O DIAGNÓSTICO DE ESQUEMAS MENTAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Palavras Chaves: Educação Matemática, Educação Infantil; Diagnóstico de Esquemas Mentais.

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1 O DIAGNÓSTICO DE ESQUEMAS MENTAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Cristiane de Oliveira Cavalcante, UFC Sandra Maria Soeiro Dias, UFC RESUMO: Nas últimas duas décadas, a Educação Matemática no contexto da Educação Infantil vem ganhando espaço nas pesquisas que buscam entender as ligações entre o ensino e aprendizagem, em prol de uma concepção que valoriza a construção do conhecimento significativo, propiciada por mediações docentes. Este trabalho é uma reflexão sobre o diagnóstico de esquemas mentais DEM, proposto por Barguil (2014b), o qual defende, inspirado em Lorenzato (2006), a criação de um kit com 13 atividades para identificar esquemas mentais correspondência, comparação, classificação, seriação, inclusão e conservação de uma criança de 4 ou 5 anos. O objetivo do DEM é permitir que o professor investigue o universo infantil, para conhecer a lógica da criança na resolução de cada atividade, que se manifesta no que ela faz e fala. Para realizar o diagnóstico, o professor precisa estudar e compreender os esquemas mentais, bem como elaborar o kit, que o permitirá interagir com a criança na direção desejada. A depender da finalidade pedagógica, a coleta de dados poderá ser filmada, permitindo, assim, que o professor possa, posteriormente, analisar calmamente o desempenho da criança, bem como a qualidade da sua interação. É interessante que ele escreva um relatório descrevendo, mesmo que de forma breve, como a criança resolveu as atividades, bem como a análise que ele faz do realizando pela criança à luz do esperado. O DEM, portanto, é um rico instrumento pedagógico, pois permite que o professor, ao conhecer melhor os esquemas mentais da criança, possa propor situações pedagógicas para que ela os amplie. Palavras Chaves: Educação Matemática, Educação Infantil; Diagnóstico de Esquemas Mentais. INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta, de forma sucinta, o diagnóstico de esquemas mentais DEM, proposto por Barguil (2014b), que tem como finalidade permitir que o professor identifique os esquemas mentais de uma criança de 4 ou 5 anos. Na primeira parte, apresentamos, brevemente, o desenvolvimento do senso matemático infantil. Posteriormente, explicamos a realização das etapas do diagnóstico, analisando a sua importância na formação do professor de educação infantil e como esse diagnóstico revela os conhecimentos matemáticos da criança. No final, discorremos algumas considerações sobre esse recurso pedagógico

2 2 SENSO MATEMÁTICO INFANTIL De acordo com Lorenzato (2006, p.23), na Educação Infantil a aprendizagem matemática deve promover atividades que auxiliem no desenvolvimento integral da criança, de maneira que a possibilite observar, refletir, interpretar, levantar hipóteses, procurar e descobrir explicações ou soluções, expressar ideias e sentimentos, compartilhar com colegas e explorar seu corpo. Essas atividades precisam ser feitas por meio de explorações que favoreçam a formação do senso matemático infantil. Esse trabalho de exploração matemática, todavia, é abalado por dois fatores externos: o primeiro, são os próprios professores, que não inserem essas atividades na rotina infantil por considerá-las dispensáveis à aprendizagem, o segundo, são os pais, que ainda acreditam e cobram da escola que o ensino da Matemática seja através da escrita dos numerais e/ou continhas (LORENZATO, 2006, p. 23). Desse modo, surgem perguntas fundamentais: como desenvolver o senso matemático infantil? Que assuntos devem ser ensinados e como? Qual o papel do professor nesse processo? (LORENZATO, 2006, p. 23). Sabendo que a criança já chega à pré-escola com alguns conhecimentos, frutos de suas experiências de vida, sugere-se que a exploração matemática aborde três campos: espacial (formas Geometria), numérico (quantidades Aritmética) e medidas (integração de Geometria e Aritmética) (BARGUIL, 2014, p. 21). Para que esses três campos matemáticos sejam construídos com êxito, desde a Educação Infantil, Barguil (2014, p. 21) sugere que nela sejam trabalhadas as seguintes noções: GEOMETRIA: aberto - fechado; dentro - fora; interior - exterior; no alto; em cima/em baixo; sobre - debaixo/sob; acima - abaixo; antesdepois; entre/no meio; primeiro - último; centro - lado; direita - esquerda; frente - atrás; na frente atrás ao/do lado; deitado - em pé; [para] cima baixo; [para a] direita esquerda; [para] frente trás- ao lado. ARITMÉTICA: mais menos; muito pouco; quase; igual diferente; todos nenhum; vários alguns; cada; um par; o mesmo; inteiro metade; ganhar perder; aumentar diminuir; multiplicar dividir. MEDIDAS: maior menor; grande pequeno; grosso fino; gordo magro; comprido curto; alto baixo; longe perto; distante próximo; largo estreito; raso fundo; cheio vazio

