Efeito de diferentes espaçamentos e densidades de semeadura no perfilhamento e produtividade de trigo

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1 Efeito de diferentes espaçamentos e densidades de semeadura no perfilhamento e produtividade de trigo Gerson Sander 1, Antonio Carlos Torres da Costa 2, Jose Barbosa Junior Duarte 3 1 Eng. Agrôn., Mestrando em produção vegetal, PPGA, UNIOESTE, Marechal Cândido Rondon - PR. 2 Eng. Agrôn., Professor Doutor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná UNIOESTE, Marechal Cândido Rondon - PR. 3 Eng. Agrôn., Professor Doutor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná UNIOESTE, Marechal Cândido Rondon - PR. O estado do Paraná responde por grande parte da produção nacional de trigo. Na última safra, 2010, cultivou uma área de aproximadamente 1,14 milhões de hectares, e produziu mais de 3,3 milhões de toneladas, o que significa 57 % da produção nacional (SEAB, 2010). Este cenário coloca o Paraná em uma situação de destaque no agronegócio do trigo em nível nacional. Mesmo com uma grande área cultivada, o Brasil ainda é o maior importador mundial do cereal (CONAB, 2010). A área cultivada com trigo e as condições climáticas dos principais países produtores/exportadores são fatores que ocasionam oscilações na produção mundial deste cereal. O Brasil apresenta condições de solo, clima, materiais genéticos e tecnologia disponível para cultivar mais de 10 milhões de hectares com trigo (FORNASIERI FILHO, 2008). A produtividade e a qualidade do produto final são resultantes da interação de um conjunto de fatores, entre os quais se destacam o potencial genético da cultivar, o manejo fitotécnico, o nível tecnológico adotado e as condições ambientais, que podem potencializar ou restringir a expressão desse potencial. Segundo Felício (1982), a relação entre a produtividade de grãos e o número de plantas é bastante complexa. Para determinada condição de solo, clima, cultivar e tratos culturais, há um número de plantas por unidade de área, em determinado espaçamento entre linhas, que conduz a mais alta produtividade. Os perfilhos são estruturas utilizadas pelas plantas da família das Poaceas como estratégia para compensação de espaços vazios dentro da comunidade. Nas espécies onde o perfilhamento é comum, tais como o trigo e o arroz, os perfilhos são considerados estruturas benéficas, aumentando o número de inflorescência por área e contribuindo para o incremento do rendimento de grãos (Almeida et al., 1998). O trigo é uma espécie capaz de produzir afilhos com espigas férteis, o que confere à cultura, certa plasticidade capaz de ocupar espaços vazios deixados entre uma planta e outra (Mundstock, 1999). Sendo assim, o ajuste ideal do número de indivíduos pode ser determinante para modificações morfológicas e para o rendimento da referida cultura. A falta de relação direta entre número médio de perfilhos e rendimento da cultura pode ser compreendida pela relação que existe entre perfilho (broto lateral) e o eixo principal, cuja conexão vascular entre eles é um aspecto importante para o crescimento dos perfilhos, considerando que o transporte de material orgânico e inorgânico dentro da planta é realizado pelos tecidos vasculares (ROMAN, 2008). O perfilhamento depende das condições intrínsecas (da própria planta) e extrínsecas (temperatura, luminosidade, umidade, etc.). Segundo Langer (1963), o perfilhamento é 1

