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1 A anal i e.ele~ao de exercicios propostos PA ra 0 enaino-aprendizagem do vocabulario, no primeiro grau, permitem-nos apontar varios problemas de lingua. Dentre.les, apenas a sinonimia sera objeto de noss~ aten ~ao. Esse aspecto, a que nos restringimos, evidencia falhas coneeituaie e teorico-metodologicas responsa~. veis, em grande parte, pela ma forma~ao de nossos alunos em lingua materna. As falhas c9nceituais levam os alunos a crer numa identidade de significado~ de diferentes unidades lexicaie por simples associa~oes no contexto~ Quanto aos aspectos teorico-metodologicos. os exercicios nao possibilit~m a percep~ao do lexico da lingua como "urnsistema de conceitos estruturado por diferentes rela~oes de oposi~ao". Quanto a pedagogia utilizada pelos autores, nao e suficientemente eficaz para que 0 aprendiz venha a dominar as palavras consideradas essenciais em eitua~oes de vida corrente. A partir do exame de nove cole~oes didatieas destinadas ao ensino de lingua portuguesa nesse n.ivel de eseolaridade, verificamos que, entre elas, nao existem diferen~as eignificativas quanto aos conteudos abordados. Tambem no que ee refere a organiza~ao das li~oes. apresen tam sem.lhan~as, podendo a disposi~ao dos conteudos ser representada pelos itens que seguem, registrando-se, is vezes, pequenas varia~oes. sao partes das li~oes: texto para leitura, exercicios de vocabulario do texto, interpreta~ao do texto, gramatica e/ou atividades de gramatica e redacwao. Acrescente-se que e normal ofereeerem as coletaneae, ao final de cada volume destinado as diferentes series, um glossa rio, sob a rubriea Pequeno vocabulario. Voeabulario, Glossario ou, ate mesmo, Dicionario.

2 Dirigin~o n088a aten~io.specificamente para as atividades de vocabulario, observemos que t~08 08 autores programsm exercicios vlsando, exclusivemente, 40 en tendimento dos textos de leitura. Not.~se, entretanto, que Dino Preti e Domingues Paschoal Cegalla se <liistinguem dos demais autores consultados. 0 primeiro registra expli citamente (na apresenta~ao de sua obra. aos professores) a preoeupa~ao com a adequa~ao do uso do vocabulario e nece~ sidade de sua amplia~ao. Ao prestigiar a norma culta, 0 autor visa ao aprimoramento cultural do aluno e a sua melhor inte9ra~ao na comunidade em que vive, atraves do uso efieiente da lingua. Tendo em vista a necessidade de adaq ta~ao da linguagem aos diferentes grupos sociais, seleeiq na e trabalha com textos numa perspectiva sociolinguistica. Conforme a li~ao e a aerie apresenta alguns exercicios como jogos de significa~ao, entre outros, a fim de promover a aquisi~ao de vocabulario, pela retomada das p~ lavras estudadas nas li~oes. Predominam, entretanto, em sua cole~ao, atividades de reconstru~ao de frases como substitui~ao de palavras por sinonimos a serem pesquisados no chamado "Pequeno vocabulario" do livro ou em diciq narios da lingua. Esse autor enfatiza constantemente 0 papel do contexto na determina;ao do significado das palavras, pois seu principal objetivo tambem e 0 entendimen to do texto. 0 segundo autor, Domingos Paschosl Cegalla, com a mesma finalidade apontada, explora 0 vocabulario quanta a observa~ao da significado e das disponibilidades de uso das palsvras, oferecendo grande quantidade de exe~ cieios. Lembramos, aqui, porem, que a escola deve propiciar ao educando 0 dominio de urn lexico fundamental e garantir-ihe condic;oes de enriquece-io, com vistas a urn desempenho linguistico eficiente nas diferentes situa~o.s discursivas. Entretanto, as atividades propostas pelo material didatico oferecido aos alunos pelos mais diversos autores sao inadequadas para tais fins.

