TRANSPORTE NEONATAL. Israel Figueiredo Junior. vm.uff.br

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1 TRANSPORTE NEONATAL Israel Figueiredo Junior vm.uff.br

2 Dar preferência ao transporte INTRA-ÚTERO Quando ocorre em local sem estrutura, o RN deve ser removido para centro de referência É caro e necessita de uma regionalização dos cuidados ao RN

3 INDICAÇÕES Asfixia perinatal grave Prematuridade : IG < e/ou peso < 1500 Insuficiência respiratória grave Cardiopatia congênita Isoimunização Rh Malformações congênitas Patologias cirúrgicas

4 EQUIPE Sempre com dois elementos, sendo um treinado em todos os procedimentos para o RN gravemente enfermo (pp/ IOT e DT) A falta de pessoal treinado pode aumentar a mortalidade ao invés de diminuí-la

5 EQUIPAMENTOS Incubadora parede dupla, bateria e fonte de luz Cilindros de O2 - dois por transporte Balão auto-inflável com reservatório e máscara ou CFR EQUIPAMENTOS Monitor cardíaco ou oxímetro de pulso com bateria recarregável Termômetro e estetoscópio Fitas para controle da glicemia capilar

6 EQUIPAMENTOS Material para intubação traqueal Material para obtenção de acesso venoso Material para cateterização umbilical EQUIPAMENTOS Material para drenagem torácica Material para coleta de sangue : tubos secos, frascos com EDTA e para hemocultura

7 MEDICAÇÃO Soro Fisiológico 0,9% Soro Glicosado 5 e 10% Água destilada Nacl 20% Gluconato de cálcio 10% MEDICAÇÃO Adrenalina 1:1000 NaHCO 3 4,2 e 2,5 % Albumina 5 % Ampicilina ou penicilina Amicacina ou gentamicina

8 MEDICAÇÃO Naloxone Dopamina Dobutamina PGE1 (prostin) Nitroprussiato de sódio Pancurônio MEDICAÇÃO Furosemida Dexametasona Heparina Fenobarbital sódico Difenilhidantoína Vitamina K

9 VEÍCULOS : AMBULÂNCIA Para distâncias de até 150 km Local para colocação de uma incubadora de transporte, com sua fixação segura Fonte de luz e calor junto ao paciente Fonte de oxigênio e ar comprimido Espaço mínimo para manipulação do RN Cintos de segurança para a equipe

10 VEÍCULOS : AÉREOS Apesar do custo extremamente elevado, esse tipo de transporte deve ser utilizado para distâncias superiores a 150 km

11 VEÍCULOS : AÉREOS Helicópteros : bons para o transporte urbano, porém apresentam um nível elevado de ruído e vibração

12 VEÍCULOS : AÉREOS Aeronaves : rápidas, com pouca vibração e ruído, mas necessitam da ajuda de ambulâncias ou de helicópteros para transporte do paciente do hospital ao aeroporto e vice-versa

13 ESTABILIZAÇÃO DO RN A - Vias Aéreas B - Respiração C - Circulatório D - Drogas E - Exposição 6 H HIPOTERMIA HIPOXEMIA HIPERCAPNIA HIPOVOLEMIA HIPOTENSÃO HIPOGLICEMIA

14 MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA Transportar com RN NORMOTÉRMICO Aquecê-lo lentamente antes do início do transporte (aquecimento rápido = apnéia) Manutenção da temperatura deve ser realizada seguindo essas orientações :

15 MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA Secagem do RN : atenção especial deve ser dada a secagem adequada de líquido amniótico e de outras secreções presentes na superfície corpórea do RN

16 MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA Incubadora de transporte : manutenção da temperatura de acordo com peso de nascimento. Deve-se deixar a incubadora ligada a rede elétrica até o momento do transporte. Só usar bateria a partir desse momento

17 MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA Peso de Temperatura da Nascimento Incubadora < 1000 g O C g O C g O C > 3000 g O C

18 MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA Outras Orientações Manter em UCR até o transporte Envolver corpo em filme transparente de PVC (magipack) Bolsas ou luvas com água quente próximo ao RN. Evitar contato direto com pele, pelo risco de queimaduras

19 MANUTENÇÃO DA PERMEABILIDADE VIAS AÉREAS Aspirar secreções da boca, nariz e faringe antes de iniciar transporte Posicionar corretamente o RN evitando flexão da cabeça Em caso de dúvidas quanto a permeabilidade, é preferível intubar o RN antes de iniciado o transporte

20 MANUTENÇÃO DA VENTILAÇÃO/OXIGENAÇÃO HOOD OU CAPACETE DE ACRÍLICO Respiração rítmica e regular, com ou sem dispnéia PaO2 50 a 80 mmhg e PCO2 35 a 40 mmhg FiO2 < 0,4

