O PROJETO DE CRÉDITO ANTECIPADO PARA MICROEMPRESAS EM UMA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS

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1 ISSN O PROJETO DE CRÉDITO ANTECIPADO PARA MICROEMPRESAS EM UMA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS Marco Aurélio Ramos (Faculdade Novos Horizontes) Luana Freitas (SENAC MG) Alfredo Alves de Oliveira Melo (Faculdade Novos Horizontes) Resumo Em finanças, o conceito de crédito pode ser definido como um instrumento de política financeira a ser usado por uma empresa na venda a prazo de seus produtos ou serviços. Vender a prazo implica conceder crédito aos clientes. Uma forma destaa concessão de crédito está sendo praticada por distribuidoras de que implantaram um novo conceito de venda a prazo chamada de crédito antecipado. O Crédito Antecipado é destinado a clientes com baixo potencial, ou seja, microempresas que compram até 10 (dez) caixas de cerveja por semana, ou seja, destinado a microempresas. A partir desta visão esta pesquisa propõe analisar os resultados obtidos com a implantação do programa crédito antecipado em uma distribuidora de bebidas. O objeto de pesquisa deste trabalho foi uma empresa do setor de distribuição de bebidas de médio porte. Os principais produtos oferecidos pela empresa são cervejas e refrigerantes. Para realização da pesquisa foram disponibilizados pela empresa alguns relatórios sobre o programa de crédito antecipado, contendo dados sobre os clientes, como perfil, médias de compra, principais produtos, dentre outros. A abordagem utilizada foi qualitativa e descritiva, utilizando além da análise documental uma entrevista semi-estruturada com a responsável direta pelo projeto crédito antecipado. Com isso verificouse que o programa de crédito antecipado contribui com aumento nas vendas, uma vez que proporciona capital de giro para microempresas. Quando avaliados todos os clientes ao mesmo tempo percebe-se que se ganha na quantidade, no volume de vendas, então o programa traz o retorno esperado pela empresa. Palavras-chaves: Crédito, Microcrédito, Crédito Antecipado

2 1 INTRODUÇÃO Em finanças, o conceito de crédito pode ser definido como um instrumento de política financeira a ser usado por uma empresa na venda a prazo de seus produtos ou serviços. Vender a prazo implica conceder crédito aos clientes. Um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas e responsável pelo sucesso ou fracasso das mesmas pode ser sua política de crédito. Existem diversos riscos ao se vender a prazo como: custos na análise do potencial de crédito do cliente, despesas com a cobrança das duplicatas, riscos de perdas com créditos incobráveis, custo de recursos aplicados nas contas a receber, perda de poder aquisitivo do valor dos créditos em decorrência do processo inflacionário, dentre outros. Mesmo assim, empresas com visão investem parte de seu faturamento em pesquisas e treinamentos para desenvolvimento de novas formas de antecipar as necessidades de seus clientes como: programas diferenciados e prazos de pagamento diversos, tudo isso para aumentar sua participação no mercado, ou seja, seu Market Share. Dentre essas novas maneiras de prever as necessidades de seus clientes, existem distribuidoras de bebidas que implantaram um novo conceito de venda a prazo chamada de crédito antecipado. O Crédito Antecipado é destinado a clientes com baixo potencial, ou seja, microempresas que compram até 10 (dez) caixas de cerveja por semana. Pontos de venda em que os empreendedores não possuem capital de giro suficiente para gerir o negócio. A partir desta visão esta pesquisa propõe analisar os resultados obtidos com a implantação do programa crédito antecipado em uma distribuidora de bebidas. O objeto de pesquisa deste trabalho foi uma empresa do setor de distribuição de bebidas de médio porte, com aproximadamente 200 funcionários. Os principais produtos oferecidos pela empresa são cervejas e refrigerantes. Para realização da pesquisa foram disponibilizados pela empresa alguns relatórios sobre o programa de crédito antecipado, contendo dados sobre os clientes, como perfil, médias de compra, principais produtos, dentre outros. Isto porque por meio destes relatórios foi possível avaliar os resultados apresentados com a implantação do programa. A abordagem utilizada foi qualitativa e descritiva, utilizando além da análise documental uma entrevista semi-estruturada com a responsável direta pelo projeto crédito antecipado. 2

