"Do ponto de vista tecnico, 0 balan~o e positivo"

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1 ENTREVISTA I ZELIA PINHEIRO "Do ponto de vista tecnico, 0 balan~o e positivo" A rede urbana de frio e calor do Parque das Na~oes ja tern onze anos e Joao Castanheira, director-geral da Clirnaespa~o, faz 0 balan~o. Garante que os pre~os SaGcornpetitivos com elevada eficiencia energetica, mas diz que a recupera~ao do investimento esta ser rnais lenta do que 0 esperado. A crise imobiliaria, com os edificios ocupados ainda a 50%, afectou 0 turn-over do projecto. Mas considera que 0 pior e a falta de ernpenho dos poderes publicos: mantem-se a penaliza~ao fiscal em sede de IVA e a Cidade Judiciaria, que devia ser urn dos maiores dientes, esta em tribunal por ter decidido nao se ligar it rede. Qual 0 conceito e objectivos do projecto de rede de frio e calor do Parque das Na~oes? o projecto Climaespa~o surgiu no ambito da Expo 98. Na altura em que se pensou organizar a exposi~ao mundial pensouse em reabilitar um espa~o degradado da cidade e tambem, nas diferentes areas, em ir buscar aquilo que fosse state of the art na gestao urbana. Por exemplo, nesta zona nao existe a normal recolha de lixo em contentores, mas um sistema de recolha pneumatica de resfduos Foi af que surgiu 0 conceito da distribui~ao centralizada de frio e de calor, que e um conceito muito antigo - existem redes de distribui~ao de calor com mais de 100 anos. 0 conceito da distribui~ao centralizada de frio e um pouco mais recente mas tambem ja existem redes de frio com umas decadas. Em Lisboa articulamos os dois e construfmos uma rede que distribui simultaneamente frio e calor. 0 conceito basico e que em vez de existir uma produ~ao localizada em cada edificio com os seus pr6prios sistemas de climatiza~ao, existe uma central unica para toda esta zona da cidade onde e produzida a energia. 0 objectivo primordial deste projecto foi ter uma produ~ao de frio e calor que consumisse 0 mlnimo de energia primaria possivel e que tivesse 0 minimo de emissoes poluentes. 0 sistema proporciona uma economia de emissoes de CO 2 na ordem dos 40%. Houve depois um segundo objectivo, de limpar as fachadas dos ediffcios dos aparelhos de ar condicionado que descaracteri-

2 zam as fachadas. Nesta zona, uma vez que nao ha produ~ao localizada de frio e calor nos ediffcios, as fachadas sao completamente limpas. Como e que 0 sistema funciona? Existe uma central de produ~ao de energia, existe uma rede de distribui~ao aos ediffcios utilizadores e depois existem as chamadas subesta~oes, dentro de cada um dos edificios utilizadores, onde se processa a transferencia de frio e de calor para 0 interior dos ediffcios. A central utiliza uma tecnologia de trigera~ao, 0 que significa que e uma central on de se produz electricidade, mas ao contrario das centra is electricas convencionais, 0 calor que e libertado da produ~ao de electricidade nao e desperdi~ado. Uma central termoelectrica como a de Sines, onde se produz electricidade com base em carvao, tem um rendimento de cerca de 37%, 0 que significa que quase 2/3 da energia que e queimada e desperdi~ada sob a forma de calor. As centra is de cicio combinado como a do carregado ou da tapada do outeiro tem rendimentos da ordem dos 55%. N6s temos uma central que ao produzir simultaneamente frio e calor tem um rendimento de 84%. I Por que motivo estas tecnologias de cogera~ao nao sao usadas em maior escala? Para haver co e trigera~ao tem que haver quem consuma a componente termica, ou seja 0 calor e 0 frio. Quando se constr6i uma central electrica em Sines, ha uma quantidade enorme de electricidade que e produzida, mas 56 se houvesse ali ao lado um grande complexo ou uma grande cidade e que podia haver uma rede de distribui~ao a fazer uso do calor. Caso contra rio, 0 calor e libertado e nao ha consumidores. 