Influência do Espaçamento de Plantio de Milho na Produtividade de Silagem.

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1 Influência do Espaçamento de Plantio de Milho na Produtividade de Silagem. DAMASCENO, T. M. 1, WINDER, A. R. da S. 2, NOGUEIRA, J. C. M. 3, DAMASCENO, M. M. 2, MENDES, J. C. da F. 2, e DALLAPORTA, L. N. 1 (1) Especializando do curso Proteção de Plantas da UFV. (2) Acadêmico (a) do Curso de Agronomia da Universidade Estadual de Goiás. (3) Docente do Curso de Agronomia da Universidade Estadual de Goiás. RESUMO - O experimento foi conduzido em uma área vizinha à UEG UnU. Palmeiras de Goiás, com o objetivo de descobrir qual é o melhor espaçamento de plantio de milho para silagem, sendo testados espaçamentos de 0,40m; 0,50m; 0,60m; 0,70m; 0,80m (testemunha). Os tratamentos foram arranjados no delineamento de blocos casualizados com cinco tratamentos e cinco repetições. A coleta de dados consistiu na pesagem da massa verde, medição do tamanho de planta, tamanho de espiga, diâmetro de colmo, diâmetro de espiga e na contagem do número de espigas por planta. Os resultados estatísticos obtidos demonstraram que apenas as características diâmetro de espiga e diâmetro de colmo, apresentaram significância, estando todas as outras características sem significância. Palavras chave: Zea mays, Ensilagem, População. Na região de Palmeiras de Goiás, a silagem é o volumoso mais utilizado na época da seca, sendo um fator importante no custo de produção da pecuária de leite principalmente, por esse motivo, os produtores buscam melhorar a produtividade e a qualidade da silagem. Devido a vários fatores, como o custo dos insumos agrícolas, escassez de áreas para plantio por alguns produtores, necessidade de aumento de produção, é necessário que sejam estudados métodos que possam melhorar a produção de silagem. Na escolha do tema, levou - se em consideração, além da falta de pesquisa nessa área, a grande demanda por silagem na região de Palmeiras de Goiás, devido à quantidade de rebanho leiteiro e confinamentos para gado de corte nessa região. O milho (Zea mays L.) devido às suas características como potencial produtivo, composição química e valor nutritivo, está entre um dos mais importantes cereais cultivados e consumidos no mundo. Em função do seu consumo variado, servindo tanto para alimentação humana quanto animal, tem-se um importante papel socioeconômico, e ainda é a matériaprima que movimenta grande quantidade de agroindústrias (Francelli & Neto, 2004). A produtividade da cultura do milho, seja para produção de grãos seja para silagem, depende de que exista uma relação entre o potencial genético do cultivar, as práticas culturais adotadas e as condições climáticas reinantes durante o desenvolvimento da cultura (Francelli & Neto, 2004). Francelli & Neto, (2004) definem silagem como o produto de um processo específico de anaerobiose (condição de vida na ausência do oxigênio livre) por acidificação (diminuição do ph) de material verde. Na estação seca, as pastagens perdem muito a qualidade e diminuem bastante a quantidade, devido à falta de água e a baixas temperaturas. Isso impossibilita a produção de leite e carne em escala comercial. A silagem de milho tem sido usada como forma de suprir as deficiências de nutrientes deixadas pelas pastagens, sendo isso possível devido à silagem 2036

