PERCEPÇÃO DE AUXILIARES E TÉCNICOS DE ENFERMAGEM SOBRE A ESCALA DE TRABALHO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 1

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1 PERCEPÇÃO DE AUXILIARES E TÉCNICOS DE ENFERMAGEM SOBRE A ESCALA DE TRABALHO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 1 Larissa Carolina Rios (Apresentador) 1, Adriana Zilly (Colaborador) 2, Maria de Lourdes de Almeida (Orientador) 3 Curso de Enfermagem 1 Curso de Enfermagem 2 Curso de Enfermagem 3, Palavras-chave: Trabalho, Unidade de Terapia Intensiva, Equipe de Enfermagem. Introdução O trabalho é um processo fundamental para o ser humano, um ato produtivo, que provoca mudanças na natureza e no ser, satisfazendo suas necessidades, obtendo seu sustento e criando relações sociais entre as pessoas. Deve ser conciliado entre trabalho humano e coletividade, integrado a diversos tipos de tecnologia, na qual devem exercer harmonia e respeito mútuo (SANNA, 2007). Uma característica do trabalho em saúde é que ele se insere na prestação de serviços à saúde de forma a não produzir bens capazes a serem estocados e comercializados, consumidos no ato de sua produção. Já o trabalho na enfermagem é divido pela equipe, uma divisão técnica e social, com níveis de formação diferenciados. Desta forma, o enfermeiro assume o gerenciamento do trabalho e o técnico e auxiliar de enfermagem executa e presta assistência direta ao paciente (FELLI; PEDUZZI, 2010). Em enfermagem, o processo de trabalho se resume em alguns elementos que podem ser utilizados separados ou concomitantemente: assistir, administrar, ensinar, pesquisar e participar politicamente. Esses se completam com os elementos do processo de trabalho, no qual vão guiar o gerenciamento de enfermagem, tornando melhor a assistência (SILVA, 1996). O processo de trabalho da enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva se difere com outros setores de menor complexidade. A total dependência do paciente faz com que o trabalho dos funcionários seja maior, sendo que nem sempre a quantidade de auxiliares e técnicos de enfermagem é suficiente para a quantidade de leitos do setor, podendo tornar o dia de trabalho cansativo e estressante (FUGULIN; GAIDZINSKI, 2000). A elaboração de escalas de trabalho é uma atividade complexa, e exige do enfermeiro gestor que as elabora, conhecimentos relativos às necessidades de sua equipe de trabalho, dinâmica do setor, normas da instituição e legislação trabalhista. Deve ser realizada de forma racional para assegurar que a assistência de enfermagem ocorra sem danos aos

2 pacientes e aos colaboradores de enfermagem, tornando a escala humanizada (ESTEVÃO; DIAS, 2010). Objetivos O objetivo foi identificar a percepção do técnico de enfermagem sobre o modelo de escala de trabalho utilizada no setor de Unidade de Terapia Intensiva de um hospital privado em Foz do Materiais e métodos Pesquisa do tipo descritiva exploratória de abordagem qualiquantitativa, realizado na Unidade de Terapia Intensiva de adulto do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, no município de Foz do Iguaçu,PR. Teve como população os 17 técnicos que atuam na UTI Geral de Adulto do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, e que vivenciam a escala de 6 horas de trabalho diárias. A técnica utilizada para a coleta de dados foi entrevista semiestruturada com uso de gravador e teve como norteador um roteiro de entrevista, com questões semi-estruturadas. A coleta de dados foi nos meses de janeiro e fevereiro de 2012, após pré-teste para validação do instrumento de coleta de dados. Para a pesquisa foram considerados todos os aspectos éticos relacionados à pesquisa com seres humanos contidos na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, será respeitado e a coleta de dados se deu após o parecer favorável do CEP da Unioeste. A análise dos dados ocorreu segundo a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), proposto por Lefèvre e Lefèvre (2005) para ser aplicada em estudos no campo da saúde, a fim de expressar a opinião coletiva, podendo ser de fundo qualitativo ou quantitativo. Resultados e Discussão O modelo de escala utilizado pelos sujeitos desta pesquisa é de 6 por 18 horas, isto é, o trabalhador trabalha seis horas diárias e descansa 18 horas. Os sujeitos que compuseram a amostra dessa pesquisa totalizaram 17 trabalhadores, dos quais 15 são mulheres e 02 são homens. Todos os entrevistados são técnicos em enfermagem. Dos entrevistados, 1 tem menos de um ano de curso técnico, 11 são técnicos de 01 à 10 anos e 5 tem o curso há mais de 10 anos. Dos 17 participantes, 05 deles possuem outro vínculo empregatício. Os discursos foram construídos seguindo-se sequência sugerida por Lefrève e Lefrève (2005), coleta de dados dos discursos por meio de entrevistas semiestruturadas, seleção das Expressões Chave (E-Ch) da resposta de cada sujeito para a questão, seguida da identificação das Ideias Centrais (IC) para cada EC-h e após, separação das IC de sentido semelhantes e suas EC-h correspondentes, reunião de todas as E-Ch de sentidos semelhantes e só então a construção dos DSCs com essas E-Ch

