Avaliação dos Parâmetros Morfológicos de Mudas de Eucalipto Utilizando Zeolita na Composição de Substrato.

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1 III SIMPÓSIO SOBRE A BIODIVERSIDADE DA MATA ATLÂNTICA Avaliação dos Parâmetros Morfológicos de Mudas de Eucalipto Utilizando Zeolita na Composição de Substrato. H. B. Totola 1,*, M. Zibell 2, M. A. Grugiki 3 & J. B. Zanetti 4 ¹ESFA: Faculdade Educandário Seráfico São Francisco de Assis- ES. ²FARESE: Faculdade da Região Serrana-ES. ³UFES: Universidade Federal do Espírito Santo. 4 UFRRJ: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. * para correspondência: Introdução O êxito na formação de florestas de alta produção depende, em grande parte, da qualidade das mudas plantadas, que além de terem que resistir às condições adversas encontradas no campo após o plantio deverão sobreviver e por fim, produzir árvores com crescimento volumétrico economicamente desejável (Gomes et al., 1991). A produção de mudas é um dos fatores importantes para o êxito de um povoamento de eucalipto. Essas, além de resistirem às condições adversas, devem ser capazes de se desenvolver gerando árvores com crescimento satisfatório (Grugiki, 2007). Entre os fatores que influenciam diretamente na qualidade das mudas está o substrato, que segundo Carneiro et al. (1995) deve ser o meio adequado para a sustentação das mudas e retenção de quantidades necessárias de água, oxigênio e nutrientes, além de exercer outras funções. Na escolha do substrato, devem-se observar principalmente as características físicas, as químicas e a relação custo/disponibilidade. As características físicas mais importantes são a macro e a microporosidade, que exercem influência direta na quantidade de água e de ar retidos pelas partículas do solo; a densidade, que influencia no crescimento do sistema radicular e a retenção de umidade. As características químicas estão relacionadas, principalmente, com a nutrição das mudas. Além disso, os materiais a serem utilizados na composição de um substrato, devem ter qualidade e serem disponíveis na região o que favorece menor custo de obtenção. Várias rochas e minerais podem ser utilizados em misturas de substratos na agricultura, como condicionadores de solos, alterando as condições físico-químicas, a favor da produção vegetal ou como carreador de nutrientes, promovendo a geração de condições favoráveis ao plantio, em termo de quantidade de nutrientes e umidade. Entre as rochas

2 116 TOTOLA ET AL: DOS PARÂMETROS MORFOLÓGICOS DE MUDAS DE EUCALIPTO. com disponibilidade de uso para a produção de substratos encontra-se a zeolita (Grugiki, 2007). O uso da zeolita também é citado por (Paiva et al., 2004), que dentre as rochas com disponibilidade e potencial de uso para a produção de substratos na agricultura, ela possuí características como a alta porosidade e capacidade de troca catiônica (CTC), podem ser condicionador de solos e carreador de nutrientes. Em nosso país não se tem notícia da exploração comercial de depósitos naturais de zeolitas. Existem apenas alguns estudos, os quais, não apresentaram a análise de aproveitamento econômico (Luz et al., 1994). A zeolita pode atuar na melhoria da eficiência do uso de nutrientes na agricultura, por meio do aumento da disponibilidade de fósforo da rocha fosfática, do melhor aproveitamento do nitrogênio e da redução das perdas por lixiviação dos cátions trocáveis (Bernardi, et al., 2008). Portanto, o objetivo desse trabalho foi determinar os parâmetros morfológicos quanto à altura, diâmetro de colo, peso da matéria seca da parte aérea e do sistema radicular das mudas aos 120 dias após o plantio, produzidas sob diferentes doses de zeolita na composição de substratos industrial e orgânico. Material e Métodos O experimento foi realizado no Viveiro Luiz Fernando Oliveira Capellão, do Departamento de Silvicultura do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, entre os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007, período quente e com maior intensidade de chuvas. Neste experimento avaliou-se o crescimento da muda de eucalipto em seis tipos de substratos, utilizando-se diferentes concentrações de zeolita, composto orgânico, vermiculita e moinha de carvão (Tabela 1). Tabela 1: Composição dos componentes (%) para formação dos substratos, utilizados para a produção de mudas de Eucalyptus camaldulensis Tratamentos Zeolita Composto Orgânico Vermiculita Moinha de carvão

