Área de Abrangência / População

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1 QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES COM AFECÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS RELACIONADAS AO TRABALHO ATENDIDOS NO CENTRO DE REFERÊNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR DO MUNICÍPIO DE GUARULHOS Elaine A. de Paula Orientador: Prof. Dr. José Tarcísio Buschinelli

2 CEREST Regional Guarulhos Área de Abrangência / População Santa Isabel Guarulhos Ferraz de Vasconcelos Arujá Itaquacetuba Poá Suzano Mogi das Cruzes Guararema Biritiba Mirim Salesópolis Total: Fonte: IBGE, 2010

3 Cerest Regional Guarulhos Equipe Técnica 3 Médicos do Trabalho; 1 Médico Ortopedista; 2 Médicos Acupunturistas; 3 Psicólogos; 1 Fisioterapeuta; 2 Enfermeiros; 2 Técnicas de enfermagem; 2 Engenheiros de Segurança do Trabalho; 1 Técnico de Segurança do Trabalho.

4 Hipóteses As AMERT causam um impacto negativo na QV dos trabalhadores acometidos? Determinados fatores pessoais, sócio-ocupacionais ocupacionais e relacionados ao quadro clínico podem influenciar na pior QV dos pacientes com AMERT?

5 Objetivos Objetivo geral Avaliar a qualidade de vida dos pacientes com AMERT matriculados no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do município de Guarulhos

6 Objetivos Objetivo específico Verificar se determinados fatores pessoais, sócio-ocupacionaisocupacionais e relacionados ao quadro clínico podem influenciar nas medidas de qualidade de vida apresentadas pelos pacientes com AMERT.

7 Definições AMERT: Afecções musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho LER/DORT: lesões por esforços repetitivos / distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho Lombalgia ocupacional (incluindo eventos agudos e traumáticos, caracterizados por acidentes de trabalho)

8 Qualidade de vida Qualidade de vida (QV) é um atributo predominantemente humano e engloba muitos significados que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades. Tais significados refletem o momento histórico, a classe social e a cultura a que pertencem os indivíduos, representando, portanto, uma construção social com a marca da influência cultural (MINAYO; HARTZ; BUSS, 2000; FAYERS; MACHIN, 2007).

9 QUALIDADE DE VIDA O termo de uso mais multidisciplinar da atualidade (FARQUHAR, 1995). Dificuldades para uma definição consensual do conceito de QV. OMS GRUPO WHOQOL.

10 QUALIDADE DE VIDA a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Nessa definição, englobamse seis domínios principais: saúde física, estado psicológico, níveis de independência, relacionamento social, características ambientais e padrão espiritual (WHOQOL GROUP, 1995).

11 QUALIDADE DE VIDA Instrumentos de avaliação Instrumentos genéricos: SF-36 36; EuroQol (EQ-5D) D); Whoqol-100; Whoqol-breve, etc. Instrumentos específicos: DQOL; Diabetes; Câncer; Parkinson, etc.

12 MATERIAIS E MÉTODOS Delineamento do estudo: transversal, abordagem quantitativa descritivo, Instrumentos: Entrevista estruturada Questionário Whoqol-Breve

13 MATERIAIS E MÉTODOS WHOQOL-BREF versão abreviada do WHOQOL questões divididas em 4 domínios: Físico Psicológico Social Meio-ambiente (FLECK et al., 2000)

14 MATERIAIS E MÉTODOS WHOQOL-BREVE Domínios e facetas Domínio 1 - Físico Domínio 2 Psicológico 1. Dor e desconforto 4. Sentimentos positivos 2. Energia e fadiga 5. Pensar, aprender, memória e concentração 3. Sono e repouso 6. Autoestima 9. Mobilidade 7. Imagem corporal e aparência 10. Atividades da vida cotidiana 8. Sentimentos negativos 11. Dependência de medicação ou de tratamentos 12. Capacidade de trabalho 24.Espiritualidade/religião/crenças pessoais Fleck et al. (2000)

15 MATERIAIS E MÉTODOS WHOQOL-BREVE Domínios e facetas Domínio 3 - Relações sociais Domínio 4 Meio ambiente 13. Relações pessoais 16. Segurança física e proteção 14. Suporte social 17. Ambiente no lar 15. Atividade sexual 18. Recursos financeiros Fleck et al. (2000) 19. Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade 20. Oportunidade de adquirir novas informações e habilidades 21. Participação em, e oportunidades de, recreação/lazer 22. Ambiente físico: poluição, ruído, trânsito, clima 23. Transporte

16 MATERIAIS E MÉTODOS População de estudo: pacientes com diagnóstico de AMERT foram matriculados no Cerest Regional Guarulhos, no período de janeiro de 2011 a março de não puderam ser contatados; 107 não puderam ou não consentiram a participação na pesquisa; 06 foram excluídos por dificuldade de compreensão. A amostra foi composta por 192 sujeitos.