2 apresentar uma grande produtividade de matéria seca e ao bom valor nutritivo (Oliveira et al., 2003). Francelli & Neto, (2004) dizem existir uma concepção de que quando destinado à produção de silagem o plantio do milho deve ser feito com uma população maior do que a de quando for feito o plantio para grãos. Segundo os mesmos autores quando se leva em consideração a silagem apenas como volumoso, esse conceito pode ser verdadeiro. No entanto, quando se eleva a população de plantas por hectare de forma exagerada para cada cultivar há a diminuição da produção de grãos e aumento na produção de colmos. Segundo Francelli, (1994) apud Francelli &Neto, (2004), o espectro solar pode ser mais bem aproveitado quando há uma melhor distribuição espacial entre as plantas na área, que pode ser feita através de combinações entre o espaçamento entre linhas e o número de plantas por hectare. Argenta et al., (2001b) também afirmaram que o aumento da densidade de plantas e a redução no espaçamento entre linhas são fatores que aumentam a interceptação da radiação. Em 2001a, Argenta et al. já haviam dito o que foi citado anteriormente e completaram explicando que essas mudanças na forma de plantio foram possíveis devido à introdução de híbridos simples de maior potencial produtivo, maior uso de fertilizantes, controle mais eficiente de plantas daninhas e por avanços no manejo da cultura. Ainda conforme Argenta et al., (2001a), as modificações no arranjo de plantas ocorreram devido à tolerância do milho ao stress ter aumentado. Modificações genéticas, morfológicas e fisiológicas foram as responsáveis pela adaptação dos híbridos modernos ao adensamento, modificações essas que se deram quanto ao decréscimo no tamanho de pendão, número de plantas estéreis, taxa de senescência foliar durante o enchimento de grãos, intervalo entre pendoamento e espigamento, estatura e número de folhas, acamamento de colmos e raízes e no ângulo de inserção de folhas com o colmo (Argenta et al., 2001a). Levando - se em consideração a questão nutricional, com a diminuição do espaçamento e o aumento da população haverá a distribuição das raízes por toda a área do solo, o que fará com que as raízes possam explorar um volume maior de solo. Possibilitando às plantas melhores condições para absorver os nutrientes do solo (Fernandes et al., 2006). Com isso o objetivo do trabalho foi encontrar qual o melhor espaçamento de plantio do milho na produção de silagem. Material e Métodos O experimento foi conduzido na fazenda Boa Esperança do proprietário Erisval Gomes Siquera. A área faz divisa de cerca com as instalações da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Unidade Universitária de Palmeiras de Goiás. Para nível de cálculo de adubação foi feita amostragem e análise de solo O preparo de solo foi feito com uma gradagem pesada e uma leve, que deixou o solo em bom estado para o plantio. Os tratamentos foram arranjados no delineamento de blocos casualizados com cinco tratamentos e cinco repetições, onde cada tratamento consistia em um espaçamento entre linhas diferente (T1 0,40 m; T2 0,50 m; T3 0,60 m; T4 0,70 m e T5 0,80 m). Os dados foram analisados estatisticamente através do software estatístico Genis e as medias comparadas pelo teste de Tukey a 5%. 2037

3 O plantio iniciou dia 20/01/2009 e ocorreu da seguinte forma, foi medido o espaçamento entre linhas de plantio (cada parcela com o seu espaçamento) e feito o estaqueamento em cada extremidade dessas linhas de plantio, nessas estacas esticou-se uma linha de nylon para servir de balizamento. Com o auxílio dessas linhas foram abertos os sulcos de plantio com uma enxada. Depois do sulco aberto, foi feito a aplicação do adubo no fundo do sulco, e depois de cobrir o adubo com terra, foi feito o semeio do milho. Realizou-se a adubação conforme análise do solo local e com base na quinta aproximação. A semeadura foi feita de forma manual, estendendo uma fita métrica dentro do sulco de plantio e colocando uma semente a cada 20 cm. Durante a condução do experimento foi feita uma aplicação de adubo em cobertura e duas aplicações de inseticida para o controle de Spodoptera frugiperda. Os dados levantados foram, peso de matéria verde, diâmetro do colmo, diâmetro de espiga, tamanho de espiga, altura de planta, número de espigas por planta. Resultados e Discussão Diâmetro de Colmo Diâmetro de colmo é uma característica do milho que tem importância quanto ao acamamento, pois se apresentar diâmetro reduzido e for cultivado em regiões de grande incidência de ventos, isso pode fazer com que as plantas se acamem sobre o solo dificultando o processo de ensilagem. Como pode se observar (Tabela 1), houve significância entre os tratamentos T1 e T4 e os tratamentos T1 e T5. Tabela 1 Quadro de ANAVA do Diâmetro de Colmo, Palmeiras de Goiás, Altura de Planta c bc bc a ab DMS = É possível observar (Tabela 2) que não houve significância entre os tratamentos na característica altura de planta. Tabela 2 Quadro de ANAVA da Altura de Planta, Palmeiras de Goiás,