3 3 Além dessas noções, os campos matemáticos precisam possuir relação direta com os conceitos físico-matemáticos: forma; lugar; posição; direção (Geometria); quantidade; número; operação (Aritmética); comprimento; massa; distância/tamanho; calor; área; tempo (duração); capacidade/volume; velocidade (Medidas) (BARGUIL, 2014, p. 21). Conforme Lorenzato (2006, p. 25), para o docente propiciar o desenvolvimento desses conceitos físico-matemáticos, das noções básicas e dos três campos matemáticos na criança, faz-se necessário que ele conheça os sete processos/esquemas mentais básicos para a aprendizagem da matemática (LORENZATO, 2006, p ), que são: 1. Correspondência: o ato de estabelecer a relação um a um. Exemplo: Formar pares de acordo com a quantidade. 2. Comparação: o ato de estabelecer diferenças ou semelhanças. Exemplo: Comparar objetos iguais com tamanhos diferentes. 3. Classificação: o ato de separar em categorias de acordo com semelhanças ou diferenças. Exemplo: Formar grupos de acordo com uma categoria escolhida. 4. Sequenciação: o ato de fazer suceder a cada elemento outro sem considerar a ordem entre eles. Exemplo: Entrada de jogadores de futebol em campo. 5. Seriação: o ato de ordenar uma sequência segundo um critério. Exemplo: Formar uma história a partir de tirinhas. 6. Inclusão: o ato de fazer abranger um conjunto por outro. Exemplo: Incluir as ideias de bolas e pipas em brinquedos, uvas e maçãs em frutas. 7. Conservação: é o ato de perceber que a quantidade não depende da arrumação, forma ou posição. Exemplo: Conjuntos com a mesma quantidade, porém com disposição espacial diferente. DIAGNÓSTICO DE ESQUEMAS MENTAIS Os esquemas mentais básicos, segundo Lorenzato (2006), são fundamentais para propor atividades que permitam as crianças desenvolverem o pensamento matemático. Corroborando com ele, Barguil (2014a) afirma que desenvolvemos durante nossa vida diferentes esquemas mentais que nos ajudam dar sentido ao mundo. Estamos sempre precisando comparar quantidades, ordenando nossas ações, classificando os objetos. Tais atividades, conforme Kamii (1990), se configuram, numa perspectiva 04474

