RELATÓRIO TÉCNICO DE PRATICABILIDADE E EFICIÊNCIA AGRONÔMICA

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1 EMPRESA: RELATÓRIO TÉCNICO DE PRATICABILIDADE E EFICIÊNCIA AGRONÔMICA Assist Consultoria e Experimentação Agronômica LTDA ME Endereço: Avenida Brasília, 2711 Campo Real. Campo Verde - MT. CEP Fone: (066) FIRMA REQUERENTE: Consagro RESPONSÁVEL: Marcio Goussain, Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia, CREA nº MG TÍTULO DO TRABALHO Praticabilidade e eficiência agronômica de Nublado (Carbonato de Cálcio) aplicado via foliar em plantas de algodão (Gossypium hirsutum L.)

2 Resumo O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de Nublado na cultura do algodão. O delineamento utilizado foi em blocos ao acaso com 8 tratamentos e 4 repetições. Os tratamentos consistiram em: 1) Testemunha (sem aplicação); 2) Nublado (aplicado no estádio F1 na dose de 3,5 L p.c./ha e 25 dias após a 1ª aplicação na dose de 6,5 L p.c./ha); 3) Nublado (aplicado no estádio F1 na dose de 5 L p.c./ha e 25 dias após a 1ª aplicação na dose de 10,0 L p.c./ha); 4) Nublado (aplicado no estádio F1 na dose de 7 L p.c./ha e 25 dias após a 1ª aplicação na dose de 13 L p.c./ha); 5) Nublado (aplicado no estádio F1 na dose de 2,0 L p.c./ha e 15, 31 e 44 dias após a 1ª aplicação na dose de 3,0 L p.c./ha); 6) Nublado (aplicado no estádio F1 na dose de 3,0 L p.c./ha e 15, 31 e 44 dias após a 1ª aplicação na dose de 4,0 L p.c./ha); 7) Nublado (aplicado no estádio F1 na dose de 4,0 L p.c./ha e 15, 31 e 44 dias após a 1ª aplicação na dose de 5,0 L p.c./ha); 8) Nublado (aplicado 31 dias após a 1ª aplicação na dose de 10,0 L p.c./ha). As características agronômicas avaliadas foram o número de capulhos em primeira, segunda e terceira posições, número de capulhos por rama e produção Não observou diferença estatística entre os tratamentos testados em relação ao número de capulhos na primeira e segunda posições, nas ramas 1, 2 e 3 e na produção. Entretanto notou-se que os tratamentos 2, 4, 5, 6 e 7 obtiveram maior número de capulhos na 3ª posição em relação aos tratamentos 3, 8 e à testemunha. Outros ensaios devem ser realizados para melhor avaliar o efeito desse produto aplicado via foliar em plantas de algodão e no sistema plantaambiente. Não foi observado efeito fitotóxico dos tratamentos testados.

3 1 INTRODUÇÃO O agronegócio brasileiro movimenta mais de 193 bilhões de reais. Dentre as principais culturas do país destaca-se a cultura do algodoeiro. Aproximadamente são plantados cerca de 1,4 milhão de hectares, estimando uma produção de 1,8 milhões de toneladas de pluma (Conab, 2012). A eficiência fotossintética das plantas é um fator que tem sido trabalhado no sentido de otimizar a produção de algodão. Essa eficiência pode ser melhorada através da arquitetura da planta, espaçamento, uso de reguladores de crescimento ou através da aplicação de produtos que ajudem as plantas a captarem melhor os comprimentos de onda. O mineral carbonato de cálcio (CaCO 3 ), tem sido utilizado em formulação especial para aplicação foliar, tendo como objetivo formar uma película protetora nas folhas. Essa formulação é composta por microcristais que refletem comprimentos de onda indesejáveis da luz ultravioleta e infravermelha captando as ondas que propiciam melhor ganho fotossintético para a planta. Além de promover essa proteção, esses produtos podem ser utilizados para diminuir a taxa respiratória, proteger contra ataque de insetos, proteger frutos de manchas causadas pela queimadura, além de ser uma nova alternativa de fonte de cálcio (Mooney, 2009). Essa nova tecnologia chamada de filme protege as plantas contra ataque de insetos afetando a alimentação e ovoposição através de uma cobertura de superfície mineral (Glenn et al., 1999; Puterka et al., 2000). Diversos testes tem mostrado impacto imediato no aumento de rendimento relatado principalmente ao stress hídrico, podendo, ter um papel importante na conservação da água no sistema solo-planta. Diante disso o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do Nublado em aplicação foliar na produção do algodão.