3 de sentidos semelhantes, utilizando os conectivos para dar sentido aos discursos. A construção dos DSC emergiu o pensamento dos técnicos de enfermagem sobre a sua escala de trabalho, suas características e o impacto do modelo em outras áreas de sua vida. Foram encontradas três Ideias Centrais (IC) concomitantes com os DSC. Sendo as ICs: Acho essa escala boa porque a UTI é um setor estressante; Acho a escala boa porque tenho mais tempo disponível; Acho a escala boa porque tenho uma qualidade de vida melhor. Essas IC e DSC são apresentadas a seguir: IC- A: DSC- A: Acho essa escala boa Pra mim, não tem pontos negativos, acho melhor este tipo de porque a UTI é um escala porque eu trabalho em um setor fechado e ficar 12 horas setor estressante. em setor deste tipo é pior. Eu gosto de trabalhar 6 horas, porque aqui na UTI é um setor muito estressante. QUADRO 1 Apresentação da IC-A e do DSC-A. O sujeito do DSC A percebe que esse modelo de escala positivo por trabalhar em um setor fechado. Enfatiza no discurso a questão do estresse em que está submetido à equipe de Enfermagem, devido às características do próprio setor e estado dos pacientes que são atendidos ali. Para Gomes (1988) o período de trabalho de 6 horas diárias, ou seja, 36 horas semanais é a carga horária preconizada como ideal para o setor da UTI, por não sobrecarregar excessivamente o funcionário, tendo um horário de descanso entre os trabalhos, suficiente. Porém o período noturno não possibilita tal período, tendo que são realizados plantões de 12 horas, por não disponibilizar transporte para os funcionários. IC- B: Acho a escala boa porque tenho mais tempo disponível. DSC- B: Essa escala é boa porque eu tenho a possibilidade de ter outro vínculo de trabalho, tenho mais tempo disponível pra fazer outras coisas. É melhor porque a cada 5 plantões, tenho 1 folga. QUADRO 2 Apresentação da IC-B e do DSC-B. Nesse discurso (DSC-B), o sujeito coloca esse modelo de escala como positiva. Destaca a questão de ter tempo livre para fazer outras atividades além da profissional e inclusive se envolver em outro vínculo de trabalho, numa outra instituição, além desse. Vale enfatizar que nessa instituição utiliza-se como forma de planejar a escala de trabalho, a escala administrativa, na qual as folgas são preconizadas numa sequência, o funcionário trabalha cinco dias e tem uma folga. Essa maneira de organizar a escala de trabalho foge em alguns aspectos do que preconiza a Consolidação das Leis do Trabalho, mas é legalmente aceita, já que, resulta de acordo coletivo entre instituição e sindicato.

