PRODUTIVIDADE DAS CULTIVARES PERNAMBUCANA, BRS PARAGUAÇU E BRS NORDESTINA EM SENHOR DO BONFIM-BA

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1 PRODUTIVIDADE DAS CULTIVARES PERNAMBUCANA, BRS PARAGUAÇU E BRS NORDESTINA EM SENHOR DO BONFIM-BA Domingos Sávio Henriques Malta 1, Delfran Batista dos Santos 1, Roberto Sílvio Frota de Holanda Filho 2, Ivânia Soares de Lima 3, Marcos Antonio Drumond 4, José Barbosa dos Anjos 4, Maira Milani 5 1EAFSB, 2 UFCG, 3 UNEB-Campus VI, 4 Embrapa Semi-Árido, 5 Embrapa Algodão, RESUMO Objetivou-se neste trabalho quantificar o total de cachos, o número de sementes e a altura da planta das variedades BRS Nordestina, BRS Paraguaçu e SMS Pernambucana na região de Senhor do Bonfim, BA. O experimento foi realizado na Escola Agrotécnica Federal de Senhor do Bonfim EAFSB com a participação da Embrapa Semi-árido. O delineamento experimental adotado foi em blocos ao acaso, com quatro repetições. A variedade Pernambucana produziu o maior número de cachos, maior comprimento do 1º cacho e altura de planta, enquanto o genótipo BRS Paraguaçu produziu o menor número de sementes. Palavras-chave: Ricinus communis, total de cachos, total de frutos. INTRODUÇÃO Além da vasta aplicação de seu óleo na indústria química, a mamoneira é importante devido à sua tolerância à seca, tornando-se uma cultura possível para a região semi-árida do Brasil, onde há poucas alternativas agrícolas. Seu óleo pode ser utilizado como matéria-prima para a produção do biodiesel, substituto do óleo diesel. Esta substituição reduzirá o acúmulo de CO2 na atmosfera, principal causador do efeito-estufa. O aumento da freqüência das catástrofes naturais, notadamente furacões e tornados, em conjunto com o aumento gradativo da temperatura da atmosfera terrestre, traz a necessidade de se acelerar a substituição de combustíveis fósseis pelos renováveis. O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel já exige a inclusão de 2% em volume do combustível vegetal no mineral (diesel). O cultivo da mamona se tornará ainda mais importante, notadamente para os agricultores familiares do semi-árido que enfrentam muitas frustrações com safras de milho e feijão (CARVALHO, 25). Além disso, como há necessidade de tratos culturais, o cultivo desta oleaginosa trará uma maior oferta de emprego e renda no meio rural.