4 4 piagetiana, como a capacidade de abstração reflexiva, que se expressa nas relações que o sujeito estabelece entre os objetos, lugares, fatos, acontecimentos e etc. O Diagnóstico dos Esquemas Mentais DEM, conforme Barguil (2014b), tem a finalidade de identificar e entender melhor a forma como a criança, de 4 ou 5 anos, pensa diante de determinadas situações propostas pelo professor. Para realizar o DEM, o professor precisa de um kit de composto por fichas impressas, que contemplam 6 esquemas mentais: correspondência, comparação, classificação, seriação, inclusão e conservação. O primeiro esquema tem 3 atividades, enquanto os demais 2, totalizando 13 atividades, as quais têm várias possibilidades de utilização. O professor pode aplicar todas elas na mesma ocasião, no caso de necessitar obter um diagnóstico mais completo. Ele, também, tem a opção de apresentar, em cada dia, uma atividade de cada esquema. A flexibilidade do kit permite que o professor propor situações variadas para que a criança possa expressar o seu pensamento. Para exemplificar as atividades do DEM, explicaremos a atividade 1 do esquema classificação, que objetiva conhecer a lógica da criança para formar grupos com as figuras geométricas, conforme algum atributo: forma, tamanho e cor. Ela é constituída do seguinte material: 12 figuras geométricas triângulos, quadrados e círculos, com 2 tamanhos (grande e pequeno) e 2 cores (azul e vermelho, por exemplo). Ou seja, 4 triângulos: 2 grandes e 2 pequenos, sendo que cada dimensão terá um azul e um vermelho. A mesma lógica para quadrados e círculos (BARGUIL, 2014b, p. 03). Inicialmente, o professor deve indagar à criança quais figuras geométricas ela conhece. Após, ele coloca sobre a mesa as 12 figuras geométricas e solicita que a criança as identifique. Caso ela não saiba alguma, o professor pode dizer. A seguir, fala para a criança: Forme grupos com as figuras geométricas que têm alguma característica em comum. Depois, diga o que pegou e o motivo de elas combinarem.. Após a criança finalizar, pela primeira vez, os agrupamentos, ele pergunta: É possível agrupar de outra forma? (BARGUIL, 2014b). O professor que leciona na Educação Infantil necessita desenvolver, continuamente, sua capacidade de propor desafios e interpretar as respostas gestual, oral e escrita da criança, de modo a orientar o seu planejamento. Neste sentido, o diagnóstico se constitui um referencial do que o docente precisa oportunizar para que a criança continue avançando na sua capacidade lógico-matemática. CONSIDERAÇÕES FINAIS 04475

5 5 Acreditamos que o DEM, sucintamente aqui apresentado, permite a ampliação da compreensão de avaliação numa perspectiva meramente certificativa, que tem a finalidade apenas de levantar dados, apontando para um olhar propositivo, que convoca o professor a pensar no futuro, no que precisa e pode ser feito em prol do desenvolvimento integral da criança. Outra contribuição do DEM é permitir que o professor aprofunde seu conhecimento tanto sobre os esquemas mentais, como sobre o repertório de estratégias que as crianças utilizam. Necessário, também, que o professor formule perguntas abertas, que não induzam a resposta correta da criança, o que se constitui numa fraude ao principal objetivo. É fundamental, portanto, para o sucesso do DEM, que a criança possa expressar seu raciocínio sem medo de ser criticada ou corrigida pelo professor, cuja missão pedagógica é acolher a criança em toda a sua riqueza e favorecer, com respeito e admiração, a sua expansão, de acordo com o seu ritmo. Um currículo de Educação Matemática na Educação Infantil pressupõe uma ampla transformação de objetivos, conteúdos, recursos e interação, com a valorização de momentos em que a criança possa explorar o mundo com os seus recursos psíquicos num ambiente acolhedor. Defendemos, por fim, que o DEM é uma importante estratégia de investigação das hipóteses da criança quanto ao conhecimento lógico-matemático, sendo imprescindível ao professor que ensina Matemática na Educação Infantil adote um olhar cuidadoso sobre as respostas das crianças aos desafios propostos, os quais têm como objetivo ampliar a capacidade delas de organizar o mundo, interno e externo. REFERÊNCIAS BARGUIL, Paulo Meireles. Matematização: uma infinita e prazerosa caminhada. Fortaleza f. Notas de aula. Digitado.. Roteiro do Diagnóstico dos Esquemas Mentais. Fortaleza f. Notas de aula. Digitado. KAMII, Constance. A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação junto a escolares de 4 a 6 anos. Tradução Regina A. de Assis. 11. ed. Campinas: Papirus, LORENZATO, Sergio. Educação infantil e percepção Matemática. Campinas: Editores Associados,

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