3 2 CRÉDITO E MICROCRÉDITO Usualmente, define-se microfinanças como a oferta de serviços financeiros para a população de baixa renda que normalmente não tem acesso a esses serviços pelo sistema financeiro tradicional (BNDES, 2002), ou seja, trata-se de pequenos empréstimos, com as parcelas pagas em curto espaço de tempo, destinados essencialmente à população pobre, que possui pouquíssimos ativos para oferecer como garantia (BOUMAN, 1989). Já o microcrédito pode ser definido como todos os serviços financeiros para microempreendedores, excluindo-se o crédito para consumo. O Microcredit Summit (2007) o define como pequenos empréstimos à população muito pobre, para trabalhar por conta própria, permitindo gerar renda para seu sustento e de suas famílias. Já o microcrédito produtivo orientado é um crédito produtivo popular, com foco no financiamento a microempreendedores de baixa renda, para aplicação em sua atividade profissional (Alves e Soares, 2004; BNDES, 2002). A palavra crédito deriva do latim credere que significa acreditar, confiar e, dependendo do contexto em que esteja inserida, pode ter vários significados (PAIVA, 1997). De acordo com Silva (2003), num sentido específico, crédito consiste na entrega de um valor presente mediante a promessa de pagamento. O crédito traz consigo duas noções fundamentais: Confiança expressa na promessa de repagamento, e tempo, que se refere ao período fixado entre as partes para liquidação da dívida. Segundo Schrickel (2000), o termo repagamento aqui utilizado em detrimento de pagamento, amortização, liquidação, entre outros é devido ao fato da posse dos recursos serem temporária, onde findo o prazo o tomador deve pagá-los de volta. A ciência econômica reconhece a existência da escassez de recursos, e em decorrência disso, admite a impossibilidade de que todos os desejos da humanidade sejam satisfeitos, o que faz com que os indivíduos efetuem escolhas. A falta de recursos financeiros, nem sempre é absoluta, a capacidade das pessoas possuírem receitas pode variar com o tempo, por isso o crédito é tão importante. Um bem que não pode ser adquirido á vista, pode ser a prazo, porque o pagamento provavelmente será parcelado, ou no mínimo, terá um prazo e talvez o consumidor possa e esteja disposto a adquirir um bem por um valor mais alto, conquanto possa paga-lo dentro de suas condições financeiras. 3

4 O crédito também é definido como um instrumento de política financeira utilizado pelas empresas nas vendas a prazo de seus produtos, a primeira vista, pode ser encarado como um grande inimigo do contas a receber, uma vez que estende o prazo de recebimento e o pior, aumenta o risco de inadimplência. Entretanto, é um dos responsáveis por estimular às vendas. O princípio fundamental da política de crédito é a orientação das decisões de crédito, observando-se os objetivos estabelecidos pela empresa, as regras governamentais e a capacidade de aplicação e captação dos recursos, devendo compreender o estabelecimento de taxas de juros, prazos, garantias e nível de risco de cada operação (SILVA, 1993, p.40). Além da área financeira, a comercial também deverá participar da definição da política de crédito da empresa, pois a partir dela são definidos parâmetros básicos para a realização das vendas, além dos elementos necessários para concessão, monitoramento e cobrança das mesmas, devendo ser encarada como um fator de alavancagem das receitas e uma demanda por investimentos em ativos financeiros (créditos futuros). Sempre que se fala de crédito surge o questionamento sobre o risco. Segundo Paiva (1997), o risco permeia a atividade humana, não podemos afirmar que o mesmo é incerteza, pois podemos eliminar a incerteza, nunca o risco, o que podemos é minimizá-lo. Em finanças, risco e incerteza tem conceitos diferentes, assim, pode-se dizer que: 1. Risco existe e pode ser mensurado à partir de dados históricos do tomador, assim a concessão do crédito se faz a partir de premissas conhecidas e aceitáveis; 2. Incerteza é quando a decisão de crédito é feita de forma subjetiva, pois os dados históricos não estão disponíveis. O risco define a probabilidade de perda no negócio e é inerente à atividade. Sendo algo que está presente em todos os momentos de nossas vidas, quaisquer que sejam nossas atividades, e operar com crédito não foge à regra. Sua gestão passou a ocupar nos últimos tempos, posição de destaque na administração financeira, especialmente em consequência da expansão do crédito, do crescimento de mercado e da globalização. No Brasil até com mais ênfase, motivada pela maior estabilidade econômica alcançada recentemente e empenho das autoridades em modernizar e aprimorar o sistema financeiro nacional. Como pode ser evitado, portanto, deve ser administrado. No entanto, tendo em conta o negocio ou a área de atividade em que está inserido, a análise será mais ou menos criteriosa. Desde o estabelecimento comercial de venda ao público que habitualmente não procede a qualquer análise, até as instituições financeiras que procedem a análise bastante exaustiva, existe uma infinidade de casos. 4