4 a a a a a DMS = Diâmetro de Espiga O diâmetro de espiga pode influenciar na qualidade da silagem, pois, quando se reduz o diâmetro da espiga, reduz também a quantidade de grãos dessas espigas (Francelli & Neto, 2004). No caso de produtores que têm a intenção de comercializar espiga verde, as que apresentam menor diâmetro têm valor comercial menor. A característica diâmetro de espiga apresentou significância, entre os tratamentos T1 e T4 e os tratamentos T1 e T5, (Tabela 3). Tabela 3 Quadro de ANAVA do Diâmetro de Espiga, Palmeiras de Goiás, b ab ab a a DMS = Número de Espigas por Planta O número de espigas por planta, foi uma característica que apresentou diferença de valores apenas entre os dois tratamentos de menor espaçamento (T1 e T2) e os três de maior espaçamento (T3, T4 e T5), e em nem um dos espaçamentos houve diferença significativa (Tabela 4). Tabela 4 Quadro de ANAVA do Número de Espigas por Planta, Palmeiras de Goiás, a a a a a 2039

5 DMS = Comprimento de Espiga Da mesma forma que no diâmetro de espiga, o comprimento de espiga também pode influênciar na qualidade da silagem, pois, quando se reduz o comprimento da espiga, reduz também a quantidade de grãos dessas espigas (Francelli & Neto, 2004). No caso de comercialização de espigas ocorre o mesmo problema da característica diâmetro de espiga, as espigas que apresentarem menor diâmetro tem valor comercial menor. Pode - se observar (Tabela 5) que a característica comprimento de espiga, não apresentou significância em nem um dos tratamentos. Tabela 5 Quadro de ANAVA do Comprimento de Espiga, Palmeiras de Goiás, a a a a a DMS = Peso de Matéria Verde Mesmo não apresentando significância (Tabela 6), a característica peso de matéria verde teve uma grande diferença em quilos entre cada tratamento, onde o tratamento que apresentou a maior quantidade de matéria verde foi o tratamento de menor espaçamento (T1), sendo que essa produção de matéria verde foi diminuindo gradualmente de acordo com que os espaçamentos foram aumentando, chegando a dar uma diferença de 21,91% (6,979 t) do tratamento 1 para o tratamento 5. Tabela 6 Quadro de ANAVA do Peso de Matéria Verde, Palmeiras de Goiás, a a a a a DMS =

6 Conclusão Para o produtor que visa o plantio de milho somente para a produção de silagem, o espaçamento mais interessante é o de 0,40 m, pois foi o que rendeu maior quantidade de matéria verde por área. Com tudo, é imprescindível que antes de adotar este espaçamento de plantio, se faça um estudo com a realidade de cada produtor, levando em consideração o maquinário, para saber se será adequado com as novas dimensões, as condições da propriedade, em relação a ventos fortes, devido à facilidade de acamamento. No caso de produtores mais tecnificados, é aconselhável fazer análise bromatológica do material, para saber a qualidade nutricional da silagem. E também saber se o plantio de milho terá a produção toda para silagem, pois como exemplo, alguns produtores que vendem as espigas verdes, para estes não será um bom negócio, pois notou - se uma redução no tamanho e no diâmetro das espigas quando no menor espaçamento. Agradecimentos A Deus, por ter me iluminado em todos os momentos que necessitei, ao meu orientador João Carlos Mohn, a todos que me auxiliaram e aos meus pais, Maria de Fátima Damasceno e Ademar Moreira Damasceno. Literatura Citada ARGENTA, G.; SANGOI, L. SILVA, P. R. F.; Arranjo de plantas em milho: análise do estado-da-arte. Ciência Rural, Santa Maria, v.31, n.6, p , 2001a. ARGENTA, G. et al, Resposta de híbridos simples de milho à redução do espaçamento entre linhas. Pesq. agropec. bras., Brasília, v. 36, n. 1, p , jan. 2001b. FERNANDES, F. H. et al, Avaliação da Produtividade de Milho Cultivado em Espaçamento Reduzido, Sob Diferentes Densidades de Plantas e Níveis de Adubação. IV Seminário de Iniciação Científica, FRANCELLI, A. L.; NETO, D. D.; Produção De Milho. 2ª ed. Piracicaba, OLIVEIRA, J. S. et al, Potencial de Utilização de Híbridos Comerciais de Milho Para Silagem, na Região Sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v.2, n.1, p.62-71,

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