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1 BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Princípio da Legalidade na Administração Pública Heletícia Oliveira* 1. INTRODUÇÃO O presente artigo tem como objeto elucidar, resumidamente, a relação do Princípio da Legalidade com a Administração Pública identificando suas principais características e alguns dados sobre seu desenvolvimento no cenário jurídico brasileiro. Em primeiro plano, é necessário fazer uma consideração acerca do que são os princípios. Eles são diretrizes hermenêuticas de caráter geral que têm a finalidade de orientar a formação de normas jurídicas, há imutabilidade. Diferenciam-se das regras jurídicas que são específicas, variáveis e subordinadas aos princípios. O ordenamento jurídico brasileiro possui vários diplomas legislativos que contém princípios dirigidos à Administração Pública. Neles há em comum a indicação de conjuntos de princípios normativos voltados à ordenação da atividade administrativa. Dentro da Administração Pública, há o Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público que leva a formação do dever de licitar que é gerador dos demais princípios desse meio (Princípio da Legalidade, Moralidade, Impessoalidade, Igualdade/Isonomia, Publicidade...).

2 2. BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Celso Ribeiro Bastos e Ives Gandra Martins afirmam que foi mediante a Constituição de 1988 que pela primeira vez a Administração Pública Nacional recebeu tratamento sistematizado em capítulo próprio. No bojo dessa inovação, o constituinte estipulou expressamente os princípios que devem ser obedecidos pela Administração Pública Direta e Indireta. Os autores não se põem de acordo sobre o número exato desses princípios e também sobre sua identidade. Mas, a Constituição hoje nos oferece pista enunciando quatro deles, quais sejam: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. Eles estão presentes no art. 37 da Constituição Federal e são o núcleo básico regulatório da Administração Pública Brasileira. No mesmo sentido a lei nº 8.666/93, em seu art. 3º, caput, dispõe: "A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos." Manoel Gonçalves Ferreira Filho afirma que não havia no Direito anterior tratamento sistemático dos princípios e normas jurídicas fundamentais da Administração Pública. Houve profunda alteração do regime jurídico administrativo nacional, reconhecimento dos princípios que só eram aceitos pela doutrina.

3 Conforme Edson Aguiar Vasconcelos foram esses princípios que estabeleceram a base normativa fundamental do regime jurídico administrativo brasileiro que se irradia por todo ordenamento jurídico administrativo infraconstitucional, vinculando a conduta dos administradores públicos no desempenho de suas funções nas três esferas governamentais, além dos próprios administradores. Legalidade liga-se a noção de Estado de Direito que é aquele que se submete ao próprio direito que criou, razão pela qual não deve ser motivo de surpresa constituir-se o princípio da legalidade um dos sustentáculos fundamentais do Estado de Direito. Embora este não se confunda com a lei, não se pode negar que este constitui uma das suas expressões basilares. Hoje, temos o Estado Democrático de Direito, avantar do Estado de Direito. É na legalidade que os indivíduos encontram o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. É princípio genérico de nosso ordenamento presente no artigo 5º, II, CF. A administração não tem fins próprios, mas há de buscá-los na lei, assim como, em regra não desfruta de liberdade, escrava que é da ordem jurídica. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias dos administradores frente o Poder Público. Ele representa integral subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Nas relações de Direito Privado é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe, com base no Princípio da Autonomia da Vontade. Já com relação à Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, isto está expresso no caput do artigo 37 da Constituição Federal de Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Em algumas hipóteses é reconhecida a Administração a possibilidade de exercer uma apreciação subjetiva sobre certos aspectos do seu comportamento. Isto porque a lei nesses casos confere uma margem de atuação discricionária que exerce na determinação parcial de alguns de seus atos. É parcial porque o ato administrativo nunca pode ser integralmente

4 discricionário porque envolveria uma margem muito ampla de atuação subjetiva que faria por em debandada o princípio da legalidade. A discricionariedade não é exceção à legalidade é um abrandamento ou atenuação das suas exigências. Já no procedimento licitatório, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, significa assim, a ausência de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, estabelecendo a ordenação dos atos a serem praticados e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Seria inviável subordinar o procedimento licitatório integralmente ao conteúdo de lei. Isso acarretaria a necessidade de cada licitação depender de edição de uma lei que a disciplinasse. A estrita e absoluta legalidade tornaria inviável o aperfeiçoamento da contratação administrativa. A lei ressalva a liberdade para a Administração definir as condições da contratação administrativa. Mas, simultaneamente, estrutura o procedimento licitatório de modo a restringir a discricionariedade e determinadas fases ou momentos específicos. 3. CONCLUSÃO Conforme foi explicitado no decorrer do texto, o princípio da legalidade é de suma importância à manutenção do Direito Administrativo, visto que, deve ser efetivado pelos operadores do direito a fim de evitar a falta de vinculação à norma legal, assim como, a formação de privilégios e a corrupção no sistema (Necessitas facit ius). A divulgação do princípio da legalidade facilita o uso dos métodos e procedimentos corretos a seguirem seguidos pelos servidores públicos e as pessoas que com eles se relacionam. Concluindo, faz-se mister ressaltar que ao se realizar atos administrativos deve-se ter sempre em vista o respeito ao princípio da legalidade para que assim haja a aplicação da ordem e da justiça na ordem jurídica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

5 BASTOS, CELSO. RIBEIRO. Curso de Direito Administrativo. 2ª. ed. [S.I]: Saraiva, BERTONCINI, M. E. S. N. Princípios de Direito Administrativo Brasileiro. 1ª.ed. [S.I]: Malheiros, BITTENCOURT, M. V. C. Manual de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Fórum, BOLETIM JURÍDICO. Disponível em: Acesso em: 10 set GASPARINI, DIÓGENES. Direito Administrativo. 11ª. ed. [S.I]: Saraiva. MEIRELLES, HELY LOPES. Licitação e Contrato Administrativo. *Estudante Disponível em: em: 21 nov

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