0 que n6s fazemos com este tipo de centrais que sao de pequena dimensao e construir a central Junto aos consumidores - a central esta aqui, no Parque das Na~oes - e com isso diminuimos as perdas de distribui~ao porque se encontram consumidores mesmo a volta da central. Trata-se de uma central em meio urbano, que produz decerto emissoes... A central fica na zona Norte, ja a caminho da ponte Vasco da Gama, bem disfar~ada, porque esta em ambiente urbano e tera sempre emissoes, que sao sempre controladas, e muito inferiores as de qualquer outra tecnologia. Quantas pessoas estao ligadas a rede da Climaespa~o? o Parque das Na~oes esta concebido para uma popula~ao de pessoas, entre habita~ao e terciario, que ainda esta longe de ser atingida. Mas temos ligados cerca de l20 ediffcios ou conjuntos de edihcios e temos cerca de 3000 clientes / frac~oes, que correspondem a muito mais pessoas do que isso. Dentro dos clientes temos os muito grandes clientes - Centro Comercial Vasco da Gama, Oceanario, sede da Vodafone, Casino Lisboa - mas tambem temos o pequeno cliente - 0 apartamento, a loja, 0 escrit6rio individual e isso e uma mais-valia deste projecto. Normalmente neste tipo de redes no resto da Europa o que acontece quanta aos ediffcios de habita~ao e que existe um contrato com o condominia do ediffcio, 0 fornecedor de energia entrega energia ao condomfnio e a factura e repartida por todos os cond6minos. 1550desresponsabiliza as pessoas pelos seus consumos e nao incentiva a economia e a eficiencia, pois a factura e indexada a permilagem. 0 que nos fizemos aqui foi levar a entrega de energia a porta de cada consumidor, cada cliente tem 0 seu contador de energia e cada pessoa, cada casa ou cada loja e responsavel pelo seu consumo. [550e mais uma forma de incentivar a utiliza~ao racional de energia que e a nossa preocupa~ao de base.

3 cionamento. Qual e 0 balan~o? Do ponto de vista tecnico 0 balanco e muitfssimo positivo. E evidente que quando um conceito novo e introduzido as pessoas tem alguma desconfianca e isso aconteceu em 1998 e na altura foi um bocado diffcil de ultrapassar, mas hoje em dia, passados onze anos, podemos dizer que foi um sucesso. Temos um servico com uma fiabilidade elevadissima, com pouquissimas horas de interrupcao do servico e sob 0 ponto de vista tecnico os clientes estao muito satisfeitos. Os objectivos em termos de ligacao de editrcios estao alcancados. Praticamente todos os edifrcios climatizados do Parque das Nacoes tem ligacao a Climaespa~o e quem la habita, na maioria, tem 0 servico. A dificuldade que temos e que uma parte dos ediffcios ja esta construida mas nao esta ainda habitada. Ha uma grande quantidade de escrit6rios que nao estao ocupados e de apartamentos que nao estao vendidos e isso tem a ver com a conjuntura econ6mica do Pais e com o excesso de oferta imobiliaria que ha no mercado. Mas parece haver pessoas que desistiram do contrato com a Climaespa~o, porque nao estao satisfeitas com os tarifarios. A Climaespa~o nao tem liberdade de escolher pre~os, os nossos precos de venda de energia depend em de um conjunto de indices que sad indices publicados oficialmente, um dos quais e o pre~o do gas natural. Fruto da recente evolucao e da liberaliza~ao do mercado do gas baixamos 0 preco de venda da nossa energia ja a partir deste mes de Julho 24%. Ou seja, se 0 servico ja era competitivo a partir de agora vai ser ainda mais. Mas temos que recusar a questao da tarifa com numeros. Neste momenta temos uma tarifa de venda de calor que e de cerca de 0,035 euros por KW jhora, que e igual para 0 aquecimento ambiente e para 0 aquecimento de aguas. 