17 MATERIAIS E MÉTODOS Variável dependente: qualidade de vida Variáveis independentes: Fatores socio-demográficos e ocupacionais (faixa etária, gênero, escolaridade, situação ocupacional e renda) Fatores associados ao quadro clínico (tipo de diagnóstico* e comorbidade associada) * 3 subgrupos: 1-LER/DORT; 2 LER/DORT; 2- LOMBALGIA; 3- LER/DORT + LOMBALGIA

18 Metodologia de análise dos dados Programa Software Statiscal Pachage for the Social Sciences (SPSS), versão Teste t de Student: MATERIAIS E MÉTODOS variáveis com duas categorias WHOQOL breve: amostra da pesquisa x população saudável Teste Anova one way + Teste de Tukey: variáveis com três categorias Para todos os testes α = 0,05

19 RESULTADOS Tabela 1. Características da amostra estudada Variáveis N = 192 % Gênero Feminino ,7 Masculino 87 45,3 Faixa etária 21 a 30 anos 16 8,3 31 a 44 anos 58 30,2 45 a 68 anos ,5 Escolaridade Menor escolaridade ,6 Maior escolaridade 89 46,4

20 Variáveis N = 192 % Situação ocupacional atual RESULTADOS Tabela 1. Características da amostra estudada (continuação) Trabalhando 93 48,4 Afastado 66 34,3 Desempregado 33 17,2 Renda mensal Com renda ,7 Sem renda 39 20,3

21 RESULTADOS Tabela 1. Características da amostra estudada (continuação) Variáveis N = 192 % Diagnóstico LER/DORT 77 40,1 Lombalgia 50 26,0 LER/DORT + lombalgia 65 33,9 Comorbidade Sim 47 24,5 Não ,5

22 RESULTADOS Tabela 2 Resultados do Teste t de Student para comparar as médias dos escores (desvio padrão), segundo os domínios do WHOQOL-breve, entre a amostra do estudo e a população saudável* Pacientes com AMERT (n = 192) População saudável (n= 751) Domínios Média (DP) Média (DP) p Físico 46,05 (16,05) 60,2 (9,4) < Psicológico 57,93 (15,78) 65,9 (10,4) < Social 57,98 (21,23) 75,8 (17,4) < Ambiental 43,57 (13,15) 62,5 (14,2) < * Valores normativos para os domínios do WHOQOL-Breve obtidos em uma amostra da população saudável (Cruz et al., 2011).

23 RESULTADOS Tabela 3 Resultados dos testes estatísticos ANOVA (1) e t de Student (2) para a comparação entre os domínios do WHOQOL-breve, segundo as variáveis independentes.

24 DISCUSSÃO As medidas de QV em pacientes com AMERT foram inferiores aos valores apresentados pela população saudável, em todos os domínios do Whoqol-breve. Esses resultados corroboram vários estudos que têm constatado os efeitos deletérios dos distúrbios osteomusculares e de outras doenças crônicas na QV dos indivíduos afetados (MORKEN et al., 2002, PICAVET; HOEYMANS, 2004, ROUX et al., 2005; SALAFFI; DE ANGELIS; GRASSI, 2005; YILMAZ et al., 2008; CRUZ et al., 2011; SKEVINGTON; MCCRATE, 2011).

25 DISCUSSÃO Roux et al. (2005): Estudo de coorte, com pessoas, cujo objetivo foi analisar longitudinalmente o impacto do surgimento de um distúrbio musculoesquelético na QV das pessoas, mostrou que esse acontecimento causou um efeito negativo marcante na QV, predominantemente na dimensão física, mas também afetando a saúde mental e os aspectos sociais dos sujeitos acometidos em comparação com o grupo controle, composto por pessoas saudáveis; Skevington e McCrate (2011): avaliando a QV de pessoas com diversos distúrbios e condições de saúde pelo instrumento WHOQOL- Breve, incluindo pessoas saudáveis, detectaram baixos valores de QV principalmente em pacientes com distúrbios musculoesqueléticos, psiquiátricos e cardiovasculares. Em geral, a QV era boa, e melhor para o grupo de pessoas saudáveis.

26 DISCUSSÃO Morken et al. (2002): Sintomas musculoesqueléticos X QV de trabalhadores da indústria de alumínio = altas frequências de sintomas musculoesqueléticos em qualquer região corporal estavam relacionadas com pontuações mais baixas na avaliação de QV. Essa relação foi mais forte para os sintomas de lombalgia e esta também foi a principal causa de absenteísmo entre esses trabalhadores. Picavet e Hoeymans (2004): Constataram QV pior entre as pessoas com doenças osteomusculares em comparação à população geral, especialmente na dimensão física.

27 DISCUSSÃO ASPECTOS PSICOLÓGICOS E SOCIAIS Vários estudos apresentam evidências de quadros de depressão, ansiedade e angústia em pacientes com AMERT, os quais decorrem de situações concretas de problemas econômicos e perda da identidade no trabalho, na família e no círculo social, além da penosidade de se submeter a inúmeras perícias e tratamentos longos e, muitas vezes, incertos (LIMA; OLIVEIRA, 1995; SETTIMI; SILVESTRE, 1995; GARBIN; NEVES; BATISTA, 1998; YENG et al., 2001; BARBOSA; SANTOS; TREZZA, 2007). Vários estudos mostram que a dor musculoesquelética crônica, além de seus efeitos negativos à saúde física e mental, também causa prejuízos sociais para aqueles que sofrem dela, sendo comprovado que os pacientes com distúrbios musculoesqueléticos crônicos apresentam mais problemas sociais quando comparados à população em geral (BURCKHARDT; CLARK; BENNETT, 1993; MARTINEZ et al., 2001; TUZUN, 2004).