3 III SIMPÓSIO SOBRE A BIODIVERSIDADE DA MATA ATLÂNTICA Todos os substratos antes do cultivo, juntamente, com a zeolita foram submetidos à análise química e condutividade elétrica (Tabela 2), seguindo metodologia descrita pela EMBRAPA (1997), no Laboratório de Água, Solo e Plantas (LASP), da Embrapa solos. Utilizou-se, nesse experimento, Delineamento estatístico Inteiramente Casualizado (DIC), constituído por quatro repetições com quatro mudas por unidade amostral. A semeadura foi realizada diretamente nos tubetes de 56 cm 3 e conduzidas para casa de sombra, onde permaneceram até a germinação das sementes. Trinta dias após a semeadura foi realizado o desbaste, deixando-se a plântula de maior vigor. A irrigação foi realizada de acordo com as observações visuais de necessidade da planta, normalmente duas vezes ao dia para observar o comportamento das mudas mediante as baixas quantidades de água e assim verificar se há interferência no desenvolvimento quando submetidas a um stress hídrico. As avaliações consistiram de medições mensais da altura a partir de 60 até 120 dias após a semeadura (época de transição para o plantio no campo). O diâmetro de colo foi medido aos 90 e 120 dias após a semeadura. Tabela 2: Análise química dos substratos utilizados na produção de mudas de Eucalyptus camaldulensis ph P ass. K + Ca 2+ Mg 2+ Al 3+ H + C.E Valor V Subst. em H 2 O mg/kg cmolc/kg ms/cm % 1 7, ,91 8,80 14, , , ,30 13,80 14,20 0 2,10 13, , ,50 12,70 13,10 0 1,50 12, , ,95 13,90 11,40 0 0,80 11, , ,77 12,80 8,40 0 0,30 8, , ,34 12,10 6, , Após a última avaliação, aos 120 dias, em cada tratamento, foram selecionadas duas mudas de cada repetição, com dimensões próximas da média de altura e diâmetro, para a quantificação do peso de matéria seca da parte aérea e o peso de matéria do sistema radicular. Todas as mudas selecionadas tiveram a parte aérea cortada, e em seguida armazenada. O sistema radicular foi lavado em água corrente e seco ao sol para retirar o excesso de água. Após a coleta, a parte aérea e o sistema radicular, de cada muda, foram acondicionados, separadamente, em sacos de papel. Em seguida, todo o material foi seco em estufa de circulação de ar interna a temperatura de 65 C, por 48 horas, e pesados para determinar a massa seca. Os dados foram submetidos à análise de variância (normalidade dos dados e homogeneidade de variância dos tratamentos), ao qual, constatou-se não haver

4 118 TOTOLA ET AL: DOS PARÂMETROS MORFOLÓGICOS DE MUDAS DE EUCALIPTO. necessidade da transformação dos dados. Em seguida realizou-se a análise de regressão. Nessas análises estatísticas, utilizou-se o Software SAEG Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas de acordo com Junior e Ivo (2001). Resultados e Discussão A figura 1 indica a análise da desenvoltura do diâmetro e da altura nas mudas a partir de 120 dias contados após a semeadura. A proporção de zeolita representada por 20% do total do substrato apresentou uma desenvoltura maior, atingindo diâmetros entre 1,8 e 1,9 mm. O mesmo aconteceu com o peso médio, obtido na pesagem seca da parte aérea e radicular ao qual também esteve na casa dos 20% de zeolita. Constata-se que, para todas as variáveis, o modelo raiz quadrática foi o de melhor ajuste, sendo que a proporção de zeolita, em torno de 20% foi o substrato que proporcionou o melhor crescimento das mudas. A ltu ra (c m ) 25,0 23,0 21,0 19,0 17,0 15,0 Y = 14,56 + 2,280**X 0,5-0,2657**X R 2 = 85,6% Diâmetro (mm) 2,2 2,0 1,8 1,6 1,4 1,2 Y = 1, ,187**X 0,5-0,0228*X R 2 = 83,8% Peso seco raiz (g/muda) 0,90 0,88 0,86 0,84 0,82 0,80 0,78 0,76 0,74 0,72 0,70 Y = 0, ,0709**X 0,5-0,0080**X R 2 = 57,1% Peso seco parte aérea (g/muda) 2,0 1,9 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 Y = 1, ,161**X 0,5-0,01961*X R 2 = 94,3% Figura 1: Altura, diâmetro de colo, massa seca da parte aérea e massa seca do sistema radicular das mudas de Eucalyptus camaldulensis aos 120 dias após a semeadura em diferentes proporções de zeolita. * e ** - significativo, respectivamente ao nível de 1% e 5% de probabilidade, pelo teste t.

