CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS DE DUAS CULTIVARES DE MAMONA SOB DIFERENTES DENSIDADE DE PLANTAS NO TOCANTINS UNITINS-AGRO

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1 CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS DE DUAS CULTIVARES DE MAMONA SOB DIFERENTES DENSIDADE DE PLANTAS NO TOCANTINS Flávio Sérgio Afférri 1, Susana Cristine Siebeneichler 1, Carlos Henrique Alves Corrêa de Sá 1, Jefferson da Luz Costa 1, Saulo de Oliveira Lima 1, Patrícia da Cruz Ramos 1, Lucas Koshy Naoe 2, Ronaldo Rodrigues Coimbra 2 1Universidade Federal do Tocantins, 2 Universidade do Estado do Tocantins UNITINS-AGRO RESUMO - A correta escolha da população de plantas é uma prática cultural extremamente simples, mas que tem grande impacto sobre diversos aspectos da condução da lavoura, como controle de plantas daninhas, colheita, uso de implementos agrícolas, distribuição espacial da planta, etc. O objetivo deste trabalho foi de avaliar características agronômicas de duas cultivares de mamoneira, sob diferentes densidades de plantas no Tocantins. Diferentes populações provocaram variações significativas da altura da planta, altura de cacho na primeira e terceira colheita, e do diâmetro do caule. As cultivares BRS Paraguaçu e BRS Nordestina diferiram em relação às características: altura de cacho na primeira colheita, número de cacho por planta, comprimento de cacho na primeira e segunda colheita e número de frutos por cacho. Palavras-chave: Ricinus communis L., manejo cultural, população de plantas. INTRODUÇÃO A mamoneira, oleaginosa introduzida no Brasil, é encontrada em todo território nacional, por sua tolerância à seca e exigência em calor e luminosidade (TÁVORA, 1982; AMORIM NETO et al., 2001). Estas condições climáticas são encontradas do estado do Tocantins, com clima do tipo B1wA a (Thornthawaite). A população é quantificada em termos de número de indivíduos por unidade de área, e o arranjo espacial é definido como padrão de distribuição de plantas e determina a forma geométrica disponível para cada indivíduo em um plantio (WILLEY; RAO, 1981). Na definição da população de plantas deve-se levar em consideração o clima (chuvas, insolação, temperatura, ventos), características do solo (textura, fertilidade, profundidade, relevo), características da cultivar a ser plantada (porte, ciclo, susceptibilidade a doenças, forma de colheita) e manejo a ser empregado: mecanização, uso de herbicidas, irrigação e outros (SEVERINO et al.,2004a). Duas das cultivares de mamona para plantio no semi-árido brasileiro são a BRS Nordestina e BRS Paraguaçu, as quais possuem porte médio a alto, e destacam-se pela acentuada resistência ao déficit hídrico (FREIRE et al., 2001). No entanto, quando há boa disponibilidade de água e de nutrientes, essas plantas tendem a crescer excessivamente, como relatado por Severino et al.(2004b), em que as plantas da cultivar BRS