2 principalmente regulado por genótipo, balanço hormonal, florescimento, luz, temperatura, fotoperíodo, água, nutrição mineral Segundo Schweitzer (2008), o surgimento de híbridos com alto potencial produtivo e elevada capacidade de produção de perfilhos, sugere que os perfilhos podem contribuir para o rendimento de grãos, principalmente em lavouras implantadas com baixas populações de plantas. Esta contribuição pode ser acentuada com a redução do espaçamento entre linhas, que promove uma distribuição mais eqüidistante das plantas na lavoura quando a densidade é mantida constante. O arranjo mais favorável de plantas pode estimular as taxas de crescimento da cultura no início do ciclo, reduzindo a dominância apical e favorecendo a emissão, a sobrevivência e a contribuição dos perfilhos à produtividade do trigo. Desta forma o presente trabalho tem como objetivo avaliar a influência da densidade de semeadura e do espaçamento entrelinhas na cultura do trigo nos caracteres altura de plantas, número de perfilhos férteis de trigo por m 2, número de perfilhos de trigo não viáveis por m 2, número total de perfilhos de trigo por m 2 e rendimento em kg ha -1 na região de Marechal Cândido Rondon - PR. O experimento foi conduzido a campo ano agrícola de 2010 em uma propriedade rural no município de Marechal Cândido Rondon, região oeste do Estado do Paraná, situada a uma latitude de 24º33 Sul e longitude de 54º03 oeste, com a altitude de 410 metros. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso, com quatro repetições e doze tratamentos, em esquema fatorial 3x4, constituídos por 3 espaçamentos (13, 17 e 21 cm entre linhas) e 4 densidades de sementes (200, 300, 400 e 500 sementes viáveis m 2 ), totalizando 48 parcelas de 2 m x 6 m de comprimento. O plantio da cultura foi realizado com semeadora no dia 15 de maio de 2010, em sistema de semeadura direta, sob profundidade de 3 a 5 cm, sendo a adubação realizada com 250 kg ha -1 formulado NPK de acordo com a recomendação e exigência da cultura. A adubação de cobertura foi realizada com uréia na dose de 150 kg ha -1 no inicio do perfilhamento. A cultivar utilizada foi a BRS 208, a qual é muito utilizada pelos agricultores na região oeste do Paraná, pertencendo à classe comercial trigo pão e possui hábito de crescimento indeterminado. Durante a condução do experimento foi realizada aplicação com herbicida pósemergente Ally (metsulfuom-metilíco) na dose de 6,6 g ha -1 no controle das principais plantas daninhas. Foram realizadas aplicações com inseticida Dimexion (dimetoato) na dose de 0,630 L ha -1 e Lorsban (clorpirifós) na dose de 0,75 L ha -1 para controle de pulgão e lagarta. Para controle de doenças utilizou-se duas aplicações de fungicida, sendo uma de 0,8 L ha -1 de Opera (piraclostrobina + epoxiconazol) e uma de 0,75 L ha -1 de Tilt (propiconazole). A colheita das parcelas foi realizada manualmente nos dias 5 e 6 de setembro de 2010, momento em que a cultura estava em estádio de maturidade fisiológica. Para retirada das amostras utilizou-se uma área útil de 1 m 2 de cada parcela, sendo avaliado o número de perfilhos férteis m 2 no momento da colheita, após quantificação as espigas foram cortadas com auxílio de tesoura manual e armazenadas em pacote de papel. As plantas foram arrancadas para contagem de perfilhos totais e perfilhos não férteis por m 2. A debulha das espigas foi de forma manual, a massa correspondente foi determinada com auxílio de balança de precisão 0,01 e estimada a produtividade por ha -1. Procedeu-se a análise de variância, sendo as médias comparadas entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade. 2

3 Os valores da altura das plantas de trigo estão representados na (Tabela 1), onde não foi verificada a influência dos diferentes espaçamentos e densidades de semeadura testada. Resultados semelhantes foram encontrados em trabalhos com densidade e espaçamento de arroz por Oliveira (1994) e Crusciol et al. (2000). Tabela 1. Altura de plantas de trigo (cm) conduzida sob diferentes espaçamentos e densidades de semeadura na safra de 2010 em Marechal Cândido Rondon - PR. 13 cm 73,95 Aa 73,55 Aa 71,95 Aa 71,87 Aa 17 cm 71,37 Aa 71,07 Aa 72,72 Aa 69,95 Aa 21cm 71,57 Aa 70,65 Aa 71,72 Aa 75,25 Aa Quanto ao número total de perfilhos (Tabela 2), podemos observar que no tratamento com maior densidade de semeadura, ocorre a maior formação de perfilhos em relação aos outros tratamentos. Porém a maior capacidade de formação de perfilhos é evidenciada nas densidades menores, devido à densidade de semeadura ser menor. Segundo Mundstock (1999), o trigo possui a capacidade de preencher espaços vazios na lavoura através da capacidade de emitir perfilhos com espigas férteis o que pode compensar as menores densidades. Pode ser verificado também que na densidade de 500 sementes m 2, o espaçamento de 21 cm proporcionou maior perfilhamento que o espaçamento de 13 cm. Tabela 2. Número total de perfilhos de trigo por m 2 sob diferentes espaçamentos e densidades de semeadura cm 429,50 Ca 447,00 BCa 464,75 Ba 519,25 Ab 17 cm 400,75 Cb 443,00 Ba 465,25 Ba 532,00 Aab 21cm 399,00 Db 451,75 Ca 480,25 Ba 550,25 Aa (entre linhas) De acordo com a Tabela 3, podemos observar que a maior formação de perfilhos férteis ocorre nas maiores densidades de semeadura. Porém segundo Felício (1982) nem sempre as maiores densidades que irão proporcionar as melhores produtividades e sim o melhor arranjo da densidade com o espaçamento entre linhas utilizado. Em relação ao número de perfilhos não férteis, observa-se que os maiores valores são obtidos nos tratamentos com maiores densidades (Tabela 4), sendo que no tratamento com espaçamento de 21 cm e densidade de 500 sementes esse valor foi de 118,25 perfilhos não férteis por m 2, perfilhos não férteis não são importantes para a cultura, pois além de não produzirem espigas, competem por luz, aguá e nutrientes. Também pode ser verificado que ocorre interação negativa entre espaçamento e densidade de semeadura nos tratamentos com 300 e 500 sementes m 2, ou seja, com o aumento do espaçamento de 17 para 21 cm, houve um aumento significativo do número de perfilhos não férteis. 3