0 valor da electricidade ou do gas e varias vezes superior A tarifa da electricidade e na casa dos 0,11, ou 0,12 euros por KWjhora, ou seja, varias vezes mais caro. Nao e verdade que o servi~o seja mais caro, sendo certo que com a Climaespa~o nao existem equipamentos de producao de energia nos pr6prios ediffcios, 0 que significa que as pessoas nao tem que se preocupar com a sua aquisicao, substituicao e manuten~ao. Simplesmente, as pessoas abrem a "torneira" e sai agua quente e sai agua fria. Esta ideia de que haveria um pre~o mais card tem mais a ver com a parte de frio: o aquecimento e muito mais barato do que qualquer algum tipo de alternativa. Na parte do frio, e n6s corrigimos isso a meio do percurso, 0 tarifario foi pensado inicialmente sobretudo para grandes clientes, ediffcios de escrit6rios, museus, hoteis, que precisam de muita climatizacao durante grande parte do ~no - a estrutura tinha uma componente fixa da factura elevada, com um preco da energia muito baixo. Para quem 56 usa frio durante 3 ou 4 meses por ana podia estar a pagar uma componente fixa da qual nao tirava vantagem, enquanto um grande cliente que usa frio todo 0 ana beneficia de 0 preco da energia ser muito baixo. N6s resolvemos esse problema ha varios anos mas admito que a informacao nao esteja ainda disponivel no mercado, criando um tarifario opcional para os clientes residenciais que baixou ao mlnimo esta componente fixa e hoje em dia 0 unico custo fixo para a componente frio e na casa dos 5 euros por meso Oepois pagase aquilo que se consumir. Pode entao afirmar positivamente Que e compensador para um c1iente residencial contratar 0 servi~o da Climaespa~o face as demais op~oes de c1imatiza~ao do mercado, mesmo incluindo 0 frio? Sim, com nfveis de custo fixo tao baixos - no frio estamos a falar de 60 eurosj ano, 56 mesmo para alguem que nao esteja a habitar a casa e nao use 0 servi~o e que eu admito que nao seja. Tendo em conta 0 Quediz, parece que 56 por falta de informa~ao e que nao estao ainda todas as pessoas ligadas ao sistema da Climaespa~o... o numero de pessoas que nao estao utilizar 0 servico e muito baixo. Temos taxas de utilizacao que sad muito pr6- ximas das taxas de ocupa~ao dos ediflcios. Se eu tiver uma taxa de liga~ao do editrcio de 70%, essa taxa e muito Nao e verdade que 0 servi~o seja mais caro, sendo certo que com a Climaespa~o nao existem equipamentos de produ~ao de energia nos pr6prios edificios, o que significa que as pessoas nao tern que se preocupar com a sua aquisi~ao, substitui~ao e manuten~ao. Simplesmente, as pessoas abrem a "torneira" e sai agua quente e sai agua fria.

4 proxima da taxa de ocupaeao do edificio. as outros 30% nao estao a utilizar o servieo e simplesmente porque nao vivem la, porque de facto ha um certo numero de apartamentos que foram comprados para investimento, outros que nao foram ainda vendidos. E certo tambem que 0 numero de clientes de calor e superior ao numero de clientes de frio. Em que termos esta prevista a liga- {ao dos edificios desta zona a rede da Climaespa{o? Quem quiser pode optar pelo gas para agua quente e por outros sistemas de c1imatiza{ao? Nesta zona da cidade ha uma legislaeao especffica Ha uma porta ria que regu- / la 0 plano de urbanizaeao, prevendo a questao da climatizaeao e diz que, se os edifrcios desta zona da cidade tiverem aquecimento ou arrefecimento ambiente, entao devem usar ou energias renovaveis ou a rede de frio e calor fornecida pela Climaespaeo. Nao ha uma obrigaeao de ligaeao a rede, ha duas alternativas que san oferecidas e que san ambientalmente comparaveis. Mas a agua quente nao tem nenhum tipo de limitaeao, as pessoas pod em usar os sistemas que quiserem. Se quiserem usar esquentadores a gas ou acumuladores electricos, podem usar E evidente que existindo uma rede de frio e calor, ela e, do ponto de vista economico, mais vantajosa do que estes sistemas. Usar a electricidade para fazer aquecimento de agua e, para alem de um crime ambiental, quase um crime economico, pelo que isso custa. E ha uma outra questao que e a da seguranea - pelo facto de existir esta rede de frio e calor significa que nao existem esquentadores e caldeiras dentro das casas e isso significa uma redueao de riscos que tem a ver com a queima de gas para aquecimento de agua. A Climaespa{o esta sujeita a regula{ao da ERSE(Entidade Reguladora dos Servi{os Energeticos)? A nossa actividade nao e regulada pela ERSE,mas como existe um contrato de concessao existe um concedente, que em nome do Estado portugues regula a nossa actividade. A Parque EXpo, que tem ainda a gestao dos servieos urbanos desta