ESTUDO DO PROCESSO DE MATURAÇÃO DA MAMONEIRA I: LANÇAMENTO DA INFLORESCÊNCIA

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1 ESTUDO DO PROCESSO DE MATURAÇÃO DA MAMONEIRA I: LANÇAMENTO DA INFLORESCÊNCIA Amanda Micheline Amador de Lucena 1, Liv Soares Severino 2, Napoleão Esberard de M. Beltrão 2, Valdinei Sofiatti 2, Katty Anne A. L. Medeiros 3, Maria, Isaura P. de Oliveira 1 ; Clodoaldo R. D. Bortoluzi 4 1UFCG/Estágia Embrapa Algodão: 2 Pesquisador da Embrapa Algodão, 3UEPB, 4 UFCG RESUMO - Objetivando verificar o período de emissão da inflorescência primária e o número de inflorescências emitidos pela mamoneira das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu, implantouse um experimento inteiramente casualizado com 40 repetições. A área experimental foi adubada com 70 kg ha -1 de N, 90 kg ha -1 de P e 60 kg ha -1 de K. De cada cultivar foram implantadas 40 covas no espaçamento de 3 metros entre linhas e 1 metro entre plantas, em regime de sequeiro, que após o desbaste deixou-se uma planta por cova. O momento de emissão da primeira inflorescência foi registrado e ao final do ciclo foi contabilizado o número total de inflorescências emitidos por cada planta. Como resultado constatou-se que as duas cultivares emitiram em média 15 inflorescências por planta. Com relação ao período de tempo para emissão da inflorescência primária, a cultivar BRS Paraguaçu foi mais precoce, necessitando de 79 dias e a BRS Nordestina 90 dias após a semeadura. A inflorescência da mamoneira surge protegida por uma folha e um par de brácteas. As brácteas normalmente caem ao solo em aproximadamente 3 a 5 dias e a folha cresce normalmente. Palavras-chave: Ricinus communis, cacho primário, brácteas. INTRODUÇÃO A mamoneira (Ricinus communis L.) é uma planta bastante complexa no que tange a morfologia, biologia floral e fisiologia, apresentando metabolismo fotossintético C3; porte muito variado, vários tipos de expressão de sexualidade além de apresentar algumas particularidades na inflorescência (BELTRÃO et al., 2001). Seu crescimento é do tipo indeterminado e sua haste principal cresce verticalmente e desprovida de ramificações laterais até o surgimento da primeira inflorescência (BELTRÃO et al., 2007). A inflorescência da mamoneira é do tipo panicular terminal (também chamada racemo), a qual geralmente possui flores masculinas na base e flores femininas no ápice. Eventualmente, estas flores podem surgir em posição diferente. As flores femininas fecundadas dão origem aos frutos e aquelas não fecundadas secam e caem após alguns dias. Mesmo que o crescimento inicial das plantas de uma lavoura seja uniforme, é comum que a emissão da primeira inflorescência ocorra de forma desigual. A emissão do primeiro racemo na cultivar BRS Nordestina, ocorre aproximadamente aos 54 dias após a emergência da planta, porém, numa