4 Tabela 3. Número de perfilhos férteis de trigo por m 2, sob diferentes espaçamentos e densidades de semeadura. 13 cm 402,25 Aa 406,00 Aa 410,50 Aa 459,00 Aa 17 cm 368,25 Ba 381,50 Ba 400,00 ABa 460,25 Aa 21cm 365,00 Ba 400,75 ABa 411,75 ABa 432,00 Aa Tabela 4. Número de perfilhos de trigo não viáveis por m 2 sob diferentes espaçamentos e densidades de semeadura cm 27,50 Aa 41,00 Aba 54,75 BCa 60,25 Ca 17 cm 32,75 Aa 61,50 Bab 65,25 Ba 72,00 Ba 21cm 34,00 Aa 51,75 Bb 69,25 Ca 118,25 Db (entre linhas) Quanto à produtividade de grãos de trigo, não ocorreu interferência dos diferentes espaçamentos e densidades de semeadura testadas, sendo que a média de rendimento foi de 2419 a 2673 kg ha -1 (Tabela 5), valores próximos a média nacional (SEAB, 2010). Segundo Mundstock (1999), o trigo possui a capacidade de preencher espaços vazios na lavoura através da capacidade de emitir perfilhos com espigas férteis o que pode compensar possíveis falhas na semeadura. Segundo o mesmo autor, outra capacidade regulatória é a alteração do número de espiguetas por inflorescência de acordo com a densidade de semeadura. Tabela 5. Produtividade de grãos de trigo kg ha -1 sob diferentes espaçamentos e densidades de semeadura. 13 cm 2658,30 Aa 2590,97 Aa 2673,25 Aa 2631,61 Aa 17 cm 2528,11 Aa 2546,07 Aa 2636,74 Aa 2497,88 Aa 21cm 2419,84 Aa 2488,74 Aa 2610,55 Aa 2581,71 Aa Para as condições em que o experimento foi realizado, podemos afirmar que não houve diferença de altura de plantas e produtividade nos diferentes espaçamentos e densidades testados. Os tratamentos com as maiores densidades de semeadura produziram maior quantidade de perfilhos não férteis por m 2. 4

5 Referências ALMEIDA, M.L. Modificação do afilhamento de trigo e aveia pela qualidade de luz p. Tese (Doutorado em Fitotecnia) Curso de pós-graduação em Fitotecnia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento de safra brasileira: grãos, quarto levantamento. Brasília: Conab, p. 39, Jan CRUSCIOL, C.A.C.; MACHADO, J.R.; ARF, O.; RODRIGUES, R. A.F. Produtividade do arroz irrigado por aspersão em função do espaçamento e da densidade de semeadura. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.35, n.6, p , jun FELICÍO, J. C. Revista Científica do Instituto Agronômico de Campinas. Bragantia, V. 41, n. 4, Campinas, FORNASIERI FILHO, D. Manual da Cultura do Trigo. Jaboticabal: Funep, LANGER, R.H.M. Tillering in herbage grasses. Herbage Abstracts, v.33, n.3, p , MUNDSTOCK, C.M. Planejamento e manejo integrado da lavoura de trigo. Porto Alegre p. OLIVEIRA, G.S. Efeito de densidades de semeadura no desenvolvimento de cultivares de arroz (Oryza sativa L.) em condições de sequeiro e irrigado por aspersão. Ilha Solteira: UNESP-Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, p. PARANÁ. Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento/Departamento de Economia Rural. Trigo safra 2009/10. Disponível em: arquivos/file/deral/trigo_relato_ 2009_10.pdf Acesso em: 28 de junho de ROMAN, M.; OPAZO, M.A.U.; NÓBREGA, L.H.P.; JOHANN, J. A.; VARIABILIDADE ESPACIAL DO NÚMERO MÉDIO DE PERFILHOS E RENDIMENTO DA CULTURA DE TRIGO. Bragantia, Campinas, v.67, n.2, p , 2008 Schweitzer, C. Arranjo de plantas e contribuição dos perfilhos ao rendimento de grãos do milho Dissertação (Mestrado em produção vegetal) - Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade do Estado de Santa Catarina. 5

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