zona, e a ainda a entidade que regula a nossa actividade, pensa-se que no futuro possam ser as camaras municipais. Passando a questoes mais globais. Como avalia hoje a execu{ao do contrato de concessao celebrado em 1997? Isto e um investimento totalmente privado, sem nenhuma comparticipaeao do Estado portugues, e a contra partida que nos foi dada foi a de poder operar este sistema durante 25 anos, findos os quais havera um novo concurso e podera ser escolhida uma outra entidade. Este projecto quando surgiu aqui em Lisboa foi pioneiro em muitas coisas. Ja existiam muitas redes de calor pelo mundo inteiro, ja existiam algumas redes de frio, mas nao existia este conceito ter frio e calor no mesmo sistema e diferentes tecnologias na mesma central, tanto e que 0 nosso grupo - 0 grupo GDF Suez - tem construfdo varias outras redes em varios pafses a imagem de Lisboa e nos temos muito orgulho nisso. Construfmos redes semelhante a esta em Barcelona na zona do Forum 2004, em Saragoea, para a Expo 2008, e estamos a construir uma rede bastante maior em Londres, para a zona dos jogos Olfmpicos de E aprendemos muito com este projecto, para 0 bem e para 0 mal. Houve de facto coisas que correram menos bem neste projecto. Desde logo, ha uma nota importante: neste projecto de Lisboa todo 0 investimento foi feito Desde logo, ha urna nota irn tante: neste projecto de Usb - todo 0 investirnento foi feito pelo operador privado, 0 que significa que todo 0 investirre - to e repercutido nas tarifas a consurnidores finais. A verda _ e que a rnais-valia arnbienta e energetica que este projec tern para 0 pais nao e levada em conta, nao houve nenhli tipo de participa~ao das enti - des publicas neste projecto.

5 pel a operador privado, a que significa que todo a investimento e repercutido nas tarifas aos consumidores finais. A verdade e que a mais-valia ambiental e energetica que este projecto tem para a pais nao e levada em conta, nao houve nenhum tipo de participa~ao das entidades publicas neste projecto. As tarifas sao entao tarifas rea is, em linha do que tem sido defendido como boa pratica em materia de consumo de recursos natura is... As tarifas sao reais, elas reflectem as custos do servi~o, mas nao a beneficia ambiental deste servi~o. Aquilo que acontece em projectos semelhantes a este mais recentes e que pel a facto de a projecto contribuir para a redu~ao das emissoes de CO 2 do pais, para a redu~ao das importa~oes de petr61eo e de gas, os pr6prios Estados participam e sag financiadores do projecto, e isso permite que as tarifas de energia sejam um pouco mais baixas. Este tipo de projecto e de capital intensivo, tem um investimento enorme na constru~ao da central, da rede e das subesta~oes, e a recupera~ao deste investimento e feita a muito longo pram Nem todos as investidores estao preparados para trabalhar neste tipo de projectos e e preciso saber esperar para conseguir recuperar 0 investimento em muito longo pram E por isso que, onze anos depois, esta continua a ser a (mica rede de frio e calor em Portugal? Esta e uma questao importante, sendo este tipo de sistemas bom para a ambiente. Por um lado, 0 conceito e ainda novo em Portugal e ha alguma relutancia em aceitar este conceito. Par outro lado, ha algumas barreiras importantes, de que posso dar um exemplo paradigmatico: os clientes da Climaespa~o pagam IVA a 20% enquanto que os consumidores de electricidade ou de gas natural pagam IVA a 5%, a que significa que em Portugal temos uma fiscalidade que em vez de ser verde e ~ Quinta sao loa<> NUdeo Empresarial de Arruda Vinhos Escr. E ARRUDA DOS VINHOS