4 2 MATERIAL E MÉTODOS O ensaio foi instalado em 26/03/2012 em condições de campo, na fazenda São Francisco no munícipio de Campo Verde MT. A cultivar utilizada foi a Fiber Max 951, semeada dia 20/01/2012, cultivada em espaçamento de 0,76 m entre linhas. Para o plantio foi incorporado 200 kg de MAP, após a emergência foi realizada uma adubação de cobertura de 200 kg de Cloreto de Potássio. Após 25 dias da emergência (DAE) foi feita uma adubação de cobertura com Sulfato de Amônio e aos 45 e 57 DAE aplicou-se 100 e 50 kg de ureia, respectivamente. Cada parcela experimental foi constituída de quatro linhas de plantio com 7 m de comprimento totalizando 21,28 m 2. A parcela útil foi constituída das duas linhas centrais com 5 metros de comprimento perfazendo uma área de 7,6 m 2. O delineamento utilizado foi em blocos ao acaso com 8 tratamentos e quatro repetições. Os produtos em estudo, estão descritos na Tabela 1. Tabela 1. Filme protetor utilizado na cultura do algodoeiro. Campo Verde MT, Produtos em estudo Nome comum Nome comercial Carbonato de Cálcio Nublado Os Tratamentos foram arranjados da seguinte forma conforme demonstrado na Tabela 2.

5 Tabela 2. Tratamentos, doses e época de aplicação do Filme Protetor na cultura do algodoeiro. Campo Verde MT, Época de aplicação Tratamentos Dose L p.c./ha F1* (26/03/12) 15 DA1A** (10/03/12) 25 DA1A (20/04/12) 31 DA1A (26/04/12) 44 DA1A 10/05/12) Testemunha Nublado 3,5 / 6,5 X X Nublado 5 / 10 X X Nublado 7,0 + 13,0 X X Nublado 2 / 3 / 3 / 3 X X X X Nublado 3 / 4 / 4 / 4 X X X X Nublado 4 / 5 / 5 / 5 X X X X Nublado 10 X * F1 = 1ª Flor do algodão ** DA1A = Dias após a primeira aplicação Utilizou-se um pulverizador costal de pressão constante, dotado de cilindro de CO 2 e um conjunto para aplicação em linha composto de 6 bicos cone vazio (J2, laranja), com pressão constante de 45 lbf/pol 2 o que proporcionou uma diluição de 130 litros de calda por hectare. As condições atmosféricas das aplicações estão na Tabela 3 e Figuras 1 e 2. Figura 1. Momento da 1ª aplicação (Estádio F1) primeira flor.

6 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 Figura 2. Momento da 1ª aplicação: Testemunha (T1); Nublado 3,5 L p.c/ha (T2); Nublado 5,0 L p.c/ha (T3); Nublado 7,0 L p.c/ha (T4); Nublado 2,0 L p.c/ha (T5); Nublado 3,0 L p.c/ha (T6); Nublado 4,0 L p.c/ha (T7) e Nublado 10,0 L p.c/ha (T8). T8

7 Tabela 3. Datas e condições das aplicações foliar do filme protetor Nublado na cultura do algodão. Campo Verde MT, Datas Temperatura Umidade Velocidade Horário ºC Relativa % do Vento km/h 26/03/ ,2 79 1,4 8:31 9:05 10/04/ ,4 72 1,1 9:00 9:42 20/04/ ,8 77 1,6 7:45 8:28 26/04/ ,6 80 1,2 17:00 17:45 10/05/ ,8 85 1,6 16:55 17:50 A avaliação foi realizada no dia 10/07/2012 contando o número de capulhos na primeira, segunda e terceira posições em 6 plantas da parcela útil. Logo após, esses dados foram inseridos para realização do mapa da planta de algodão. A produção foi estimada pela colheita de 2 linhas centrais de 3 metros de comprimento, sendo os resultados transformados Os dados do número de capulhos por posição, capulho total, número de capulhos por rama e produção foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de agrupamento de Scott & Knott (1974) ao nível de 5% de probabilidade. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Não observou-se diferença significativa entre os tratamentos utilizados no número de capulhos na primeira e segunda posições (Tabela 4). Entretanto, notou-se que os tratamentos 2, 4, 5, 6 e 7 promoveram um maior número de capulhos na terceira posição em relação aos tratamentos 3, 8 e testemunha. Vale ressaltar que esses resultados demonstram que a aplicação parcelada desse produto pode refletir melhores resultados, principalmente em anos onde o índice pluviométrico foi intenso e prolongado para cultura do algodão safrinha como ocorreu na região de Campo Verde MT (Tabela 5). Também constatouse que após as aplicações, a cobertura do produto em folhas mais novas não foi satisfatória, possivelmente pela cerosidade destas, que não permitiram maior aderência. Verificou-se que chuvas após as aplicações diminuíram o efeito de película do Nublado, indicando que a tenacidade do produto não foi