3 16g~os, Se atentarmos para os aspectos teorico-metodo- c!jefl:'ont.r~nos-.mo., logo de in cio, COlli a falta de ~limit.~io de um vocsbulario fundamental, a eer dominado. pelos a\u~. durante 0 processo ensino-aprendizagem de sua lingua. Alem de nao haver previsao de um lexico basico e de sua amplia~ao gradual, inexiste qualquer preq cupacao pele fixa~ao e uso das palavras estud~das para a compreensao de textos. Apos realizados os exerc1cios, as unidades ling~isticas trabalhadas. por sele~ao intuitiva do autor, nao sac retomadas em outras li~oes. A aquisi/wiio vocabular, se ocorrer, torna-ae entao um fate meramente acidental. Assim, os fatores psicologicos como a motiva- /Wao, a aten~io, a perce~io e a memoriza~ao das palavras. indispens8veis ao bom desempenho do locutor na sele~ao vocabular e posterior elabora~ao de seu discurso. nao sac prestigiados. o trabalho can 0 vocabulc!rio acaba por reduzirse a exercicios dos seguintes tipos: - reescrever frases substituindo a palavr a ou express&::' sublinhada por sinonimo ou palavra equivalente: C.R.H. 2 s.-p.22 "Menino. nao bata nos mais fracos". surre D.P. 5!I.-p.95 ". encostando-se;' janela para esconder encardida". suja A.H. 6"s.-p.10 ". segredo nao ~.muito espa<,;o". ocnpa A.M.C.G. 5 s.-p.57 "Por fora sou branquinho". chrinho H.S.-l... 6"s.-p.192 "A diferen a teria algum efeito na resultado pessoas que lidam com... trabalham resistencia rea ao

4 C.R.M. 28a.-p.83 A.M. 68a.-p.18 A.M.C.G. 58a.-p.34 K.5. -.L. 68s.-p.85 K.5. - A.C.L.P. 58s.-p.78 - fo~r freaes para pr r pal.vra. ou expresao e~ 0 seo.entido que ocorr DO texto: enjoar: apontar: cuidar : ordeno : porventura : favorito cantoria astuto 8 8 a.-p.125 arbitrario D.P.D. 51s.-p.47 C.R.It. 38a.-p.8 obtinba maloca matreira virtude.: VOCABUUaIO enjoei: cansei apontando: aparecendo cuida: t~a conta indi.pen.aveia: realiza: essencial teceu tinham vindo peixe-cochorro - identificar entre os sianificados oferecidos pelo autor, aquele que e adequado as palavras em destaque nas frases do exerclcio: Observat;io: uaar aa palavraa da esquerda do vocabulario. "Assustadoa, os porquinbos desataram a correr". "Eles comet;aram a rir e retrucaram que nao tinham llledo. VOCABULARlo: reco.endou: aconselbou desatara. : comet;ara. retrucaram: responderam fantasiado: vestido de Neste caso, ha as seguintes varia~oes na apresenta~io dab exercicios: A.M.C.G. 78s.-p.122 Copie as palavras do texto que de: contagiadoa arremessadob exterminador Indicar 0 sentido da palavre deatacada: "Voce que presuncosamente, pretende imitar..." paeientemente vaidosamente resignada mente