2 Nordestina atingiram mais de 3 m de altura, prejudicando a produtividade e a operação de colheita. Este trabalho teve o objetivo de avaliar as características agronômicas da mamoneira, influenciadas por diferentes densidades de plantas, utilizando-se as cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu, nas condições edafoclimáticas do município de Cariri do Tocantins, TO. MATERIAL E MÉTODOS O presente estudo foi conduzido no período de janeiro de 2006 a setembro de 2006, na Fazenda Coqueiro, situada no município de Cariri do Tocantins localizada na região sul do estado do Tocantins. As sementes das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu foram plantadas em 22 de fevereiro de 2006, utilizando-se o delineamento experimental de blocos ao acaso com quatro repetições e cinco tratamentos, sendo estes as cinco densidades, mantendo-se fixo a distância entre linhas de 2m e variando a distância entre plantas na linha de cultivo com 0,40; 0,80; 1,2; 1,6 e 2,0 m, equivalentes a 2,5; 3,12; 4,16; 6,25 e 12,5 mil plantas por hectare respectivamente. Cada parcela experimental constituiu-se de 4 linhas de 6 metros, considerando como útil apenas as 2 fileiras centrais. As colheitas do experimento foram realizadas parceladas em três vezes, resultando em três colheitas, e cada colheita ocorreu de acordo com a maturação dos frutos de cada parcela, aos 134, 162 e 209 dias. No momento da colheita foram registradas as características agronômicas: altura de planta (AP), altura de cacho nas três colheitas (AC), diâmetro de caule (DIAMC), número de cachos na planta (NCP), comprimento de cacho nas três colheitas (CC) e número de frutos no cacho (NFC), as quais os dados foram submetidos à análises de regressão e de variância, com o teste F, a 5 e 1 % de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Várias características foram significativamente diferentes entre as duas cultivares. A população de plantas influenciou apenas para altura de plantas, altura de cacho na primeira e terceira colheita e diâmetro de caule. Na interação população de plantas e variedades não observou-se influência nas características estudadas. A população de plantas pode influenciar a altura de plantas (Figura 2) em função da competição entre plantas por água, luz e nutrientes, de acordo com Severino et al. (2004b) que afirmam, em condições de boa disponibilidade de água e nutrientes, as plantas tendem a crescer excessivamente, e plantas da cultivar Nordestina atingiram mais de 3m de altura. As diferenças entre as variedades (Tabela 1) foram significativas para altura de cacho na primeira colheita, número de cacho por planta, comprimento de cacho na primeira e segunda colheita e número de frutos por cacho.

3 Na Figura 1, as características agronômicas número de cachos por planta, número de frutos no cacho e diâmetro de caule são influenciadas negativamente com o aumento da densidade de plantas na linha de plantio. A cultivar BRS Paraguaçu, com maior número médio de cachos por planta (1,89), posiciona-se abaixo da cultivar BRS Nordestina nas características número de frutos por cacho e comprimento de cacho da primeira e segunda colheita (Figura 3). A análise de regressão mostrou que diferentes populações proporcionam influências significativas na altura de planta, altura de cacho na primeira e terceira colheita, e no diâmetro de caule, comprovando a influência da população de plantas sobre estas características, principalmente no final do ciclo (terceira colheita), conforme Figuras 1 e 2. CONCLUSÃO A redução do espaçamento entre plantas dentro da linha provocou aumento da altura da planta e de inserção dos cachos. Agradecimentos: Apoio financeiro FINEP - Parcerias: Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Tocantins/UNITINS-AGRO/UFT. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMORIM NETO, M. da S.; ARAÚJO, A. E. de; BELTRÃO, N. E. de. M. Clima e solo. In: AZEVEDO, D. M. P. de; LIMA, E.F. (Ed.). O agronegócio da mamona no Brasil. Brasília: Embrapa Informação tecnológica, p FREIRE, E. C.; LIMA, E. F.; ANDRADE, F. P. Melhoramento Genético. In: AZEVEDO, D. M. P.; LIMA, E. F.; O agronegócio da mamona no Brasil. Embrapa Algodão. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, p SEVERINO, L. S.; SILVA FILHO, J. L.; SANTOS, J. B.; ALENCAR, A. R. Plantio de algodão adensado no Oeste Baiano: safra Campina Grande: Embrapa Algodão, 2004a. 3 p. (Embrapa Algodão. Comunicado técnico, 209). SEVERINO, L. S; MORAES, C. R. A.; FERREIRA, G. B.; GONDIM, T. M. S.; FREIRE, W. S. A.; CASTRO, D. A.; CARDOSO,G. D.; BELTRÃO, N. E. M. Adubação química da mamoneira com NPK, Cálcio, Magnésio e micronutrientes em Quixeramobim, CE. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 1., 2004, Campina Grande. Energia e sustentabilidade: anais... Campina Grande: Embrapa Algodão, 2004b. 1 CD-ROM.