6 vermelha. Ha um incentivo a electricidade e ao gas. Somos 0 unico pais da Europa onde isto acontece Ja fizemos exposi~6es ao governo portugues e explicamos que nao e justa que os consumidores de uma energia amiga do ambiente sejam penalizados face aos consumidores de electricidade e de gas, mas, mais do que isso, um pais que impoe estas barreiras e um pais que nao quer receber mais investimentos deste tipo. Ha apoios especiais para as energias renovaveis, que estao muito em voga, mas a eficiencia energetica, e e disso que estamos aqui a fa/art e ainda um parente pobre em Portugal. Enos dias de hoje, nao e possfvel suprir todas as nossas necessidades energeticas com recurso as energias renovaveis. Vamos ter ainda, durante nao sabemos quantos anos, que usar combustrveis fosseis e temos que 0 fazer da forma mais eficiente possfvel. E af que a eficiencia energetica e fundamental, e por isso que a politica europeia na area da energia promove a cogera~ao, a trigera~ao, as redes de frio e calor. E somos 0 unico pais da Uniao que nao 0 faz? Em 2006 foi alterada a directiva do IVA, passando a permitir baixar 0 IVA para a electricidade e para 0 gas e tambem para 0 aquecimento urbano. Em Portugal nao se fez uso desta possibilidade e somos neste momento 0 unico pais onde 0 IVA do aquecimento urbano e superior. Esta descida teria peso praticamente zero em termos de receita fiscal perdida, porque os grandes consumidores ja recuperam 0 IVA e teria impacto apenas para os clientes residenciais. E em term os do sinal que se da ao mercado era importante, estamos a dar a mensagem errada. Nao e apenas a rede de frio e calor do Parque das Na~oes que esta em causa - enquanto houver este tipo de barreiras em Portugal os investidores VaG escolher outros parses. As entidades publicas deviam envolver-se mais nestes projectos, se calhar nem sempre financiando ou subsidiando, mas nao faz sentido que vivam a margem destes projectos - faz sentido que ajudem a resolver os problemas, por exemplo nesta questao do IVA. oar que, no passado, a (lirnaespa~o tenha cornprado electricidade a EDP, em vez de a produzir? Isso continua a ser cornpensador? Nos produzimos a electricidade que consumimos, mas ha situa~oes em que, se tivermos que parar a nossa turbina durante dois dias para fazer manuten- ~ao, paramos de produzir electricidade e temos que a comprar. Isso acontece, mas apenas pontualmente. A questao tem a ver com 0 interesse economico em comprar electricidade em vez de a produzir e de facto houve uma fase em que isso aconteceu, a trigera~ao deixou de funcionar e nos passamos nessas semanas a adquirir electricidade para p(odu~ao de frio e 0 gas era apenas para produ~ao de calor foi uma situa~aolimite em que as tarifas de venda de gas eram de tal forma inadequadas que tornavam impossivel a opera~ao. Foi uma decisao polftica, para marcar uma posi~ao, mas 0 nosso objectivo nao e esse, mas sim 0 de ter a trigera~ao a funcionar e a nao ser que haja condi~oes absolutamente anormais, 0 que nao e 0 caso, nos vamos funcionar de acordo com 0 principio que definimos a partida e e isso que temos feito em 99,99% da nossa opera~ao. A nao existencia de obriga~ao de liga~ao dos edificios e urn factor Iirnitante? A liberdade de contratar deve existir. Eu nao digo que se deva obrigar uma pessoa ou uma empresa a contratar um servi~o que nao quer. Agora, quem pretender ter um servi~o deve respeitar as regras existentes. As regras san suficientes: quem quer ter um sistema de climatiza~ao, usa a rede, que e um sistema eficiente, ou usa energias renovaveis - nao pode e usar outra coisa. E preciso e que isto seja cumprido e eu diria que e quase sempre cumprido, mas nem sempre. 0 sistema e mais vantajoso para os utilizadores finais, mas para quem constroi ele nao e necessariamente mais barato. Quem beneficia e quem usa, e ha quem pense assim: 0 meu edificio nao precisa de climatiza~ao, e depois quem vem habitar aquele edificio vai chegar a conclusao de que ate precisa. E ainda existe um diferendo com um promotor desta zona que decidiu nao se ligar a Climaespa~o A liberdade de contratar deve existir. Eu nao digo que se deva obrigar uma pessoa ou uma empresa a contratar urn servi- ~oque nao quer. Agora, quem pretender ter urn servi~o deve respeitar as regras existentes. As regras SaDsuficientes: quem quer ter urn sistema de c1imatiza~ao, usa a rede, que e urn sistema eficiente, ou usa energias renovaveis - nao pode e usar outra coisa.