5 R."-L. 7Ia.-p.5S C.R.M. 2 I a.-p.158 S. e8. Sls.-p.78 A palavr.,,!li!llllaclo pod. tar doia altlltidoa: a) ciabarril. cbeia. a.tist.ito; b) ~ito b ta4e. rete.t.lado. blge que.eatido fai empr.gada no texto~ "0.enbGr Rodrigue. pelita o. dentea. repilpado n~ cadeira de balan~o. "Retire do texto palavra. que tenha. ~s.eguinte. daaiticadoa: a) que tam valor; que vale muito; nio e comum; que tem pouco". relacionar palavras da coluna da esquerrla com.eua ai aoni-o. e. raramente com seus antanimos. da coluna da direita. Relacione a palavra com all seus Ilinammos: Pindora === <aem filii inliaito SO teve origem proveio. nodieantigo do BraaiI dunaa neblin. elga ~ gondo,la.. especi. de baia.aleva~oea de areia r.aa~ nevoa ---:;;:."'= plantinha. cola do ur angra tipo de embarca~ao finta~. '"'-'endemoniado aqulnbo ~~ eapantar poaa o ~~. dribler afuaentar~~-"=----~ adrontar-ile acovardar-a 'ordinario Observa-se, contudo, que as palavras estudadas nem aempre podem ser consideradas as mais usuais entre os utentes da lingua em situa~o~s de vida corrente, quer se trate de lingua oral, quer de lingua escrita. Ex.: ~ QigA, guitute" gondola,,spectro,~, senescincia, retesado, fagote, dlamantinas, rebrilham, aboiados, frui- ~,,stridular, ulular etc. As unidades lexicais, trabalhadas apenas no momento em que sao necessarias para 0 entendimento de te!.. to, nio sio geralmente exploradas quanto as possibilidades de U80 oferecidas pelo sistema. Esses tipos de exercicio. 801icitam do aluno neo mais que 0 reconhecimento ou identificac;ao do significado da palavra na frase, le-

6 vando a um comportamento mecaniciste em relalwio 80 l'.t co. Tal 8titude exclui qualquer raciocinio logic:o, villltq que a determinslwio de um significado pt eupoe 0 conhec:imento doe elementos con.t~tutivos da s~9nifica~io de. palavras, ou oe elementos do sistema da lingua que determinam a constitui~io e a fun~io dos lexemas que depoie eona tituirio 0 texto. (vile18, 1979). He de se considerar ainda 0 problema da conee! tua~io de sio8nimo apresentado como palavras com 0 mesmo sentido, ou com sentidos aproximados. 5e ver~ficarmos os exerc1cios formulados, concluiremos rapidamente que aos alunos, muitas vezes, nao se solicitam sinonimos e sim explica~io do sentido das palavras destacadas, como ocor- C.R.M. 2"s.-p.10 A.M. 6"s.-p.10 M.R. S"s.-p.S8 H.S. - P. 7"s.-p.186 H.S.- A.C.L.P. 8"s.-p.178 S. e B. S"s.-p.9 Esereva novamente as frases substituindo em destaque por um sinonimo: Dona Sonia comprou 0 material escolar de... livros. cadernos. lapis etc. Papai sempre gosta de dormir sesta. deitar um poueo depois do almo~o No assoalho do navio havia.. conves As gavetas de baixo eram fora do comum. muito espeeiais o garoto jornaleiro nasee nos suburbioa. brota arredorea da cidade n08 eortic08. habita~oe8 eoletivas dos pobres o banco emprest8 0 ~ de Cz$ ate a quantia maxima "t evidente que,uma situa~ao historiea tem milenarmente subjugado. durante seculo8 Conseguimo8 8urpreender 0 inimigo a noite. apanhar de improvi~o Era um menino forte. de eara bexigosa,. eheia de bexigas

7 n.p.c. 5 lj.'~.125 o p"tor.1";0 pre,o ne corrente. cio polici.l Da.j~ forma, tomo sa parcebe claremente, 81em de neo se trabalhar 0 lexico no eixo paradigmatico e, posteriormente, no eixo sintagmatico, colocando-o no universo do discurso, transmite-se ao aluno uma falsa no~ao de sinomimia num desrespeito total aos principios de lexicologia. Hetodologicamente, e preciso considerar 0 conhecimento do que e uma palavra e 0 seu significado em n1 vel de lingua/competencia para, em seguida, determinarmos seu significado em cada caso particular; A.eim, consideram-.e primeiro os aeus significados como elementos integrados do lexica e do sistema da lingua e depois suas possibilidades funcionais, pots e 0 lexema, forma basica da lingua, que fundamenta as possiveis formas do discurso ~.todos os possiveis significados das palavras. "A palavra lexica (Wortform) e um elemento do discurso, ou atualiza~ao de cada uma das possibilidedes da forma basica no uso concreto condicionado pelo respectivo contexto". (Vilela, 1979). A partir desta postura teorica, podemos afirmar que os exercicios de vocabulario, baseados na interpreta~ao dos textos. conforme constam nas obras analisg das, nao possibilitam e exate determina~ao do significad~ das palevres, pois essa determine~io pressupoe conhecimen to dos seus elementos constitutivos. Esses elementos do lexema nao se podem extrair apenas de" um determinaoo texto, sao antes elementos do sistema da lingua. Sentimos entio que 0 significado lexical e autonomo e devera ser tratado autonomamente. (Coseriu, 1968, apud Vilela, 1979). Esse principio de lexematica e completamente ignljrado pelos nossoe autores, que induzem os alunoe a interiorizar falsos conceitos em lingua. Os estudantes nio sio estimulados para a percep~ao de tra~os semicos comuns entre 0 sentido de lexemas que se aproxima~. nem para a percep~ao de tra~os semicos diferentes,

