Sobre a Esclerose Tuberosa e o Tumor Cerebral SEGA

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1 Sobre a Esclerose Tuberosa e o Tumor Cerebral SEGA A Esclerose Tuberosa, também conhecida como Complexo da Esclerose Tuberosa, é uma desordem genética que atinge entre 1 e 2 milhões de pessoas no mundo e que pode causar tumores benignos no cérebro e em outros órgãos vitais como o coração, pulmão, rins e pele 1. Embora a maior parte dos tumores decorrentes da Esclerose Tuberosa seja benigna, em alguns casos, podem levar a severas complicações e até à morte 1. No organismo, essa desordem genética altera as vias da proteína mtor, um importante regulador na divisão e metabolismo celular, e no crescimento dos vasos sanguíneos.

2 Genes responsáveis pela doença Existem dois genes que podem causar a Esclerose Tuberosa. Cada indivíduo precisa ter apenas um deles anormal para desenvolver a doença. Um dos genes está localizado no cromossomo 9 (TSC1) e o outro no cromossomo 16 (TSC2). Em 70% dos casos, a mutação genética que desencadeia a doença pode ocorrer espontaneamente nas células do pai, da mãe ou logo após a fecundação. Este será o primeiro caso de Esclerose Tuberosa em uma família, chamado de caso esporádico. Na geração seguinte haverá chance de 50% de um filho ou filha ser afetado, o que se denomina de herança autossômica dominante, que ocorre em 30% dos casos².

3 Mutações da esclerose tuberosa (caso esporádico 70% dos casos)

4 Mutações da esclerose tuberosa (herança autossômica dominante 30% dos casos)

5 Prevalência Aproximadamente entre 1 e 2 milhões de pessoas são afetadas pela Esclerose Tuberosa em todo o mundo 1. Na Europa, a prevalência da doença na população geral é estimada em cerca de nove casos a cada 100 mil pessoas 3. A Esclerose Tuberosa atinge um em recém-nascidos, mas em muitos casos, a doença não é diagnosticada na infância, pois as manifestações clínicas podem ser brandas nesta fase da vida do paciente. Não existem dados consolidados sobre a Esclerose Tuberosa no Brasil, mas considerando-se os números da Europa estima-se que o Brasil tenha cerca de 10 a 30 mil pacientes com a doença.

6 Diagnóstico A Esclerose Tuberosa é uma doença de difícil diagnóstico. Embora muitos pacientes apresentem sintomas desde o primeiro ano de vida, outros podem demorar anos para desenvolvê-los 1. Outro fator que pode dificultar o diagnóstico é que alguns sintomas da Esclerose Tuberosa, como convulsões, problemas de comportamento e anormalidades na pele, são comuns a outras doenças. Além disso, os quadros clínicos podem variar de pessoa para pessoa. Nesse contexto, o diagnóstico é clínico e se dá por anamese (entrevista realizada pelo médico com o paciente/familiar), exame físico e exames complementares, geralmente tomografia ou ressonância magnética e exames cardiológicos. Para o diagnóstico definitivo é necessária a combinação de sinais e sintomas usando dois grupos de critérios clínicos, os principais (também chamados de características maiores) e os secundários (características menores). Caracterizam-se como critérios principais a ocorrência de lesões nos órgãos que são específicas em pacientes com Esclerose Tuberosa. Já os critérios secundários são os sintomas frequentes nos pacientes com a doença, mas também com alguma incidência na população em geral.

7 Manifestações mais comuns Como os sintomas da Esclerose Tuberosa podem variar de paciente para paciente, alguns indivíduos são severamente afetados pela desordem genética enquanto outros apresentam apenas sintomas leves, muitas vezes não diagnosticáveis. Outra característica da doença é a variação das manifestações clínicas nas diferentes fases da vida do paciente. Alguns sintomas comuns na infância do portador da Esclerose Tuberosa dificilmente aparecerão na fase adulta, conforme gráfico a seguir.