21 VENTILAÇÃO/OXIGENAÇÃO INTUBAÇÃO E VENTILAÇÃO MECÂNICA Respiração arrítmica, irregular ou superficial PaO2 < 50 mmhg e/ou PCO2 > 45 mmhg (nas primeiras 72 horas de vida) FiO2 > 0,6 em HOOD e/ou CPAP > 5 cmh2o para manter PaO2 normal RN < 1500 g com risco de fadiga respiratória

22 VENTILAÇÃO/OXIGENAÇÃO DESCOMPRESSÃO GÁSTRICA Obrigatoriamente utilizar uma sonda por via orogástrica (narina desobstruídas) Diminui risco de pneumopatia aspirativa Diminui a dificuldade respiratória por permitir melhor distensibilidade pulmonar

23 VENTILAÇÃO/OXIGENAÇÃO PNEUMOTÓRAX Obrigatoriamente praticar a drenagem torácica, sob selo d água e fixação segura Vantagens : evitar piora do barotrauma e compressão de estruturas mediastinais

24 VENTILAÇÃO/OXIGENAÇÃO PNEUMOTÓRAX Contra-indicado o deslocamento apenas com scalp em 2 o espaço intercostal (perfuração pulmonar + drenagem ineficaz do escape) Em transporte aéreo em veículos não pressurizados as coleções aéreas se distenderão em altitudes elevadas, tornandose imperativa a drenagem torácica

25 MANUTENÇÃO CARDIOVASCULAR CONTRA-INDICADO O TRANSPORTE EM BRADICARDIAS (FC < 100 bpm) O risco eminente de PCR não será abreviado pelo transporte. PCR durante o transporte é, quase sempre fatal

26 MANUTENÇÃO CARDIOVASCULAR Perfusão periférica Diurese MONITORIZAR Pressão arterial Iniciar dopamina e dobutamina antes do transporte e em bomba de infusão, para assegurar condições hemodinâmicas

27 MANUTENÇÃO CARDIOVASCULAR ACESSO VASCULAR Correção de distúrbios metabólicos Infusão de glicose ELEIÇÃO : veias periféricas (mão ou couro cabeludo), de preferência dois acessos (um com heparina); cateter umbilical é possível (ponta em VCI e com boa fixação ao umbigo)

28 MANUTENÇÃO METABÓLICA Infusão de glicose mg/kg/min; controle capilar para evitar hipo ou hiperglicemia Não é recomendada infusão de cálcio - extravazamento e necrose de partes moles As infusões EV devem ser realizadas com bomba de infusão ou microgotas - evitar iatrogenias pela hipo ou hiperinfusão

29 MANUTENÇÃO ÁCIDO-BÁSICA Estabelecer o equilíbrio antes do transporte Manter ph sangüíneo : 1 as 6 horas = 7,25 Após 6 horas = 7,30 As infusões de bicarbonato devem ser realizadas com extrema cautela (pp/ PT + HIC) Ventilação adequada corrige a maioria dos distúrbios (oxigenação-am e ventilação-ar)

30 MANUTENÇÃO ANTI-INFECCIOSA Suspeita de Sepsis Hemocultura Antibioticoterapia de largo espectro Dar preferência aos esquemas simples (penicilina e gentamicina) e iniciar o mais rápido possível

31 SITUAÇÕES ESPECIAIS PNEUMOTÓRAX RECOMENDA-SE TRANSPOTAR RN COM VÁVULA DE HEIMLICH. SUBSTITUIR O FRASCO EM SELO D ÁGUA POR ESSE SISTEMA DE FLUXO UNIDIRECIONAL. APÓS A CHEGADA RETORNA-SE AO SISTEMA ANTERIOR

32 SITUAÇÕES ESPECIAIS CONVULSÃO SE HOUVE APLICAÇÃO DE ANTICONVULSIVANTES NAS ÚLTIMAS 6 A 12 HORAS É PRUDEBTE PROCEDER À INTUBAÇÃO E VENTILAÇÃO - RISCO DE DEPRESSÃO VENTIATÓRIA E APNÉIA

33 SITUAÇÕES ESPECIAIS ATRESIAS E FÍSTULAS ESOFÁGICAS POSIÇÃO SEMI-SENTADA OU EM DECÚBITO ELEVADO OBRIGATÓRIA A COLOCAÇÃO DE SONDA NO COTO PROXIMAL SOB ASPIRAÇÃO CONTÍNUA (GRAVIDADE OU VÁCUO)

34 SITUAÇÕES ESPECIAIS DEFEITOS TUBO NEURAL COBRIR LESÃO COM GAZE ESTÉRIL EMBEBIDA EM SF MORNO ACIMA DO CURATIVO COM GAZE APLICAR FILME TRANSPARENTE DE PVC TRANSPORTAR EM DECÚBITO VENTRAL