7 Visto a luz daquilo que nos sabemos hoje, se soubessemos que ia ser assim e que ia levar tanto tempo a recuperar o investimento, se calhar nao tinhamos feito 0 investimento - essa e a questao. N6s vamos la chegar, mas s6 ao fim de muitos anos. nem utilizar um sistema com recurso a energias renovaveis. A cidade judicia ria? Sim. Esse complexo, que seria um cliente da dimensao do Vasco da Gama, de facto nao tem liga~ao a rede da Climaespa~o nem energias renovaveis, tem um sistema convencional, 0 que e como ter um edifrcio numa cidade com uma rede de esgotos que em vez de se ligar a rede faz uma fossa I 0 problema aqui foi que a propria Camara Municipal de Lisboa licenciou 0 edifrcio nestas condi~oes, em nossa opiniao em clara viola~ao da lei, que recentemente foi refor~ada pela propria regulamenta~ao energetica que diz que se existir na zona ou nas proximidades uma rede de frio e calor, entao a liga~ao e obrigatoria, desde que economicamente justificavel 0 caso esta em tribunal porque a Climaespa~o accionou a Camara com 0 argumento de que foi licenciada uma constru~ao que nao respeita a legisla~ao aplicavel nesta zona da cidade, mas para alem da questao legal, ha aqui uma questao de conceito - que sentido e que faz numa zona destas on de existe esta rede nao ter aquele conjunto de edifrcios ligado a esta rede 7 Isto acontece porque ha ainda pouca consciencia destas questoes e ha outros valores que se sobrepoem apesar de 0 discurso ambiental e energetico estar muito presente no discurso politico. o que pode concluir-se entao do projecto de c1imatiza~ao do Parque das Na~oes, apesar de as condi~oes nao serem as idea is? Visto a luz daquilo que nos sabemos hoje, se soubessemos que ia ser assim e que ia levar tanto tempo a recuperar o investimento, se calhar nao tfnhamos feito 0 investimento - essa e a questao. Nos vamos la chegar, mas so ao fim de muitos anos. Essas contas nao estavam feitas a partida? Estavam feitas mas nao sarram como esperado, porque aconteceu uma serie de situa~oes que nao estavam previstas inicialmente, nomeadamente a crise economica e a excesso de oferta imobiliaria no mercado, a existencia de edificios sem consumidores. Essa questao nao estava equacionada. 0 resto das questoes, como a do IVA, que constitui mais uma barreira a replica~ao deste tipo de sistema, foi-se descobrindo posteriormente. Mesmo assim, a Climaespa~o vai continuar a apostar neste neg6cio em Portugal? o nosso grupo esta, apesar das barreiras, atento a este mercado e esta em vias de constituir uma nova empresa em Portugal, dedicada aos servi~os energeticos, que vai ter como prioridade precisamente a area da cogera~ao, da distribui~ao centralizada de frio e calor e em que vamos activamente procurar novas oportunidades de negocio nesta area. Nos proximos tempos havera novidades quanta a isso.

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