28 ASPECTOS AMBIENTAIS DISCUSSÃO Evidências recentes têm demonstrado que as causas da incapacidade não decorrem apenas das características individuais do paciente (físicas e psicossociais), mas também se originam do meio ambiente em que ele está inserido, incluindo-se o seu local de trabalho, a previdência e o sistema de saúde (LOISEL et al., 2001). Ressalta-se a importância do ambiente de trabalho, cujas características podem representar fatores de risco para o desenvolvimento de doenças e contribuir para uma pobre qualidade de vida (KUDIELKA et al., 2005).

29 DISCUSSÃO Faixa etária e gênero: não foram encontradas diferenças na QV A combinação entre idade e gênero é sempre necessária, pois os valores apresentados nas diferentes dimensões da QV, em geral, diminuem com o avançar da idade e são menores em mulheres do que em homens na fase adulta (ROUX et al., 2005).

30 DISCUSSÃO Escolaridade Diferença estatística significante foi encontrada no escore de QV geral entre os grupos, em relação ao nível de escolaridade (pontuação inferior no grupo com menor escolaridade). Esses resultados corroboram alguns estudos: Salaffi, De Angelis e Grassi (2005); Skevington e McCrate (2011) = pior QV entre os pacientes com níveis educacionais inferiores (porém, com diferença mais marcante no domínio físico).

31 DISCUSSÃO Situação ocupacional atual: diferença estatística significante entre os pacientes que estavam trabalhando e os afastados do trabalho, com pontuação inferior para os afastados no domínio físico e na QV geral. Segundo Lima e Oliveira (1995), o afastamento do trabalho associado às ideologias de culpabilização, às características de invisibilidade da doença, além de sentimentos como angústia, desvalia, medo e insegurança contribuem para o agravamento do sofrimento causado pela dor física, pelas limitações na vida diária, pela destruição de projetos de vida e pela imposição de uma situação completamente nova a ser elaborada. Renda mensal: não foram encontradas diferenças nas medidas de QV entre os pacientes com renda e sem renda.

32 DISCUSSÃO Comorbidades crônicas associadas: Não foram encontradas diferenças estatísticas significantes entre os pacientes que apresentavam comorbidades crônicas associadas e os que não apresentavam (pequena parcela da amostra = 24,5%). Esses resultados contrariam o estudo de Salaffi, De Angelis e Grassi (2005) = pior QV entre os pacientes com sintomas osteomusculares e comorbidades crônicas associadas. Roux et al. (2005): a ausência de outras comorbidades possibilita o estudo da influência específica dos distúrbios osteomusculares na QV.

33 DISCUSSÃO SUBGRUPO 3 (LER/DORT + LOMBALGIA) X SUBGRUPO 1 (LER/DORT) < Pontuações = domínios físico, psicológico e ambiental, QV geral. Alonso et al. (2004) < QV = principalmente no domínio físico quando as doenças eram mais incapacitantes. Picavet e Hoeymans (2004) < QV = mais evidente no domínio físico, quando da coexistência de outro agravo musculoesquelético.

34 Considerações finais Limitações do estudo: Estudo transversal; Tamanho da amostra; Critério não probabilístico de amostragem; Metodologia quantitativa. Falha Whoqol-breve: item sobre ambiente do trabalho!!!

35 Considerações finais As AMERT causam um impacto negativo na QV; Tratamento: equipe multidisciplinar / abordagem interdisciplinar e atuação intersetorial; Atual modelo de Reabilitação Profissional do INSS; QV é um indicador essencial para as avaliações na área da saúde, incluindo a eficácia das intervenções realizadas e para a elaboração de políticas públicas; Prevenção e tratamento: em todas as esferas: física, mental, relações sociais e meio ambiente.

36 Considerações finais EMPREGA DOR Impacto negativo das AMERT na QV dos trabalhadores entrevistados; SISTEMA PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR COM AMERT SETOR SAÚDE Influência de fatores pessoais, socioocupacionais e relacionados ao diagnóstico na QV dos pacientes com AMERT; Reabilitação física, psicossocial e profissional dos trabalhadores com AMERT; SISTEMA PESSOAL Atuação interdisciplinar e intersetorial representam a chave para a melhora da QV dos trabalhadores adoecidos. Adaptado: Loisel et al., 2001.

37 Considerações finais Abordagem biopsicossocial X Abordagem biomédica ESFERA FÍSICA ESFERA PSICOLÓGICA SISTEMA PESSOAL ESFERA AMBIENTAL ESFERA SOCIAL

38 ELAINE A. DE PAULA Fisioterapeuta Mestre em Trabalho, Saúde e Ambiente - FUNDACENTRO

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