8 tão eficiente para permitir que a precipitação não lavasse o produto. Interessante ressaltar que apenas a aplicação realizada dia 26/04 permitiu visualizar o real efeito protetor da formulação do Nublado, ficando com uma película até a aplicação do dia 10/05/12 (Figura 3). A B Figura 3. Diferença entre o filme protetor em folhas velhas (A) em relação a folha mais novas (B), 4 dias após a aplicação. Tabela 4. Número médio de capulho/posição/planta após a aplicação foliar de Nublado na cultura do algodão. Campo Verde MT, Nº de Tratamento Dose L/ha aplicações Número de capulhos/planta 1ª posição 2ª posição 3ª posição Total 1 Testemunha 0 8,28 A 2,95 A 0,28 B 11,51 A 2 Nublado 3,5 / 6,5 2 8,32 A 2,75 A 0,70 A 11,77 A 3 Nublado 5 / ,90 A 2,42 A 0,15 B 10,47 A 4 Nublado 7,0 / 13,0 2 8,22 A 2,80 A 0,80 A 11,82 A 5 Nublado 2 / 3 / 3 / 3 4 8,12 A 3,37 A 1,05 A 12,54 A 6 Nublado 3 / 4 / 4 / 4 4 7,58 A 2,70 A 0,80 A 11,08 A 7 Nublado 4 / 5 / 5 / 5 4 8,20 A 3,55 A 1,05 A 12,80 A 8 Nublado ,85 A 3,58 A 0,23 B 12,66 A *Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott (P 0,05). Notou-se que não houve diferença estatística quando foi analisado o número de capulhos nas ramas 1, 2, 3 e total quando se analisou as doses utilizadas e o número de aplicações de Nublado em relação à testemunha (Tabela 6).

9 Tabela 5. Índice pluviométrico na fazenda São Francisco. Campo Verde MT, Índice pluviométrico (mm) Dias/Mês Março Abril Maio

10 Tabela 6. Número médio de capulho/rama/planta após a aplicação foliar de Nublado na cultura do algodão. Campo Verde MT, Nº de Tratamento Dose L ou kg/ha aplicações Rama 1 6º ao 10º nó Número de capulhos/planta Rama 2 11º ao 15º nó Rama 3 16º ao 20º nó Rama 1 Testemunha 0 5,52 A 4,45 A 1,54 A 11,51 A 2 Nublado 3,5 / 6,5 2 4,80 A 4,48 A 2,49 A 11,77 A 3 Nublado 5 / ,98 A 3,75 A 1,74 A 10,47 A 4 Nublado 7,0 / 13,0 2 5,22 A 4,27 A 2,33 A 11,82 A 5 Nublado 2 / 3 / 3 / 3 4 5,36 A 4,63 A 2,55 A 12,54 A 6 Nublado 3 / 4 / 4 / 4 4 5,10 A 4,43 A 1,55 A 11,08 A 7 Nublado 4 / 5 / 5 / 5 4 5,10 A 5,36 A 2,34 A 12,80 A 8 Nublado ,43 A 4,68 A 2,55 A 12,66 A *Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott (P 0,05). Total Quando se analisou a produção, os tratamentos utilizados não proporcionaram ganhos significativos em relação à testemunha (Tabela 7). Tabela 7. Produção de algodão e incremento de produção em relação à testemunha após aplicação de Nublado na cultura do algodão. Campo Verde MT, Tratamento Dose L ou kg Nº de aplicações incremento p.c./ha -1 1 Testemunha 0 337,00 A - 2 Nublado 3,5 / 6, ,50 A 2,5 3 Nublado 5 / ,25 A - 4 Nublado 7,0 / 13, ,25 A - 5 Nublado 2 / 3 / 3 / ,50 A - 6 Nublado 3 / 4 / 4 / ,50 A - 7 Nublado 4 / 5 / 5 / ,50 A - 8 Nublado ,75 A - *Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott (P 0,05).

11 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A aplicação foliar de Nublado não proporcionou ganho significativo de produtividade em algodão safrinha; O efeito de película protetora em plantas de algodão não foi observado de forma clara devido ao alto índice pluviométrico na região de Campo Verde - MT; A aplicação parcelada pode ser a melhor alternativa em relação à aplicação deste produto; Notou-se uma lavagem acentuada do produto Nublado após precipitação; Houve uma melhor tenacidade do produto em folhas mais velhas de algodão safrinha; Novos ensaios devem ser realizados para melhor compreender o efeito de Nublado na cultura do algodão safrinha; Não foi observado efeito fitotóxico de Nublado neste ensaio. 5) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CONAB. Acompanhamento da safra brasileira: 11º Levantamento de grãos. Disponível em:< >. Acesso em 15 ago. 17:30: &dq=spraying+calcium+carbonate+how+sunscrenn&ots=jrm1ozv8tl&sig=t9z bxn3nalbgjwagg2sou3rdi#v=onepage&q=spraying%20calcium%20carbonate %20how%20sunscrenn&f=false GLENN, D. M., PUTERKA, F. J., VAN DER ZWET, T., BYERS, R. E., AND FELDHAKE, C..Hydrophobic particle films: A new paradigm for suppression of arthropod pestsand plant diseases. J. Econ. Entomol. 92: PUTERKA, G. J., GLENN, D. M., SEKUTOWSKI, D. G., UNRUH, T. R., AND JONES, S. K..Progress toward liquid formulations of particle films for insect and disease controlin pear. Environ. Entomol. 29:

12 SCOTT, A.J; KNOTT, M.A. A cluster analysis method for gruping means in the analysis of varianicis. Biometrics, Washington, v.30, n. 3, p , Sept Marcio Goussain Sócio-Diretor Assist Consultoria e Experimentação Agronômica

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