5 Uma operação de crédito bem analisada e adequada às reais necessidades e capacidade de crédito do cliente, sem sombra de dúvidas não extinguirão os riscos de perdas futuras, mas diminuirão. A gestão do risco de crédito continua a ser substancialmente uma atividade quase caseira, em que as decisões quanto à empréstimos são feitas sob medida, caso a caso. São escassos os dados quantitativos confiáveis sobre as variáveis financeiras e não financeiras na avaliação de risco. Ainda estão em fase de aprimoramento as metodologias utilizadas para análise de risco e muitas dúvidas ainda persistem na busca de uma gestão adequada de risco de crédito, em meio a uma geração de profissionais de engenharia financeira que está aplicando suas habilidades em construção de modelos e na análise desta área (SAUNDERS, 2000, P.52). 2.1 CRÉDITO E MICROCRÉDITO NO BRASIL A dificuldade de acesso ao crédito tem se revelado um dos principais entraves ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas (MPE s) no Brasil. Sabe-se que, devido às limitações dos programas de crédito, à elevada exigibilidade na gestão de linhas específicas aos microempreendimentos e às altas taxas de juros, diversos questionamentos emergem sobre a efetividade dos bancos governamentais e comerciais quanto à administração dessas linhas. Isto desencadeia um baixo acesso ao crédito pelos micro e pequenos empresários, fator também atribuído à falta de informação, à dificuldade no oferecimento de garantias reais, permanência na informalidade, além do receio de endividamento. Dessa forma, a enorme assimetria no direcionamento da oferta de crédito oportuniza a manutenção de defasagens para a demanda desse serviço. Neste sentido, as operações de microcrédito tem se consolidado no Brasil, desde meados da década de 1990 como a prestação de serviços de crédito a indivíduos e empresas com menor acesso ao sistema financeiro tradicional. Esta menor acessibilidade é potencializada por características jurídicas e normativas das operações de crédito, inexistência de colaterais que sustentem tais transações financeiras e, geralmente, a inobservância das características, peculiaridades e anseios dos demandantes potenciais, por parte das instituições financeiras. O crédito é fator crítico para o empreendedorismo principalmente por causa de sua contribuição às pequenas unidades produtivas. No entanto, as micro e pequenas empresas - 5

6 MPEs carecem de um sistema de crédito que atendam às necessidades e que estejam dentro da capacidade de pagamento das empresas. É neste contexto que surge o microcrédito como um tipo de crédito que visa fornecer acesso ao sistema financeiro, garantindo acesso ao crédito por famílias pobres visando a fornecerlhes condições para manter seus pequenos negócios, assim como, fortalecer a economia nacional. O Microcrédito também pode ser definido como a concessão de empréstimo de baixo valor a pequenos empreendedores informais e microempresas que não tem acesso ao sistema financeiro tradicional, principalmente por não terem como oferecer garantias reais. É um crédito destinado à produção (capital de giro e investimento) e é concedido com o uso de metodologia específica. Neste sentido, Passos et al. (2001) afirmam que, no Brasil, os programas de microcrédito atendem a unidades produtivas pequenas, as quais os proprietários trabalham, diretamente, nos empreendimentos e acumulam funções (produção e gestão), dispõem de pouco capital e de tecnologia rudimentar, gerando, na maioria dos casos, apenas a renda familiar. Tradicionalmente, o crédito é fornecido com base nas garantias de solidez, patrimônio e tradição financeira do tomador. Segundo Junqueira e Abramavay (2005), geralmente, a população de baixa renda não possui bens ou recursos para cumprir as garantias que os bancos exigem. O caminho encontrado pela maioria dos indivíduos que não tem acesso ao sistema de crédito formal é buscar empréstimos em fontes que não exigem garantias, mas que cobram taxas de juros muito acima do nível de mercado. Estes concessores são conhecidos popularmente como agiotas e utilizam a confiança como garantia de empréstimo. Outra parcela da população que não deseja pagar pelas enormes taxas de juros cobradas pelos agiotas fica sem oportunidade, a não ser quando recorre a algum amigo ou parente que disponibiliza o crédito de forma acessível. Fachini (2005) complementa, citando que os programas de microcrédito, no Brasil, apresentam duas limitações: uma com relação ao cliente e outra relacionada à própria sustentabilidade financeira. Segundo esse autor, o crédito não oferece suporte para o tomador, pois, esse não ganha qualificação da mão-de-obra empregada na produção de seus artefatos, nem aumento da oferta de melhores condições para a gestão do empreendimento. Ressalta ainda que a maioria desses programas torna-se inviável do ponto de vista financeiro porque, simultaneamente, requer a cobrança de juros mais baixos que os juros de mercado, além de arcar com custos administrativos, custos fixos e taxas de inadimplência efetivas crescentes. 6