4 WILLEY, R. W. ; RAO, R. A. Systematic design to examine effects of plant population and special arrangement in intercropping, illustred by na experiment on chick pea/sunflower. Experimental Agriculture, v. 17, p , TÁVORA, F. J. A. A cultura da mamona. Fortaleza: EPACE, p. Tabela 1. Quadrados médios das características e significância do teste F, para duas variedades e cinco populações de plantas, em Cariri - TO. Fonte de Variação Quadrado Médio Características AP AC1COL AC2COL AC3COL DIAMC Variedades 1118NS 10224* 736NS 1508NS 0,4223NS Pop. de Plantas 8451* 22671** 4390NS 14437** 0,836** Variedade X Pop 1837NS 1909NS 17,39NS 1509NS 0,081NS CV 14,64 15,03 17,05 12,57 10,00 Média Características NCP CC1COL CC2COL CC3COL NFC Variedades 4,556** 5664** 506** 33,14NS 112,62** Pop. de Plantas 0,871NS 12,03NS 73,83NS 64,17NS 2,64NS Variedade X Pop 0,052NS 43,33NS 2,87NS 7,47NS 2,91NS CV 45,03 13,79 19,57 18,78 14,94 Média NS = não significativo, ** = significativo a 1% de probabilidade e *= significativo a 5% de probabilidade, pelo teste F. AP=Altura de plantas; AC1COL=Altura de cacho na primeira colheita; AC2COL=Altura de cacho na segunda colheita; AC3COL=Altura de cacho na terceira colheita; CC1COL=Comprimento de cacho na primeira colheita; CC2COL=Comprimento de cacho na segunda colheita; CC3COL=Comprimento de cacho na terceira colheita.

5 y (NFC) = -0,0986x + 10,197 R 2 = 0,5137 y (DIAMC) = -0,076x + 4,2538 R 2 = 0,9142 NCP NFC DIAMC (cm) Linear (NFC) Linear (DIAMC (cm)) Linear (NCP) Número de plantas x por hectare y (NCP) = -0,0787x + 2,005 R 2 = 0,9467 Figura 1. Número de cachos por planta (NCP), número de frutos no cacho (NFC) e diâmetro de caule [cm] (DIAMC) de duas cultivares de mamoneira, sob cinco população de plantas, em Cariri - TO. 450 altura (cm) y (AP)= 6,5453x + 328,05 R 2 = 0,7139 y (AC1EXT) = 13,017x + 170,73 R 2 = 0,9728 y (AC2EXT)= 3,3916x + 292,85 R 2 = 0,3351 y (AC3EXT)= 10,291x + 263,88 R 2 = 0, Densidade de plantas (mil plantas/ha) AP AC1COL AC2COL AC 3COL Linear (AP) Linear (AC1COL) Linear (AC2COL) Linear (AC 3COL) Figura 2. Alturas de plantas e de cachos em três colheitas, sob densidade de plantas, no municípios de Cariri TO. AP=Altura de plantas; AC1COL=Altura de cacho na primeira colheita; AC2COL=Altura de cacho na segunda colheita; AC3COL=Altura de cacho na terceira colheita.

6 50 Comprimento de cachos (cm) y (CC3COL) = -0,5453x + 30,291 y (CC1COL)= -0,2181x + 43,464 R 2 = 0,493 y (CC2COL)= 0,6786x + 29,208 R 2 = 0,8203 CC1COL CC2COL CC3COL Linear (CC3COL) Linear (CC1COL) Linear (CC2COL) 20 R 2 = 0, Densidades de plantas (mil plantas/ha) Figura 3. Comprimento de cachos em três colheitas sob três densidade de plantas, no município de Cariri TO, (CC1COL=Comprimento de cacho na primeira colheita; CC2COL=Comprimento de cacho na segunda colheita; CC3COL=Comprimento de cacho na terceira colheita).

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