5 III SIMPÓSIO SOBRE A BIODIVERSIDADE DA MATA ATLÂNTICA Esta influência da zeolita na formação do sistema radicular das mudas é importante, pois conforme Leles et al. (1998), existe uma correlação direta entre mudas com maior biomassa radicular e o maior crescimento inicial das plantas no campo. Outros autores como Cunha Neto et al. (2008), não constaram diferenças significativas dos parâmetros do crescimento de mudas de Anadenanthera macrocarpa (Cunha Neto et al. 2008), (angico vermelho) e de Toona ciliata (Cunha Neto et al. 2008), (cedro australiano) produzidas em substratos com diferentes proporções de zeolita, aos 210 dias após a semeadura. As diferenças significativas para altura, diâmetro de colo é de grande importância, pois conforme mencionado por Hahn et al. (2006), têm maiores chances de sobrevivência no campo, principalmente se o plantio ocorrer em época de menor quantidade de água no solo, ocasionando enovelamento do sistema radicular. Observa-se assim que, o uso da zeolita pode ser aplicado para obtenção de mudas de diferentes culturas, sendo que os resultados serão variáveis, influenciados por diversos fatores. A partir da análise dos gráficos abaixo, podemos concluir que a composição do substrato com 20% de zeolita foi o que apresentou melhores resultados, tanto referente ao peso da matéria seca (partes aérea e radicular) quanto ao diâmetro e também á altura. As zeolitas estão relacionadas diretamente com a redução de perdas por lixiviação e absorção dos nutrientes, sendo que quanto maior a CTC, ou seja, capacidade de troca catiônica do substrato, maior absorção e menor a perda por lixiviação. Com base nesta informação e neste experimento, a zeolita misturada em substrato industrial não mostrou ser viável para a produção de mudas de Eucalyptus camaldulensis. Conclusões Utilizando o substrato industrial, a zeolita não influencia no crescimento das mudas. Quanto ao substrato orgânico, as misturas se tornaram favoráveis a produção e desenvolvimento de mudas. Os substratos com maiores proporções de zeolita não são indicados, devido à diminuição da CTC, o que não era esperado, pois a zeolita apresenta alta CTC. Os resultados obtidos poderão sofrer alterações de acordo com a cultura, a época, as características do solo e condições ambientais as quais foram submetidas na realização do experimento. Literatura Citada Bernardi, A. C. C.; et al. Produção, aparência e teores de nitrogênio, fósforo e potássio em alface cultivada em substrato com zeólita. Horticultura Brasileira, v. 23, n. 4, p , 2005.

6 120 TOTOLA ET AL: DOS PARÂMETROS MORFOLÓGICOS DE MUDAS DE EUCALIPTO. Bernardi, A. C. C.; et al. Produção e qualidade de frutos de tomateiro cultivado em substrato com zeólita. Horticultura Brasileira, v. 25, n. 2, p , Bernardi, A. C. de C.; Monte, M. B. de M.; Paiva, P. R. P.; Werneck, C. G.; Haim, P. G.; Polidoro, J. C. Potencial de uso de zeólitas na agropecuária. São Carlos, Embrapa Pecuária Sudeste, p. Carneiro, J. G. A. Produção e controle de qualidade de mudas florestais. Curitiba, FUPEF, p. Cunha Neto, F. V. Uso de zeólita na composição de substratos para produção de mudas de Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan e Toona cilliata M. Roem p. Monografia. (Engenharia Florestal) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, EMBRAPA. Manual de Métodos de Análise de Solo. 2ª edição. Rio de Janeiro, p. Gomes, J. M.; Couto, L.; Borges, R. de C. G.; Fonseca, E. de P. Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden, em Win-Strip. Revista Árvore, v. 15, n. 1, p , Grugiki, M. A. Uso de zeolita na composição de substratos para a produção de mudas de eucalipto. Rio de Janeiro: Editora Universidade Rural, 2007, 30 p. Junior, R. & Ivo, J. Análises estatísticas no SAEG. Viçosa: UFV, p. Leles, P. S. S. Produção de mudas de Eucalyptus camaldulensis, E. grandis e E. pellita em blocos prensados e em tubetes p. Tese (Doutorado em Produção Vegetal) - Campos dos Goytacazes - RJ, Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF, 1998.

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