4 Em Poltosi e Gómez (2008), vemos que, cada instituição adota a escala em que melhor se adapta, para satisfazer as necessidades pessoais e profissionais de seus funcionários. Um aspecto importante que pode influenciar na qualidade do trabalho da equipe de enfermagem é o fato de que esses trabalhadores geralmente estão vinculados a mais de um emprego, o que sobrecarrega o trabalho, sem descanso apropriado, resultando em fadiga, tensão e estresse. O sofrimento com o desgaste físico é visível na área da saúde, devido ao serviço ser necessariamente realizado em pé e a grande repetição das tarefas (SILVA, 1996). IC- C: Acho a escala boa porque tenho uma qualidade de vida melhor. DSC- C: Eu acho essa escala melhor, porque consigo descansar e me alimentar melhor, pois, quando a pessoa tem dois trabalhos, ela dorme e se alimenta mal. Por isso, a pessoa quase não tem vinculo na sociedade de sair, passear, fazer alguma outra coisa, a rotina ir do trabalho para a casa e eu não tem ânimo de sair quando não estou trabalhando QUADRO 3 Apresentação da IC-C e do DSC-C. O DSC C, refere-se ao pensamento do sujeito que vivencia o modelo de escala com seis horas de trabalho diário como uma forma satisfatória de trabalhar. Para esse sujeito coletivo, o modelo proporciona melhor qualidade de vida, já que, consegue dormir e se alimentar bem. No discurso fica claro que para o sujeito ter dois trabalhos, mina a vontade e disposição do funcionário para a vida social e familiar, e que predomina neste estilo de vida, a rotina de ir de um trabalho a outro com pouco convívio com outras pessoas fora do círculo profissional e interfere na sua saúde física e mental. Os trabalhadores de enfermagem, muitas vezes têm a saúde prejudicada por estarem em condições inadequadas de trabalho, relacionadas à falta de habilidade na realização de uma escala. Estresse, alterações alimentares e diminuição no estado de alerta, podem provocar prejuízos para o funcionário e para o paciente, limitando a qualidade da assistência (BARBOZA; SOLER, 2003). Conclusões ou Considerações Finais Os técnicos de enfermagem, sujeitos dessa pesquisa, demonstraramse satisfeitos com o modelo de escala no qual, estão sujeitos. Para eles essa forma de planejar os recursos humanos para a prestação do cuidado oferece vários pontos positivos. Esses pontos vão desde considerarem essa escala ideal para setor com nível de estresse alto como a UTI, ter mais tempo disponível para outras atividades até melhoria da qualidade de vida. Este estudo sugere que a forma como a escala de trabalho é organizada pelas instituições de saúde, interfere na forma como o

5 trabalhador vivencia outras atividades sociais e familiares e isso tem impacto na sua saúde e consequentemente no cuidado que é prestado. Referências BARBOZA, D.B.; SOLER, Z.A.S.G. Afastamentos do trabalho na enfermagem: ocorrências com trabalhadores de um hospital de ensino. Revista Latinoamericana de Enfermagem. 2003;11(2): BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos: Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde ESTEVÃO, A.M.; DIAS, C. Percepção dos Profissionais de Enfermagem sobre a Elaboração das Escalas de Plantão em uma Unidade Hospitalar. Revista Ciência & Consciência, revista.ulbrajp.edu.br FELLI, V.E.A., PEDUZZI, M. O Trabalho Gerencial em Enfermagem In: KURCGANT, P. (org.) et al. Gerenciamento em Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, FUGULIN, F.M.T.; GAIDZINSKI, R.R. Horas de assistência de enfermagem: análise comparativa de parâmetros. Nursing (São Paulo). 2000;3(23):30-4. LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A.M.C. Discurso do Sujeito Coletivo: um Novo Enfoque em Pesquisa Qualitativa (Desdobramentos). 2 ed. Caxias do Sul (RS): EDUCS, POLTOSI, M.R.; GÓMEZ, A.T. Metaheurísticas para a elaboração de escalas de trabalho de técnicos de enfermagem. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo (RS), SANNA, M.C. Os processos de trabalho em enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem. vol.60 no.2 Brasília Mar./Apr., SILVA, V.E.F. O desgaste do trabalhador de enfermagem: a relação do trabalho de enfermagem e saúde do trabalhador In: KURCGANT, P. (org.) et al. Gerenciamento em Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

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