7 Ainda nos anos 90, o surgimento dos Bancos do Povo, formalmente denominados como Fundo de Apoio ao Empreendimento Popular (FAEP) possibilitou um salto para a difusão do microcrédito no Brasil. Originárias de parcerias entre as prefeituras municipais e governos estaduais, essas instituições oferecem o microcrédito produtivo e orientado. Devido à disponibilização de recursos para concessão de crédito popular, o Estado de Minas Gerais foi pioneiro nas atividades de microcrédito no país, principalmente com a criação do Banco do Povo de Juiz de Fora, em Em 10 anos de atuação na Zona da Mata mineira, Campos das Vertentes e Sul de Minas Gerais, o FAEP movimentou 20 mil operações de crédito, fornecendo capital de giro e de investimento, contribuindo para a geração de emprego e renda de milhares de mineiros. Tal iniciativa corrobora a efetividade do microcrédito como ferramenta de apoio aos micro e pequenos empresários, sendo, por esta razão, considerada como uma das ações mais importantes para o atual desenvolvimento regional (FAEP, 2007). O sistema de crédito tradicional tem como modelo a agência, normas, burocracias e procedimentos de crédito, enquanto o microcrédito está baseado no agente de crédito e em sua capacidade de avaliação do cliente. Para o mesmo autor, a concessão de microcrédito não exige garantias reais como o crédito tradicional, sendo o aval solidário uma das garantias que consiste na reunião de um grupo de três a cinco pessoas, com pequenos negócios e necessidade de crédito, que confiem umas nas outras e que assumam a responsabilidade pelos créditos de todo o grupo. Outra opção para obtenção de empréstimo, citada pelo autor, é a apresentação de um avalista que preencha as condições estabelecidas pela instituição de microcrédito. O microcrédito é caracterizado por possuir baixos custos de transação e alto custo operacional, devido à elevada quantidade de empréstimo de pequena monta. Ele exige o mínimo de garantia e confere agilidade na entrega do crédito. Por outro lado, Junqueira e Abramovay (2005) e Passos et al.(2001) relatam que o crédito tradicional visa apenas ao lucro e prioriza operações mais rentáveis. Neste segmento, as funções sociais de crédito não são condizentes com a infraestrutura e alta tecnologia empregada. Entretanto, o microcrédito visa à sustentabilidade e prioriza operações de pequena monta. 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS O Programa Crédito Antecipado foi uma maneira encontrada para que a distribuidora aumentasse seu market share por meio dos clientes que não possuíam capital para comprar 7