8 que estabelecem a distin~ao entre eles, a fim de entenderem as rela~oes sinonimicas e antonlmicas. Com re~peito a significa~ao lexical nao sao ~onsiderados 08 p~"~!pio. da funcionalidade, oposi~io, sistematicidade e neut~.l~z~ ~ao, ignora-se simplesmente a existencia das campos 1 1:' cais. verifica-se, entretanto, a partir do expo.to, que estas no~oes sao imprescindlveis aos ~utores de livro. di daticos, para que se evitem as formula~oes de fals&s eonceitos, confor~e vem ocorrendo. Por esse motivo, torna-se necessario fornecer aos educandos metodos e tecnicas que lhes permitam melhorar a compreensao dos fenomenos da lingua, para que possam usa-la de forma eficiente e adequada. Pressupoe-:-seque 0 ensino do vocabul,hio conduza a urnlexico fundamental, a condi~oes de enriquece- 10, para que 0 aluno possa aplica-lo adequadamente em suas produ~oes textuais e se torne capaz de atribuir-lhe os sentidos previstos pelos autores em diferentes contextob. siglas A.M. A.M.C.G. C.R.M. D.P. D.P.C. - obra didatica n" 4 - obr. did.tic. n l 2 - obr. did.tica n" 3 - obr. did.tica n" 6 - obra didatica n" I H.5.- A.C.L.P - obra did.tica n" 7 H.S. -.L. - obr. didatic. II" B M.P. - obra didaltic. no 5 5. e B. - obra did.tica n" 9 Referenda Bibliografica: VIJ.EIA,HBrlo. Estruturas le.ucas do port\!gui!s. Coinbra, Alm!dina, Obras Did8tiC8!: l.qi;aua, IlaDinp Paschoal.!lora de Call1nicp. sbo Paulo, Nacional. 51 a 81 serie. 2.GJEDES, AnaMaria de C. et alii. Palavra e Af;io. Porrogues: Recep;faoe produ<;aode ~ tos. sbo Paulo, Ed. do Brasil. 5" a 8" serie. 3.MAR'1OS, C10der e MES:JJlTA, Roberto Melo. Call1nicaeao e Expressoo. sbo Paulo, Ed.Saraiva. 3" e 41 serie. 4.MASSAOO, AWde. PortuguE!s.Construindo a linguagem. Textos. R.edlll;OO.Grmtica. sbo Paulo, IBEP. 5" a 81 serie. 5.PRAm, Marilda. Reflexlio e koo lid Lingua Portuguesa. sao Paulo. Ed.doBrasii. 51 a 8" serie. 6.PREJ:I, nino. Portugues Oral e Escrito. Novas li~. sbo Paulo, Fd.Nacional. 5" a 811li rie. 7.SARGENl'IK, Henninio G. Atividades de Call1nicacoo Em Lingua Portuguesa. sbo Paulo,IBEP. 51 a 8" e8ri.e. 8.. Palavras, Texto. Gr tica. Redlll;80. sbo Paulo, IBEP. S" a 8" serie. 9.SIQJEIRA& Bml'<Jll. Call1nic8<;80e E!g!ressao. S80 Paulo. lbep. 5" a 8" serie.

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