35 SITUAÇÕES ESPECIAIS OBSTRUÇÃO INTESTINAL OBRIGATÓRIA A COLOCAÇÃO DE SONDA OROGÁSTRICA CONTRA-INDICADA CANULIZAÇÃO UMBILICAL INICIAR REPOSIÇÃO HIDROELETROLÍTICA

36 SITUAÇÕES ESPECIAIS HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA NÃO UTILIZAR VENTILAÇÃO POR MÁSCARA COLOCAÇÃO DE SONDA ORO OU NASOGÁSTRICA PARA DESCOMPRESSÃO TRANSPORTAR EM DECÚBITO LATERAL (LADO DA HÉRNIA)

37 SITUAÇÕES ESPECIAIS CARDIOPATIAS CONGÊNITAS NA SUSPEITA DE DUCTO-DEPENDENTE (TGVB), EVITAR OXIGÊNIO - FECHA CANAL QUANDO DISPONÍVEL INICIAR PROSTAGLANDINA E1, COM BOMBA DE INFUSÃO

38 SITUAÇÕES ESPECIAIS DEFEITO FECHAMENTO ABDOMINAL COBRIR LESÃO COM GAZE ESTÉRIL EMBEBIDA EM SF MORNA ACIMA DO CURATIVO COLOCAR UM FILME TRANSPARENTE DE PVC TRANSPORTAR EM DECÚBITO DORSAL

39 SITUAÇÕES ANTECEDEM TRANSPORTE COLETE DE MATERIAL MATERIAL DEVE SER COLHIDO ANTES DE INICIADO O TRANSPORTE ANAMNESE MATERNA, CONDIÇÕES DE NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DO RN, ALÉM DE CÓPIAS DOS EXAMES E RX AMOSTRAS SANGÜÍNEAS MATERNA

40 SITUAÇÕES ANTECEDEM TRANSPORTE CONSENTIMENTO PARA TRANSPORTE CONVERSAR COM PAIS E EXPLICAR O PORQUE DA REMOÇÃO OS PAIS SÃO RESPONSÁVEIS - PERMISSÃO POR ESCRITO DA MÃE OU DO PAI NÃO HÁ SUPORTE LEGAL PARA TRANSPORTE SEM CONSENTIMENTO

41 SITUAÇÕES ANTECEDEM TRANSPORTE CONSENTIMENTO PARA TRANSPORTE É PRUDENTE PEDIR AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO DO RESPONSÁVEL, A NÃO SER EM RISCO DE VIDA A MÃE É LEGÍTIMA RESPONSÁVEL, EXCETO EM PATOLOGIAS PSÍQUICAS ÓBITO NA AMBULÂNCIA - RETORNAR AO HOSPITAL DE ORIGEM COM PACIENTE

42 SITUAÇÕES ANTECEDEM TRANSPORTE COMUNICAÇÃO ANTES DO TRANSPORTE E APÓS ESTABILIZAÇÃO FAZER RESUMO CLÍNICO PARA UTI E ESTIMAR A HORA DA CHEGADA UTI ESTARÁ ADEQUADAMENTE PREPARADA PARA RECEBIMENTO DO RN

43 TRANSPORTE NÃO HÁ NECESSIDADE DE VELOCIDADES EXCESSIVAS SE PACIENTE ESTIVER ESTABILIZADO VELOCIDADE DE 60 KM/H, SEM CONTRAMÃO OU DESRESPEITO AOS SINAIS SÃO SEGUROS APÓS COLOCAR RN NA AMBULÂNCIA UTILIZAR A FONTE DE O2 E ELÉTRICA DA PRÓPRIA AMBULÂNCIA

44 TRANSPORTE : MONITORIZAÇÃO TEMPERATURA AXILAR A CADA 15 MINUTOS VIAS AÉREAS : PERMEABILIDADE (POSIÇÃO DO RN, PRESENÇA DE SECREÇÕES, POSIÇÃO E FIXAÇÃO DO TOT), RITMO RESPIRATÓRIO, EXPANSIBILIDADE TORÁCICA, CIANOSE E SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO

45 TRANSPORTE : MONITORIZAÇÃO VERIFICAÇÃO BATIMENTOS CARDÍACOS - MONITORES, ESTETOSCÓPIOS OU PULSOS PERMEABILIDADE DO ACESSO VENOSO, FUNCIONAMENTO DA BOMBA DE INFUSÃO OU GOTEJAMENTO CORRETO GLICEMIA CAPILAR A CADA MINUTOS

46 TRANSPORTE : MONITORIZAÇÃO SE HOUVER INTERCORRÊNCIAS DURANTE O TRANSPORTE É PREFERÍVEL PARAR A AMBULÂNCIA E REALIZAR PROCEDIMENTOS NECESSÁRIOS COM CALMA

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