2 lavoura comercial com esta mesma cultivar é possível que aos 45 dias algumas plantas já tenham emitido sua inflorescência, enquanto outras só iniciem a floração aos 80 dias ou mais. Diversos fatores podem influenciar esse período de floração, como: fertilidade do solo, insolação, água, heterogeneidade de solo e outros. Plantas lacalizadas nas bordas do campo recebendo mais vento, por exemplo, podem demorar mais a florescer que aquelas que ficam no meio da lavoura. Portanto, com este trabalho, objetivou-se determinar o período necessário para a emissão da inflorescência primária e o número de inflorescências emitidas em duas cultivar de mamoneira. MATERIAL E MÉTODOS Um experimento com as cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu foi implantado no Centro Nacional de Pesquisa de Algodão (Embrapa Algodão), na cidade de Campina Grande, PB, que tem como coordenadas geográficas: 7º13 11 S, longitude 35º53131 W e altitude de aproximadamente 547 metros. O local apresenta seu período chuvoso do mês de março a junho e o mais seco é de outubro a dezembro. Os dados referentes à temperatura do ar, umidade relativa e precipitação no período de emissão das inflorescências, foram obtidos na Estação climatológica da Embrapa Algodão (Figura 1). O solo da área experimental foi classificado como franco arenoso e adubado com 70 kg ha -1 de N, 90 kg ha -1 de P e 60 kg ha -1 de K, na forma de uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio, respectivamente. A uréia (045% de N) foi aplicada parceladamente, sendo 1/3 no plantio, 1/3 aos 45 dias após o plantio e 1/3 aos 60 DAP. De cada cultivar foram implantadas 40 unidades experimentais, constituídas por uma planta, no espaçamento de 3,0 x 1,0 (3 metros nas entrelinhas e 1 metro entre plantas) em regime de sequeiro (Figura 2). Utilizou-se delineamento inteiramente casualizado com 40 repetições e os tratamentos consistiram de duas cultivares de mamoneira: BRS Nordestina e BRS Paraguaçu. Registrou-se a emissão da primeira inflorescência de cada planta. Ao final do ciclo foram registrados o número total de inflorescências emitidas. O plantio foi realizado em abril de 2007 utilizando-se 6 sementes por cova e o desbaste ocorreu aos 15 dias após a emergência das plântulas. As plantas daninhas foram controladas ao longo do experimento com capinas periódicas. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e para as variáveis que apresentaram valores de F significativos em nível de 5% de probabilidade foi aplicado o teste de Tukey. RESULTADOS E DISCUSSÃO Constata-se na Tabela 1 que a quantidade de inflorescências que foram emitidas por planta não foi influenciada pela cultivar obtendo-se em média 15 inflorescências por planta durante o período produtivo. O surgimento da 1ª inflorescência foi influenciado significativamente pela cultivar. Salienta-se que todas as inflorescências emitidas pelas cultivares em estudo, ocorreram entre 02/07 e 06/09/2007.

3 A inflorescência da mamoneira constitui os órgãos reprodutivos da planta e originarão os componentes vegetais que darão origem ao cacho (racemo) e conseqüentemente às sementes. O número de racemos que a planta poderá produzir ao longo do período produtivo vai depender de fatores inerentes à planta, a própria inflorescência como: número de flores femininas/masculinas e polinização das flores como também pode estar relacionado a fatores edafoclimáticos. Analisando o crescimento e componentes fenológicos de cinco variedades de mamona, Pinheiro et al. (2006) verificaram que as variedades SMS Pernambucana, CNPAM e CSRN 393, produziram de 10 a 13 racemos durante o período produtivo enquanto as variedades BRS Paraguaçu e BRS Nordestina apresentaram menor número de racemos (5 e 8 racemos, respectivamente) e verificaram que o número total de racemos nem sempre reflete em maior número de frutos e de sementes. Na Tabela 2, constata-se que a cultivar BRS Paraguaçu é mais precoce com relação ao período para emissão da primeira inflorescência. Salienta-se que a emergência das plântulas ocorreu aos 15 dias após a semeadura. Considerando-se a emergência das plântulas, verifica-se que a 1ª inflorescência da cultivar BRS Nordestina foi emitida aos 75 dias e a BRS Paraguaçu aos 64 dias após a emergência, período mais longo do que o registrado por Cartaxo et al. (2004) que descrevem que o intervalo médio de emergência ao 1º racemo é de 50 dias para a cultivar BRS Nordestina e de aproximadamente 54 dias para a BRS Paraguaçu e por Beltrão et al. (2007) que relatam que a mamoneira das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu iniciam a floração (1º. cacho) em aproximadamente 50 a 60 dias após a emergência. Entretanto, Silva et al. (2007) relata que em cultivares de mamona de porte médio, como a BRS Nordestina e BRS Paraguaçu, a floração tem inicio entre 70 e 90 dias após a emergência. Verifica-se que a cultivar BRS Nordestina demorou em média 11 dias para lançar sua 1ª inflorescência. Como em ambas as lavouras foram dispensados os mesmos tratos culturais e influenciadas pelas mesmas condições edafoclimáticas, provavelmente a precocidade observada na BRS Paraguaçu é decorrente das características genéticas desta cultivar. A inflorescência da mamoneira das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu surge protegida por uma folha e um par de brácteas (Figura 3). As brácteas caem em aproximadamente 3 a 5 dias e então a folha cresce normalmente. O número de flores e sua proporção são características relacionadas à idade da planta e dos racemos (os primeiros apresentam maior quantidade de flores femininas), comprimento do dia (dias curtos aumentam a taxa de flores masculinas/femininas), temperatura (elevada, favorece a ocorrência de maior número de flores masculinas) e poda que promove um número maior de flores femininas (BELTRÃO et al., 2001).