8 uma quantidade maior do produto, conseguindo assim vender mais e reduzir a presença dos concorrentes, que possuíam produtos mais barato, nos pontos de venda. E ao mesmo tempo controlar o contas a receber, de forma que estas vendas aumentassem a presença de mercado dos produtos, mas não aumentassem a inadimplência da empresa. O programa teve início em junho de 2009, e junho de 2011 apresentava as seguintes informações: Tabela 1 Investimentos totais da empresa Investimentos da Empresa Clientes Caixas Quantidade clientes aderidos de junho 2009 até junho Quantidade total clientes faturados (inativos no programa) Quantidade total de clientes inadimplentes Quantidade total de clientes ativos no programa Fonte: Dados da pesquisa Foram aderidos ao programa 1175 clientes resultando em um investimento de 6863 caixas de cervejas 600ml. Desde a implantação do programa 246 clientes decidiram sair do mesmo e quitaram os empréstimos totalizando 1425 caixas de cervejas pagas. 87 clientes decidiram sair do programa, mas não honram com o compromisso assumido, gerando um prejuízo de 100 caixas de cerveja, ou seja, 1,46% (aproximadamente) do total de caixas emprestadas. E em junho de 2011, existiam 929 clientes ativos no programa com investimento de 5438 caixas de cerveja. Algumas premissas do programa foram apresentadas para maior compreensão do mesmo: 1. A quantidade mínima para o empréstimo 3 caixas de cerveja e a máxima 10 caixas de cerveja; 2. As compras das cervejas S1, B2 e A3 de 600 ml, só poderiam ser feitas em dinheiro, o restante do mix de produtos poderiam possuir outras formas de pagamento; 3. Os clientes aderidos ao Credito Antecipado se comprometiam no momento em que assinassem o contrato do programa em repor os produtos assim que os mesmos fossem vendidos e o vendedor fosse ao estabelecimento efetuar nova venda; 4. Se o produto estivesse vendido e o cliente não quisesse repor o estoque o vendedor poderia efetuar a solicitação da cobrança da cerveja que estivesse sido vendida; 5. O prazo de validade do contrato era indeterminado, o cliente poderia ficar o tempo que quisesse, e as caixas de cerveja seriam faturadas com a cobrança do preço da cerveja do dia, ou seja, atualizado; 8

9 6. O preço de compra dos produtos era diferenciado, uma vez que os mesmos deveriam ser repostos assim que vendidos. Para analisar o programa foram escolhidos 30 participantes ativos aleatoriamente, com mesma data de adesão e quantidade de produto emprestado variado, uma vez que o programa analisa o perfil, estrutura de cada cliente, para definir a necessidade de cada estabelecimento. Tabela 2 Base de clientes utilizados na pesquisa Código Nome Fantasia Data Adesão ao Programa Quantidade Caixas por clientes 2367 Eni Bar 09/03/ Mercearia Esperanca 08/03/ Nogueiras Bar 06/03/ Raimundo Bar 08/03/ Bar da Cadeia 05/03/ Bar da Gorete 05/03/ Bar Merc.Gomes 09/03/ Tina S Bar 09/03/ Bar do Juvenal 08/03/ Mercearia Barbosa 09/03/ Bar e Restaurante Do 06/03/ Boteco do Benicio 08/03/ Bar do Ponto 08/03/ Bar Gean Geniell 05/03/ Bar da Iglorina 05/03/ Bar do Francisco 06/03/ Sacolao Economia 05/03/ Bar Cantinho da Serr 05/03/ Bar do Pezao 05/03/ Mercearia Maria Nilz 06/03/ Padaria Brito 08/03/ Bar do Beco 05/03/ Mercearia do Valdeci 08/03/ Bar do Ronaldo 05/03/ Bar da Claudia 05/03/

10 26128 Bar da Mata 08/03/ Bar do Joao 05/03/ Germanos Bar 06/03/ Bar e Mercearia Artu 08/03/ Bar do Waldemiro 08/03/ Fonte: Dados da pesquisa Os clientes acima representavam um total de 162 caixas de cervejas emprestadas. Para que a análise fosse feita a empresa disponibilizou seu controle de vendas de março de 2009 até agosto de 2009, e março de 2010 até agosto de Para melhor compreensão é importante ressaltar que cada caixa de cerveja contém 24 garrafas, ou seja, 2 dúzias, uma vez que, sempre que se falar em vendas será utilizada as quantidades em dúzias. A partir dos dados disponibilizados pode se fazer uma comparação entre as vendas efetuadas no ano de 2009 e as vendas efetuadas nos mesmos períodos de Em geral, na maioria dos clientes analisados, houve crescimento significativo nas vendas. Tabela 3 Crescimento geral das vendas nos meses comparados Período Quantidade Vendida Unidade Crescimento % 01/03/ Dúzias 01/03/ Dúzias 249% 01/04/ Dúzias 01/04/ Dúzias 140% 01/05/ Dúzias 01/05/ Dúzias 194% 01/06/ Dúzias 01/06/ Dúzias 198% 01/07/ Dúzias 01/07/ Dúzias 216% 01/08/ Dúzias 01/08/ Dúzias 218% Total Dúzias Total Dúzias Fonte: Dados da pesquisa 199% 10