8 Manifestações da esclerose tuberosa por idade

9 Manifestações mais comuns Entre as manifestações mais comuns da Esclerose Tuberosa estão lesões na pele, distúrbios neurológicos e tumores benignos nos rins, coração, pulmão e cérebro 1 : Lesões na pele Manifestações neurológicas Estão presentes em 90% dos indivíduos com Esclerose Tuberosa. Dentre as manifestações cutâneas mais comuns estão os angiofibromas, presentes em 75% dos pacientes. Convulsões e espasmos: as convulsões, ou crises epiléticas, estão presente em 90% dos casos de Esclerose Tuberosa e podem se manifestar desde os primeiros meses de vida 4. Nesse caso, as crises epiléticas podem ser mais sutis e são chamadas de espasmos, manifestando-se geralmente no adormecer ou despertar da criança. Os espasmos também podem ser confundidos com episódios de sustos ou abalos nos braços e nas pernas, muitas vezes acompanhados de choro. Autismo: comum em 60% dos pacientes 5. Deficiência mental: entre um terço e dois terços dos indíviduos com Esclerose Tuberosa podem manisfestar algum grau de definciência mental 1, que pode variar de uma simples dificuldade no aprendizado a severo retardo mental 1,4.

10 Linfangioleiomio matose Doença rara, caracterizada pelo desenvolvimento de células anormais nos pulmões e que pode levar à falta de ar constante, dor e perda da função pulmonar 6. Tumores renais Embora benignos, os angiomiolipomas renais, tem prevalência entre 55% e 75% dos pacientes e podem causar falência ou hemorragia severa dos rins 1,4. Tumores no coração Os rabdomiomas cardíacos, tumores benignos que se formam no coração de aproximadamente 50% das pessoas com Esclerose Tuberosa, podem causar disfunções ou arritmias na válvula do coração 2. Tumores cerebrais O astrocitoma subependimário de células gigantes (SEGA) é um tipo de tumor cerebral benigno que atinge entre 5% e 15% dos pacientes com Esclerose Tuberosa, a maioria bebês, crianças e adolescentes 7. O tumor atinge os ventrículos do cérebro e pode acarretar em sérios danos, como hemorragia cerebral e hidrocefalia 8. Portadores da desordem genética podem ser atingidos pelo SEGA repetidamente ao longo da vida, no entanto, é bastante incomum que ocorra em pacientes acima dos 21 anos.

11 Tumores cerebrais (continuação) O SEGA pode causar o agravamento das crises convulsivas e dos espasmos infantis. Outros sintomas ocasionados por esse tipo de tumor são: sonolência, diminuição da atenção, atrasos no desenvolvimento e mudanças no comportamento do indivíduo afetado, configuradas por quadros psiquiátricos de graus e intensidades variados, geralmente sob a forma de autismo. A doença pode evoluir para situações agudas e graves de hipertensão intracraniana. Por esse motivo, é indispensável que o paciente seja acompanhado constantemente por um neuropediatra ou neurologista.

12 Manifestações mais comuns da esclerose tuberosa

13 Referências 1. National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Tuberous Sclerosis Fact Sheet. Available at Accessed July US National Library of Medicine: Genetics Home Reference. Tuberous sclerosis complex. Available at: ghr.nlm.nih.gov/condition/tuberous-sclerosis-complex. Accessed March Orphanet Report Series. Prevalence of rare diseases: Bibliographic Data. Available at March Crino P., et al. The Tuberous Sclerosis Complex. NEJM SEP; 355(13): Zaroff CM, et al. Cognitive and Behavioral Correlates of Tuberous Sclerosis Complex. J Child Neurol Nov;19 (11): National Lung and Hurt and Blood Institute Diseases and Conditions Index. Lam Fact Sheet. Available at Accessed March Ann Neurol 2006; 59; Adriaensen ME, et al. Prevalence of Subependymal giant cell tumors in patients with tuberous sclerosis and a review of the literature. Eur J Neurol 2009, 16:691-6

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