muito quente. A adubação de fundação foi feita nas linhas de plantio e incorporada ao solo manualmente, com 150 kg há -1 de P2O5 e 75 kg ha -1 de K2O e a adubação em cobertura, realizada por fertirrigação a partir da segunda semana após a semeadura até o 77º dia, com 120 kg ha -1 de nitrogênio, 230 kg ha -1 de P2O5 e 108 kg ha -1, de acordo com a análise de fertilidade do solo. O sistema de irrigação constou de 48 linhas laterais de 85 metros com emissores a cada 0,3 m. O suprimento hídrico diário foi viabilizado a partir da equação de Penman-Monteith-FAO, para determinação da ETo, alimentada com dados de uma estação meteorológica próxima à área e Kcs usados em regiões de condições climáticas semelhantes. O crescimento vegetativo foi determinado através de dados referentes à altura das plantas e percentual de cobertura do solo, coletados em 11 intervalos de tempo durante o ciclo, a partir da quinta semana após a semeadura. Esses dados foram coletados em amostra representativa da área cultivada, medindo 200 m², composta por 500 plantas, sendo que a cada tomada foram feitas 50 medidas. As medidas foram realizadas aos 32, 36, 44, 51, 59, 65, 73, 85, 94, 100 e 108 dias após a semeadura (DAS).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO As curvas de crescimento em altura de plantas e de cobertura relativa do solo em função do tempo encontram-se na Figura 1. Evidencia-se que a cobertura plena do solo ocorreu a partir do 65º dia após a semeadura, enquanto que a estabilização na altura de planta se deu a partir do 94º dia após a semeadura. Os períodos de crescimento, tanto em relação á altura quanto á cobertura do solo, são apresentados na Tabela 1. O período de maior crescimento em altura, 5,5 centímetros por dia, compreendeu o período entre o 51º e o 59º dia após a semeadura, isto é, entre a oitava e a nona semana. Já o período de maior crescimento em relação á cobertura do solo, 2,86 pontos percentuais por dia, ficou compreendido entre o 44º e 51º dia após a semeadura, isto é, entre a sétima e a oitava semana. Porto Filho et al. (2007), estudando o crescimento de seis variedades de mamoneira, sob condições de fertirrigação, na mesma região, porem, em período chuvoso com irrigação suplementar, observaram que o período de maior incremento no crescimento dessa cultura correspondeu ao período entre os 50 e os 65 dias após a semeadura. A maior produtividade de frutos, por ordem de racemo, foi obtida nos racemos secundários 1655 kg ha -1, seguida dos racemos primários, 1113 kg ha -1 e a produtividade total de frutos foi de 3187 Kg ha -1. O maior peso relativo de raque foi obtido no racemo primário, 10,7% do peso do racemo, seguido pelo racemo terciário (Tabela 2). O maior número de racemos por planta foi verificado na ordem de racemos secundários e a maior massa de frutos por racemo na ordem de racemos primários. A maior produção por planta foi registrada na ordem de racemos secundários em função do maior número de racemos nessa ordem (Tabela 3). Quanto à ordem de racemos terciários, essa apresentou o menor número de racemos por planta e também a menor massa de frutos por racemo, e consequentemente, a menor produção por planta. Esta ocorrência pode ser atribuída ao corte da irrigação aos 95 dias após a semeadura. Como o surgimento de cachos novos é paralisado pela falta de água e de nutrientes e a mamoneira é uma espécie de crescimento indeterminado, (SOUZA et al., 2007), deduz-se que nas condições edafoclimáticas em que foi conduzido o estudo, certamente essa cultura necessitaria de um período de irrigação maior para expressar seu potencial produtivo.

4 CONCLUSÕES A cobertura plena do solo ocorreu a partir do 65º, enquanto que a estabilização na altura de planta se deu a partir do 94º dia após a semeadura. O período de maior crescimento em altura, 5,5 centímetros por dia, compreendeu o período entre o 51º e o 59º dia após a semeadura, entre a oitava e a nona semana. O período de maior crescimento em relação á cobertura do solo, 2,86 pontos percentuais por dia, ficou compreendido entre o 44º e 51º dia após a semeadura, entre a sétima e a oitava semana. Os racemos secundários foram os que mais influenciaram na produtividade em função do maior número de racemos por planta. Os racemos primários, apesar de em menor quantidade, apresentaram frutos mais pesadas que os racemos secundários. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELTRÃO, N. E. de M. Sistema de produção de mamona em condições irrigadas: Considerações gerais. Campina Grande: Embrapa Algodão, 2006, 14 p. (Documentos, 132). CARVALHO, B. C. L. Manual do cultivo da mamona. Salvador: EBDA, p. SANTOS, A. C. M. Deficiência de cálcio e magnésio na mamona (ricinus communis L.): descrição e efeito sobre o crescimento e a produção da cultura. CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA 1., Aracaju. Anais... Campina Grande: Embrapa Algodão, 1 CD-ROM. SOUZA, A. S. Manejo cultural da mamoneira: época de plantio, irrigação, espaçamento e competição de cultivares p. Tese (Doutorado em Agronomia) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. PORTO FILHO et al. Crescimento da mamona fertirrigada no semi-árido nordestino. In: CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM, 27., Mossoró. Anais... Mossoró, CD-ROM.

5 DAS altura de plantas (cm) cobertura do solo (%) Figura 1. Curvas de crescimento da mamoneira, cultivar BRS Energia, sob regime de fertirrigação. Mossoró - RN, Tabela 1. Crescimento médio diário de plantas de mamoneira, fertirrigada. Mossoró RN, Período DAS Crescimento diário Altura (cm) Cobertura (%) 32 a 36 1,50 1,50 36 a 44 1,50 1,75 44 a 51 4,14 2,86 51 a 59 5,50 1,87 59 a 65 4,50 1,83 65 a 73 4,63 0,00 73 a 85 2,92 0,00 85 a 94 2,67 0,00 Tabela 2. Produtividade da mamoneira, cultivar BRS Energia, fertirrigada. Mossoró-RN, Ordem de Racemo Produtividade (kg/ha) Racemo Frutos Raques (%) Primário 1 246, ,5 10,7 Secundário 1 818, Terciário 461, ,5 9,2 Total 3 526, ,6

6 Tabela 3. Produção da mamoneira, Cultivar BRS Energia, fertirrigada. Mossoró-RN, Ordem de Racemo Racemos/planta Frutos/racemo (g) Produção/planta (g) Primário 0,91 44,26 40,27 Secundário 2,2 26,75 58,85 Terciário 1,2 12,26 14,71 Total 4,31 83,27 113,83

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