11 Verifica-se a evolução da venda do ano de 2010 com o projeto implantado contra o ano de 2009 sem implantação do programa de crédito antecipado. Percebe-se a meta acumulada como as vendas ocorridas no ano anterior ao projeto e acumulado real, as vendas ocorrida no ano de Para retorno do projeto, os sócios esperavam um acréscimo no Lucro Bruto mensal de 5%. Conforme os mesmos, a estrutura operacional já estava preparada e as despesas administrativas, de vendas, aumentariam proporcionalmente ao crescimento das vendas, na logística havia ociosidade, e, portanto se os 5% fossem obtidos, acreditavam que o resultado operacional líquido positivo seria consequência. Outro aspecto importante foi que o preço de venda para o credito antecipado era o menor possível, então o mesmo sozinho não era autosustentável, pois a receita não pagaria todos os custos e despesas, e este é mais um motivo para analisar o Demonstrativo de Resultado do Exercício (do projeto. Para o empréstimo de 162 caixas de cerveja conforme analisado, o investimento necessário foi de R$9.658,44 (nove mil seiscentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e quatro centavos), com retorno esperado de 5% equivalente a R$482,92 (quatrocentos e oitenta e dois reais e noventa e dois centavos) mês. Conforme Tabela 4, os resultados com a implantação do projeto foram positivos, apenas no mês de abril de 2009 para abril de 2010 o retorno não foi conforme o esperado. Acreditando que sem o programa de crédito antecipado, as vendas seriam as mesmas, a diferença entre o ano de 2010 em relação ao ano de 2009 foi avaliado como retorno real do programa. Tabela 4 Resultados com a implantação do projeto Período Receita Total CMV Total Lucro Bruto Retorno Esperado Retorno Real 01/03/2009 R$ ,35 R$ ,51 R$ 385,84 01/03/2010 R$ ,70 R$ ,82 R$ 958,88 R$ 482,92 R$ 573,04 01/04/2009 R$ ,85 R$ ,21 R$ 562,64 01/04/2010 R$ ,30 R$ ,98 R$ 788,32 R$ 482,92 R$ 225,68 01/05/2009 R$ ,15 R$ ,19 R$ 518,96 01/05/2010 R$ ,80 R$ ,08 R$ 1.006,72 R$ 482,92 R$ 487,76 01/06/2009 R$ ,85 R$ ,61 R$ 500,24 01/06/2010 R$ ,50 R$ ,50 R$ 988,00 R$ 482,92 R$ 487,76 01/07/2009 R$ ,90 R$ ,94 R$ 492,96 R$ 482,92 R$ 572,00 11

12 01/07/2010 R$ ,40 R$ ,44 R$ 1.064,96 01/08/2009 R$ ,10 R$ ,46 R$ 484,64 01/08/2010 R$ ,90 R$ ,34 R$ 1.054,56 Fonte: Dados da pesquisa R$ 482,92 R$ 569,92 Análise Semestral do projeto Tabela 5 Demonstrativo do Resultado do Exercício até o Lucro Bruto (Semestre) Análise Semestral Março/Agosto 2009 Março/Agosto 2010 Receita Operacional Líquida R$ ,20 R$ ,60 (-) CMV R$ ,92 R$ ,16 (=) Lucro Bruto R$ 2.945,28 R$ 5.861,44 Rentabilidade Esperada R$ 2.897,53 Rentabilidade Real R$ 2.916,16 Fonte: Dados da pesquisa Em Junho de 2011 o investimento financeiro da empresa estava aproximadamente em R$ ,00 (trezentos mil reais) e a inadimplência em torno de R$28.000,00 (vinte e oito mil reais), ou seja, quase 10% do investimento atual (junho 2011). Como em todo negócio os riscos e incerteza existem, o projeto foi implantado em junho de 2009 e em junho de 2011, haviam dois anos de crescimento nas vendas, com retorno esperado atingido. Mesmo com quase 10% de inadimplência o projeto era positivo. R$28.000,00 (vinte e oito mil reais) rateado em 24 meses (período desde o início do projeto) representava aproximadamente R$1.167,00 contra retorno de R$15.000,00. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo desta pesquisa foi analisar os resultados obtidos com a implantação do programa de crédito antecipado em uma distribuidora de bebidas. Foram apresentados os conceitos necessários para a compreensão do processo de crédito nas organizações, desde definições, políticas, dentre outros. A partir da escolha aleatória de 30 clientes aderidos ao programa no mesmo período, obtevese a quantidade vendida para estes clientes antes e após a implantação do programa. As vendas cresceram significativamente no semestre analisado. Enquanto em 2009 foram 12