4 Constatou-se que cerca de oito a dez dias após o surgimento da inflorescência, as flores começaram a se abrir. Segundo Rizzardo (2007), não há uma ordem predeterminada se as primeiras flores a se abrir são as femininas ou as masculinas. O mais comum é que ambas se abram no mesmo período. Para liberação do pólen, as flores masculinas vão se abrindo ao longo de vários dias, assim como as flores femininas. Os estigmas (estrutura de recepção do pólen nas flores femininas) têm coloração clara logo após a abertura das flores, mas após a fecundação tornam-se mais escuros, geralmente avermelhado (Figura 4). CONCLUSÕES A mamoneira cv BRS Paraguaçu foi 11 dias mais precoce no lançamento da sua inflorescência primária que a BRS Nordestina. A inflorescência da mamoneira surge protegida por um par de bráctea que cai de 3 a 5 dias após o surgimento. As cultivares estudadas produziram em média 15 inflorescências por planta. *Agradecimento: ao Consórcio CENP Energia, Embrapa Algodão e CNPq REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELTRÃO, N. E. de M.; SILVA, L. C.; VASCONCELOS, O. L.; AZEVEDO, D. M. P. de.; VIEIRA, D. J. Fitologia. In: AZEVEDO, D. M. P. de; LIMA, E. F. O Agronegócio da mamona no Brasil. Campina Grande: Embrapa Algodão; Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, p BELTRÃO, N. E. de M.; AZEVEDO, D. M. P. de; LIMA, R. de L. S. de.; QUEIROZ, W. N. de.; QUEIROZ, W. C. de. Ecofisiologia. In: AZEVEDO, D. M. P. de; BELTRÃO, N. E. de M. (Ed.).O agronegócio da mamona no Brasil, 2. ed. Campina Grande: Embrapa Algodão; Brasília,DF: Embrapa Informações Tecnológicas, cap. 2, p CARTAXO, W. V.; BELTRÃO, N. E. de M.; PEREIRA, S. R. de P.; SILVA, O. R. R. F. da.; SEVERINO, L. S., BRS Paraguaçu e BRS Nodestina: Tecnologia Embrapa para o semi-árido Brasileiro. Campina Grande: Embrapa Algodão, folder.

5 RIZZARDO, R. A. G, O papel de Apis mellifera L. como polinizador da mamoneira (Ricinus communis L.): avaliação de eficiência de polinização das abelhas e incremento de produtividade da cultura. 2007, 78 p. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. SILVA, O. R. R. F. da.; SEVERINO, L. S.; CARTAXO, W. V.; JERÔNIMO, J. F. Colheita, Descascamento e Extração de Óleo, In: AZEVEDO, D. M. P. e BELTRÃO, N. E. de M. (Ed.). O Agronegócio da mamona no Brasil, 2. ed. Campina Grande: Embrapa Algodão; Brasília,DF: Embrapa Informações Tecnológicas, cap 15, p Tabela 1. Resumos das análises de variância referentes ao número de dias para o surgimento da 1ª inflorescência e o número de inflorescências por planta de mamona das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu. Campina Grande, PB, Quadrado médio Causas de Variação GL Surgimento da 1ª inflorescência (d.a.s 1 ) Número de inflorescência por planta 2 Cultivar ,25* 0,8352ns Resíduo ,4224 0,5764 Total C.V (%) 15,51 19,44 Média Geral 84,65 14,81 1: d.a.s = dias após a semeadura; 2: dados transformados ; ns= não significativo; * significativo (5%) Tabela 2. Número de dias para o surgimento da 1ª inflorescência em plantas de mamoneira das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu. Campina Grande, PB, Cultivar Surgimento da 1ª inflorescência (*d.a.s) BRS Nordestina 90,02 A BRS Paraguaçu 79,27 B Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5%.*d.a.s = dias após semeio

6 A B B Figura 3. Inflorescência da mamoneira protegida por uma folha e duas brácteas logo após a emissão (A) e após três dias (B). Campina Grande-PB, Figura 4. Inflorescência da mamoneira com flores masculinas fechadas (A), após a abertura (B) e flores femininas não-fecundadas (C), fecundadas (D) ou fechadas (E). Campina Grande-PB, 2007.

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