2 Pelas características edafoclimáticas do nordeste brasileiro, a mamona teria grande potencial para produção deste biocombustível. Segundo Carvalho (25), houve um incremento bastante significativo para a produtividade da mamona, notadamente no semi-árido baiano, que passou de uma média de 77 kg.ha -1 (safra 23/24) para 125 kg.ha -1 (safra 24/25). Um aumento de 33%. A Bahia é o maior produtor nacional de mamona e seu cultivo é feito, em grande parte, em sistema consorciado com o feijão, por agricultores familiares. No entanto, esta cultura não é exclusiva da região semi-árida, sendo também plantada com excelentes resultados em diversas regiões do país (PORTAL DA MAMONA, 28). O objetivo do presente trabalho foi medir o número de cachos, o número de sementes e a altura da planta de três variedades de mamona nas condições do município de Senhor do Bonfim, BA. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no período de junho de 26 a janeiro de 27 em área da Escola Agrotécnica Federal de Senhor do Bonfim (EAFSB), BA, de coordenadas geográficas 1 o 26 S e 4 o 8 W e altitude de 53 m. O município de Senhor do Bonfim apresenta clima semi-árido, variando de seco a subúmido. O município apresenta consideráveis variações diárias de temperatura (PREFEITURA DE SENHOR DO BONFIM, 28). A EAFSB está implantada em região de caatinga. Durante a condução do experimento, as temperaturas médias diárias variaram de 18 a 29 o C e a precipitação total foi de 39 mm. O solo da área experimental é um latossolo amarelo. Foram testados para as variáveis: número de cachos e de sementes e a altura da planta, nos genótipos Pernambucana, BRS Paraguaçu e BRS Nordestina. Os genótipos foram distribuídos ao acaso em 4 blocos, de forma a totalizar 12 unidades experimentais. Cada unidade experimental foi constituída por uma fileira com quatro plantas, totalizando 48 plantas. O espaçamento utilizado no plantio da mamona foi 3 x 1 m, colocando-se três sementes por cova. Após quinze dias da germinação, realizou-se o desbaste para manutenção de uma planta por cova. Quinzenalmente foi efetuada a eliminação de plantas invasoras através de capinas manuais. Não foram realizados os tratos culturais adubação e irrigação. No final do ciclo, realizou-se as contagens do número de cachos e de frutos e a medição da altura da planta em cada mamoneira. Para verificação da ocorrência de diferença entre os genótipos com relação às variáveis observadas, procedeu-se à análise de variância. Realizou-se o teste t ao nível de 5% de probabilidade com a finalidade de comparação de médias dos genótipos para as variáveis analisadas.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Houve diferenças significativas entre os genótipos no total de cachos e no número de frutos por planta. A mamoneira Pernambucana teve maior número de cachos por planta (4) (Figura 1) e o genótipo Paraguaçu apresentou o maior número de sementes por planta, embora sendo estatisticamente semelhante à média obtida pela mamoneira BRS Nordestina (Figura 2). A variedade Pernambucana obteve maior média de altura do 1 o cacho (72,5 cm), sendo, entretanto, superior estatisticamente apenas ao genótipo Nordestina (Figura 3). Pela Figura 4, verificase que houve diferença significativa entre os três genótipos com relação à altura da planta e a Pernambucana (135,8 cm) obteve média superior. Houve correlação positiva entre o tamanho do 1º cacho e a altura da planta (Figura 5). A mamoneira Pernambucana obteve média de altura de planta inferior à média mínima obtida para a mamoneira IAC-8, a qual devidamente adubada em um latossolo vermelho-escuro e cultivada no espaçamento 3 x 1 obteve média de altura de planta que variou de 126 a 334 cm, dependendo da intensidade de controle das plantas daninhas (PAULO et al., 1997). CONCLUSÃO A variedade Pernambucana obteve o maior número de cachos, enquanto o genótipo BRS Paraguaçu obteve o menor número de sementes por planta. Também a mamoneira Pernambucana ofereceu maior altura de 1º cacho e de planta. Houve correlação positiva entre o comprimento do 1º cacho e das mamoneiras. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARVALHO, B. C. L. Manual do cultivo da mamona. Salvador: EBDA, 25. PAULO, E. M.; KASAI, F. S.; SAVY FILHO, A. Efeitos da largura da faixa de capina a cultura da mamona. Bragantia, Campinas, v. 56., n. 1, PORTAL DA MAMONA. Conheça a mamona. < Acesso em: 24 maio. 28. PREFEITURA DE SENHOR DO BONFIM. Geografia e ambiente. < Acesso em: 7 maio. 28.

4 4,5 Total de cachos por planta 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1,5 Pernambucana Nordestina Paraguaçu Figura 1. Total de cachos por planta em 3 genótipos. 25 Número de sementes por planta Pernambucana Nordestina Paraguaçu Figura 2. Total de sementes por planta em 3 genótipos de mamoneira. Altura do 1 o cacho (cm) a* ab b Pernambucana Paraguaçu Nordestina Genótipos Figura 3. Altura do 1 o cacho em função do genótipos. *letras iguais não diferem estatisticamente pelo teste t.

5 Altura de planta (cm) a* ab Pernambucana Paraguaçu Nordestina Genótipos Figura 4. Altura da planta em função dos genótipos. *letras iguais não diferem estatisticamente pelo teste t. b Altura da planta (cm) y = 2,5261x - 48,487 R 2 =, Altura do 1 o cacho (cm) Figura 5. Correlação entre as variáveis altura do 1 o cacho e altura da planta.

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