13 vendidas 2832 dúzia de cerveja, em 2010 foram vendidas 5636 dúzia, ou seja, 199% de crescimento. O Retorno financeiro esperado pela empresa com a implantação do projeto era de 5% no lucro bruto, uma vez que o preço de venda apresentava um retorno muito pequeno. Isto porque o objetivo do programa era ganhar em quantidade, e a empresa estava estruturada para o crescimento nas vendas, sendo assim as despesas operacionais não aumentaria significativamente. Havia ainda um subsídio da Companhia fornecedora das bebidas que não foi disponibilizado pela empresa para análise. Também foi avaliada a inadimplência do projeto, em que em junho de 2010 representava 10% do investimento inicial, em 2 anos de projeto isto significava cerca de R$1.167,00 de prejuízo mensal, contra R$15.000,00 de retorno mensal. Ainda foi verificado que o Market Share passou de 82,80% para 82,90% crescimento pequeno, mas importante, já que o seguimento de bebidas esta cada vez mais competitivo. Com isso verifica-se que o programa de crédito antecipado, contribui muito com aumento nas vendas, uma vez que proporciona capital de giro para microempresas. Quando avaliados todos os clientes ao mesmo tempo percebe-se que se ganha na quantidade, no volume de vendas, então o programa traz o retorno esperado. Verifica-se que empresas que tomam a iniciativa de subsidiar microempreendimentos como forma de auxílio em sua sustentabilidade também tem condições de aumentar seus resultados financeiros. Torna-se importante que novos enfoques sobre crédito e microcrédito sejam feitos. Um dos principais entraves percebidos foi a falta de conhecimento ao se gerir os negócios e a falta de capital de giro para que as microempresas cresçam sustentavelmente. REFERÊNCIAS ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 10. ed. São Paulo: Atlas, BERNI, Mauro Tadeu. Operação e Concessão de Crédito. 1. ed. São Paulo: Atlas, BNDES. Microcrédito: avaliação da eficiência de instituições microfinanceiras. Informe n. 43, Rio de Janeiro, jul BOUMAN, F. J. A. Small, short and unsecured: informal rural finance in India. New Delhi: Oxford University Press,

14 FACHINI, C. Sustentabilidade financeira e custos de transação em uma organização de microcrédito no Brasil f. Dissertação (Mestrado em Economia Aplicada) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Universidade de São Paulo, São Paulo, FUNDO DE APOIO AO EMPREENDIMENTO POPULAR FAEP. Resultados. Disponível em < Acesso em: 10 jun GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: atlas, GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. Ed. São Paulo: Atlas, GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra, GITMAN, Lawrence J. Administração Financeira: uma abordagem gerencial. São Paulo: Addison Wesley, GROPPELLI, A A. NIKBAKHY, Ehsan. Administração Financeira. 3. ed. São Paulo: Saraiva, JUNQUEIRA, R.G.; ABRAMOVAY, R. A. Sustentabilidade das microfinanças solidárias. São Paulo: Universidade de São Paulo, vol. 40, nº 1., p , jan./mar LEMES JR, Antônio Barbosa. RIGO, Cláudio Miessa. CHEROBIM, Ana Paula Mussi Szabo. Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, PAIVA, Carlos A.C. Administração do Risco de Crédito. Rio de Janeiro: Qualitymark PASSOS, A. F. et.al. Focalização, sustentabilidade e marco legal: uma revisão de literatura de microfinanças. Rio de Janeiro, n. 18, fev Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/pub/bcmt/mt_018i.pdf> Acesso em: 19 jun FIORENTINI, Sandra Regina B. Cuidado com a inadimplência: Saiba evitar e resolver. Portal SEBRAE-SP: Biblioteca. Disponível em: <http://www.sebraesp.com.br> Acesso em: 03 jun MICROCREDIT SUMMIT. So, what is 'microcredit'?. In: Virtual library on microcredit. Disponível em: <www.gdrc.org/icm/what-is-ms.html>. Acesso em: 07 out RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. Ed. São Paulo: Atlas, SAUNDERS, Anthony M. Administração de Instituições Financeiras. São Paulo: Atlas,

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